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segunda-feira, fevereiro 24, 2025

JENNY ODELL, SALOMÉ ESPER, KATARINA FROSTENSON & APOCALIPSE LÍRICO

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Refúgio (2000), Duas Madrugadas (2005), Eyn Okan (2011), Andata e Ritorno (2014), Retalhos do Brasil (2019) e Noites e dias (2022), da pianista, compositora, arranjadora e diretora musical, Christianne Neves, que é Mestre em Música pela Unicamp e integrou a Orquestra Heartbreakers e Havana Brasil.

 

Textículo capitular a contar hestórias nos dedos... - Ao Sol celebrei as mulheres: o canto da alma! Porque todo dia o mar é só o mar, o rio é só o rio e entre o prazer e o tédio sorrio surpreso com o sátiro dionisíaco, que teima invadir minha solidão, com piadas de pegar borboleta, queimar o arroz, plantar bananeira, dar o dedo, bater rebote, dribles de corpo, firulas, bundacanascas & escárnio às risadagens. O que havia de mim os dedos contavam coisas duma devoção esburacada por um bicho de não sei quantas cabeças, uma manhã a mais a renovar esperança. Tivesse eu tão perto e os longínquos sonhos arrefeceriam a cada passada. Dissesse o tanto que calei esborraria o peito e nada mais resistiria ao aceno ignorado. Se não soubesse o que vi e ouvi tudo seria obscuro. Só desci do morro da solitude porque não tinha nada mais para dizer: pétalas se aquietavam diante de uma mente parva, a flor fenecia com a aspereza dos que odeiam. Só havia o naufrágio do erro, o palimpsesto da treva. Documentos soterravam vivos duas vezes e a voz de fome inaudível antes que o dia esganasse a noite, quando ela, por vingança, escurecia para que tudo fedesse à guerra. Só sei que sobrevivo aos uivos de júbilos à miséria. E há muito ninguém mais sorriu, caíram de medo nos lábios trêmulos nada luzidios, ao que se deu e tomou até esmorecido feito e desfeito: ninguém viu as dores dos meus dias. Talvez uma hestória & duas outras coisas nada mais valessem para nem caberem em lugar algum na passagem das horas desencontradas. Ouvi o canto da luz eterna, o vento murmurava nas marés, como quem falava de amor e palavras de destino. Pudesse eu acaso vários versos também cantar quanto vivi e valeu quem soubesse onde o abrigo das mãos espalmadas. Quanto mais sentia, menos entendia e era bom: amar é ter alguém que não tenha mesmo nada pra dar. Isso, sim. Até mais ver.

 

Margaret Mead: Nunca duvide que um pequeno grupo de indivíduos comprometidos e pensativos pode mudar o mundo. Na verdade, é a única coisa que já mudou... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Agneta Pleijel: Nós somos ficção. Nós nos construímos a partir de palavras... Eu resgatei detritos do passado, não podia usá-lo por muito tempo, ninguém quer isso... Veja mais aqui, aqui & aqui.

Ann Leckie: Unidade, pensei, implica a possibilidade de desunião. Começos implicam e requerem finais... Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

DOIS POEMAS

Imagem: Acervo ArtLAM.

POSIÇÃO - Olha, lá está ela, a grande morta, no pálido \ brilho claro de um prado pantanoso muito próximo \ de uma cana. Virado e brilhando na lama. Dele \ cadáver, formigas caminham por ele melancolicamente \ na luz, a loira cacheada, e atormenta a carne \ abertamente. Olhe bem lá dentro, a fissura é deslumbrante. \ Sobre seu cadáver, onde tantos pensamentos brincavam, \ tecidos tensos e testas descansadas. Laranja \ cinza opaco da grama. É uma parte elevada do mundo \ à força com a testa contra o chão, com a carne estriada \ através das barras pálidas dos juncos. \ A testa dele cai sobre o corpo dela \ afundando em sua carne. Na lama da loira silenciosa. \ Nunca. Nunca, embora quase entorpecido, ele pensa: talvez \ Eu sou aquele que vive enterrado lá embaixo. O que ele vê e vivencia \ na perna dele: sobre meu cadáver eu sou aquele que \ está lá fora.

GARGANTA DE ECO - O osso vermelho, \ o recife do pescoço, \ onde ele fica? \ cortando e afiando \ sua serra \ Voz, que tipo de animal você é \ debaixo da pedra \ cinco braças \ de profundidade, o coral.

Poemas da escritora e dramaturga sueca Katarina Frostenson. Veja mais aqui.

 

A SEGUNDA VENDA – [...] Se houve dor em perder o que era seu, doeu em dobro perder o que se ganhou, o carinho conquistado, o abraço conquistado, a confiança conquistada. Para onde vai esse esforço quando é o outro quem desiste primeiro? Para onde vai a coragem que permitiu sair de si mesmo, forçando cada milímetro para chegar ao outro que habitava o mundo com facilidade? Para onde vão aqueles que ficam? [...] Deus estava lá, só que deformado e assustador, doloroso e zombeteiro, talvez por isso mais presente e real do que antes, agachado naquele quarto que começava a escurecer, olhando com desdém e olhos brilhantes, pronto para saltar com suas patas traseiras de lagosta, para usar seu poder ilógico em outras pessoas infelizes. [...] Minha mãe sempre diz que Deus nos dá o que podemos suportar, mas não acredito que isso seja verdade. Nós perseveramos porque eles nos ajudam. Você não pode nem ser feliz sozinho. [...]. Trechos extraídos da obra La segunda venida de Hilda Bustamante (Sigilo, 2023), da escritora argentina Salomé Esper.

 

NÃO FAZER NADA - […] O que significa construir mundos digitais enquanto o mundo real está desmoronando diante de nossos olhos? […] Nossa própria ideia de produtividade é baseada na ideia de produzir algo novo, enquanto não tendemos a ver manutenção e cuidado como produtivos da mesma forma. [...] Extrapolando isso para o reino dos estranhos, me preocupo que, se deixarmos que nossas interações na vida real sejam controladas por nossas bolhas de filtro e identidades de marca, também corremos o risco de nunca sermos surpreendidos, desafiados ou mudados — nunca ver nada fora de nós mesmos, incluindo nossos próprios privilégios. [...] Nós vivenciamos as externalidades da economia da atenção em pequenas gotas, então tendemos a descrevê-las com palavras de leve perplexidade como "irritante" ou "distraidor". Mas essa é uma grave interpretação errônea de sua natureza. No curto prazo, as distrações podem nos impedir de fazer as coisas que queremos fazer. No longo prazo, no entanto, elas podem se acumular e nos impedir de viver as vidas que queremos viver ou, pior ainda, minar nossas capacidades de reflexão e autorregulação, tornando mais difícil, nas palavras de Harry Frankfurt, "querer o que queremos querer". Portanto, há profundas implicações éticas espreitando aqui para a liberdade, o bem-estar e até mesmo a integridade do eu. [...] Minha experiência é aquilo que concordo em atender. Somente aqueles itens que percebo moldam minha mente — sem interesse seletivo, a experiência é um caos total. [...] Numa situação em que cada momento de vigília se tornou o tempo em que ganhamos a vida, e quando submetemos até o nosso lazer à avaliação numérica através de gostos no Facebook e Instagram, verificando constantemente o seu desempenho como se verifica uma ação, monitorizando o desenvolvimento contínuo da nossa marca pessoal, o tempo torna-se um recurso económico que já não podemos justificar gastar em “nada” [...] No final das contas, defendo uma visão do eu e da identidade que é o oposto da marca pessoal: algo instável e mutável, determinado por interações com outras pessoas e com diferentes tipos de lugares. [...].Trechos extraídos da obra How to Do Nothing: Resisting the Attention Economy (Melville House, 2019), da artista, escritora e educadora multidisciplinar estadunidense Jenny Odell.

 

APOCALIPSE LÍRICO, DE VCA.

A linguagem é uma descoberta diária \ algo que move a alma (imobilizada \ pela usura sucessiva dos dias prósperos \ e das noites morta e lúcidas) \ e invento o mundo. É o centro \ do dínamo, a máquina transformadora \ o que há de transcendente neles é a poesia [...].

Trecho do poema Introdução a mim, extraído do livro Apocalipse lírico (CriaArt, 2025), do poeta e advogado Vital Corrêa de Araújo. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR

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quinta-feira, março 06, 2014

POE, WILLA CATHER, LYDDA FRANCO FARÍAS, MAYIM BIALIK, JULIETTE ADAM, HUMOR & ESCREVER

 


CONVERSA AO PÉ DO OUVIDO – Escrever tem sido meu exercício de existir. Foi-se o tempo em que era divertido conversar com outros. Além das dificuldades de conversar, de dialogar pelo menos, de crescer com papos coletivos e esclarecedores, empolgantes, agora não, estão todos sobrecarregados de manifestações de queixumes e negatividades, um arrazoado quase incomunicavel, pulando de assunto em tema para se tentar manter dialogicamente. Tudo muito nivelado por baixo, quando não equivocado. Hoje não, quase solilóquios de achismos a chover no molhado, quando não errôneas interpretações acerca disso ou daquilo e mesmo daquiloutro. Tento abrir diálogos mas não consigo ir além do monocordioso tudo bem, como vai, vez que não consigo encontrar quem disposto a aprender ou dividir o que sabe num nível digamos tolerável, superior, menos raso ou recheados de refutáveis e infundadas teorias de conspiração. Sinto que todos estão contaminados pela mediocridade. Procuro então pessoas com bom humor, com versatilidade e nível dialogal que não estejam aseentadas em opiniões sectárias, pessoas elevadas, instruidas e que possam querer ou buscar pelo aprimoramento. Contudo, percebo: não é no outro que há problema. Com a idade tenho ficado impaciente, escuto o outro quando há algo de relevante no que é dito, de revelador e, de preferência, libertador, bem humorado. Tenho disposição para escutar, desde que seja algo mais verdadeiro, não apenas desabafos ou exposição de indignações que não vão além da própria infelicidade, se pelo menos abrissem a possibilidade do altruísmo. Sei que preciso ouvir mais, entretanto é sempre tendenciosamente levado para a mesmice, superficial. Por falta de quem conversar e ouvir, recolho-me e tento, então, comigo mesmo travar qualquer que seja o diálogo possível com as paredes ou o que houver pelo ambiente. Sei que sou chato, talvez metido demais, doido ou mentiroso. Outros tantos aparecem do nada, não me acrescentam mais do que já sei. Assim converso com meus próprios pensamentos, meus próprios erros, minhas derrotas recorrentes e a necessidade urgente de um êxito que seja, um alívio qualquer, uma chance a mais que me liberte, de uma sorte completa – não aos pedaços insuficientes e insatisfatórias - e busco por mais acertos, afinal. Descubro assim que escrevo inicialmente por não ter muito com quem trocar ideias. Tenho existido no que escrevo, no que busco dizer falando comigo mesmo e me reinventando nesse diálogo. Escrevo para organizar o que sou e identificar quantos sou além de emissor e receptor de mim mesmo. E porque me encontro agora diane de uma situação de nenhuma interação que, quando ocorre, está repleta de dissonâncias, incompreensões, desconfortos e até antipatias. Escrevo para não apenas sufocar minhas insatisfações, para que possa melhorar, possa reaprender e me superar, me legitimar e me amplie como humano, mesmos sabendo da minha pequenez. Daí escrevo para ser menos incapaz a cada dia, para almejar a capacidade de ser e estar acima de sentimentos primitivos, com a satisfação de que há algo melhor e maior e possa ser e me tornar melhor e mais do que sou, mais interativo, intuitivoi, amigável, terno e mútuo na relação consigo mesmo e com tudo e todas as coisas. Escrevo para que eu seja melhor e maior a cada dia. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Eu vim como a maioria de nós - não sabendo nada e tentando aprender tudo... Quando você está preparada para rejeitar a sabedoria convencional, aí tudo se abre para saber mais... Não se importe muito com a conformidade.... Pensamento da atriz, escritora e neurocientista estadunidense Mayim Bialik.

 

ALGUÉM FALOU - A morte é a abertura de uma vida mais sutil. Na flor liberta o perfume; na crisálida, a borboleta; no homem, a alma... Pensamento da escritora francesa Juliette Adam (1836-1936).

 

FILOSOFIA DA COMPOSIÇÃO – [...] Meu pensamento seguinte referiu-se à escolha de uma impressão, ou efeito, a ser obtido; e aqui bem posso observar que, através de toda a elaboração, tive firmemente em vista o desejo de tornar a obra apreciável por todos. Seria levado longe demais de meu assunto imediato, se fosse demonstrar um ponto sobre o qual tenho repetidamente insistido e que, entre poetas, não tem a menor necessidade de demonstração; refiro-me ao ponto de que a Beleza é a única província legítima do poema. Poucas palavras, contudo, para elucidar meu verdadeiro pensamento, que alguns de meus amigos tiveram inclinação para interpretar mal. O prazer que seja ao mesmo tempo o mais intenso, o mais enlevante e o mais puro é, creio eu, encontrado na contemplação do belo. Quando, de fato, os homens falam de Beleza, querem exprimir, precisamente, não uma qualidade, como se supõe, mas um efeito; referem-se, em suma, precisamente àquela intensa e pura elevação da alma - e não da inteligência ou do coração - de que venho falando e que se experimenta em conseqüência da contemplação do Belo. Ora, designo a Beleza como a província do poema, simplesmente porque é evidente regra de arte que os efeitos deveriam jorrar de causas diretas, que os objetivos deveriam ser alcançados pelos meios melhor adaptados para atingi-los. E ninguém houve ainda bastante tolo, para negar que a elevação especial a que aludi, é mais prontamente atingida num poema. Quanto ao objetivo Verdade, ou a satisfação do intelecto, e ao objetivo Paixão, ou a excitação do coração, são eles muito mais prontamente atingíveis na prosa, embora também, até certa extensão, na poesia. A Verdade, de fato, demanda uma precisão, e a Paixão uma familiaridade (o verdadeiramente apaixonado me compreenderá), que são inteiramente antagônicas daquela Beleza que, asseguro, é a excitação ou a elevação agradável da alma. De modo algum se segue, de qualquer coisa aqui dita, que a paixão e mesmo a verdade não possam ser introduzidas, proveitosamente introduzidas até, num poema, porque elas podem servir para elucidar ou auxiliar o efeito geral, como as discordâncias em música, pelo contraste; mas o verdadeiro artista sempre se esforçara, em primeiro lugar, para harmonizá-las, na submissão conveniente ao alvo predominante, e, em segundo lugar, para revesti-las, tanto quanto possível, daquela Beleza que é a atmosfera e a essência do poema. Encarando, então, a Beleza como a minha província, minha seguinte questão se referia ao tom de sua mais alta manifestação, e todas as experiências têm demonstrado que esse tom é o da tristeza. A beleza de qualquer espécie, em seu desenvolvimento supremo, invariavelmente provoca na alma sensitiva as lágrimas. A melancolia é, assim, o mais legítimo de todos os tons poéticos. Estando assim determinadas a extensão, a província e o tom, entreguei-me à indução normal, a fim de obter algum efeito artístico agudo que me pudesse servir de nota-chave na construção do poema, algum eixo sobre o qual toda a estrutura devesse girar. Passando cuidadosamente em revista todos os efeitos artísticos usuais, ou, mais propriamente, situações, no sentido teatral não deixei de perceber de imediato que nenhum tinha sido tão universalmente empregado como o do refrão. A universalidade desse emprego bastou para me assegurar de seu valor intrínseco e evitou-me a necessidade de submetê-lo à análise. Considerei-o, contudo, em relação a sua suscetibilidade de aperfeiçoamento e vi logo que ainda se achava num estado primitivo. Como é comumente usado, o refrão poético, ou estribilho, não só se limita ao verso lírico, mas depende, para impressionar, da força da monotonia, tanto no som, como na idéia. O prazer somente se extrai pelo sentido de identidade, de repetição. Resolvi fazer diversamente, e assim elevar o efeito, aderindo em geral à monotonia do som, porém continuamente variando na da idéia: isto é, decidi produzir continuamente novos efeitos, pela variação da aplicação do estribilho, permanecendo este, na maior parte das vezes, invariável. Assentados tais pontos, passei a pensar sobre a natureza de meu refrão. Desde que sua aplicação deveria ser repetidamente variada, era claro que esse refrão deveria ser breve, pois haveria insuperáveis dificuldades na aplicação de qualquer sentença extensa. Em proporção à brevidade da sentença estaria, naturalmente, a facilidade da variação. Isso imediatamente me levou a uma só palavra como o melhor refrão. Suscitou-se, então, a questão do caráter da palavra. Tendo-me inclinado por um refrão, a divisão do poema em estância surgia, naturalmente, como corolário, formando o refrão o fecho de cada estância. Não cabia dúvida de que tal fecho, para ter força, devia ser sonoro e suscetível de ênfase prolongada; e tais considerações inevitavelmente me levaram ao o prolongado, como a mais sonora vogal, em conexão com o r como a consoante mais aproveitável. [...]. Trecho extraído da obra A Filosofia da Composição (7 Letras, 2011), do escritor norte-americano Edgar Allan Poe (1809-1840). Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

CARTAS - [...] Suponho que o teste de decência de alguém é o quanto de luta alguém pode travar depois de parar de se importar e depois de descobrir que nunca poderá agradar às pessoas que deseja agradar. [...] Mas escrever é um negócio estranho. Se alguém faz algo que é preciso e cuidadoso o suficiente para ultrapassar os limites, para se dedicar ao trabalho que é levado a sério, é preciso ter um conhecimento incomum ou uma simpatia peculiar pelos personagens com os quais lida. Não se pode escrever sempre sobre o que mais se admira - você deve, por algum acidente, ter visto seu caráter muito profundamente, e é esse acidente de intensa realização dele que dá tom e distinção à sua escrita sobre ele, que o eleva. acima do lugar-comum, ou seja [...] Parece-me que o prazer que se sente numa obra de arte é apenas uma coisa que não é preciso explicar. [...] A grande chave do sucesso é trabalhar quando você não é adequado, imagino. [...]. Trecho extraídos da obra The Selected Letters (Vintage, 2014), da escritora estadunidense Willa Cather (1873-1947). Veja mais aqui, aqui & aqui.


 

DOIS POEMAS - I - Meu poema começa para ninguém porque ninguém é absolvição \ todo mundo usa manchas escuras \ aqui as coisas não acontecem são ditas naturalmente \ essas pessoas tem pele de vitórias passadas não assimilam \ essas pessoas felizes sonham com heróis da independência \ nesta cidade não mata-se \ música suave atravessa a distância \ salmo profundo flutua no mais alto \ é a vigília do poeta que sonha \ gato agachado na escuridão \ aspiro à outra margem \ esta orgia de cordas é um cerco contínuo \ na verdade não me arrependo \ de algum lugar a vida sai de sua retirada \ evaporando os fantasmas da véspera \ em algum lugar não aqui essas pessoas estão felizes. II – quando já não é mais um corpo \ e não é nada \ infiltração ou \ ausência de pesadelo por onde passa às vezes \ amante que era \ uma boneca quebrada \ morte mórbida essa que não me deixa \ uma flor intermitente para a lapela da sua camisa \ para que você não pense em me deixar no exílio \ na confusão \ da única palavra. Poemas da poeta venezuelana Lydda Franco Farías (1943-2004).

 


TODO DIA É DIA DA MULHERComo já dizia a antropóloga, pensadora e psicóloga norte-americana Margaret Mead:  Sempre que liberamos uma mulher, libertamos um homem”. Veja mais aqui.


DOROA Dona Marcialita, distintíssima senhora Doro, tem sempre uma afirmação quando perguntam pelas qualidades do seu marido: - Faz muita coisa, nada que preste!

O PEIDO E A EDUCAÇÃO, SEGUNDO ERASMO DE ROTERDAM - Não é polido saudar um homem quando urina ou defeca. Faz mal à saúde reter a urina, convém despejá-la em segredo. Alguns recomendam ao jovem reter um peido contraindo as nádegas. Mas não! É errado contrair uma doença por querer ser educado. Se se pode sair convém fazer a distância. Caso contrário, deve-se seguir o velho preceito: encobrir o barulho com uma tosse” (Erasmo de Roterdam, De cibilitate morun Puerilium). Veja mais Momentos de Reflexão.

PORQUE CANTAR JÁ NÃO MUDA EM MANHÃQuando musiquei o poema do poetamigo Fernando Fiorese não poderia jamais prever que seria carregado posteriormente de muita alegria. Eis que fomos agraciados com um presente maravilhoso da Meimei Corrêa ao realizar o clipe que nos premiou. Obrigado, Fernando; obrigado, Meimei. Veja detalhes aqui

PESQUISA ALAGOASNos últimos dias foi encetada uma pesquisa para saber qual a ciência que o povo alagoano tem acerca de Graciliano Ramos. Uma numerosa equipe de pesquisadoras treinadas foi pros bairros, bares, avenidas, beira da praia, enfim, quase 3 mil moças foram de pranchetas na mão para fazer tal pesquisa. Com a apuração feita, 90% responderam que o  bairro é bom, mas anda abandonado de segurança, saúde, educação e etc e tal; 5% disseram que longe pra dedéu!; 3% disseram que é mais longe que o Infinito Bentes; 2% mandaram se lascar (entre outras coisas não mencionáveis para o decoro público, segundo a pudica pesquisadora). Como o Tataritaritatá não tem censura, para se ter ideia dessas outras coisas: 12.475 mandaram os pesquisadores treinadíssimos tomar no cu; 11.275 perguntaram: - Quem é esse? É o novo candidato ao governo do Estado nas próximas eleições?; 856 disseram estar apressados e que não tinham tempo pra porra nenhuma; 754 quando viram as perguntas logo perguntaram: - Que cancro da porra era isso?; pronto, esse foi o resultado, tirante as respostas que foram canceladas porque eram dos que sabiam de quem se tratava. O cancelamento se deu porque, entre os que sabiam, 12 eram baianos, 11 pernambucanos, 10 mineiros, 9 paraibanos, 8 cearenses, 7 potiguares, 6 capixabas, 5 maranhenses, 4 paraenses, 3 argentinos, 2 cariocas e 1 acreano que estava de férias. Moral da história: alagoano mesmo só gosta da vida dos outros.

A PRIMAVERA DE GINSBERG: VALENDO MAIS QUE NUNCA! A terra é redonda e, ainda assim, cagam pelos quatro cantos do mundo. PS: esse é um papo pro Tocha Humana.


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Da semente ao caos, Lasciva na Ginofagia & a arte de Vanice Zimerman aqui.

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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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sexta-feira, julho 13, 2012

GONÇALO TAVARES, SILVIA FEDERICI, HARRIET TUBMAN, FRINICO & FRANCISCO DAS CHAGAS BATISTA



O POETA FRÍNICO: MULTA AO POETA POR TER FEITO O POVO CHORAR – Em Atenas, na Grécia Antiga, a queda de Mileto provoca estupor e desolação. Quando, no ano seguinte, Frínico, poeta que tem o dom de comover pelo seu patético, faz representar o seu drama de atualidade, intitulado A tomada de Mileto. O povo desfaz-se em lágrimas, chorando sobre a cidade morta e sobre as desgraças que se anunciam para ele. O governo temendo um motim popular proíbe a peça e condena o poeta a pagar uma multa. A situação na cidade está tensa. Os oligarcas da oposição tiram proveito dos recentes acontecimentos da Jônia. Para abalar a autoridade do governo democrático eles agitam o espectro da catástrofe inevitável se se persistir em apoiar um punhado de rebeldes ao grande-rei. Os atenienses ainda não aprenderam a exorcizar o demônio da discórdia, a vencer o seu egoísmo mesquinho. O mesmo se passa em todas as outras cidades gregas. Dario não encontrará na sua frente senão um conjunto de solidões e não um povo unido. Dario anseia levar a sua vingança até o coração da Ática. Em 492 a.C., ele confia ao seu genro Mardônio a chefia de uma campanha contra Atenas e Erética que outrora apoiaram os revoltados da Jônia. O exército alcança o Helesponto com marchas forçadas, enquanto a sua frota costeia a Ásia Menor. Mas os deuses estão contra os persas. No momento de dobrar o monte Athos, a frota é apanhada por uma tempestade de vento norte: cerca de 300 navios se esmagam contra a montanha e quase 20 mil homens perecem, afogados, despedaçados contra os escolhos, ou de frio. As tropas não conhecem sorte melhor: são em parte massacradas pelas tribos guerreiras da Macedônia e da Trácia. O restante desta primeira expedição retoma, lastimável, o caminho da Ásia. É o fracasso. FONTE:
GASSER-COZE, Françoise. A Grécia do Partenon. Rio de Janeiro: Ferni, 1978. Confira mais aqui.

 

DITOS & DESDITOS - O que as pessoas dizem, o que as pessoas fazem e o que elas dizem que fazem; são coisas inteiramente diferentes. Lembre-se sempre que você é absolutamente único. Assim como todos os demais. Pensamento da antropóloga cultural estadunidense Margaret Mead (1901–1978). Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Olhei para minhas mãos para ver se eu era a mesma pessoa. Se você ouvir os cães, continue. Se você vir as tochas na floresta, continue. Se houver gritos atrás de você, continue. Nunca pare. Continue. Se você quer um pouco de liberdade, continue. Pensamento da abolicionista e ativista estadunidense Harriet Tubman (Araminta Ross – 1822-1913).

 

FILHA DA DORFomos levados diretamente para a Oban. Tiraram o César e o [Carlos Nicolau] Danielli do carro dando coronhadas, batendo. Eu vi que quem comandava a operação do alto da escada era o Ustra [coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra]. Subi dois degraus e disse: ‘Isso que vocês estão fazendo é um absurdo’. Ele disse: ‘Foda-se, sua terrorista’, e bateu no meu rosto. Eu rolei no pátio. Aí, fui agarrada e arrastada para dentro. A primeira forma de torturar foi me arrancar a roupa. Lembro-me que ainda tentava impedir que tirassem a minha calcinha, que acabou sendo rasgada. Começaram com choque elétrico e dando socos na minha cara. Com tanto choque e soco, teve uma hora que eu apaguei. Quando recobrei a consciência, estava deitada, nua, numa cama de lona com um cara em cima de mim, esfregando o meu seio. Era o Mangabeira [codinome do escrivão de polícia de nome Gaeta], um torturador de lá. A impressão que eu tinha é de que estava sendo estuprada. Aí começaram novas torturas. Me amarraram na cadeira do dragão, nua, e me deram choque no ânus, na vagina, no umbigo, no seio, na boca, no ouvido. Fiquei nessa cadeira, nua, e os caras se esfregavam em mim, se masturbavam em cima de mim. A gente sentia muita sede e, quando eles davam água, estava com sal. Eles punham sal para você sentir mais sede ainda. Depois fui para o pau de arara. Eles jogavam coca-cola no nariz. Você fi cava nua como frango no açougue, e eles espetando seu pé, suas nádegas, falando que era o soro da verdade. Mas com certeza a pior tortura foi ver meus fi lhos entrando na sala quando eu estava na cadeira do dragão. Eu estava nua, toda urinada por conta dos choques. Quando me viu, a Janaína perguntou: ‘Mãe, por que você está azul e o pai verde?’. O Edson disse: ‘Ah, mãe, aqui a gente fica azul, né?’. Eles também me diziam que iam matar as crianças. Chegaram a falar que a Janaína já estava morta dentro de um caixão. Depoimento da professora Maria Amélia de Almeida Teles – Amelinha Teles, sobre a sua prisão em 28 de dezembro de 1972, quando militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), em São Paulo. Ela é diretora da União de Mulheres de São Paulo e integra a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

CALIBÃ & BRUXA – [...] Podemos imaginar o efeito que teve nas mulheres o fato de ver suas vizinhas, suas amigas e suas parentes ardendo na fogueira, enquanto percebiam que qualquer iniciativa contraceptiva de sua parte poderia ser interpretada como produto de uma perversão demoníaca. [...] Os julgamentos por bruxaria fornecem uma lista informativa das formas de sexualidade que estavam proibidas, uma vez que eram não produtivas: a homossexualidade, o sexo entre jovens e velhos, o sexo entre pessoas de classes diferentes, o coito anal, o coito por trás (acreditava-se que levava a relações estéreis), a nudez e as danças. [...]. Há também, no plano ideológico, uma estreita correspondência entre a imagem degradada da mulher, forjada pelos demonólogos, e a imagem da feminilidade construída pelos debates da época sobre a “natureza dos sexos”, que canonizavam uma mulher estereotipada, fraca do corpo e da mente e biologicamente inclinada ao mal, o que efetivamente servia para justificar o controle masculino sobre as mulheres e a nova ordem patriarcal. [...] o capitalismo criou formas de escravidão mais brutais e mais traiçoeiras, na medida em que implantou no corpo do proletariado divisões profundas que servem para intensificar e para ocultar a exploração. É em grande medida por causa dessas imposições – especialmente a divisão entre homens e mulheres – que a acumulação capitalista continua devastando a vida em todos os cantos do planeta. [...] Trechos extraídos da obra Calibã e a Bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva (Sycorax, 2004), da filósofa e ativista feminina italiana Silvia Federici.

 

PENSAR - [...] Quem quer pensar deve aprender. Só o homem aprende a pensar. E aprende porque está no pensamento. Por sentir-se na proeza do pensamento, ele mesmo se define animal que pensa. [...] O conhecimento e a linguagem são as luzes e os sons da realidade. A variação das luzes do conhecimento e a escala de sons da linguagem mostram o pensamento aprendendo a pensar o real [...]. Trechos extraídos da obra Introdução ao pensar (Vozes, 1983), de Arcângelo R. Buzzi. Veja mais aqui.

 

BACAMARTE & BACAMARTEIROSBacamarte – substantivo masculino (do francês Braquemart). Arma de fogo, de cano curto e largo, reparada em coronha. Antg. – Nome quinhentista, primeiro de determinada peça de artilharia, depois de certo tipo de mosquete de cano curto e afunilado, que foi distribuído à cavalaria, mas pouco depois retirado do uso por ineficaz. Bacamarte de boca-de-sino – substantivo masculino. Aquele cujo cano vai alargando até a boca; remonta ao século XVI e foi proibido o seu uso por Alvará de 1669. [...] Querida pelos tocaieiros de todas as épocas – insubstituível para o tiro à queima roupa, espatifando a caixa dos peitos da vítima ou arrombando-lhe os costados – acabou com muitos senhores e muitos servos por este Brasil afora. Até dignas senhoras [...] Ultimamente o termo está vulgarizado, graças às repetidas exibições dos batalhões do Major Emidio do Ouro, nas homenagens oficiais do Sítio da Trindade promovidas pelo Movimento de Cultura Popular, da Prefeitura Municipal do Recife, a partir de 1962. [...]. Seguramente, desde os fins do século passado que grupos regulares de bacamarteiros se exibem em Caruaru, durante os festejos joaninos, devendo existir o costume há cerca de cem anos, conforme indica a tradição daquela cidade agrestina. [...]. Trechos extraídos da obra Bacamarte, pólvora e povo (Bagaço, 2004), do sociólogo Sebastião Vila Nova, no qual pode-se apreciar a Balada Bacamarteira no Alto do Bom Jesus. Veja mais aqui.

 

JERUSALEM – [...] Ela percebeu, claramente, que ali, junto à igreja, estavam em competição duas dores grandes: a dor que a ia matar, a dor má, assim ela a designou, e, do outro lado, a dor boa, a dor do apetite, dor da vontade de comer, dor que significava estar viva, a dor da existência, diria ela, como se o estômago fosse, naquele momento, ainda em plena noite, a evidente manifestação da humanidade, mas também das suas relações ambíguas com os mistérios de que nada se sabe. Estava viva, e essa circunstância doía mais, naquele momento, de um modo objetivo e material, do que a dor de que ia morrer, agora secundária. [...] Podes cumprir as regras com exatidão mas, num determinado momento, eles apresentam um pequeno documento-lei, e então percebes: vais ser morto. O que fazem é aleatório, mas nunca ilegal. Primeiro mostram a lei, o documento que determina a ação. Ninguém resiste. As pessoas aceitam a lei. Se não, seria pior. [...] Quando o correio chegava, os homens interrompiam os seus percursos mais ou menos descontrolados, e rapidamente tentavam chegar aos envelopes, provocando depois os que nada haviam recebido, numa crueldade que lá dentro era aceite como normal. [...] Uma carta era o instrumento ideal para interromper a ordem e a limpeza geral do Georg Rosenberg; como um aceno de mão do exterior cada carta tornava-se num recuo do louco em direção à sua vida passada; mesmo que na carta se falasse do futuro o que estava em jogo era um processo de memória: lembra-te que já estiveste cá fora; ou talvez melhor: não te esqueças. Era este o sentido de qualquer carta: não te esqueças! [...]. Trechos extraídos da obra Jerusalém (Companhia das letras, 2006), do premiadíssimo escritor luandense Gonçalo M. Tavares (Gonçalo Manuel de Albuquerque Tavares), autor de frases lapidares como: Nunca estou a escrever uma coisa para sair logo a seguir. A distância permite o corte. Se no momento imediato olhasse para ali, seria difícil conseguir separar-me das coisas. O facto de olhar um ano ou dois depois permite-me olhar como um leitor. Não consigo conceber um escritor que não leia, leia, leia muito.

 

OS DECRETOS DE LAMPEÃO (COMO ELLE FOI CERCADO EM "TENORIO"E A MORTE DE SEU IRMÃO LEVINO FERREIRA) - Está preso Antonio Silvino / Porém ficou Lampeão / Governando pelas armas / O nordestino sertão; / E agora elle publicou, / Dois Decretos que baixou / Da sua legislação. / Diz o primeiro decreto / No seu artigo primeiro: / — Todo e qualquer sertanejo, / Negociante ou fazendeiro, / Agricultor ou matuto, / Tem que pagar o tributo / Que se deve ao cangaceiro. / No paragrapho primeiro / Desse artigo elle restringe / A lei somente aos ricos / Dizendo? a lei não atinge / Ao pobre aventureiro / Pois quem não possue dinheiro / Diz que não tem e não finge./ O decreto numero dois / Fixa em trinta cangaceiros / O Grupo de Lampeão / Diz nos artigos primeiros: / Preciso de trinta cabras, / Trinta figuras macabras ; / Trinta lobos carniceiros .../ Só quero cabras que tenham / Menos de vinte e seis annos; / Que conheçam palmo a palmo / Os sertões pernambucanos / Que possuam pernas boas / Conheçam bem Alagôas / E os sertões parahybanos. / Saibam manejar o rifle / Sejam bons escopeteiros. / Defendam os opprimidos, / Tirem só dos fazendeiros; / Persigam os traidores / Não perdoem os oppressores / Sejam peritos guerreiros./ Quando o Jornal do Recife / O Decreto publicou, / O Grupo de Lampeão / Em um mez se completou; / E no estado pernambucano; / Seu decreto soberano / Todo mundo respeitou. / Lampeão requisitou / Brim kaki para fardar / A todos os cangaceiros, / E depois de os municiar / Seguio seu féro destino / De ladrão e assassino / Continuando a matar / Os sargentos José Guedes / E Cicero de Oliveira / Da força parahybana. / Policia forte e guerreira / Perseguiram Lampeão / E tiveram occasião / De cercar-lhe a cabroeira. / Foi na fazenda "Tenório" / No estado pernambucano / Na noite do dia quatro / De Julho do corrente anno. / Deu-se esse ataque renhido,/ E ali o grande bandido / Perdeu Levino seu mano. / Commandavam os dois sargentos / Somente vinte e tres praças / Vinte e tres parahybanos / Que não temem as desgraças / Lampeão, forte e valente / Resistiu heroicamente / Commandando seus comparsas./ Quando o sargento Zé Guedes / Viu o tenente Oliveira / Morto no Serrote Preto, / Fez uma cruz de madeira / Ajoelhou-se e jurou: / Dizendo a quem te matou / Eu darei morte certeira. / Oliveira fora morto / Pelo bandido Levino / Que em "Tenório" se achava / Ao lado de Virgulino, / Apesar da noite escura/ Zé Guedes cumpriu a jura / Matando aquelle assassino. / Esse combate sangrento / Mais de dez horas durou / Quando o dia amanhecia / A "Tenório" então chegou / Uma força pernambucana / Que a força parahybana / Muito ali auxiliou. / E devido a confusão / Que entre as forças se deu / Lampeão fugiu deixando / Morto um companheiro seu / E Levino foi conduzido / Numa rêde tão ferido / Que no outro dia morreu / Lampeão feriu na lucta / O valoroso sargento / Cicero de Oliveira / Que devido ao ferimento,/ Dias depois falleceu, / Como seu irmão morreu / Sem fugir do acampamento. / Lampeão depois da lucta / Foi p'ra sua fortaleza / Descansar a cabroeira / E arctectar nova empreza / Agora amarrou o guiba / E no Estado da Parahyba / Veio fazer uma surpresa. / Na fazenda Santa Ignez / Do termo de Conceição / Residia um sertanejo / Inspector de quarteirão, / Que fôra gratificado / Por que já tinha atado / Dois cabras de Lampeão. / Lampeão cercou-lhe a casa.../ O Inspector resistiu!... / Porém nos primeiros tiros / Assassinado caiu / Lampeão matou-lhe o gado/ Incendiou-lhe o cercado / E sua casa destruiu. / Levou bastante dinheiro / Do termo de Conceição / E com sua cabroeira / Atravessando o sertão, / Foi pra Cariry Novo / Onde elle é amigo do povo / E não teme perseguição... Poema do poeta popular Francisco das Chagas Batista (1882-1930). Veja mais aqui e aqui.

 


DIREITO AMBIENTAL – O livro Direito ambiental (Atlas, 2014), de Paulo de Bessa Antunes, trata sobre a teoria geral do direito ambiental, a ordem constitucional do meio ambiente, competências constitucionais em matéria ambiental, poder de polícia ambiental, infrações administrativas, responsabilidades ambientais, estudo de impaco ambiental, proteção jurídica da diversidade biológica, biossegurança, acesso á diversidade biológica no Brasil, política nacional da biodiversidade, as florestas e sua proteção legal, política nacional de resíduos sólidos, saneamento básico, agrotóxicos, regime jurídico dos recursos hídricos, mineração, proteção judicial e administrativa do meio ambiente, política energética e meio ambiente, energia nuclear, terras indígenas, entre outros assuntos. Veja mais aqui.

EDUCAÇÃO SEXUAL – Tratar sobre a educação e a sua importância na escola com a abordagem do professor acerca de tal temática, com alunos dos mais diversos níveis educacionais, sobre do Ensino Fundamental e o abuso sexual, requer que se trate sobre sexualidade e sexo, conceitos e definições, como abordar a sexualidade na escola em busca de uma educação sexual, orientação sexual, a LDB e os PCN’s com a observância do papel e perfil docente na orientação sexual, o debate acerca do abuso sexual, a violência contra crianças e adolescentes, o aparato legislativo de combate à violência sexual, os direitos da criança e do adolescente, o professor e a sua prática diante das questões atinentes à sexualidade e à violência sexual. Veja mais aqui.

PSICOSE, PERVERSÃO, NEUROSE – O livro Psicose, perversão, neurose: a leitura de Jacques Lacan (Companhia de Freud, 2003), do psicanalista francês Philippe Julien, é dividido em quatro partes: a primeira, psicose abordando uma paranoia comum, uma relação muito pouco paranoica, psicose e modernidade, a via freudiana, do Nome-do-Pai ao Pai-do-Nome e a publicidade do nome próprio; a segunda parte compreende a perversão, na qual trata sobre a escandalosa descoberta, diante ou atrás do véu, dois casos de inverlçai e um desmentido do real. Na terceira parte vem a neurose obsessiva com a verdade e recuo de Freud. Na quarta e última parte trata da subversão histérica, a ruptura freudiana, a distinção entre histeria e neurose e a histeria na psicanálise. Veja mais aqui.


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