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terça-feira, outubro 25, 2016

ORWELL, ALFREDO FLORES, LYOTARD, PJ HARVEY, BALTHUS, NIETZSCHE, GEORGES DUBY, JOÃO FALCÃO, MARTA BRAVO, VIRNA TEIXEIRA, MARCO COCHRANE & MURRIAN

INEDITORIAL: TANTAS FAZEM & A GENTE É QUEM PAGA O PATO – Depois de um golpe legalizado com o jeitinho brasileiro de burlar tudo e todos e de, achando pouco em prevenir com manobra pra lá de descarada na distribuição dos maiores pés de perus pro Legislativo, Judiciário e o próprio Executivo – esses se garantem com os aumentos generosos -, a nossa mais esculhambada bancarrota, agora chegou a hora da gente pagar o pato: 20 anos de congelamento dos gastos públicos – outro embuste para cortar investimentos em educação, saúde e serviços sociais prementes para a Patriamada -, com apoio de tudo quanto é autoridade econômica e da imprensa festeira e vendida que nunca deixou de se empanturrar com o bolo gordo dos recursos públicos. Eles se banqueteiam faustosamente, distribuem as benesses entre si e depois passam o purgante da falência com os cortes pra sangrar na carne da gente. E na maior cara de pau: a PEC 241. Ô coisinha indigesta essa! Acoloiados com os que se dizem representantes do povo no Congresso Nacional, estão priorizando a vitória para não terem de passar nenhum vexame e a gente que saia engalobado. Danou-se! Ué, a gente só vai assistir é? Eles mandam ver no óleo de peroba e a gente que fique deslizando a bunda no chão, é? Ora, ora, está na hora da gente fazer alguma coisa ou cada um dos quase 200 milhões de brasileiros vai ter que aguentar essa PEC (letra por letra quer dizer: Porrada Enfiada nos Colhões – ou onde achar melhor e quiser enfiar!?!) que vai deixar a gente arriado por 20 anos gemendo de dor? Nos meus não, sabidão! Arre! Vamos aprumar a conversa, gente! Enquanto isso, vamos pras novidades do dia: na edição de hoje destaque para a condição pós-moderna de Jean-François Lyotard, a História de Georges Duby, a pintura de Balthus, a literatura de George Orwell & Alfredo Flores, o teatro de João Falcão, o Encontro de Inclusão Social e Acessibilidade, a escultura de Marco Cochrane, a música de PJ Harvey, a fotografia de Marta Maria Pérez Bravo, a entrevista de Virna Teixeira, a palestra Nietzsche & a Psicologia, a fotografia de Richard Murrian e a croniqueta O infortúnio da prima da Vera. Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
Guiando pelos catombos, Elias Canetti, Adélia Prado, Pablo Picasso, Georges Bizet, Maria João Ganga, Lygia Clark, O princípio da Totalidade, Téspis & o nascimento do Teatro aqui.

E mais:
A poesia de Greta Benitez aqui.
Fecamepa & a corrupção ineivada aqui.
A administração & as organizações aqui.
Ascenso Ferreira: Oropa, França e Bahia & outros poemas aqui.
A poesia de Mariza Lourenço aqui.
As trelas do Doro: testamento de bocó aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando o cara num rega direito, o amanhã parece mais o aperto do dia de ontem aqui.

DESTAQUE: A CONDIÇÃO PÓS-MODERNA
[...] já pagamos suficientemente a nostalgia do tempo e do uno, da reconciliação do conceito e do sensível, da experiência transparente e comunicável. Sob a generalizada exigência do relaxamento e do apaziguamento, nos propomos mascular o desejo de recomeçar o terror, cumprir a fantasia de apressar a realidade. A resposta é guerra ao todo, demos testemunha do inapresentável, ativemos os diferentes, salvemos a honra do homem.
Trecho extraído da obra A condição pós-moderna (José Olympio, 1998), do filósofo francês Jean-François Lyotard (1924-1998), expondo os pressupostos objetivos que permitiam falar de uma transformação radical na maneira como o saber é produzido, distribuído e legitimado, nas áreas mais avançadas do capitalismo. Veja mais aqui, aqui e aqui.

O INFORTÚNIO DA PRIMA DA VERA – Dalzuíta estava sozinha em casa, porque Vera saíra logo cedo pra resolver umas pendências. O dia todo solitária e quando deu a boquinha da noite, ela resolveu sair pra passear um pouco e divagar. Há dias enclausurada em casa sem ter contato com vivalma, afora os papos diários e a trabalhada com a prima, o tédio a consumia, precisava encher a rua de pernas pra sair do marasmo. Não conhecia nada da cidade e resolveu conhecer melhor a localidade que escolhera para dividir a vida com a prima. Depois de muito perambular, encostou-se no balcão de um bar e pediu uma cerveja. Sentou-se na primeira mesa que encontrou e, não demorou muito, apareceu o primeiro marmanjo a soltar conversa mole. Ela ria e mantinha-se em silêncio, sem dar trela pros importunos que invariavelmente rondavam sua boniteza. Até que apareceu o motorista do guincho que socorreu o veículo de Vera e começaram a bater um papo. Conversa animada, cervejas consumidas, logo apareceu um sujeito fortão que sussurrou algo ao seu ouvido. Ela nem ouviu já quase embriagada e manteve a conversa com o parceiro de mesa. Daqui a pouco, o sujeito retorna, agora acompanhado de uma trupe de mal-encarados, mais de trinta brutamontes capatazes, puxando-a pelo braço e ameaçando quem ousasse atrapalhar sua investida. Saíram levando-a e, ao dobrarem a primeira esquina, ameaçaram se ela não entrasse na caminhonete deles, de espancá-la e a coisa ficar pior pro lado dela. A pulso ela foi empurrada na cabine sobressalente do veículo, acompanhada de alguns que se imprensaram na boleia, outros tantos atrepados na caçamba. Rodaram que só e num ermo escuro estacionaram, puxando-a a força pro meio do terreiro, a passar aquelas manzorras libidinosas por toda sua carne com pilhérias licenciosas e esfregamentos em suas partes pudendas. Ela não sabia o que fazer, o mundo rodava e sentiu que puxavam suas vestes para desnudá-la. Ficou nuínha e espremida por uma tuia de machos que nunca vira nem sabia quem eram, todos com mãos e pênis na sua pele, sufocada e espremida por corpos rudes, mal cheirosos. Obrigaram-na a ajoelhar-se e ficaram lambuzando suas faces, costas, braços, seios, pescoço, com pênis eretos por todos os lados, emborcada nua nos braços deles, sentiu aqueles membros rijos na boca, no ânus, na vagina, uns aos outros entrando e saindo nos seus orifícios todos, enfiados na marra dela sentir dores e mais sofrimentos, eram muitos, estuprada por muitos, desonrada por todos. Ao cabo de horas nesse suplício, ela desmaia e só acorda com o Sol forte no seu corpo completamente nu. Procura suas roupas, abrigo, socorro: está no meio do nada. Grita, chora, ninguém socorre. Lá pras tantas vem passando uma viatura da polícia que a socorre e ela tenta explicar o que aconteceu. Abrigam-na com um cobertor e levam-na para a delegacia. No caminho ela vê alguns dos seus algozes, reconhece-os, são uns seis e os policiais logo os capturam, jogando-os na viatura ao lado dela. Eles olham-na de forma ameaçadora e ficam jurando desforra e violência acaso ela dê com a língua nos dentes. Desprotegida, vê-se tocada e abusada por eles dentro da própria viatura, sem que os policiais dêem conta. Ao chegar à delegacia, após o reconhecimento e lavratura de um termo que ela não sabia nem o que era, sabia apenas que era assediada e amolada o tempo inteiro ali mesmo, incluindo um policial que passou uma cantada, levando-a aos empurrões para uma cela no final do corredor e expôs-lhe o membro rijo: se quiser sair bem dessa, chupe aqui. Diante da sua recusa, teve a boca amordaçada e com o próprio cobertor foi imobilizada e completamente domada pela força do policial. Desprotegida e completamente humilhada restou-lhe apenas ser mais uma vez seviciada, agora por um da lei, findando jogada no canto infecto da cela. Quando tomou a si, estava enrolada ainda no cobertor e encaminhada por uma senhora rude que esbravejava as putas todas que davam mole, vagabundas piranhas que não seguravam a honra, provocando os machos, por isso findavam desse jeito, molestada por animais que são provocados por elas mesmas: a culpa é delas, essas putas! Ela não conseguia identificar a mulher, estava zonza, ouviu quando ela disse: onde você mora, puta? Hem? Onde mora, porra? Ela que fora vítima de tudo, se sentia agora acuada e acusada de crimes que nunca cometera: leva essa puta daqui que além de tudo é surda e muda! Não sabe por quanto tempo ficou ali, apenas que acordou deitada no banco de um veículo que estacionou na casa da prima e levaram-na pra dentro para nunca mais esboçar uma reação sequer, depois de tudo que sofreu, pra casa da prima, completamente fora de si pra nunca mais mencionar palavra alguma. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.


Curtindo o álbum Uh Huh Her (Island Records, 2004), da cantora, poeta, compositora e produtora musical britânica PJ Harvey (Polly Jean Havey).

A HISTÓRIA – [...] a história (o ensino da história, a sua prática, a leitura de obras históricas), é, como se diria ainda há pouco, a escola dos cidadãos; que ela contribui para formar pessoas cujas opiniões sejam mais livres, que sejam capazes de submeter as informações com que são bombardeadas a uma análise lúcida, mais capazes de agir com conhecimento de causa, menos enredadas nas malhas de uma ideologia. Ela também ensina a complexidade do real. Ensina a ler o presente de modo menos ingênuo a perceber, pela experiência de sociedades antigas, como é que os diversos elementos de uma cultura, e de uma formação social atuam uns em relação aos outros. [...] Trecho extraído da obra Diálogo de uma nova história (Dom Quixote, 1989), do historiador francês Georges Duby (1919-1996), autor da obra  Amor e Sexualidade no Ocidente: e história contínua (L&PM, 1991).

Imagens: a arte do artista plástico francês de origem polaca Balthus (Balthasar Klossowski / 1908 – 2001)

PENSAMENTO DO DIA: PRESENTE, PASSADO & FUTURO - Quem controla o passado contra o futuro. Quem controla o presente, controla o passado. Pensamento do escritor e jornalista britânico George Orwell (Eric Arthur Blair – 1903-1950). Veja mais aqui e aqui.


Imagem: a arte da fotógrafa e artista visual cubana Marta Maria Pérez Bravo.

HURTADO, O BANDOLEIRO - [...] Carmelo Hurtado era um bandoleiro que tinha chegado a impor-se, naquelas paragens, pela sua coragem temerária e sua pontaria infalível. Mais de trinta mortes eram-lhe atribuídas, e mantinha emchoque a policia daquelas comarcas desertas, cujos destacamentos nunca tinham conseguido agarrá-lo. Hurtado era o tema de todas as conversas nos ranchos e povoados. Dias antes, em Santo Inácio, havia posto em debandada um piquete de quarenta milicianos que fora capturar: e essa nova façanha do bandido, cuja fama naqueles pagos atingia o limite do fantástico, era também comentada nas estâncias das redondezas. [...]. Trecho extraído do conto Hurtado, o bandoleiro (Cultrix, 1968), do escritor, jornalista e dramaturgo boliviano Alfredo Flores (1897-1987), autor de obras como Deserto Verde e La Virgen de las Siete Calles.


A DONA DA HISTÓRIA - A peça teatral A dona da história, do escritor, diretor, roteirista e compositor João Falcão, conta a história de uma mulher solitária às voltas com o seu próprio destino, apresentando-a aos 20 anos de idade e, depois, aos 50. A peça foi encenada na Sala Fernanda Montenegro, do Teatro Leblon, no Rio de Janeiro, em 1998, com a maravilhosa performance das atrizes Andréa Beltrão e Marieta Severo. Em 2004, foi adaptada para o cinema com direção de Daniel Filho e estrelado por Marieta Severino e um elenco primoroso. Veja mais aqui.


Imagens: a arte da série Bliss, do escultor estadunidense nascido na Itália, Marco Cochrane.

AGENDA: ENCONTRO DE INCLUSÃO SOCIAL E ACESSIBILIDADE – Acontecerá entre os dias 9 e 11 de novembro, acontecerá o VI Encontro de Inclusão Social e Acessibilidade (VI EISA), com o tema Trilhas da educação contextualizada, promovido pelo Programa de Apoio Psicopedagógico (PAP) da Universidade de Fortaleza. O objetivo do evento é fomentar a pesquisa e o desenvolvimento de projetos, promover espaço de discussão sobre a inclusão social e acessibilidade em ambientes educacionais, e compartilhar experiências nos diferentes campos do saber. O encontro terá palestras, cursos, apresentações de trabalhos, rodas de conversa, apresentações artísticas e mais. Informações pelo mail: inscricaoeisa2016@gmail.com Telefone (85) 3477-3399 Endereço: Av. Washington Soares, 1321, 60811-905 Fortaleza. Veja mais aqui e aqui.


ENTREVISTA: VIRNA TEIXEIRA – Em 2009, ao lançar o seu livro de poemas Distância, tive a oportunidade de realizar uma entrevista exclusiva com a poeta, tradutora e neurologista Virna Teixeira. Confira a entrevista aqui.

REGISTRO: NIETZSCHE E A PSICOLOGIA
Com a realização da pesquisa sobre Nietzsche e a psicologia, desenvolvido para cumprimento da disciplina Bases Filosóficas e Epistemologias da Psicologia, ministrada pelo Professor Álvaro Queiroz, realizei algumas palestras a respeito. Veja detalhes aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: a arte do fotógrafo estadunidense Richard Murrian.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


terça-feira, fevereiro 17, 2015

NICOLA GRIFFITH, STEPHANIE DE MONTALL, STELLA STEVENS, NICOLE MAINES & PADRE BIDIÃO

 


BIDIÃO, O PADRE DA BIMBA SANTA – Tudo começou quando Bidião fugiu de casa e fez o maior ajeitado para ficar de vez com as prediletas de sua afeição: as freiras do colégio. Tanto fez de ajeitado das mil e uma utilidades que, depois de muita lenga-lenga, finalmente, conseguiu dividir pratos, talheres e outras intimidades das pinguins. Foi nesse internato voluntário onde conheceu seu inseparável amigo Calunga, um que era tido por filho do falecido vigário. Na verdade, encontrado pelo saudoso pároco quando, ainda bebê, fora abandonado numa lata de lixo. Eles brincavam juntos desde que Bidião fora pra escola no jardim da infância, atravessaram juntos todo primário e, agora, no ginasial, dividiam as emoções de carne & unha nas pelejas juvenis. Mas o estreitamento da amizade deu-se mesmo no dia que Bidião viu pela primeira vez a lindíssima Amparo dos Prazeres com ele. Rapaz, quem é ela? Amparo não é pro seu bico, tire seu cavalo da chuva! É muito linda! Não é pro seu bico! Vai, ajeita ela pra mim! O que ganho com isso? Ora, você é meu amigo, ou não é? Tá, só se você for comigo pro rio! Eu vou, mas ajeite ela pra mim. Primeiro faça a sua parte. Então, vamos. Foi nessa hora que as religiosas aflitas os convocaram: o novo padre estava chegando e, por causa disso, obrigados a se arrumarem logo. Foram e se embonecaram para a recepção. Quando o sacerdote cruzou a porta da catedral, Bidião logo não foi com a cara dele: Esse vigário não reza direito não! Cala boca, desgraçado! Ele desmunheca na pisada! Ora! O eclesiástico foi recebido com vivas e salves pelas irmãs em festa: Viva padre Kiba! Vivaaaaaa! Saudando cada uma das festivas, ao se aproximar da dupla, fez uma careta e perguntou: Quem são as alminhas sebosas? Os sacristãos, monsenhor. Hummmm! Com esgares afastou-se de soslaio, não os perdendo de vista pelo canto do olho. Os santinhos do pau-oco coraram diante da desconfiança do clérigo, perfilando-se como dois anjinhos que não tinham nada a ver com aquilo tudo. E seguiram, como manda o figurino, a comitiva de recepção do reverendo pelas dependências da catedral, da casa paroquial, do colégio e de todo convento, culminando, já de tarde, com o suntuoso almoço de acolhimento. Todos de bucho cheio, enfim, hora de serem todos dispensados aos seus afazeres normais, enquanto o presbítero recolhia-se à sesta, um merecido descanso pela longa viagem feita. Foi nessa hora que a dupla escapuliu e, cumprindo o acertado, foram pra beira do rio. Esse rio é fundo? É. Sabe nadar? Sei não! Vem, ensino. Ah, assim, sim! Vai, me ensina! Bidião mergulhou e mandou que Calunga saltasse para ensiná-lo. Ele só olhando, não saía do lugar. Assim foi passando às braçadas para lá e para cá, nada dele aprender pois morria de medo de se afogar. Bora, frouxo! E Calunga resistia. Aí Bidião abraçou-lo por trás e jogou-lo na água. Caiu no desespero de só se acalmar quando o parceiro o segurava. É assim, tá vendo? Não me solte, vou morrer afogado! Deixa de ser maricas! Só vou se você me segurar. E Bidião o segurava para que boiasse, aprendesse a respirar para mergulhar, mexia os braços e as pernas dele e, ao ousar afastar-se para ele fazer sozinho, entrava em pânico de quase desmaiar, tendo de Bidião levá-lo à margem, deitá-lo de bruços e forçar os pulmões. Calunga tossia e desesperava, a ponto de escorregar e ficar atônito da cintura pra baixo dentro da d’água: Vou morrer! Ao tentar sair da água seu calção caiu na água descendo pela correnteza. Socorro, Bidião! Tentava puxá-lo pelos braços, mas parecia que mais escorregava: Minhas pernas estão paralisadas, socorro! Bidião mergulhou e foi tentar empurrá-lo pra fora, tanto esforçou-se a ponto de cansar-se e cair pesado sobre as costas de Calango nu. Pronto! Foi aí que se salvaram duas almas adolescentes, quer dizer: ainda hoje Calango alardeia que ele o salvou e tornaram-se inseparáveis pro resto da vida! E o apelidou de Bimba Santa! Veja mais abaixo e mais aqui e aqui.

 

DITOS & DESDITOS - Eu sempre amei teatro, enquanto crescia, e eu sempre pensava, 'Uau, seria tão divertido ser ator.' Mas meu próximo pensamento foi, tipo, 'Eu sou de lugar nenhum, Maine.' Você sabe, ninguém é do Maine!... Meu pai cresceu muito conservador, e ele realmente tinha expectativas sobre como meninos e meninas deveriam ser. Então, quando eu me assumi para ele, isso não se encaixava em seu plano de como seria criar meninos gêmeos... Tentamos o nosso melhor para trabalhar com a escola e com as outras famílias no sistema escolar, e fizemos uma transição gradual. Comecei a transição quando estava na primeira série, e a cada ano nós meio que acrescentamos uma coisa nova a isso... Atores cisgênero não assumem papéis trans por maldade. Acho que é apenas uma falha em perceber o contexto por trás de pessoas cisgênero interpretando personagens transgêneros porque não vemos o mesmo problema com a sexualidade. Pensamento da atriz, escritora e atistivista estadunidense Nicole Maines, que demandou no Supremo Tribunal Judicial o caso Maine Doe v. Unidade Escolar Regional 26, pelo qual ficou decidido em 2014 que proibir estudantes transgêneros de irem à casa de banho da escola de acordo com a sua identidade de gênero é ilegal, a primeira decisão deste tipo por parte de um tribunal estatal.

 

ALGUÉM FALOU: Não quero ter medo da velhice. Quero esperar ansiosamente por isso e saborear cada ano. Isso é normal; sentir-se esgotada aos 30 é anormal. Era difícil como uma "sexpot", como eu era rotulada nos anos 60 e 70, ter pessoas me levando a sério como produtora ou diretora. Elas preferiam me ver sem roupa. Sinto-me como a garota na noite de núpcias cujo marido distraído vai para casa da mãe para jantar. Dirigir é o desejo do meu coração desde que comecei a fazer filmes . Dirigi dois filmes nos anos 70 e 80. Um era um documentário de longa-metragem. Mas ainda não fiz minha estreia com um grande filme. Minha vida foi estragada cedo ao engravidar aos 15 e me casar, depois ter um bebê aos 16, depois me divorciar aos 17. Mas, apesar desse começo, me saí bem. Depoimento da atriz, produtora, cineasta e pin-up estadunidense Stella Stevens (Estelle Caro Eggleston – 1938-2023).

 

O LUGAR AZUL - [...] A madeira é um material infinitamente adaptável. Você pode aplainar, cinzelar, serrar, esculpir, lixar e dobrar, e quando as peças estiverem no formato que você quer, você pode usar juntas de cauda de andorinha, pregos de dez centavos, pinos ou cola; você pode usar laminação ou incrustação ou marchetaria; e então você pode embelezá-la com polimento francês ou óleo de linhaça simples ou manchas sutis. E quando você for jantar na casa de um amigo, a luz de velas destacará os contornos dos grãos e linhas, e quando você se sentar, será lembrado de que aquilo em que você está sentado cresceu da terra, se esticou em direção ao sol, resistiu à chuva e ao vento e abrigou animais; não foi extrudado por máquinas sem rosto alinhadas em um piso de cimento frio e alimentadas por cubas de metal. A madeira nos lembra de onde viemos. [...]. Trecho extraído da obra The Blue Place (Harper Perennial, 1999), da escritora e professora inglesa Nicola Griffith, que em sua outra obra Slow River (Random House, 1996), expressou que: […] Ela poderia se tornar quem ela quisesse. Mas como ela saberá que ainda é ela mesma? [...] se você esperar pelo momento certo, você esperará para sempre. [...]. Veja mais aqui e aqui.

 

GAVIÃO ARQUEIRO V4 - Ela deixa os sapatos na porta \ vestidos em azul \ e expõe sua veia \ para o traçador radioativo \ que, inerentemente instável, \ quase certamente entrará \ em colapso \ e começará a se decompor. \ Acima, o nome inesquecível \ da máquina.\ À sua esquerda, um painel \ de cobalto, carmesim e dourado: \ um espetáculo à parte caso \ o fornecimento de energia falhe.\ À sua direita, instruções codificadas \ caso o computador \ e a química irresistível \ desenvolvam gagueira \ ou gosto pela aventura. \ Com os pés primeiro, ela desliza \ em direção ao zumbido giratório \ da câmera —\ sol num minuto, \ estrelas no outro —\ e, cortesia da sala de controle, \ a Rádio Nacional com \ os testes experimentais de gases tóxicos,\ menos compras \ na cesta familiar\ e as manchetes das notícias às 12h, \ contando os dias \ até o aviso da Microsoft \ sobre uma falha crítica \ em seu software. Poema da escritora neozelandesa Stephanie de Montall, que já atuou como enfermeira, documentarista e é autora de obras como Animals Indoors (2001), The Scientific Evidence of Dr Wang (2003), Cover Stories (2005) e Unquiet World: the Life of Count Geoffrey Potocki de Montalk (2002), entre outros.

 

A GERAL DO PADRE BIDIÃO, ATÉ AGORA...

As notícias da FRB & extraterrestres: reforços na área!

Oumumua

Exorcismo nahoragá

Extraterrestres & novo Messias

O papa Chico

A pobreza...

A violência...

Graviola, o perfume dos peidos...

O padre no Big Shit Bôbras...

A Igreja Bidiônica de Todos os Tempos

Amparo Prazeres do céu & a salvação bidiônica...

O santo bode Frederiko...

O confessionário...

O padre soltando os cachorros...

O fim do mundo...

As primeiras do evangelho...

As segundas do evangelho...

A foda em cadeia– introdução ao evangelho...

Os clones do Padre...

O disco-voador...

O retiro & o séquito de vestais

A política no Reino do Fecamepa

Uma geral das do Padre

A saga do Padre Bidião

 

SACADOUTRAS

 

LUA DE SANGUE SOBRE O VALE – A peça teatral Lua de sangue sobre o vale (1962), do advogado, escritor, jornalista, cineasta e administrador cultural alagoano, Pedro Onofre, foi incluída no segundo volume Teatro (IECPS, 1992), reunindo diversas peças do autor que foi fundador do Centro de Estudos Cinematográficos e do Teatro Cultura Nordeste. Contando com três atos, o primeiro da peça traz a seguinte descrição: A cena está dividida em dois ambientes diferentes. Do meio de palco, para a direita, representa uma sala de estar da casa grande de rico latifúndio agroindustrial, dedicado ao plantio e à usinagem da cana de açúcar. A outra metade do palco mostra o jardim que antecede a entrada principal da residência [...] Ao abrir a cortina, a cena está deserta. É noite. A sala de estar encontra-se às escuras. Uma luz tênue, contudo, ilumina as escadarias, no segundo patamar. Lá fora, no jardim, a luz do poste clareia o caramanchão. O céu mostra-se cheio de estrelas. A usina, ao longe, revela-se feericamente iluminada. Súbito, Marília, esposa do industrial e deputado Carlos Augusto de Albuquerque Lins, envolta num robe de seda, surge em cena, descendo, cautelosamente, as escadarias do segundo patamar. Olha para todas as direções. Pé ante pé, desaparece pela esquerda. No jardim, a porta principal da residência se abre e, por ela, Marilia reaparece. Um homem sai das sombras e se encaminha para a mulher. Esta transpõe o pórtico e chega ao meio do jardim, onde se encontra o estranho. Ele é Rodrigo Calazans, engenheiro e administrador da usina, com quem Marília ocultamente mantém relacionamento extraconjugal e um pacto criminoso. Veja mais aqui e aqui.

PROGRAMA TATARITARITATÁ – O programa Tataritaritatá que vai ao ar todas terças, a partir das 21 (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação desta terça aqui. Logo mais, a partir das 21hs, acontecerá mais uma edição do programa Tataritaritatá comemorando mais de 440 mil exibições do blog, com muita festa e a apresentação da querida Meimei Corrêa. E com as seguintes atrações na programação: Thelonious Monk, Paulo Moura & Raphael Rabello, Gilberto Gil, John Lennon, Milton Nascimento, Maria Rita, Ney Matogrosso, Beth Carvalho, Chico Buarque, Lenine, Elis Regina, Taiguara, Sônia Mello, Marcelo Jenici & Tulipa Ruiz, Wilson Monteiro, Mariza Sorriso, Elisete Retter, Monsyerrá Batista, Jan Cláudio, Tatiana Cobett, Jussanam, Santana o Cantador, Peninha, Dalida, Ed Sheeran, Roupa Nova, Michael Jackson, Jimmy Cliff, Vince Gill, Norah Jones & muito mais! Veja mais aqui. 

SERVIÇO:
O que? Programa Tataritaritatá Especial de Ano Novo
Quando? Hoje, terça, 17 de fevereiro, a partir das 21hs (horário de Brasília)
Onde? No MCLAM - blog do Programa Domingo Romântico
Apresentação: Meimei Corrêa

Imagem do artista plástico Mihaly von Zick (1827-1906)

Ouvindo o álbum Mistura e Manda (Kuarup, 1983), do compositor e arranjador brasileiro Paulo Moura (1932-2010). Veja mais aqui.


RIMAS ESPANHOLAS – O poeta espanhol Gustavo Adolfo Bécquer (1836-1870) teve sua poesia traduzida Márcia Sirotheau para a publicação Gárgula – Revista de Literatura (1997), incluída no portal da Poesía Ibero-America, do poeta brasileiro, Antonio Miranda. Dos seus versos destaco Rimas X: Os invisíveis átomos do ar / ao redor palpitam e se inflamam, / o céu desfaz-se em raios de ouro, / a terra se estremece alvoroçada, / ouço flutuando em ondas de harmonias / rumor de beijos e bater de asas, / minhas pálpebras se fecham ... Que sucede? / É o amor que passa! Veja mais aqui. 


UMA TARDE DE MAIO – A escritora, tradutora e neurologista Virna Teixeira publicou os livros Visita (2000) e Distância (2005), quando concedeu uma entrevista pro meu Guia de Poesia depois de ter sido destacada Poeta do Mês. Entre seus poemas, destaco Uma tarde, maio: cozinha / pedaços de manga / entre os dedos / a vida / polpa / doce e / gelada. Veja mais aqui e aqui.


ABLNE – Criada e sediada em Pernambuco, a ABLNE - Associação de Blogs Literários do Nordeste elegeu, nesta quarta-feira (28/janeiro) à tarde, em reunião realizada no Gabinete Português de Leitura de Pernambuco (Rua Imperador Pedro II, 290, Santo Antonio, Recife, PE), a sua primeira Diretoria e Conselho Deliberativo.  A eleição ocorreu, entre as 15 e 17 horas, com o registro da aprovação dos candidatos por meio de 10 votos virtuais e de 6 votos presenciais, aproximadamente 40% dos votos dos blogueiros literários associados.  Sem o registro de um voto contra ou nulo. Integram a Diretoria da ABLNE, eleita para o biênio 2015-2016,  estes blogueiros literários pernambucanos: Presidente – Juarez Correya; Vice-Presidente – Natanael Lima Junior; Secretário – Fábio Pacheco; Secretária (Suplente) – Giovanna Guterres; Tesoureiro – Frederico Spencer; Tesoureira (Suplente) – Maria de Lourdes Hortas. E, representando os seus Estados, estes são os blogueiros literários nordestinos que fazem parte do Conselho Deliberativo eleito: Luiz Alberto Machado (Alagoas), Alex Simões (Bahia), Valberto Cardoso (Paraíba), José Terra Correia e Ana Elizabete Barbosa (Pernambuco). Veja mais aqui.


A MUSA DO CAFÉ NA CAMA – O romance Café na cama (1960), do escritor, cineasta e roteirista brasileiro Edmundo Donato, mas conhecido como Marcos Rey (1925-1999), foi adaptado para o cinema em 1973, sob direção de Alberto Pieralisi, com o ator Rubens de Falco, o humorista Agildo Ribeiro e a estreante que se tornaria a musa do cinema, a atriz argentina Marta Moyano, que atua como Norma, uma garota de subúrbio que para subir na vida vai se prostituir. Veja mais aqui e aqui.

 


Veja mais sobre:
A mulher suméria aqui.

E mais:
Na Avenida Jatiúca, Maceió, Gilles Lipovetsky, Slavoj Žižek, Moema & Victor Meirelles, Quinteto Armorial, Michael Winterbottom, Anna Louise Friel, Felicien Rops & Juareiz Correya aqui.
Num brinca: a TPM de Vera, Stanley Lau, Johann Moritz Rugendas & Gladston Barroso aqui.
Neuroeducação aqui.
Paulo Freire: Pedagogia do Oprimido & da Autonomia aqui.
Psicopatologia, Vontade, Psicomotricidade & Direito Autoral aqui.
Erich Fromm & A dialética do concreto de Karel Kosik aqui.
Os amores de Edneimar, a viúva negra, Iara Rennó, Edward Yang & Elaine Jin, Norman Lindsay & Tudo quanto pode o sonho pode o amor provar aqui.
Se essa rua fosse minha, Adélia Prado, Chiquinha Gonzaga & Clara Sverner, Luciah Lopez & Quem sabe a vida o amor que nos faz vivo aqui.
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A ansiedade, a depressão & a medicalização, José Cândido de Carvalho, Maria Clodes Jaguaribe, Shirley Paes Leme, Aldemir Martins & Na festa das vitrines tudo é do umbigo & o bolso furado no âmago aqui.
Martin Buber, Pier Paolo Pasolin1, Abelardo & Heloísa, Julio Verne & Rick Wakeman, Gustave Courbert, Vangelis & Arriete Vilela aqui.
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História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá!
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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