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quarta-feira, julho 01, 2020

ALCEU VALENÇA, ACHILLE MBEMBE, KJERSTI ALVEBERG, LETÍCIA ARAUJO & BACAMARTEIROS



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: AUTORRETRATO, ALTER MUITOS EGOS - Do que fui pro que sou, antes e depois, meu coração Caravaggio é abraço de graça: sou da paz em flor mais que a ternura, porque não me faço guerra. O poema legisla em causa própria. Arte, será? George Sand afetuosamente terna: A arte é uma demonstração de que a natureza é a prova. A arte não é um estudo da realidade positiva; é uma busca da verdade ideal. Voo do que sinto ao suor, sou beijo paratodos.

DUAS: REINVENTO & SOBREPUJO – Voo sem leme ou bússola, apenas amanheço como se eu não tivesse amparo, a não ser nos meus próprios gestos inseguros ou a me debater tremulante aos estertores. Reinvento a clausura e o momento, Leibniz que alerta: Mais importante que as invenções é como foram inventadas. Não é tempo que perdemos, é vida. Retomo a passada, recrio caminhos antes ermos e sou direção da venta aonde for.

TRÊS: O QUE ME FALTA NÃO É PERDA - Minhas mãos são ruas do lado de lá e de cá, porque ouvi de Bakunin: A liberdade do outro estende a minha ao infinito. Não há nada tão estúpido como a inteligência orgulhosa de si mesma. Sou voo livre palhássaro por fogáguas e terrares... Dê-me a sua mão, entrega. Até amanhã ou nunca mais. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Na lógica da sobrevivência, ‘cada homem é inimigo de todos os outros’. Mais radicalmente, o horror experimentado sob a visão da morte se transforma em satisfação quando ela ocorre com o outro. É a morte do outro, sua presença física como um cadáver, que faz o sobrevivente se sentir único. E cada inimigo morto faz aumentar o sentimento de segurança do sobrevivente. [...]. Trecho extraído da obra Necropolítica (N-1, 2018), do historiador, filósofo e cientista político camaronês Achille Mbembe, que no seu estudo As formas africanas de auto-inscrição (Estudos afro-asiáticos, 2001), observou que: [...] Para além da evidência das fraturas e da difração, a experiência dos escravos africanos no Novo Mundo reflete uma plenitude de identidade mais ou menos comparável, mesmo que as formas de sua expressão difiram, e mesmo que não haja nenhum livro. Tal como os judeus no mundo europeu, eles têm que “narrar a si mesmos” e “narrar o mundo”, e lidar com este mundo a partir de uma posição na qual suas vidas, seu trabalho e seu modo de falar (langage) são parcamente legíveis, pois estão envolvidos em embalagens fantasmagóricas. Eles têm que inventar uma arte de existir em meio à espoliação, mesmo que agora seja quase impossível invocar o passado e lançar sobre ele algum encantamento, exceto talvez nos termos sincopados de um corpo que constantemente é transformado de ser em aparência [...]. Veja mais aqui.

DESTAQUE: Sob o céu de Recife / e sinto o cheiro da chuva / na terra molhada do quintal. / Me guardo agora / dentro de uma velha casa. / Lá fora as folhas balançam / no vento e na chuva. / O limoeiro / A pitangueira / A cana. / Sim, existo! Poema da poeta, professora e blogueira Letícia Araujo, que edita o blog Poemas de um espírito – Meus poemas e meus poetas e outros como Allegro Cannabis, Avenida Acácia, Vitrola, Universo Paralelo & Rock and Roll. Veja mais aqui, aqui e aqui.

BACAMARTEIRO
[...] Todos os anos, no dia de São João, sobem ao serrote do Bom Jesus duas centenas, talvez, de matutos com seus clavinotes e, até a tardinha, divertem-se a fazer disparos cerrados, dando vivas ao santo festejado. Escurecendo, descem agrupados com chapéus de couro, armas a tiracolo, sacola de munições vazia, num vozear entusiástico, numa ruidosa alegria [...].
BACAMARTEIRO - Trecho extraído da obra A filha de dona Sinhá (Casa do Estudante, 1952), do jornalista, escritor e professor Mario Sette (1886-1950). Nos dicionários do Cascudo encontra-se que bacamarte é uma arma de fogo que se parece com uma garrucha alongada, alargada na boca e reforçada na coronha, oriunda do bacamarte de amurada que era uma das armas mais especializadas em uso nos séculos XVIII e XIX, na França. E o bacamarteiro é atirador de bacamarte, antiga arma de fogo com ruidosos disparos de efeitos psicológicos junto dos assistentes. Ainda hoje, acompanhados por um zabumba, esses atiradores se apresentam durante as festas joaninas assustando os menos avisados e oferecendo aos espectadores toda a técnica de manejo do bacamarte e a prova da boa pólvora de indústria caseira, sempre sob o comando de militares. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da premiada coreógrafa, bailarina e dançarina norueguesa Kjersti Alveberg. Veja mais aquiaqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Minha vida parece um filme, como se eu estivesse fazendo um documentário de tudo. As músicas guardam minha memória visual, são HDs de lembranças.
A arte do cantor, compositor, instrumentista e advogado Alceu Valença, que teve uma mostra Ocupação Alceu Valença, organizada pelo Itaú Cultural, em São Paulo, 2019/2020, com a trajetória do artista e que serviu de base para o longa-metragem A luneta do tempo, um musical com direção e participação dele, ganhador da melhor trilha musical do Festival de Gramado de 2014. Veja mais aqui, aqui & aqui.
&
A arte do pintor, desenhista, ilustrador e professor Darel Valença Lins (1924-2017) aqui, aqui & aqui.
A arte do escultor, desenhista, gravador, ceramista e professor Abelardo da Hora (1924-2014) aqui.
Os tempos da Praieira, do advogado, jornalista, historiador e político brasileiro Costa Porto (1909-1984) aqui.
O sol além da minha rua, do escritor e editor Paulo Caldas aqui.
O livro Palpo a quimera e o tremor, de Vital Corrêa de Araújo aqui.
A poesia do poeta popular Paulo José dos Santos aqui.
Una dos Ambulantes de Deus aqui.
&
Barra de Guabiraba aqui & aqui.
 


quarta-feira, maio 30, 2018

ONETTI, BAKUNIN, KALJU LEPIK, HJELMSLEV, MARÍA LA RIBOT, LYNN BIANCHI, WALTER SMETAK & VÂNIA ABREU


PENÚLTIMA CARTA DE MAIO - Imagem: arte da pintora, escultora e fotógrafa estadunidense Lynn Bianchi. - Estou aqui há tempo e nem sei mais o exato ou não, encolhido, deste tamaínho, milhares de abismos em mim para me perder e, para não cair, me deitei no chão frio na hora grande da solidão. Comumente é assim: eu daria o mundo para não tombar em vão, inútil deriva onírica carregada de vertigens. O que aconteceu comigo, já despenquei não sei quantos epigramas e me arrasto carregando meu fardo pelo assoalho nada aconchegante na hora errada dos vacilos. Em nome de quem estiro minhas costelas pelo pó da velharia escolar, sem casa nem teto, a me valer do que não tenho, a sentir-me na terceira margem, pra saber que o lado de cá é sempre menor que tantos outros. Nunca pensei que algo acabasse assim, para mim há sempre uma gota de sangue em cada palavra e um gole de veneno em cada pronúncia, e o gozo entre um e outro, a eterna vigília que de nada adianta ao desabar. Todos querem um mundo melhor e só tornam as coisas piores, a inumerável realidade volúvel, o mundo vivo das notícias tristes e a certeza da incerteza. Da penúltima vez era quase agora, quase última, de nenhuma ou talvez. Nem sabia que era e foi aquele gosto de véspera. Da penúltima vez eu quase não sabia nada, talvez ainda julgasse pelas aparências ou não havia me dado conta de que podia sonhar o impossível e realizá-lo de olhos bem abertos. Eu não via o que não era, ignorava o segredo por trás de todas as expressões, sequer sabia que não era nem segredo, não havia aprendido a amar de verdade. Não havia espera, eu era todas as funduras da unidade. Não havia depois naquele momento de ontem e amanhã, o gosto da eternidade. Mais soubesse teria feito tudo de novo pra não me arrepender de nada, nunca me arrependi. Mais soubesse não haveria última: tudo faz parte do todo. Eu apenas sonhava e era real. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do professor, músico e pesquisador Walter Smetak (1913-1984): Música dos mendigos, Uibitus Beija-flores e ETC & Interregno; da cantora Vânia Abreu: Seio da Bahia, Pra mim & Dó de mim; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. 

PENSAMENTO DO DIA – [...] A linguagem (a fala humana) constitui uma fonte inesgotável de múltiplos tesouros. Inseparável do homem, sempre presente em todos os seus atos, é a linguagem que dá forma a seu pensamento e sentimentos, assim como a seus esforços vontades e ações. Fundamento último da sociedade humana, a linguagem é a marca da personalidade individual, do país natal e da nação. O título de nobreza do homem [...]. Pensamento do linguista dinamarquês Louis Hjelmslev (1899-1965), que desenvolveu a teoria da Glossemática, caracterizada por um alto grau de formalismo por estar interessada em descrever as características formais da linguagem no contexto da lógica. Veja mais aqui e aqui.

DEUS & O ESTADO – [...] Todos os ramos da ciência moderna, da verdadeira e desinteressada ciência, concorrem para proclamar esta grande verdade, fundamental e decisiva: o mundo social, o mundo propriamente humano, a humanidade numa palavra, outra coisa não é senão o desenvolvimento supremo, a manifestação mais elevada da animalidade pelo menos para nós e em relação ao nosso planeta. Mas como todo desenvolvimento implica necessariamente uma negação, a da base ou do ponto de partida, a humanidade é, ao mesmo tempo e essencialmente, a negação refletida e progressiva da animalidade nos homens; e é precisamente esta negação, racional por ser natural, simultaneamente histórica e lógica, fatal como o são os desenvolvimentos e as realizações de todas as leis naturais no mundo, é ela que constitui e que cria o ideal, o mundo das convicções intelectuais e morais, as ideias. [...] Assim, todas as vezes que um chefe do Estado fala de Deus, quer seja o imperador da Alemanha ou o presidente de uma república qualquer, estai certo de que ele se prepara para tosquiar de novo seu povo-rebanho. [...]. Trechos extraídos da obra Deus e o Estado (Cortez, 2011), do escritor, ativista anarquista e teórico libertário russo Mikhail Bakunin (1814-1876). Veja mais aqui.

AMANHÃ SERÁ OUTRO DIA – [...] A chuva deixara os bulevares quase vazios e só restava gente agrupada no café envidraçado onde, havia meses, não a deixavam entrar. Sonia, de pé no vestíbulo da casa vazia, viu que a chuva passava, fatigada, a manso chuvisco, viu-a cessar enquanto aumentava o frio do vento, e pensou que aquilo era sinal de boa sorte. Um pouco mais longe, do outro lado do amplo passeio, as luzes da cidade começavam a se acender. A noite tinha início, e, respirando o aroma tristonho de seu casaco molhado, Sonia pensou que também a esperança tinha início. Sorriu, sem realmente acreditar, como uma menina para a qual recitaram uma história já ouvida e inverossímil. Apalpou novamente a crespa peruca loira e com grande cuidado — tinha as unhas muito compridas — foi esticando as meias ensopadas presas pelas ligas. Sentiu fome de novo e lembrou que tinha um sanduíche de presunto no bolso. Mas não podia estragar o desenho da boca que fizera com batom e com tanto cuidado. Também lembrou que até o fim do mês estava em ordem com a polícia e obrigou-se a caminhar, aproximando-se da beira das calçadas para sorrir para os carros, rebolar e parar, fingindo procurar alguma coisa na bolsa enorme. Mas nada, ninguém, e sem dinheiro para tentar a sorte em bares onde ainda a deixavam entrar. Era noite e depois madrugada no bairro sujo da grande cidade. E Sonia, já sem fome, quase sem esperanças, continuava caminhando sobre a dor dos sapatos de salto agulha. Repetiram-se os breves diálogos com os homens que passavam. — Vamos. Você vem? — Vá tomar no cu. — Gosto disso. Eu também posso botar se quiser experimentar. Homens e homens e seu asco por eles. A luz limpa ameaçava chegar do porto e as outras iam se apagando. Subiu as escadas pisando com as meias de seda caras. Abriu a porta manchada e acendeu a luz do teto. O rapaz, que sentou- se na cama, perguntou com medo: — Como foi? — Uma merda, boneca. Estou faminta. Acho que tínhamos uma lata de sardinha e sobrou pão do café-da-manhã. O menino, moreno e magro, levantou-se da cama e começou a remexer no armário; disse com voz de mimo e queixa: — Você ainda não me beijou. — Agora. Diante do espelho Sonia tirou a peruca e acariciou as faces. — Outra vez barbuda. Depois tirou a roupa e ficou olhando os peitos inchados com silicone e o sexo que penderia trêmulo e inútil mesmo depois das sardinhas. [...]. Trechos extraídos da obra 47 contos de Juan Carlos Onetti (Companhia Das Letras, 2006), do escritor uruguaio Juan Carlos Onetti (1909-1994). Veja mais aqui e aqui.

PRAGA - Se destruíres nosso povo / Que a chuva vire pedra sobre teus campos. / Que a pedra dispare brotos de pedra. / Que pão de pedra esteja em tua mesa. / Que pétreo seja o chão em que pisas. / Que pétreo seja teu céu acima. / Que o mar vire pedra. / Vire pedra como teu coração é de pedra / Contra nossa terra e nosso povo. Poema do poeta estoniano Kalju Lepik (1920-1999).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da bailarina e coreógrafa performática espanhola María La Ribot.
Veja mais aqui.


II Festival Internacional de Música de Campina Grande – II FIMUS Jazz, dias 14 e 15 de julho de 2018, no Teatro Municipal & muito mais na Agenda aqui.
&
A arte da pintora, escultora e fotógrafa estadunidense Lynn Bianchi.
&
Brincava e aprendia, a literatura de Autran Dourado, a poesia de Vielimir Khlébnikov & a fotografia de Colin Solomon aqui.
 

quinta-feira, novembro 19, 2009

BÁLINT BALASSI, BORIS PASTERNAK, MARLOWE, BAKUNIN, WÄINÖ AALTONEN, ÁGORA DE HYPATIA & EDUCAÇÃO INCLUSIVA

A arte do escultor e pintor finlandês Wäinö Aaltonen (1894-1966).

QUEM DERA A VIDA FOSSE UM SONHOUMA: TUDO PASSA & O QUE É AGORA PODE NÃO SER MAIS AMANHÃ – Como há quem ignore o efêmero, principalmente os poderosos ou agentes públicos que se acham eternos. Ditam normas, cagam raios, esmurram birôs, conquistam inimizades, constroem rixas, protegem os seus, embolsam como querem os recursos disponíveis, arrumam-se e fazem tudo girar conforme o umbigo. Nem se dão conta de que é tudo tão passageiro, quatro anos ou oito com reeleição, tudo passa. Acho que nunca ouviram aquela do Boris Pasternak: Os detentores do poder ficam tão ansiosos por estabelecer o mito da sua infabilidade que se esforçam ao máximo para ignorar a verdade. Nem assistiram o filme Ágora de Hypatia dando conta das tantas viravoltas que a vida dá. Os que sabem deixam a vida seguir seu curso, para isso o valor da compreensão. DUAS: CUSPIU PRA CIMA E NÃO SAIU, O CUSPE NA CARA CAIU – Para quem acha que há algo de absoluto ou definitivo neste mundo, não avalia o tamanho do seu equívoco. Basta sacar a do Bakunin: Não há nada tão estúpido como a inteligência orgulhosa de si mesma. Aí vai saber com quantas asneiras se arma uma convicção. Eu, hem? TRÊS: É MELHOR SERVIR-SE DO CORAÇÃO – Entre a racionalidade ferrenha e a emoção afetiva, tasco no segundo. Ou se equilibra a razão com humanidade, ou só dá pipoco de intriga e mal-entendidos. Evidente que é preciso racionalizar determinados ângulos da situação, entretanto nunca é demais o uso da intuição e, evidentemente, com humildade e ternura. Sou pela dica de Marlowe: Me faça imortal com um beijo. E vamos aprumar a conversa! Até amanhã. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.


DITOS & DESDITOS - Considero a religião como um brinquedo infantil, e acho que o único pecado é a ignorância. Pensamento do dramaturgo, poeta e tradutor inglês Christopher Marlowe (1564-1593). Veja mais aqui.

ALGUÉM FALOU: Religião é demência coletiva. A liberdade do outro estende a minha ao infinito. Pensamento do escritor e anarquista russo Mikhail Bakunin (1814-1876). Veja mais aqui.

QUEM SOMOS?Somos como Adão e Eva, que no começo do mundo nada tinham com o que vestir-se. Eis que chega o fim do mundo e nós não temos mais roupa nem lar. E somos a derradeira lembrança de tudo que foi infinitamente grande, de tudo quanto se fez no mundo durante os milênios que decorreram entre eles e nós, e, em lembrança daquelas maravilhas desaparecidas, nós respiramos, nós amamos, nós choramos. O homem nasceu para viver e não para se preparar para viver. O que é a história? É o trabalhar para elucidar progressivamente o mistério da morte e vencê-la um dia. Expressão do escritor russo Boris Pasternak (1890-1960). Veja mais aqui.

POEMA - Vendo seu semblante / percebo instantaneamente / quando algo acontece com você; / seu rosto é transparente / - você nem percebe - / a dor se exceder você. / Amor da minha vida, / Almita aflita, / Conte-me! / Esposa da alma, / você se sentirá calmo / se o seu segredo violar; / mas você está certo / há coisas que são / apenas mulheres; / mas não cale a boca / nem sequer lute / ou eu vou rolar com você! / Minha doce dama, / sua pequena alma adora / a força da fé, / é por isso que você sairá / vencendo e nunca / caindo Eu te vejo! / Mas se você cair, a vida / naquele outono / estarei ao seu lado! Poema do poeta lírico do Renascimento húngaro Bálint Balassi (1554-1594).



EDUCAÇÃO, PNE & INCLUSÃO - A inclusão na escola regular de alunos com deficiência mental, objetiva o convívio social, das pessoas com deficiência, embora gere, dificuldades nos pais para aceitar a situação, e expõe as necessidades de qualificação nos profissionais da educação. É um tema bastante relevante e interessante, tendo em vista, ao atuar como educadora é fundamental o conhecimento que nos auxilia na compreensão da realidade e nos oriente em nossas ações. Os deficientes mentais foram ignorados e excluídos por pessoas ditas como “normais” diante da sociedade, foi incluída nessa evolução. De fato, problematizar a inclusão dos deficientes acarreta o perigo de se focalizar excessivamente no deficiente e esquecer os não deficientes que o rodeiam. A inclusão deve ser uma decisão que produza um resultado do tipo: ganha-ganha, ou seja, ganha o deficiente e ganham os não deficientes no convívio entre eles. O Brasil tem a Lei 9.394/96, de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), um dispositivo legal que enfatiza a inclusão escolar, e de preferência na rede publica de ensino. Neste ultimo aspecto desejamos entender que se trata do setor público de nosso país, o qual deverá dar o primeiro passo na tarefa da inclusão escolar. Isto, enfatiza-se, não deve liberar a iniciativa privada de laborar em conjunto com o Estado para o reconhecimento de direitos de pessoas com situações especiais. Para que a inclusão escolar se materialize, necessário se torna, como condição sine qua non, que a sociedade tenha uma atitude inclusiva, o que implica, para que isso seja possível, na capacitação de professores e na reformulação da escola e dos seus paradigmas do processo de ensino-aprendizagem. A capacitação não deve estar atrelada somente aos professores, mas deve abarcar, com o mesmo grau de intensidade, as famílias dos deficientes e dos não deficientes que irão conviver com eles na escola. Tudo indica que a discussão sobre a inclusão escolar está encerrada nos termos “deve” ou “não deve” ser promovida. O passo seguinte é aprofundar os mecanismos pelos quais esse processo se apresentará viável no quotidiano, determinando o grau de abrangência das ações para conquistar uma escola (publica ou privada) que admita que sua função seja ensinar a conviver aos diferentes dentro dela, para que fora dela se materialize a inclusão social.
INCLUSÃO - A inclusão de pessoas com deficiência mental nas escolas públicas, tem sido o principal foco de entidades especializadas como Instituto Paradigma e a Associação de Pais dos Excepcionais (APAE), em São Paulo. A idéia do trabalho e garantia a educação de forma inclusiva e convívio social das pessoas com deficiência. (COSTA, 2005) [...] que a criança portadora de deficiência que estuda e tem relacionamento com outras crianças tem desenvolvimento muito maior do que em casa, sem nenhum contato social. Para as outras crianças, esse convívio também é importante, uma vez que elas aprendem desde pequenas a respeitar as diferenças e as dificuldades de cada pessoa. Conforme relatam Klebis e Mariuzzo (2005), a política de inclusão de crianças: [...] nas escolas regulares brasileiras completas dez anos em 2006. Dados da Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação (Seesp/MEC) informam que o numero de matriculas no ensino especial aumentou de 566.753 em 2004 para 639.159 este ano. Apesar disso ainda são grandes os desafios das escolas, regulares, públicas ou privadas que trabalham com crianças com necessidades especiais. As autoras incrementam que os problemas vão desde as barreiras arquitetônicas, até a necessidade de uma mudança efetiva para que se chegue a uma escola realmente inclusiva, que garanta o atendimento à diversidade das crianças. Não se pode perder de vista ainda que a determinação legal afetou padrões construídos durante décadas no espaço educacional (KLEBIS; MARIUZZO, 2005). Resulta incontestável a necessidade de problematizar a inclusão de alunos com necessidades especiais na escola regular. Fácil, falar sobre ela difícil estruturá-la. Veja a seguinte informação do jornal da USP, de 19 de novembro de 2006: Em outubro passado, o juiz Gustavo Teodoro, da 23º Vara Cível de São Paulo, entendeu que uma escola particular tem o direito de recusar a matricula de uma criança deficiente e deu ganho de causa à ré – a Nova Escola, na Vila Mascote, zona sul da capital -, que argumentou não estar preparada para lidar com alunos com necessidades especiais e recusou a matricula de uma menina com síndrome de Down. Na ocasião o juiz argumentou que é dever do Estado, e não da rede particular, atender os estudantes com deficiência. Como observa-se a discussão e atoma de oposição excede a área de educação, neste caso, se concede a uma escola privada o direito de recusar a matricula de uma criança com síndrome de Down. O que está detrás da noticia? Um debate profundo que divide opiniões, exposto com realidade numa matéria no jornal, o Estado de São Paulo (30/05/2005). De um lado, há os que defendem o direito de todo deficiente de estudar com outras crianças e acreditam que isso levará a uma abertura da escola à diversidade, mudando a educação no país. Do outro, estão tradicionais associações que mantém escolas especiais e afirmam que certos graus de deficiência não permitem a inclusão. Para elas, também não preparo de professores e estrutura na rede pública de ensino para receber todos esses novos alunos. Impossível, conhecer que há por detrás da confissão de incapacidade de atender uma criança com síndrome de Down pela escola, cujo direito a recusá-la foi admitido pelo Juiz Santini Teodoro. Trata-se de falta de preparo ou preconceito e discriminação? Porquê se sustenta no estrato jurídico da 23º Vara Cível de São Paulo questão somente lhe coube ao Estado (o primeiro setor) atender uma criança especial e não a rede privada de ensino? Nesta perspectiva o debate ganha intensidade porque sua abrangência alcança manifestação de preconceitos, que por lógica conseqüência derivam manifestação, discriminação. Uma questão é como resolver no âmbito da educação a inclusão, outra questão diz respeito de indagar quais são as necessidades de preparo dos professores para os alunos especiais, já um terceiro e relevante aspecto diz como incentivar aos professores inicialmente decididos e capacitados para atender normais a se voltar, por meio da capacitação, a incorporar conhecimentos que os tornem aptos para contribuir com a educação dos especiais.
INCLUSÃO ESCOLAR – Preliminarmente, resulta necessário contextualizar o que é inclusão no âmbito escolar, pois de forma indubitável segue-se que a inclusão prioriza a inserção da pessoa com necessidades educacionais especiais na escola regular. A palavra inclusão remete-nos a uma ampla abrangência, indicando uma inserção total e incondicional (THOMAS, WALKER, WEBB, 1998). Em outras palavras, a inclusão exige uma escola profundamente transformada, já que o seu pressuposto básico é a inserção no ensino regular de alunos com déficits e necessidades, sendo responsabilidade das escolas facilitarem a sua adaptação ás necessidades dos alunos, ou seja, a inclusão implica uma ruptura epistemológica com o modelo tradicional de ensino (WERNECK, 1997). Desta forma, percebe-se, considerando-se as diferentes formas de deficiências, que a inclusão não determina parâmetros. Sassaki (1998) afirma que existe inclusão, em um sentido amplo, quando no seio da sociedade ocorre uma mudança que permita que a pessoa portadora de deficiência possa se desenvolver e exercer cidadania. Mas o que se entende por inclusão escolar? É necessário colocar luz sobre o termo. Segundo Glat (1997, p. 199) “[...] a integração não pode ser vista simplesmente como um problema de políticas educacionais ou de modificações pedagógico-curriculares na Educação especial. Integração é um processo subjetivo e inter-relacional”. Concordamos com Mantoan (1997, p. 115) quando afirma que a inclusão além de ser um conceito, é basicamente um impulso para que: [...] a escola se modernize e os professores aperfeiçoem suas praticas e, assim sendo, a inclusão escolar de pessoas deficientes torna-se uma conseqüência natural de todo um esforço de atualização e de reestruturação das condições atuais de ensino básico. Conforme acima exposto, ao falar-se de inclusão escolar de crianças com deficiências, procura-se evitar os efeitos profundamente negativos do isolamento social que padecem essas crianças, a partir da geração de oportunidades de interação entre as crianças, inclusive como forma de diminuir o preconceito. Por outra parte, diferentes posicionamentos atravessam a questão da inclusão escolar, pois, de fato, não existe consenso entre os profissionais envolvidos na temática. Fabrício; Souza (2007) se perguntam como se processa a inclusão escolar? As autoras respondem que a integração “[...] na escola só acontece quando pensamos em um projeto educacional para cada candidato à inclusão, desde a avaliação das competências, até umaa reestruturação do projeto escolar”. Ainda, as autoras afirmam que para alcançar uma efetiva inclusão: [...] precisamos de um fio condutor integrativo para articular o sujeito e o gripo. Não só trabalhar a diversidade em sala de aula, mas em toda a escola. É necessário também, maturidade profissional de todo o grupo na busca de um trabalho efetivo com capacidade de desenvolver recursos próprios para lidar com a frustração das possibilidades de insucessos. Todos os funcionários da escola devem conhecer como o aluno aprende, suficientemente bem, para atendê-los nas diversas situações do cotidiano escolar (FABRICIO; SOUZA, 2007). Manifestando-se favoráveis Fabricio; Souza (2007) advertem que não se trata de uma ação isolada do professor, se não que a inclusão deve tornar-se uma verdadeira ideologia para todos os integrantes da escola. Este enfoque prioriza essencialmente o bem-estar da criança diferente. Mais cautelosa, se pronuncia Abbamonte (2005), ressaltando que: [...] colocar uma criança com graves problemas numa sala de ala regular é algo a se fazer com cautela. Quando falamos em inclusão escolar não se trata apenas de reunir impreterivelmente os diferentes, proporcionando um ensino igual para todos, o que leva, paradoxalmente a uma tentativa de normatizá-los para que convivam numa mesma sala. Abbamonte (2005) amplia o seu posicionamento, afirmando que: [...] incluir uma criança diferente na escola regular significa proporcionar a todos os alunos o aprendizado de conviver com a diversidade, sem anulá-la. Experiência esta que faz parte de toda cultura, de qualquer sociedade. Isto quer dizer o que? Que não é possível apagar as diferenças, inclusive no que diz respeito ao aprendizado. Portanto, a inclusão como imaginamos e idealizamos não é a mesma que vemos na pratica. Ma isso não é um problema. Ainda, Abbamonte (2005) indica que: [...] é com grande cautela que devemos levantar a bandeira da inclusão escolar de crianças com graves problemas de desenvolvimento. Ao invés de tomarmos o assunto partindo de um ideal, do que diz a lei, é mais apropriado levar em conside4ração a própria criança, verificar o problema que ela apresenta e a partir daí avaliar a maneira de ingressá-la numa ou noutra sala de aula. [...] portanto, é preferível prorrogar um processo de inclusão escolar numa escola ou classe do ensino regular do que realizá-lo apenas em nome de uma lei. O termo inclusão escolar não se limita a uma única ação. Há diversas maneiras de viabilizar esse processo. Percebe-se no discurso de Abbamonte (2005) uma legitima preocupação pela criança diferente, mas sua problematização é extensiva às outras crianças que estão na sala de aula, pois ela manifesta que não se trata (incrementamos nós: simplesmente ) de reunir os diferentes. O que seria, segundo diz Abbamonte (2005), reunir os diferentes num intento de normatizá-los (será pradronizá-los?). A autora alerta sobre o risco de tentar tornar diferentes aos normais ou tornar normais aos diferentes, como conseqüência de uma inclusão mais fundamentada no coração do que na razão. Na perspectiva de Abbamonte (2005) “[...] não se podem apagar as diferenças”. Admitindo a validez do posicionamento da autora, conclui-se que, mesmo que ela discuta e dê relevo ao interesse da criança diferente, também se encontra tacitamente presente na sua perspectiva o interessa das demais crianças. Uma outra voz se soma ao debate, para indicar a necessidade de discutir a inclusão escolar (ou a não segregação) em forma racional, além das emoções. Nesse sentido Mazzotta (1998) destaca que: [...] para se viabilizar efetivas mudanças de atitudes no contexto escolar com vistas à inclusão e a integração do portador de deficiência, é preciso que se deixe de apenas inferir ou assinalar a existência de preconceito e discriminação negativa na escola e se procure conhecer os principais obstáculos e suas justificativas. Além dos valores e crenças das pessoas envolvidas na educação escolar, outros fatores internos, tais como a organização (administrativa e disciplinar), o currículo, os métodos, recursos humano e materiais da escola comum são os principais determinantes das condições para inclusão ou não-segregação, para a integração ou até mesmo para a segregação de alunos portadores de deficiências. A educação dos alunos especiais é diferente da que é requerida pelas mesmas crianças? Mazzotta (1998) acredita que: A educação dos alunos com necessidades educacionais especiais, é importante lembrar, tem os mesmos objetivos da educação de qualquer cidadão. Algumas modificações são, às vezes, requeridas na organização e no funcionamento da educação escolar para que tais alunos usufruam dos recursos escolares de que necessitam para o alcance daqueles objetivos [...] Assim, os recursos educacionais especiais requeridos em tal situação de ensino-aprendizagem é que se configuram como educação especial e não devem ser reduzidos a uma ou outra modalidade administrativo pedagógica como classe especial ou escola especial. Mas a inclusão escolar está dirigida a deficientes ou a portadores de necessidades especiais? Mazzotta (2002), em um outro estudo, aborda a questão afirmando que: Alunos e escolas são adjetivados de comuns ou especiais e em referencia a uns e outras são definidas necessidades comuns ou especiais, a partir de critérios arbitrariamente construídos por abstração, atendendo, muitas vezes, a deleites pessoais de experts ou até mesmo de espertos. Alertemo-nos, também, para os grandes equívocos que cometemos quando generalizamos nosso entendimento sobre uma situação particular (MAZZOTTA, 2002, p. 31). Caso a criança deficiente não fosse incluída, Saint-Laurent (1997, p. 68-69) antevê que: [...] mantida em um estado de isolamento social, a criança não poderá desenvolver as funções sociais superiores. Por isso, ela necessita estabelecer interações sociais com um profissional especializado, estabelecer relações com seus colegas/companheiros. Com base nas opiniões citadas, consideramos que a inclusão de crianças com deficiência no ensino regular possibilita que elas possam interagir de forma livre e espontânea em situações diferenciadas, ao mesmo tempo em que adquirem conhecimento e aprendem a se desenvolver. Tudo indica que a inclusão não deve ser decidida a partir de uma lei, ou baseada exclusivamente em pressupostos teóricos, toda vez que a práxis permite detectar as variáveis sociais e reações grupais que podem facilitar ou dificultar a interação entre pessoas deficientes com as normais. De fato, são reconhecidos na literatura como na pratica quotidiana na escola os casos dos pais que tiram seus filhos das escolas que admitem alunos deficientes por termos que se contagiem com eles ou que sofram uma redução no nível de aprendizagem. Admitindo essa realidade, adverte-se a alta probabilidade de formação de preconceito nas crianças, cujos pais assim atuam, como conseqüência do exemplo recebido.
A LDB E A INCLUSÃO ESCOLAR - De forma desligada das discussões teórica, o Brasil, no seu ordenamento legal, tem definido e adotada a inclusão escolar na Lei nº 9394/96, de 20 de dezembro de 1996, estabelecendo as diretrizes e bases da educação nacional. A educação especial é tratada no seu capítulo V, mais especificamente nos arts. 58, 59 e 60. O artigo 58 da citada lei dispõe: Entende-se por educação especial, para os efeitos dessa lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais. § 1º Haverá quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender as peculiaridades da clientela de educação especial. § 2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. § 3º A oferta de educação especial, dever constitucional do Estado, tem inicio na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil. Não admite duvida alguma a leitura desse artigo em relação à inclusão escolar dos deficientes, os quais no contexto desta lei são chamados de educandos portadores de necessidades especiais. Existindo necessidade de apoio especial, o mesmo será realizado na escola regular conforme o § 1º. A alternativa de serviços especializados é admitida na lei quando impossível a integração da criança nas classes comuns de ensino regular, segundo preceitua o § 2º. Já o art. 59 determina: Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I – Currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades; II – Terminalidade especifica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados; III – Professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns; IV – Educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora; V – Acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular. No artigo acima transcrito, no seu inciso II, surge uma questão verdadeiramente controversa: equiparação de portadores de necessidades especiais (deficientes) com superdotados, garantindo aos primeiros uma forma especifica para que possam concluir o ensino fundamental, e para os segundos a aceleração para que concluam no menor tempo possível o programa escolar. Impossível dissimular que quando se aborda a inclusão escolar pensa-se em deficientes e não em superdotados. Os pais de crianças normais fogem de portadores de deficiências, temem o contágio que possam provocar os deficientes, não os superdotados. Estes últimos geram outras sensações que, por si mesmas, constituem um tema de relevância para uma outra abordagem monográfica. Parece adequado o artigo se pudesse ser considerado somente para deficientes. Em nossa perspectiva, a inclusão escolar é um dever social, desde que possível. No entanto, capacitar mentes brilhantes nos parece até um dever estratégico como nação, tendo em consideração o potencial para contribuir com o bem-estar publico que tem esses indivíduos. Posicionamo-nos de forma contraria ao conteúdo deste artigo, que expressa uma forma de democracia mental, garantindo para um dos extremos das habilidades mentais, o devido atendimento. Acreditamos que deve ser discutida uma outra abordagem legal específica para os superdotados. O art. 60 encerra o disposto para a educação especial nos seguintes termos: Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão critérios de caracterização das instituições privadas sem sins lucrativos, especializadas e com atuação exclusiva em educação especial, para fins de apoio técnico e financeiro pelo Poder Público. Parágrafo único. O Poder Publico adotará como alternativa preferencial, a ampliação do atendimento aos educandos com necessidades especiais na própria rede pública regular de ensino, independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo. O artigo vem a ratificar o que é expressamente determinado no art. 58, ou seja, o atendimento para os educandos com necessidades especiais será realizado, de preferência, na rede pública regular de ensino. Por outra parte, conforme as linhas iniciais do artigo em comento, o Poder Público se reserva determinar os critérios para caracterizar as instituições que, sob a forma de entidades sem fins lucrativos, tenham atuação na educação especial a fim de prover apoio técnico-financeiro. A Lei nº 9.394/96 com certeza, para alguns, deixa dúvidas, pois confrontada a letra do dispositivo legal com a realidade do dia a dia, não há coerência. Verifica-se corriqueira a situação do pais que não são informados dos direitos das suas crianças especiais e de escolas públicas que rejeitam as crianças deficientes. Em nossa opinião, a lei, conceitualmente, é correta em relação à inclusão escolar, com exceção do disposto no art. 59, incisos II e IV que inclui os que tem habilidades superiores. Poder-se-ia reclamar que a LDB não privilegia os deficientes, priorizando sua inclusão. Talvez o mais importante seja discutir outros aspectos, como o déficit que existe na capacitação de professores para atuar com deficientes físicos, ou que o Brasil é um país que tem lei de inclusão escolar para uma sociedade que ainda se mostra segregacionista. Deveria discutir-se um plano de educação para pais, tanto de deficientes como de normais, pois eles mesmos devem atuar como agentes de inclusão social. Lembramos que no ano de 1994 (7-10 de junho), em Salamanca, Espanha, se reuniram em Assembléia os delegados da Conferencia Mundial de Educação Especial, estando representados 88 governos e mais 25 organizações de caráter internacional. Foi elaborado em documento, a Declaração de Salamanca, que apresenta a Estrutura de Ação em Educação Especial, proclamando a importância da Educação Inclusiva no entendimento, o que se concretiza pelo dever das escolas em procurar formas de educar o portador de necessidades especiais sem discriminação, criando comunidades acolhedoras e desenvolvendo uma consciência inclusiva na sociedade.
AS ATIVIDADES LÚDICAS –  As atividades lúdicas (jogos, brincadeiras, brinquedos) devem ser vivenciados pelos educadores. É um ingrediente indispensável no relacionamento entre as pessoas, bem como uma possibilidade para que efetividade, prazer, autoconhecimento, cooperação, autonomia, imaginação e criatividade cresçam, permitindo que o outro construa por meio da alegria e do prazer de querer fazer e construir. Quando crianças ou jovens brincam, demonstram prazer e alegria em aprender. Eles tem oportunidade d lidar com suas energias em busca da satisfação de seus desejos. E a curiosidade que os move para participar da brincadeira é, em certo sentido, a mesma que move os cientistas em suas pesquisas. Dessa forma é desejável buscar conciliar a alegria da brincadeira com a aprendizagem escolar.
CAMINHOS DA APRENDIZAGEM - Vale salientar que o aspecto afetivo se encontra implícito no próprio ato de jogar, uma vez que o elemento mais importante é o envolvimento do individuo que brinca. A aprendizagem através de jogos, como dominó, quebra-cabeça, palavras cruzadas, memória outros permite que o aluno faça da aprendizagem um processo interessante e divertido.
CONCLUSÃO - Uma primeira questão que aparece como relevante na abordagem da deficiência mental é que esta não é um estado patológico definido, se não que se trata d uma condição relativa. Por outra parte, importante estabelecer a diferença entre a deficiência mental e a demência, sendo a primeira um transtorno no desenvolvimento do individuo e a segunda uma alteração cognitiva. Ainda, também, é importante salientar que as mais atuais concepções da deficiência mental a consideram deficiência intelectual. A conceituação que realiza o ICIDB coloca a deficiência como inicio de um processo do qual deriva a incapacidade e desta, pela sua vez, deriva uma desvantagem. Em nossa perspectiva, tal descrição da deficiência é correta permite reverter a forma de perceber indivíduos deficientes, passando a ser essencialmente pessoas com desvantagens para se adaptar e se desenvolver, por causa de um (ou mais de uma) incapacidade originada pela deficiência. A conseqüência mais marcante das desvantagens é tornar as pessoas deficientes em indivíduos com necessidades especiais.  Essa condição coloca a sociedade perante o desafio de idealizar as melhores formas de satisfazê-los. Um retrato do deficiente intelectual permite compreender que este de fato possui personalidade, tem identidade (incluída e sexual), tem idade  compreende, ainda que devagar. Os deficientes mentais são diferentes? Alguns afirmarão que sim, outros até gritantemente negarão a diferença. Então o que são? Consideramos que são pessoas que, por causas de assimetrias da natureza, tem necessidades especiais, entre elas, ser admitidas na sociedade através da inclusão escolar e social. Os posicionamentos dos autores, em forma majoritária, é favorável à inclusão, as diferenças se encontram no quantum emocional, pois alguns focalizam muito no deficiente, e outros enxergam a situação de forma que incluem nas suas preocupações os normais, considerando a inclusão como um processo que deve ser objetivamente observado. Toda lei é sempre possível de ser aperfeiçoada, desta forma, a Lei 9394/96, de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, não é uma exceção. Constitui um firme posicionamento em favor da inclusão escolar, admitindo que o setor público têm muito a ver nesse processo. No entanto, o art. 59 dispo sobre a oferta de tratamento diferenciado a deficientes intelectuais como a indivíduos com capacidades superiores. Consideramos que se trata de duas situações opostas, donde aos primeiros a inclusão escolar é garantia de não discriminação e de preocupação pela sua adaptação. Já no segundo caso nos parece que as pessoas com altas habilidades tem um grande potencial para contribuir com os interesses dos pais e com a melhoria da qualidade das pessoas desde que devidamente estimulados para operacionalizar seus talentos, pelo qual, uma legislação especifica seria o mais apropriado. A participação da família do filho deficiente mental torna-se decisiva para o processo de inclusão escolar, na medida em que a escola, fazendo uma parceria com a família, deve instrumentar as estratégias de ensino-aprendizagem para que o aluno portador de necessidades especiais consiga se beneficiar e permanecer nela. A escola deve se constituir no lócus natural de promoção da inclusão escolar. Consideramos que o papel de um professor de cunho inclusivo é o de facilitar a integração escolar e social, além de estar preparado pela via da capacitação para ministrar simultaneamente conhecimentos aos deficientes e não deficientes. Ele deve construir na sala de aula uma representação da sociedade que está fora da escola, ou seja, pessoas com diferentes credos, de diferentes raças, com saberes diferentes, pessoas sem deficiência e pessoas com deficiências convivendo. Finalmente, em nossa visão, o professor deve estimular a integração sinérgica entre todos. Sua vocação e vontade devem se direcionar para facilitar a percepção mútua entre seus alunos deficientes e não deficientes. Ele deve desenvolver neles um olhar holístico do outro, de estender sua formar de perceber indivíduos focalizando suas potencialidades e não, tão somente, suas carências. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
REFERENCIAS
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