Ao som dos álbuns Crescendo com a Poesia (2010),
do cd solo (2013) e do Nordestinação (2017), da acordeonista
e compositora Karol Maciel. Ela ainda é estudante de licenciatura em
Música pela UFPE e faz parte das bandas dos artistas Lucas Mamede e Larissa
Lisboa. Participou de vários festivais pelo país, como o FAM Festival (2023),
Festival Sotaques da Sanfona Brasileira (2023), Encontro Nacional de Foles e
Sanfonas (2023), Festival de Forró de Ibitipoca (2021) e o Festival de
Sanfoneiros de Feira de Santana (2021). Ela integra o grupo instrumental MaKaMo
e trabalha como educadora musical pelo projeto Musicou.
Bumba-ê:
picamalácia de Catirina, apuros de Mateus!... - Catirina sonhava anjo-príncipe rolando do céu pros seus
braços. A menina, antes franzina, debutou e tomou corpo: Que espetáculo!
Despertou naquela manhã como nunca, nefelibata: repleta de vida na flor da
idade. Olhou da janela o desiderato: era ele. Olhos vivos, fogosa, tinha
certeza. E com ele teria muitos filhos, ambicionava. E assim foi toda prendada:
Ei, pronde vai? Mateus era um matuto desarnado daquele do tino afiado, cheio
das lábias e vantagens. Boa-pinta, de chapa tascou: Quem 14 tira 24, fica 12! Hem?
Deu pra ela um pé de verso cheio de muitas cantigas, um rosário de louvores.
Ela logo gamou na covinha inescrupulosa das bochechas dele, deu fiança com
simpatia e namorou levantando a saia no sarro pesado, noivou na alcova e cobrou
a obrigação: o desejo de muitos filhos. Casaram às pressas e de manhã
Messalina, sereia arriada; de tarde, desbragada ninfa lasciva; de noite, uma
súcubo insaciável; de madrugada, vampira devoradora; o resto do dia, náiade
ninfomaníaca diuturna, todo dia e o dia todo, chega a chibata dele retinia no
fole do vuco-vuco de nunca acabar. Ele encarou a peleja no maior galope,
munheca no afinco, findou com dois palmos de língua de fora: Vou morrer! Toma
catuaba, véi! Ou gemada com maca peruana, pó de guaraná, amendoim e ovo de codorna
de muitão, para não amolecer nem caiar, bicho! Tá doido! Nem deram conta e o
tempo passou pra ver a protagonista plenilunar de bucho inchado, barriguda aos
16, o desejo por mentrasto-de-frade, sim, catinga-de-bode, o enjoo seguinte,
desejosa na geofagia, não largava a pagofagia: Eita, mão fria, gelada! E era
uma vontade intensa e repentina, dela se empanturrar com peixe cru, ração de
cachorro, tomando vinagre, café cru com limão, besouros com cola de sapateiro,
até comeu o pano de limpar a pia, com creme de cabelo. O pior foi ter devorado
às dentadas a bola e chuteira dum menino da vizinhança, deu o que falar. E
quando voltou lá estava ela com um banquete de aranhas recheadas de insetos
trazidos da Tailândia, na maior fritada. Lascou. E ela dava marrada na pancada
da zabumba, foi bordoada e tome reco-reco, estultice e triângulo, cadê o
decoro, no bombo seguia a toada e pariu de última hora o primogênito raçudo de
quase rasgá-la toda: 6 quilos. Parecença com ninguém, o parentesco qual,
nomeado Bastião, festança de peões, pajés e curandeiros: Esse filho é meu
mesmo? Ê, boi! Nem bem 10 meses depois, ela viu o morto-carregando-o-vivo e
quase teve um troço. O remédio foi o maior apetite: Picamalácia, meu! E engoliu uma
extrovenga com sabão, tijolo, giz e cinzas de cigarro. Vai estourar! E vieram as gêmeas. Maior festejada. Quase ano e a
alotriofagia comia no centro, as maiores estranhices na culinária – Que gosto!
- e um rebento de trigêmeos: um menino, duas meninas. O comedor de vidro
testemunhou: Ela comeu tanto barro com giz, lascas de parede, tijolo, bosta de
guenzo e carvão, deu três filhos bonitos, ao invés de monstrinhos pintudos.
Salve! Gargalhadas. A coisa ia bem até, de repente, ela desejar escargots.
Vixe! Onde vou arrumar? Senão o filho nasceria troncho e feioso. Mateus se virou:
Isso é uma rotônica! Já era verão quando o capitão Boca-mole no cavalo marinho
avisou: Ela deu à luz quadrigêmeos! Deu a praga! Passou o resguardo e
normalizou: o rala-bucho no rala e rola. Esquecidas as extravagâncias, lá vinha
ela desejosa dum cachorro quente daquele marmanjo que, com a mesma mão, assoava
o nariz e limpava na calça. Que nojo! Eu quero, vá lá. E foi carvão bem
torradinho no almoço, repelente no jantar, roer as unhas do pé do meu marido no
café da manhã, goiabada com salame e areia no lanche e vomitava tudo, mas,
teco! Até que Maria Capitulina chamou por Arlequim: Vai avisar pro Mateus que
Catirina partejou quíntuplos. Eita-pau! Depois duma quarentena normalizada,
veio de novo a compulsão alimentar: Comeu o mealheiro - um porquinho de gesso
com dinheiro e tudo. Denunciou-se quando sorriu: cadê os incisivos centrais? Lá
estava a janelinha, uma lindeza. Que foi que houve? No meio da comilança mordeu
uma moeda, teibei. E o picacismo deixou atarantado Penico Branco: Isso é uma
draga! Quase: desemprenhou sêxtuplos! Aí empatou com a Quezia Romualdo de
Colatina e Mama Uganda, 1x1x1 das 3. Lá se vão 40 dias depois, restabelecida, a
correria do zoadeiro dentro de casa. Que deu? Ela havia esburacado todo recinto e
estava lordemente espragatada em lauto repasto regado por um suntuoso ninho de
baratas. Ave! Aí Mané Gostoso gritou para Babau: Ela esbarrigou. Como assim?
Parturiu nônuplos! Deu a porra! Que nem a Halima Cissé de Male. Empatou de
novo. As gestações múltiplas prosseguiram e a hiperovulação a todo vapor. O
marido: Onde vou parar? Estava eclipsado, melhor, de certo modo: lascado mesmo.
Ela queria por que queria kopi luwak - o café mais caro do mundo? Só nas ilhas
de Sumatra, Java e Sulawesi! Agora deu. Simbora. Foi quando ela teve o delírio
de Pasífae ao avistar o suposto touro de Posídon, a brancura dele e os chifres
dourados. Pediu por Deus e o mundo pra Dédalo fazê-la vaca. Onde já se viu? No
fim: desgravidou-se de décuplos! É a Gosiame Thama Sithole sul-africana? O
pior: um Minotauro no meio deles. Onde vou arrumar um labirinto de Cnossos?
Fodeu-Maria-preá! Sou lá Hércules para deter esse bicho! Boba-da-peste!
Tuntunqué perdeu a conta: ao todo, quantos mesmo? Quem sabe! Virou problemão,
calamidade púbica. Donativos, caridade internacional, afora arrombar com as
estatísticas do Guinness: batia todos os recordes! Quem não se comoveu? A
manchete das paradas, de boca em boca, atrativos dos fuxicos: apostavam,
mangavam. Não era pra tanto, né? As vizinhas e voluntárias vieram dos 4 cantos
do mundo. Pitaqueiros levantaram dados pra conferência: teve 20 pares de
gêmeos, 10 trigêmios, 8 quadrigêmeos – e é a Valentina Vassilyev é? Ou a
Leontina Albino? Danou-se! A conta está errada, reconta tudo. Dava pra muito
mais e a coisa tomou vulto. Mateus: O que é que se deve fazer numa hora dessas?
Não tinha onde cair morto. Pedia perdão todo santo dia, a vida só escárnio. À
essa altura do campeonato o coadjuvante pensava de banda, olhar de sobrancelhas
circunflexas, entendia o sucedido? Era o mistério da vida aos inesperados,
cogitava desertar, se esconder nos sapatos, o que fosse, pudesse. Deu-se as
bodas de ouro dela, maior festão; ele teve um mal-estar: na mesma hora a filha
encostada ao mais velho casava-se com o seu inimigo figadal. Deixa disso, pai!
A desfeita escondia incesto, mancebias, arranca-rabo: É carnaval, é? E rolou o
pastoril, a quadrilha do casório, bumba-meu-boi: irmão com irmã e vice-versa,
parentes, achegados, festejos dionisíacos. Tudo junto, na tuia. Ali a coleção
de filhos: aos muitos e demais. Era tempo da copa do mundo, a torcida: Dá preu
fazer uns três times desses ou mais. Quem desacreditasse, os dissabores de medo
do vazio, a vertigem às alturas, a tal da nuvenzinha sobre sua cabeça, passou
de tudo: mais que o azarado Frane Selak – as tragédias e o prêmio da loteria;
pior que o para-raio Roy Sullivan: Sou lá SPDA, meu! – foram 10 na moleira,
queimaduras e desmaios, sortudo mesmo; afora mais bombas que Tsutomu Yamaguchi,
mais naufrágios que Violet Jessop, mais furacões que Melanie Martinez, mais atacado
que Erik Norrie, mais calamidade que John Lyne, mais desastrado que John Wade
Agan. Impossível, meu! Oxe, ele tá de cu pra Lua, meu! Dá-lhe, afortunado! Foi
ter com um dervixe e fez a dança giratória do sema no êxtase espiritual e a
conexão com o divino, a mão direta pra cima, a esquerda pra baixo, e a tropa da
pecha: Boiolou, foi? Ah, venturoso! Era tabu: São outros dois mil e quinhentos
tantos – engasgou-se ao gaguejar: Se a letra está morta pra quê liberdade de
palavra? Findou dourando a pílula antes de encomendar a alma a Deus. E ela: Se
acovarde não! Catirina reinava pujante na maior felicidade. Até mais ver.
Frida Kahlo: A coisa mais importante para todos em Gringolandia é ter ambição e se tornar ‘alguém’, e francamente, eu não tenho a menor ambição de me tornar ninguém... Nada é absoluto. Tudo muda, tudo se move, tudo gira, tudo voa e vai embora... Nada vale mais do que rir. É força para rir e abandonar-se, ser leve. A tragédia é a coisa mais ridícula... No final do dia, podemos suportar muito mais do que pensamos que podemos... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Mia Couto: Carregamos o
nosso passado como uma doença e o nosso presente parece estar conectado com um
culto pela velocidade, que não nos faz refletir sobre o que nós somos... Todas
as influências são parte de mim, que dão vazão na palavra, que constrói e
inventa... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui
& aqui.
Aza Njeri: O Brasil continua sendo regido por trinetos de
escravocratas herdeiros do lusotropicalismo freyriano... Todos nascemos com um Sol, que deve ser cuidado
para manter a potência... Veja mais
aqui.
A MINHA GENTE
Imagem: Acervo ArtLAM.
A minha gente \ Parece ter brotado \ Desta terra seca \ Brotada
dos vulcões \ Nascida de uma concha \ Que o mar depositou na areia. \ A minha
gente \ Tem rugas de olhar o longe \ Rugas de rir \ De sofrer \ E de morrer \ As
de morrer são mais bonitas \ Provam o renascer.
Poema da premiada escritora cabo-verdiana Eileen Barbosa (Eileen Almeida Barbosa), que é autora de Eileenístico
(2007) e incluída a na antologia Africa39: New Writing from Africa South of
the Sahara (Ellah Allfrey, 2014). Edita o blog Soncent.
JORNADA DE
SEU PRÓPRIO CAMINHO - Precisamos
de espaço para discutir verdades sombrias não ditas e desconfortáveis... Quando
eu era mais jovem, eu gostaria de ter sido informada com mais frequência que eu
estava certa e nada estava errado comigo, que eu era merecedora de tudo o que
este mundo tem para oferecer, e que minhas visões para o meu futuro eram dignas
de busca... Devemos ter a audácia de aumentar a frequência de nossas verdades...
Eu sei intimamente a luta de tentar viver sua vida e ser você mesma enquanto
sente a pressão de uma comunidade inteira sobre seus ombros... Como uma
ativista que usa a narrativa para combater o estigma, sempre fui inflexível de
que contamos nossas próprias histórias... Para mim, como ativista e contadora
de histórias, estou muito centrada em garantir que mostremos a cumplicidade da
experiência humana que está enraizada nas experiências trans da minha
comunidade... Pensamento da escritora, cineasta e ativista havaiana Janet
Mock. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.
AMPLITUDE
DE ATENÇÃO – [...] É hora
de repensar nossa relação com as tecnologias pessoais. Precisamos mudar o foco:
em vez de buscar maximizar a produtividade humana com nossos dispositivos,
devemos utilizá-los para manter um equilíbrio psicológico saudável, sem deixar
de alcançar nossos objetivos. [...] Planeje seu dia levando
em conta que você possui recursos mentais limitados e sabendo que dedicar um
tempo para recarregá-los não só ajudará a reduzir o estresse e a resistir
melhor às distrações, mas também aumentará sua criatividade. Sabemos como diferentes
atividades — como estar com a família ou amigos, organizar um evento complexo
ou caminhar na natureza — afetam nossa energia física no mundo real. No mundo
digital, o que drena sua energia mental? Quais atividades repõem seus recursos?
Que tipo de tarefa mecânica ajuda você a relaxar? Ao final do dia, você quer se
sentir cheio de energia e com uma atitude positiva. Evite chegar ao início da
tarde com suas reservas de energia já no limite. [...] Sabemos, pela gestão de projetos, que geralmente ocorrem
atrasos e que as tarefas quase sempre levam mais tempo do que o previsto. Além
disso, não há espaço para incluir o bem-estar humano nos cronogramas de
tarefas. Precisamos, em vez disso, reaprender como estruturar o dia no mundo
digital do século XXI. Isso deve incluir estratégias para evitar a exaustão e
promover o bem-estar, bem como compreender o seu próprio ritmo de estados de
atenção e o fato de que você dispõe de recursos cognitivos limitados e preciosos. [...] Todos sabem o que é a atenção. É a
tomada de posse pela mente, de forma clara e vívida, de um dentre o que parecem
ser vários objetos ou linhas de pensamento simultaneamente possíveis. A
focalização, a concentração da consciência, são da sua essência. Mas, o que também é importante, James acreditava que a
nossa escolha sobre aquilo a que prestamos atenção tem consequências, uma vez
que construímos a nossa experiência de vida dessa maneira: "Milhões de
elementos da ordem externa estão presentes aos meus sentidos, mas nunca chegam
realmente a fazer parte da minha experiência. Por quê? Porque não despertam o
meu interesse. A minha experiência é aquilo a que decido prestar atenção.
Apenas os elementos que noto moldam a minha mente — sem um interesse seletivo,
a experiência seria um caos absoluto."Em outras palavras, James acreditava
que aquilo a que decidimos prestar atenção passa a fazer parte da nossa
experiência vivida. Posso estar caminhando em um belo jardim com o celular na
mão. Estou trocando mensagens com um amigo e tentando escrever corretamente,
desviando do corretor automático, que muitas vezes adivinha errado. São as
mensagens que ficam registradas na minha experiência, e não a maciez do solo, o
trinado da toutinegra ou o vermelho-escarlate das azaléias. Concentrei minha
atenção nas mensagens; eu poderia estar até na Times Square. Para James, então,
à medida que transitamos pelo mundo, deparamo-nos com uma infinidade de
estímulos variados e selecionamos, por vontade própria, aquilo em que vamos
focar. Em outras palavras, podemos controlar onde depositamos nossa atenção.
Ah, quem dera fosse tão fácil quanto James imaginava. [...]. Trechos extraídos da obra Attention Span: A
Groundbreaking Way to Restore Balance, Happiness and Productivity (Hanover Square Press, 2023), da psicóloga e professora estadunidense Gloria
Mark (Gloria Janet Mark), autora de mais de 200 artigos de pesquisa
científica, que a fizeram reconhecida por sua pesquisa sobre computação social e
os impactos sociais da mídia digital.
O UNIVERSO
LITERÁRIO DE CLARICE LISPECTOR - Pensar é um
ato. Sentir é um fato... Quem nunca se perguntou: sou um monstro ou é isso que
significa ser uma pessoa?... Você sabia que, às vezes, a esperança consiste
apenas em uma pergunta sem resposta?... Viver não é ter coragem; saber que você
está vivendo, isso sim é coragem... Minha vida, a mais verdadeira, é
irreconhecível, extremamente interior, e não há uma única palavra que lhe dê
sentido... A única verdade é que eu vivo. Sinceramente, eu vivo. Quem sou eu?
Bem, isso já é demais... Enquanto eu tiver perguntas sem resposta, continuarei
escrevendo... Pensamento da escritora e jornalista ucraniana-judaica, autodeclarada
pernambucana brasileira, Clarice Lispector (Chaya Pinkhasivna Lispector –
1920-1977). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
ALCEU VALENÇA: 80 GIRASSÓIS, 50 ANOS DE CARREIRA
Trecho extraído da entrevista concedida ao jornalista Danilo
Casaletti (Estadão, 2026), pelo cantor, compositor, instrumentista e advogado, Alceu
Valença (Alceu Paiva Valença), que está em turnê pelo país, comemorando os
seus 80 girassóis e a publicação do livro Pelas Ruas Que Andei: uma
biografia de Alceu Valença (2023), escrito pelo jornalista Julio Moura e tema
do documentário Vivo 76 (2026), dirigido pelo conterrâneo Lírio Ferreira.
Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui
& aqui.
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ARTE NA ESCOLA: ARTESANATO
A professora Fátima Portela realizou com os alunos do 6º
e 9º anos, da Escola CAIC, de Palmares (PE), trabalho de artes por meio da
expressão artística do artesanato, numa homenagem aos artesãos locais, com a
confecção de enfeites juninos. Confira detalhes aqui & mais aqui, aqui
& aqui.
E veja mais Pernambuco aqui.








