Mostrando postagens com marcador Marjane Satrapi. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Marjane Satrapi. Mostrar todas as postagens

domingo, novembro 16, 2025

ASTRID SCHOLTE, TOPAZ WINTERS, SHUBIGI RAO & LUNA VITROLIRA

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Five Years Wise (2007), The Love In Us (2008), Once Upon A Wish (2008), Always True (2009), Hope (2010), Diversity (2013), Into The Blue (2017), Emotions (2019) & The Unofficial Bridgerton Musical (2021), da pianista e compositora estadunidense Emily Jordan Bear.

 

O sorriso eterno de Miss Jujuba... À memória de Julieta Hernández - Julieta Inés Hernández Martínez (1985-2023) - Risonha ela vinha da Ciudad Guayana de Puerto Ordaz e era a Viagem de Bicicleta de uma Palhaça Só... Sozinha? E sorria torrencialmente, migrante nômade com o Salto Angel de Canaima inundando a todos: “Minha casa é o movimento”... Seguia encantada alma livre oceânica empunhando o Cuatro venezuelano, cantante diva com suas melodiosas rancheras mexicanas. U-hu! Dançava magreza com seus trejeitos risíveis e pulava palhaçaria, às caretas e gambiarras, bonequeira de zis quilômetros no horizonte. U-lá-lá! Êpa! Ai ai ai! Era Pé Vermêi, pública arte pelas ruas quaquaraquaquás! Solta às mungangas pelo Cabaré de Dia dos Palhaces de Barravento e ademanes nas Magdas Migram e no Circo di SóLadies Nem Só Ladies, por teatros mambembes e ativismo feminista. Queria de mim saber das coisas do interior nordestino. E mais ria e, de Manaus almejava a terra natal, cicloativista viajante onírica pedalava alada como quem passeava pelas palafitas da tão sonhada paraense Afuá. Inquieta mudava de rota e foi pela BR 174 para vencer Boa Vista até a fronteira de Roraima, abrigando-se no meio do caminho, à casa do Mestre Gato – presságio duma localidade amazonense nomeada infeliz de algoz presidente, que a fez reviver a sina de 13 dias desaparecida. Era ela entre os tantos quase esquecidos das trevas no golpe da ditadura: o feminicídio repetia a história há milênios. Nublou a vida na minha bradicardia e ainda revejo aquela tarde de Vitória: o seu eterno sorriso no meu coração. Até mais ver.

 

Marjane Satrapi: Estamos nos concentrando nos pequenos detalhes e ignorando as grandes misérias do mundo. Olhamos para o fumante e esquecemos o aquecimento global, a guerra e a porcaria que comemos — não os verdadeiros vilões, mas sim o cigarro. Eu fumo e falam de câncer, eu como e falam de colesterol, eu faço amor e falam de AIDS. Antes da AIDS, do colesterol e do câncer, existe o prazer de fazer amor, comer e fumar. Eu tenho que morrer um dia, então se aquilo que me deu prazer a vida toda me matar em vez de eu ser atropelado por um caminhão, tudo bem. Além disso, por que eu deveria viver para que, quando eu morrer, eu sirva de alimento para os vermes? Espero estar tão podre que eles não queiram me comer. Que se danem os vermes... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Arundhati Roy: Na verdade, não existe algo como os "sem voz". Existem apenas aqueles que são deliberadamente silenciados ou aqueles que preferencialmente não são ouvidos... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Margaret Atwood: A guerra é o que acontece quando a linguagem falha... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A NOITE EM QUE VOCÊ RECEBE O DIAGNÓSTICO

Imagem: Acervo ArtLAM.

Depois de Austin Smith, você dá a cada rifle no armário de caça \ do seu pai um novo sinônimo de fuga. \ Essa fenda, um rito de passagem: \ suas mãos tremendo no desconhecido, \ requintadamente estranhas e congelantes na escuridão. \ Em algum lugar de uma cidade afogada no crepúsculo, \ sua mãe tenta moldar sua tristeza \ em algo pelo qual ela possa se culpar. \ À beira de uma estrada, um homem morto promete aos filhos \ que amanhã despertará da hibernação. \ No exato momento em que isso acontece, \ você é o infinito entre os nós dos dedos enrugados, \ o osso da sorte de um corpo que não é seu, \ ou de um que foi, um dia, \ até você trocá-lo pela memória da incandescência. \ Ouça: cada cervo nesta floresta está aprendendo o som da angústia. \ Ouça: a lua se ergue tão alto que o céu escurece de medo. \ Em alguma outra versão desta noite, seu corpo conhece todos os lugares onde ainda não esteve. \ Talvez um dia você reaprenda a arte de inspirar, mas hoje não é esse dia. \ Em vez disso, há apenas o armário do seu pai, de alguma forma se abrindo. \ Boca reluzente, sem alma, dentes como tantos rifles nadando indefesos \ e famintos em sua mandíbula presa.

Poema da escritora, atriz, professora, editora, performer e artista multidisciplinar cingapuriana Topaz Winters (Priyanka Balasubramanian Aiyer), autora do premiado livro So, Stranger (Button Poetry, 2022) e de Portrait of My Body as a Crime I’m Still Committing (Button Poetry 2019), entre outros. Também é roteirista e protagonista do premiado curta-metragem Supernova (2017).

 

LIGA DOS MENTIROSOS - [...] Não seja uma daquelas pessoas que odeiam a própria vida, mas não têm coragem de mudá-la. [...]. Trecho extraído do livro League of Liars (Putnam's, 2022), da escritora cingapuriana-australiana Astrid Scholte, que noutra sua obra, The Vanishing Deep (Putnam's, 2020), ela expressa que: […] Palíndromo — uma palavra, número, frase ou sequência de símbolos ou elementos cujo significado pode ser interpretado da mesma forma tanto de frente para trás quanto de trás para frente. Começamos como terminamos; terminamos como começamos. Essa é a vida. É ao meio que devemos nos agarrar. […] O luto é mais difícil para aqueles que ficam para trás. [...] Quem decide quem vive e quem morre? Cuja vida é mais importante do que a de outra pessoa? Todos nós temos família, todos nós temos amigos. [...]. E no seu livro Four Dead Queens (Putnam's, 2019), ela assinala que: […] Às vezes, o fracasso é o começo do sucesso. [...] Deixe o amor guiar seu coração e tudo o mais se encaixará naturalmente. [...].

 

RAIVA DIANTE DA INJUSTIÇA - [...] A raiva transparece no meu trabalho, especialmente quando se trata de trabalhos intelectuais, cinematográficos ou criativos – a criatividade é uma expressão que nasce da motivação. Minha motivação é a raiva diante da injustiça. É algo que não consigo suportar [...] Para mim, a maneira como lidei com diferentes formas de opressão, assédio e abuso na infância foi sendo criativa. Esse foi meu principal método de sobrevivência. Em vez de me desesperar com o estado do mundo, eu escrevia ou criava mais. A raiva não é uma emoção que permanece inalterada durante o processo criativo. Ela se transforma, motiva o processo e, como qualquer movimento, permeia a escrita. Vou lutar contra as injustiças e a opressão do mundo; se você quer oprimir as pessoas, negue-lhes o direito de ler, escrever, publicar e serem ouvidas. O silenciamento das pessoas anda de mãos dadas com a opressão e o genocídio. A proteção da literatura de uma cultura é muito importante para mim. [....]. Trechos da entrevista (Peak, 2022) concedida pela escritora e artista contemporânea indiana-cingapuriana Shubigi Rao.

 

O POEMA PERFORMÁTICO DE LUNA VITROLIRA

as mãos calejadas dizem \ do corte da cana \ carregam entulhos \ e cinco litros d’água \ para sustentar a fome \ nas depressões inundadas \ os passos afundam \ como se afundasse \ um navio negreiro \ com ele \ muitas vidas viraram \ obras de museu: \ um homem sem rosto \ um rosto sem nome \ um nome sem gente \ e sua terra incinerada \ minha família veio num desses \ que não afundou \ com a tempestade \ dispersa \ nossa história enterrou-se \ difícil encontrar os ossos \ e as pedras que dirão de nós \ memória tem águas espessas.

Poema da cantora, poeta, compositora, atriz e pesquisadora Luna Vitrolira, autora do projeto transmídia livro/música/cinema Aquenda- o amor às vezes é isso (2019), idealizadora e coordenadora do projeto “Mulheres de Repente”. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR:

Veja mais sobre MJ Produções, Gabinete de Arte & Amigos da Biblioteca aqui.

 


terça-feira, novembro 19, 2024

PATRICIA CHURCHLAND, VÉRONIQUE OVALDÉ, WIDAD BENMOUSSA & PERIFERIAS INDÍGENAS DE GIVA SILVA

 

Imagem: Foto AcervoLAM.

Ao som do show Transmutando pássaros (2020), da flautista Tayhná Oliveira.

 

Lua de Maceió... - Não era a desejada de Morango, ah, tem nada não. Fazer o quê? Inadvertido quase deixei passar a do Castor que fugia das nuvens naquela manhã quase nublada. A surpresa: nela a deusa Ya-cy levada pelo raio de Aram e quase escondida pelos galhos abundantes. Era ela, sim. E me viu ali, vigilante. Fez a volta e lá vinha em minha direção. E eu: prestes a me sentir levado pelo estrondoso impacto do asteroide Apophis dentro de mim. Aproximou-se rutilante a levitar lenta e elegantemente, como quem desce emoldurada pela constelação da Anta, um convite para a festa. Achegou-se como se fosse a bela estrela Naiá incendiando a solidão primaveril dos meus sonhos insensatos – um frio na barriga, vertigem nas ideias e agora o que poderia fazer, sei lá. E dei fé ali, olhos nos meus e o sorriso ensolarado: Awê! Tudo fiz para manter a lucidez, segurava a onda como podia. Abriu-me os braços como quem regia a vida marinha no meu sangue em pororoca. Já quase amanhecia e ali chegou para danação de tudo nas minhas entranhas, revolvendo as mais remotas memórias do que sequer sabia. Retribuí seu efusivo contentamento. Fiz-lhe as honras e já me tinha por Jáxi, o caçula irmão do Guaraci, embalado por verdadeira celebração de ritual pataxó. Logo o clarão do dia e ela então deitou-se nua, minguante, na palma da minha mão. E me reluzia crescente para ser nova todo dia. E a palavra nela fez-se vela acesa e no seu corpo escrevi o tempo inventando de nunca se extinguir. Só tinha um lugar para levá-la no meio das minhas clandestinas emoções – era ela todo espaço, onde mais afora meu coração desamparado. Dei-lhe meu sorriso como se fosse a flor que não tinha às mãos e nela a vindoura consagração estival da mulher avalovara no perigeu. Por gratidão fez-se amor na Alvorada. Até mais ver.


Arundhati Roy: Não existe realmente algo como "os sem voz". Existem apenas os deliberadamente silenciados, ou os preferencialmente não ouvidos.... O problema é que, uma vez que você vê, não consegue deixar de ver. E, uma vez que você viu, ficar quieto, não dizer nada, se torna um ato tão político quanto falar. Não há inocência. De qualquer forma, você é responsável... Veja mais aqui.

Marjane Satrapi: A vida é absolutamente insuportável. E nós vamos morrer... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, & aqui.

Connie Palmen: A cada nascimento, uma morte é dada... Veja mais aquí.

 

LIÇÃO

Imagem: AcervoLAM.

A minha vizinha no amor \ disse-me: \ Por que há tanta janela iluminada \ no teu corpo? \ Por que tantas flores as envolvem? \ Que são essas numerosas luas? \ Quem te ofereceu esses céus? \ A minha vizinha no amor \ ignora \ o amor.

Poema da poeta, artista plástica e repórter marroquina Widad Benmoussa, autora de obras como: Tenho uma raiz no vento (2001), Entre duas nuvens (2006), As janelas que abri sobre ti, Rabat (2006) e Tempestades do corpo (2008).

 

TENHAM CUIDADO, CRIANÇAS… - […] Uma pergunta que começa com o porquê é uma pergunta preguiçosa. […] Há algo de gentil no movimento das obsessões à medida que elas se deslocam para o mar. Eles param de incomodar você noite e dia. Isto não é uma capitulação nem um abandono. Eles estão ganhando tempo. [...]. Trechos extraídos da obra Soyez imprudents les enfants (Thélème, 2017), da escritora francesa Véronique Ovaldé. Veja mais aqui.

 

NEUROFILOSOFIA & FILOSOFIA DA MENTEO que posso e não posso imaginar é um fato psicológico sobre mim. Não é um fato metafísico profundo sobre a natureza do universo. Pensamento da filósofa canadense Patricia Smith Churchland, que no seu livro Touching a Nerve: The Self as Brain (W. W. Norton & Company, 2013), ela expressou que: […] Você se tornou consciente exatamente do que inconscientemente pretendia dizer apenas quando o disse. Você modifica seu discurso dependendo se está falando com uma criança, um colega, um aluno ou um reitor. Não conscientemente, provavelmente. Paradoxalmente, a fala é geralmente considerada um caso de comportamento consciente – comportamento pelo qual responsabilizamos as pessoas. Certamente, requer consciência: você não pode conversar durante o sono profundo ou em coma. No entanto, as atividades que organizam a produção da sua fala não são atividades conscientes. Falar é um negócio altamente qualificado, que depende do conhecimento inconsciente de precisamente o que dizer e como [...]. Já em El cerebro moral: Lo que la neurociencia nos cuenta sobre la moralidad (Paidós, 2020), ela considera que: […] A hipótese predominante é que o que nós, humanos, chamamos de "ética" ou "moralidade" é uma estrutura de comportamento social em quatro dimensões que é determinada pela inter-relação de diferentes processos cerebrais: (1) cuidado ou atenção aos outros (enraizado no apego aos membros da nossa família e preocupação com o seu bem-estar),11 (2) reconhecimento dos estados psicológicos dos outros (com base nas vantagens de prever o comportamento de terceiros), (3) resolução de problemas num contexto social (por exemplo, como devemos distribuir bens quando eles são escassos, como resolver disputas territoriais [...]. E no seu livro Neurophilosophy: Toward a Unified Science of the Mind/Brain (Bradford, 1986), ela conclui que: […] Se você se enraizar no chão, poderá se dar ao luxo de ser estúpido. [...]. Veja mais aqui.

 

PERIFERIA DAS PERIFERIAS, DE GIVA SILVA

[...] Reconhecer que os povos indígenas estão periferizados historicamente e que muitos corpos indígenas estãos periferizados e periferizados das suas identidades e que sofrem todo tipo de violências do colono-capitalismo, sem sequer ser estatística – já que formalmente não existem, logo, não fazem parte dos indicadores negativos aos quais a classe trabalhadora tem exposto as mazelas que sofre de um sistema perverso -, e são encarcerados e enterrados sem sequer ter tido acesso à sua memória ancestral [...].

Trecho de Na periferia das periferias, de territórios e corpos: povos indígenas e corpos indígenas, uma luta de mais de 500 anos!, do educador e comunicador Givanildo M. da Silva, extraído do volume Periferias no plural (Fundação Perseu Abramo, 2023), organizado por Paulo Cesar Ramos, Jaqueline Lima Santos, Victoria Lustosa Braga e Willian Haverman. Veja mais aqui.

&

USINA DE ARTE: EXPO ROBÓTICA

Veja mais aqui.

 

Vem aí:

Dareladas – Centenário de Darel Valença Lins aqui.

Tem mais:

Livros Infantis Brincarte do Nitolino aqui.

Poemagens & outras versagens aqui.

Diário TTTTT aqui.

Cantarau Tataritaritatá aqui.

Teatro Infantil: O lobisomem Zonzo aqui.

Faça seu TCC sem traumas – consultas e curso aqui.

VALUNA – Vale do Rio Una aqui.

&

Crônica de amor por ela aqui.

 


quinta-feira, junho 09, 2011

CHRISTINA ROSSETI, NADINE GORDIMER, MARJANE SATRAPI, NATALIA LL & LITERÓTICA

Consumptive Art (1973), arte da performática artista polonesa Natalia LL (Natalia Lach-Lachowicz, que desenvolve seu trabalho nas áreas de pintura, fotografia, desenho, performance e videoarte. Veja mais abaixo.

 

O PRAZER DO AMOR NA VARANDA DA NOITE - Imagem: arte by Ísis Nefelibata. - A lua reinava com a chegada da noite naquelas paragens. Era cheia na penumbra e transversal dos beijos estalados com sabor de cerveja e mar. No escurinho, frente a frente, mergulhamos no confronto dos corpos e ela beijoqueira começou a uivar com seus olhos de faroleiro errante. Primeiro naufraguei no seu decote e embarquei lépido rumo à plataforma do amor e nele fiz morada para sempre sem abrir mão de cavoucar todos os acidentes geográficos de sua assimetria provocadora. E fui, com uma mão entre a pele da cintura e o elástico do biquíni rompendo os vales do ventre umedecido. A outra alisando impune o dorso da coxa divisando a mina púbica de todos os desejos florescidos. Essa a nossa balada, o momento perfeito. Foi quando ela transida pela loucura da sedução infringiu todos os limites. Investigou, virando a cabeça, inspecionando lado a lado, conferindo os mínimos detalhes do ambiente para ver a existência de alguma presença afora a nossa, algum testemunho ou atrapalho flagrante. Enquanto fazia sua minuciosa conferência por toda dimensão territorial, eu me rendia ao toque de suas mãos inquietas e usurpadoras. Era porque enquanto ela inspecionava tudo, as suas mãos percorriam minha carne agitando minhas veias., vasculhando meu ventre e, depois da conferência geral, foi se ajeitando comodamente até que ajoelhou-se no piso forrado da paixão como uma Juliete Binoche arrepiada com a intimidade desnuda embaixo da saia levantada que dava comodamente com a vagina nua assentada e esfregada no meu pé como se fosse a sela do corcel onde ela rebolava e se arrastava à medida que se preparava para uma prece em frente da minha vela viva e empunhada pelo seu bulício. Parecia que estava insatisfeita de tudo e como quem quer mais do que possui, aos murmúrios lancinantes do cio, ela arremessou a vida no alvo do meu sexo premiado e dele fez o pavio de sua busca para alimentar o hábito de querer no hálito de sua alma requerente com o trabalho de quem faz por amor na labuta dos amantes, fazendo-o da pira iluminada com a sua língua acendedora de lampião no breu. Acolhedora atirou-se incansável e frenética e foi recolhendo todo meu edifício vistoso, andar por andar, lentamente, centímetro por milímetro, delicada e vorazmente implorando por misericórdia porque queria mais e muito mais do que havia até então se apropriado. Ela rangia os dentes, boca cheia dágua da baba escorrer pelo canto. E mais agitada ia acomodando o meu rijo tridente pelos vãos dos seus lábios que apontam os jardins do Éden. E ruminava contornando toda cúpula, torre e superfície acesa descortinando a lâmina afiada da minha espada porque sua boca movediça tratava de dar cabo de toda dimensão da minha estatura agora untada por sua saliva e batom vermelho que é a rosa em flor de lótus com mil pétalas estelares para toda a cobiça e se apossava com todo gosto e me destrinchava reavendo o que perdi na existência e não me restava mais nada do que aquilo tudo da dádiva dela. Foi aí que seguiu desmedida e sussurrava amolegando o meu guidon energizado, completamente abocanhado por sua faminta determinação. E gemia com a lareira do seu ventre grudado na minha pele. E prostrada sobre o meu ventre ela encarava a minha serpente de gumes afiados e que descobre todos os seus mistérios e que a faz mais que o esplendor do veludo sobre o meu mel. E lambia os lábios abastados como quem se prepara para o banquete de gratidão, como quem se arma para o bote benfazejo ao paladar e se arregalava quando suas mãos arregaçavam com mil beijos de sua gula profana que invadia e lambuzava, segurava e sobejava o meu sobejo e vicejava afogada na mira, retendo para si entre os dedos esgoelada e sugava e eu crescia. E afagava com o rosto, e tomava insaciável o falo como quem mede o palmo na palma da mão, ah, fodoral. Aí ela fechava o cerco e nada perco porque o meu cajado luzidio é o pico salivado pela sua sede e fome como quem escava o poço da garganta quando emerso da sua arma mais estreito transponho a abertura do seu empenho que se sujeitava a caprichar no vai-e-vem e a confiscar minha vigília como quem persegue a sua vingança, como quem rompe o senso de quem quer consolo a qualquer preço, como quem quer colo a qualquer custo e comendo bolo no maior rolo e eu aceso nos seus beiços que são novelos que me envolve na alquimia que me faz fruta madura quando a noite não cabe mais e retomo sem me deter e puxo, repuxo com força e quero atravessar sua laringe até onde mais der porque as suas margens esborraram com a lambida caleidoscópica onde toda cornucópia é mais que abundante e faustosa e tudo é imenso e absorve a minha manivela por inteiro porque ela engole o cabo e eu no seu reduto de cadela rosnando no osso de carne como quem saboreia um picolé delicioso e eu no auge vou como quem perde o leme, esquece a rota e ela me leva ao tálamo da sua presença ampla, vasta e totalmente viva entre as sombras que tenho porque fecho os olhos e ela sorve meu sêmen completamente embriagada e deliciando o néctar do meu gozo vivo nas galáxias de sua divina abóbada palatina que é a taça do desejo de sua mais que viçosa alma de nenhum fastio e transcendente precipício das chamas no maremoto da saliva que é o véu e que inventa o abismo delicioso que colhi e decifrei com toda e nenhuma direção e consinto que se sirva enquanto eu vulnerável vou sucumbindo à paixão do amor mais que desejado. Estava eu entregue e sob o seu jugo enquanto ela, olhar de sonsa, jeito de manhosa que não tem nada a ver com isso, risinho safado oculto no olhar, satisfação de tímida e nua reluzente, danada de gostosura e me tratando por herói, me fazendo amo e querendo ainda ser estraçalhada pela minha voraz vontade de esganá-la por inteiro com meus beijos, carícias e esfregões. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

 

Artificial reality (1973), art by Natalia LL.

 

DITOS & DESDITOS - A verdade não é sempre bela, mas a fome por ela é. A censura nunca acaba para aqueles que já passaram por isso. É uma marca no imaginário que afeta a pessoa que a sofreu, para sempre. Os fatos são sempre em menor quantidade do que aquilo que realmente aconteceu. A arte desafia a derrota pela sua própria existência, representando a celebração da vida, apesar de todas as tentativas para degradá-la e destruí-la. Os livros não precisam de pilhas. Pensamento da escritora sul-africana Nadine Gordimer (1923-2014). Veja mais aquiaqui.

 

ALGUÉM FALOU: É preciso não carregar a pele como um fardo. Pensamento do sociólogo Alberto Guerreiro Ramos (1915-1982), que se tornou uma figura de grande relevo da ciência social no Brasil por abordar questões raciais e autor de obras como Introdução à crítica à sociologia brasileira (Andes, 1957); A redução sociológica: introdução ao estudo da razão sociológica (Iseb, 1958), O problema nacional do Brasil (Saga, 1960), A crise do poder no Brasil (Zahar, 1961), entre outras obras.

 

CERTIDÃO & DESENCANTONa vida você encontrará muitos idiotas. Se eles te machucarem, diga a si mesmo que é porque eles são estúpidos. Isso ajudará a evitar que você reaja à crueldade deles. Porque não há nada pior do que amargura e vingança. Mantenha sempre sua dignidade e seja fiel a si mesmo. Em toda religião você encontra os mesmos extremistas. Para uma revolução ser bem-sucedida, toda a população deve apoiá-la. Mais uma vez, cheguei à minha conclusão habitual: é preciso se educar. Não há nada pior do que dizer adeus. É um pouco como morrer. Se eu não estivesse confortável comigo mesma, nunca estaria confortável. A escritora, quadrinista, ilustradora e cineasta franco-iraniana Marjane Satrapi. Veja mais aqui.

 

INVERNO: MEU SEGREDO - Devo contar meu segredo? Não, de fato; / Um dia, talvez, quem o saberá? / Hoje não: ele congela, assopra, e neva, / É tu, tão curioso: calado! / Queres ouvi-lo? Bem: / Mas é meu segredo, não conto a ninguém. / Ou talvez, enfim, não há nenhum: / Suponha não ter nenhum, entretanto, / Só minha diversão. /Hoje, dia frisante, dia cortante; / Um em que se quer um manto; / Um véu, agasalho ou capa: / Não posso abrir a todo que bata, / E deixar os debuxos soarem em meu recanto; / Vinde a confinar e cercar-me / Vinde assombrar e surrar-me / A beliscar e tosar todos os meus mantos. / Mascaro-me p’ra aquecer: há quem reveles / Seu nariz nas russas neves / Para ser bicado por toda a brisa que corres? / Não irias tu bicar? Agradeço-te pela boa vontade / Credes, mas deves deixar improvada a verdade. / A primavera é expansiva: ainda duvido / Março a poeira se faz montículo / Nem abril e os arco-íris de suas rápidas chuvas, / Nem mesmo maio, cujas floradas / Podem murchar-se, no escuro das geadas. / Talvez em algum dia de verão indolente, / Quando aves apáticas bem menos cantam / E as frutas douradas sazonam tanto / Sem tanto de nuvens ou de céu luminoso / E o vento não estiver nem calmo ou ruidoso, / Meu segredo, talvez, eu comente, / Ou faze adivinhação. Poema da poeta britânica Christina Rosseti (1830-1894). Veja mais aqui.

 

POEMIUDERÓTICO

Sou mais que inteiro, pronto e festivo

na festa do seu corpo estival

O falo rijo é seu estandarte vivo

Você linda&nua o meu carnaval!

Veja mais Literótica aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. (Tem mais abaixo, role, desça!).

 


Veja mais sobre:
O presente na festa do amor aqui.

E mais:
Primeiro encontro, a entrega quente no frio da noite aqui.
Primeiro encontro: o vôo da língua no universo do gozo aqui.
Ao redor da pira onde queima o amor aqui.
Por você aqui.
Moto perpétuo aqui.
O uivo da loba aqui.
Ária da danação aqui.
Possessão Insana aqui.
Vade-mécum – enquirídio: um preâmbulo para o amor aqui.
Eu & ela no Jeju Loveland aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
O flagelo: Na volta do disse-me-disse, cada um que proteja seus guardados aqui.
Big Shit Bôbras aqui.
A chupóloga papa-jerimum aqui.
Educação Ambiental aqui.
Aprender a aprender aqui.
Crença: pelo direito de viver e deixar viver aqui.
É pra ela: todo dia é dia da mulher aqui.
A professora, Henrik Ibsen, Lenine, Marvin Minsky, Columbina, Jean-Jacques Beineix, Valentina Sauca, Carlos Leão, A sociedade da Mente & A lenda do mel aqui.
Educação no Brasil & Ensino Fundamental aqui.
Bolero, John Updike, Nelson Rodrigues, Trio Images, Frederico Barbosa, Roberto Calasso, Irma Álvarez, Norman Engel & Aecio Kauffmann aqui.
Por você aqui.
Eros & Erotismo, Johnny Alf, Mário Souto Maior & o Dicionário da Cachaça, Ricardo Ramos, Max Frisch, Marcelo Piñeyro, Letícia Bretice, Frank Frazetta, Ricardo Paula, Pero Vaz Caminha, Gilmar Leite & Literatura Erótica aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA

 Leitoras comemorando a festa do Tataritaritatá!
Arte by Ísis Nefelibata.
Veja aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
 Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.



MÁRIO QUINTANA, ANNE BOYER, KATE MANNE & JONES MANOEL

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Aroma da memória, flor despetalada... – Bella não era Isabella, a cantora perturbada do Blue Velvet . Nem a...