quarta-feira, janeiro 25, 2017

MESMO APELANDO PRA SORTE, A GENTE SE ATRAPALHA COM A OBVIEDADE


MESMO APELANDO PRA SORTE, A GENTE SE ATRAPALHA COM A OBVIEDADE - Nos dias de hoje tudo é tão rápido que, quando a gente dá fé, só vê a tuia de lixo tão grande, chega não dá pra varrer pra baixo do tapete. Nesse tempo de umbigocentrismo e relações descartáveis, o monturo é tão grande que tem gente que diz que de palavrório, intenção, promessa e enrolação o inferno está entupido de esborrar pelo ladrão. Por conta disso, a gente só se depara com tudo muito confuso: o que é, deixou de ser e já nem é mais a versão mais atualizada do troço. O que se apresentou agorinha como a última novidade, daqui a pouco já ficou obsoleta porque algo muito mais trancham já suplantou a estreia da moda que virou instantaneamente peça de museu. Mesmo com essa velocíssima mudança, é preciso ficar por dentro de tudo sem ao menos discernir de notícias, manchetes, boatos ou fofoca, porque tudo hoje é propaganda, tanto pela carga ideológica carregando de eufemismo o que é dito, como pela rede de litígios dos interesses. Pra muita gente, hoje é bem difícil de distinguir entre um sofisma e uma verossimilhança. A confusão é tanta de não mais se diferençar um minúsculo peidinho de véia de um míssil tomahawk, ou um inofensivo sibito de um foguete espacial. Tudo é metido dentro do mesmo saco, brincando de jogo dos contrários pro óbvio ululante do duplipensar. Se for apreciar de mesmo, a gente finda escorregando no mais farto paralogismo. Nem dá mesmo pra sacar quanta chicana na fineza da mentira embecada, glamourizada, no maior tom de seriedade de uma voz maviosa dum locutor ou âncora de TV, na maior das aparências, chega virar um espetáculo de deixar a gente de boca aberta e queixo caído. Aliás, tudo hoje é espetacularizado, até mesmo os tropicões, as besteiradas e pegadinhas. Não se dá conta de quanta cavilação na exposição das grifes nos bolsos, nas testas, nas costas, nos braços e bundas, nos vidros dos carros, nas paredes, nos postes, nos outdoors, dentifrícios, desodorantes, tudo virou gôndola de ofertas. Quantos ardis nos informes publicitários de governos corruptos, incompetentes e disfuncionais – propaganda institucional do que é, na verdade, a prática operacional do Estado brasileiro -, que viram decisões e leis de se ensinar na sala de aula pelos meios e vias inadmissíveis, como se fosse mais fácil ensinar o falso. Acabei de crer que de tanto ser dita e repetida de pai pra filho, qualquer pinoia vira verdade absoluta. Assim, como a roubalheira já faz parte do costume nacional, a honestidade passou a ser exceção à regra, quando nunca mais uma virtude, antes uma idiotice. Admite-se até aquela do “rouba, mas faz”, pode? Está valendo. Ora, com o engodo se faz fortuna, o embuste é lucrativo, muito se paga pra dizer que é o que não é e segue a cartilha usual do mais sabido levar a maior parte negligenciada pelo leso – isso se não levar tudo e deixar o cara liso e nu, dizendo que foi assaltado. Este, perdido e sem saber de nada, não tem o que fazer e nem sabe a quem recorrer. Pronde correr será lesado: polícia, justiça, o que for. Resultado: hoje a gente vive na maior insegurança das relações insalubres, cada qual que defenda o seu e reze pra Deus ajeitar os pauzinhos pra dar tudo certo pra sua banda. E quem não tiver seu pedido de oração atendido – garante uma das igrejas de plantão -, pula fora e parte pra outra, de preferência uma que tenha maior prestígio com o Criador para facilitar os pedidos e dar um jeitinho nas suas preces e penitências. Precaução nunca é demais nesse tempo de recall, um olho aberto e outro fechado, apelando pra sorte – como se a sorte fosse a fonte dos privilégios, o reino das benesses -, pra sair impune dos chatos de galocha da lei e cortar caminho, furar fila, avançar sinal vermelho, ultrapassar pela direita, enfim, tudo sem o menor escrúpulo pra que seja premiado com as maiores regalias. Tem gente pra tudo no meio da esculhambação geral e no fim ninguém quer saber de retratação ou quem foi que pintou a zebra, injustiça seja feita! Tá doido? Para o mundo que eu quero descer! © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui

 Curtindo o álbum Vem Ver (Independente, 2013) do premiado duo Vanessa Moreno & Fi Maróstica.

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DESTAQUE:
[...] Cada pessoa deve ter direito ao sistema mais largo de liberdade, de bases iguais para todos, compatível com um sistema similar para todos os outros. As desigualdades sociais e econômicas devem ser tais que: nos limites de um justo princípio de poupança, garantam a maior vantagem possível aos menos favorecidos; sejam ligadas a tarefas e posições acessíveis a todos em função de uma justa igualdade de oportunidades [...].
Trecho da obra La Justice Comme (Boreal, 2004), do professor de filosofia política da Universidade de Havard, John Rawls (1921-2002). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA; TODO DIA É DIA DA MULHER
A mulher não é rosa com espinhos / não é boneca de vidro / nem estátua de mármore / a mulher é um ser humano / que sente / pensa / sonha / e tem o direito de escolher o seu caminho.
Ser mulher, poema da poeta Isabel Furini, extraído do Mulheres em Marcha. Imagem: arte da autora
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra!
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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