terça-feira, janeiro 03, 2017

COISAS DO SENTIR QUE NÃO PRA ENTENDER


COISAS DO SENTIR QUE NÃO SÃO PRA ENTENDER – Imagem: arte do pintor expressionista alemão Emil Nolde (1867-1956). - Há muito que meu coração espera: sonhos de ontem e que nem são de hoje, coisas que não sei amanhã. A espera de sempre, a esperar, esperança. Há muito que percorro trajetórias entre bifurcações e errâncias, nada que não tenha aprendizagens de muito e pouco, só o que valem na esperança. Na verdade esperava mesmo aquilo quase inalcançável e que não há correspondência direta com a realidade em que vivi. Não que sejam coisas de outro mundo, são anseios gigantescos, desejos tentaculares senão ubíquos. É como se buscasse metas não planejadas e dando passadas maiores que as pernas, querendo a mais do merecimento. Essas as ingênuas quimeras que ainda não havia superado na lente do meu discernimento. Dei de cara com a minha incompletude diante dos feitos humanos para ter a constatação de que vivia mais para chegar ao limite das potencialidades concretizáveis, das fronteiras do possível e, não logrando êxito na empreitada, tinha apenas à disposição desculpas para justificar a inércia. Quando fui ver no apurado mesmo, nenhum passo foi dado, nem um esforço despendido. De fato imaginei mais o que fazer do que propriamente executar. Teorizei muito, prática de menos. E entrava ano e saía ano, mais aumentando o rol das promessas jamais cumpridas, sequer levadas a sério ou a termo. Todo dia um recomeço, todo dia uma mudança de foco. Quando acertava na veia, logo surgia um óbice pro escanteio. Entrava no entusiasmo de hoje, sucumbia ao descaso do amanhã. Ah, não era bem aquilo mesmo que eu imaginava, queria outra coisa. E assim queria tudo quando nada é o que sabia do querer. Contudo, sei que posso ir além dos meus próprios limites e alcançar dimensões mais amplas. É só seguir adiante, perseguir o desconhecido, o insondável, enfrentando temores e enganos, discernindo por mim e de tudo. Entretanto, quando me vi fora da zona de conforto, bateu-me a impressão de que não me libertei ainda dos pólos opostos das carências humanas. Aí me arroguei a semideus que tudo pode e sabe, imaginando ter qualidades atribuídas que ainda não cultivo, ou com a ausência dos defeitos que possuo. A quem enganava a não ser a mim mesmo, ou quem mais chegasse, o que tornava mais complicado: de um, passavam a ser dois problemas. E se um só já era bastante difícil, avalie dois. De uma coisa eu sei: se quero ir adiante, jamais devo medir a minha vida pelo que já fiz ou consegui, mas por quanto ainda posso alcançar. Vou adiante, conhecendo a mim mesmo. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui

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