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domingo, novembro 16, 2025

ASTRID SCHOLTE, TOPAZ WINTERS, SHUBIGI RAO & LUNA VITROLIRA

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Five Years Wise (2007), The Love In Us (2008), Once Upon A Wish (2008), Always True (2009), Hope (2010), Diversity (2013), Into The Blue (2017), Emotions (2019) & The Unofficial Bridgerton Musical (2021), da pianista e compositora estadunidense Emily Jordan Bear.

 

O sorriso eterno de Miss Jujuba... À memória de Julieta Hernández - Julieta Inés Hernández Martínez (1985-2023) - Risonha ela vinha da Ciudad Guayana de Puerto Ordaz e era a Viagem de Bicicleta de uma Palhaça Só... Sozinha? E sorria torrencialmente, migrante nômade com o Salto Angel de Canaima inundando a todos: “Minha casa é o movimento”... Seguia encantada alma livre oceânica empunhando o Cuatro venezuelano, cantante diva com suas melodiosas rancheras mexicanas. U-hu! Dançava magreza com seus trejeitos risíveis e pulava palhaçaria, às caretas e gambiarras, bonequeira de zis quilômetros no horizonte. U-lá-lá! Êpa! Ai ai ai! Era Pé Vermêi, pública arte pelas ruas quaquaraquaquás! Solta às mungangas pelo Cabaré de Dia dos Palhaces de Barravento e ademanes nas Magdas Migram e no Circo di SóLadies Nem Só Ladies, por teatros mambembes e ativismo feminista. Queria de mim saber das coisas do interior nordestino. E mais ria e, de Manaus almejava a terra natal, cicloativista viajante onírica pedalava alada como quem passeava pelas palafitas da tão sonhada paraense Afuá. Inquieta mudava de rota e foi pela BR 174 para vencer Boa Vista até a fronteira de Roraima, abrigando-se no meio do caminho, à casa do Mestre Gato – presságio duma localidade amazonense nomeada infeliz de algoz presidente, que a fez reviver a sina de 13 dias desaparecida. Era ela entre os tantos quase esquecidos das trevas no golpe da ditadura: o feminicídio repetia a história há milênios. Nublou a vida na minha bradicardia e ainda revejo aquela tarde de Vitória: o seu eterno sorriso no meu coração. Até mais ver.

 

Marjane Satrapi: Estamos nos concentrando nos pequenos detalhes e ignorando as grandes misérias do mundo. Olhamos para o fumante e esquecemos o aquecimento global, a guerra e a porcaria que comemos — não os verdadeiros vilões, mas sim o cigarro. Eu fumo e falam de câncer, eu como e falam de colesterol, eu faço amor e falam de AIDS. Antes da AIDS, do colesterol e do câncer, existe o prazer de fazer amor, comer e fumar. Eu tenho que morrer um dia, então se aquilo que me deu prazer a vida toda me matar em vez de eu ser atropelado por um caminhão, tudo bem. Além disso, por que eu deveria viver para que, quando eu morrer, eu sirva de alimento para os vermes? Espero estar tão podre que eles não queiram me comer. Que se danem os vermes... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Arundhati Roy: Na verdade, não existe algo como os "sem voz". Existem apenas aqueles que são deliberadamente silenciados ou aqueles que preferencialmente não são ouvidos... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Margaret Atwood: A guerra é o que acontece quando a linguagem falha... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A NOITE EM QUE VOCÊ RECEBE O DIAGNÓSTICO

Imagem: Acervo ArtLAM.

Depois de Austin Smith, você dá a cada rifle no armário de caça \ do seu pai um novo sinônimo de fuga. \ Essa fenda, um rito de passagem: \ suas mãos tremendo no desconhecido, \ requintadamente estranhas e congelantes na escuridão. \ Em algum lugar de uma cidade afogada no crepúsculo, \ sua mãe tenta moldar sua tristeza \ em algo pelo qual ela possa se culpar. \ À beira de uma estrada, um homem morto promete aos filhos \ que amanhã despertará da hibernação. \ No exato momento em que isso acontece, \ você é o infinito entre os nós dos dedos enrugados, \ o osso da sorte de um corpo que não é seu, \ ou de um que foi, um dia, \ até você trocá-lo pela memória da incandescência. \ Ouça: cada cervo nesta floresta está aprendendo o som da angústia. \ Ouça: a lua se ergue tão alto que o céu escurece de medo. \ Em alguma outra versão desta noite, seu corpo conhece todos os lugares onde ainda não esteve. \ Talvez um dia você reaprenda a arte de inspirar, mas hoje não é esse dia. \ Em vez disso, há apenas o armário do seu pai, de alguma forma se abrindo. \ Boca reluzente, sem alma, dentes como tantos rifles nadando indefesos \ e famintos em sua mandíbula presa.

Poema da escritora, atriz, professora, editora, performer e artista multidisciplinar cingapuriana Topaz Winters (Priyanka Balasubramanian Aiyer), autora do premiado livro So, Stranger (Button Poetry, 2022) e de Portrait of My Body as a Crime I’m Still Committing (Button Poetry 2019), entre outros. Também é roteirista e protagonista do premiado curta-metragem Supernova (2017).

 

LIGA DOS MENTIROSOS - [...] Não seja uma daquelas pessoas que odeiam a própria vida, mas não têm coragem de mudá-la. [...]. Trecho extraído do livro League of Liars (Putnam's, 2022), da escritora cingapuriana-australiana Astrid Scholte, que noutra sua obra, The Vanishing Deep (Putnam's, 2020), ela expressa que: […] Palíndromo — uma palavra, número, frase ou sequência de símbolos ou elementos cujo significado pode ser interpretado da mesma forma tanto de frente para trás quanto de trás para frente. Começamos como terminamos; terminamos como começamos. Essa é a vida. É ao meio que devemos nos agarrar. […] O luto é mais difícil para aqueles que ficam para trás. [...] Quem decide quem vive e quem morre? Cuja vida é mais importante do que a de outra pessoa? Todos nós temos família, todos nós temos amigos. [...]. E no seu livro Four Dead Queens (Putnam's, 2019), ela assinala que: […] Às vezes, o fracasso é o começo do sucesso. [...] Deixe o amor guiar seu coração e tudo o mais se encaixará naturalmente. [...].

 

RAIVA DIANTE DA INJUSTIÇA - [...] A raiva transparece no meu trabalho, especialmente quando se trata de trabalhos intelectuais, cinematográficos ou criativos – a criatividade é uma expressão que nasce da motivação. Minha motivação é a raiva diante da injustiça. É algo que não consigo suportar [...] Para mim, a maneira como lidei com diferentes formas de opressão, assédio e abuso na infância foi sendo criativa. Esse foi meu principal método de sobrevivência. Em vez de me desesperar com o estado do mundo, eu escrevia ou criava mais. A raiva não é uma emoção que permanece inalterada durante o processo criativo. Ela se transforma, motiva o processo e, como qualquer movimento, permeia a escrita. Vou lutar contra as injustiças e a opressão do mundo; se você quer oprimir as pessoas, negue-lhes o direito de ler, escrever, publicar e serem ouvidas. O silenciamento das pessoas anda de mãos dadas com a opressão e o genocídio. A proteção da literatura de uma cultura é muito importante para mim. [....]. Trechos da entrevista (Peak, 2022) concedida pela escritora e artista contemporânea indiana-cingapuriana Shubigi Rao.

 

O POEMA PERFORMÁTICO DE LUNA VITROLIRA

as mãos calejadas dizem \ do corte da cana \ carregam entulhos \ e cinco litros d’água \ para sustentar a fome \ nas depressões inundadas \ os passos afundam \ como se afundasse \ um navio negreiro \ com ele \ muitas vidas viraram \ obras de museu: \ um homem sem rosto \ um rosto sem nome \ um nome sem gente \ e sua terra incinerada \ minha família veio num desses \ que não afundou \ com a tempestade \ dispersa \ nossa história enterrou-se \ difícil encontrar os ossos \ e as pedras que dirão de nós \ memória tem águas espessas.

Poema da cantora, poeta, compositora, atriz e pesquisadora Luna Vitrolira, autora do projeto transmídia livro/música/cinema Aquenda- o amor às vezes é isso (2019), idealizadora e coordenadora do projeto “Mulheres de Repente”. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR:

Veja mais sobre MJ Produções, Gabinete de Arte & Amigos da Biblioteca aqui.

 


segunda-feira, novembro 18, 2019

EGON SCHIELE, MARGARET ATWOOD, CHINUA ACHEBE, LERA AUERBACH, BIBLIOTERAPIA & BRINCARTE DO NITOLINO


A ÚLTIMA CARTA DE EGON – (Ao som de Pavane for dead princess, de Maurice Ravel) - Agora tudo passa e as horas fluem lentas. Somente eu, coração geminiano, alma torturada de espantalho no tempo, ocorre o escandaloso olhar para o dentro de tudo diante do espelho, dias a mais ou de menos. Sou todo pensamento e meus olhos veem o que se esconde. Evaporo e expiro, reconheço a mim e ao mundo: os delírios da doença mental do meu pai e os convidados fictícios à mesa posta, os conflitos com a minha mãe, o abandono da infância sombria e Gerti saltitante, a minha vida mais se parece as Leônidas do Tempel-Tuttle. De cada um o seu eu sem nenhuma inibição facial do pudor cristão e a moralidade civilizada, a luz corporal e o seu extremo por linhas e planos distorcidos, o sexo, a púbis, o gestual e os corpos a queimarem consumindo a vida e a sua própria luz na pose tímida moralmente reprimida entre o repreensível e o aceitável por ocres cenários. Todos são eremitas e o amor me conduziu a nada ocultar: a guerra e a pandemia da gripe espanhola, mães mortas, crianças deformadas, famílias miseráveis desnudadas, só eu sei a mulher. Memorações me assaltam: Moa que foi a primeira musa, Wally que foi o meu grande amor e fugiu para nunca mais, os olhos malditos de Tatjana, a agonia de Edith, o pesadelo perpétuo da minha vida, e eu extático diante do estático e do turbulento. Rememoro que fui acusado de sujidades, a obra toda indecente e não corrompi nenhuma criança: a condenação foi a gravura queimada por mais de vinte dias, maltratado pela ignorância assombrosa da pobreza de espirito, a impertinente interrupção gananciosa dos que se intrometem nada perdoável a torcerem o meu explícito e palpável pescoço, só pelo prazer invejoso dos palermas que destroçam a vida e infundem, cabeças-tontas, respeito hipócrita do que não possuem nem compreendem de talento e arte, asnos estúpidos e descerebrados a censurarem e deterioram fixando para trás tão degradante, quando não inúteis, prejudiciais de um mundo decrépito a tremer mesmo que aparentemente tudo pareça em paz e ordem, quanta ignomínia! Todos corrompidos pela paixão que tortura a alma terrivelmente desses sensíveis suicidas condenados ao colapso, prisioneiros e oficiais que pousam na minha lua-de-mel, escoltas para a linha de frente, a inveja da liberdade e eu reduzido a limpar o chão da prisão, juntando cacos de sonhos e nenhum tostão. Tudo passa: estou adoecendo, nem sei se sobrevivo refém da maldição e do poder omnipresente da morte. A desilusão e o desalento, a solidão e o pânico, o mestre morreu, Edith se esvaindo grávida e eu sucumbindo, meu corpo cansado e coroado de flores. Nada mais que a prancheta, o lápis, a folha e o tamborete, a natureza e os contornos, a luz e a escuridão. A nudez é sagrada e eu quase nem vivo mais. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Em algum lugar na parte continental de Lagos, a União Progressista de Umuofia estava promovendo uma reunião de emergência. Umuofia é um vilarejo de língua ibo na Nigéria Oriental e a cidade natal de Obi Okonkwo. Não se trata de um vilarejo especialmente grande, mas seus habitantes o chamam de cidade. Têm muito orgulho de seu passado, quando a cidade era o terror dos vizinhos, antes que o homem branco chegasse e nivelasse todos por baixo. Os umuofianos (é assim que eles se denominam) que deixaram sua cidade natal a fim de arranjar trabalho e se espalharam por cidades da Nigéria inteira encaram a si mesmos como residentes temporários. Voltam para Umuofia de dois em dois anos, mais ou menos, para passar as férias. Quando economizaram dinheiro suficiente, pedem a seus parentes na cidade que encontrem uma esposa para eles, ou então constroem uma casa “de zinco” nas terras da família. Não importa em que local da Nigéria estejam, sempre fundam ali uma filial local da União Progressista de Umuofia. Nas semanas anteriores, a União se reuniu diversas vezes para tratar do caso de Obi Okonkwo. Na primeira reunião, algumas pessoas manifestaram a opinião de que não havia nenhum motivo para a União se preocupar com problemas de um filho pródigo que demonstrara grande desrespeito por ela muito pouco tempo antes. [...]. Trecho da obra A paz dura pouco (Companhia das Letras, 2013), do escritor e crítico literário nigeriano Chinua Achebe (1930-2013), que conta o julgamento de Obi Okonkwo, acusado de aceitar uma propina de valor irrisório, e a escalada de eventos dramáticos e inescapáveis que o levaram ao tribunal. Veja mais aqui.

ALGUEM FALOU: BIBLIOTERAPIA – [...] além do prazer do texto, a leitura oferece ao leitor, por identificação, apropriação e projeção, a possibilidade de descobrir uma segurança material e econômica, uma segurança emocional, uma alternativa à realidade, uma catarse dos conflitos e da agressividade, uma segurança espiritual, um sentimento de pertença, a abertura a outras culturas, sentimentos de amor, comprometimento, superação das dificuldades, valores individuais e pessoais [...] toda a leitura implica um fenômeno de interpretação e a interpretação é, em si, uma terapia. [...] a tese central da biblioterapia é que o ser humano, como criação contínua e em movimento constante, encontra suas forças no processo narrativo-interpretativo da atividade da leitura. [...] para a biblioterapia, a identidade é um não lugar, ser humano é um ser de caminho, um homem em marcha. [...] a leitura é o encontro entre duas subjetividades, a do leitor e a do autor, que se enriquecem mutuamente. [...] a biblioterapia é primariamente uma filosofia existencial e uma filosofia do livro, que sublinha que o homem é um ser dotado de uma relação com o livro. [...]. Trechos extraídos da obra Biblioterapia (Loyola, 1996), do filósofo francês Marc-Alain Ouaknin. Veja mais aqui.

A MÚSICA DE LERA AUERBACH
Tive a sorte de ter alguns professores especiais que queriam compartilhar seus conhecimentos; portanto, grande parte da minha educação foi o 'currículo não oficial'. Isso incluía a música de Schoenberg, Webern e Stravinsky, que era considerado um bandido porque havia emigrado da União Soviética. Trabalho nessas diferentes formas de arte simultaneamente. Tentei várias vezes apenas o foco em uma disciplina, mas toda vez que o fazia, em primeiro lugar, ficava deprimida e, em segundo lugar, a qualidade do que eu estava concentrada não melhorava. De fato, pioraria.
LERA AUERBACH – A arte da premiada compositora, pianista e escritora russa Lera Auerbach, que continua a tradição de compositores virtuosos do piano, com uma música caracterizada pela liberdade estilística e pela justaposição de linguagens tonais e atonais. Veja mais aqui.

A ARTE DE EGON SCHIELE
Sou o mais nobre dos nobres, e o mais humilde dos humildes. Sou humano – amo a morte e amo a vida. O pintor também pode olhar. Ver, porém, é algo mais. Inibir o artista é um crime, é assassinar a vida antes de ela florescer! Tudo está morto vivo.

EGON SCHIELE – A arte do pintor austríaco ligado ao movimento expressionista. Egon Schiele (1890-1918), que teve convivência amorosa com a modelo de sua obra, Wally Neuzil, ocasião em que foi preso por desenhar uma jovem, Tatjana, julgado no tribunal distrital, em St. Pölten e acusado de rapto, de sedução de menor e de possessão negligente de material erótico, passou vinte e quatro dias preso. Em seguida, ao conhecer duas irmãs protestantes, Schiele casou-se com uma delas, Edith Harms (1860-1918), quatro dias antes de ser chamado para cumprir o serviço militar, em Praga. Devido a pandemia de gripe espanhola que matou mais de 20 milhões de vidas na Europa, Edith, grávida de seis meses, sucumbiu à doença e Schiele morreu apenas três dias depois. Ele tinha 28 anos. SOBRE A OBRA E A VIDA DE SCHIELE - Sobre sua obra, encontramos as publicações Egon Schiele's Portraits (New Edition Paperback, 2014), de Alessandra Comini; Egon Schiele: Narcisse écorché (Galimad, 2005), de Jean-Louis Gaillemin; Egon Schiele - the Radical Nude (Paul Holberton, 2014), de Peter Vergo, Gemma Blackshaw e Barnaby Wright; Schiele (Basic Art Series – Taschen, 2018), de Reinhard Steiner; Schiele (Taschen, 2007), de Wolfgang Georg Fischer; Egon Schiele: Erotic Sketches/Erotische Skizzen (Prestel, 2005); Egon Schiele: Drawings & Watercolours: Drawings and Watercolours Hardcover (Thames & Hudson, 2003), de Jane Kallir; Tod und Madchen: Egon Schiele und die Frauen (Boehlau Verlag 2009) de Hilde Berger; Egon Schiele: vida e obra (Könemann, 1999), de K. Artinger; e a dissertação de mestrado Identidade e expressão na obra gráfica de Egon Sschiele (Universidade de Lisboa, 2016), de Melania Alexandra Pereira Ribeiro. FILMES – Sobre sua vida e obra ainda encontrei o drama biográfico Egon Schiele - Exzesse/Egon Schiele: Excess and Punishment (1981), do diretor Herbert Vesely, e outro, o drama/ficção histórica Egon Schiele - Morte e Donzela (2016), dirigido Dieter Berner. Veja mais aqui e aqui

A OBRA DE MARGARET ATWOOD
Escrever é deixar uma marca. É impor ao papel em branco um sinal permanente, é capturar um instante em forma de palavra. Escrever é uma maneira de a voz sobreviver à pessoa. Uma palavra após uma palavra após uma palavra é poder.
A obra da premiadíssima escritora e crítica literária canadense Margaret Atwood aqui e aqui
&
BRINCARTE DO NITOLINO
As novidades do Brincarte do Nitolino com Algodão Doce & Poesia Infantil de Luciah Lopez, Contadores de Histórias, As aventuras de Lunna & muito mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
 


quinta-feira, novembro 22, 2018

MARGARET ATWOOD, TOMOKO MUKAIYAMA, DAVID WALKER & ROBERTA ABREU


SEGUIR ADIANTE – Quantos segredos no meu exílio noites a fio madrugada adentro e as lembranças povoam o menino travesso na beira do rio que me deu a vida e o aprendizado de empinar papagaios, galinha d’água na corrente, a terra batida ao solado dos pés, trelas e folgas aos quatro ventos. Quantas vezes não fui ao brinquedo para saber que outros nem tinham como brincar, e brincávamos todos aos pulos e arengas, apostas e desafios, o que parecia nunca mais acabar. Quantas vezes não me atrepei em muros e galhos seguros à cata das intimidades femininas com suas vestes sumárias a cobrir seus corpos seminus, areando panelas, lavando roupas, tomando banho, nada mais radiante que a exposição de coxas e seios, a findar em carreiras na hora do flagra. Quantas vezes a pedalar pelas ruas enfrentando surpresas juvenis por catombos ou empurrões de corpo, mãos esquentadas na calçada e arranhões arrancando samboques aos joelhos, a fuga dos latidos e a pressa de ir pra casa me livrar de reprimendas e castigos. Tantas não foram sob o céu nublado de nuvens carregadas inaugurando a temporada no inferno e o vento úmido anunciando a invernada que me faria doravante sobrevivente das horas mais periclitantes. Quantos segredos guardados na cidade que gemia aos golpes da tirania, com todos os arroubos da violência e na violação dos direitos, tiros e lâminas entre os dentes que rangem outros temores e a minha morada mais parecia um navio que ia a pique, quilha partida, para que eu e muitos procurassem salvação à deriva no mar aberto de todas as adversidades. A cidade antes minha cada vez mais estranha e eu estrangeiro ao desalento pelo sufoco de mercenários déspotas esquentados pelo álcool sobre os submissos antepassados e nenhum gesto esboçado, a tomar de mim e de todos o que era de todos a sumir na festança invisível. Era ali que aprendia indignação com as invectivas das víboras com seus pretextos obsequiosos de tramar travessia a pregar zis peças e minha gente embotada levando corda para farsantes truculentos e nada mais era que um deserto das miragens coloridas. Não me podia dar de ombros e reduzir-me ao silênci0, nem queria, nem me fazia alheio a tudo com olhos túmidos e tímidos salvando as nesgas de sonho entre mãos e abraços, e por quimeras que julgava a hora certa e passavam incólumes pro desapontamento, outras vezes vinham incendiando os ânimos para serem jamais. Tantos segredos esquecidos na memória e os anos se passaram acumulando o arrastado e aprendia às duras penas a lição que não devia. E aprendi de verdade o temperamento ameno pelas bênçãos de Deus e mil vezes abençoado na perseverança por duros labores, não podia me acomodar e nenhuma queixa nos lábios quando tudo saía errado e até algumas vezes dava certo quase nenhuma, assobiando de contentamento por ter que enfrentar sempre e a cada dia com bonomia entre mutirões na inexprimível satisfação de ter o peito aberto paratodos que sequer sabem dos segredos da alvorada e a se valerem da vida após o crepúsculo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] A Natureza exige variedade para homens. [...] As mulheres sabem disso instintivamente. Por que elas compravam tantas roupas diferentes, nos velhos tempos? Para enganar os homens levando-os a pensar que eram várias mulheres diferentes. Uma nova a cada dia. [...] pararei de reclamar, aceitarei meu destino. Eu me sacrificarei. Eu me arrependerei. Abdicarei. Renunciarei. [...] Quero continuar vivendo de qualquer forma que seja. Renuncio a meu corpo voluntariamente para submetê-lo ao uso de outros. Eles podem fazer o que quiserem comigo. Sou abjeta. Sinto, pela primeira vez, o verdadeiro poder deles. [...]
Trechos da obra O conto da Aia (Rocco, 2017), da premiadíssima escritora e crítica literária canadense Margaret Atwood. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista britânico David Walker
Veja mais aqui.

AGENDA:
O novo CD da cantora e compositora Roberta Abreu & muito mais na Agenda aqui.
&
A música é dela, Hermilo Borba Filho, Oswald de Andrade, Alfred Whitehead, Michel Foucault, Irmãos Grimm, Aglaura Catão, Eliane Elias, Terra Chapman & São Joaquim do Monte aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música da pianista, compositora, artista e diretora japonesa Tomoko Mukaiyama: Japanese Erótica, Sonatas de Sofia Gubaidulina, Inner Peace de Vanessa Lan & Op Oerol & muito mais nos mais de 2 milhões & 900 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.


quarta-feira, agosto 31, 2016

MARGARET ATWOOD, ESPINOZA, EDMOND COUCHOT, JACKSON DO PANDEIRO, VICTORIA SELBACH, CORRADINI, ENDEGOR & LEONEL MATTOS


REPENTE QUALQUER JEITO PARA VER COMO É QUE FICA! – Segura a onda que tudo agora é na base do umbigo: se deu, deu; se não deu, é pra ver como é que fica. Eu que não vou nessa. E se vai tocar fogo no circo, saiba de antemão: as consequências são impresíviseis e tudo pode acontecer, inclusive nada. Principalmente se estiver fora da panelinha da corda de algum graúdo guaiamum, aí é preciso ficar atento: nada sai além de farelos da farra dos escolhidos, afora broncas pra bode expiatório. É nessa hora que ou se pula fora ou morre afogado. Saber no que vai dar, ninguém sabe: todo tiro é no escuro - e eu que sou mais que gato escaldado, fico só na coxia me precavendo de culpa perdida que me queiram por carapuça. Hoje até quem não tem nada a ver é quem paga o pato; se for apartar briga, vá precavido: a vítima pode ser quem chega pro deixa disso – desconfie, tramóias e cruzetas a fole. Já vi do muito e sei tão pouco, quase nada: aprendi a ficar na minha, nem oito, nem oitenta, além das medidas e acima, de preferência. Se não der, saio pelas beiradas: nem de lado, nem de banda, escapando. Se for pra passar a limpo, vou firme assumindo todas as responsabilidades, senão pra boi de piranha não há heroísmo, os outros que folgam no óleo de peroba. Já foi o tempo das convicções, hoje reciclo minhas idéias sempre – todo dia administro o volume do lixo. Não tenho nem quero mais certeza alguma, sou interrogações ambulantes, nenhuma resposta e perguntas aos montes – escolho entre as cabíveis e descabidas, quais menos erráticas. Sigo adiante, cruzo caminhos, atravesso encruzilhadas aos pinotes: não há segurança alguma, só se valer do anjo da guarda – se ele não der um cochilo ou sair em férias, considere. Aí, babau. Do contrário, se o sinal estiver fechado, espere a vez dos outros. Quando chegar a sua vez, pouco importa que dê certo ou errado, vá pro tudo ou nada, pro que der e vier. Só conte com o que tem, o resto é conversa fiada. Abra o olho pra tudo e só feche quando quiser saber a verdade. Sorria que de cara feia o mundo está cheínho pela tampa! E se não tiver o que fazer vamos aprumar a conversa & tataritaritatá! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui

 Curtindo os álbuns – box com 6 cds duplos e 3 simples - Jackson do Pandeiro, o rei do ritmo (Universal) e de uma levada só com o livro homônimo de Fernando Moura e Antônio Vicente (Pão de Açúcar, 2001), revivendo a trajetória e os maios sucessos do grande músico, cantor e compositor Jackson do Pandeiro (1919-1982).

PESQUISA: 
A arte atual continua a se insurgir contra todo tipo de especificidade exclusiva e a se abrir a todas as técnicas, a todos os cruzamentos possíveis entre essas técnicas e a todas as experiências estéticas.
Trecho extraído da obra A tecnologia na arte: da fotografia à realidade virtual (EdUFRGS, 2003), do artista digital francês Edmond Couchot que propõe sintetizar a pintura gestual, plástica e cinética no desenvolvimento de uma arte digital ou numérica.

LEITURA 
[...] ele está explicando por que papel higiênico colorido é tão pior do que o branco. Elisabeth sabe que vai ter muito pouco prazer em dormir com ele ou mesmo em fazer a revelaão que foi fazer ali. Talvez nem se dê ao trabalho. Às vezes fica estarrecida com quão longe as pessoas podem ir para enlouquecer. Ela causa espanto a si mesma. [...].
Trecho extraído do romance A vida antes do homem (Rocco, 2005), da premiadíssima escritora e crítica literária canadense Margaret Atwood. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
O homem, enquanto é determinado a fazer alguma coisa pelo fato de ter idéias inadequadas, não se pode dizer absolutamente que age por virtude; mas sim, somente enquanto é determinado pelo fato de ter um conhecimento.
Trecho extraído da obra Da servidão humana ou das forças das afecções (Autêntica, 2009), do filósofo racionalista holandês Baruch de Espinoza (1632-1677). Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA; 
A arte do escultor do rococó veneziano Antonio Corradini (1688-1752).

Veja mais sobre Honoré de Balzac, Erasmo de Roterdã, François Truffaut, Catarina Ribeiro, Vladislav Nagornov, Anna Netrebko, Otto Lingner, Lilith & Camila Diehel, Alienação Social do Trabalho, Fanny Ardant & Sandra Lustosa aqui.

Mais sobre Ovídio, Machado de Assis, Oswald de Andrade, Georges Henri Tribout, Sônia Goulart, Ruy Guerra, Sarah Bernhardt, Julian Mandel, Victor de Aveyron & Célia Lamounier de Araújo aqui.

E mais sobre Eça de Queiroz, Molière, Pietro Ubaldi, Joni Mitchell, Bernardo Bertolucci, Giovanni Battista Tiepolo, Publílio Siro & Thandie Newton aqui e aqui.

DESTAQUE
A arte do fotógrafo Nikolai Endegor.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: The Presence, art by Victoria Selbach
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Arte de Leonel Mattos.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


MÁRIO QUINTANA, ANNE BOYER, KATE MANNE & JONES MANOEL

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Aroma da memória, flor despetalada... – Bella não era Isabella, a cantora perturbada do Blue Velvet . Nem a...