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domingo, junho 06, 2021

COMTE-SPONVILLE, ELENI KARAINDROU, VASCO PRATOLINI, KIM KASHKASHIAN, CLÓVIS PEREIRA, TINA MARIA ELENA & RECIFE


  

TRIPTICO DQP – Um ladrão no espelho... - Ao som performático da violista e professora estadunidense Kim Kashkashian. - De novo, nada refletido. Acho mesmo que não mais existo, falta alguém me avisar, parece. Já saindo: Ei! Quem é você? Sou um ladrão. Pronto, essa é boa! Aí encarei: Por acaso você é Ahmed da Corporação dos Ladrões de Marrakesh saído dos insólitos de Raymond Bernard ou do racxasa do Panchatantra? Não. Então o que está fazendo no meu espelho, hem? E começou uma história bonita, cheia de subterfúgios contando a respeito dum caso lá d’O cocheiro, a mulher e o amante. Muita conversa para boi dormir, imagine. Fiz de ouvinte e lembro haver mencionado que vivia numa região de Klondike, perto do Estreito de Bering, era muito rico, possuía de tudo e que, se eu quisesse ir para lá, era só afanar, requestar, trapacear ou coisa que valha, submeter-se ao monsenhor Dassy de Tharn, e poderia desfrutar do que é controle total e o melhor da vida. Ora, ora. Conheço essa história, mas logo pra cima de mim? Sempre tive naquela do velho Machado de Assis: A ocasião faz o furto; o ladrão nasce feito; e ouvia no pé do ouvido desde menino, meu pai citar Catão: Os ladrões de bens particulares passam a vida na prisão e acorrentados; aqueles de bens públicos, nas riquezas e nas honrarias. E, vigente até hoje principalmente no Brasil, o que dizia Lao-Tsé: Quanto maior o número de leis, tanto maior o número de ladrões; e o impagável Marquês de Maricá sacramentando na boa: O roubo de milhões enobrece os ladrões. Afora a experiência de adolescente presenciar a prisão de um amigo de infância, Roberto Ladrão, hoje trabalhador numa casa lotérica e, ao que dizem, completamente regenerado, queria mais o quê? Pelo visto, nenhuma chance. Calma lá! Nenhum diálogo, pode cair fora do meu espelho. Eu vou roubar sua alma! Vôte! Tenho tudo, mas não tenho vida, preciso da sua alma para poder desfrutar de tudo que acumulei! Agora, deu! E veio pra cima de mim com o papo d’A arte de furtar e saiu sapecando O sermão do bom ladrão e tetei, borogodó, cacacá, pra lá e pra cá. Peraí, meu, vá arrumar uma boa lavagem de roupa que eu tenho mais o que fazer, viu? Não adianta, só vou quando conseguir. Então, fique aí ou vá ver se eu estou lá na esquina, que é melhor, tá? Tichausis. É cada uma que me aparece!

 


Dois baques e nenhuma saída, Terezinha... - Ao som do Concert in Istanbul (2012), da compositora grega Eleni Karaindrou, imagens da artista franco-dinamarquesa Tina Maria Elena Da primeira vez, éramos estudantes do primário, ela na outra sala, qualquer fresta eu pregava o olhar nela e ao se dar conta da minha fixação ou virava de lado ou olhava pro céu. Assim foram os quatro anos naquela escola infantil, de lá saí pro ginásio de nunca mais vê-la. Da segunda vez, na esquina da faculdade, ela viúva de um amigo meu e eu sequer sabia, que coisa! Rolou um papo longo e, depois, um clima que se prolongou da sexta por todo final de semana. Parecia que ela queria se redimir da rejeição infantil, não sei. E foi só, desaparecera de sequer saber seu paradeiro depois de um tanto de buscas. Conversamos de tudo de nossas vivências, mas como sou desligado, não peguei seu telefone, nem sei onde trabalhava ou estudava, perdi. Estava naquela do André Comte-Sponville: Esperar um pouco menos, amar um pouco mais. É, quem sabe. Da terceira vez... Não houve, apenas uma carta como a d’Aquela moça do Vasco Pratolini, quase. Lembrei dela e levei flores, no coração o que foi de nós e nosso.

 


Três boatos e uma verdade: o Recife isolado do mundo. - Ao som de Três Peças Nordestinas, do compositor, arranjador, pianista e regente Clóvis Pereira, com a Orquestra da ULBRA, regência Tiago Flores. – A carta dela veio acompanhada de dois livros, três boatos e só uma verdade. O primeiro boato dava conta de que o mar ia engolir o Recife, maior torada de aço. Pense num papo chato, esse. O segundo era também de longas datas e de deixar os cabelos em pé: que a barragem de Tapacurá estava para se romper. Não tinha quem não dissesse: Vai ser um estrago da porra! Abri o livro e lá estava: Tapacurá: viagem ao planeta dos boatos (CEPE, 2015), do escritor e jornalista Homero Fonseca. Aí, o terceiro, foi verdade. E tanto que consta das páginas do Memorial da redação (FCCR/SJPEP, 1989), do jornalista Fernando Menezes, O dia em que o Recife ficou isolado do mundo: No começo dos anos 1960 [...] Um DC-7 da Panair, que regressava de Lisboa, o chamado “Voo da Amizade” cairia um pouco antes da pista. As primeiras notícias davam conta de mais de 60 mortos (na verdade foram 67), havia sobreviventes feridos em vários hospitais, sobretudo no Hospital da Aeronáutica [...] Assim foi naquele 1º de novembro de 1961, uma lição viva e aprendida, um episódio que o tempo apagou. Nele se confirmou uma regra clássica e a competência de dois grandes profissionais [...]. Folheei ambos os volumes e, cá comigo, passava na minha cabeça qual seria o meu delírio comunista e, confesso, meio embatucado com a papa que virou o exército brasileiro, se bem que desde menino nunca fui muito achegado às fardas policiais – passei a infância e a adolescência toda na repressão do golpe de 1964 -, sempre olhei de soslaio e com um bocado de antipatia. Isso só foi um tanto debelado das minhas chaturas, ao conhecer de perto alguns oficiais graduados nas faculdades, que me deram até lição de humanidade. Mas depois do golpe lavajatista e da jogada pro Coisonário, nossa, meu país virou uma bandeira rasgada no meio de um genocídio da pior melecagem, infelizmente. Até mais ver.

 

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quarta-feira, setembro 02, 2020

SHAKESPEARE, BALZAC, ALDIR BLANC, CITTABELLA & COISAS DO RECIFE


DIÁRIO DO GENOCÍDIO NO FECAMEPA – UMA: SABE AQUELA... O REINO DE DUAS CARAS - O Fecamepa vai firme e forte, mesmo com a censura do Nassif & outra aqui e acolá, o reino do imbrochável Coisonário segue mitômano e peçonhento, a comandar a patetada ministerial desqualificada: uma Doidamares endemoninhada (gente, sei que ela é infeliz, mas alguém tem que dá uma picada aprumada para derreter o queijo dela; sei que quem for precisará estar munido de uma bravura indômita, vez que ela não é tão feia, mas é do mal, carece de antídoto e muita coragem, periga virar depois uma besta fera do estopô calango, destá); um MalthusGuedes que para se manter bailando desvairada para os ricos, precisa matar os pobres; o suspeitíssimo boiadeiro dendroclasta SavoRiconarola abrindo a porteira da destruição dos ecossistemas; e outros tantos desclassificados alienígenas que afundam a patriamada na desgraça cloroquínica & outros quetais inventados nos costados endoidecidos deles, enquanto chafurdam na punheta coletiva dos seus mandos, mudando a geografia e até o alinhamento dos planetas na sua sanha estupidológica, para fabricar a sua pseudologia absolutista. Sabia, a história se repete, já advertira Balzac que, como sempre, para cada caso: Há duas histórias: a história oficial mentirosa, que se ensina, a história ad usum Delphini; depois, a história secreta, onde estão as verdadeiras causas dos acontecimentos e que é uma história vergonhosa. No caso do aldrabão dos coisominions, como diria Macbeth de Shakespeare: uma história contada por um idiota, cheia de ruído e de furor e que nada significa. Agora, Brasil, durma com um barulho deste!!! Vambora, gente!

DUAS CRATERAS E NÃO É NA LUA - Aqui a coisa está empenada demais, verdadeira Cittabella: se a gente escapa da abissal pandemia, despenca no desgoverno. Não dá outra, ou lá ou loa e muitos. Revivemos aquela remota e ignota Cidade dos Buracos, antes tida como de localização desconhecida, agora comprovadamente aqui, tenho certeza e bato no peito: Brasilzilzilzilzil. A respeito alerta a escritora e tradutora italiana Lia Wainstein (1919-2001), no Viaggio in Drimonia (Milão, 1965), que precisamos, a exemplo dos habitantes de Cittabella, nos familiarizar com as diferentes espécies de buracos. Os mais comuns e menos preocupantes são do tamanho de uma caçarola. Os redondos, com bordas denteadas, resultado de um súbito colapso da camada superior – cor de berinjela – que repousa sobre uma camada mais mole, marro-terrosa. Observa ela que Quando chove, os buracos se transformam em pequenas poças lodosas, onde não é raro encontrar uma pobre borboleta com as asas presa na lama. Os habitantes de Cittabella caminham enfiando os pés nos buracos, de maneira desajeitada, ou dando passos largos e cuidadosos para não quebrar as bordas. Adverte, porem, que, por ordem de perigo, vêm certos buracos enormes e profundos que podem facilmente engolir duas casas. Ensina a escritora que O povo de Cittabella é conhecido por seu modo de andar peculiar: caminham sempre como se estivessem procurando alguma coisa. Fazem isto por vários motivos: porque estão num bairro cujos buracos não lhes são familiares; ou porque estão procurando (sobretudo para satisfazer suas famílias ansiosas) por algum primo do interior recém-chegado e que parece ter desaparecido; ou porque o cocheiro perdeu mais uma junta de cavalos. Neste último caso, é melhor desistir logo da busca, pois essa tarefa é raramente coroada de sucesso. Lições estas inestimáveis para quem vive driblando constrangedoras situações aversivas como estas que mergulhamos já faz uns cinco anos e, desde março, em dose dupla. Vamos nessa, ora se.

TRÊS PINOTES & UMA ATITUDE ESTOICA - Outrora quisera mais tempo para viver, hoje não mais, idade indefinível, dúvidas além da conta. Não tenho mais jeito, a experiência do silêncio me livra hoje de bons bocados e mais nada para fazer, nem um minuto a mais nem a menos. Recolho as raízes do meu chão, estão em mim no meio dos detritos que sobraram de espécies que se podiam chamar de humanas, ramagem por meus ossos, músculos e o que aperta e dói aqui, o que se ausenta e sinto falta. Este memento mori, não apenas jogos de palavras, coisas que nem se sabe e feitas assim do nada, e disso tento tirar todo proveito para redimir as omissões de antes, desavergonhado compasso escancarado às grandes ventanias do destino. Sigo pálpebras atentas para a descoberta no que encontro e no que perdi, ouvido no ar e nenhum comedimento. Sei que o que é primário não será nunca secundário, embora deixe tanto para depois, a posteriori, sensatez indefesa para judiciosa reflexão. Tenho o temperamento generoso em alta densidade geográfica, sempre procuro algum olhar perdido na minha notoriedade precária senão prejudicada, criada no dedo e sempre assim solícito, pudera, reputação carente na minha militância ginocrata, porque sei que ao encontrá-la ela bailará linda Frances Charlotte Greenwood nua e eclipsada no meu corpo para alcançar minha alma e me fazer recitar Lamas do saudoso Aldir Blanc: Ter coragem de olhar / pela última vez / e mentir calmamente: / quem sabe?... Talvez... / como se a última vez / ficasse pra outra vez... e me salvará como se não houvesse mais jeito de morrer, a saber que sou juiz que não me interrogo lá muito bem, apesar de rigoroso e um tanto polido, perdoará a rir comigo da minha própria careta. Até mais ver

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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COISAS DO RECIFE
[...] A cidade acordava com os pregões dos vendedores ambulantes, os chamados balaieiros, que ofereciam de tudo; frutas, verduras, peixes, guloseimas, quinquilharias e serviços, desde o conserto em panelas e bacias até amolação de facas e tesouras. Muito pregões eram familiares a vários bairros da cidade, alguns alegres e zombeteiros, outros pungentes e nostálgicos: “Eu tenho a lã de barriguda para travesseiro”, gritava com voz arrastada o mulato já avançado em anos. O outro, mais moço, anunciava em tom festivo para assanhar a meninada: “Chora menino pra chupar pitomba!” [...].
Vozes tipos da cidade: o ambulante do desaforo, extraído da obra Coisas do Recife (Bagaço, 2004), do jornalista Fernando Menezes, contando sobre as equinas, assombrações, escola de cinema, referência cultural, artes plásticas, usos e costumes, música, vozes e tipos, brinquedos populares e a cozinha pernambucana. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
 

segunda-feira, novembro 07, 2011

HUEZO MIXCO, RICHARD FORD, GEORGE ELIOT, GIARDINELLI, GLOBOKAR & LITERÓTICA

A arte do trombonista, professor e compositor francês Vinko Globokar, um dos fundadores do grupo de livre improvisação New Phonic Art e integrou o departamento de pesquisa em música vocal e instrumental na IRCAM, em Paris. Veja mais aqui e aqui.


MOLHADICE DO DESEJO NA PRÉVIA DO PRAZER - Imagem; Lovers, art by Julian Day - Ao ver-me divisar a porta do quarto naquela tarde, ela começou inescrupulosa e resolutamente a desvestir-se apressada com um sorriso demorado que expressava um misto de estremecimento e satisfação. Senti que pelo alvoroço, ela vibrava radiante e remexia o ventre como se escorresse livre o cio aceso, minando de parecer já se urinando de tesão pela abstinência devotada numa clausura involuntária de tempos. Providente, passei o trinco, chaveei e quando me virei pude vê-la formidável fêmea desnuda libertando-se do seu claustro pro tudo ou nada. Paralisei-me olhando-a de cima abaixo e tive a confirmação que ela estremecia toda carne a cada pisadela dada, deixando escorrer de suas entranhas a marca da sua volúpia que descia das intimidades pelas coxas e pernas até deixar um fio tênue de poças pelo assoalho. Ela se comprazia lépida irradiando os desejos no cicio do mormaço até encostar os seios trêmulos de carência no meu tórax, fitando-me os olhos e lábios na sua inquietude desatinada. Beijou-me tímida de forma fugaz e encarou-me demoradamente as faces. Tudo nela reluzia uma insaciável tormenta de quereres os mais safados em pleno paroxismo. Beijou-me novamente e com seus olhos negros fitou-me morosa como quem conferia a veracidade da presença e agarrou-se ao meu pescoço colando sua carne no meu corpo, cravando seus lábios nos meus num ósculo demorado de esperas ansiadas por esse encontro, das faíscas incendiarem nossos corpos e almas. Quando ela percebeu o contato no seu corpo do meu membro rijo se avolumando dentro da calça, investiu apalpadelas até apoderar-se furiosa de toda saliência robusta que contagiava a sua excitação. Largou-me abruptamente e ajoelhou-se, alisando com as mãos, faces e lábios toda a extensão do meu pau sob o tecido, enquanto ronronava uma jaculatória entre terços e rosários como quem estava pronta para penitência. Assim ficou demoradamente a conferir e a ninar o volume do meu caralho sob as minhas vestes. Depois de carinhos e esfregões na minha bengala insana, pausadamente ela desabotoou-me e desceu o zíper, escorregando as calças com suas mãos entre as minhas pernas abaixo e ficou carinhando com o queixo minha pica por cima da cueca, contornando ao tato, ora com os dedos e palma da mão, ora passando a face quente com os olhos cerrados, pondo minha tabica entre os lábios aos suspiros e mordiscando carinhosamente. De forma atrevida colocou um dos dedos no interior da cueca para tocar na carne viva do meu cacete, passando o indicador por toda sua extensão em nova conferência, enquanto lambia os próprios beiços na certidão dos mínimos detalhes de sua feitura. Afogueada com esse rebuliço, enfiou a mão em dócil movimento, mas com a firmeza de quem segura algo inescapável, apalpou a glande que saltava do meu pau rijo impiedoso, trazendo-o pontudo rente ao nariz com um mimo extremo de satisfação almejada. Pôs-se meigamente a dar lambidas nele entre os dedos, esfregando-o com esmero pelas faces, queixo, lábios, testa, ombros, pulsos, a apertá-lo com apuro no pescoço completamente ofegante, cheirando-o institivamente até mirá-lo vesgamente para largar de boca cheia d´água as babavas, lambuzando o meu cajado com seu sobejo até que encarou de frente e depôs um simples beijo de biquinho bem na pontinha do meu pau. Foi aí que percebi seu rosto já lambuzado pelo líquido visgoso que emergia do meu prazer. Ao deixar uma porção de beijos ao longo da minha vara, suas mãos buliçosas acarinhavam toda minha virilha, enquanto contornava entre os lábios toda a clava da minha tesão esborrada. Foi aí que ela passou a degustar da minha lança, lambendo, chupando e saboreando como quem se satisfazia de gostoso repasto, ateando a lareira do meu gozo pelo acesso gutural da sua vontade esfomeada de agasalhar meu exílio no elo dos seus rastros. Não me roguei e joguei-lhe espalmada na cama, levando a minha língua para fustigar seus interstícios até me deter no seu grelo que carregava a secura impávida de desejos guardados e adiados, rendida aos meus manejos explorando suas profundidades, curtindo sua molhadice que mergulhei possesso de cabeça chupando sua buceta agitada à mercê dos meus intentos. Língua na sua proa, mãos na sua popa. Enquanto isso, em decúbito indefeso, ela se acercou do meu bastão carregando-o como quem segura um turíbulo irradiando incenso para de forma copiosa engoli-lo impetuosa e completamente, até sentir-me na sua garganta morna, ao mesmo tempo em que se debatia com uma lambida medonha que lhe dera profundamente na xoxota toda e escorregara buliçosa e inclemente até o seu cuzinho róseo que piscava impávido para minha viril intromissão, dela murmurar sugando minha virilidade por inteiro, vendada pelo espalhafato das minhas lambidas na sua fonte lavada. Bruscamente desvirou-se fugando para meu espanto e se encostando com a bunda empinada no parapeito do sofá, se tocando em reboladas, a ponto de ofegante murmurar com voz embargada: - Vem! Meu cuzinho lhe quer todinho enterrado nele. Vem! Veja que ele lhe deseja demais. Venha. Enquanto suplicava ela alisava sua intimidade, eu me punhetava focado no seu pujante desvario. E me aproximei lentamente para que sentisse minha respiração na nuca, o meu roçado no rego da bunda. E toda lânguida e mimada com minha voz safada nos seus ouvidos, ela se enovelou sem pejo ao meu corpo com um sorriso de mártir ao sentir a ponta da minha glande se insinuando no seu procto azeitado pelo visgo da minha ânsia de gozar e, aos poucos, invadi-la para quando totalmente penetrada, arremessar umbigadas certeiras e furiosas para nosso total deleite. Ela mais solícita tributária empinou os quadris numa curvatura cômoda para que eu pudesse mais me enterrar no seu sesso feito um Cyrano de Bengerac que amola facas no gume, todo autoconfiante conviva qual passageiro insone e errante na viagem de volta pela beleza perfeita do rego entre os morros do pódice de Roxane, tomando conta dos seus flancos e contornos eriçados para cravar os látegos das minhas investidas assestadas no seu feitio escancarado sem se esquivar do poder descomunal que me revestia a ocasião, se consumindo toda estólida de requerências emergenciais, dando-se por crucificada em sacramento, prosternada como quem não quer escapar do castigo merecido, sem porfiar da pena imputada do vaivém que me faz crescer aéreo meritório no seu jeito feminil etério, inclinada e obediente para receber a sentença como se fosse a maior honra conferida. Não satisfeito da sua movediça entrega, tomei-lhe os cabelos feitos agora rédeas para abrigar melhor os desígnios das minhas varadas na sua oferenda cálida e submissa em largo arreganho adunco, pouso arregaçando adejo nas suas funduras e brindamos na taça do prazer o jugo e conquistas da minha gula enquanto ela se debate indulgente no ápice do seu gozo, a me pedir que não gozasse ali, porque queria vê-lo esparramando sobre seu corpo. Quase na horagá, desenfinhei para que ela se deitasse ali e sentisse na pele dos seus fartos peitos, o esporrar abundante da minha ejaculação agoniada de príapo canibal viciado que se digna contumaz a penetrar todo armado com meu cajado fálico por todas as suas fendas e orifícios, até ser definitivamente lavado pelo batismo dos nossos gozos na comunhão dos prazeres e salvação eterna da carne e do espírito, amém! © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui, aquiaqui.

 


DITOS & DESDITOS - A paixão torna-se uma força quando encontra saída no trabalho dos nossos braços, na perícia da nossa mão ou na atividade criadora do nosso espírito. Pensamento da escritora britânica George Eliot (pseudônimo de Mary Ann Evans – 1819-1880), que também assim se expressa: Nunca é tarde demais para ser o que você poderia ter sido. Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Entendi que a morte também pode ser uma longa conversa silenciosa consigo mesmo, um som aquático múltiplo, uma profusão de monólogos pessoais e outros, eternos, repetidos, mas sempre originais. Como arte. E me senti muito bem. Pensamento do escritor argentino Mempo Giardinelli.

 

DEIXE-ME SER FRANCO – [...] Porque não existe uma maneira certa de planejar a vida ou de vivê-la: apenas um monte de maneiras erradas. [...]. Trecho extraído da obra Let Me Be Frank With You (HarperCollins, 2011), do escritor estadunidense Richard Ford, também autor da frase: De todas as coisas que vi acontecer em meus anos de vida, o amor é a única coisa que dura.

 

DOIS POEMASCARVALHO: Esta imensa árvore / não servirá jamais / para madeira. / A serra se quebrará / os dentes / na armadura deste carvalho / que há guardado sem sangrar / dentro do peito / os restos da metralha. ACABEI DE NASCER DE MIM MESMO: 1 - era como um falcão encapuzado. / Hoje carrego um coração para o futuro, / E as asas que coloco para voar / Elas estão deixando seu rastro, / E na brisa aberta/ No caminho do sol /Mascarado entre emplastros / Avanços com um sinal a seu favor / O futuro. / O passado, naquele instante, avança, / Tocando sem pressa no ombro do amanhã. / "Amanhã", disse ele. / E isso o surpreende, isso o perturba. 2 - Não estou impaciente que amanhã / traga as cicatrizes da descoberta. / Acabei de nascer, sou o caçador. / E na minha primeira tarde / O sol é um centavo colocando seu olhar / Cobre / Entre a grama. / O sol relincha seu cavalo de maravilhas, / Desce ao inferno de helicóptero, / Penetra no limbo, / Espalhando sua matéria sobre os homens. Poema do escritor e ensaísta salvadroreño Miguel Huezo Mixco.

 

OUTRAS DICAS

 

O CORPO NA ARTE AFRICANAOs povos africanos têm uma concepção sobre arte muito distinta daquela a que estamos acostumados a ver [...] A função essencial do artista consiste então em aprender o invisível, graças ao visível. A arte negro-africana é, por consequência, funcional, conceitual e simbólica. [...]. Extraído do livro O corpo na alma africana (Museu da Vida/Casa Oswaldo Cruz/Fiocruz, 2012), organizado por Gisele Rocha Silva Catel e Wilson Savino, trata do corpo individual e múltiplos, sexualidade e maternidade, a modificação e a decoração do corpo, o corpo na decoração dos objetos, máscaras como manifestação cultural. Veja mais aqui e aqui.

 

COISAS DO RECIFEUma cidade tem a cara e tem seu jeito de ser. Mas nada é para sempre: nem a cara das cidades, nem o seu jeito de ser. Extraído do livro Coisas do Recife (Bagaço, 1990), de Fernando Menezes, tratando sobre as artes plásticas: a intensa luz do Recife, usos e costumes: carnaval e banho de mar, a música da cidade: do frevo ao mangue beat, vozes e tipos da cidade: o ambulante do desaforo, brinquedos populares estão próximos da extinção, nossa cozinha: a supremacia do doce, entre outras. Veja mais aqui e aqui.

 

RAÇA & JUSTIÇA – [...] Quando o sentido racial da discriminação não é tido como uma “intenção”, “motivo interior” ou “emoção”, acaba sendo tomado como o significado “interior” a uma expressão verbal daquela “emoção”, ou puro significado linguístico, às vezes oculto. O sentido “racista” de um ato de discriminação passa então a ser procurado em uma “interioridade” mental ou linguística que se reconstitui como uma interiorização do lado de fora, uma (re)duplicação do outro [...]. Trecho extraído de Raça e Justiça: o mito da democracia racial e o racismo institucional no fluxo de justiça (Fundaj/Massangana, 2009), de Ronaldo Laurentino de Sales Júnior, tratando sobre o direito e relação raciais, a democracia racial, contribuições a uma teoria racial crítica, a República Velha, a Revolta da Chibata, a Imprensa Negra, Revolução de 1930 e Estado Novo, cultura e hegemonia, cordialidade e estigmatização, cultura e classe, o Teatro Experimental Negro, o Projeto Unesco, desenvolvimento e autoritarismo, anti-racismo e judicialização das relação raciais, desconhecimento ideológico e relações raciais, insulto racial, psicopatologias das relações raciais, o discurso espirituoso, figuras de linguagem e denegações, silêncio e fetichismo linguístico, tipologias da discriminação racial, consciência negra, discurso social e movimentos sociais, do interdito ao não-dito, racionalização, gênese estática do direito, entre outros assuntos. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 



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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 Leitoras comemorando a festa Tataritaritatá
Art by Ísis Nefelibata.
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
 Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Interregno das personas... - Havia o que já foi sem que desse nunca pelo que virá: só crescia de noite para ...