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segunda-feira, dezembro 01, 2025

ROSA MECHIÇO, ČHIRANAN PITPREECHA, ALYSON NOEL, INDÍGENAS & DITADURA MILITAR

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som de Uma Antologia do Violão Feminino Brasileiro (Sesc Consolação, 2025), da violonista, cantora, compositora e arranjadora Helô Ferreira. Ela é bacharela e mestre em violão, produtora do Samba das Mulheres e do Festival Cancioneiras: Música Feminina em Primeira Pessoa, além de consultora do Instituto OuvirAtivo.

 

De festa em tragédia se desfaz e refaz... – Era dia de boi do barão, o mais festivo de Alagoinhanduba, eructação extravagante do bafo pros pipocos louvadores do maioral arrojado. Não só, girândolas de atrativos demorados, mais de semana no giro de roda gigante, montanha russa, tobogãs, escorregos, barcaças, tiro ao alvo, barracas de fogos e jogos, artistas variados no palanque e, embaixo, o desfile vistoso de curau do muito com domingueira nos trinques, dentes no quarador de bumba-meu-boi, mesuras adiantadas pra matuta bonita dos olhos vivos nas tranças de sonsa: Roda a saia, fulô, pro aroma do amor. De todo canto, caravanas; comitivas das lonjuras mais ignotas. Era gente como a praga! Chega dava gosto de ver, maior arrocho, entre transeuntes de fisionomia ignorada. Zeca Biu mesmo queria era se aproveitar dos muitos festejos, dava uma de vaqueiro aos traques para render o Espácio, tudo no faz de conta, peido-de-véia nos cascos do que foi Surubim, batia pé no Rabicho da Geralda, ou vaias pro Mão-de-pau, danças do Boi-Barroso que não tolerava apartação, nem vaquejada; e o mimoso Pintadinho na queda de rabo da mucica ou de vara pra virar o mocotó e o pescoço quebrado: Hê, Zebedeu, ô boi do cu cagado! Aboio do tanto pro ABC do Boi Prata, aplausos pra décima do Bico Branco, claque convocada pro romance do Boi Liso, qual boi-de-mamão, se passando por calemba, de fita ou de reis, ou vai na-vara quem não foi boi-santo, o zebu Mansinho do Padre Cícero; e praquele que morreu na boiada, mandava logo buscar outro lá no Piauí, pra festa de solfas e gestas, no meio dum feixe de capim verde, jogado num roçado qualquer pra ouvir aqueles da conversa de Rosa. Um primor de variedades. De repente, maior rebuliço! O que foi? Corre! E pé na bunda, saia na cabeça, zigue-zague, puxavanques, barruada de fuças, pernas enganchadas, a roda virou e girou os assustados, correria em todas as direções. A confusão exorbitou de quase ninguém sair do lugar, travados de pavor. O pânico formou alarido, assombrados metiam-se dentro de loca que fosse escapando do obnóxio. Esconderijos impossíveis arranjados na hora, escondidos no desembesto. Que droga é nove? Trancados e trêmulos, onde estavam apavorados, nem podiam sequer falar, nem se entendiam. Zeca Biu coração saindo pela boca, tremia mais que vara verde, os dentes chacoalhavam no queixo. Via-se gente desmaiando, morto carregando vivo, todos na carreira pra se abrigar, menino que perdeu os pais, mulher à procura do marido, quem perdeu a fé desgraçado, quem escafedeu de nunca mais voltar, quem perdeu a coragem paralisado, quem perdeu o norte e se desencontrou, quem cegou de vez, ou emudecia pra sempre, ou endoidava, como se safar daquela tragédia, um escarcéu. Oxe! O que foi? Não viu o boi brabo da venta fumaçando? Quem viu nada não. Balbuciou-se: Será a volta do feroz Jauaraicica que saiu do remoinho do Uirapiá? Danou-se! Cadê um vaqueiro bom nessa hora? Era. Tanger como? Perigava era mais penar. Parece mais o touro de Pasifae! Vixe! Isso é peta! Quem não soubera da fúria majestosa dum bicho desse pelos arredores, hem? Mesmo. E agora? O desencontro tamanho de nem darem fé de armas, espingardas, rifles, pistolas, garruchas que espoletas, pólvoras, coisas do tipo: Cadê moral pra mira? Brabo perdia a homência ofendendo a coragem com o serviço efetivo de dar cabo daquela rumorosa situação vexatória; certificava-se a frouxidão, o que de enorme se fizera. Isso não tem cabimento! O povo amuava. Alguém afirmou solene e saiu: É Ápis! Quem? Um boi endemoninhado! Como assim? Oxe, o cara foi lá no boi! Quem é esse lelé? Eis que um incipiente anônimo discípulo do doutor Zé Gulu esclareceu respostante: É Apolônio. O marido da Maria Biruteia? Não, o de Tiana. Ficou no mesmo, nunca vi mais gordo! Parece mais um metido a Jesus! Pois é, o mundo é muito grande para um único salvador... Essa é boa, conta outra! Ora, vamos tomar pé da situação, gente! E quem é esse tal de Ápis tão brabo? Um deus egípcio associado com Ptah e que personifica a Terra! Entendi nada, de novo. Como é que é? Simboliza a vida e a morte, era venerado em Mênfis! Pronto. Conversa! Pelo jeito quer matar a gente tudinho! Será? E tem muitos outros nomes! E quem és tu, cara pálida falador? George de Wells. Quem? Deixa pra lá, ouça! Num pode! Veja! E o medo virou curiosidade e, desta, expectativa: O que vai fazer aquele embirutado ali? Ouve-se um berrante, o boi se aquieta diante da presença daquele estranho: O boi sentou-se sobre o silêncio de Deus... Pronto, agora é o Touro Sentado. Chi! Silêncio. E explicou a cena: Apascentou a fera. Vixe! E era hora vagarosa, o barbatão moroso, os chifres retiniam afoiceados, o focinho estremecedor, o mugido trovejado, bulia as ventas estarrecedor, afinal refestelava com aquele que parecia domá-lo, estalando os dedos e, ambos, pareciam numa amizade antiga e tomaram apaziguada direção de sumirem por léguas. Aaaaaaahhhhhhh! Aos poucos cabeças apareciam às portas que se abriam furtivas, janelas escancaravam com esmaecidas luzes acesas, conversagens, remoques, corajosos atrasados e o converseiro tomou conta: havia quem quisesse pegar aquele que escapava de todas as emboscadas, não temia nem vaqueiro nem cavalo, mas cadê coragem? Daria um bom repasto! Heresia! Oxe! Quem não quer? Aquele porte, que lombo! Sequiosos, lambiam os beiços: o coração, fígado, os quartos, saborosos. E queriam o sebo pra temperar feijão e fazer sabão; queriam o couro vacum pra fazer surrão e carregar farinha; queriam a língua fritada pros comensais; queriam os miolos pruma panelada, os cascos pra canoa, os olhos pro botão das casacas, os chifres para colher temperar banquetes, as costelas pro cavador de cacimbas, as canelas pra mão pisar milho, a pá pra tamborete, o rabo pra bastão nas mãos das velhas, o esterco pra estrume embelezar florada, a baba pra remédio, os pelos pra amuleto, a urina pra remédios, o sangue pra cabidela, o nome pras gestas e solfas e o resto que sobrasse pras relíquias de sortilégios do beato Zé Lourenço. E depois colocar um boi Ápis de barro numa manjedoura encantada pros milagres cotidianos. Doer de bicho é graça! Desalmado, o boi também é gente, também sofre o sentimento. Os temores se dissipavam, ressabiados iam íntimos pras suas casas. Foram então surpreendidos pelos retardatários capangas do barão à caça do fabuloso boi, agora já era tarde. Zeca Biu ainda tomado pelo susto, seguia mais que impressionado, a ponto de não conseguir pregar os olhos: a imagem viva do perigo e a desgraça de quase morrer. Cochilava aos sobressaltos, com pesadelos recorrentes. Passou a noite dorminhoco, assaltado pela ameaça dum ataque, de ver o dia amanhecer e não dormir quase nada. Enfim, despertou sonolento, ainda tomado pelo susto. Abriu a porta e fez menção de ir pro quintal, cismou, bateu os pés e paralisou aterrorizado: o boi estava lá, entre os seus tantos outros bichos, maior intimidade. E agora? Até mais ver.

 

Florbela Espanca: O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que se não sente bem onde está, que tem saudades... sei lá de quê!... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Willa Cather: Os tolos acreditam que ser sincero é fácil; só o artista, o grande artista, sabe o quão difícil é... Há coisas que se aprendem melhor na calmaria e outras na tempestade... Os mortos bem que poderiam tentar falar com os vivos, assim como os velhos com os jovens... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Camille Claudel: Caí num abismo. Vivo num mundo tão curioso, tão estranho. Do sonho que era a minha vida, isto é o meu pesadelo... Há sempre alguma coisa que falta e que me atormenta... Não quero dizer nada porque sei que não posso protegê-lo do mal que vejo... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A REBELDIA DE UMA FLOR

Imagem: Acervo ArtLAM.

A mulher tem duas mãos \ Agarrar com força a essência da vida \ Os tendões retorcidos são dilacerados pelo trabalho. \ Não se enfeitando com sedas brilhantes. \ A mulher tem dois pés. \ Para alcançar seus sonhos, \ Para permanecermos unidos, firmes \ Não se alimentar do trabalho alheio. \ A mulher tem olhos \ Em busca de uma nova vida. \ Para olhar para longe, através da Terra. \ Não lançar olhares amorosos em tom de flerte. \ Mulher de coração, \ Uma chama constante \ Aumentar a força, criar uma massa, \ Porque ela, ela é uma pessoa. \ A mulher tem uma vida. \ Apagar os vestígios do mal com a razão. \ Ela tem valor como pessoa livre. \ Não como servo da luxúria. \ Uma flor tem espinhos afiados. \ Não desabrochando para um admirador \ Ela floresce para criar \ A glória da terra.

Poema da premiada poeta e feminista tailandesa Čhiranan Pitpreecha (Čhiranan Prasertkul ou Phitprīchā).

 

EM BUSCA DA ETERNIDADE – [...] Fico impressionada com o fato de que o que antes parecia uma revelação devastadora e transformadora agora é apenas mais um evento infeliz em uma longa série deles. O tempo e a clareza têm o poder de suavizar as arestas. [...] Às vezes, a explicação mais simples é aquela que está bem na sua frente. [...] O amor não te enlouquece. Não é drama, caos e insegurança. Não quando é verdadeiro. O amor é ancorador, curador, a força mais estabilizadora do mundo. [...]. Trechos extraídos da obra Chasing Eternity (Entangled Publishing, LLC, 2024), da escritora estadunidense Alyson Noel, que na sua obra Ruling Destiny (Entangled Publishing, LLC 2023), ela expressou que: […] Não importa o que nos separe — oceanos, continentes ou até mesmo o próprio tempo — sempre encontraremos o caminho de volta um para o outro. [...] Ao longo da história, são os inconformistas que realmente desbravam o mundo em seu tempo. [...] Homens fracos sempre foram aterrorizados pelo poder inato das mulheres fortes — de todas as mulheres, na verdade. E mulheres que temem seu próprio poder sempre apoiaram esses mesmos homens fracos. Um ciclo vicioso. [...]. Também noutro de seus livros, o Stealing Infinity (Entangled: Teen, 2022), ela menciona que: […] A combinação inebriante de extremo conforto e luxo, aliada à monotonia da rotina, faz com que os dias se misturem tão perfeitamente que é fácil esquecer a que mundo realmente pertenço. [...]. Ela é autora de obras como Saving Zoë (2019), Dark Flame (2010), Evermore (2009), Blue Moon (2009) e Shadowland (2009). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A BANALIZAÇÃO DA VIDA HUMANA - [...] por que será que se banaliza a vida humana? Por qual razão os homens optam pela violência para reivindicar o que quer que seja ao invés de optarem pela via do diálogo e consenso? O que move e/ou motiva um ser humano a tirar a vida de outro humano? Por que Deus, sendo um Deus Bondoso, Omnipotente, e com todos os atributos belos que tem, conforme os meus pais e os catequistas me ensinavam, permite ou deixa que tais atrocidades aconteçam? Por que será que um Deus Justo consente tanta injustiça sobre os inocentes? Por que será que ele, sendo um Deus Bom, fez homens bons e dobem e, de modo igual, em contrapartida, homens maus, adeptos do mal e, em função disso, impendiosos? O que impede que os homens vivam em paz e em harmonia uns com os outros? Qual será a raiz da maldade e da violência existente no interior do homem e, por conseguinte, no mundo? Se sou ensinada que Deus fez-nos (criou-nos) à sua imagem e semelhança será que, pelo facto de existirem homens bons e maus, ele também é, simultaneamente, bom e mau, bondoso e maldoso, justiceiro e vingativo? Afinal quem é esse Deus, ou que Deus é esse, tão poderoso, que admite e/ou autoriza os maus a tomarem conta dos bons, que permite que a maldade (o mal e o mau) prevaleça sobre a bondade (bem e bom) e não o contrário? Será por isso que, após a morte, existe o paraíso como recompensa para os bons e o inferno como castigo para os maus? Estas e outras questões, de forma recorrente, atravessavam o meu juízo, se quisermos pensamentos e, de certo modo, pelo facto de, intrinsecamente, constituírem uma preocupação, sobretudo pela incapacidade de, na altura, poder ter ou dar uma resposta cabal às mesmas, mais do que me interessavam, lamentavelmente, acabavam sufocando e perturbando o meu juízo. Talvez, no fundo, o que realmente me interessava era que nós, o povo moçambicano, vivêssemos em paz e harmonia. Era o fim da guerra. Era, mais do que a possibilidade, a necessidade premente de termos uma vida digna, uma vida isenta de todo o tipo de escassez. [...] Cada país subdesenvolvido/pobre assume uma função produtiva. Os subdesenvolvidos ficam responsáveis com a parte de produção sem muito valor agregado e os desenvolvidos/ricos ficam responsáveis pela marca, montagem e venda do produto e com o lucro final, que é a “maior parte do bolo”. Assim, seria oportuno notarem (os estudantes) que este panorama marcou o início das transnacionais, cuja sede é, por via de regra, estabelecida no país rico e as filiais, quase sempre, nos países pobres. O país rico somente tem o controle da economia e da indústria. É a hegemonia globalizada. [...] Trechos da entrevista Relatos de uma Filósofa: Entrevista com Rosa Mechiço (Abatirá - Revista de Ciências Humanas e Linguagens, 2021), concedida pela filósofa e professora moçambicana Rosa Mechiço.

 

INDÍGENAS & DITADURA MILITAR

O livro Indígenas e ditadura: crimes e corrupção no SPI e na FUNAI (Telha, 2024), do historiador e professor da Rede Estadual de Pernambuco, Rodrigo Lins Barbosa, é a continuidade dos estudos realizados para a dissertação de mestrado O Estado e a questão indígena: crimes e corrupção no SPI e na FUNAI (1964-1969) (UFPE,2016), na qual trata sobre a política indigenista no Serviço de Proteção aos Índios, o governo militar e a questão indígena, a violência contra indígenas e corrupção no SPI e na FUNAI, concluindo que: [...] os crimes contidos no extenso Relatório Figueiredo, que se situa em torno dos 20 anos finais do SPI, envolvendo a existência de casos de abandono e de violência contra indígenas em várias regiões do Brasil, principalmente, na Amazônia e no Centro-Oeste. Observamos que os indígenas, muitas vezes, resistiram na defesa de suas terras contra fazendeiros, seringueiros, grileiros, garimpeiros, madeireiros e à instalação de empresas seringalistas, mineradoras e madeireiras. Entre os casos, nos chama à atenção a existência de funcionários e diretores do SPI que se omitiram aos casos de violência e invasões em terras indígenas, sendo coniventes e até participantes das negociações e delitos. [...] Casos de violências contra índios ocorreram ao mesmo tempo do avanço das frentes de expansão nas regiões da Amazônia e do Centro-Oeste, observando várias formas de usurpação e exploração das terras indígenas. Algo que provocaria mudanças drásticas nos modos de vida e na cultura dos índios [...] as violências contra indígenas existiram e continuam existindo independente se o governo tem uma postura ditatorial ou democrática, porque os interesses econômicos sempre tem se sobressaído aos Direitos e garantias desses povos, que almejam viver em suas terras e manterem seus costumes. Os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade tiveram o papel de trazer para a visibilidade estas “violações de direitos humanos por agentes do Estado na repressão aos opositores”. Cabe ao Estado apurar as denúncias e investigar os casos de violências, em especial, às comunidades e indivíduos indígenas, mas não apenas a esses, bem como às pessoas mortas porque recusavam os ditames negligentes, repressivos e autoritários do Governo Militar, coadunado com os interesses das corporações agroindustriais. No Brasil, as questões econômicas sempre influenciaram a realidade dos povos indígenas, por interesses de fazendeiros, seringalistas, grileiros, empresas mineradoras, madeireiras, bem como políticos e o próprio Estado com a implantação de projetos governamentais, como a recente construção da Hidrelétrica Belo Monte que, se concluída, além de trazer danos ambientais, como a inundação das matas com o desvio do rio Xingu, e a escassez de animais nativos para a caça e a pesca das populações locais que sobrevivem da terra, mas também o desalojamento de comunidades pertencentes à terra. No momento, a Hidrelétrica Belo Monte está sendo debatida e criticada por ambientalistas, antropólogos, promotores públicos e pelos índios. [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

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USINA DE ARTE

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ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR:

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terça-feira, março 03, 2020

MARGUERITE DURAS, IRMA GRUENHOLZ, HIPÓLITA DE MELO & BOI NEON


TODO DIA É DIA DA MULHER – UMA: APOLOGIA À MULHER DO DIABO – Era assim chamada aquela que tem na sua lápide o epitáfio de ter sido a precursora do feminismo e indianista, a baiana Leolinda Daltro (1859-1935) Quem? Ela tinha o propósito de educar os índios sem a interferência da igreja e de legalizar o voto feminino, fundando o Partido Republicano Feminino – legalizado, mas que não poderia receber votos por ser formado apenas por mulheres -, para mobilização pelo direito ao voto, precursor na luta pela cidadania das mulheres. Por sua coragem e determinação, ela foi acusada de masculinizar o adorável sexo e ganhou a alcunha de Mulher do Diabo por seu extremo senso de Justiça, razão pela qual foi criticada, ridicularizada, perseguida e escorraçada pela imprensa, igreja e poderio latifundiário. Enfrentando tudo e todos, ela expressou: Como mulher que sou, com um sentido superior de altruísmo, tenho me preocupado com a necessidade de minorar o sofrimento humano e de se atingir uma melhor distribuição da Justiça. Ativa politicamente e desquitada numa sociedade patriarcal e católica, ela acreditava na sua missão, mesmo taxada de diabólica e excêntrica, monomaníaca e louca, mantendo-se firme como mãe visionária e professora ativista. Essa a minha homenagem! DUAS - E NUM É QUE É MESMO? - Nesses tempos de boatos virtuais, as panelinhas dos sectários dissecam qualquer um, mesmo sem ao menos ter morrido. Como é que é? Simples: formam-se grupelhos de fuxiqueiros fundamentalistas que preparam a cova, queimam o filme e sacodem invencionices nas costas dum escolhido alvo e jogam-lhe todo tipo de degeneração, de deixá-lo mais ralo que caldo de biloca, quer dizer, o mesmo que morrido e matado, pronto. Oxe, é mesmo? Ora, se. Havia um tempo em que, pela frente, você era elogiado por coisas que nunca vez e, pelas costas, detratado por crimes que nunca cometera. A gente sabia pela imprensa que sempre viveu de sensacionalismo para condenar a reputação de quem não lhe caísse às graças, bastando algumas somas próximas das avultantes para denegrir qualquer desafeto. Como os veículos de comunicação de massa perderam a credibilidade por jogar não se sabe mesmo a favor de quem, a não ser do bolso dos donos deles e a favor dos achegados, agora a boataria ganhou foro de verdade por baixo dos panos. Como sobreviver a isso? Ora, o melhor conselho vem da memorável Tônia Carrero: Se me importasse com o que pensam e falam de mim, não levantaria da cama. Enquanto houver sangue em meu corpo, não paro de atuar. Pois é, quem tiver peito que sustente esse badalo, porque a coisa que vem da politicalha está pior que a catinga duns quinhentos lixões a céu aberto. TRÊS: A MENSAGEM DA MALDITA - A talentosa escultora Camille Claudel (1864-1943) amou demais, além da conta e caiu em desgraça. O escândalo e a solidão levaram-na para um manicômio, aliás, diagnosticada com esquizofrenia. Na verdade, o irmão, o amante e a sociedade queriam mesmo era livrar-se dela, esquecer sua obra. Ela, delirante e paranoica, apenas dizia: Tua força interior e tuas convicções não têm idade. Teu espírito é o espanador de qualquer teia de aranha. Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida. Atrás de cada trunfo, há outro desafio. Enquanto estiveres vivo, se sentes saudades do que fazias, torna a fazê-lo. Não vivas de fotografias amareladas. Viva Camille. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Eu vi tudo. Tudo. Também o hospital, eu o vi. [...] Como puderia evitar de vê-lo [...] Quatro vezes no museu em Hiroshima. Eu olhei as pessoas. Eu olhei eu mesma, pensativa, o ferro. O ferro queimado. O ferro quebrado, o ferro tornou-se vulnerável como a carne. [...] Peles humanas flutuantes, sobreviventes, ainda no frescor de seus sofrimentos. Pedras. Pedras queimadas. Pedras destruídas. Cabelos anônimos que as mulheres de Hiroshima encontravam inteiramente caídos pela manhã, ao acordar [...] Eu vi as atualidades. […] Eu as vi. Do primeiro dia. Do segundo dia. Do terceiro dia. Mesmo no amor esta ilusão existe, esta ilusão de nunca poder esquecer, assim eu tive a ilusão diante de Hiroshima que nunca esquecerei. Assim no amor... [...]. Escute-me. Como você, eu conheço o esquecimento. Como você, eu sou dotada de memória. Eu conheço o esquecimento. Como você, eu também, tentei lutar com todas minhas forças contra o esquecimento. Como você, eu esqueci. Como você, eu desejei possuir uma inconsolável memória, uma memória de sombras e de pedra. Eu lutei, [...], com todas as minhas forças, a cada dia, contra o horror de não entender o porquê de se lembrar. Como você, eu esqueci... [...] “Não, você não conhece o esquecimento [...]. Não, você não é dotada de memória”, e a protagonista insiste: “Como você, eu sou dotada de memória. Eu conheço o esquecimento. Assim no amor, […] eu tive a ilusão diante de Hiroshima que nunca esquecerei.” [...] Eu o reencontro. Eu me lembro de você. Quem é você? Você me mata. Você me faz bem. Você me agrada. Que acontecimento. Você me agrada. Que lentidão repentina. Que suavidade. Você não imagina. Você me mata. Você me faz bem. Você me mata. Você me faz bem. Eu tenho tempo. Eu lhe imploro. Devore-me. Deforme-me até a feiúra. Por que não você? Por que não você nesta cidade e nesta noite igual às outras ao ponto de me confundir? Eu lhe imploro... [...] Eu fiquei perto do corpo dele o dia inteiro e a noite inteira. [...] Ele se tornou frio pouco a pouco sobre mim. Ah! como ele demorou a morrer! Quando? Eu não sei exatamente. Eu estava deitada sobre ele. [...] Eu posso dizer que eu não conseguia encontrar a mínima diferença entre o corpo dele e o meu... [...] Você entende? Foi o meu primeiro amor [...] perdida, que a conduz literalmente para fora de si mesma e que a leve em direção a um homem novo [...]. Trechos extraídos da obra Hiroshima mon amour (Gallimard, 1959), da romancista, novelista, roteirista, poeta, diretora de cinema e dramaturga francesa Marguerite Duras (1914-1996). Veja mais aqui & aqui.

HIPÓLITA DE MELO
Quem não é capaz para as coisas, não se meta nelas; e mais vale morrer com honra que viver com desonra.
HIPÓLITA DE MELO - A autora da carta que denunciava a traição da Conjuração Mineira, Hipólita de Melo (1748-1828), era participante ativa, uma mulher rica e de vasta cultura, que atuava contra a exploração do povo e financiava ações, dispondo sua fazenda para ser o quartel general dos revoltosos. Foi ela quem denunciou a traição de Joaquim Silvério dos Reis, contra seus companheiros, no episódio que ficou historicamente denominado de Inconfidência Mineira. Com o fim da Revolução, o exílio do marido e sofrendo pesadas sanções, ela conseguiu ainda negociar com o governo português e retomar parte dos seus bens.

BOI NEON
O premiado drama Boi Neon (2015), dirigido por Gabriel Mascaro, conta a história dos bastidores das vaquejadas, especificamente de um vaqueiro de curral, que prepara os bois para o espetáculo típico do interior nordestino e tem o sonho de se tornar estilista de moda. A casa é o caminhão que leva os animais de evento em evento e o cotidiano intenso de outros personagens que juntamente como protagonista compõem a narrativa. Juntos formam uma família improvisada e unidade, em meio a uma região rural que está em rápida transformação econômica e que sedia um importante polo de confecção de roupas do Brasil. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
O processo varia muito, dependendo do projeto. Posso resumir com as seguintes etapas básicas: li o texto ou o texto com atenção e enfatizo o que considero mais importante. Reuno todas as informações sobre o assunto e começo a desenvolver conceitos. Não desenho esboços em detalhes; Prefiro mergulhar na ilustração, trabalhando diretamente em três dimensões assim que tiver uma ideia clara em mente. Meus esboços são desenhos muito esquemáticos que me ajudam a dirigir a ilustração e a especificar os materiais e a paleta que vou usar. Às vezes, faço esboços rápidos em três dimensões, usando placa de espuma e plasticina para verificar dimensões, composição e enquadramento. Quando a escultura é concluída, tiro uma foto e retoco a imagem digitalmente.
IRMA GRUENHOLZ – A escultora e ilustradora espanhola Irma Gruenholz, trabalha com a criação de ilustrações esculpidas à mão com argila e vários materiais que permitem trabalhar em três dimensões, explorando as possibilidades de cada projeto e experimentando novas soluções e texturas. Veja mais aquiaqui.

TODO DIA É DIA DA MULHER PERNAMBUCANA
A ativista Adalgisa Rodrigues Cavalcanti (1907-1998), foi militante do movimento feminino de Pernambuco, criando comitês, ligas e associações de mulheres. Ela foi a primeira deputada estadual, presa muitas vezes e, aos 60 anos, foi recolhida ao Presídio Feminino Bom Pastor, nos idos anos do Golpe Militar de 1964.
A música da Orquestra Armorial aqui & aqui.
A literatura de Paulo Caldas aqui, aqui & aqui.
A poesia de Marco Polo Guimarães aqui.
A arte de Rollandry Silvério aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
O cordel de Paulo José dos Santos aqui & aqui.
Santo Bento do Una & Carijó aqui & aqui.
&
OFICINAS ABI
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


terça-feira, dezembro 11, 2018

CAMILLE CLAUDEL, HECTOR BERLIOZ, JOÃO BETHENCOURT & VEM DANADO PRA CATENDE


AMOR DE CAMILLE - Imagem da escultora francesa Camille Claudel (1864-1943) - A vida nos olhos de céu da menina guardavam as paisagens de Villeneuve com a pedra e a terra. Nas mãos o brinquedo e o impossível saiam-lhe ao jeito dos dedos para fazer de conta que fugia de casa, porque ali tudo era possível na infância de todas as quimeras. Era da menina a descoberta de todos os véus com o jeito de todas as coisas nas mãos, o que quisesse na magia manual, até esbarrar quase moça nas escolas que barravam as mulheres. Viu-se viajante do deserto e não fosse um gesto de abrigo, não saberia da gratidão a Alfred, apenas de antemão que seu mundo não era aquele, um tempo estrangeiro em que aprendia nas faces as dores futuras de tamanha desilusão: as dores de saber que ao redor todos só lhe dariam as costas e ter de sozinha construir seu próprio momento. O padecimento surgia de todos os lados, inclusive com o amor, a entrega e a solidão. Viu-se vitimada do castigo no abandono da mãe: deveria ter nascido menino e jamais se envolvesse com artes. Jamais preveria outras injustas sanções: de Paul, de Auguste, de todos os que fabricaram seu abandono e loucura. Para quem só saberia do amor nas faces de outra moeda: a dos amantes e rivais. Era cada vez mais íntima da dor, um aborto e o rompimento. Quase se salva com o apoio de Claude, foi maior o sofrimento da ausência do pai que se fora sem dizer adeus. Desconhecia a tragédia porque seu gênio maldito queria dançar a La Valse com o beijo enfeitiçado de Sakountala de Kalidasa. Ousou demais e a incompreensão levou-lhe ao confinamento no estúdio: aprendia o amargo da solidão, um passo para a miséria de roupas esfarrapadas, o esgotamento e a destruição. Não restava mais nada e se entregou ao cárcere da obscuridade do mundo no universo de seus sonhos em Montdevergues, abandonada por trinta anos, para enterrar toda vida e arte numa vala comum. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] LOCUTOR I – E as guerras prosseguem: o homem continuará a matar o homem para sempre, até o fim dos tempos. [...] SARA (Começa a bater nele com os punhos. Sam procura segurar-lhe as mãos) – Mas você é um doido, um doido de pedra! Todo ano você faz uma loucura para desgraçar a minha família. No ano passado você jogou a minha avó, que tem noventa anos, na piscina, para ver se ela boiava. No aniversário do meu pai, você ficou nu em pelo, em cima do bolo. Depois desfilou com os hippies e tirou as calças para protestar contra Biafra. Quando eu estava grávida de oito meses, com uma barriga deste tamanho, você me apresentava como “minha noiva”! SAM – Escuta aqui... SARA – Você enche o jardim de explosivos e diz que são minas contra a formiga. Você tira as calças no prédio da Dupont, para protestar contra a poluição. [...] SARA – Ah, como minha mãe tinha razão! Ah, como o meu pai tinha razão! Um louco! Não casa com Samuel Leibowitz, porque ele é louco. Todo mundo sabe que ele é louco. Desde criança que ele só faz coisas diferentes, que ele é diferente de todo mundo! É pacifista! Desfila com negros! Tira as calças na ONU. Mata formiga com explosivos! Mas não! Eu tive que ir atrás da minha fixação sexual. Eu tive que ir atrás desta minha maldita libido. Toma, pra aprender, toma! (Se esbofeteia.). [...] SARA – Primeiro um Papa, depois um Cardeal. Só falta Jesus Cristo descer pra tomar sopa com a gente. [...] SARA – Seremos crucificados. [...].
Trechos extraídos da peça teatral O dia em que raptaram o papa, do dramaturgo, diretor, ator e tradutor João Bethencourt (1924-2006), uma crítica à sociedade em um momento de trégua para as mazelas da humanidade.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da escultora francesa Camille Claudel (1864-1943). Veja mais aqui, aqui e aqui.

AGENDA:
Estação do Bem – Vem danado pra Catende & muito mais na Agenda aqui.
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Palmares, sonhos & ventos, Tamara Kamenszain, Hermann Broch, Jennifer Rubell, Bertoldo Kruse, Alberto Passos Guimarães, Primavera, Orquestra Armorial & Quinteto Armorial aqui.
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RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música do compositor francês Hector Berlioz (1803-1869): Symphonie Fantastique, Dream of a witches Sabbath, Requiem & Te Deum & muito mais nos mais de 2 milhões & 970 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Foto de Andréa Rêgo Barros/PCR. Veja mais aqui, aqui e aqui.


quinta-feira, dezembro 08, 2016

FLORBELA ESPANCA, CAMILE CLAUDEL, ALAÍDE COSTA, TATIANA GRINBERG, MILITÃO DOS SANTOS & FESTA DO DIA 8

FESTA DO DIA 8 DE DEZEMBRO, LAVANDO A JEGA – Imagem: Festa da Padroeira, do pintor Militão dos Santos. - Era 8 de dezembro de mil novecentos e não me lembro, dia de festa da padroeira local. Tinha eu lá pelos treze ou catorze anos de idade, por aí, acho, todo metido pelas ruas da cidade apinhada de gente de tudo que é cato, cada qual se achando mais elegante na sua indumentária peculiar, tudo novinho em folha do penteado ao chulé. Deus meu, quantos ocrídios esnobes nas caricaturas jocosas dos curaus de todas as marcas e laias mais inesperadas! Procurava eu por beldades para paqueras, quando só me apareciam brucutus desinfelizes. Vôte! Era, a região inteira acorria para os festejos tradicionais, cada um mais lambido que o outro, pescando satisfação pessoal. Era gente como a praga da rua ficar estreita com os esfregados dos que vinham aos que iam. Achando pouco o volume estrondoso da efeméride, o prefeito inventou de, no mesmo dia, entregar algumas obras, fazendo sua promoção pessoal. Dentre as mais bestas e as mais despropositais, estava a principal: a rodoviária. Se tudo era um festejo, todo ano, neste dia a coisa estava maior: era pipôco desde as seis da manhã. No meio desse festeiro, comecei a bebericar numa barraca na praça da matriz desde as três da tarde só vendo o povo todo se mexendo pra lá e pra cá: uma multidão que mais parecia um mar de curaus e matutas! Quando deu lá pelas dez da noite, eu já estava bem bicado. Presenciei tudo: alvoroço, estardalhaço, mungangas, peiticas e apertões. A inauguração fora toda ruidosa. Mais tarde, deu vontade, pela bilionésima vez, de mijar: - vou inaugurar a rodoviária. E fui, isso depois de ter me aventurado a sapecar micções por locais insólitos e arranjados na hora. Fui lá. Quanta gente, meu Deus! Só para entrar nas dependências tive que transpor uma multidão de boquiabertos engolindo mosquito com sua leseira. Com a dificuldade de locomoção para sobrepujar a mundiça toda, o negócio apertou. Saí empurrando como pude e na primeira porta que encontrei aberta, adentrei. Não deu tempo nem de olhar a diferença, tudo muito limpo - porque, banheiro de homem, fede. E catinga mesmo com a peste! Tem nada mais chato que fedentina de mijadouro masculino, tem? Não obstante, ali tudo limpinho, imaginei porque era tudo novo, ainda por usar. Procurei onde e, não encontrando de primeira– novidade, hem? -, já fui arriando o zíper porque não aguentava mais segurar a aprtura e fui inaugurando logo no piso de azulejo branquinho, andando, até divisar uma porta e empurrei. Estava me aliviando quando tomei um baita susto! Eu com o pingulim derramando e uma moça loura e linda depositada no trono. O mijo, sem querer, respingou nela. Nossa, fiquei estatelado. Imaginava o escândalo. Paralisei-me. Como pedir desculpas? Procurei um buraco no chão e não encontrei como me safar daquilo. Não sabia se corria ou tentava enxugar a baboseira que fiz. Até a urina trancou na bexiga. Ainda consegui ver a carinha linda dela com seus olhos fechados, as mãos levantadas para não ser atingida e aquele corpo sentado na privada, quase nua. Sem saída, eu berrei: - Moça, a senhora está no banheiro errado! - Negativo! Você que está no sanitário errado, meu caro! Será? Fiquei nervoso, cocei o quengo. E agora? Foi aí que dei conta da mudança, da modernidade que apostava ter chegado à cidade, não era nada, era a toalete feminina que eu... Agoniei-me e fiz menção de sair o mais depressa daquela situação difícil, mas a porta havia se fechado atrás de mim: dei uma cabeçada de ficar zonzo. Voltei, me contorcendo, mas busquei o trinco, não achava, e a fechadura dificultava abrir. Foi quando ela, a moça loura do jeito de Cristina Berndt pegou-me pelo braço e puxou-me para perto de si. Fiquei com o meu membro rente ao seu rosto, imóvel. Não imaginei nada, só esperava pelo pior. Ela tateou, alisou e ficou admirando minha manjuba. Nossa, o que fazer? Ela remexeu carinhosamente e logo meu membro deu sinal de vida – oxe, já vivia se insinuando com besteira qualquer, imagine com uma daquela rente e disposta, hem? Oxe, a minha peia estirou-se toda, dura de esticar maior do que já vira. Ela remexeu mais, o negócio foi ficando bom e friccionando e eu apertando os olhos até que não aguentei e, depois da exímia manipulação dela, fiquei exaltado, duríssimo-da-silva, perigo e prazer se misturando na minha e ela acariciando, melando o meu pau-madeira-de-lei com uma carícia infinda e botou um palmo de língua pra fora e começou a libar proficiente com aquela grunhideira doce - essa, com certeza, não tinha papas na língua -, e o meu cajado no seu eurístomo lépido de Elaine Mickeli, tomando no gargalo, calibrando, beijando, cheirando, lambendo, de não haver quem quisesse se desvencilhar do precipício. Justo eu um arolas franzino, quebra-freios, todo gamela, birrento, pimponete com a domingueira em dia, com a soberba machista da adolescência, beldroega ancho com aquilo, sem oficio nem benefício, o raio da celebrina dum graveto de gente, todo lambaio, exaltado, danou-se! É hoje! Medroso para não cair em alrotaria pelo flagra em local indevido, nossa! Perdi as estribeiras! Mas ela peitou, pegou no bico da chaleira-quente, aguentou o repuxo e me expôs o seu paladar, mordendo com os lábios, mastigando carinhosamente, inferindo, salivando, de alcançar sua abóbada palatina, por todos os cantos, eu morrendo, sapequei: - Isso tá bão demais de ótimo! E ela só felando gostosamente! Isso é que era milagre! Enquanto segurava meu pênis com uma das suas mãos, ela se alisava com a outra e parecia que ia se levantar de tão agitada, quando sussurrei: - Bota pra cá o agasalha-rola, vai! Vou te enfiar o meu pé-de-mesa! Hum... ela lambeu os lábios demonstrando uma carinha de anja safada doida pela foda, se remexendo que só, ficando de quatro e se apoiando na bacia sanitária mostrando aquela lindeza de bundinha. - Isso não é bunda, é uma verdadeira obra de arte! -, disse eu então empolgadíssimo com aquele pódice para lá de maravilhoso. Não podia ser diferente, com aquela belezura toda pronta para ser servida na minha frente, não fiz por menos, encanguei-me naquela garupa e quase estrompo a moça, todo malicioso e inclemente, enfiando até topar no canto. E tome e tome e tome e tome, vuque-vuque da porra, ela gemendo, se esgoelando, eu pior ainda, quanto mais eu enfiava mais ela requebrava gemente pedindo mais e mais e mais, enlouquecidos e ensopados de suor, mais caprichava nas estocadas, empurrando firme até que, em uníssono, gozamos agoniado. Esporrei tudo, ela urrava de prazer, enquanto molhávamos de suor e resfolegávamos satisfeitos, cansados, felizes. Ali, desfalecemos de prazer. Era a surpresa mais maravilhosa que já havia sentido até aquele momento da minha vida. Ela com a carinha mais linda foi deslizando pela parede até sentar-se no piso. Imitei-lhe e fiquei fitando sua beleza taful: era a glória de Deus! Fitamo-nos um tempão, até que, lá para as tantas, ela me disse: - Muito prazer, rola-doce! - Prazer é meu, boceta-gostosa -, respondi-lhe. Nisso, batem na porta, silenciamos e não nos mexemos. Ficamos algum tempo ali, trancados, silentes. A tesão já dava sinal de vidas. - Adoro foder em lugares assim, aperreados -, falou-me com seu jeito safado. - Também -, assenti.  - Vamos vasculhar outro lugar assim? -, surpreendeu-me com jeito putinha safada. - Agora? -, perguntei mais abestalhado que nunca. – Sim, bocó! -, assentiu. - Vamos. Quando não ouvimos mais nenhum barulho, saímos de mãos dadas e negociamos nossos quereres nas noites perdidas, achadas, desencontradas até o fim do nosso idílio no meio duma ressaca das brabas. © Luiz Alberto Machado. 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 Curtindo o álbum Amor amigo – canta Milton (Lua Music, 2008), da cantora e compositora Alaíde Costa.

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DESTAQUE:FLORBELA ESPANCA
Passam no teu olhar nobres cortejos,
Frotas, pendões ao vento sobranceiros,
Lindos versos de antigos romanceiros,
Céus do Oriente, em brasa, como beijos,
Mares onde não cabem teus desejos;
Passam no teu olhar mundos inteiros,
Todo um povo de heróis e marinheiros,
Lanças nuas em rútilos lampejos;
Passam lendas e sonhos e milagres!
Passa a Índia, a visão do Infante em Sagres,
Em centelhas de crença e de certeza!
E ao sentir-se tão grande, ao ver-te assim,
Amor, julgo trazer dentro de mim
Um pedaço da terra portuguesa!
O teu olhar, do livro A mensageira das violetas (L&PM, 1999), da poeta portuguesa Florbela Espanca (1894-1930). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da escultora francesa Camille Claudel (1864-1943).
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Espaço em branco entre quatro paredes, da escultora, gravadora e desenhista Tatiana Grinberg.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.




ANNA LEMBKE, RIN USAMI, BIRHAN KESKIN, ANTÔNIO MARIA & YAYOI KUSAMA

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Cambalhotas & as coisas nunca davam certas... - Zé Lua vivia por aí, todo acanhado sob a aba do boné, ...