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segunda-feira, outubro 05, 2020

BACHELARD, MAGDA SZABÓ, ÉTIENNE DE LA BOÉTIE, NORA GERMAIN, ROCHELLE COSTI & CAPIBA


  

TRÍPTICO DGF – AQUELA DE... ENTRE CATERVA DE ALDRABICES - A vida passa pelas ruas da pandemia. Nas calçadas e ambívios, néscios apressam passos na crença dos investidos por antídotos divinos e apascentadores placebos, enquanto a cacunda carregada de ressentimentos e quantas culpas e atos dolosos recônditos, reclamam pela injusta compulsoriedade de uma máscara preventiva. Sim, exaltados porque não conseguem sustentá-la já que as múltiplas faces do semblante ocasional - e substituídas durante as sacralizações dos textos bíblicos de um Jesus irreconhecível, criado pelo estupro de tacanhos missionários avarentos - não permitem. São caras demais para qualquer uma. Em cada esquina eles se cruzam aguerridos aos seus templos emergentes, sombras de valhacoutos monstruosos nas algaravias dos seus alto-falantes furiosos e a suputação de ofertas promocionais de transações mercantis de uma fé gazopa dissimulada e inexorável. Deles emergem turbas de súcias para digladiarem entre si, cada qual se passando por exclusiva possuidora da verdade absoluta, sufragistas da danação geral. Que lugar é esse eu sei de cor e é o meu e de todos os que foram pegos de surpresa por uma onda inescapável. Assaltaram o meu país, o mundo e a vida com suas fanáticas exacerbações. Lembrei o filósofo humanista francês Étienne de La Boétie (1530-1563): Pobres, miseráveis e estúpidos povos, nações determinadas por sua própria desgraça e cegas para o seu próprio bem! Vocês se privam, diante de seus próprios olhos, da melhor parte de suas receitas; seus campos são saqueados, suas casas roubadas, sua herança de família tirada. Você vive de tal maneira que não pode reivindicar uma única coisa como sua; e parece que você se considera sortudo por ter emprestado sua propriedade, suas famílias e suas próprias vidas. Ele mesmo adverte sobre o que é recorrente com os detentores do poder até hoje: O que geralmente acontece é tudo fazerem para transmitirem aos filhos o poder que o povo lhes concedeu. E, tão depressa tomam essa decisão, por estranho que pareça, ultrapassam em vício e até em crueldade os outros tiranos; para conservarem a nova tirania, não acham melhor meio do que aumentar a servidão e afastar tanto dos súditos a ideia de liberdade que eles, tendo embora a memória fresca, começam a esquecer-se dela. O preço da tirania é o isolamento. Que lugar é este, eu sei, o Fecamepa com seus coisominions Fabos&Cafos.

 


DOIS TONS & A MÚSICA DA URSA MENOR: UMA FLOR, O MUNDO MARAVILHOSO! - Imagem: a arte da premiada violinista, cantora, escritora e compositora estadunidente Nora Germain - Para fugir das forças reativas e moral escrava, saltei no vazio e, em queda livre, só a música do abismo. Ao ouvi-la, a certa altura do baque, o encanto sonoro me fez folha solta ao vento e a levitar na liberdade de quem não sabe a fundura nem onde pousar. Embalado, cada paisagem era como páginas folheadas num recital de Magda Szabó: Os livros formaram a base do meu mundo, a minha unidade de medida era a palavra impressa. Não a via atrás da porta do tempo e espaço, sabia o violino de Nora na pele de Erika Marozsán, a me contar do que é amar e crescer e cair como não se tivesse mais como levantar a vida rente ao chão na perspectiva do voo e Bachelard anunciasse: Não há uma verdade fundamental, apenas há erros fundamentais. E eu errâncias nos devires.

 


TRÊS NA CASA DA ILHA: RESÍDUO DO TEMPO, PASSATEMPO – Imagem: arte da premiada fotógrafa e artista multimídia Rochelle Costi - Ah, a música & a vida, era Euterpe a me levar mãos na sua pela escada palavra, em que um pimentário era o envio a um minicine, melhor, cinemagético ex-passado, com as margens do tombo, negócios à parte e a reforma do centro novo na didática do silêncio e do resíduo, o tempo todo lugar comum de margens para ser um. Ah, mas eu queria a salvação, precisava nunca mais cair. E ela, tal Epicuro: É estupidez pedir aos deuses aquilo que se pode conseguir sozinho. Queres ser rico? Pois não te preocupes em aumentar os teus bens, mas sim em diminuir a tua cobiça. Não se pode não ter medo quando se inspira o medo. Ah, os talhos sangram, doem e saram de nem sequer lembrar depois. Pois é. Fiz do passado, não mais; fui à vida. Até mais ver.

 

AÊ, CAPIBA!!!

Quem quiser me ver / Me procure aqui mesmo / Quando chega o carnaval / Seja noite ou dia / Aqui tudo é alegria / E alegria não faz mal / É aqui que eu danço / Aqui é que eu canto / Aqui é que eu faço / Com desembaraço / Misérias no passo! / Na quarta-feira, / quando tudo terminar! / Eu espero mais um ano, / até o frevo voltar!

É hora de frevo, letra da música do compositor e músico Capiba - Lourenço da Fonseca Barbosa (1904-1997), autor de mais de 200 canções entre frevo, samba, música erudita, guarânias, maracatus, valsas, entre outros gêneros musicais. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 



segunda-feira, março 16, 2020

SUSAN ANTHONY, SÉRGIO VIEIRA, OCTÁVIO ARAÚJO, BÁRBARA BIANECK & PERNAMBUCO


SEGUNDA FEIRA: ENTRE A VIDA & O COVID-19 - UMA: COMPROMISSO COM A TERRA & COPERNICANISMO AO CONTRÁRIO - A Amigos da Biblioteca realizou duas oficinas nas últimas semanas. A primeira sobre Neuroeducação & Livroterapia, tratou acerca do Sistema Nervoso e sua relação com a aprendizagem, as práticas pedagógicas adequadas e a promoção da leitura como instrumento saudável e terapêutico. A segunda versou sobre Pesquisa & Metodologia Científica, articulando o conhecimento da oficina anterior com os procedimentos metodológicos para realização de pesquisa científica, visando promover o compromisso com a Terra e a Revolução Copernicana ao Contrário, afora outros temas atinentes à Educação. Neste sentido, nada melhor que usar da lição do César Vallejo: O saber nos torna mais livre. DUAS: DIA DA POESIA – Um dia diferente na Biblioteca Fenelon Barreto nas comemorações do Dia da Poesia. Lá estiveram alunos do glorioso Ginásio Municipal para quem pude, ao lado das escritoramigas Eliete Carvalho, Rute Costa & VanessaFerreira, falar de poesia na Terra dos Poetas. Um momento inesquecível. O evento foi comandado pela professora Lisandra Alberto Souza, o que me levou a reafirmar que só a Poesia tornará a vida suportável. Que o diga o poeta António Botto: Já na minha alma se apagam / As alegrias que eu tive; / Só quem ama tem tristezas, / Mas quem não ama não vive. TRÊS: TODO DIA É DIA DA MULHER – Só o amor nos salvará! Mesmo com a certidão de Bauman de que as relações líquidas da contemporaneidade comprovem o fracasso da humanidade, legado deste tempo tão sem poesia. Ah, ainda resta a possível esperança, como o de poder ouvir O Recital de Haydn ou o The Spanish Soul. Melhor dizendo, como expressa acertadamente a sempre linda Teresa Berganza: O amor é o poder inicial da vida, a paixão permite sua permanência. Vamos aprumar a conversa! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Desconfio das pessoas que sabem muito bem o que Deus quer que elas façam, porque percebo que sempre coincide com os próprios desejos. Pensamento da ativista feminista, sufragista & abolicionista estadunidense, Susan Brownell Anthony (1820-1906).

O DIREITO DE VIVERUm ser humano tem o direito de viver com dignidade, igualdade e segurança. Não pode haver segurança sem uma paz verdadeira, e a paz precisa ser construída sobre a base firme dos direitos humanos. A manutenção da paz e da segurança está indissociavelmente ligada à igualdade dos direitos entre homens e mulheres. Estou firmemente convencido de que uma estratégia para a segurança pode e deve ser guiada pela defesa do império da lei e o respeito aos direitos humanos. A globalização e a liberalização comercial trouxeram riquezas para muitos, mas a distância entre ricos e pobres - países ricos e pobres e pessoas ricas e pobres dentro dos países - está aumentando. O direito ao desenvolvimento diz que a ação internacional, inclusive por Estados mais ricos, para remediar as desigualdades é uma obrigação e não uma caridade. A construção de instituições democráticas, o respeito aos direitos humanos, uma mídia livre e democrática, o direito a uma informação objetiva. Isso é importante para criar um clima de debate político que venha substituir a violência física e armada. Desenvolvimento humano é o processo de alargamento das escolhas dos indivíduos proporcionando a cada um, a oportunidade de tirar o melhor partido das suas capacidades: viver uma vida longa e saudável, adquirir conhecimentos e aceder aos recursos necessários para um nível de vida decente. Pensamento do saudoso diplomata e funcionário da Organização das Nações Unidas, Sérgio Vieira de Mello (1948-2003), vítima do atentado a bomba contra a sede da ONU em Bagdá, assumido pela organização extremista Al Qaeda que o tinha como principal alvo do ataque.

COMPOSITORES PERNAMBUCANOS
Você tem / Quase tudo dela / O mesmo perfume, / A mesma cor, / A mesma rosa amarela, / Só não tem o meu amor. / Mas nesses dias de carnaval, / Para mim você vai ser ela, / O mesmo perfume a mesma cor, / A mesma rosa amarela, / Mas não sei o que será, / Quando chegar a lembrança dela, / E de você apenas restar, / A mesma rosa amarela.
(A mesma rosa amarela, música de Capiba & Carlos Pena Filho).
COMPOSITORES PERNAMBUCANOS - A obra Compositores pernambucanos – Coletânea bio-músico-fonográfica 1920-1995 (Massangana, 1997), organizada pelo ator, diretor teatral, radialista, pesquisador, compositor e escritor Renato Phaelante da Câmara, reúne personagens do cenário musical, tais como Luiz Gonzaga, Felinho, Dominguinhos, Antonio Maria, Geraldo Azevedo, Capiba, Nando Cordel, Anastácia, Nelson Ferreira, Guedes Peixoto, Rildo Hora, Alceu Valença, Duda, Heraldo do Monte, J. Michilles, Paulo Diniz, Maciel Melo, entre outros.
&
BACABI, PUNKAKE & ROCKIDS
A cantante e saltitante Bárbara Carneiro Bianeck é integrante da banda Punkake e do Rockids. A Punkake é formada por Bacabí, Ingrid Richter, Lívia Calil e Carol Steiner, atua com um repertório inovador de rock & a Rockids com músicas estruturadas e adaptadas para o universo lúdico da criança. Veja mais aqui.

ARTISTAS PERNAMBUCANOS
A obra Artistas de Pernambuco (Recife, 1982), organizada por José Claudio da Silva, reúne artistas como Abelardo da Hora, Guita Sharifker, Samico, Wellington Virgolino, Tereza Costa Rego, Olimpio Bonald, La Greca, João Câmara, Cícero Dias, Bajado, Brennand, Vicente do Rego Monteiro, Silvia Pontual, Paulo Bruscky, Diva Gloria, Corbiniano, Darel Valença Lins, Ezilda Goiana, Maia Tomaselli, Solange Magalhães, entre outros. Veja mais aquiaqui.
&
A ARTE DE OCTÁVIO ARAÚJO
A arte do gravador, pintor, desenhista, ilustrador e artista gráfico Octávio Araújo (1926-2015). Veja mais aqui.

PERNAMBUCO ART&CULTURAS
HISTÓRIA DA VITÓRIA DE SANTO ANTÃO
História da Vitória de Santo Antão (Biblioteca Pernambucana de História Municipal, 3 volumes - FIAM,1983), do professor José Aragão Bezerra Cavalcanti, conta a história da cidade de Braga – Diogo Braga, a expansão do povoamento, Guerra dos Mascates, criação da freguesia, os problemas da comunidade, a organização municipal portuguesa, a vila de Santo Antão, o período de agitação da revolução de 1817, o movimento de 1821, a cidade de Vitória de Santo Antão, entre outros assuntos. Veja mais aqui.
Bando de Mônadas de Vital Corrêa de Araújo aqui & aqui.
A música de Antônio Madureira aqui.
O cinema de Carol Correia aqui & aqui.
A cantoria de Nicandro Nunes Costa aqui.
A poes&arte de Cyane Pacheco aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Alma caeté aqui & aqui
&
OFICINAS ABI
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


sexta-feira, fevereiro 05, 2016

FOLIA & FREVO, GALO DA MADRUGADA, DAMATTA, SOUTO MAIOR, OLINDA, CAPIBA, VALDEMAR, MAURO MOTA & MUITO MAIS!!!


FOLIA TATARITARITATÁ: FEVEREIRO, CARNAVAL & FREVO (Imagem: Folia Caeté, do artista plástico Rollandry Silvério) - A gente nem piscou o olho: o ano eclodiu ontem e já estamos em fevereiro. O tempo voa, não para. Verdade. Nem bem a gente saiu de um cotoquinho de gente, já se sente envergado com o peso da idade. E parece que foi ontem: as presepadas da infância, as maloqueragens da adolescência e as estripulias do rigor adulto. Tudo num triz da memória. Zás! E ao se dá conta hoje, quando não é o fardo extenuante desfocando a vida com os peculiares embaraços que arrocham se amontoando no toitiço da gente, é aquela bronca como bola de sinuca ricocheteada que acerta nos possuídos: oh, nãoooooo! Doeu. E como dói, meu. Quem tem os penduricalhos que sabe. Por isso, sem nostalgia alguma, eu vou nas freviocas entoando: ...eu vou driblando as broncas pra gororoba chegar, eu dou nó cego até no mar pra fazer meu direito valer... Como o calendário vai dando corpo ao relógio na guilhotina do tempo e preparando todo mundo para a casa dos que não estão mais aqui, basta virar o ano e, de supetão, já é fevereiro e ninguém quer fazer par com os que morreram dum bocado de coisa. Claro, e como em fevereiro – mês da februa, consagrado às festas e purificação dos mortos - ninguém é asno simiesco de ficar na espreguiçadeira do Hino do Nacional, tá doido? Basta ouvir o primeiro acorde de qualquer frevo que a gente se encharca de incha-bucho, lavando a prensa pra liberar a jega e cair na folia. U-hu, é com esse que eu vou! E se é fevereiro, é carnaval, do carmem levãre, véspera da abstenção da carne. Eu, hem? Eu mesmo me apronto, dou uma fortificada no fígado, estico os ossos, libero a goela e viro adepto do Momo, filho do Sono e da Noite, que vem numa mão com a máscara e, na outra, a loucura na cabeça grotesca do cetro. E tome folia pra cima. Assim, enveredo no tríduo momesco todo probo, da sexta-pré que vira pro sábado de Zé-pereira no improviso das piruetas que esquenta os nervos, mexe com alma e agita o esqueleto com as acrobacias de sombrinha, até a terça-feira gorda, gingando na dobradura, na tesoura, na locomotiva, no ferrolho, no parafuso, no pontilhado, no saci-pererê, no diabo-a-quatro para confirmar: Sou brasileiro, meu bem, de janeiro a janeiro, de ralar o ano inteiro pra ver se a vida um dia vai mudar prum melhor fevereiro, festa de carnaval, pular, esbaldar festeiro pra ver se a minha vida um dia vai mudar... tudo na melhor tradição de Edgar Morais, João Santiago, Raul Morais, os Irmãos Valença, Nelson Ferreira, ou Capiba que diz: “...essa vida é mesmo assim... não penses que estou triste nem que vou chorar... eu vou cair no frevo, vou me acabar”. Assim, no frevo uma homenagem: que essa vida, essa passagem, só o amor faz imortal. E vamos aprumar a conversa na Folia Tataritaritatá e aqui.

E veja mais:










PICADINHO
Imagem: O Galo da Madrugada, do artista plástico Márcio Melo.


Curtindo o álbum de estreia da Orquestra Contemporânea de Olinda (Som Livre, 2008). Veja mais aqui.

EPÍGRAFEViva Zé Pereira / Que ninguém faz mal! / Viva Zé Pereira / Nos dias de Carnaval / Viva Zé! / Viva Zé! / Viva Zé Pereira, trecho de uma música cantada pela população, recolhido do texto Carnaval, carnavais (Recife, 2011), do escritor, advogado, pesquisador e folclorista Mário Souto Maior (1920-2001), dando conta da música que surgiu nos festejos carnavalescos a partir de 1846. Veja mais aqui.

CARNAVAL, MALANDROS E HEROIS – No livro Carnavais, malandros e heróis: Para uma sociologia do dilema brasileiro (Zahar, 1983), do antropólogo e sociólogo Roberto DaMatta, destaco os trechos a seguir: [...] como é possível ter um carnaval aristocrático numa sociedade igualitária e ter - no caso brasileiro - precisamente o inverso, ou seja: um carnaval igualitário, numa sociedade hierarquizada e autoritária? [...] O ritual, então, tem como traço distintivo a dramatização, isto é a condensação de algum aspecto, elemento ou relação, colocando-o em foco, em destaque, tal como ocorre nos desfiles carnavalescos e nas procissões, onde certas figuras são individualizadas e assim adquirem um novo significado, insuspeitado anteriormente, quando eram apenas partes de situações, relações e contextos do quotidiano [...] De fato, como o ritual é definido por meio de uma dialética entre quotidiano e extraordinário ele se constitui pela abertura deste mundo especial para a coletividade. Não há sociedade sem uma idéia de um mundo extraordinário, onde habitam os deuses e onde, em geral, a vida transcorre num plano de plenitude, abastança e liberdade. Montar o ritual é, pois, abrir-se para esse mundo, dando-lhe uma realidade, criando um espaço para ele e abrindo as portas para a comunicação entre o “mundo real” e o mundo especial. É no ritual, pois, sobretudo no ritual coletivo, que a sociedade pode ter (e efetivamente tem) uma visão alternativa de si mesma. [...]. Veja mais aqui e aqui.

CARNAVAL, CARNAVAIS – No livro Carnaval: textos, imagens & sons (Recife, 2011), organizado por Mário Souto Maior, Fernando Spencer e Renato Phaelante, encontro o texto Carnaval, Carnavais, do escritor, advogado, pesquisador e folclorista Mário Souto Maior (1920-2001), do qual destaco o trecho: [...] festas greco-romanas semelhantes ao Carnaval vamos encontrar muitas delas perdidas no tempo, quase sempre relacionadas com a fecundidade ou com a colheita. Outras, semi-pagãs no seu todo – as comemorações à deusa Isis no Egito e à deusa Herta entre os teutões, as bacanais, as lupercais e as saturnais romanas no seu maior esplendor, os festejos em honra a Dioníso na Grécia, as festas dos inocentes e dos doidos na Idade Média – constituem provas de que eram muito apreciadas na antiguidade clássica e até mesmo pré-clássica, com suas danças, suas licenciosidades, suas máscaras, suas músicas ruidosamente alegres na sua maioria, algumas são características conservadas até hoje. O Carnaval –“primitivamente designativo da Terça-feira gorda, tempo a partir do qual a Igreja Católica suprime o uso da carne”, conforme Antenor Nascente – surgiu com a propagação do Cristianismo e por força do seu calendário litúrgico. A posição da Igreja Católica Apostólica Romana em relação ao Carnaval, foi, inicialmente, de uma ambigüidade mais que comprovada. O Papa Paulo II, no Século XV permitiu que, na via Latta, bem próxima ao seu palácio, silenciosa durante o ano todo, se realizasse o Carnaval romano, com suas corridas de cavalos e corcundas, com seus carros alegóricos e lançamento de ovos, com o local feericamente iluminado por tocos de velas, introduzindo, como contribuição de sua inventiva, o baile de máscaras que fez tanto sucesso como continua fazendo agora. O Papa Paulo VI chegou a convidar o Sacro Colégio para um jantar festivo. O Papa Júlio III gostava mais de touradas. Já Tertuliano, São Cipriano, São Clemente de Alexandria e Inocêncio II, sempre foram contra a participação da Igreja nos festejos carnavalescos. O Papa Inocêncio III, constatando o excesso de abusos, proibiu o uso de máscara pelos padres e o festejo do Carnaval dentro das Igrejas. Em consequência de tais proibições o Carnaval perdeu seu antigo brilho, só conseguindo ressurgir, com a mesma impetuosidade, algum tempo depois, antes da Revolução Francesa e durante o império napoleônico, quando se espalhou pelo mundo todo. Pode-se dizer que a sociologia do Carnaval brasileiro, como a sua história, exige que sejam consideradas as principais expressões regionais do mesmo Carnaval, que não poderiam deixar de ocorrer num país cuja cultura é ao mesmo tempo una – nacionalmente una – e diversa, regionalmente diversa [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

O GALO – No livro Antologia Poética, (Leitura, 1968), do poeta, jornalista, professor e memorialista Mauro Mota (1911-1984), destaco o poema O Galo: É a noite negra e é o galo rubro, / da madrugada o industrial. / É a noite negra sobre o mundo / e o galo rubro no quintal. / A noite desce, o galo sobre, / plumas de fogo e de metal, / desfecha golpe sobre golpe / na treva unidimensional. / Afia os esporões e o bico, / canta o seu canto auroreal. / O galo inflama-se e fabrica / a madrugada no quintal. Veja mais aqui e aqui.

O TEATRO – O teatrólogo, médico, ator, escritor e compositor Valdemar de Oliveira (1900-1977), realizou as suas primeiras experiências da renovação teatral pernambucana, ao criar o Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP), em 1941. Essa iniciativa contrapôs-se ao que se praticava com a comédia ligeira, o teatro de revista, o teatro como diversão, tendo por missão elevar o teatro que se praticava no Recife ao nível da ‘grande arte’. O TAP teve um papel de renovação, no sentido de qualificar melhor a experiência teatral e cenográfica, já que sua posição era reafirmar o realismo e não aceitar nenhum experimento de linguagem e expressão teatral. Para o autor em comento: [...] o teatro é exclusivamente uma expressão da arte. E esta, por definição, em suas formas mais elevadas, só é acessível à fruição e apreciação daqueles poucos cultivados em seus sentidos, dotados de uma aprimorada e apurada sensibilidade [...]. Veja mais aqui.

CAPIBA, O SENHOR DOS CARNAVAIS – O documentário Capiba - O Senhor dos Carnavais (2004), realizado pelos alunos da disciplina Sociologia do curso de Ciências Contábeis, Sidney Silva, José Eduardo e Ghislene Moura, ministrada e orientada pela professora Jacyra Bezerra, da Faculdade Olindense de Ciências Contábeis e Administrativas (FOCCA), traz a história de vida do compositor e músico Capiba (Lourenço da Fonseca Barbosa – 1904-1997), trazendo suas histórias inesquecíveis, discografia, homenagens e depoimentos de Lenine, Raphael Rabello, Milton Nascimento e Claudionor Germano. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da atriz austro-húngara Zsa Zsa Gabor (pseudônimo de Gábor Sári).

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada ao folião do Galo da Madrugada.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA 
 Veja aquiaqui, aquiaqui.

Veja as homenageadas aqui.

E veja mais Duofel, François Truffaut, Christopher Marlowe, Natalie Portman, Ewa Kienko Gawlik, Haim G. Ginott, Mary Leakey, Dona Zica & muito mais aqui.

A MUSA DO DIA
A atriz portuguesa Helena Isabel Correia Ribeiro.



quarta-feira, fevereiro 03, 2016

ALVORADA, NERUDA, GISMONTI, UBALDO, PALMA, CAPIBA, AUTISMO, GERMINA, ASTA VONZODAS & MUITO MAIS!!!

FOLIA TATARITARITATÁ: ALVORADA (Imagem: Arte-vídeo da saudosa Derinha Rocha) Sou madrugador. Sempre acordo antes das quatro horas e quando chega perto das cinco da matina, presencio sempre o maravilhoso espetáculo do amanhecer. E nessa hora, recito O Sol nasce para todos como se fosse a minha primeira oração do dia. Em seguida, complemento com o Hino ao Sol, de Akhenaton. Nesse momento, a cada dia, ocorre o meu renascimento: um novo dia, novas esperanças, novas perspectivas. E inspirado pelos raios solares desabrochando no horizonte, projeto o meu dia na paz e no amor. Foi com essa inspiração que certa manhã eu acordei e pude contemplar o nascer do sol, esse momento mágico que me fez pensar no ontem, no hoje e no amanhã. Impregnado pela grandiosidade espetacular da aurora (eu já havia composto uma canção com esse título com a mesma sensação de felicidade e paz que cada raiar do dia me proporciona), quando compus o frevo Alvorada: Venha pegar a alvorada / Na barra do dia / No sol a raiar / Essa mais pura magia / Da nossa folia / Feliz de cantar / Venha pegar a alvorada / Na troça vadia / No passo a pular / Venha pra sã fantasia / Sem a pacutia / Ou pantim de chiar / Faça a partir desse dia / A sua sadia vontade de paz / Que a vida tem valia / Se a gente é quem faz. Composto esse frevo, foi gravado no estúdio do amigo Vavá de Aprígio e arranjo de Maurício Malafaia, passando a ser um dos temas da Folia Caeté, hoje integrando a Folia Tataritaritatá. Veja o videoclipe da música aqui. (Luiz Alberto Machado). Veja mais aqui.

E veja mais:

PICADINHO
Imagem: Meu frevo, da artista plástica Cristiane Campos.


Curtindo Frevo & o álbum Nó Caipira (Carmo, 1993), do compositor, multinstrumentista e arranjador de Egberto Gismonti. Veja mais aqui.

EPÍGRAFESempre ouvi dizer que numa mulher não se bate nem com uma flor... loura ou morena, não importa a cor, não se bate nem com uma flor, trecho da letra do frevo-canção Cala boca, menino, do compositor e músico Capiba (Lourenço da Fonseca Barbosa – 1904-1997). Veja mais aqui.

O CÉREBRO AUTISTA – No livro O cérebro autista: pensando através do espectro (Record, 2015), de Temple Grandin e Richard Panek, destaco o trecho: [...] Estamos muito distantes do tempo em que os médicos diziam aos pais de crianças autistas que não havia saída e a única opção humana era a condenação de passar a vida numa instituição. Ainda há um longo caminho a percorrer, claro. A ignorância e as interpretações incorretas sempre são difíceis de superar quando passam a fazer parte do sistema de crenças de uma sociedade. [...] Mas tenho certeza de que qualquer que seja o pensamento sobre o autismo, ele vai incorporar a necessidade de considera-lo isoladamente, cérebro por cérebro, filamento por filamento do DNA, característica por característica, ponto forte por ponto forte e, talvez, o mais importante, individuo por individuo. Veja mais aqui e aqui.

O ENCONTRO – No conto O encontro: crônica da época do vice-rei Arcebispo (Cultix, 1962), do escritor peruano Ricardo Palma (1833-1919), destaco o trecho: [...] A chegada de Gertrudes à fazenda, despertou no capelão e no médico todo o apetite que desperta uma guloseima. Sua reverendíssima fradesca deu de padecer de distrações quando abria seu livro de horas; e o médico boticário, preocupou-se com a mocinha a tal ponto que certa ocasião ministrou a um dos seus doentes jalapa em vez de goma-arábica e mais depressa do que se jogasse um dado, quase o despacha sem postilhão para o país das caveiras. Alguém disse (e se ninguém pensou em dizer tal balela, eu a diria) que um rival tem olhos de telescópio para descobrir, não digo um cometa minúsculo, mas uma pulga no céu dos seus amores. Assim se explica que o capelão não tardasse em compreender e adquirir provas de que entre Pantaleão e Gertrudes existia o que em politica chamava um dos nossos homens de “conveniências criminosas”. O despeitado rival pensou então em vingar-se e foi á condessa com a nova, alegando hipocritamente que era um escândalo e uma tração à tão honrada casa, que dois escravos se entretivessem com baixezas, que a moral e a religião condenam. Bobagem! Os sinos não tocaram a repiques. [...]. Veja mais aqui.

POEMA – No livro Vinte poemas de amor e uma canção desesperada (José Olympio, 1982), do poeta chileno e Prêmio Nobel de Literatura de 1971, Pablo Neruda (1904-1973), destaco o poema XV: Gosto de ti calada porque estás como ausente, / e me ouves de longe, e esta voz não te toca. / Parece que os teus olhos foram de ti voando / e parece que um beijo fechou a tua boca. / Como todas as coisas estão cheias da minha alma / tu emerge das coisas, cheia da alma minha. / Borboleta de sonho, pareces-te com a minha alma, / e pareces-te com a palavra melancolia. / Gosto de ti calada e estás como distante. / E estás como queixando-te, borboleta em arrulho. / E ouves-me de longe, e esta voz não te alcança: / vais deixar que eu me cale com o silêncio teu. / Vais deixar que eu te fale também com o teu silêncio / claro como uma lâmpada, simples como um anel. / Tu és igual à noite, calada e constelada. / O teu silêncio é de estrela, tão longínquo e tão simples. / Gosto de ti calada porque estás como ausente. / Distante e dolorosa como se houvesses morrido. / Uma palavra então, um teu sorriso bastam. / E eu estou alegre, alegre porque não é verdade. Veja mais aqui e aqui.

A CASA DOS BUDAS DITOSOS – Tive oportunidade em 2004, depois de ler o livro, de assistir ao belíssimo espetáculo A casa dos Budas ditosos, do escritor, jornalista e professor João Ubaldo Ribeiro (1941-2014), uma montagem apresentada no DirectTV Music Hall, em São Paulo, com direção de Domingos de Oliveira e representação da premiada atriz e escritora Fernanda Torres em cena, contando a história de uma mulher teoricamente livre de repressões sexuais e com o sonho universal de prazer sem culpa na visão tropical-melancolia do autor. Aplausos. Veja mais aqui, aqui e aqui.

THE WAYWARD CLOUD – O filme The Wayward Cloud (O sabor da melancia, 2005), dirigido por Tsai Ming-liang, conta a história de uma seca fenomenal que atinge Taipei, na mesma intensidade com que melancias passam a brotar em todas as partes da cidade. Em meio ao caos e à aridez, um casal se encontra: ela estocando água desesperadamente; ele participa de filmes pornôs. O destaque do filme vai para a atriz Chen Shiang-Chyi. Veja mais aqui.

GERMINA – Está no ar a mais nova edição da Germina - Revista de Literatura e Arte, editada por Silvana Guimarães, Mariza Lourenço & Priscila Merizzio. A revista dispõe de um corpo de colaboradores de alto nível, trazendo nesta edição Anderson Borges Costa, Luiz Ruffato, José Aloise Bahia, Raíssa Xhristina & Rodrigo Colares, Claudia Alves, Rosângela Vieira Rocha, Dara Scully, Mauricio Lanzara, Chico Lopes, Fernanda Bender, Adair Carvalhais Júnior & muito mais. Para conferir é só clicar em cima do nome da revista acima e mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Folguedos de Pernambuco (Art naïf, 2012) de Digerson Araújo.

DEDICATÓRIA
Acende a lareira, faz frio / (detesto frio) /me pegue no colo, com meu pijama lilás / (pantufa de urso) / dispenso o tinto / [hoje não me cai bem] / mas não me levante a blusa / (que entra o frio) / antes, me cante cantigas / que hoje criança, quero ninar. / abaixe a música / (quero-a suave) / que hoje estou triste, / com vontade de chorar... / Não...não diga nada, / só me embale nos braços / deixe pra limpar depois os traços / desta lágrima a rolar. / Assim...deixe que eu me encaixe / na curva do teu queixo, / me conte uma estória / (que não seja de medo) / e assim que eu adormeça, / sele em minha testa um beijo, / vele meu sono, até o sol raiar. / Hoje sou criança, / com vontade de chorar... (Hoje sou).
A edição de hoje é dedicada à poeta, pedagoga, editora e jornalista Asta Vonzodas.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA 
Veja aquiaqui, aqui, aquiaqui.

Veja as homenageadas aqui.

E veja mais Big Shit Bôbras, Georg Trakl, Paul Auster, Sarah Kane, Gertrude Stein, Marion Cotillard, Felix Mendelssohn, as sopranos Maristela Araujo & Meire Norma & muito mais aqui.


DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...