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quarta-feira, março 03, 2021

MICHAEL NYMAN, AGNÈS LETESTU, EDUARDO GIANNETTI & TERÇA NEGRA NO RECIFE


 

TRÍPTICO DQC: Filosofia, Ciência & Arte - No último sábado, 27 de fevereiro, atendi o convite do parceiramigo, José Carlos Calheiros, diretor da Escola de Filosofia, Ciência & Política, para desenvolver uma exposição acerca da temática Filosofia, Ciência & Artes no dia a dia das pessoas. Na ocasião iniciei com apresentação com a definição dos termos e uma abordagem histórica e conceitual acerca das três áreas compreendidas, desde a Antiguidade antes e pós gregos, o advento do cartesianismo e o mecanicismo, o dualismo psicofísico, o holismo de Smuts e a holística contemporânea, a quântica, a teoria da relatividade de Einstein e as teorias consequentes, o papel das artes no desenvolvimento humano, a psicanálise de Freud e Carl Jung, a fenomenologia e a pós-modernidade, as neurociências, a hipernormalização e a estupidologia, e as perspectivas humanas diante da pandemia e contexto socioeconômico, confrontando ideias para o dia-a-dia em debates sobre as ocorrências dos dias atuais. Foi um encontro proveitoso por oportunizar que reiterasse as conduções adotadas durante a entrevista que concedi na sexta, dia 26 de fevereiro, ao radialista e advogado Mavio Alves, no programa Falando Sério da Cultura FM, sobre tema similar.

 


DOIS: A rainha de Candaules & O Anel de Giges - Ao som do álbum Gattaca (Virgin, 1997), do compositor minimalista, pianista e musicologista britânico Michael Nyman. - Ao despertar no domingo, meio rouco e indisposto, levantei meio alquebrado e fui depositar os braços cruzados sobre a janela para contemplar a paisagem. Era de descanso e merecido. Logo alguém apareceu e, para meu espanto, era o rei Candaules me saudando: Giges! Quem? Ah, meu predileto, hoje você verá a rainha nua e poderá comprovar tudo que eu disse até hoje sobre a beleza dela. Hum? Sabemos todos que se confia menos nos ouvidos do que nos olhos, então você comprovará o quão estonteantemente bela é a sua rainha e só você terá esse privilégio porque é o único em quem deposito minha total e irrestrita confiança. Você verá: ela é a mais bela, não há outra. Já tenho tudo pronto, venha. Nossa! Sabia que o rei era apaixonadíssimo por ela e a mim confiava os seus mais íntimos pensamentos e confissões. Diante desta situação, não sabia o que fazer. Há tempos ele vinha me provocando para que eu desse um jeito de vê-la nua para confirmar sua formosura. Sabia eu que quando uma mulher se despe não são somente as vestimentas que são removidas, desaparece também o pudor. Precaução nunca seria demais. Resisti o mais que pude, tinha de escapar e não foi possível. Ele insistente então me levou pelo castelo e me escondeu atrás da porta do seu quarto: Fique aí e cuide para que ela não o veja, ouviu? Sim. Ali fiquei quieto, preocupado: em que fui me meter, ora bolas! Ele logo se deitou. Algum tempo se passou e em seguida ouvi passos. Era ela e se aproximou do trono, retirou uma a uma de suas vestes e as depositou sobre ele, ficou completamente despida. Ao afastar-se, desfilou em direção à cama e lá ia a beldade de costas, um espetáculo do universo! Acompanhei cada gesto, cada passo. Deitou-se. Pude ver tudo e esperei um tempo para poder sair. Com a quietude no recinto, antecipei-me e escapuli de fininho, ufa! Nunca mais! E dei-me por livre de tal situação, limpando tudo na mente e esquecendo que um dia ali estive e que nunca a vira. Fiz o que pude para não encontrar o rei com suas perguntas a respeito e tanto me esquivei o quanto pude. Porém, no dia seguinte, lá ia com os meus afazeres para lá e para cá e logo a rainha mandou-me chamar. Já me aprontava para atender-lhe, mas havia alvoroços nas proximidades: notei que ela se aproximava. Mantive a calma e ao vê-la chegar, empurrou-me contra a parede: Ou mata o soberano ou morre. Como? Isso mesmo: ou mata o rei, se apodera de mim e do governo dos lídios, ou terá de morrer agora para nunca mais obedecer ao rei e ver o que não deve. E agora? Assustado só me restava dizer: Majestade. Ela irredutível. Desse momento em diante, todos os dias ela em riste com a ameaça. Vendo-me sem saída, eis que me presenteou o Anel: tome! Sim, exatamente o Gýgou Daktýlios, aquele cobiçado artefato mágico que recebeu menção na História (Nova Fronteira, 2019), de Heródoto e n’ A República (UnB, 1996), de Platão, e que concedia ao possuidor o poder de tornar-se invisível para aprontar, traduzindo a ideia de que a pessoa inteligente, para o filósofo grego, era aquela que seria considerada justa por não temer qualquer má reputação ao cometer injustiças. Sim, sim, aquele mesmo do De Officiis (Clarendon, 1994), de Cícero e também d’O homem invisível (Zahar, 2017), de H. G. Wells. E, mais recentemente, da obra O anel de Giges: uma fantasia ética (Companhia das Letras, 2020), de Eduardo Giannetti: Desde que nos damos por gente, a vida em sociedade nos faz atores; ela nos educa e afia, em atos e palavras, na arte de expor e ocultar. Imagine a existência de um anel que faculte ao seu dono o privilégio de ficar invisível ao olhar alheio: ao simples girar do engaste no dedo a pessoa desaparece e, ao retorná-lo à posição normal, ela volta a ficar visível aos olhos de todos. O anel de Giges é o salvo-conduto da invisibilidade: transparência física, nudez moral. Sim, era a rainha linda&nua, a aliança noitedia e o que será de mim não sei.

 


TRÊS: O cisne & ela - Imagem: a arte da bailarina francesa Agnès Letestu, ao som de O Lago dos Cisnes (1877- Movie Play, 2006), de Tchaikovski, com o Ballet da Ópera Nacional de Paris, regente Vello Pahn. - Ao despertar estava à beira de um lago paradisíaco e do outro lado um belo cisne voava sobre as águas. Fiquei entre surpreso e admirado: uma rara beleza daquela ave. Acompanhei todo o seu percurso e ao contornar, veio pela margem em que me encontrava, dando-me a impressão de que me vira e vinha em minha direção. Ao se encontrar bem próximo a mim, pousando no chão, de repente: não mais cisne, era uma bela mulher nua e assustada com a minha presença. Não vou lhe fazer mal, o que houve? Sou Odette, fui vítima dos horrores de um feiticeiro e tenho apenas algumas horas neste estado, logo tornarei a ser cisne, essa a minha maldição pela eternidade. Este lago foi formado com as lágrimas da minha mãe, é nele que vivo, só me libertarei no dia em que um corajoso me salvar. Vivo a fugir do meu algoz, mas ele me captura e me mantem sob seu jugo. Como? Nem abrira a boca e logo aparecera o feiticeiro Rothbart ao seu encalço. Procuro protegê-la sem nem saber como, abracei seu corpo frágil e forcei a um mergulho comigo. Ela nem teve forças para resistir, desejava livrar-se daquele que a aprisionara. Jogamo-nos às águas e fiz o que pude para nos distanciar daquele asqueroso perseguidor. Não sabíamos nadar, mas consegui arrastá-la segurando um tronco que boiava, alcançamos o rio e descemos pela correnteza até sermos jogados contra a pedraria e sairmos a salvos sem nem saber onde estávamos àquela altura. Recuperamos o fôlego e caminhamos pelo matagal à procura de algum caminho que desse para algum lugar hospedeiro. A certa altura da caminhada, ela procurou descansar em alguma raiz de mangueira exposta. Sentou-se, tocou seu corpo como se interrogasse o que havia acontecido a ela, foi aí que levantou as vistas para mim e disse: Estou desencantada! Abriu um sorriso largo e pulou sobre mim abraçando-me: Ah, Siegfried, meu príncipe! Como foi bom vê-lo à beira do lago para me salvar. E fez dançar ao seu ritmo. Não sabia o que dizer nem fazer, apenas envolvê-la com meus braços e ouvi-la do filósofo francês Émile-Auguste Chartier (1868-1951): Amar é descobrirmos a nossa riqueza fora de nós. É preciso querer ser feliz e contribuir para isso. Se ficarmos na posição do espectador impassível, deixando para a felicidade apenas a entrada livre e as portas abertas, será a tristeza que entrará. E falava e bailava e sorria e me beijava levitando ave solta. Foi então que me beijou novamente as faces e fez um gesto como se livrasse de todos os seus véus para ser minha, e eu comigo, observando aquela beleza toda, como se eu fosse o escritor britânico Arthur Machen (1863-1947): Você pode achar que tudo isso é um absurdo estranho; pode ser estranho, mas é verdade, e os antigos sabiam o que significava levantar o véu. Eles chamaram isso de ver o deus Pan. Sim, era ela agora a amada náiade Sírinx com o presente do Siringe, para que eu possa tocá-la inteira e encantar a vida com um verso do escritor sul-africano Peter Abrahams (1919-2017): Cada homem está deitado sobre o seu povo, sua história, sua cultura e valores. Foi assim que ela tornou-se a minha vida. Até mais ver.

 

TERÇA NEGRA NO RECIFE



A obra Terça Negra no Recife: música, dança, espiritualidade e sagrado (Cepe, 2020), da pesquisadora em Ciências da Religião na Unicap, Lúcia dos Prazeres, reúne histórias sobre o fortalecimento da identidade, cultura e espiritualidade de afro-pernambucanos, vividos a partir da Terça Negra – evento que acontece às terças-feiras à noite no Pátio de São Pedro há 20 anos, iniciada em 2000 e já recebeu mais de 300 grupos, entre afoxés, maracatus, grupos de samba, dança, hip hop, coco, bandas de samba reggae e manguebeat. Na pesquisa destaca a representação dos valores e a cultura africana, em cinco capítulos com as narrativas de 12 personagens que transformaram a experiência do povo negro no Recife e tiveram suas próprias histórias fortalecidas pelos encontros de música e dança no Pátio de São Pedro. São nomes como Vera Baroni, militante do movimento negro e integrante da Casa de Religião de Matriz Africana, Ylê Obá Aganju Ocoloiá; Marta Almeida, militante negra, coordenadora do Movimento Negro Unificado de Pernambuco; Frei Tito, Doutor em Antropologia, com experiência em Antropologia da Religião; e Elza Maria Torres da Silva, sacerdotisa de matriz africana conhecida como Mãe Elza. Veja mais aqui e aqui.


 

segunda-feira, setembro 29, 2014

JENNIFER WEINER, MANOEL DE BARROS, OAKLEY, BLANCHOT, MARIE UNDER, SHIORI TESHIROGI & LITERÓTICA.

 


ELA, CALAMATY JANE... – Soube dela pelo próprio pai à meia idade gabando-se ao nomeá-la mal saída do parto, como se a si fosse no diminutivo: Pereira, o Pereirão, pai; Pereirinha, filha. E batia no peito: a mulher mais macha do mundo, paraibana de lei, brinque não! E narrava sobre os feitos dela como Eduardo Galeano nas Palavras andantes: Conheci a mãe dela num rastapé em Caruaru e com ela virei mundo, de norte a sul das Américas. Embuchei-lhe esperando o primogênito, não foi: a menina rebentou virada feito a capota choca, isso no meio duma noite turvada num sítio de parentes, em Cabedelo. Pelo gênio, logo atinei e sapequei-lhe meu apelido, nome este até hoje conhecida. Cuidei dela como se fosse o meu menino, crescendo firme e destemida. No jardim da infância botava no bolso os meninos maiores no jogo de chimbra e na quebra-de-braço, arte esta que lhe valeu fama. Entre rapazotes respeitavam-na, resolvia tudo na força da munheca e no muque. Quando soube que ela quase moça andava com uma 6,35 no cós da saia, chamei-lhe na grande. Ela só me respondeu ameaçadora que nunca levou nem levaria desaforo pra casa. Envolveu-se com um tenente quando nem tinha tirado ainda a catinga do mijo; depois com um coronel e outras patentes foram por ela levados aos socos de seu punho certeiro. Enfrentava qualquer desafiante, fosse metido a decente ou fora da lei: a valentia servia para passar a limpo qualquer mal-entendido, e se esta lhe faltasse, tudo se resolvia à força da bala. Vi-lhe o cabelo curto, calça comprida colada nas pernas e coxas, bota de salto alto pisando forte, blusa de manga, brincos na orelha, batom vermelho nos lábios e um chega pra lá pra quem ultrapassasse a distância regulamentar. Era de beiço virado mesmo. Tanto é que ainda adolescente caiu no mundo: enfrentou-me de eu tremer na vara de raiva, acovardando-me de umas boas lamboradas de pisa. Bicha braba, arisca. Daquele dia em diante, só ouvia seus feitos. Do relato dele aos boatos graúdos tantas me disseram de quantos não foram nocauteados, quando não baleados, estropiados pela força de seus murros ou calcanhares. De cuspidas na cara, mãozadas no maluvido, às espinhelas envergadas, pescoços quebrados e arreios por chutes no saco, deixando no chão quem a enfrentasse: era ela ao saracoteio das capoeiras ou golpes de uma dessas lutas chinesas, danada. Pois bem de tantas ouvidas e amiudadas, na noite passada, estava eu aboletado virando um copo no social só para clarear as ideias e deixar o tempo passar. Senti, às minhas costas, alguém se aproximar. Só pude identificá-la quando puxou a cadeira e sentou-se à minha mesa: Dá licença? Prazer, Pereirinha Calamity Jane! Nunca a vira antes: era Carrie-Anne Moss em pessoa, ninguém Trinity mais parecida só que pra ela no Velho Oeste. Verdade! Percebi pelos olhares alheios que eu fora o premiado da noite e que não me daria bem a partir de então. Chamou o garçom e pediu-lhe um copo e, ao trazê-lo, encheu com minha cerveja e virou de um só gole. Voltou seu olhar firme ao meu: Vamos dançar? Não ousaria jamais negar. Fomos ao centro do salão escurecido, ela passou-me o braço pelo pescoço colando seus lábios ao meu ouvido, mordiscando-o, suas coxas entre as minhas, seu sexo colou-se ao meu e no passo miúdo da música lenta ela remexia sem sair do lugar. Aquilo eletrizou-me por dentro e logo meu pênis deu sinal de vida insinuando-se ao seu contato. Logo ela percebeu e senti sua mão apertando-o avidamente, enquanto resfolegava ronronando ao meu ouvido. Vamos ali!, ordenou-me levando-me pela mão. Saímos do recinto, dobramos a primeira esquina, eu não conseguia tirar os olhos do meneio de suas nádegas proeminentes na calça justa que delineava o contorno de sua cintura pelas coxas e pernas bem torneadas, o barulho do salto na pisada firme pela calçada, o seu jeito elegante de quase marchar para onde eu sequer sabia. Montou sobre a moto e obrigou-me o garupa, colando-me ao seu corpo, envolvendo meus braços pela sua cintura. Seguimos por algumas quadras, estacionou nas proximidades de uma residência, desmontamos e segui-a abrindo o ferrolho do portão de um muro baixo, virando o trinco da grade de uma varanda mal iluminada e ali com um beijo tórrido me premiou com seus lábios nos meus, já desatacando minha camisa para deslizar suas mãos por meu peito e findar com os braços cruzados em volta do meu pescoço, requebrando aos esfregões do seu ventre contra o meu. Virou-me para a porta da entrada e me empurrou beijoqueira pela sala, empurrando-me ao sofá e se desfazendo de suas próprias vestes para pular sobre mim, completamente nua e a me despir com pressa, descobrindo meu sexo babando aos seus alisados, um beijo de biquinho na ponta da glande, uma lambida de mulher-gato por toda extensão do meu caralho, como se o salivasse e aprontá-lo para a montada certeira de sua vagina quente a galopar-me Martha Jane, amazona guerreira, madrugada adentro de dias sem fim. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Estou bebendo alegria, mas algo em mim quer sofrer assim, é mais astuto do que eu: filtra apenas um pouco da dor da felicidade... Pensamento da poeta estoniana Marie Under (1883-1980). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Tenho muitas áreas para explorar e outras facetas da minha personalidade como artista para apresentar... Pensamento da mangaká japonesa Shiori Teshirogi.

 

MENTE, NÚMEROS & CIÊNCIA – [...] Concentre-se no processo (a maneira como você gasta seu tempo) e não no produto (o que você deseja realizar). Processo, não produto Se você evita certas tarefas porque elas o deixam desconfortável, há uma ótima maneira de reformular as coisas: Aprenda a focar no processo, não no produto [...] Tentar recordar o material que você está tentando aprender – prática de recuperação – é muito mais eficaz do que simplesmente reler o material. [...] Se você proteger sua rotina, eventualmente ela irá protegê-lo. [...] A confusão é uma parte saudável do processo de aprendizagem. Quando os alunos abordam um problema e não sabem como fazê-lo, muitas vezes decidem que não são bons no assunto. Os alunos mais brilhantes, em particular, podem ter dificuldades neste sentido – o facto de passarem rapidamente pelo ensino secundário não lhes deixa motivos para pensar que ficar confuso é normal e necessário. Mas o processo de aprendizagem consiste em sair da confusão. Articular sua pergunta é 80% da batalha. Quando você descobrir o que é confuso, é provável que você mesmo tenha respondido à pergunta! [...] A procrastinação é como o vício. Oferece excitação temporária e alívio da realidade chata [...] A maior mentira de todos os tempos é que a prática leva à perfeição. Não é verdade – a prática torna você melhor. [...] Ser multitarefa significa que você não é capaz de estabelecer conexões completas e ricas em seu pensamento, porque a parte do seu cérebro que ajuda a estabelecer conexões está constantemente sendo afastada antes que as conexões neurais possam ser firmadas. [...]. Trechos extraídos da obra A Mind for Numbers: How to Excel at Math and Science (TarcherPerigee, 2014), da cientista, pesquisadora e professora estadunidense Barbara Oakley. Veja mais aqui.

 

O LIVRO, O TEMPO & O DESERTO – [...] O deserto ainda não é nem o tempo, nem o espaço, mas um espaço sem lugar e um tempo sem engendramento. Nele, pode-se apenas errar, e o tempo que passa nada deixa atrás de si, é um tempo sem passado, sem presente, tempo de uma promessa que só é real no vazio do céu e na esterilidade de uma terra nua, onde o homem nunca está, mas está sempre fora. O deserto é o fora, onde não se pode permanecer, já que estar nele é sempre já estar fora [...]. Trecho extraído da obra O livro por vir (Martins Fontes, 2005), do escritor, ensaísta, romancista e crítico literário Maurice Blanchot (1907-2003). Veja mais aqui e aqui.

 

BOA DE CAMA - [...] Aprendi muito este ano. Aprendi que as coisas nem sempre acontecem como você planejou ou como você acha que deveriam. E aprendi que há coisas que dão errado e que nem sempre são consertadas ou recompostas como eram antes. Aprendi que algumas coisas quebradas permanecem quebradas e aprendi que você pode superar momentos difíceis e continuar procurando por outros melhores, desde que tenha pessoas que amem você [...] O divórcio não é uma tragédia. Uma tragédia é permanecer num casamento infeliz, ensinando aos filhos coisas erradas sobre o amor. Ninguém nunca morreu de divórcio [...] Quando eu tinha cinco anos aprendi a ler. Os livros foram um milagre para mim - páginas brancas, tinta preta e novos mundos e amigos diferentes em cada um. Até hoje, aprecio a sensação de romper um vínculo pela primeira vez, a antecipação de para onde irei e quem encontrarei lá dentro. [...] Ele me ama. Ele me amou, mas não me ama mais e não é o fim do mundo. [...] Se você deseja algo com bastante força, os contos de fadas nos ensinam, você pode consegui-lo no final. Mas quase nunca é como você imaginou e os finais nem sempre são felizes. [...] Amarei a mim mesmo e ao meu corpo pelo que ele pode fazer - porque é forte o suficiente para levantar, caminhar, subir uma colina de bicicleta, abraçar as pessoas que amo e segurá-las totalmente, e nutrir um novo vida. Vou me amar porque sou forte. Porque eu não - não vou - quebrar. [...]. Trechos extraídos Good in Bed (‎Washington Square Press, 2002), da escritora estadunidense Jennifer Weiner. Veja mais aqui.

 

POESIA - No começo era o verbo. \ Só depois é que veio o delírio do verbo. \ O delírio do verbo estava no começo, lá onde a \ criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos. \ A criança não sabe que o verbo escutar não\ funciona para cor, mas para o som.\ Então se a criança muda a função de um\ verbo, ele delira.\ E pois. \ Em poesia que é a voz do poeta, que é a voz \ de fazer – nascimentos \ O verbo tem que pegar delírio. Poema do poeta Manoel de Barros (1916-2014). Veja mais aqui e aqui.

 

HUMOROUTROS


DORO PRESIDENCIÁVEL DÁ UMA DENTRO – Como o Doro presidenciável a não sei quê, sem partido, sem ter onde cair morto, sem eira nem beira, não se conforma de ser candidato sem chapa nem nada, resolveu conferir de perto no Horário Eleitoral Gratuito se por cagada do TSE saía o material e foto dele lá. Pregou o olho na telinha e viu um, outro e tantos candidatos e nada seu. Ouviu tanto a palavra “mudança” que falou: - Isso é mudança ou mundiça?!? Mais reticente que tudo, teve paciência de ficar o tempo todo ouvindo cada um da citada mundiça expressar suas propostas. Depois de tudo, ele esgueirou-se e reafirmando enfaticamente: - Sou mais eu!! -, apoderou-se dum tamborete e, primeira esquina que encontrou, fez um discurso relâmpago largando os seus impropérios misturados aos borborigmos e despautérios. Aí um bêbo lá que passava perguntou: - Cê vai votar mesmo em quem, hem? Na hora deu um branco no quengo dele e berrou: - Golbery Lessa! Foi, deveras, um ato falho. Nem ele mesmo vota nele. Aí o bebo disse: - Entonse, vou votá nesse! E eu também. Veja mais aqui e aqui. 

ÓLEO DE PEROBA – Deu no noticiário que desde julho as fábricas de óleo de peroba tem batido todos os recordes de superávit, ultrapassando o lucro dos bancos, dos planos de saúde, das companhias de seguro e em tudo que se imagine! Um renomado economista salientou que o lucro dessas fábricas nos últimos dois meses, ultrapassaram os lucros de mais de 10 anos acumulados de todos os segmentos sociais. Aí o Doro comentou: - Tomém, meu, com a cara de pau dos políticos cum suas promessa, prurisso num tem óleo de peroba que dê vencimento na maquiagem deles! Veja mais presepada do Doro aqui.

JÁ DIZIA GREGORY BATESON – O biólogo e antropólogo inglês Gregory Bateson (1904 – 1980) pode ser considerado o pai da análise das perturbações mentais na perspectiva de sistema, em que o sujeito perturbado é apenas um componente de uma dinâmica de atividade social já estabilizada. Sabiamente ele chegou a afirmar: “Os processos políticos não são senão fenômenos biológicos, mas qual político sabe disso?" (Gregory Bateson, Passos para uma ecologia da mente). Destá. Veja mais aqui.

LIÇÕES DE LEONTIEV – O psicólogo russo Alexis Nikolaevich Leontiev (1903-1979), no seu livro O desenvolvimento do psiquismo, traz sempre uma colocação apropriada para nosso melhor entendimento, tais como “A consciência individual do homem só pode existir nas condições em que existe a consciência social [...] A linguagem é aquilo através do que se generaliza a experiência da prática socio-histórica da humanidade. [...] O alimento é, sem dúvida, objeto material. No entanto, o significado da palavra alimento não contém um grama de substância alimentícia”. Veja mais aqui.

SACADA DO PINEL – No seu livro Bipsicologia, John P. J. Pinel dá uma sacada arretada: “Você é o produto intelectual de uma cultura que promove formas inconsistentes de pensar inconsistentemente sobre as bases biológicas do comportamento”. Veja mais aqui.
 


CINCO POEMAS & PROSAS LUXURIANTES – REENCONTRO – No reencontro do desejo realizado, \ Em orgasmo de prazer inolvidável, \ Com nuances de confusas escaladas, \ No reencontro da paixão fremente, \ Quero poder usufruir essa hora inadiável. I - Ah, meu amor \ Que gostoso, eu ao seu lado dormindo em conchinha e você se achegando ajeitando seu pênis, ereto “que é todo meu” e só meu, deslizando a se esfregar entre minhas coxas e se acomodar no vão da minha vagina que logo se abriu e abrigou-o, aos remexidos de minha bundinha em seu ventre. Uma delícia! Suas mãos deslizando por todo o meu corpo e o beijo em minha nuca, sentindo meu aroma a inebriá-lo , querendo-me mais que tudo assim como eu já sentindo a sensação mais gostosa do mundo. Maravilhoso, eu acordando, dengosa, mais me encostando em você, arrepiada de desejo, suas mãos tateando na escuridão, meus olhos brilhantes, reflexos de nossa volúpia e do seu jeito carinhoso de me explorar, manusear, recheando-me de carícias, eu tocando a glande do que “que é meu” e só meu e acariciando-o com meus dedos e ele babento e maravilhosamente gostoso. Seus adoráveis beijos em minha nuca e eu me enroscando em você, pedindo para ser penetrada, ajeitando seu” pau duro” e o enfia delirante em minha vagina. E eu pedindo mais, querendo ser mais fodida, seviciada e eu a sua putinha manhosa e fascinante a querer mais e mais porque realmente sou sua “gostesuda” dadeira e quero você muito, muito e você empurrando mais e mais sacolejando e eu completamente enlouquecida. Desejando que nunca acabe de aquele momento e você, dentro de mim, eu gemendo de prazer, a sua putinha que realiza todos os seus desejos. você me fodendo e me levando aos múltiplos gozos e orgasmos estonteantes com o esperma a batizar nosso amor. Delícia maior do universo mesmo, meu amor. O dia amanhecendo com a plenitude da nossa paixão. A maior felicidade do mundo. Eu quero você demais! PERTO DE MIM - No desejo que inunda meu corpo incontrolável, \ Enquanto ouço os ruídos da vida ao lado, \ Concluo que és aquele ser doce e insubstituível,\ E entendo então por que meu coração está parado.\ Eu te sinto como estivesses tão perto de mim,\ Acariciando meu corpo em brasas inteiro,\ E a sensação poderosa é que só vivo assim,\ E teu carinho é sempre indescritível e certeiro.\ Nas horas de loucura e prazerosa alucinação, \ Em que só conseguia sentir intenso prazer,\ O desejo era a única e verdadeira reação,\ Que meu cérebro descontrolado conseguia ver.\ Meus lábios sentem o néctar que absorveu,\ Em horas de carícias em que perdi a razão,\ E naquele momento em que o mundo era meu,\ Elegi como único caminho possível a paixão. II - Ah, você fica de “pau duro” como eu adoro e “o que é meu” recebe meus beijos porque tudo meu é para ele e por ele. Meu olfato, paladares se comprazem e minha língua faz malabarismos com ele chupando-o e muito apaixonada e saboreando-o, e querendo sempre mais. Você que é o meu irresistível sedutor ao qual me rendo tentando enfeitiçá-lo sempre mais e enviando minhas poses e versos que são só desse e para ele para que ele mais não resista. Quero realmente me tornar a putinha mais devastadora, que almeja seu corpo inteirinho e para isso será cortesã, putinha ou rainha depende do que mais desejar. De todos os jeitos e maneiras. Estou sempre disposta a me entregar insinuante e dadeira ajeitando-me para que fique entre minhas coxas que se abrem para recebê-lo enlouquecida de tesão. Quero receber suas peiadas maravilhosas com todas as enfiadas que desejar para mais tê-lo sempre em mim e para mim. Desejo cada momento, cada impulso, onde quiser se insinuar, desnudando cada peça de minha roupa. E é isso mesmo que anseio, Quero-o babento, o dia todo e todo dia. Sedutor gostoso que é só meu. Para sempre! NOSSO AMOR - Não existe desejo mais forte e intenso,\ que me confunde e logo me enterneço,\ aos meus pensamentos eu retorno\ e com tanta intensidade que me confundo.\ vivo dos dias maravilhosos e te procuro,\ entre as lembranças do nosso amor me perco,\ a saudade é intensa e com facilidade lembro,\ e todos os segundos dos nossos dias vivo.\ vontade de te apertar em meus braços desejo\ perdida em poderosa lascívia eu me transtorno\ com a distância  que nos separa e sempre sonho\ com a felicidade que nos aguarda no caminho.\ Gostaria de sentir-te ofegante, transtornado,\ as mãos passeando acariciantes em meu corpo,\ teu pênis ereto penetrando sempre bem dentro\ e chegando ao ápice no abundante gozo.\ sinto enlouquecida no estertor da paixão,\ vibrando em brasa, meu sexo afogueado,\ e só tu podes, de verdade, cessar meu pranto\ e para conter a saudade, lembranças vivencio. III - Sou uma deusa enfeitiçante para seduzi-lo, para que você fique cada vez mais apaixonado e me cobice todos os minutos de sua vida. Me pegue, me cobice, me abrace, beije, desnude, deixe seu coração disparado de paixão e o seu pênis “que é meu” E TODINHO SOMENTE MEU babento, duro cheio de tesão. Sou e vou ser sempre. Rainha poderosa para lhe fascinar, rebolar os quadris, levantar a saia para você perceber o estufadinho da minha calcinha. Sou sim rainha poderosa. Musa poeta, que atiça seu desejo intenso contempla meus olhos brilhantes de amor, minha boca, que lhe beija os lábios e todo o seu corpo “o que é meu” e só meu, o meu sorriso de doçura especial só para você. Que compõe versos para você que saem minha alma, e se infiltram no meu coração e no meu corpo inteiro. O meu canto é seu, minha alegria é sua e também minha inspiração. Quando você passou distante aqueles dias, pela primeira vez eu não conseguia escrever e minha inspiração sofreu uma pausa que nunca tinha ocorrido. AMADO (dedicado ao nosso amor e aos dias vividos) - Ah, como vivi cada segundo daqueles dias \ inesquecíveis em que te beijava e aspirava\ tua respiração sedutora em meu rosto, em meus seios,\ em meu ventre e em todo o caminho do meu corpo.\ os momentos se sucediam e queria muito mais,\ galopando vibrante no caminho da paixão eterna,\ meus lábios a embeberem o lúdico suor do prazer\ que emanava do teu corpo e agonizava na volúpia\ Quero ter-te infindavelmente, e que pudesses me reter,\ sem dia nem hora vivendo em minhas entranhas,\ satisfazendo nossa libertinagem  louca e apaixonada \ não dando tréguas e em lascívia transformado. \ Ah esses dias que meu coração e cérebro retém \ para sempre lembrado em cada gesto teu,\ sentindo o mágico poder de tuas libidinosas mãos\ e vivendo a paixão antes que o mundo acabasse.\ Preciso de tudo que transborda em teu corpo,\ ultrapassando metas para o gozo extremo\ desejo sentir-te sempre extravagante e possessivo,\ no caminho que nos conduz à plenitude.\ Quero-te em cada regozijo a provocar gemidos,\ no deleite tentando apaziguar a efervescência,\ que nos tortura na saudade que não se acalma,\ e na  aflição de ter-te para mim ad aeternum. IV - Eu sou sua putinha mais fascinante, mais dadeira para satisfazer todos os seus desejos mais extravagantes, desnudar-me, ali mesmo no chão e me entregar completamente ao homem maravilhoso e que eu morro de paixão. Estou arrepiada só de pensar nesse momento que será o auge de minha vida, em que realizarei todos os seus desejos e compartilharei as minhas fantasias, em que anseio tê-lo de todas as maneiras, jeitos, formas, de dia, de noite, de manhã ou de madrugada. Quero sentir você, me desnudando toda e retirando a calcinha estufada que guarda a fonte de seus desejos mais enlouquecedores. E então despi-lo com volúpia e posso senti-lo em toda a nudez agarrado a mim se ajeitando entre minhas coxas e sentindo que “o que é meu” e só meu se avoluma, ereto e duro procurando minha vagina febril de desejo. E eu a sua putinha dadeira se convulsiona trepidante a sentir seu pênis ardente para recebê-lo em todas as partes do meu corpo. Fico em brasas com suas investidas priápicas que me enlouquecem e me proporcionam orgasmos sucessivos numa onda de prazeres jamais imaginados. Sou revirada por sua impulsividade e me transtorno no pico de todas as sensações. Você me beija todinha e posso então lamber, chupar e levar seu pênis ao céu da minha boca pressurosa na degustação do meu alvo de prazer infindável. E sentir como se estivesse saboreando um manjar, ao sentir o seu sêmen do amor a me deliciar de gozo jamais sentido, que se transforma num fetiche inesgotável. Mas quero beijá-lo todinho depois de acariciar seus cabelos e percorrer cada parte de seu corpo traduzindo a nossa paixão em toques mágicos e irresistíveis. Quero você sempre e cada vez mais. E sou eu que estarei ao seu lado, pronta para ser tocada e acariciada no seu amanhecer, disposta a recebe-lo em meus braços, a amá-lo e ser desnudada em qualquer canto da sala até chegar ao sofá toda vibrante de desejos, com o olhar expressivo de quem lhe pede o carinho mais abundante em meu corpo. Estarei ali, muito dengosa, toda manhosa a dizer a frase que sai do meu coração. Vem me pegar, porque é tudo que eu quero, peço, desejo sempre. E sei que você vem ao entardecer, E vem, pressuroso alisando minhas pernas priápico e ansiosamente desejando-me para acalmar a ânsia que lhe domina. Alcança meus joelhos e arrança minha calcinha e sutiã, enquanto quase desfaleço de desejo imediato. Vai me pegar todas as noites, beijando-me e se envolvendo em meu corpo tão voluptuoso que pede: Vem me foder. E vai me foder nas madrugadas insinuantes, fodendo-me inteira e enlouquecido, a sua putinha dadeira que lhe deseja irresistivelmente e sempre pedindo a você mais e mais do que nunca acabar de carícias que me deixam alucinada. E seu pênis “que é meu” e só meu invadindo-me, alucinado num entrar e sair que me deixa desvairada de prazer, pedindo-me em transe, que me foda mais e sempre e mais você me fode, entre orgasmos múltiplos e gozos intensos. E sou toda sua inteiramente sua e só sua em carne viva. E para sempre sua putinha tresloucada pedindo sempre mais e sempre, em qualquer lugar e posição, revirada por sua sanha de carícias que absorvo e gemo, querendo sempre mais, em carne viva. Poemas e prosas da escritora Vânia Moreira Diniz. Veja mais aqui.

 


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domingo, setembro 07, 2014

ERICA JONG, FLEUR JAEGGY, DANIÈLE THOMPSON & CAROL BURNETT

 


A VIUVA DA CAUSA – Emily enviuvou e não abdicou da família Stowe, da mesma forma que se manteve Jennings no casamento. Desde Ontário, quando seu pai se converteu ao metodismo, sua mãe manteve a si e as filhas como quakers, estudando na escola estadunidense de Rhode Island. Ao tentar ingressar na faculdade de Ontário foi recusada por ser mulher, matriculando-se noutra escola em Toronto. Formou-se para ocupar a direção de uma escola na sua cidade, a primeira a ocupar tal cargo no Canadá. Tornou-se professora e, além de lecionar, iniciou sua luta pública pela igualdade entre homens e mulheres. Daí então casou-se e, sete anos depois, enviuvou logo após o nascimento da terceira filha. Foi então que se decidiu a ser médica e recebeu a informação do vice-diretor: As portas da universidade não estão abertas para as mulheres e acredito que nunca estarão. Foi então que decidiu se formar nos Estados Unidos, retornando ao seu país natal para inaugurar uma clínica em Toronto. Durante os estudos conhece a ativista Susan Anthony, ocasião em que testemunhou as divisões das sufragistas estadunidense, frequentando clubes femininos de Ohio. Retornou ao seu país para fundar o Clube Literário Feminino de Toronto que, depois, tornou-se em associação pelo sufrágio feminino canadense. Daí, então, desenvolveu um trabalho sobre a saúde da mulher, fez campanha por melhores condições de trabalho e recebeu, finalmente, uma concessão para estudar, tendo em vista a exigência de profissionais com diplomas estrangeiros. Ali enfrentou hostilidades de docentes e discentes, recusando-se a realizar exames orais, decidindo abandonar a escola. O Conselho da classe médica concedeu-lhe licença para praticar a profissão com base na sua experiência homeopática. Tornou-se a primeira mulher a exercer a medicina no Canadá, a segunda a ser licenciada para a profissão no país. Ativista dos direitos e sufrágio da mulher, passou a presidir a Dominio Women’s Enfranchisement Association e denunciou a corrupção de grandes empresas e o governo. Incansavelmente fez campanha para a criação da primeira faculdade de medicina para mulheres, participou da Congresso Feminino da Exposição Universal e aposentou-se depois de ter o quadril quebrado. Não conseguiu presenciar o êxito de suas campanhas, faleceu muito antes. Viva Emily Howard Stowe (1831-1903). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS – Quando nos encontramos com amigos à noite, nossos amigos e nós mesmos não somos a mesma pessoa à tarde. A tarde ou o dia ou o que quer que seja. Porque pensei que todos nós temos poucas escolhas na vida. Acordar de manhã e ir trabalhar não é uma escolha. É uma obrigação... Você pode tomar a decisão de não sair para jantar. Você tem essa escolha. Você pode ligar dizendo que está doente. Estou com dor de cabeça. Eu tenho um problema. Então, se você sair, a educação – o mínimo que você pode fazer é trazer algo de si mesmo. O seu lado mais ensolarado. E é isso que as pessoas fazem. E, portanto, as pessoas mentem. As pessoas fingem. E o que há de adorável nisso é que é uma espécie de pedido de desculpas. É um aspecto da vida que considero muito importante na vida social. Você acredita em si mesmo. Isso faz você se sentir melhor. Você tem uma espécie de entreato. Um intervalo em sua própria vida onde você riu e contou piadas engraçadas, e fingiu que tudo estava indo bem com seu casal, seus filhos e seu trabalho... Escrever o roteiro é um procedimento muito íntimo porque você obviamente cria coisas que tem em mente e há uma liberdade que deve existir... É mais um plano do que um sonho. Quando começamos a rodar um filme, não sabemos como tudo vai correr, se vai ser um sucesso. Estamos constantemente em dúvida. Este é um trabalho dos sonhos, mas todo projeto é bastante imprevisível e cheio de surpresas... Meus filmes sempre foram uma mistura de comédia e algo um pouco triste também. Estou sempre indo de um para o outro. Como roteirista, fiz coisas muito diferentes. Eu realmente passei de um diretor para outro e de um período para outro. Foi muito diversificado. Agora, acho que talvez devesse ir para algo muito diferente e tentar pensar em fazer um filme de época. Veremos... Pensamento da cineasta e roteirista monegasca Danièle Thompson, que dirigiu, entre outros filmes, a premiada comédia romântica Fauteuils d'orchestre (2006), que conta a história de Jessica, interpretada pela belíssima atriz belga Cécile de France, uma jovem que se muda de sua pequena cidade na Borgonha para Paris e lá começar uma vida nova inspirada na sua vó Madame Roux que sempre amou o luxo. Na capital francesa ela encontra dificuldade para encontrar trabalho e passa uma noite sem abrigo, até consegui um emprego de garçonete num pequeno café, o Bar des Théâtres, que seguia a tradição de nunca contratar garçons mulheres. Pois bem, ao ser contratada pelo proprietário que aguardava grandes multidões, por conta das proximidades com o Théâtre des Champs-Élysées e a sala de concertos da Avenue Montaigne. Ela recebe as boas-vindas de uma das funcionárias dos bastidores do teatro, Claudie, oportunidade em que conhece várias pessoas que estão lidando com diversas crises ou mudanças na vida, como por exemplo Catherine, que é uma atriz que foi rotulada por seu papel em uma popular novela de TV e que anseia por fazer um trabalho mais gratificante artisticamente, alternando entre sua novela de TV e a produção de uma peça de Georges Feydean , raramente conseguindo tempo para dormir, exceto em táxis, tendo, inclusive, uma nova oportunidade que surgiu quando o diretor de cinema estadunidense Brian Sobinski chega por ali para lançar um novo filme baseado na vida de Simone de Beauvoir. Outra pessoa que ela conhece é o Jean-François, que é um pianista de renome mundial que não deseja nada mais do que partilhar a sua forma de tocar com aqueles que menos a apreciam e afastar-se dos concertos formais de música clássica, razão pela qual deixa sua esposa Valentine desconcertada e que também é sua empresária, por todo o planejamento que ela fez para sua carreira. Um outro que ela chega a conhecer é Jacques, que é um colecionador de arte que decidiu vender sua coleção no fim da vida, juntamente com seu filho Frédéric que têm um relacionamento um tanto tenso, o que não é ajudado pelo fato de Jacques ter um relacionamento com Valérie, muito mais jovem, com quem o próprio Frédéric já teve um caso, separando-se da esposa. Todos os três enfrentam momentos decisivos em suas vidas na mesma noite, com Jéssica como um fio condutor entre os três. A música do filme é outro importante detalhe do filme: foi composta pelo compositor clássico de trilhas sonoras para filmes e peças de teatro italiano Nicola Piovani, tendo como consultor técnico o pianista francês François-René Duchâble, o qual incorpora o personagem Jean-François Lefort, com elementos das atitudes expressas pelo próprio pianista em relação ao mundo da música clássica. No filme, Jean-François afirma não gostar do estresse e da formalidade do mundo da música clássica e deseja realizar concertos para crianças e doentes, refletindo-se nas declarações públicas que Duchâble fez em anos anteriores. O álbum com a trilha sonora (EQM, 2006) reúne momentos inesquecíveis, com o finale da sonata A tempestade de Beethoven, a Consolação nº 3 de Liszt, duas obras de Bécaud (Solidão não existe e A Rosa é a parte importante), e o piano Concerto 2 de Rachmaninov. Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Comédia é tragédia mais tempo... Brinque, querido, apenas brinque... Ninguém nunca disse que a vida era justa. Apenas agitada. Porque ninguém passa a vida sem cicatriz. Só eu posso mudar minha vida. Ninguém pode fazer isso por mim. Sempre cresci a partir dos meus problemas e desafios, das coisas que não dão certo, foi aí que aprendi de verdade. Dar à luz é como pegar o lábio inferior e forçá-lo sobre a cabeça. As palavras, uma vez impressas, têm vida própria. Quando você tem um sonho, você precisa agarrá-lo e nunca mais largá-lo. Pensamento da atriz, comediante, cantora e escritora estadunidense Carol Burnett, que é autora da obra One More Time: A Memoir (Random House, 2003), expressando que: […] A calçada estava toda rachada e ondulada, como pequenos morros, e as ervas daninhas subiam pelo cimento. De qualquer forma, tive que andar de patins até lá, porque eles não me deixavam perder de vista e podiam me observar do balanço na varanda da frente da velha casa. Era difícil andar de skate lá, e eu continuava caindo e ficando com feridas nos joelhos... Às vezes, quando me deixavam sozinho no 102 para ir à loja, eu ligava o rádio e dançava pela sala. Eu subia nos móveis e pulava do sofá para a cama e para a cadeira, pulando e girando o tempo todo. [...].

 

DOCES DIAS DE DISCIPLINA – [...] Eu ainda pensava que para conseguir algo você tinha que ir direto ao seu objetivo, ao passo que são apenas as distrações, a incerteza, a distância que nos aproximam dos nossos alvos, e então são os alvos que nos atingem. [...] É do conhecimento geral que um novo líder odiará os favoritos dos antecessores. Um internato é como um harém. [...] O vento enrugava o lago escuro e os meus pensamentos enquanto varria as nuvens, cortando-as com o seu machado; entre eles você poderia apenas vislumbrar o Juízo Final, declarando cada um de nós culpado de nada [...] A campainha toca, nos levantamos. A campainha toca novamente, vamos para a cama. Retiramo-nos para os nossos quartos; víamos a vida passar debaixo das nossas janelas, observávamos-na nos livros e nos nossos passeios, observávamos a mudança das estações. Foi sempre um reflexo, um reflexo que parecia congelar no parapeito das nossas janelas... Imaginávamos o mundo. O que mais podemos imaginar agora senão a nossa própria morte? A campainha toca e está tudo acabado [...] Pelo menos para aqueles de nós que passaram nossos melhores anos como internos. Encontramos nossas irmãs em seus rostos. Uma estranha familiaridade nos une, um culto aos mortos. Todas aquelas garotas que conhecíamos se infiltraram em nossas mentes, tornaram-se uma tribo; e eles voltam para nós numa espécie de florescimento póstumo. Empoleirados como estiletes em nossas sobrancelhas, dormindo em uma fileira de camas. Vejo meus pequenos companheiros de quando eu tinha oito anos, em lençóis brancos e brilhantes, com seus sorrisos, suas pálpebras baixas; seu olhar se esvaiu. Dividíamos nossas camas com eles. Também nas prisões os presos não se esquecem dos companheiros de cela. São rostos que alimentaram e devoraram nossos cérebros, nossos olhos. Não há tempo, naquele momento. A infância é antiga. [...] Nossas mentes são uma série de sepulturas numa parede. Nossas não-entidades estão todas lá quando o registro é chamado, criaturas gulosas; às vezes eles voam como abutres para esconder o rosto daqueles que amamos. Uma multidão de rostos habita as sepulturas, um rico pasto. [...]. Trechos extraídos da obra Sweet Days of Discipline (Paperback New Directions, 1993), da escritora suíça Fleur Jaeggy.

 

DOIS POEMAS - O FIM DO MUNDO - Aqui, no fim do mundo, as flores sangram como se fossem corações, \ os corações exalam uma escuridão como tinta nanquim, \ & poetas mergulham suas canetas & eles escrevem. \ "Aqui, no fim do mundo," \ eles escrevem, \ sem saber o que isso significa. \ "Aqui, onde o céu amamenta com leite preto, \ onde a chaminé alimenta o céu, \ onde as árvores tremem de terror \ e as pessoas passam a se parecer com eles... \ "Aqui, no fim do mundo, os poetas estão sangrando. \ Escrevendo e sangrando são considerados iguais; \ cantando e sangrando são considerados iguais. \ Escreva-nos uma carta! \ Envie-nos um pacote de comida! \ Conforte-nos com provérbios ou frutas cristalizadas, \ com falar de um Deus. \ Distraia-nos com teorias da arte ninguém pode provar. \ Aqui no fim do mundo nossas cabeças estão vazias, \ & o vento passa por eles como fantasmas através de uma casa mal-assombrada. AUTOBIOGRÁFICA - O amante nesses poemas sou eu; \ o médico, Amor. \ Ele aparece como marido, amante analista e musa, \ como pai, filho e talvez até Deus e certamente a morte. \ Tudo isso é verdade. \ O homem para quem você recorre no escuro são muitos homens. \ Este é um segredo aberto mulheres compartilham \ e ainda concorda em se esconder \ Até parece eles poderiam então esconder isso de si mesmos. \ Eu não vou me esconder. Escrevo nu. \ Eu cito nomes. Eu sou eu. \ O nome do médico é Amor. Poemas da escritora e educadora estadunidense Erica Jong. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

THOMAS KUNH: A ESTRUTURA DAS REVOLUÇÕES CIENTÍFICAS – O livro A estrutura das revoluções científicas, do físico e filósofo da ciência estadunidense Thomas Samuel Kuhn (1922-1996), aborda temas como a rota e natureza da ciência normal como resolução de quebra-cabeças, a prioridade dos paradigmas, a anomalia e a emergência das descobertas científicas, as crises e a emergência das teorias científicas, a natureza e a necessidade das revoluções científicas, a revoluções como mudanças de concepção de mundo, a invisibilidade das revoluções e sua resolução, o progresso através de revoluções, os paradigmas e a estrutura da comunidade, a constelação dos compromissos de grupo, os exemplos compartilhados, conhecimento tácito e intuição, incomensurabilidade e revoluções, revoluções e relativismo, a natureza da ciência, entre outros assuntos. A FUNÇÃO DO DOGMA NA INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA – A obra A função do dogma na investigação científica de Thomas Kuhn, trata das várias características do que é científico: a objetividade, a dogmatização das ciências, a Física de Aristóteles, o Almagesto de Ptolomeu, os Principia e a Óptica de Newton, a Eletricidade de Franklin, a Química de Lavoisier, a Geologia de Lyell, no estabelecimento de paradigmas, entendendo que o dogma é uma maneira de resolver problemas, de descobrir a verdade a partir da ciência. Para o autor o paradigma deve ter sempre um sentido e uma fonte de pesquisa, para isso ele precisa de liberdade de pesquisa. O seu pensamento filosófico tem como metáfora um quebra-cabeça, que significa que a filosofia é um problema a ser resolvido.Entende que a ciência se divide em: ciência madura que é aquela que é renovada sem serem esquecidos os seus princípios e que depende do dogma; a ciência normal que é o processo de renovação; as ciências naturais que visam os estudos da natureza e seus aspectos gerais; as ciências extraordinárias que é uma ciência evoluída com mudança dos paradigmas; e a ciência pré-paradigmática que é o inicio da hipótese, além de abordar outros tantos temas. A TENSÃO ESSENCIAL – O livro Tensão social, de Thomas Kuhn, é uma coletânea de ensaios do filósofo acerca da historiografia da ciência, dentre outros temas que tangenciam sua busca por uma metodologia para esta área, propondo reflexões contundentes que conseguem se manter atual por tanto tempo e buscando novas formas de pensar a história da ciência e refletindo a amplitude dos interesses do autor. Na primeira parte ele realiza os estudos historiográficos com sete ensaios relacionados diretamente à história da ciência. Em seguida ele aborda do tema sobre paradigmas, a partir de um argumento circular e esmiuçando as condições essenciais. A REVOLUÇÃO COPERNICANA – Essa obra de Thomas Kuhn as transformações conceptuais originadas pelas descobertas da ciência astronômica e suas repercussões na Cosmologia, na Física, na Filosofia e na Religião, sob o ponto de vista da História e da Ciência. Trata das modificações ocorridas a partir da obra de Copérnico revolucionando as ideias, observando o descontinuísmo do progresso em ciência, defendendo uma teoria que não constitui a evolução da anterior, mas o rompimento por meio de uma nova teoria, caracterizando os momentos de ruptura que separam uma fase da outro e que se tornam, às vezes, antagônicos, entendendo que o inicio de um novo paradigma se dá pelas incompatibilidades que ocorrem com a maturidade do paradigma então vigente. Veja mais aqui.

REFERÊNCIAS
KUHN, Thomas. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 1998.
_______. A função do dogma na investigação científica. Curitiba: UFPR-SCHLA, 2012.
______. A tensão social. São Paulo: Unesp, 2006.
______. A revolução copernicana. Coimbra: Almedina, 1996.

NEUROPLASTICIDADE – Todo tecido nervoso apresenta plasticidade,q eu é a capacidade de alterar de modo mais ou menos prolongado a sua função e a sua forma. A neuroplasticidade deriva dos fenomenos do desenvolvimento ontogenético, mas pode se estender até a maturidade. Define-se neuroplasticidade como a propriedade do sistema nervoso de alterar a sua função ou a sua estrutura em resposta às influências ambientais que o atingem. A plasticidade axônica se refer à capacidade dos axônios e seus terminais de reorganizarem a sua estrutura em resposta às influências do ambiente. Difere da regeneração axônica porque nesta são os próprios axônios lesados que respondem ao insulto, enquanto na plasticidade axônica os axômios respondentes são íntegros, e podem modeficar-se mesmo sem a ocorrência de lesões, em circunstâncias fisiológicas. Essa capacidade plástica é o modo que o sistema nervoso utiliza – especialmente durante o desenvolvimento – para lapidar os circuitos neurais de acordo com as influências ambientais. A plasticidade sináptica é a forma prevalente no cérebro adulto normal, dela decorre a capacidade extraordinária que o cérebro tem de armazenar informação. A potenciação de longa duração (LTP – long term potentiation) é definida como o aumento prolongado da magnitude de resposta sináptica de um neuronio, quando o neurônio pré-sinaptico é estimulado por uma salva curta de alta frequência, sendo um fenônemo típico de sinapses excitatórias glutamatérgicas, e foi demonstrado em diferentes regiões do sistema nervoso central, sendo possivelmente uma propriedade universal do tecido nervoso. REFERÊNCIA: LENT, Roberto. Neurociência da mente e do corpo. RJ: Guanabara Koogam, 2008. Veja mais aqui e aqui.

SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO – O sistema nervoso autônomo (SNA) é formado pelas divisões simpática e parassimpática, e é concebido como a via eferente das reações de controle dos órgãos e tecidos do corpo de um modo geral, produzidos por motivos homeostásicos, ou como expressão das emoões. Os corpos celulares dos neuronios motores simpáticos estão localizados na substancia cinzenta das regiões torácica e lombar da medula espinhal. As fibras desses neuronios saem pelas raizes ventrais. Após se unirem aos nervos espinhais, as fibras se ramificam e passam pelos glângios simpáticos. Os axônios que deixam a medula espinhal pelas raizes ventrais pertencem aos reuronio pré-ganglionares. Os axonios pré-ganglionares simpáticos entram nos gânglios da cadeia simpática para vertebral. A maior parte desses axônios faz sinapses ali, porém outros axônios passam direto por esses gânglios e dirigem-se aos gânglios simpáticos pré-vertebrais. Com uma única exceção, todos os axônios pré-ganglionares fazem sinapses com neuronios localizados em um desses gânglios. Os neuronios que formam sinapses com os axônios pré-ganglionares são denominados neurônios ganglionares, e as fibras que saem desses neuronios são as fibras pós-ganglionares. Estas se projetam para diversos órgãos-alvo, tais como intestino, estomago, rins ou gladulas sudoríparas. A divisão simpática do SNA controla a medula supra=renal, um conjunto de células localizadas no centro da glândula supra-remnal. A medula supra-renal tem grande semelhança com os gânglios simpáticos. É diretamente inervada pelas células pré-ganglionares e suas células secretoras têm a mesma origem embriológica dos neuronios ganglionares. Quando estimuladas, essas células liberam para a circulação da divisão simpátic. Os corpos celulares que dão origem aos axônios pré-ganglionares da divisão parassimpática, localizados em duas regiões: nos núcleos de alguns nervos cranianos e na coluna intermediária da substancia cinzenta da região sacra da medula espinhal. Os gânglios parassimpáticos estão localizados na vizinhança imediata dos órgãos-alvo. Os botões terminais dos neurônios ganglionares da divisão parassimpática secretam aceticolina (neurotransmissor envolvido com a memória e a aprendizagem), enquando os da simpática secretam norepinefrina (uma das monoaminas que influencia o humor, a ansiedade, sono e alimentação). REFERÊNCIA: LENT, Roberto. Neurociência da mente e do corpo. RJ: Guanabara Koogam, 2008. Veja mais aqui.


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GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...