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sexta-feira, abril 14, 2017

VOLPI, BEAUVOIR, SARACENI, LUCIAH LOPEZ & PELOS CAMINHOS QUE ANDARES

PELOS CAMINHOS QUE ANDARES – Imagem: arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez. - Não há noite imensa da maior solidão, quando chegas tão densa plena dos luares para minha ressurreição. Sou rei, sou deus na tua carne nua com todos os teus teres e dares, enchendo meu mundo com teus beijares, um reinado maior que o sonho. Eu revivo a me lambuzar com teus manjares medonhos, colhendo as delícias escondidas em teus pomares, onde me abrigo e sou em ti Zumbi no Quilombo dos Palmares. É em mim que ao teu capricho sou o pendor que edificares, aquele que nomeares, a crença que professares, a festa que glorificares e toda comemoração. E quando exultares satisfeita com teus gozares, beberei toda água que exsudares, tudo que entregares de bom coração. E quando osculares minhas faces, carne e sexo, farei o meu banho com teus salivares e o prazer que causares será mais que os céus e todos os mares, minha glória e veneração. Seguirei os teus passos por todos os lugares, os caminhos que cruzares, idas e voltares, onde andares estarei, até por rotas estelares ou perdido na imensidão. E quando quiseres, serei a plateia atenta pros poemas que recitares e me embalarei com teus cantares, a dança que rodares e se tonta ficares estarei vigilante pra nossa perdição. E quando falares de ontens e amanhãs, e me encantares com as lendas caingangs, e ao me fisgares serei canibal caeté pronto pro que mandares ou quiseres ou gostares pra comunhão. E mesmo que não reste nada de mim, que me tenha perdido e sem ter domicílio, serás os meus lares, o meu rincão. E se um dia tudo no mundo for pelos ares, eu serei em ti o mais feliz entre todos os pares. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aquiaqui.

 Seja qual for o país, capitalista ou socialista, o homem foi em todo o lado arrasado pela tecnologia, alienado do seu próprio trabalho, feito prisioneiro, forçado a um estado de estupidez.
Pensamento da escritora, filósofa existencialista, ativista política, feminista e teórica social francesa Simone de Beauvoir (1908-1986). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

Veja mais sobre:
O nome da rua, a pintura de Alfredo Volpi, a música de Air &Alessandro Baricco, a arte de Xue Yanqun & Poemiudinho aqui.

E mais:
O queijo e os vermes de Carlo Ginzburg, O cortiço de Aluísio de Azevedo, a música de Arrigo Barnabé & banda Sabor de Veneno, a poesia & arte de Mano Melo, a arte de Ítala Nandi, a pintura de Otto Lingner, Acontece Curitiba & Claudia Cozzella, a fotografia de Robert Doisneau &  Programa Tataritaritatá aqui.
Atos ilícitos & excludentes de ilicitude aqui.
A poesia de Raymundo Alves de Souza aqui.
A mulher fenícia & a cura do inhame aqui.
Felicidade de Eduardo Giannetti, Amores & arte de amar de Ovídio, Taras Bulba de Nikolai Gógol, Diana/Ártemis, a música de Xangai, a escultura de Jean Antoine Houdon, a gravura de Agostino Carracci, o cinema de Bob Rafelson & Theresa Russel aqui.
Jacques Lacan & Slavoz Žižek, o teatro de Peter Brook, a música de Modest Mussorgsky, o cinema de Charlotte Dubreuil & Marie-Christine Barrault, a fotografia de Tan Ngiap Heng & a poesia de Cicero Melo aqui.
As águas de Alvoradinha, A semente da mostarda de Bhagwan Shree Rajneesh, a literatura de Milan Kundera, a poesia de John Keats, o Texto/contexto de Anatol Rosenfeld, a música de Jorge Ben-Jor, O amor de Endimião & Selene, o cinema de Philip Kaufman & Lena Olin, a pintura de Anthony van Dyck, A viola emprenhada de Teco Seade, a literatura infantil de Socorro Cunha & Maria Mulher de João Lins aqui.
O equilíbrio mortevida do malabarista, a poesia de Vladimir Maiakovski, William Blake, Dante Alighieri, a entrevista de Silviane Bellato, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, Educação de Antonio Dias Nascimento & Tânia Maria Hetkowski, a pintura de José Manuel Merello & Camila Soato & Victoria Soyanova, a dança de Svetlana Zakharova, Teatro de Anônimo, Billion Dollar Crop, a música de Nádia Figueiredo & as bossalidade da Nega besta aqui.
Todo dia é dia da criança, A formação social da mente de Lev Vygotsky, Escritas das crianças de Paulo Freire, Os jogos infantis de Eliza Santa Roza, Paracoera de Lauro Palhano, O futuro das crianças de Clara Bellar, a escultura de Protásio de Morais & Dona Irinéia, a xilogravura de Amaro Francisco, a arte naif de Ronaldo Mendes, a entrevista da professora Rachel Lucena, Cordel na Escola, Galeria do Dim, O lobisomem zonzo & Luciah Lopez aqui.
O que tiver de ser, será, A sociedade dos indivíduos de Norbert Elias, a música de Lola Astanova, Caminhos da transdisciplinaridade Maria Lúcia Rodrigues, a escultura de Zhang Yaxi, A morte como efeito colateral de Ana Maria Shua, Teatro Tá na Rua, o cinema de Cristoph Stark & Lavínia Wilson, a entrevista de Clara Redig, Brincar para aprender, a gravura de Gustav Klimt, a pintura de Mino Lo Savio & Pavlos Samios, a dança de Nadja Sadakova & A sedução da serpente aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Cartaz/Poster/Cenas do drama Ao sul do meu corpo (1982), do cineasta, roteirista, produtor, diretor e ator Paulo Cesar Saraceni (1932-2012), baseado em conto de Paulo Emilio Sales Gomes. O destaque do filme fica por conta da atuação da atriz Ana Maria Nascimento e Silva. Veja mais aquiaqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Sereia (1960), do pintor ítalo-brasileiro Alfredo Volpi (1896-1988).
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.
 

segunda-feira, fevereiro 22, 2016

MANSFIELD, ÁNGEL RAMA, BEAUVOIR, GILKA MACHADO & BANDA DE MANÉ PRETO

 


A BANDA DE MANÉ PRETO - Gente, eu já ouvi de tudo, mas essa banda é a maior tronchura. Juro! Eles são tanto hors concours, como sui generis e mais superlativos exagerados que deixam a idéia tanto para infortúnios como para fenômenos inexplicáveis. Isso mesmo. Essa a atitude assumida por eles. E começa pelo nome: o primeiro de batismo foi “Zumbido da porra”, mas logo mudaram porque os integrantes não acharam a menor graça. Depois foi “Arrepiando as pregas”, satisfazendo a todos pela ausência de coisa melhor. Enfim, vieram os “Zoando a fole”, “Torando tudo” até passar pelo “Cacete a quatro” e, enfim, depois de muita lengalenga chegaram no “Além do 8 e do 80”. Na verdade, por causa das imprestáveis idéias que beiravam o cúmulo do insensato, nome em definitivo, até hoje, não tem, sendo, portanto, conhecida apenas por Banda de Mané Preto. Pela atitude bisonha deles, a questão passa a ser uma das características fundamentais da banda: os inomináveis. Isso, claro, sintetizando bem a idéia que eles querem passar da bizarrice embrulhada toda. O som. Bem, o som da banda se parece com algo que, segundo a enrolada de língua deles na pronúncia desdentada, deixa apenas entender, assim, de relance que se trata de alguma coisa que se identifique perto do pós-dodecafônico, do ultratonal. Explicação: não tem. Isso porque primeiro não se entende nada do que dizem e porque foram duas palavras escolhidas a dedo por eles para justificar alguma coisa de proposta sonora. Com certeza, gente, John Cage ficaria de queixo caído se visse. Inacreditável mesmo tanta microfonia, dissonância, pancada, ruído, barulho, doidice, inaptidão, tranqueira, busuntice, tudo junto no maior pandemônio. Doideira pura. Os integrantes: 5 maloqueiros que se dizem lá à maneira deles - e quase não se deixando entender -como indie, trash, headbanger, darks, hard, groove, heavy, grunges, punk, ska, blacks, surf music, cover drags e o escambau, ou tudo isso junto na maior pauleira com mais uma porrada de coisa não identificável. O cantor, ou melhor, como ele mesmo se diz crooner, é o Mané Preto, sujeito aparentemente meio que aluado-abilolado que é dito personal traineé de galo-de-briga e achegado a um criatório de coleópteros, que só aparece de noite zanzando com os lábios pocados de choque elétrico de tanto babar no microfone e sempre fazendo sua performance no palco com seu ar de defunto de olhos arregalados, na companhia de dois enfermeiros prontos com uma camisa-de-força para sacudirem o rapaz no primeiro hospício que encontrarem. O guitarrista mesmo é um sujeito com cara de bad boy, cintura-de-ovo, uma roupa surrada colada no couro porque nunca foi trocada nem lavada vez que ele é avesso à higiene seja de que natureza for, só toca com um alicate na boca para não engolir a língua de tanto sopapo nos solos arrancados. O contra-baixista é um vesgo bisonho e banguela, todo ajegado e troncudo, que toca um instrumento que mais parece um cabo de vassoura enfiado numa bacia, sempre desligado para que o sujeito não seja eletrocutado assim sem mais nem menos. Mas que o troço faz uma barulheira infernal, faz. Como? Não sei. O tecladista que é um magricela varapau só toca de sarongue e luvas daquelas de eletricista, o que dá maior estranhice ainda, vez que coloca todos os dedos por todos os tons ao mesmo tempo, não dando para se identificar qualquer linha melódica possível. Ou seja, é um verdadeiro desarranjo a coisa toda. O baterista, esse o mais presepeiro com cara de calango e jeitão de bacamarteiro, toca um bocado de bombo com penduricalhos de toda natureza, mais uns artefatos meio amalucados e, com certeza, ignoráveis, que vão desde o peido-de-véia até um punhado de morteiros e granadas. O disco: não tem; isso por dois motivos. O primeiro, é que só nos ensaios causaram tantos desastres nos estúdios que ninguém quer vê-los nem pintado a ouro. O segundo, porque conforme apreciação mais cuidadosa e cientificamente comprovada, o cd executado poderia possibilitar um apocalipse no recinto do ouvinte. Resultado: opção deles pela marginália, completamente fora dos veículos de comunicação, sobrevivendo, apenas, dos imprevisíveis shows prestigiados pela platéia cativa que ninguém nunca viu nem sabe quem é. O show: esse nunca tem hora, nem data nem local marcado. A agenda, pelo que se sabe é só no boca a boca. Isso por serem pior que Tim Maia e, também, por não contarem nunca com o apoio da polícia e demais autoridades que querem enquadrá-los nos diversos artigos e incisos do Código Penal pelo desmantelo provocado a cada tocada. Claro, no primeiro acorde da abertura morre logo um de ninguém saber de quê. Dizem os linguarudos que quem só prestigia os “concertos” deles é somente caboeta-de-funerária, papa-defunto, coveiro e vendedor de seguro. Claro, isso todo mundo precavido com indumentária preventiva, né, só para se aproveitar dos bestas que passam desavisadamente por onde ocorre o estrupício. A última apresentação: uma catástrofe. Só com a subida deles ao palco, bastou contarem 1, 2, 3 caiu a calça de um idoso que saiu berrando que queriam estuprá-lo. Enquanto o baterista marcava nas baquetas pipocou uma lâmpada. Quando fizeram que iam tocar, caiu uma parede e matou logo dois. Quando o acorde foi executado, tiveram que chamar o corpo de bombeiros para apagar tudo. Maior bronca de buruçu da gota! Pelas razões mencionadas eles conseguem ser os famosos mais anônimos, além de premiados detestáveis e contraditoriamente celebrados por uma trupe que prestigiam todas as suas sandices. Ainda ontem cruzei com Mané Preto todo sorridente como se nada tivesse ocorrido. - E aí, Mane, tudo em riba? -, perguntei. - Tudo iscorrendo na calha. – respondeu-me. - E os shows? - Ah, rapaize, os bombêros atrapaiaram o shô da genti. Toda veizi aconteci isso. Essis cara parece que tem acordo com minha mulé e minha sogra Bushit. - Ué, por que? - Os cara num gostam, né? Quano tô em casa a mulé e a sogra só mi trata com uma saraivada de panela que só faiz galo no meu quengo. Quano vô pra rua fazê shô, os bombêros tascam maió aguacêro n´eu. - É mesmo, por que? - O som da genti é per... per.... per.... pefumático, pefomá... profumático, pe.... pé de pasparaio a quatro, ora! - Performático? - Isso, isso mesmo. E a mulé e a sogra só me chama de traste imprestáve. Coisa de lôco mermo, rapaize. Num sei mai o qui fazê, ora. É parece mais que Mané Preto e sua trupe, que são gente boa pra caraca, querem mesmo tocar fogo no mundo, literalmente, com toda maluquice de suas desarmonias antimusicais. Dá pra ver. Eu, de mim mesmo, adoro essas invencionices! Bié, bié, glup, glup! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - O prazer de ler é dobrado quando se vive com outra pessoa que compartilha os mesmos livros... O que sinto por você não pode ser expresso em combinações de frases; ou grita alto ou permanece dolorosamente silencioso, mas eu prometo — supera palavras. Supera mundos... Sempre senti que o grande privilégio, alívio e conforto da amizade era que não era preciso explicar nada... A mente que eu amo deve ter lugares selvagens, um pomar emaranhado onde ameixas escuras caem na grama densa, um pequeno bosque coberto de vegetação, a chance de uma ou duas cobras, uma piscina cuja profundidade ninguém imaginou e caminhos cheios de flores plantadas pela mente... Pensamento da escritora e crítica neozelandesa Katherine Mansfield (Kathleen Mansfield Murry, nascida Beauchamp – 1888-1923). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

SEGUNDO SEXO – [...] o homem é pensável sem a mulher. Ela não, sem o homem. Ela não é senão o que o homem decide que seja; daí dizer-se o ‘sexo’ para dizer que ela se apresenta diante do macho como um ser sexuado: para ele, a fêmea é sexo, logo ela o é absolutamente. A mulher determina-se e diferencia-se em relação ao homem e não este em relação a ela; a fêmea é o inessencial perante o essencial. O homem é o Sujeito, o Absoluto; ela é o Outro [...]. Trecho extraído da obra O segundo sexo (2 vols., Difusão Européia do Livro, 1967), da filósofa, escritora, ativista e feminista franca Simone de Beauvoir (Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir – 1908-1986). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

CIDADE DAS LETRAS – [...] os intelectuais não servem apenas a um poder, como também são proprietários de um poder [...], Trecho extraído da obra La ciudad letrada (1984), do escritor e crítico literário uruguaio Ángel Rama (Ángel Antonio Rama Facal – 1926-1983), introuditor da teoria da transcultururação, ao estudar a concepção, o planejamento e a consolidação das cidades latino-americanas, desde a destruição da asteca Tenochtitlán, em 1521, até a inauguração de Brasília, na década de 1960, traçando um paralelo entre os projetos urbanísticos e o ideal desejado de urbe limpa, estéril e civilizada.

 

ÂNSIA MÚLTIPLA - Beija-me Amor, \ beija-me sempre e mais e muito mais, \ – em minha boca esperam outras bocas \ os beijos deliciosos que me dás! \ Beija-me ainda, \ ainda mais! \ Em mim sempre acharás \ à tua vinda \ ternuras virginais. \ Beija-me mais, põe o mais cálido calor \ nos beijos que me deres, \ pois viva em mim a alma de todas as mulheres \ que morreram sem amor!… Poema extraído da obra Mulher nua (1922), da poeta Gilka Machado (Gilka da Costa de Melo Machado – 1893-1980). Veja mais aqui & aqui.

 


ROGER CRUZ
 – A arte do desenhista de história em banda-desenhada, Roger Cruz, em três momentos distintos. Veja mais aquiaquiaqui e aqui.





PSICANÁLISE – O termo psicanálise, segundo Roudinesco (1998) é oriundo de Psychoanalyse, termo criado por Sigmund Freud, em 1896, para nomear um método particular de psicoterapia (ou tratamento pela fala) proveniente do processo catártico (catarse*), de Josef Breuer e pautado na exploração do inconsciente, com a ajuda da associação livre, por parte do paciente, e da interpretação, por parte do psicanalista. Por extensão, dá-se o nome de psicanálise: ao tratamento conduzido de acordo com esse método; à disciplina fundada por Freud (e somente a ela), na medida em que abrange um método terapêutico, uma organização clínica, uma técnica psicanalítica, um sistema de pensamento e uma modalidade de transmissão do saber (análise didática, supervisão) que se apoia na transferência e permite formar praticantes do inconsciente; ao movimento psicanalítico, isto é, a uma escola de pensamento que engloba todas as correntes do freudismo. No plano clínico, ela é também a única a situar a transferência como fazendo parte dessa mesma universalidade e a propor que ela seja analisada no próprio interior do tratamento, como protótipo de qualquer relação de poder entre o terapeuta e o paciente e, em caráter mais genérico, entre um mestre e um discípulo. Sob esse aspecto, a psicanálise remete à tradição socrática e platônica da filosofia. Por isso é que empregou o princípio iniciático da análise didática, exigindo que se submeta à análise qualquer um que deseje tornar-se psicanalista. Freud foi o iniciador de uma inversão do olhar médico que consistiu em levar em conta, no discurso da ciência, as teorias elaboradas pelos próprios doentes a respeito de seus sintomas e seu malestar. Mediante essa reviravolta, a psicanálise esteve na origem dos grandes trabalhos históricos do século XX sobre a loucura e a sexualidade. Foi num artigo de 1896, redigido em francês e intitulado “A hereditariedade e a etiologia das neuroses”, que Freud empregou pela primeira vez a palavra psico-análise. Após muitas hesitações, cuja evolução pode-se acompanhar na correspondência entre Freud e Carl Gustav Jung, a palavra psicanálise se imporia em francês em 1919 (em lugar de psico-análise), ao lado de Psychoanalyse, já aceita no alemão em 1909 (em vez de Psychanalyse) e de psychoanalysis, em inglês (muitas vezes grafada como Psycho-analysis ou Psycho-Analysis). Em 1910, em “As perspectivas futuras da terapia psicanalítica”, Freud delimitou um enquadre “técnico” para a análise, afirmando que esta tinha por objetivo vencer as resistências. Essa tese seria discutida muitas vezes, e os problemas da técnica seriam objeto de diversos outros artigos, além de debates e cisões na história do movimento psicanalítico, desde Sandor Ferenczi até Jacques Lacan. Inspirando-se no modelo darwinista, Freud quis incluir a psicanálise entre as ciências da natureza, ou, pelo menos, conferir-lhe um estatuto de ciência dita “natural”. E por causa da dupla pertença da psicanálise (ao campo das ciências da natureza e ao das artes da interpretação) que sua chamada refutação “científica” produziu-se no campo da terapêutica. A história da psicanálise mostra que as resistências erguidas contra ela, bem como seus conflitos internos, sempre foram o sintoma de seu progresso atuante, de sua propensão a fabricar dogmas e de sua capacidade de refutá-los. Essa postagem, portanto, é o pontapé inicial para uma série de outras postagens a respeito da temática. Para tanto, segue abaixo uma bibliografia suplementar para melhor conhecimento a respeito do tema. Veja mais aqui, aqui e aqui.

REFERÊNCIAS
ALBERTI, S.; FIGUEREDO, C. (Orgs.). Psicanálise e saúde mental: uma aposta. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2006.
ATKINSON, Richard; HILGARD, Ernest; ATKINSON, Rita; BEM, Daryl; HOEKSENA, Susan. Introdução à Psicologia. São Paulo: Cengage, 2011.
BOCK, A.M et al.  Psicologias: uma introdução ao estudo da psicologia. São Paulo: Saraiva, 2001
DAVIDOFF, Linda. Introdução à Psicologia. São Paulo: Pearson Makron Books, 2001.
ETCHEGOYEN, R. Horacio. Fundamentos da técnica psicanalítica. Porto Alegre: Artmed, 2004.
FADIMAN, James; ROBERT, Frag. Teorias da personalidade. São Paulo: Harbra, 2002.
GAZZANIGA, Michael; HEATHERTON, Todd. Ciência psicológica: mente, cérebro e comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2005.
LAPLANCHE; Jonh; PONTALIS, J. B. Vocabulário de psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
MEZAN, Renato. Interfaces da psicanálise. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2002.
MORRIS, Charles; MAISTO, Alberto. Introdução à psicologia. São Paulo: Pretence Hall, 2004.
MYERS, David. Psicologia. Rio de Janeiro: LTC, 2006.
ROUDINESCO, Elisabeth. Dicionário de psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.
SCHULTZ, Duane; SCHULTZ, Sydney. Historia da psicologia moderna. São Paulo: Cengage Learning, 2012.
ZIMERMAN, David. Vocabulário contemporâneo de psicanálise. Porto Alegre: Artemd, 2008.
______. Fundamentos psicanalíticos: teoria, técnica, clínica – uma abordagem didática. Porto Alegre: Artmed, 2007.
______. Manual de técnica psicanalítica. Porto Alegre: Artmed, 2004.


Veja mais sobre:
O cis, o efêmero & eu aqui.

E mais:
Cancioneiro da imigração de Anna Maria Kieffer & Ecologia Social de Murray Bookchin aqui.
A poesia de Sylvia Plath & a Filosofia da Miséria de Proudhon aqui.
Antonio Gramsci & Blinded Beast de Yasuzo Masumura & Mako Midori aqui.
Mabel Collins & Jiddu Krishnamurti aqui.
Christiane Torloni & a Clínica de Freud aqui.
Paulo Moura, Pedro Onofre, Gustavo Adolfo Bécquer, Marcos Rey, Mihaly von Zick, Marta Moyano, Virna Teixeira aqui.
A irmã da noite aqui.
A obra de Tomás de Aquino & Comunicação em prosa moderna de Othon M. Garcia aqui.
Essa menina é o amor aqui.
Uma gota de sangue de Demétrio Magnoli & mais de 300 mil no YouTube aqui.
A filosofia & Psicologia Integral de Ken Wilber & o Natal do Nitolino aqui.
Possessão do prazer aqui.
Roberto Damatta & o Seminário do Desejo de Lacan aqui.
A febre do desejo aqui.
A nova paixão do Biritoaldo: quando o cara erra a porta de entrada, a saída é que são elas aqui.
A ambição do prazer aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Derinha Rocha
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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sexta-feira, janeiro 09, 2015

JOAN BÁEZ, SÓNIA SULTUANE, TILLIE COLE, TAIKON & RUBEN ÖSTLUND

 


UMA VEZ, JOAN – Era noite de sábado, 23 de maio, o ano: 1981. Era o meu presente de aniversário antecipado. E comemoraria no Tuca da PUC-SP. Sim, a maior festa só para ver ao vivo e em cores aquela que já era tão viva nos meus sonhos, como no cenário musical e político. Sonhava com aquela capricorniana que compartilhava sua voz em palcos e manifestações, aquela que marchara de braços dados com Luther King, a que fora presa por protestos pacifistas contra a guerra do Vietnã. Sim, a sua beleza, seu estilo musical inconfundível, suas opiniões políticas faziam coro dentro de mim e me levava por devaneios intermináveis. Lá estava como quem leu o A Journey Through Our Time, como quem delirou ouvindo-a no Woodstock e no álbum duplo Blessed are. Mais ainda com o Come From The Shadows e o Diamonds & Rust. Sentia-me presente no meio da multidão do European Tour. E me deleitava com o seu timbre no Silent Running que revi tantas vezes só para ter a graça de imaginá-la ali, diante de mim, tantas vezes sem conta. E fantasiava poses e papos com suas baladas, a sua voz soprano e o seu violão acústico, interpretando entre as do seu belíssimo repertório, músicas de Villa-Lobos e Zé do Norte, afora folks, country-rock, pop e canções de protesto. Todas as suas músicas me embalavam na mais extraordinária quimera. Pois foi. Lá estava eu fazendo coro com outros mil e oitocentos na plateia a gritar seu nome. Havia passado da hora de começar e, com certeza, havia problemas com a realização do show: estava proibida de cantar. Com o anúncio aplaudimos efusiva e demoradamente. Aqui, era, então, o terceiro país a sustar sua voz, depois da União Soviética e Argentina – estávamos debaixo do mais tenebroso golpe militar. Premiou-nos da janela com duas músicas à capellaGracias a la Vida, Cálice. Depois no palco, sentada numa poltrona, da mesma forma, foi a vez de Imagine, Blowin’in the Wind. Estava emocionado e comigo todos aplaudiram de pé. Sua vida sob vigilância policial e ameaças de morte. Não queria arredar, jamais renunciar daquele encantamento de vê-la. Por ali fiquei, virei a noite e quase ao meio dia seguinte a vi tão próxima com um sorriso no hall do hotel Comodoro. Um aceno me hipnotizou e ali se realizava o momento de enchê-la de beijos, de murmurar que a amava e dizer quantas vezes quis estar presente na sua apresentação de Sarajevo e ser abraçado como aquele violoncelista desolado. Quantas vezes não ousei tocar a campainha de uma daquelas suntuosas casas de Woodside. Quantas vezes não submergi sonheiro por longas e intermináveis estadias ao seu lado. Sim, tudo feito de sonhações e ela ali era mais que real. Veja mais abaixo e mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Não lhes era permitido viver em apartamentos ou casas e não lhes era permitido ir à escola... adultos preconceituosos. Depois de um tempo, ela decidiu escrever livros... Pensamento da escritora e ativista sueca Katarina Taikon (1932-1995), autora da obra The Day I am Free/Katizi, de etnia cigana e que nasceu numa tenda, e, devido a ter sido impedida de frequentar a escola pública, só aprendeu a ler e a escrever na idade adulta. Nas suas obras "Cigana" (Zigenerska, 1963) e "Katitzi" (Katitzi, 1969), aborda a situação dos ciganos na Suécia e tornando-a um ícone da contracultura na Suécia, em que a minoria cigana era fortemente discriminada, excluídos da habitação, do sistema educacional e dos direitos de cidadania proporcionados pelo estado de bem-estar social.

 

ALGUÉM FALOU: Na verdade, os homens estão mais perto de ter a capacidade de agir de forma egoísta quando se trata de uma situação de crise. Não gosto que repitamos uma determinada expressão continuamente porque acho que isso restringe a forma como olhamos o mundo. Também penso que há uma certa responsabilidade se trabalharmos com imagens em movimento porque são muito fortes na criação de comportamento; é tão forte na criação da maneira como olhamos o mundo, então para mim é muito importante que eu crie imagens das quais tenho uma experiência ou que seja algo que acho que existe no mundo e não apenas no cinema. O motivo pelo qual estou interessado em fazer filmes é porque uma imagem em movimento é muito, muito poderosa quando se trata de mudar o comportamento humano. Quero que meu filme possa ser usado como referência quando estivermos tentando viver nossas vidas. Eu estava muito interessado em destacar o comportamento de grupo e queria mostrar que acho que isso é muito fundamental sobre ser um ser humano... que somos, na verdade, animais de rebanho. Então, eu estava procurando por diferentes situações que acontecem em diferentes tipos de grupos. Pensamento do cineasta, produtor e roteirista Ruben Östlund.

 

NÃO SOU EU, QUERIDO – […] Viva livre, ande livre, morra livre […] Você roubou meu coração há quinze anos e ainda não o devolveu. [...] Sempre estivemos fadados a ficar juntos. Ele é meu tudo. Ele é meu mundo inteiro... [...] Ele era o pecado personificado... Um pecado que eu desejava... mas agora eu estava com muito medo dele. [...] Espero que você seja o fim da minha história. Espero que você esteja tão longe quanto possível. Espero que vocês sejam as últimas palavras que proferirei. Nunca é sua hora de ir... [...] Eu me inclinei em sua mão. Vinte e seis anos e um único toque me faria explodir no jeans. [...]. Trechos extraídos da obra It Ain't Me, Babe (CreateSpace, 2014), da escritora britânica Tillie Cole.

 

TRÊS POEMASFONTE - Bebi da tua fonte,\ as tuas margens abriram-se,\ as tuas algas salgadas,\ tinham o gosto a maresia,\ águas cristalinas,\ afoguei-me,\ esqueci o instante,\ perdi-me por fim,\ na tua concha menina. SOU ESTRANGEIRA - Estrangeira nesta terra,\ neste país,\ nos lugares em mim,\ nos olhares perdidos,\ certezas dispersas,\ sou alheia à nacionalidade,\ sou estrangeira,\ num corpo tatuado,\ com formato de mapa universo,\ leito de saudades,\ multidão de pensamentos,\ num mundo de sentimentos,\ no cosmos que desconheço. LUGAR DE SILÊNCIOS - Lugar de silêncios,\ as vozes acontecem,\ as histórias repetem-se,\ o longe\ vem nas malas dos viajantes,\ na rota das suas almas,\ acontece a vida, a saudade,\ o agora, o amanhã,\ esse é o lugar onde\ existimos. Poemas da poeta e artista plástica moçambicana Sónia Sultuane, autora de Sonhos (2001), Imaginar o Poetizado (2006), No Colo da Lua (2009) e A Lua de N'weti (2014).

 

SACADOUTRAS

 


O ÁUTÓGRAFO DE JOÃO CABRAL – No livro Museu de Tudo, o poeta e diplomata pernambucano, João Cabral de Melo Neto (1920-1999), deixa pra gente o seu autógrafo: Calma ao copiar estes versos / antigos: a mão já não treme /nem se inquieta; não é mais a asa / no voo interrogante do poema./ A mão já não devora / tanto papel; nem se refreia / na letra miúda e desenhada / com que canalizar sua explosão. / O tempo do poema não há mais; / há seu espaço, esta pedra / indestrutível, imóvel, mesma: / e ao alcance da memória / até o desespero, o tédio. (João Cabral de Melo Neto, O autógrafo. In: Museu de tudo. Rio de Janeiro: José Olympio, 1975).  Veja mais aqui e aqui.

Imagem: Nu, óleo sobre tela, 1925, do pintor do modernismo português Eduardo Viana (1881-1967)

Ouvindo o Full Show, ao vivo no Brasil, em 2014, da legendária cantora estadunidense Joan Baez.

 A VOZ DELA: A ação é o antídoto para o desespero. Você não pode escolher como você vai morrer. Ou quando. Você só pode decidir como você vai viver. Agora. Se é natural matar, por que os homens têm que treinar para aprender como? Pensamento da legendária cantora Joan Báez, que no seu livro And A Voice to Sing With: A Memoir (Simon & Schuster, 2009) destaco: [...] devido à minha profunda opinião de que a guerra em si é um crime; que a morte de uma criança, o incêndio de uma aldeia, o lançamento de uma bomba nos afunda em tais profundezas de depravação que não adianta discutir sobre os detalhes. [...]. Veja mais aqui.

 


TODO DIA É DIA DA MULHER: RIGOBERTA MENCHÚ – A indígena guatemalteca do grupo Quiché-Maia, Rigoberta Menchú Tum, participou da Guerra Civil da Guatemala, ocorrida entre os anos de 1962-1996, pela qual foi exilada no México, em 1981 – ano em que se pai foi assassinado. Em 1991, ela participou da elaboração da Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas. Em seguida, foi contemplada com o Prêmio Nobel da Paz, 1992, por sua campanha pelos direitos humanos,pela desmilitarização e justiça social, respeito pela natureza, igualdade para as mulheres e reconciliação étnico-cultural no respeito aos povos indígenas. Foi vencedora do Prêmio Príncipe das Astúrias de Cooperação Internacional e tornou-se Embaixadora da Boa Vontade, da Unesco. Sua vida e luta estão na sua autobiografia Me llamo Rigoberta Menchú y así me nació la conciencia, escrito por Elisabeth Burgos com entrevistas da militante. Veja mais aqui.


OS MANDARINS DE BEAUVOIR - O livro Os mandarins, da escritora Simone de Beauvoir é um romance-ensaio do movimento existencialista, onde ela descreve o ambiente na França entre os anos 1944-1948, com as repercussões da guerra, da ocupação e da Resistência, a simultaneidade da corrupção moral e da vigorosa agitação intelectual, tonando-se um documento histórico que mereceu o prêmio Goncourt, em 1954. No final do livro está expresso pela autora: “Estou aqui. Eles vivem, falam comigo, estou viva. De novo, saltei na vida de pés juntos. As palavras me entram nos ouvidos, ganham pouco a pouco uma significação. [...] Será que eu não tenho uma ideia para o nome? Nenhum daqueles em que pensaram até agora agrada. Procuro um nome. Digo a mim mesma que, uma vez que eles foram fortes o bastante para arrancar-me à morte, talvez saibam ajudar-me a viver de novo. Com certeza saberão. Ou a gente soçobra na indiferença, ou a terra se repovoa. Não soçobrei. Já que meu coração continua batendo, será preciso que bata por alguma coisa, por alguém. Já que não sou surda, ouvirei chamarem-me de novo. Quem sabe? Talvez um dia eu seja novamente feliz. Quem sabe? (Simone de Beauvoir, Os mandarins. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983). Veja mais aqui e aqui.


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Pesquisa & Cia, Fernando Sabino, Eliane Elias, Marcelo Gleiser, Minna Canth, Juno/Hera, Bigas Luna, Alonso Cano & Francesca Neri aqui.
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Holística, Claude Debussy & Laurindo Almeida, Carl Rogers, Emily Greene Balch & Pierre Bonnard aqui.
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