Mostrando postagens com marcador Aldir Blanc. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Aldir Blanc. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, setembro 02, 2020

SHAKESPEARE, BALZAC, ALDIR BLANC, CITTABELLA & COISAS DO RECIFE


DIÁRIO DO GENOCÍDIO NO FECAMEPA – UMA: SABE AQUELA... O REINO DE DUAS CARAS - O Fecamepa vai firme e forte, mesmo com a censura do Nassif & outra aqui e acolá, o reino do imbrochável Coisonário segue mitômano e peçonhento, a comandar a patetada ministerial desqualificada: uma Doidamares endemoninhada (gente, sei que ela é infeliz, mas alguém tem que dá uma picada aprumada para derreter o queijo dela; sei que quem for precisará estar munido de uma bravura indômita, vez que ela não é tão feia, mas é do mal, carece de antídoto e muita coragem, periga virar depois uma besta fera do estopô calango, destá); um MalthusGuedes que para se manter bailando desvairada para os ricos, precisa matar os pobres; o suspeitíssimo boiadeiro dendroclasta SavoRiconarola abrindo a porteira da destruição dos ecossistemas; e outros tantos desclassificados alienígenas que afundam a patriamada na desgraça cloroquínica & outros quetais inventados nos costados endoidecidos deles, enquanto chafurdam na punheta coletiva dos seus mandos, mudando a geografia e até o alinhamento dos planetas na sua sanha estupidológica, para fabricar a sua pseudologia absolutista. Sabia, a história se repete, já advertira Balzac que, como sempre, para cada caso: Há duas histórias: a história oficial mentirosa, que se ensina, a história ad usum Delphini; depois, a história secreta, onde estão as verdadeiras causas dos acontecimentos e que é uma história vergonhosa. No caso do aldrabão dos coisominions, como diria Macbeth de Shakespeare: uma história contada por um idiota, cheia de ruído e de furor e que nada significa. Agora, Brasil, durma com um barulho deste!!! Vambora, gente!

DUAS CRATERAS E NÃO É NA LUA - Aqui a coisa está empenada demais, verdadeira Cittabella: se a gente escapa da abissal pandemia, despenca no desgoverno. Não dá outra, ou lá ou loa e muitos. Revivemos aquela remota e ignota Cidade dos Buracos, antes tida como de localização desconhecida, agora comprovadamente aqui, tenho certeza e bato no peito: Brasilzilzilzilzil. A respeito alerta a escritora e tradutora italiana Lia Wainstein (1919-2001), no Viaggio in Drimonia (Milão, 1965), que precisamos, a exemplo dos habitantes de Cittabella, nos familiarizar com as diferentes espécies de buracos. Os mais comuns e menos preocupantes são do tamanho de uma caçarola. Os redondos, com bordas denteadas, resultado de um súbito colapso da camada superior – cor de berinjela – que repousa sobre uma camada mais mole, marro-terrosa. Observa ela que Quando chove, os buracos se transformam em pequenas poças lodosas, onde não é raro encontrar uma pobre borboleta com as asas presa na lama. Os habitantes de Cittabella caminham enfiando os pés nos buracos, de maneira desajeitada, ou dando passos largos e cuidadosos para não quebrar as bordas. Adverte, porem, que, por ordem de perigo, vêm certos buracos enormes e profundos que podem facilmente engolir duas casas. Ensina a escritora que O povo de Cittabella é conhecido por seu modo de andar peculiar: caminham sempre como se estivessem procurando alguma coisa. Fazem isto por vários motivos: porque estão num bairro cujos buracos não lhes são familiares; ou porque estão procurando (sobretudo para satisfazer suas famílias ansiosas) por algum primo do interior recém-chegado e que parece ter desaparecido; ou porque o cocheiro perdeu mais uma junta de cavalos. Neste último caso, é melhor desistir logo da busca, pois essa tarefa é raramente coroada de sucesso. Lições estas inestimáveis para quem vive driblando constrangedoras situações aversivas como estas que mergulhamos já faz uns cinco anos e, desde março, em dose dupla. Vamos nessa, ora se.

TRÊS PINOTES & UMA ATITUDE ESTOICA - Outrora quisera mais tempo para viver, hoje não mais, idade indefinível, dúvidas além da conta. Não tenho mais jeito, a experiência do silêncio me livra hoje de bons bocados e mais nada para fazer, nem um minuto a mais nem a menos. Recolho as raízes do meu chão, estão em mim no meio dos detritos que sobraram de espécies que se podiam chamar de humanas, ramagem por meus ossos, músculos e o que aperta e dói aqui, o que se ausenta e sinto falta. Este memento mori, não apenas jogos de palavras, coisas que nem se sabe e feitas assim do nada, e disso tento tirar todo proveito para redimir as omissões de antes, desavergonhado compasso escancarado às grandes ventanias do destino. Sigo pálpebras atentas para a descoberta no que encontro e no que perdi, ouvido no ar e nenhum comedimento. Sei que o que é primário não será nunca secundário, embora deixe tanto para depois, a posteriori, sensatez indefesa para judiciosa reflexão. Tenho o temperamento generoso em alta densidade geográfica, sempre procuro algum olhar perdido na minha notoriedade precária senão prejudicada, criada no dedo e sempre assim solícito, pudera, reputação carente na minha militância ginocrata, porque sei que ao encontrá-la ela bailará linda Frances Charlotte Greenwood nua e eclipsada no meu corpo para alcançar minha alma e me fazer recitar Lamas do saudoso Aldir Blanc: Ter coragem de olhar / pela última vez / e mentir calmamente: / quem sabe?... Talvez... / como se a última vez / ficasse pra outra vez... e me salvará como se não houvesse mais jeito de morrer, a saber que sou juiz que não me interrogo lá muito bem, apesar de rigoroso e um tanto polido, perdoará a rir comigo da minha própria careta. Até mais ver

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

COISAS DO RECIFE
[...] A cidade acordava com os pregões dos vendedores ambulantes, os chamados balaieiros, que ofereciam de tudo; frutas, verduras, peixes, guloseimas, quinquilharias e serviços, desde o conserto em panelas e bacias até amolação de facas e tesouras. Muito pregões eram familiares a vários bairros da cidade, alguns alegres e zombeteiros, outros pungentes e nostálgicos: “Eu tenho a lã de barriguda para travesseiro”, gritava com voz arrastada o mulato já avançado em anos. O outro, mais moço, anunciava em tom festivo para assanhar a meninada: “Chora menino pra chupar pitomba!” [...].
Vozes tipos da cidade: o ambulante do desaforo, extraído da obra Coisas do Recife (Bagaço, 2004), do jornalista Fernando Menezes, contando sobre as equinas, assombrações, escola de cinema, referência cultural, artes plásticas, usos e costumes, música, vozes e tipos, brinquedos populares e a cozinha pernambucana. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
 

quinta-feira, setembro 03, 2015

GALEANO, ALDIR, HEGEL, MIGNONE, GISELE, WERTMÜLLER, EDWIN, FEIRA LITERÁRIA DE CAMBUQUIRA & RAÍZES & FRUTOS.



VAMOS APRUMAR A CONVERSA? RAÍZES & FRUTOS – Em 1972, eu tinha doze anos de idade, quando tive às mãos a antologia Poetas de Palmares, organizada pelo poeta Juareiz Correya. Lá constavam dois sonetos do meu pai, Rubem de Lima Machado. O primeiro Meu Orgulho: Alimentei em mim uma paixão: orgulho. / Vivi sonhando a zombar de tudo quanto / era sublime. Jogando ao pedregulho / o Bem, e transformando o diabo em santo. / Quis demais. Vaguei... Toquei o infinito. / Revolvi as trevas, transpus o pensamento / e junto ao Deus desabrochou meu peito num grito / de amor que hoje transborda sofrimento. / Que diabo! Inferno vivo a recompensa / do mal que fiz a mim, a ti, a todo mundo. Fui mal, sou mal, desafiei a Deus a crença. / Entre os imundos fui e sou o mais imundo / o descarado vilão mais presunçoso / o perigo e puro suco da ofensa. O segundo denominado de Soneto: Tantos dias passados, tantos anos. / Sei lá quando... os dias já passaram. / Fiz tanto mal, dia a dia causei danos / e meus dias, outros dias trucidaram. / E este mal que ainda me acompanha / me enoja. Deturpa minha vida. / Fui mal, sou mal, o mal em mim se entranha, / tenho existência d’alma pervertida. / Veja estes meus olhos: outros se comparam? / Veja meus lábios: por mim escancarados? / Veja minhas mãos que outras mãos esbarram. / Não são olhos nem lábios, só amaras / de coração e mente endiabrados / que fizeram-me das mãos temíveis garras. Esses dois sonetos viraram minha cabeça. Se ele já era o meu herói da infância, transformava-se no meu ideal. E não resisti à arte, já era muito achegado para fazer-me indiferente. Eu já me insinuava desde menino a fazer umas quadrinhas para a professora do primário, quadrinhas essas, algumas delas, publicadas no suplemento infantil Júnior do Diário de Pernambuco. E por causa dela, sempre rabisquei versinhos infantis que, depois dos Sonetos do meu pai, tomaram vulto e danei-me a encher cadernos e mais páginas com as minhas garrancheiras manuscritas em supostos poemas infindos. Até inventei de musicá-los por canções inauditas e desafinadas, até aprumá-los, segundo meu juízo de então, em dois livros: Para viver o personagem do homem (1982) e A intromissão do verbo (1983). Mas meu pai sempre fora um sonetista boêmio de virar noites recitando e construindo versos com causos e lorotas, até poemas carregados de sentimentos admiráveis. Foi então que fazendo parte das Edições Bagaço à época, resolvi desafiar-lhe a publicar um livro. De pronto ele respondeu: - Só se você dividir comigo. Resisti à ideia porque já preparava o meu Canção de Terra e não tinha nada de novo para publicar, mas mantive a cobrança. Até depois de muita insistência ceder-mos numa parceria. Foi então que nasceu Raízes & Frutos, lançando em 1985, com apresentação do Juhareiz Correia e Arnaldo Afonso Ferreira, com capas e orelhas de Ângelo Meyer. A primeira parte, Raízes, só poemas do meu pai; a segunda, Frutos, os meus poemas. Uma parceria de pai e filho que muito me envaidece. E lançamos numa festa muito bonita no Teatro Cinema Apolo – depois conto como foi esse lançamento. E vamos aprumar a conversa aqui.


Imagem: Female nude, do pintor e gravurista galês Augustus Edwin John (1878-1961).


Curtindo o álbum tripo A música para Flauta de Francisco Mignone (2010/2011), com obras do pianista, regeste e compositor erudito Francisco Mignone (1897-1986), com o flautista professor da UniRio, Sérgio Barrenechea, a pianista Lúcia Barrenechea e outros músicos convidados.

A FENOMENOLOGIA DO ESPÍRITO – A obra A fenomenologia do espírito (1807 - Vozes, 1992), do filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831), trata de temas como a certeza sensível ou o isto e o visar, a força e entendimento, fenômeno e mundo suprassensível, a verdade da certeza de si mesmo, a independência e dependência da consciência de si, liberdade da consciência-de-si: Estoicismo versus Cepticismo, a percepção ou a coisa e a ilusão, dominação e escravidão, consciência infeliz, certeza e verdade da razão, razão observadora, observação da natureza, a observação da consciência-de-si em sua pureza e em referência à efetividade exterior: leis lógicas e leis, observação da consciência-de-si em sua efetividade imediata, a efetivação da consciência-de-si racional através de si, a lei do coração e o delírio da presunção psicológica, fisiognomia e frenologia, o prazer e a necessidade, a virtude e o curso do mundo, a individualidade que é para si real em si e para o reino animal do espírito e a impostura, ou a razão examinando as leis, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho A Percepção ou: a coisa e a ilusão: A certeza sensível não se apossa do verdadeiro, já que a verdade dela é o universal, mas a certeza sensível quer captar o isto. A percepção, ao contrário, toma como universal o que para ela é o essente. Como a universalidade é seu princípio em geral, assim também são universais seus momentos, que nela se distinguem imediatamente: o Eu é um universal, e o objeto é um universal. Para nós esse princípio emergiu [como resultado]; por isso, nosso apreender da percepção não é mais um apreender aparente, [fenomenal], como o da certeza sensível, mas sim um apreender necessário. No emergir do princípio, ao mesmo tempo vieram-a-ser os dois momentos que em sua aparição [fenomenal] apenas ocorriam fora, a saber - um, o movimento do indicar; outro, o mesmo movimento, mas como algo simples: o primeiro, o perceber, o segundo o objeto. O objeto, conforme a essência, é o mesmo que o movimento: este é o desdobramento e a diferenciação dos momentos,  nquanto o objeto é seu Ser-reunido-num-só. Para nós - ou em si -, o universal como princípio é a essência da percepção, e frente a essa abstração os dois momentos diferenciados - o percebente e o percebido - são o inessencial. De fato porém, por serem ambos o universal ou a essência, os dois são essencialmente. Mas enquanto se relacionam como opostos um ao outro, somente um pode ser o essencial na relação; e tem de se repartir entre eles a distinção entre o essencial e o essência, indiferente a ser ou não percebida; mas o perceber, como o movimento, é o inconsistente, que pode ser ou não ser, e é o inessencial. A esta altura, é mister determinar mais de perto esse objeto; determinação que se deve brevemente desenvolver a partir do resultado conseguido, pois aqui não seria pertinente um desenvolvimento mais completo. O princípio do objeto - o universal - é em sua simplicidade um mediatizado; assim tem de exprimir isto nele, como sua natureza: por conseguinte se mostra como a coisa de muitas propriedades. Pertence à percepção a riqueza do saber sensível, e não à certeza imediata, na qual só estava presente como algo em-jogo-ao-lado. Com efeito, só a percepção tem a negação, a diferença, ou a múltipla variedade em sua essência. Assim, o isto é posto como não isto, ou como suprassumido; e portanto, não como nada, e sim como um nada determinado, ou um nada de um conteúdo, isto é, um nada disto. Em conseqüência ainda está presente o sensível mesmo, mas não como devia estar na certeza imediata - como um singular visado -, e sim como universal, ou como o que será determinado como propriedade. O suprassumir apresenta sua dupla significação verdadeira que vimos no negativo: é ao mesmo tempo um negar e um conservar. O nada, como nada disto, conserva a imediatez e é, ele próprio, sensível; porém é uma imediatez universal. No entanto, o ser é um universal, por ter nele a mediação ou o negativo. À medida que exprime isso em sua imediatez, é uma propriedade distinta determinada. Dessa sorte estão postas ao mesmo tempo muitas propriedades desse tipo, sendo uma o negativo da' outra. Enquanto expressas na simplicidade do universal, essas determinidades - que só são a rigor propriedades por meio de uma determinação ulterior que lhes advém - relacionam-se consigo mesmas, são indiferentes umas às outras: cada uma é para si, livre da outra. Mas a universalidade simples, igual a si mesma, é de novo distinta e livre dessas determinidades: é o puro relacionar-se consigo ou o meio, onde são todas essas determinidades. Inter-penetram-se nela como numa unidade simples, mas sem se tocarem; porque são indiferentes para si, justamente por meio da participação nessa universalidade. Esse meio universal abstrato, que pode chamar-se coisidade em geral ou pura essência, não é outra coisa que o aqui e agora como se mostrou, a saber: como um conjunto simples de muitos. Mas os muitos são, por sua vez, em sua determinidade, simplesmente universais. Este sal é um aqui simples, e ao mesmo tempo múltiplo; é branco e também picante, também é cubiforme, também tem peso determinado etc. Todas essas propriedades múltiplas estão num aqui simples no qual assim se interpenetram: nenhuma tem um aqui diverso do da outra, pois cada uma está sempre onde a outra está. Igualmente, sem que estejam separadas por aquis diversos, não se afetam mutuamente por essa interpenetração. O branco não afeta nem altera o cúbico, os dois não afetam o sabor salgado etc; mas por ser, cada um, simples relacionar-se consigo, deixa os outros quietos, e com eles apenas se relaciona através do indiferente também. Esse também é portanto o puro universal mesmo, ou o meio: é a coisidade que assim engloba todas essas propriedades. [...] Veja mais aqui.

AS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA – O livro As veias abertas da América Latina (L&PM, 1971), do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015), trata de uma análise sobre a história da América Latina desde o período da colonização europeia até a Idade Contemporânea, argumentando contra a exploração econômica e a dominação política do continente, primeiramente pelos europeus e seus descendentes e, mais tarde, pelos Estados Unidos. A exploração do continente foi acompanhada de constante derramamento de sangue índio e devido à exposição de eventos de grande impacto para o conhecimento da história do continente, o livro foi banido na Argentina, Brasil Chile e Uruguai durante as ditaduras militares destes países. Da obra destaco o trecho inicial: A divisão internacional do trabalho significa que alguns países se especializam em ganhar e outros em perder. Nossa comarca no mundo, que hoje chamamos América Latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se aventuraram pelos mares e lhe cravaram os dentes na garganta. Passaram-se os séculos e a América Latina aprimorou suas funções. Ela já não é o reino das maravilhas em que a realidade superava a fábula e a imaginação era humilhada pelos troféus da conquista, as jazidas de ouro e as montanhas de prata. Mas a região continua trabalhando como serviçal, continua existindo para satisfazer as necessidades alheias, como fonte e reserva de petróleo e ferro, de cobre e carne, frutas e café, matériasprimas e alimentos, destinados aos países ricos que, consumindo-os, ganham muito mais do que ganha a América Latina ao produzi-los. Os impostos que cobram os compradores são muito mais altos do que os valores que recebem os vendedores. Como declarou em julho de 1968 Covey T. Oliver, coordenador da Aliança para o Progresso, “falar hoje em dia de preços justos é um conceito medieval. Estamos em plena vigência do livre-comércio”. Quanto mais liberdade se concede aos negócios, mais cárceres precisam ser construídos para aqueles que padecem com os negócios. Nossos sistemas de inquisidores e verdugos não funcionam apenas para o mercado externo dominante, também proporcionam caudalosos mananciais de lucros que fluem dos empréstimos e dos investimentos estrangeiros nos mercados internos dominados. “Já se ouviu falar de concessões feitas pela América Latina para o capital estrangeiro, mas não de concessões feitas pelos Estados Unidos para o capital de outros países (...). É que nós não fazemos concessões”, advertia o presidente norteamericano Woodrow Wilson, por volta de 1913. Ele estava convicto: “Um país”, dizia, “é possuído e dominado pelo capital que nele foi investido”. E tinha razão. Pelo caminho perdemos até o direito de nos chamarmos americanos, embora os haitianos e os cubanos já estivessem inscritos na História, como novos povos, um século antes que os peregrinos do Mayflower se estabelecessem nas costas de Plymouth. Agora, para o mundo, América é tão só os Estados Unidos, e nós quando muito habitamos uma sub-América, uma América de segunda classe, de nebulosa identidade. É a América Latina, a região das veias abertas. Do descobrimento aos nossos dias, tudo sempre se transformou em capital europeu ou, mais tarde, norte-americano, e como tal se acumulou e se acumula nos distantes centros do poder. Tudo: a terra, seus frutos e suas profundezas ricas em minerais, os homens e sua capacidade de trabalho e de consumo, os recursos naturais e os recursos humanos. O modo de produção e a estrutura de classes de cada lugar foram sucessivamente determinados, do exterior, por sua incorporação à engrenagem universal do capitalismo. Para cada um se atribuiu uma função, sempre em benefício do desenvolvimento da metrópole estrangeira do momento, e se tornou infinita a cadeia de sucessivas dependências, que têm muito mais do que dois elos e que, por certo, também compreende, dentro da América Latina, a opressão de países pequenos pelos maiores seus vizinhos, e fronteiras adentro de cada país, a exploração de suas fontes internas de víveres e mão de obra pelas grandes cidades e portos (há quatro séculos já haviam nascido dezesseis das 20 cidades latino-americanas atualmente mais populosas). Para os que concebem a História como uma contenda, o atraso e a miséria da América Latina não são outra coisa senão o resultado de seu fracasso. Perdemos; outros ganharam. Mas aqueles que ganharam só puderam ganhar porque perdemos: a história do subdesenvolvimento da América Latina integra, como já foi dito, a história do desenvolvimento do capitalismo mundial. Nossa derrota esteve sempre implícita na vitória dos outros. Nossa riqueza sempre gerou nossa pobreza por nutrir a prosperidade alheia: os impérios e seus beleguins nativos. Na alquimia colonial e neocolonial o ouro se transfigura em sucata, os alimentos em veneno. Potosí, Zacatecas e Ouro Preto caíram de ponta-cabeça da grimpa de esplendores dos metais preciosos no fundo buraco dos socavões vazios, e a ruína foi o destino do pampa chileno do salitre e da floresta amazônica da borracha; o nordeste açucareiro do Brasil, as matas argentinas de quebrachos ou certos povoados petrolíferos do lago de Maracaibo têm dolorosas razões para acreditar na mortalidade das fortunas que a natureza dá e o imperialismo toma. A chuva que irriga os centros do poder imperialista afoga os vastos subúrbios do sistema. Do mesmo modo, e simetricamente, o bem-estar de nossas classes dominantes – dominantes para dentro, dominadas de fora – é a maldição de nossas multidões, condenadas a uma vida de bestas de carga.A diferença se acentua. [...] Veja mais aqui e aqui.

BAILE DE FORMATURA, ANGÚSTIA DE INFLUÊNCIA & HEFESTO – No livro A poesia de Aldir Blanc (Irmãos Vitale, 2001), do compositor e escritor Aldir Blanc, destaco inicialmente Baile de Formatura: Eu não sonhei / que você estava linda. / Eu realmente fui ao baile / e vi você de relance, linda, / de uniforme de normalista, / e seus olhos eram olhos / de uma mulher enamorada, / parecida com a Malu Mader. / Sentindo frio em minhalma, / procurei o bar / pra tomar cuba-libre e coragem. / Quando voltei pro salão / você não estava. / Tinha casado e mudado. / Ainda havia flamingos, / viagens sentimentais, / encantamentos, convites, / damas apaixonadas, / sofisticadas e vagabundas, / a quem amei, mesmo sabendo / que isso não pode ser amor. / Não adianta me chamar / de irresponsável. / Eu estava me sentindo um tolo / por querer você. / Ainda assim, tive luas azuis, / luas pálidas, / luas brilhando sobre / cidades desconhecidas / e um caso para relembrar / e esquecer, / e novo tempo de partir / e o que será, será, / as luzes da cidade / refletindo / um sorriso na lembrança, / um certo sorriso de verão, / cerca de meia-noite, / um sorriso de velhos amigos / embora estranhos no paraíso, / e esse sorriso reacendeu / minha velha chama: / eu dançaria a noite inteira / de rosto colado, / dançando no escuro / canções de setembro, / dançando na chuva, / nas areias da maré baixa, / mas você ainda não estava / dançando a melodia imortal, / você era uma estrela / piscando acima do arco-íris, / e de repente havia fumaça / em seus olhos, / amores clandestinos, / minha garota melancólica, / até nosso reencontro, / mas depois daquela última dança, / corpo e alma, / nunca mais seremos os mesmos. / Hoje a canção é você / e eu estou feliz / por ser infeliz nessa fascinação / entre folhas mortas, / gardênias azuis, / serenatas ao luar, / canções da Índia, / cartas de amor... / With a song in my heart / eu te esperei vinte anos, / acordado e triste, / no salão silencioso e apagado. / Você mudou, noite e dia, / mudou suave e adoravelmente, / e ainda tem os mesmos olhos, / olhos de mulher apaixonada, / olhos de Malu Mader, / e agora, por causa de você, / por tudo que você é, / eu posso finalmente sonhar / que durante todo esse tempo / você não flertou com ninguém, / e que olha só para mim, / meu amor, / meu par. Também Angústia de Influência: A mulher e o toureiro têm em comum o cheiro / de sangue no esmero da roupa / têm em comum a graça / com que transpassam / a besta com a capa e a espada / têm em comum o estro / poético do gesto antes da / morte, os olhos de martírio / o homem-fera / babuja a bainha da Valquíria / quando / o infinito / lavra no lacre / seu sinete: / a besta expira, atônita / diante da verônica / de Manolete. Por fim o poema Hefesto: Um dia inteiro / para / em queda livre / beijar o solo. / No tempo mitológico / o dia é a vida. / Os filhos que ficam / grudados na mãe / passam toda a vida / caindo. Veja mais aqui.

DE SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO À ESPERANÇA VEM DO LIXO – A trajetória da bela atriz Gisele Fróes seguiu-se logo depois que ela se formou no curso para atores da Cara das Artes de Laranjeiras (CAL), estreiando no teatro com a peça teatral Sonho de uma noite de verão (1985), seguindo-se de Olho de gato (1985), Nosferatu (1986), Ataca, Felipe! (1986), Lampião (1991), O tiro que mudou a história (1991), Tiradentes, inconfidência no Rio (1992), O congresso dos intelectuais (1993), Senhora dos afogados (1994), Don Juan de Molière (1997), A alma boa de Set-Suan (1998), Cabaré 3: para quem gosta de mim (1999), Carícias (2001) e A prova (2002), quando em 2004 ela ganha o Prêmio Shel de melhor atriz por Deve haver algum sentido em mim que basta, da Companhia de Teatro Autônomo do Rio, seguindo-se outros espetáculos teatrais como E agora nada é mais uma coisa só (2005), Divã (2005), O mundo dos esquecidos (2007) e Oréstia (2012). No cinema ela estreou com o filme Riscado (2010), seguindo-se Vips (2011), Boa sorte (2014) e Trash: a esperança vem do lixo (2014). Daqui os nossos aplausos e desejo de sucesso para esta maravilhosa e bela atriz. Veja mais aqui.

FERDINANDO E CAROLINA – A comédia histórica Ferdinando e Carolina (1999), dirigido pela cineasta italiana Lina Wertmüller, é ambientada no Palácio Real de Caserta e em locais que lembram os esplendores dos tribunais de Bourbon do século XVIII, contando a alegria contagiosa, explosiva e incontrolável de um homem e as loucuras da juventudo pelo amor de uma mulher que é uma princesa de Medina com quem pretende se casar, quando seu pai já o tenha arranjado para outro casamento com uma filha da imperatriz, passando para uma historia para lá de interessante e sobrecarregada de uma sensualidade muito envolvente. Veja mais aqui.

 

II FEIRA LITERÁRIA DE CAMBUQUIRA – Está prevista a abertura para esta sexta, dia 4 de setembro, da II Feira Literária de Cambuquira (MG), coordenada por Olga Nunes e Maria Cecília Santos Carvalho. A feira se prolongará até o dia 7 setembro e na programação do evento, quando ocorrerá uma homenagem ao saudoso poeta Argemiro Corrêa, pai da nossa querida Meimei Corrêa que fará parte da mesa literária no último dia, a partir das 16:30hs. Mais detalhes da feira confira aqui.

IMAGEM DO DIA
Imagens de Diana de Poitiers (1499-1566), a preferida de Henrique II.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa SuperNova, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. E para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
Dê livros de presente para as crianças.
Aprume aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
 

NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Interregno das personas... - Havia o que já foi sem que desse nunca pelo que virá: só crescia de noite para ...