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quinta-feira, junho 04, 2020

ALICE WALKER, ELENA GARRO, EMIL OTTO HOPPÉ, ISOLDA NASCIMENTO & VIDAS IMPORTAM



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: VIDAS IMPORTAM! - Toda a vida é sagrada. Viver é um direito de todo ser. A mim e ao outro, ou outrem, o mesmo direito, a mesma vida. Cada um a sua história: nascer para perpetuar a espécie, viver para inventar mundos e tempos, morrer para compor o inventário humano. Guardo comigo a reflexão da Paulina Chiziane: A vida é como a água, nunca esquece o seu caminho. A água vai para o céu, mas volta a cair na terra. Vai para o subterrâneo, mas volta à superfície. A vida é um eterno ir e voltar. O corpo é apenas uma carcaça onde a alma constrói a sua morada... Aqui o meu e o seu lugar, e o que sou de mim em todos nós, Txai no meu Canto Mapuche, na minha alma caeté! DUAS: O QUE SOU DE TODOS - Não há nada em mim que seja só meu. Foi preciso o amor dos meus pais para que eu existisse, assim como se faz necessária a convivência amorosa para que continue a existir com todos indiscriminadamente. Não há outra alternativa a não ser no amor. Aprendi com Giacomo Casanova: Só é necessário ter coragem e força, sem autoconfiança é inútil. Ódio, no decurso do tempo, mata o infeliz desgraçado que deleita em enfermá-lo no seu seio. Por isso, recito em todo espaço e lugar Vida Verde Viva: o direito de viver e deixar viver! TRÊS: SOMOS TODOS UM – Nasci aqui, mas poderia ter sido em qualquer outro lugar. Assim sou na Austrália, Groenlândia ou na Antarctica, em qualquer dos trópicos, em qualquer ilha remota do planeta, em qualquer rincão. Seja onde for é o meu lugar, nas águas, ventos ou chão. Persigo o que disse Franz Kafka: Não é necessário sair de casa. Permaneça em sua mesa e ouça. Não apenas ouça, mas espere. Não apenas espere, mas fique sozinho em silêncio. Então o mundo se apresentará desmascarado. Em êxtase, se dobrará sobre os seus pés. Quem possui a faculdade de ver a beleza, não envelhece. Com isso canto a minha Crença, assim sou porque somos todos UM! E vamos aprumar a conversa, gente! Até mais ver! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Todo dia ela lê, ela estuda, ela pratica caligrafia, e tentar fazer a gente pensar. Na maioria dos dia eu tô muito cansada pra pensar. Mas Paciência é o outro nome dela. [...] É um milagre como os branco conseguem afligir tanto a gente. [...] Nós não somos brancos. Não somos europeus. Somos pretos que nem os africanos. E nós e os africanos estaremos trabalhando juntos por um objetivo comum: uma vida melhor para os negros do mundo todo. [...] Minha pele é escura. Meu nariz é apenas um nariz. Meu lábio é só um lábio. Meu corpo é só um corpo de mulher passando pelas mudança da idade. Nada especial aqui para alguém amar. Nada de cabelos enrolado cor de mel, nada de bunitinho. Nada novo ou jovem. Mas meu coração deve ser novo e jovem pois parece que ele floresce com a vida. [...]. Trechos da obra A cor púrpura (José Olympio, 2009), da premiada escritora e ativista estadunidense Alice Walker, que trata de questões de discriminação racial e sexual, contando a história de uma mulher negra que foi estuprada pela pai, espancada pelo marido, passando por problemas como pobreza, falta de educação, ausência do Estado e da lei. O volume, ao lado da obra O sol é para todos (José Olympio, 2006), da premiada escritora estadunidense HarperLee (1926-2016), compõem o projeto Vidas negras importam (Jose Olympio, 2019).

O TEATRO DE ELENA GARRO
Uma geração sucede a outra e cada uma repete os atos da anterior. Apenas um instante antes de morrer, ela descobre que era possível sonhar e pintar o mundo à sua maneira, e em seguida acorda e começa um desenho diferente. O amor não existe. Só existe um mundo que trabalha, que vai, que volta, que ganha dinheiro, que usa relógio, que conta os minutos e os centavos e acaba apodrecendo em um buraco, com uma pedra em cima que leva o nome do infeliz. Gostaria de não ter memória ou de me tornar um pó piedoso para escapar da condenação de me olhar. Aqui a ilusão se paga com a vida. Na profundidade da mentira sempre há algo perverso.
ELENA GARRO - A arte da premiada dramaturga, escritora, jornalista e roteirista Elena Garro (1916-1998), que participou do movimento do Realismo Mágico, tendo desenvolvido uma obra independente posteriormente. Veja mais aqui.

A ARTE DE EMIL OTTO HOPPÉ
A arte do fotógrafo e topógrafo alemão Emil Otto Hoppé (1878-1972). Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
A arte da fotógrafa Isolda Nascimento, que é bacharel em fotografia e atua nas áreas de moda e fotografia artística.
&
A obra da poeta Aglaura Catão aqui & aqui.
A música do SaGrama aqui.
A poesia de Rogério Generoso aqui.
A arte do artista visual Ghugha Távora aqui.
Articulação de Mulheres da Mata Sul aqui.
Mapa Cultural de Pernambuco aqui.
&
As tribos de Águas Belas aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


sexta-feira, setembro 22, 2017

GRAMSCI, HILDA HILST, GILVAN LEMOS, RUBEM ALVES, PALMARES & ATONMIRIO BARROS

A RESSURREIÇÃO DO CASANOVA – Uma enchente avassaladora varreu Alagoinhanduba do mapa. Bastou uma barragem duma multinacional que ninguém sabe o nome rachar em bandas, de um tsunami mandar ver levando tudo correnteza abaixo. Milhões de desabrigados, maior tragédia da história. Não sobrou nem lembranças do que era, findando o povo todo ter de morar embaixo da ponte que, de tanto balançar, não cabia mais ninguém pendurado. Com a situação, Zé Peiúdo se aproveitou na maior caranha: vendia tudo por preço exorbitante. Não concorrência, ou comprava, ou comprava. Era de lascar, fazer o quê? Ajuntando uns trocados bons com as negociatas, deu ele de ir tomar já a segunda meiota, quando ouviu pelo nome Casanova. – Ah, esse nome eu conheço, vai dá preu armar em cima. Nem perdeu tempo, foi bordejando entre as mesas e encostou-se numa em que dois estranhos conversavam: - Quem é Casanova? Sou eu. Rapaz, preciso ter uma conversa séria com vosmicê, vamos pra emissora preu entrevistá-lo! Hem? Vambora, venha. E puxou o distinto pela mão, arrastando morro acima, pras instalações do serviço de alto-falantes que ele chamava de AM/FM Alagoinhanduba, coisa de um tico de ouvinte, só ouvida até a primeira esquina no pé da montanha. Apossou-se dum megafone e saiu gritando: - Hoje Casanova faz revelações do estopô calango, exclusividade da sua emissora, a mais ouvida da região. Aos berros, repetia o nome do entrevistado que estranhava aquele estardalhaço todo, principalmente quando ouviu o locutor segredando pra sua banda: - Vamos lá, passe logo todo serviço! Hem? Mal começara a se organizar pra começar o teitei, eis que entra o calunga que lhe cochicha ao ouvido: - A mundiça toda tá aí atrás dum tal de Casanova! Eita, porra! Tenho nada a ver com isso não, vou me esconder. Peraí, rapaz, acalme-se! Calunga, venha cá! Diga! Pegue as armas, vamos enfrentar logo esse povo que deve ter vindo pra capar o rapaz, não podemos deixar acontecer isso. Fique calmo aí que vou resolver isso em dois tempos. Pega aí a Rio Una 12 e os armamentos todos, vamos preparados. Aí lá vem o calunga com um bacamarte, uma garrucha do cano envergado, uma soca-tempero que dispara na base de traque de sala e uma pistola bala U enferrujada, tudo descarregado. Cadê a munição? Tem não. Vixe! Só tem uns peido-de-veia que acho que nem pipoca mais. Eita! E agora? Agora a gente corre. Nada disso, vamos tapiar, a gente faz que está carregado até o tampo e o povo todo corre com o primeiro estalo. Vamos lá! Quando deparou com a populaça toda, ele achou de dar logo uns bregues: - Que é que vocês querem invadindo propriedade privada, hem? É que a gente veio se inscrever na casa nova, é a mesma coisa do Minha Casa, Minha Vida! Vai-te embora comboio de fidapeste! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com o saxofonista, flautista, arranjador e professor de música Mauro Senise interpretando músicas do seu álbum Danças + Alergia de viver, Olinda Guanabara & Chegando a Japeri; da pianista e diretora musical russa Elena Bashkirova interpretando concertos de Mozart, Brahms & Shostakovich; do pianista e compositor Luiz Avellar Improvisando no piano, Rio de Janeiro & bailarina; e a maravilhosa, divertidíssima, engajada, premiada e internacionalzada cantora, violonista e compositora Célia Mara, cantando Solidão Urbana, Anamaria, We’re not alone & Fábrica de armas. Para conferir é só ligar o som e curtir.

A ESCOLA DE GRAMSCI - [...] A escola é o instrumento para elaborar os intelectuais de diversos níveis. A complexidade da função intelectual nos vários Estados pode ser objetivamente medida pela quantidade de escolas especializadas e pela sua hierarquização: quanto mais extensa for a “área” escolar e quanto mais numerosos forem os “graus verticais” da escola, tão mais complexo será o mundo cultural, a civilização, de um determinado Estado [...]. Trechos extraídos dos Cadernos do cárcere (Vol.2 – Civilização Brasileira, 2001), do filósofo, cientista político e comunista italiano, Antonio Gramsci (1891-1937). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

O PAPEL DA CIÊNCIA - [...] Já que a ciência não pode encontrar sua legitimação ao lado do conhecimento, talvez ela pudesse fazer a experiência de tentar encontrar seu sentido ao lado da bondade. Ela poderia, por um pouco, abandonar a obsessão com a verdade e se perguntar sobre seu impacto sobre a vida das pessoas: a preservação da natureza, a saúde dos pobres, a produção de alimentos, o desarmamento dos dragões (sem dúvida, os mais avançados em ciência!), a liberdade, enfim, essa coisa indefinível que se chama felicidade. A bondade não necessita de legitimações epistemológicas. Com Brecht, poderíamos afirmar: “Eu sustento que a única finalidade da ciência está em aliviar a miséria da existência humana”. Trecho extraído da obra Filosofia da ciência: introdução ao jogo e as suas regras (Loyola, 2000), do psicanalista, educador, teólogo e escritor Rubem Alves (1933-2014). Veja mais aqui e aqui.

A LENDA DOS CEM – [...] Da mata chegava outra espécie de alarido. Em coro repicavam as seriemas, as maracanãs se comunicavam aos berros, esvoaçavam ruidosos tetéus; em negro, os urubus; cautelosos, os rapinantes. Abriam caminho aos animais pequenos, que deconsetados deixavam o próprio abrigo á procura de tocas talvez inexistentes. Raposas, como bêbadas, varavam o descampado, coelhos trocavam saltos sem proveito, pebas se topavam cegos, obtusos, enquanto as preás, mais cautelosos, quedavam nas fendas dos pedregais. Mas a ninguém interessava aquilo. [...] Trecho extraído da obra A lenda dos cem (Bagaço, 2008), do premiadíssimo escritor Gilvan Lemos (1928-2015). Veja mais aqui e aqui.

CANTARES DE HILDA HILSTIV – Eu não te vejo / quando teu ódio aflora. / Como poderia / ver teu ódio e a ti. / Iludida / por uma só labareda da memória? / Cegos, não somos dois. / Devorados e vastos / temos um nome: EFÊMEROS. Poema dos Cantares de perda e predileção, extraído da obra Cantares (Globo, 2004), da poeta, dramaturga e ficcionista Hilda Hilst (1930-2004). Veja mais aqui e aqui.

PROFESSORES NA BIBLIOTECA FENELON BARRETO
Participando com professores da rede pública de ensino nos eventos da Biblioteca Fenelon Barreto.

Veja mais:
A arte musical de Elena Bashkirova aqui.
A arte de Mauro Senise aqui e aqui.
A arte da cantora e compositora Célia Mara aqui, aqui e aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

LEMBRANÇAS E TRADIÇÕES DA MATA SUL
Oh oh Palmares, Ô verde azul
Oh oh Palmares!
É capital da Mata Sul
Corre o Rio Una
Grita pela liberdade
No silencio vai em frente
Oh meu Deus que tanta saudade
Nos dias de hoje, já não existe felicidade
Minha paz foi destruída pelo inverno da verdade
Oh oh Palmares, Ô verde azul
Oh oh Palmares!
É capital da Mata Sul
No Redondinho, nas ruas e todas as praças
O povo achava graça e o que é bom existe aqui.
Carrossel, caboclinho de Rabeca,
A bandinha de Veludo
E o guerreiro faz a festa.
Oh oh Palmares, Ô verde azul
Oh oh Palmares!
É capital da Mata Sul
A terra é fértil, as sementes são poéticas
Em cada rua e cada esquina
A história é sempre esta.
A Meia-Noite, cantava o seresteiro
O poema ovacionado pra seu amor verdadeiro.
Oh oh Palmares, Ô verde azul
Oh oh Palmares!
É capital da Mata Sul.
Música & letra de autoria de Atonmirio Barros (Miro Barros), parceiro do escritor Juarez Carlos na peça teatral O Herói Nordestino. Veja a entrevista de ambos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

quarta-feira, maio 07, 2008

CASANOVA, ANTÔNIO CÂNDIDO, ANÍSIO TEIXEIRA, WÄINÖ AALTONEN, LITERÓTICA, COMTE & EDUCAÇÃO

 
A arte do pintor e escultor finlandês Wäinö Aaltonen (1894-1966)

LITERÓTICANA ALCOVA DA MUSA – Os meus lábios requerentes e apaixonados se encaminham para os seus, minha Ishtar nua e descoberta, enquanto meu coração se descabela a quatro mil rpm numa rajada barulhenta da bateria das nossas escolas de samba juntas em plena terça-feira de carnaval do nosso lúbrico amor que incendeia nossas almas e vicia nosso querer constante e obsessivo. E quando os meus e os seus lábios se encontram faíscam relâmpagos violentos de festa em zis fogos de artifícios, acompanhando a tremedeira energizada de todo meu corpo que se apronta para ser eletrocutado pelo prazer da sua obsessão lasciva até nos entregarmos dependentes um do outro na explosão do nosso coito para serenar nossas vidas. E minhas mãos segurarão seu rosto para que os beijos estalem certeiros e, com isso, elas possam explorar sua vitalidade contornando carinhosamente sua beleza anatômica sensual e inquieta, alisando seus braços, seios, quadris, ventre. E podendo sentir seu corpo abrasado no meu com a nudez de nossas almas incendiárias de hipererosia. E você enlouquecendo a se esfregar no meu corpo, saracoteando, dando voltas em si para que eu possa tomar ciência de toda proporção da sua maravilha, para que eu possa morder sua carne e encare suas costas enquanto seu glúteo saboroso rebola no meu membro em riste e eu possa lambuzar com a minha excitação máxima toda a pele sedosa de suas ancas, de sua púbis e do seu prazer. Ah! deusa única e exclusiva do meu panteão, minha nau do prazer, deixa que eu me atire na façanha de tê-la égua da melhor montaria, que eu seja rendido como Enkidu pelo feitiço de seus encantos luxuriosos, que eu me realize no nosso intercurso e me derrame em profusão como um príapo enlouquecido e nessa loucura eu seja o sorvete de morango no seu paladar, e você a calda de ameixa saborosíssima no meu gozar. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


PENSAMENTO DO DIAQuando a luz se extingue, todas as mulheres são iguais, sem amor essa tarefa grandiosa torna-se desprezível, porque ela era bela, porque eu a amava e porque seu encanto nada significaria a menos que tivesse o poder de sufocar toda razão. Pensamento do aventureiro e escritor italiano, Giovani Jacopo Casanova (1725-1798). Veja mais aqui, aqui e aqui.

O AMOR DE COMTE & CLOTILDE – [...] Em outubro de 1844, Augusto Comte encontrar-se-ia com a mulher que iria decidir do sentido dai última fase de sua doutrina. A influência de Clotilde de Vaux seria decisiva para os destinos do positivismo. A admiração que Comte sempre demonstrara pelo catolicismo, também se faria sentir agora, no momento em que êle transforma o seu sistema numa religião, que muito se assemelha, nas fórmulas e na disciplina, ao catolicismo. E' certo que desde os Opúsculos já se assinalava a aptidão do positivismo para uma síntese da qual poderia resultar o estabelecimento de uma verdadeira religião. Mas o que decidia do advento da Religião da Humanidade, seria, além da admiração que o catolicismo inspirava a Augusto Comte, a sua paixão por Clotilde. Foi essa paixão o fator decisivo para o advento de uma religião eminentemente social e política como é a Religião dai Humanidade. A feição mística que esta assumiu, foi devida à "Mulher divina que ele proclamou sua Colega, Inspiradora, bem como seu Juiz Supremo". A mulher, divinizada na figura de Clotilde, terá urna importante missão no positivismo. "Se a nova filosofia não pudesse obter tal apôio (o das mulheres), ela deveria renunciar (à pretensão) de substituir a teologia no seu antigo ofício social. A teoria fundamental do positivismo — diz Augusto Comte — garante a aptidão feminina do positivismo, ainda mais diretamente que a sua eficácia popular. Porque o seu princípio fundamental, a sua maneira de conceber e de tratar o grande problema humano, apenas oferece uma consagração sistemática das disposições que caracterizam espontaneamente as mulheres. A influência sentimental da mulher tem assim, considerável importância na doutrina de Comte, como tivera na sua própria existência. Só pelo exemplo feminino, modelo de amor e devotamento, na opinião de' Comte, — é que a sentimento de solidariedade social poderá progredir. Do mesmo modo que Clotilde influiu sôbre o pensamento de Comte, assim também as mulheres saberão exercer a sua influência para a regeneração social da humanidade. "Fundamentando o conjunto da sã filosofia sôbre a preponderância sistemática do coração, as mulheres são chamadas a formar a parte essencial do novo poder espiritual. A espiritualidade católica só podia ver nelas, poderes auxiliares porque sua fonte direta era independente de seu concurso. Mas a espiritualidade positiva, as aprecia como elemento indispensável, pois elas constituem a representação mais natural e mais pura do seu princípio fundamental [...]. Trecho extraído da obra Progrès de Ia Consdenee dans la Philosophle Oecidontale (Les Presses Universitaires de France, 1953), do professor e filósofo francês Léon Brunschvicg (1869-1944). Veja mais aqui.


A EDUCAÇÃO NO POSITIVISMO DE AUGUSTE COMTE - A educação para o filósofo Auguste Comte, o criador da doutrina da educação universal na filosofia, é chamada de educação positiva, aquela que visa a informar o aluno sobre a ordem, isto é, como o mundo funciona, formando seu caráter, tornando-o mais bondoso. Na educação, isso acarreta ênfase na aferição da eficiência dos métodos de ensino e do desempenho do aluno. Para ele a educação é necessária para se atingir o verdadeiro ensino integral, enciclopédico. Para o Positivismo, a educação resume-se no ensino enciclopédico, útil e verdadeiro, sem teologismo nem metafísica. Isto supõe a subordinação do espírito de detalhe ao de conjunto, da análise à síntese, do progresso à ordem, do egoísmo ao altruísmo, dando à educação um fundamento e um conteúdo ético, que pudesse ser aceito por todos. O seu programa consiste em formar uma consciência moral e social que, desde as bases, pudesse ser inspiradora de todos os idealismo humanos. Isto porque o racionalismo científico é característico do Positivismo, do ponto de vista pedagógico, mas não exclui o valor da instrução humanística, cujas decisões válidas apresentou. Para August Comte, a ciência é a escola da disciplina, porque é organismo de força intelectiva da qual a lógica, o método e as ciências especiais, são leis. O plano geral da educação positivista coloca a arte antes da ciência, com o culto religioso acima do dogma, de maneira a prevenir as dificuldades essenciais. Segundo Comte, na teoria e na prática deve prevalecer o sentimento como fonte normal da sistematização. O objetivo educacional positivista é modificar o mundo para adaptá-lo às necessidades humanas e aperfeiçoar o homem. A participação da inteligência nessa práxis transformadora consiste em esclarecer, reunindo para isso os elementos destinados às previsões. As características desta educação são as seguintes: em primeiro lugar, ela é viável aos dois sexos; a segunda, é que ela está subordinada ao desenvolvimento biológico, já que o estudo do homem e do mundo exterior constituem necessariamente o duplo e o eterno sujeito de todas as concepções filosóficas positivistas; a última característica, é que ela se relaciona à interconexão das leis dos três estados (estado teológico-ficticio, estado metafísico-abstrato e estado positivio-cientifico), com as etapas mentais do desenvolvimento da criança, combinando a estática social com a dinâmica social, ou seja, as leis da ordem com as do progresso. Em sendo o principio fundamental do Positivismo o da primazia da educação para a solução do problema social, devendo o proletariado participar da riqueza intelectual, tanto quanto os detentores do capital (o patriciado), Comte divide a educação positivista em espontânea (educação física e moral, e educação estética) e sistemática (educação intelectual). A educação espontânea – Neste sistema educacional, a primeira fase, que se estende do nascimento à puberdade, deve ser ministrada apenas pela mãe, que deve dirigi-la de modo “inteiramente espontâneo, ao mesmo tempo, física, intelectual e moral” Esta educação exclusivamente familiar deve constituir sobretudo na cultura dos sentidos, no desenvolvimento da destreza natural, pelos jogos, e na aquisição de bons hábitos. Dos sete aos oito anos até a puberdade, a educação, sem cessar de ser doméstica e dirigida pela mãe, mas não mais inteiramente espontânea, tornar-se-á estética, formando-lhe a base do ensino, a poesia, a música e o desenho ou a pintura.. Durante esse período, a cujo ensino, predominantemente artístico, será preciso acrescentar o estudo das línguas; a criança não deve ainda ouvir falar de qualquer das sete ciências da classificação comteana. A educação física e moral – O fulcro da educação positivista está em ver em cada mãe a dirigente perpétua dos filhos. Até a puberdade, devem eles depender, exclusivamente, das mães; e durante o resto da existência, a mãe deve supervisionar sua educação. Assim, nessa primeira fase, a educação deve ser essencialmente afetiva, embora o cultivo do físico da criança deva prevalecer. Aqui, a educação física consistirá menos em um exercício grosseiro dos músculos, e mais na cultura dos sentidos, da destreza, a fim de preparar a criança para a observação e para a ação. Contudo, o Positivismo não dispensa o papel do pai na educação doméstica, como auxiliar da ação materna, pelo criterioso exercício da autoridade. O pai, aconselha Comte, deve educar seus filhos pelo exemplo, pela auto-disciplina, pela atitude correta, pela união de sentimentos, pois o lar sem normas de conduta respeitadas por todos, converter-se-á em foco de desordem e a anarquia da família lhe dará cidadãos desajustados e nocivos à sociedade. Para o Positivismo, o regime pessoal é socialmente instituído pela subordinação do egoísmo ao altruísmo, segundo a lei viver para outrem. O homem isolado não existe, o que existe é a sociedade. O individuo só pode ser encarado como elemento do organismo comunitário, ensina Comte.. O primeiro dever é, pois, viver, mas viver dignamente, viver às claras, concorrendo para a conservação e o aperfeiçoamento da Humanidade. A educação estética - Se a evolução afetiva caracteriza primeira infância e elabora espontaneamente o principal elemento da lógica – os sentimentos -, a segunda infância assinala-se pelo surto estético, que vem aclarar os sentimentos com o segundo elemento lógico: as imagens. A educação estética, que vai dos sete aos catorze anos, começa, também, a sistematizar-se por uma série gradual de estudos regulares, até então interditos, ou seja, a leitura, a escrita, o canto, o desenho, e o ensino das línguas modernas. A educação sistemática - Depois da elaboração dos sentimentos, na primeira infância, e do desenvolvimento da educação estética, por meio do concurso das imagens, finalmente a adolescência completa esse preparo espontâneo, instituindo a lógica universal pelo uso sistemático do terceiro elemento: os sinais, nesta terceira fase, em que será desenvolvido o ensino abstrato, de vez que o cérebro, já educado durante a infância estará apto para o estudo das leis científicas. A característica geral da educação desta fase é desenvolver a razão abstrata, sistematizando os conhecimentos gerais adquiridos na infância. Assim, o ensino deverá consistir principalmente no estudo das leis naturais que regem o mundo e o homem, instruindo-o para a vida ativa. E, o que é muito importante neste momento, a aprendizagem de um ofício, habituando-o para o serviço efetivo na sociedade. O adolescente também inicia o conhecimento de sua própria personalidade e sua função no organismo social. A educação sistemática seguira escrupulosamente a hierarquia das ciências positivas e a ordem lógica de sua filiação, que caracteriza a ordem universal. Comte criticou as classificações propostas nos dois últimos séculos, como as de Bacon e de D’Alembert, que não só desconheciam a matéria, como pecavam pela falta de um critério positivo homogêneo e constante. A base da classificação de Comte, da generalidade decrescente, é um princípio cartesiano, partindo-se dos objetos mais simples para os mais complexos. O problema básico da educação, para Augusto Comte, é o problema da vida humana, ou seja, dentro de sua concepção, a subordinação do egoísmo ao altruísmo. Esse desiderato só será alcançado pela reação da sociedade sobre o indivíduo, pela influência da vida comunitária, sobre a vida individual. Em outros termos, a sociedade terá sempre que influir no educando. Alegando que ainda não prepondera um sistema educativo que ligue a família à sociedade, que vise sempre o social na educação do indivíduo, e que, nos contatos sociais, os pendores egoistas provocam antagonismos individuais que tendem a neutralizá-los, Comte entende que a educação deve ter por fim sistematizar essa reação geral da sociedade sobre a vida individual, preparando especialmente a conduta do individuo. Toda dificuldade educativa está, para ele, em vencer a preponderância dos instintos inferiores. Comte demonstra, assim, a necessidade social de uma educação positiva, sistemática, a fim de preparar o individuo como cidadão consciente. Individuo que se acha intimamente ligado à família, que por sua vez se liga à pátria e, por esta, à Humanidade, que o completa comunitariamente. Veja mais aqui e aqui.

CIÊNCIA E ARTE DE EDUCAR – [...] o processo educativo não pode ter fins elaborados fora dele próprio. Os seus objetivos se contêm dentro do processo e são eles que o fazem educativo. Não podem, portanto, ser elaborados senão pelas próprias pessoas que participam do processo. O educador, o mestre, é uma delas. A sua participação na elaboração desses objetivos não é um privilégio, mas a conseqüência de ser, naquele processo educativo, o participante mais experimentado, e, esperemos, mais sábio. [...]. Trecho extraído da obra Ciência e arte de educar (Educação e Ciências Sociais, 1957), do educador Anísio Teixeira (1900-1971). Veja mais aqui.

A FICÇÃO – [...] A ficção é um lugar ontológico privilegiado: lugar em que o homem pode viver e contemplar, através de personagens variadas, a plenitude da sua condição, e em que, transformando-se imaginariamente no outro, vivendo outros papéis e destacando-se de si mesmo, verifica, realiza e vive a sua condição fundamental de ser autoconsciente e livre, capaz de desdobrar-se, distanciar-se de si mesmo e de objetivar a sua própria situação. [...]. Trecho extraído de As personagens de ficção (Perspectiva, 1972), do poeta, ensaísta, professor universitário e crítico literário Antônio Cândido. Veja mais aqui.


A arte do pintor e escultor finlandês Wäinö Aaltonen (1894-1966)




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Fecamepa: enquanto os caras bufam por aumento no governo, aqui embaixo a gente só paga mico, né? Aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora comemorando com o Tataritaritatá!
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.

MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

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