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quinta-feira, junho 29, 2023

MIA COUTO, ELIZABETH GILBERT, MARKUS ZUSAK, TATIANA LEAL & CONTAR HESTÓRIAS

 

 Imagem: AcervoLAM.

O diálogo interartes existe há tempos, e é uma das vocações da música contemporânea – e digo “contemporânea” não num sentido de gênero ou escola musical, mas de interação e impacto na atualidade. É um caminho sem volta que a pandemia acelerou, essa de pensarmos a música atrelada a um contexto audiovisual e dependente da tecnologia de transmissão, mas acho que é um caminho inclusivo, pois sempre haverá espaço para uma expressão mais “pura” da arte musical, voltada para espaços e perspectivas de escuta tradicionais, como os concertos de música clássica ou mesmo, a audição de um álbum digital.

Pensamento da pianista, compositora, produtora e pesquisadora Lilian Nakahodo, autora dos álbuns e EPs Corpo Urbano (2011), Circo urbano (2015), Vilosidade (2018), Lusco-fusco (2018), Sonhos (2020), No mundo de Maria João (2021) e Outro Piano (2022).

 

HESTORIA DO QUE FUI E VOO – Na correnteza das horas os dias enovelados, o patíbulo e o carrasco: o tempo. A trajetória da semana: do alvo às cinzas, a constatação de fugitivo d’A Invenção de Morel do Bioy Casares. Na minha ilha deserta o vaivém de uma gente insone sem sombra, nem rastro, muito menos reflexo no espelho. Eles relinchavam e espojavam suas dores, carregavam seus pesadelos e lástimas pelas infelicidades recorrentes conservadas nos baús de suas almas selvagens, como se vagassem perdidos noutra ilha: a do Dr. Moreau de H. G. Wells. Passavam, teciam e desteciam delirantes testemunhos de cães espantados nas suas pestanas graves. Não sei o que remoíam tanto, suponho aflições inauditas de sentinelas irredutíveis de uma inventada comoção, a bater o pé na mentira feita verdade pelos cupins da pátria, pelos ratos da nação. Uma gente tortuosa e exangue, mais pareciam mosquitos atazanadores: ansiavam mudança perpetuando o passado a todo instante e pleito, reviviam seu museu ostentatório, puxavam-se uns aos outros aos tropeços loquazes e rangentes, ruminavam suas dúvidas pelas certezas destrambelhadas, falindo seus sonhos vencidos tão bem guardados de os perderem pela primeira fresta da clausura. Chovia perenemente e o abandono do centro se propagava pelos subúrbios e abominações: uma doença misteriosa, a solidão e o esquecimento, resignação e desmoronamento. Eles mantinham a cara pro céu de milagre nenhum, nem se tocavam equivocados a se perderem de vista com suas evidências atrozes. Entre eles o meu exílio n’A Montanha Mágica de Thomas Mann. Talvez fosse a vez do não outra vez e sequer percebia. De repente ela apareceu como quem desceu do Cinturão de Vênus com um chega-pra-cá surpreendente e era Ana Karina belamente nua e alheia, como a Faustine indiferente a se avizinhar com a ameaça do Super El Niño do Pacífico e um eclipse anular, quando, na verdade nada mais era que uma sobrevivente dos atentados às mulheres de Santa Teresa, debulhadas nos crimes insolúveis de Roberto Bolaño. Afinal, sua presença era alvissareira, apesar de fazer pouco caso. Deu meia volta à beira do precipício e me encarou docemente com seu ar Kathleen Burke na pele de Lota, a mulher pantera voluptuosa, pronta para me estraçalhar. Cedi aos seus encantos e me deixei levar por sua sedução, rendido aos seus sutis apelos - mesmo sabendo que nunca mais estiaria ali, o único abrigo possível. Depois de um longo abraço mostrou-me o crepúsculo. Era sinal de que não precisava me levantar, pois estava à beira da tragédia, relegado a Asfódelos e a me fazer tomar na torneira aberta as águas apagadoras da memória. Enfim, anoiteceu com a promessa dela de um outro dia, sabia: era como se eu virasse a cara pro perigo. Nada mais, nada menos. Nem me importei, não esperaria findar, só restava a generosidade dela. Então, preferi nela sonhar voos.

 

DITOS & DESDITOS

Imagem: AcervoLAM.

[...] Provavelmente a felicidade implica sempre uma poesia do mundo. [...] Não vejo outra maneira de reconquistarmos um sentido de felicidade que seja pleno, que não vá por esse caminho de nos restituir um olhar poético. O olhar poético não é alguma coisa que tenha a ver com a poesia escrita ou como gênero literário, mas tem a ver com aceitarmos que essa linguagem dos sonhos é uma linguagem válida, que nos ajuda a ler o mundo. [...].

Trecho extraído do discurso O poder de contar e ouvir histórias (Fronteira, 2017)

do escritor e biólogo moçambicano Mia Couto, falando sobre a importância de escutar histórias para o despertar da criatividade e o desenvolvimento da expressão. Noutro trecho do discurso: Contar história para tomar posse do mundo, ele expressa que: [...] Esta possibilidade de estarmos juntos, à volta das histórias e dos livros, é quase um ato político. Eu vivi num regime de ditadura e até os meus 20 anos era proibido haver ajuntamentos de mais de oito pessoas. Celebrar, conversar, debater ideias e o nosso mundo é já um ato de resistência, em que dizemos: nós estamos aqui. As pessoas começaram a relatar o que haviam sofrido e eu pensava: sou um privilegiado, não vão me deixar entrar. Tive tempo de pensar numa frase – ‘sofri porque vi os outros sofrer’ –, mas quando cheguei lá fiquei engasgado e não disse coisa nenhuma. Um dos homens que estava na mesa perguntou-me: você é aquele jovem que publica poemas no jornal? Então pode entrar, nós precisamos da poesia. Eu comecei por escutar, ainda hoje escrevo porque escuto. Essa dificuldade de nos apagarmos para ouvir realmente o outro, não só a palavra, mas o silêncio do outro, o corpo, as pausas, esse é o segredo. Por outro lado, falta fazer com que a escola seja mais viva, mais inquieta, onde os meninos possam dizer coisas, serem mais sujeitos de si próprios. Somos feitos de histórias, assim como somos feitos de células. [...]. Veja mais aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

 

LEITURA & SOCIALIZAÇÃO – Durante as pesquisas efetuadas merece destaque uma obra importante: A importância do ato de ler (Cortez, 1989), de Paulo Freire. Nela o autor expressa: [...] a leitura crítica da realidade, dando-se num processo de alfabetização ou não e associada sobretudo a certas práticas claramente políticas de mobilização e de organização, pode constituir-se num instrumento para o que Gramsci chamaria de ação contra-hegemônica. Concluindo estas reflexões em torno da importância do ato de ler, que implica sempre percepção critica, interpretação e “re-escrita” do lido, gostaria de dizer que, depois de hesitar um pouco, resolvi adotar o procedimento que usei no tratamento do tema, em consonância com a minha forma de ser e com o que posso fazer [...] O Brasil foi “inventado” de cima para baixo, autoritariamente. Precisamos reinventá-lo em outros termos. [...]. Diante dessas afirmações, duas outras complementaram minhas reflexões. A primeira de Michel Foucault: Existem momentos na vida onde a questão de saber se se pode pensar diferentemente do que se pensa, e perceber diferentemente do que se vê, é indispensável para continuar a olhar ou a refletir. A outra extraída da obra Pedagogia profanadanças piruetas e mascaradas (Autêntica, 1999), de Jorge Larrosa, na qual ele afirma: [...] O sentido do que somos depende das histórias que contamos e das que contamos de nós mesmos [...], em particular das construções narrativas nas quais cada um de nós é ao mesmo tempo, o autor, o narrador e o personagem principal. [...]. E ambas me levaram a uma outra leitura: Dicionário do pensamento social do século XX (Jorge Zahar, 1996), de William Outhwaite: [...] Os processos pelos quais os seres humanos são induzidos a adotar os padrões de comportamento, normas, regras e valores do seu mundo social são denominados socialização. Começam na infância e prosseguem ao longo da vida. A socialização é um processo de aprendizagem que se apóia, em parte, no ensino explicito e, também em parte, na aprendizagem latente – ou seja, na absorção inadvertida de formas consideradas evidentes de relacionamentos com os outros. [...]. Depois da família, as principais agências socializantes nas sociedades ocidentais são: a escola e os grupos dos pares, o ingresso na vida econômica, a exposição aos veículos de comunicação de massa, o estabelecimento de uma família e o casamento, a participação na vida comunitária organizada e, finalmente, as condições de aposentadoria. [...]. Foi com isso que me certifiquei do quão importante é ler e contar hestórias.  Veja mais aqui e aqui.

 

CONTAR & OUVIR HESTÓRIAS – Foi com Mário Vargas Llosa que apreendi: Contar histórias é uma atividade primordial, uma necessidade da existência, uma maneira de suportar a vida. Para conhecer o que somos, como indivíduos e como povos, não temos outro recurso do que sair de nós mesmos e, ajudados pela memória e pela imaginação, projetar-nos nessas ficções; é refazer a experiência, retificar a história real na direção que nossos desejos frustrados, nossos sonhos esfarrapados, nossa alegria ou nossa cólera reclamem. Daí pros estudos de Fanny Abromovich, sobretudo a sua obra Literatura Infantil: gostosuras e bobices (Scipione, 2003), na qual pude apreender: [...] é através de uma história, que se pode descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir, ser, outra ética, outra ótica. É ficar sabendo de história, geografia, filosofia política, sociologia, sem precisar saber o nome disso tudo e muito menos achar que tem cara de aula [...] Contar histórias é uma arte [...] e tão linda! É ela que equilibra o que é ouvido com o que é sentido, e por isso não é nem remotamente declamação ou teatro [...] Ela é o uso simples e harmônico da voz. [...] Ouvir histórias é um momento de gostosura, de prazer de divertimento dos melhores... É encantamento, maravilhamento, sedução [...]. E ela é (ou pode ser) ampliadora de referenciais, postura colocada, inquietude provocada, emoção deflagrada, suspense a serem resolvido, torcida desenfreada, saudades sentidas, lembranças ressuscitadas, caminhos novos apontados, sorriso gargalhado, belezuras desfrutadas e as mil maravilhas mais que uma boa história provoca [...] (desde que seja uma boa história)... Quem não gosta de ouvir ou contar hestórias? Veja mais aqui.

 

VOOS

Imagem: AcervoLAM.

Quando criança bastava dormir \ e logo pular bem alto \ flutuar próximo às nuvens\ demandando apenas um leve impulso\ com o tempo os vôos se tornaram rentes ao chão \ como quem nada em uma piscina rasa\ apesar do grande esforço para pulos mais altos que não\ ganham impulso suficiente para voar\ ainda assim despertavam o desejo de voltar\ enquanto crescia, voar\ mergulhar ou dirigir se confundiam\ mas bastou crescer para que o vôo se tornasse\ o de uma bruxa caricata em sua vassourinha medíocre:\ confuso\ cansativo\ invisível. \ melhor acordar.

Poema da poeta e professora Tatiana Leal.

 

A ASSINATURA DE TODAS AS COISAS – [...] Gostaria de passar o resto dos meus dias em um lugar tão silencioso – e trabalhando em um ritmo tão lento – que pudesse me ouvir vivendo. [...] Leve-me a algum lugar onde possamos ficar juntos em silêncio. [...] Veja, eu nunca senti a necessidade de inventar um mundo além deste mundo, pois este mundo sempre me pareceu grande e bonito o suficiente. Tenho me perguntado por que não é grande e bonito o suficiente para os outros – por que eles devem sonhar com esferas novas e maravilhosas, ou desejar viver em outro lugar, além deste domínio... mas isso não é da minha conta. Somos todos diferentes, suponho. Tudo o que sempre quis foi conhecer este mundo. Posso dizer agora, ao chegar ao meu fim, que sei um pouco mais do que sabia quando cheguei. Além disso, meu pouco conhecimento foi adicionado a todos os outros conhecimentos acumulados da história – adicionados à grande biblioteca, por assim dizer. Isso não é pouca coisa, senhor. Qualquer um que pode dizer tal coisa viveu uma vida feliz. […]. Trechos extraídos da obra The Signature of All Things (Riverhead Books, 2014), da escritora e jornalista estadunidense Elizabeth Gilbert.

 

A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS – [...] Eu queria contar muitas coisas para a menina que roubava livros, sobre beleza e brutalidade. Mas o que eu poderia dizer a ela sobre essas coisas que ela ainda não sabia? Eu queria explicar que estou constantemente superestimando e subestimando a raça humana – que raramente eu simplesmente a estimo. Eu queria perguntar a ela como a mesma coisa poderia ser tão feia e tão gloriosa, e suas palavras e histórias tão condenatórias e brilhantes. [...] Odiei palavras e as amei, e espero tê-las corrigido. [...] Como a maioria das misérias, começou com aparente felicidade. [...] Eu sou assombrado por humanos. [...] Até a morte tem um coração [...] Imagine sorrir depois de um tapa na cara. Então pense em fazê-lo vinte e quatro horas por dia. [...] Ela o beijou longa e suavemente, e quando se afastou, tocou a boca dele com os dedos... Ela não se despediu. Ela era incapaz e, depois de mais alguns minutos ao lado dele, conseguiu se desvencilhar do chão. Espanta-me o que os humanos podem fazer, mesmo quando os riachos correm por seus rostos e eles cambaleiam... […]. Trechos extraídos da obra The Book Thief (Alfred A. Knopf, 2007), do escritor australiano Markus Zusak.

 

Por que inventar estórias quando a mais importante era a minha?

Aprendi os primeiros cantares do povo e armazenei poesia para transfigurar a cidade em que sofri e penei, fui alegre e chocarreiro, feliz e humilhado, transfigurá-la nos meus romances e nas minhas novelas...

Trechos de depoimentos de Hermilo Borba Filho, recolhido da obra Lendo Hermilo Borba Filho: fisionomia e espírito de uma literatura (Atual, 1986), da poeta e professora Sonia van Dijck. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 


 


domingo, junho 27, 2021

EDWIN ROBINSON, JUAN SAUER, MARIA VELHO, HARRY PARTCH, ROB GONSALVES & SOM DA MADEIRA

 

 

TRÍPTICO DQP –- O espelho no travesseiro... - Ao som de Castor & Pollux - A Dance for the Twin Rhythms of Gemini (1952), do compositor estadunidense Harry Partch (1901-1974), na performance do Prism Quartet (2016) - Despertei, acho; ou não, sonhando, talvez. A cena, um libelo a céu aberto e eu não entendia o motivo para tanto, as causas desconhecidas, as ações injustificadas. O que é isso? Ali diante de mim militares truculentos desabrigavam desvalidos. Havia um rumor unânime: a pobreza é suspeita, dela sai latrocidas e outros facínoras. Será? Talvez não, alguém asseverou que era a secular proteção ao patrimônio criminoso dos suntuosíssimos privilégios dos deuses do mundo de hoje. Também acho. Sim ou não, no meio do pandemônio emergiu Bertha von Suttner: A organização militar da nossa sociedade foi fundada sob a negação da possibilidade de paz, desprezando o valor da vida humana e aceitando o desejo de matar. E passou a gritar: Abaixem suas armas: falem para todos, para todos! A guerra é a negação da evolução em todas as direções… Uma imensa ofensa cometida pelo homem de hoje contra o homem de amanhã! Apareceu quem a puxasse livrando-a de uma coronhada, de raspão. Afastei-me para não atingido. A tudo via: resmungos, estapeamentos, arrastados e ordens, uma desordem. Logo, ao lado, apareceu Voltairine de Cleyre engrossando as demandas gritantes: Deuses do Mundo! Suas bocas são idiotas! Suas armas falaram e são pó. Queimem as palavras vivas dos mortos escritas em vermelho. Escrito em vermelho, seu protesto está para os Deuses do Mundo verem! A classe trabalhadora tem de aprender, que seu poder não está necessariamente na força do voto! Empurrões e gestos obscenos, armas em riste. Era tudo muito confuso e eu sabia ali o espelho e o travesseiro: o que de mim diante da crueldade daqueles que pisam seus semelhantes, abrindo caminho às cotoveladas, tudo miseravelmente sujo pelas privações calamitosas, a cidade cheia de conjurações secretas e corrupção ubíqua desvelada fabulosamente, a desintegração da comunidade e a população derrotada pelos desmandos, esmagada entre belicosos, este o porvir. Sei mais nada. Foi Ambrose Bierce quem me alertou: A política é a condução dos negócios públicos para proveito dos particulares. Trouxe-me para um canto e confidenciou: Prudente: um homem que acredita em dez por cento daquilo que ouve, num terço daquilo que lê e em metade daquilo que vê. Assenti como se entendesse e nem ouvia direito a cena atroz, cotidiano para o noticiário. E cá comigo: quantos eus, quantas vidas.

 


Dois mundos aterram-me... - Imagem: arte do artista canadense Rob Gonsalves (1959-2017) – O que de real parece sonho, confundo datas e momentos. A vida é quase a mesma desde que nasci: loucura minha na confusão de outrora e agora - o mundo e seus imperativos ásperos. Restava-me ao menos só e, ao que parece, quase feliz, talvez. Inventei o diário nas minhas horas intermitentes: garranchos rascunhados, nem sei para o que servia. Foi a escritora portuguesa Maria Velho da Costa (1938-2020) quem me deu o mote: Sabe, durante muitos anos mantive um diário. Não que o tenha estudado ou pensado muito, mas uma coisa de que estou convencida é que ao registar por escrito os dias, é como se a memória se desobrigasse. Ouvi e a ela disse da intuição, simples associação livre e isso enquanto eu me via na pele do poeta estadunidense Edwin Arlington Robinson (1869-1935): O mundo não é uma prisão; é um jardim espiritual de crianças, onde milhões de pequenos desnorteados procuram formar a palavra “Deus” com letras erradas. E eu claudicava entre étimos, enquanto elucubrava no meio de solecismos. Estava deveras perdido. Nessa hora o escritor Juan José Sauer (1937-2005) me socorreu: O momento presente não tem outro fundamento a não ser seu parentesco com o passado. E eu não sabia como lidar com tudo isso, havia de fugir na invisibilidade.

 


O defunto LAM... - Imagem: arte da pintora e escritora estadunidense Bunny Pearlman & ao som de Paradoxo, do álbum De ponta cabeça (2015), de Renato Bandeira & Som da Madeira - Ah, seguinte: morri há uns cinco anos, por aí; na verdade, quase seis: um golpe no meu país varou meu coração. Só anteontem me dei conta: não era invisível coisa nenhuma. Era a certidão: bati as botas, de mesmo. Tá. Ainda bem que não tenho mausoléu, nem túmulo algum, muito menos necrológio ou epitáfio: como dissolvi no éter, não sobraram nem cinzas, graças – menos trabalho pros familiares. Como tudo se parecia como se eu estivesse nas páginas do Agá de Hermilo, fiz tal H. G. Wells e lavrei meu auto-obituário ou faz de conta, já tinha ido pro saco mesmo, ora. Era coisa tipo as memórias de Brás do Machado, só que sem valia alguma. Pudera, do que fiz durante a existência, na prova dos nove, dava nada. Além do mais, eu passava e ninguém me via – razão pela qual me achava invisível. Entretanto, mesmo assim, saudava a todos: Bom dia para os defuntos de Scorza. E, com o Literatura: primeiro território livre da América (Mariátegui, 2006), foi ele mesmo quem me disse: As estruturas de poder repousam na infraestrutura da palavra e, ao revés, somente a palavra pode corroer a estrutura de poder. Nenhuma mudança, nenhuma revolução é possível sem imaginações redutíveis às palavras. Para conquistar o paraíso requer imaginá-lo. Ah, do que imaginei, tudo se apagou. E fiquei mudo – logo eu que tinha a língua pelo cotovelo -, tímido, lacônico, esquivo. Relegado ao esquecimento, fugia das palavras hostis, mergulhado em nenhuma contrição de meus fracassos transpassados por sonhos triunfantes. E se parecia tudo muito penoso, não era: quem eu via parecia mais morto que eu. Como durante toda a vida me valia das encontradiças ninfas e bacantes, era o que havia de bom ou sobrava por troco, enquanto gozava da reputação de anarquista por dias sombrios, degenerado pelos detratores. Passou. O que tirei de mim foi a verificação de, mesmo tendo andado mundo afora, jamais transpus os muros do jardim. E foi justamente por isso que voltei à terra natal: um insuportável regresso, qual convalescente. E se fui recusado pelas minhas ilusões mais vãs, não podia mais dormir nem trabalhar, aterrorizado pelo passado que sequer lembrava e temendo o futuro que jamais verei. Coisa de doido. Apesar de tudo, mantenho minha férrea força de vontade diante das adversidades, afinal, como já estiquei as canelas faz tempo, ainda me rio de tudo isso. Até mais ver.

 

Veja mais aqui e aqui.

 


quarta-feira, março 03, 2021

MICHAEL NYMAN, AGNÈS LETESTU, EDUARDO GIANNETTI & TERÇA NEGRA NO RECIFE


 

TRÍPTICO DQC: Filosofia, Ciência & Arte - No último sábado, 27 de fevereiro, atendi o convite do parceiramigo, José Carlos Calheiros, diretor da Escola de Filosofia, Ciência & Política, para desenvolver uma exposição acerca da temática Filosofia, Ciência & Artes no dia a dia das pessoas. Na ocasião iniciei com apresentação com a definição dos termos e uma abordagem histórica e conceitual acerca das três áreas compreendidas, desde a Antiguidade antes e pós gregos, o advento do cartesianismo e o mecanicismo, o dualismo psicofísico, o holismo de Smuts e a holística contemporânea, a quântica, a teoria da relatividade de Einstein e as teorias consequentes, o papel das artes no desenvolvimento humano, a psicanálise de Freud e Carl Jung, a fenomenologia e a pós-modernidade, as neurociências, a hipernormalização e a estupidologia, e as perspectivas humanas diante da pandemia e contexto socioeconômico, confrontando ideias para o dia-a-dia em debates sobre as ocorrências dos dias atuais. Foi um encontro proveitoso por oportunizar que reiterasse as conduções adotadas durante a entrevista que concedi na sexta, dia 26 de fevereiro, ao radialista e advogado Mavio Alves, no programa Falando Sério da Cultura FM, sobre tema similar.

 


DOIS: A rainha de Candaules & O Anel de Giges - Ao som do álbum Gattaca (Virgin, 1997), do compositor minimalista, pianista e musicologista britânico Michael Nyman. - Ao despertar no domingo, meio rouco e indisposto, levantei meio alquebrado e fui depositar os braços cruzados sobre a janela para contemplar a paisagem. Era de descanso e merecido. Logo alguém apareceu e, para meu espanto, era o rei Candaules me saudando: Giges! Quem? Ah, meu predileto, hoje você verá a rainha nua e poderá comprovar tudo que eu disse até hoje sobre a beleza dela. Hum? Sabemos todos que se confia menos nos ouvidos do que nos olhos, então você comprovará o quão estonteantemente bela é a sua rainha e só você terá esse privilégio porque é o único em quem deposito minha total e irrestrita confiança. Você verá: ela é a mais bela, não há outra. Já tenho tudo pronto, venha. Nossa! Sabia que o rei era apaixonadíssimo por ela e a mim confiava os seus mais íntimos pensamentos e confissões. Diante desta situação, não sabia o que fazer. Há tempos ele vinha me provocando para que eu desse um jeito de vê-la nua para confirmar sua formosura. Sabia eu que quando uma mulher se despe não são somente as vestimentas que são removidas, desaparece também o pudor. Precaução nunca seria demais. Resisti o mais que pude, tinha de escapar e não foi possível. Ele insistente então me levou pelo castelo e me escondeu atrás da porta do seu quarto: Fique aí e cuide para que ela não o veja, ouviu? Sim. Ali fiquei quieto, preocupado: em que fui me meter, ora bolas! Ele logo se deitou. Algum tempo se passou e em seguida ouvi passos. Era ela e se aproximou do trono, retirou uma a uma de suas vestes e as depositou sobre ele, ficou completamente despida. Ao afastar-se, desfilou em direção à cama e lá ia a beldade de costas, um espetáculo do universo! Acompanhei cada gesto, cada passo. Deitou-se. Pude ver tudo e esperei um tempo para poder sair. Com a quietude no recinto, antecipei-me e escapuli de fininho, ufa! Nunca mais! E dei-me por livre de tal situação, limpando tudo na mente e esquecendo que um dia ali estive e que nunca a vira. Fiz o que pude para não encontrar o rei com suas perguntas a respeito e tanto me esquivei o quanto pude. Porém, no dia seguinte, lá ia com os meus afazeres para lá e para cá e logo a rainha mandou-me chamar. Já me aprontava para atender-lhe, mas havia alvoroços nas proximidades: notei que ela se aproximava. Mantive a calma e ao vê-la chegar, empurrou-me contra a parede: Ou mata o soberano ou morre. Como? Isso mesmo: ou mata o rei, se apodera de mim e do governo dos lídios, ou terá de morrer agora para nunca mais obedecer ao rei e ver o que não deve. E agora? Assustado só me restava dizer: Majestade. Ela irredutível. Desse momento em diante, todos os dias ela em riste com a ameaça. Vendo-me sem saída, eis que me presenteou o Anel: tome! Sim, exatamente o Gýgou Daktýlios, aquele cobiçado artefato mágico que recebeu menção na História (Nova Fronteira, 2019), de Heródoto e n’ A República (UnB, 1996), de Platão, e que concedia ao possuidor o poder de tornar-se invisível para aprontar, traduzindo a ideia de que a pessoa inteligente, para o filósofo grego, era aquela que seria considerada justa por não temer qualquer má reputação ao cometer injustiças. Sim, sim, aquele mesmo do De Officiis (Clarendon, 1994), de Cícero e também d’O homem invisível (Zahar, 2017), de H. G. Wells. E, mais recentemente, da obra O anel de Giges: uma fantasia ética (Companhia das Letras, 2020), de Eduardo Giannetti: Desde que nos damos por gente, a vida em sociedade nos faz atores; ela nos educa e afia, em atos e palavras, na arte de expor e ocultar. Imagine a existência de um anel que faculte ao seu dono o privilégio de ficar invisível ao olhar alheio: ao simples girar do engaste no dedo a pessoa desaparece e, ao retorná-lo à posição normal, ela volta a ficar visível aos olhos de todos. O anel de Giges é o salvo-conduto da invisibilidade: transparência física, nudez moral. Sim, era a rainha linda&nua, a aliança noitedia e o que será de mim não sei.

 


TRÊS: O cisne & ela - Imagem: a arte da bailarina francesa Agnès Letestu, ao som de O Lago dos Cisnes (1877- Movie Play, 2006), de Tchaikovski, com o Ballet da Ópera Nacional de Paris, regente Vello Pahn. - Ao despertar estava à beira de um lago paradisíaco e do outro lado um belo cisne voava sobre as águas. Fiquei entre surpreso e admirado: uma rara beleza daquela ave. Acompanhei todo o seu percurso e ao contornar, veio pela margem em que me encontrava, dando-me a impressão de que me vira e vinha em minha direção. Ao se encontrar bem próximo a mim, pousando no chão, de repente: não mais cisne, era uma bela mulher nua e assustada com a minha presença. Não vou lhe fazer mal, o que houve? Sou Odette, fui vítima dos horrores de um feiticeiro e tenho apenas algumas horas neste estado, logo tornarei a ser cisne, essa a minha maldição pela eternidade. Este lago foi formado com as lágrimas da minha mãe, é nele que vivo, só me libertarei no dia em que um corajoso me salvar. Vivo a fugir do meu algoz, mas ele me captura e me mantem sob seu jugo. Como? Nem abrira a boca e logo aparecera o feiticeiro Rothbart ao seu encalço. Procuro protegê-la sem nem saber como, abracei seu corpo frágil e forcei a um mergulho comigo. Ela nem teve forças para resistir, desejava livrar-se daquele que a aprisionara. Jogamo-nos às águas e fiz o que pude para nos distanciar daquele asqueroso perseguidor. Não sabíamos nadar, mas consegui arrastá-la segurando um tronco que boiava, alcançamos o rio e descemos pela correnteza até sermos jogados contra a pedraria e sairmos a salvos sem nem saber onde estávamos àquela altura. Recuperamos o fôlego e caminhamos pelo matagal à procura de algum caminho que desse para algum lugar hospedeiro. A certa altura da caminhada, ela procurou descansar em alguma raiz de mangueira exposta. Sentou-se, tocou seu corpo como se interrogasse o que havia acontecido a ela, foi aí que levantou as vistas para mim e disse: Estou desencantada! Abriu um sorriso largo e pulou sobre mim abraçando-me: Ah, Siegfried, meu príncipe! Como foi bom vê-lo à beira do lago para me salvar. E fez dançar ao seu ritmo. Não sabia o que dizer nem fazer, apenas envolvê-la com meus braços e ouvi-la do filósofo francês Émile-Auguste Chartier (1868-1951): Amar é descobrirmos a nossa riqueza fora de nós. É preciso querer ser feliz e contribuir para isso. Se ficarmos na posição do espectador impassível, deixando para a felicidade apenas a entrada livre e as portas abertas, será a tristeza que entrará. E falava e bailava e sorria e me beijava levitando ave solta. Foi então que me beijou novamente as faces e fez um gesto como se livrasse de todos os seus véus para ser minha, e eu comigo, observando aquela beleza toda, como se eu fosse o escritor britânico Arthur Machen (1863-1947): Você pode achar que tudo isso é um absurdo estranho; pode ser estranho, mas é verdade, e os antigos sabiam o que significava levantar o véu. Eles chamaram isso de ver o deus Pan. Sim, era ela agora a amada náiade Sírinx com o presente do Siringe, para que eu possa tocá-la inteira e encantar a vida com um verso do escritor sul-africano Peter Abrahams (1919-2017): Cada homem está deitado sobre o seu povo, sua história, sua cultura e valores. Foi assim que ela tornou-se a minha vida. Até mais ver.

 

TERÇA NEGRA NO RECIFE



A obra Terça Negra no Recife: música, dança, espiritualidade e sagrado (Cepe, 2020), da pesquisadora em Ciências da Religião na Unicap, Lúcia dos Prazeres, reúne histórias sobre o fortalecimento da identidade, cultura e espiritualidade de afro-pernambucanos, vividos a partir da Terça Negra – evento que acontece às terças-feiras à noite no Pátio de São Pedro há 20 anos, iniciada em 2000 e já recebeu mais de 300 grupos, entre afoxés, maracatus, grupos de samba, dança, hip hop, coco, bandas de samba reggae e manguebeat. Na pesquisa destaca a representação dos valores e a cultura africana, em cinco capítulos com as narrativas de 12 personagens que transformaram a experiência do povo negro no Recife e tiveram suas próprias histórias fortalecidas pelos encontros de música e dança no Pátio de São Pedro. São nomes como Vera Baroni, militante do movimento negro e integrante da Casa de Religião de Matriz Africana, Ylê Obá Aganju Ocoloiá; Marta Almeida, militante negra, coordenadora do Movimento Negro Unificado de Pernambuco; Frei Tito, Doutor em Antropologia, com experiência em Antropologia da Religião; e Elza Maria Torres da Silva, sacerdotisa de matriz africana conhecida como Mãe Elza. Veja mais aqui e aqui.


 

sexta-feira, setembro 21, 2018

JOANNA BAILLIE, BATAILLE, WELLS, SCHOPENHAUER, MARINA LIMA, CARMO NINO & ANELISE LORENA


QUEM DE TUDO SABE NADA – Imagem da artista visual Maria do Carmo Nino - Não tivesse o dia feito manhã ensolarada tarde inteira e noite adentro tinha de ser para ficar vigente, não saberia eu que a trapaça servisse à discórdia da injustiça com os dentes cravados na garganta tornada lei sobre tudo e todos. Tudo foi feito para que a mentira soasse por verdadeira entre sofismas e casuísmos à vida assaltada, e não me dizem nada além de urros e onomatopeias aos que nada entendem dessas algaravias com suas ambiguidades de escárnio, porque saltam aos olhos pra quem se faz de surdo e melhor seria se eu não antevisse mesmo nada. É como se a língua secasse o verbo à boca muda diante do túmulo com meu próprio nome e epitáfio inscrito no que podia ser um beijo e passou a ser mordidas na jugular, eu a me debater e ninguém visse porque o inseto faminto picou minha carne e eu cambaleante adoecido me encolhi no primeiro canto para agonizar insepulto até que a carne se esgarçasse ao pó nos ventos. Como negar ao faminto um prato de comida, se uma fera esfomeada tem a mim a sua refeição, ou um quaquilionário glutão conta moeda a cada gota do meu sangue, de quem diferente quando, ao mesmo tempo, o que é de gosto regala o peito e tudo se dana em nome do umbigo. Quem não geme ao primeiro açoite e os olhos doídos nada enxergam da febre que passou como avalanche carregada de presságios e parecia festa antecipando alaridos das dores que explodiam do tutano ao estupor, quando ninguém é de ninguém e salve-se quem puder. Não me sinto como quem não tem nada a ver com isso. Desde sempre fui como uns e outros pela humanidade e uma só vida em comum pelas cavernas e galhos a fugir de predadores e caçando pra sobreviver e matando a sede às águas e se escondendo sob o fogo na escuridão, prontos pro ataque e a defender-se das garras ao bote, carregados de coragem e temores por dias, séculos e milênios, entre trovões e relâmpagos, saques e estampidos, tropeços e quedas. O tempo passou desde remotas eras e ainda mantemos a vigília agora nas portas e janelas fechadas, muros altos, cães de guarda, cercas eletrificadas e rondas policiais: que ninguém leve o que o suor premiou e o que foi conquistado a duras penas, ou do privilégio de acumular o que outros não puderam ou foi tomado pela vantagem de quem descuidou. Ainda bem que não tenho nada, nem olvidei o que seria para todos, enquanto tantos tripudiam sobre a desgraça alheia. A isso meu coração resiste solitário enlouquecido falando pras paredes e sou despedaçado por meus próprios limites inatingíveis e por indeléveis lembranças que atormentam até os ossos, a me deparar com a morte um tanto de vezes de perder a conta. Dela não temo, sei a vida e o que dela sou na minguante travessia. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música da cantora e compositora Marina Lima: MTV Acústico ao vivo, O chamado, Novas Famílias & Acontecimentos & muito mais nos mais de 2 milhões & 600 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS – [...] a esterilidade de suas cabeças lhes aconselha o caminho da negação, e então verdades reconhecidas há muito tempo são negadas, como por exemplo, a força vital, o sistema nervoso simpático, a generatio aequivoca, a distinção de Bichat entre o efeito das paixões e os da inteligência. Propõe-se a volta a um crasso atomismo e coisas do gênero. Assim, o curso da ciência muitas vezes é um retrocesso [...]. Trecho extraído da obra A arte de escrever (L&PM, 2017), do filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860). Veja mais aqui, aqui e aqui.

O SENTIDO DA OBRA DE ARTE - [...] Da multidão dos humanos ainda rudimentares, anteriores aos tempos em que esta ronda animal se formou, encontrámos os vestígios. Mas são principalmente corpos pertencentes como matéria aos seres que foram nossos vizinhos: se as suas ossadas até nós chegaram, comunicam-nos as suas formas endurecidas. Muitos milénios antes de Lascaux (cerca de quinhentos mil anos, sem dúvida) estes bípedes industriosos começaram a povoar a terra. Para além destes ossos fósseis só temos deles os utensílios que nos deixaram. Estes utensílios provam a inteligência destes homens antigos, mas esta inteligência ainda grosseira só estava ligada a objetos como “pedras para atacar”, os estilhaços ou as pontas de sílex que eles utilizavam; a estes objetos ou à atividade objetiva que eles desta forma cumpriam... Antes de Lascaux nunca alcançámos o reflexo desta vida interior que tem na arte — e só na arte — a sua via de comunicação, e da qual ela é no seu calor, senão mesmo na imperecível expressão (estas pinturas e as reproduções que delas fazemos não terão uma vida infinita) a sua perdurável sobrevivência. Parecerá leviano, sem dúvida, conferir à arte este valor decisivo, incomensurável. Mas este longo alcance da arte não será mais sensível na altura em que ela nasceu? Não existe diferença mais acentuada: ela contrapõe à atividade utilitária a figuração inútil destes sinais que seduzem, que nascem da emoção e a ela se dirigem. [...]. Trecho extraído da obra O nascimento da arte (Sistema Solar, 2015), do escritor francês Georges Bataille (1897-1962). Veja mais aqui e aqui.

A MÁQUINA DO TEMPO - [...] Júlia: (Aflita) Meu Deus do céu, Oxalá, energia cósmica controladora do universo... não acredito que estou dizendo isso! Por favor, me ajude a fazer essa máquina funcionar! Eu prometo voltar, eu prometo que vou voltar! Você… vocês sabem, devem ou deveriam saber como vai ser difícil pra mim chegar tão longe, encontrar a solução, encontrar a evolução, o avanço, finalmente um lugar que mereça toda a minha dedicação e ter que voltar! Mas eu prometo, eu prometo voltar se a máquina funcionar! [...] Aqui você tem tudo o que é necessário pra entender como comecei a construir essa máquina. Todos os relatórios das 137 vezes que a máquina explodiu, todas as suas peças que já derreteram e os principais registros dos vazamentos de óleo! Nessa outra pasta, você encontra todas as empresas e instituições que, de algum modo, me ajudaram ao longo desses anos, e nessa vermelha, todas que tentaram atrapalhar o meu projeto. [...] Nossa, que lugar enorme! Parece desproporcional a essas... (hesitante) criaturas. (Pausa) Eu estou aqui pasma com a aparência deles, enquanto eles nem se importam com a minha aparência. Pequenos e frágeis. Talvez ainda existam outros humanos por aqui... Ou será que essas criaturas são a evolução da humanidade? Esse salão parece feito por mãos humanas... Mas veja só essa mesa de mármore, toda rachada! E os vitrais da janela também estão quebrados... Olha só, parece que só comem frutas! Todas as mesas estão cheias de frutas, eles comem com tanta vontade. Será que essas criaturas passam fome? (Pausa) Acho que não, não com esse tanto de frutas… Frutas tão grandes. Isso aqui parece um mamão que cresceu demais! (Risada) Acho que as sementes transgênicas dominaram o mundo e tudo o que plantamos ficou gigante! (Em outro tom) Parece saboroso… [...] Espere aí, Rudá! Não se afaste, preciso te fazer mais perguntas... Que droga... (Pausa) (Consciência) As criaturas já não se interessam mais por mim, nem me olham com surpresa! Já estão todos caindo de sono. Devem ter comido demais. (Bocejo) E eu também estou cansada... A viagem me deixou tão enjoada. Nunca pensei que pudesse sentir uma pressão tão grande contra as minhas orelhas. Comprimia minha cabeça com tanta força que eu achei que fosse espremer meu cérebro! Acho que não aguento outra dessas por enquanto… Preciso descansar. Acho que posso me sentar um pouco aqui... Não vai fazer nenhum mal, eles não estão nem ligando mais pra mim. [...] (Enquanto está andando) Nossa, como a lua está bonita vista daqui desse lugar! Muito cheia, ilumina todo esse gramado como se fosse um monte de refletores! Só não gosto de ver o rosto desta Esfinge horrorosa! Não, ela nem é tão horrível assim, mas o tamanho gigantesco é assustador. Não importa pra que lado eu vá, parece que ela está sempre me olhando; preferia a Alice gritando e derrubando as coisas! (Voz mais alta e meio assustada) Será que estou enlouquecendo aqui nesse lugar? Falando sozinha, brigando comigo mesma... Parece que eu tinha esquecido porque eu vim parar aqui, de onde eu vim, e quem eu sou. E quem eu sou? Passei toda a minha vida com medo de morrer, construindo uma máquina, alimentando a falta da minha mãe, ao invés de tentar superar isso. Quando finalmente consigo viajar na máquina, venho parar num lugar onde as pessoas não sofrem pela morte. Eles pegaram aquele corpo morto sem nenhuma dor, começaram a cantar e dançar, fizeram um corte na barriga daquele pequeno ser e lhe enfiaram sementes de suas frutas. Esse é o futuro. Isso é chocante, nada do que construí e estudei fará sentido para o futuro da humanidade. [...] Trechos da peça teatral A máquina do tempo (Edufba, 2017), do escritor britânico Herbert George Wells (H. G.Wells – 1866-1946). Veja mais aqui.

UM DIA DE VERÃO - As nuvens azuis escuras da noite em linhas escuras, / Atraídos e arranhados no céu mais puro, / Use o roxo da manhã em suas saias. / As estrelas que encheram e brilharam no oeste, / Mas fracamente piscando para o olho firme; / E visto, e desaparecendo, e visto de novo, / Como bandagens mortas, / Eles finalmente aparecem fechados da face do céu; / Enquanto cada chama menor brilhava à noite, / O meteoro impressionante da opção de nuvem, / Que muitas vezes dispara através do céu escuro; / Ou varinha de fogo olhando pelo pântano, / Sorrindo como uma vela em uma cama solitária / Para alegrar as esperanças da safada, / Até mais rápido que a mesma mudança de pensamento, / Ele se move de um lugar para outro, escapa de seu olhar, / E faz com que ele deseje esfregar seus olhos duvidosos; / Ou humilde brilho, ou a mariposa prateada, / Isso enviou um leve tremular no verde, / Todo mundo morre / Por enquanto o sol, lento em sua grandeza, / Acima das montanhas do leste ele levanta a cabeça. / O pano de orvalho se estendia pelo gramado, / O peito liso e claro da piscina estabelecida, / O arado polido no campo distante, / Tome fogo dele, e jogue suas novas vigas / Sobre o olho ofuscado. / Os novos pássaros nos galhos saltam, / suas asas para baixo e eriçar suas penas; / Então estique suas gargantas e afine sua música matinal; / Enquanto majestosos corvos, altos oscilando em suas cabeças. / Nos ramos mais altos, com soberbo orgulho, / Misture seu rouco ronco com a nota de linhagem; / Até se encontrar mais perto em uma banda de sabre, / Eles pegam o vôo para pescar a comida diária. / O trabalhador da aldeia, com mente cuidadosa, / Assim que a luz da manhã aparecer, / Abra seus olhos com o primeiro raio / Isso atravessa a janela do seu berço, / E deixe sua cama fácil; Então no campo, / Com os longos e longos passos, ele os dirige à sua maneira, / Levando sua espada e enxada através de sua máquina, / Visto de longe, claro, olhando para o sol, / E com boa vontade ele começa seu trabalho diário. / O rapaz robusto queimado pelo sol expulsa o gado, / E vaidoso de poder, grite para o atraso, / Quem ficaria para plantar os brotos tenros? / Das verdes sebes tentadoras à medida que passam; / Ou supere os arbustos brilhantes com o seu bastão, / Para agradar sua imaginação com uma chuva de orvalho, / E assustar os pobres pássaros que se escondem lá dentro. / Ao longo da porta aberta, toda a aldeia, / Eles vêem crianças seminuas, meio acordadas /Coçando a cabeça e piscando na luz; / Até que ele acorda gradualmente, eles correm, / Ou rolar ao sol, na areia / Construa uma pequena casa, cuidadosamente / A dona de casa cuida de dentro, de seu cuidado matinal; / E agachando-se entre suas tinas de leite coalhado, / Com muita paciência, desenhe o soro verde claro / Dos lados pressionados pelo puro requeijão nevado; / Enquanto sua empregada morena com covinhas, com uma bainha dobrada, / E o braço inchado, ajuda no seu trabalho. / Os piquetes fumam, os baldes chocalham e a confusão morna / Ainda engrossa neles, até dentro de seu molde / Com as mãos cuidadosas, pressione a coalhada bem forjada / Então vai a manhã, até o sol do poderoso / No topo dos céus ele envia suas vigas fortificadas, / E toda a frescura da manhã fugiu. / O viajante suado joga sua carga, / E ele apoia seu ombro cansado contra uma árvore. / O cavalo ocioso no campo de grama / Rola de costas, nem escuta o trevo tentador. / O pretendente pára seu trabalho e retorna / Lentamente para a casa dele com passos pesados e sóbrios, / Onde no tabuleiro está seu café da manhã pronto, / Convide o olho, e sua esposa alegre direita / Por favor, sirva-o com indiferença boa vontade. / Não há gotas de orvalho que caiam na grama; / Após os passos do cortador com sua foice brilhando, / Na camisa de neve, e o gibão tudo sem abraçar, / O branco move-o sobre a crista, com a curva da lateral, / E coloca a grama ondulada em muitos montes. / Em todo o campo, em todo o pântano pantanoso, / Você ouve a voz alegre da indústria; / A galinha de feno sobe e o ancinho freqüente / Varre o feno amarelo, em coroas grossas, / Deixando o prado verde liso nu para trás. / Os velhos e os jovens, os fracos e fortes estão lá, / E, como você pode, ajude no trabalho feliz. / O pai tira sarro de seu desajeitado garoto meio adulto, / Quem arrasta seu braço astuto no campo, / Ele também não tem medo de pagar. / O oráculo do povo e simples servo / Brinque em seu colo e levante a risada pronta; / Porque lá a autoridade, o favor duro, não franze a testa; / Todos são parceiros na alegria geral, / E feliz complacência mesmo com sua aspereza, / Com olhar calmo ilumina o rosto de cada um. / Alguns mais avançados levantam o trailer de Rick, / Enquanto no topo estão as torradas da paróquia / Com roupas soltas e bochechas coradas; / Com provocação e zombaria inofensiva recebe / As pilhas de jovens marrons abalados e de boca aberta, / Quem acena para ela, pega o alvo errado, / Enquanto metade da carga vem caindo em si. / Sua risada é forte, sua voz é ouvida à distância; / Cada cortador, ocupado no campo distante, / O carter, andando com dificuldade a caminho, / O estridente encontrado sabe, caga seus chapéus no ar, / E rugir pelos campos para pegar seu aviso: / Ela agita o braço e balança a cabeça na direção deles. / E então ele renova seu trabalho com um duplo espírito. / Então eles provocam e riem do seu trabalho, / Até o sol brilhante, cheio em seu curso médio, / Ele atira seus mais ferozes raios, que nenhum pode enfrentar. / O braço mais resistente está pendurado apaticamente ao seu lado, / E os jovens de ombros largos começam a falhar. / Mas para o cansado, eh! O alívio está chegando! / Uma tropa de crianças bem-vinda, no gramado, / Com passos lentos e cautelosos, seus fardos trazem. / Alguns carregam grandes cestos na cabeça, empilhados / Com pilhas de pão de cevada e queijo gorduroso, / E alguns potes cheios de leite e soro refrescante. / Sob os galhos de uma árvore que se estende, / Ou para o lado sombrio do alto / Eles estenderam sua comida caseira e sentaram / Experimente todo o prazer que uma festa pode dar. / Uma indolência dormente agora depende de todos, / E toda criatura procura algum lugar de descanso, / projetando-se da violência do calor opressivo. / Você não vê bandos espalhados no gramado, / Nem os pássaros cantando nos arbustos ouviam. / Dentro da estreita sombra do berço / O cão sonolento está deitado de lado, / Ele nem presta atenção ao passageiro com pés pesados; / Com o barulho dos pés, mas metade das pálpebras, / Então ele dá um grunhido fraco e dorme novamente: / Enquanto pussycat, menos agradável, e na janela escaldante, / Por outro lado, ele fica piscando para o sol. / Não há som além do zumbido da abelha, / Porque ela sozinha não se retira do emprego, / Nem ele deixa uma flor da pradaria sem a necessidade de lucro. / Pesado e lento, então passe as horas do meio dia, / Até que se dobre suavemente em cima do cume / A grama pesada começou a se mexer / E os galhos altos do álamo fino / Suas folhas crocantes tremem no ar. / E respira a brisa que sobe e, com ela, acorda / O espírito desgastado de seu estado de estupor. / A criança preguiçosa brota da sua cama coberta de musgo / Para a borboleta tentadora e marcante, / Quem espalhando suas asas de covarde na grama, / Muitas vezes, luzes na ponta dos dedos, e'en seu vidente, / No entanto, ele ainda escapa de seu aperto, e sobre sua cabeça / Rodadas de luz redondas ou montadas no alto / Tempo seu olho jovem e fadiga seus membros. / O cão druzy, que sente a brisa suave / Ao ouvi-lo, levanta o ouvido peludo, / Comece alongando, com as pernas meio levantadas, / Até totalmente com a cauda vertical arrojada, / Faz a cidade ecoar seu latido. / Mas não vamos esquecer a empregada ocupada / Quem, ao lado do fluxo claro / Estenda seus lençóis cobertos de neve para o sol, / E joga com a mão livre o show / Sobre muitas peças favoritas de trajes justos, / Agitando sua aparência em sua mente / Em todo esse vestido, em alguma feira que está se aproximando. / O sorriso de meio buraco e o lábio mutante / Trair a operação secreta da sua fantasia / E pensamentos lisonjeiros da mente complacente. / Existem gangues perdidas de caras / Entre os arbustos eles tentam seus truques inofensivos; / Enquanto um esportista no riacho raso / Jogue a água chicoteando em torno de suas cabeças, / Ou se esforce com a arte inteligente para pegar a truta, / Ou entre dois dedos, pegue a enguia escorregadia. / O pastor fica cantando na praia / Para passar as horas solitárias e solitárias / Tecer com arte sua pequena coroa de juncos, / Uma coroa simples sem culpa que não fornece nenhum cuidado, / Que tê-lo colocado em sua cabeça, / E pula e pula ao redor, e chora alto / Para algum companheiro, solitário como ele mesmo, / Longe no campo distante; Ou feliz / Ouça o eco da sua própria voz / Resposta de retorno da rocha vizinha, / Ele não tem nenhuma conversa desagradável consigo mesmo. / Agora os trabalhadores cansados percebem bem, / As sombras se alongam e o dia opressivo / Com todo o seu trabalho rápido levando ao fim. / O sol, muito no oeste, com o feixe lateral / Jogue na cabeça amarela da rodada de galo de feno, / E os campos são cheios de formas fantásticas / Ou árvore, ou arbusto, ou portão, ou pedra íngreme, / Tudo o que dura, em antic desproporção, / Na grama escura. / Eles terminam sua longa e dolorosa conversa. / Então, reunindo seus ancinhos e seus casacos espalhados, / Com os pedaços menos volumosos de seu banquete, / Volte com prazer para suas casas pacíficas. / As pessoas solitárias e silenciosas durante o dia, / Recebendo suas bandas alegres dos campos, / Envie seu som, confuso mas alegre; / Enquanto cachorros e crianças, as línguas das donas de casa ansiosas, / E verdadeiras canções de amor, sem qualquer tensão infeliz, / Por dama de voz aguda, na janela aberta cantada; / O rugido das vacas voltando para casa, / O truncamento da fera cai e o sino tilintar / Amarrado ao pescoço de suas ovelhas favoritas, / Não faça qualquer variedade desprezível / Para os ouvidos não muito bem. / Com negligência negligenciando a marcha, a juventude / Sobre a janela aberta de seus amados laços, / E enquanto gira em torno de sua roda zumbindo / Ele desvia com suas inofensivas piadas e insultos. / Perto da porta da cabana, com uma expressão plácida, / O velho senta em seu assento de gramado, / Sua equipe com a cabeça torta colocada ao seu lado, / Que a raça mais jovem em esporte desenfreado, / Jogando ao redor dele, maliciosamente roubando, / E montado, mostre sua equitação / Ao subir ao redor do verão nuvens de areia, / Enquanto ele ainda sorri, no entanto, ele zomba deles para o truque. / Seus fios de prata em seus ombros se espalharam / E não é lamentável a inclinação da sua idade. / Nenhum estrangeiro passa sem consideração; / E todo vizinho pára para desejar-lhe bem, / E pergunte a sua opinião sobre o clima. / Eles não se importam com o comprimento do discurso, / Mas ouça com respeito aos comentários deles / Nas várias estações lembre-se; / Para o bem você sabe os muitos sinais de mergulho / Que fortes ventos fortes, chuva ou seca, / Ou isso deve afetar o cultivo crescente. / Os vestidos de seda, que ostentam cortesmente, / Sua própria fala ainda mais doce para seus ouvidos, / Você pode reclamar da longa história do velho, / Mas aqui não é assim. / Da chaminé, todos os montes de fumaça ondulante / Enlameado e cinzento, do novo fogo; / Na janela fuma todo o jantar da familia / Definido para esfriar a dona de casa atenciosa, / Enquanto os grupos felizes em cada porta se reuniam / Atravessar a estreita faixa de notícias da paróquia, / E muitas vezes o riso explodia no ar. / Mas veja quem vem para colocar todos eles! / O vendedor ambulante com pernas cansadas com sua mochila. / Quão duro ele se inclina sob seu volumoso fardo! / Coberto de poeira, escorregadio e até os cotovelos; / Seu chapéu gorduroso recostou-se em sua cabeça; / Seus cabelos lisos finos divididos em sua testa / Suas bochechas brilhantes pendem de cada lado, / E ay-begone, no entanto vago é o seu rosto. / Sua caixa abre e mostra sua mercadoria. / Cheio de uma fileira variada de pedras preciosas / Ele lança seu brilho deslumbrante para a luz. / Para o olho que deseja a donzela desejando / O colar de rubi mostra seu brilho tentador: / Os botões da China, estampido com dispositivo de amor, / Atrair o anúncio da juventude escancarada; / Enquanto as ligas fluindo, fixadas em um poste, / No ar sua exibição de listras marcantes, / E de longe os distantes se atraem. / As crianças abandonam seu jogo e cercam seu rebanho; / E a avó sóbria e envelhecida deixa seu assento, / Onde a porta enfia seus longos fios, / Seu fuso para, e coloca sua roda de fiar, / Então a multidão curiosa se junta ao passo sedado. / Ele elogia as modas de sua juventude, / E despreza todos os absurdos berrantes do dia; / No entanto, não foi mau o ponto de vista da banda brilhante, / E a mudança de tons com todos os tempos, / Nova medida para cobrir a cabeça de sua filha. / Agora vermelho, mas lânguido, o último fracamente / Do sol que sai, pelo gramado / Profundamente marrom o topo do cume varrido longo, / E jogue um brilho espalhado, brilhante mas triste / Entre as oportunidades das colinas rasgadas; / Que como os olhares de despedida de algum amigo querido, / Que fala gentilmente, mas triste ao sorrir / Mas eles servem apenas para aprofundar o vale baixo, / E faça as sombras da noite mais sombrias. / Os ruídos variados da aldeia alegre / Em graus lentos agora eles simplesmente morrem, / E mais diferente você ouve cada som fraco / Isso gentilmente rouba o anúncio do leito do rio, / Ou a madeira vem com a brisa cintilante. / A névoa branca nasce dos vales pantanosos, / E a mancha achatada do céu / Procure a estrela. / O amante escondido no bosque vizinho, / (Cuja forma semipreparada refletia o ar espesso, / Grande e majestoso, faz o tabuleiro de bordo começar, / E a história do bosque assombrado se estende,) / Maldita seja a coruja, cujo alto clamor de mau presságio / Com despeito incessante, roupas de seu ouvido atento / Os passos conhecidos do teu amado servo; / E inquieto, chaces de seu rosto a noite voam, / Quem zumbindo em torno de sua cabeça, muitas vezes desnatado, / Com a asa flutuante, através da bochecha brilhante: / Para todos, exceto ele em sono profundo e balsâmico / Esqueça as fadigas do dia opressivo; / O fechamento é a porta de todo o berço disperso, / E o silêncio habita no interior. Poema da poeta e dramaturga britânica Joanna Baillie (1762-1851).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista visual Maria do Carmo Nino
Veja mais aqui.

DESTAQUE: ANELISE LORENA
DIANTE DA VERGONHA POLÍTICA, OS FOGOS DE ARTIFÍCIO, DEVERIAM SER SILENCIOSOS - O desrespeito dos políticos para com seus eleitores e com tudo, que vai além do seu 'próprio umbigo', começa no comício com uma enxurrada de fogos, disparados de forma exagerada. Esquecem eles, que nos arredores, existem idosos, crianças, animais, que se assustam com os fogos, que perdem seu habitual sono, que passam, até mal, diante de tal alvoroço. O que vocês querem anunciar com essa barulheira??..A cara lisa de vocês, já conhecida, por todos nós ou querem, encobrir com a zuada, a mesmice e falsidade de seus ultrapassados, discursos? Não tem ninguém, mais besta não! O papel de besta, agora é de vocês! Mas, se eu fosse uma política, (Que DEUS, me defenda), eu faria benfeitorias diárias, semanais, anuais.. Essa seria, minha propaganda! E, se porventura eu tivesse que subir em um palanque, seria como diz a canção.. "De faróis baixos", sem muito alarme, porque, quem faz bem feito, não precisa de 'farol de milha' pra ter sua cara lembrada ou seus feitos reconhecidos Nem precisa prometer nada, pois suas boas ações, já falariam, por si, só e por consequência, seriam aplaudidas em forma de voto no dia da eleição!. Mas, como tudo, nessa vida, tem os dois lados.. O lado bom, disso tudo é que os vendedores dos tais fogos de artifício foram beneficiados e garantiram, por um tempo, seu 'pão de cada dia'. Pena que, diante dos fatos, o futuro 'pão coletivo' dos Brasileiros, talvez não tenha a mesma sorte. E poderemos ser condenados a uma mesa de constante escassez!
Texto da escritora & empresária Anelise Lorena.

AGENDA
Impermanências: apenas recomeços contam, exposição da artista visual Maria do Carmo Nino & muito mais na Agenda aqui.
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Alto do Inglês, Oscar Wilde, Claude Lévi-Strauss, William Carlos Williams, Helen Keller, Victor Hugo, Vilmar Carvalho, Luiz Barreto, Lucia Gaspar, Microfisioterapia, Taiguara, Janine Jansen, Chico Mello & Consuelo de Paula aqui.
&
Um dia & nunca mais, Carlos Heitor Cony, Oliver Sacks, Georges Braque, Michel Melamed, Fome & desnutrição de Bertoldo Kruse Grande de Arruda, Marcus Accioly & Admmauro Gommes, Heitor Pereira, Vânia Bastos, Flávio Guimarães & Jozi Lucka aqui.
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Mas o que é que é isso, minha gente?, Osman Lins, Joham Hölderlin, Proezas do Biritoaldo, Adelbert Von Chamisso, Edward Said, Jean-Michel Basquiat & Raymond Elstad, Elisa Fukuda, Duo Fênix, Leo Brouwer & Jane Monheit aqui.
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O espadachim do canavial, Julio Verne, João Gonçalves, Educação Inclusiva & Biblioteca Fenelon Barreto, Yo Yo Ma, Khatia Buniatishvili, Hélio Delmiro, Tatiana Cobbett & Marcoliva aqui.
 

HILDA HILST, HANNAH CRITCHLOW, DANIELLE STEEL & ONILDO ALMEIDA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Fábula hodierna ... - Dois irmãos uterinos, duas irmãs órfãs consanguíneas. Assim: Prometeu brechava fascín...