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sexta-feira, março 06, 2020

PEARL BUCK, AMY LOWELL, BRIGITTE CARNOCHAN, INES LEMPEK & ADRIANA DE HOLANDA


TODO DIA É DIA DA MULHER – UMA DE VERA COM OUTRA ROSA: Vera ia e vinha nem aí pros fius e psius. Na dela, jeitosa e impunemente: sorria o Sol, animava a passarinhada, a cidade se alvoroçava toda. Havia quem não simpatizasse: as invejosas acusavam-na de Bruxa das Pancs: Olhela, já vai toda amostrada! Os rejeitados resmungavam: Eita, lá vai toda cu doce, vixe, que maldição! Quem nunca sonhou tê-la por posse exclusiva ainda não nasceu ou tinha morrido antes dela desabrochar pra vida. Inacessível para os dali, os desocupados faziam de tudo para chegar junto, desafiavam sua inteligência. E ela, toda Rosa Parks: Eu gostaria de ser lembrada como uma pessoa que queria ser livre… para que outros também pudessem ser livres. Acredito que estamos aqui no planeta Terra para viver, crescer e fazer o possível para tornar este mundo um lugar melhor para que todas as pessoas desfrutem de liberdade. Ô minha filha, em que planeta você vive, hem? Essa parece mais que vive no mundo da Lua, só sendo! E as más línguas: Metida, ela se acha toda tuda! DUAS, PASSANDO NA CARA: Como sempre, os incultos amundiçados na maior refrega, maior discórdia: cada um, por si, dono da razão. E lá vão tirar a limpo o assunto com o doutor Zé Gulu que, invariavelmente, chama a turma na grande: Tá! E como você quer ser lembrado? Eu? Sim. Ah, depois que eu morrer quero lá saber o que vão pensar de mim, doutor! E você? Ah, se vivo sou enjeitado, depois de morto podem se lascar. Cada um dava seu parecer: depois de bater as botas, babau. Que se danem! E o senhor? O doutor Zé Gulu ajustou os ósculos com o indicador no pau da venta, pigarreou e sapecou: Como dizia Ayn Rand, O mundo que você anseia pode ser conquistado. Existe, é real, é possível, é seu. E saiu, assim, na sua, sem mais nem menos. Hem? Quem foi que ele falou? Sei lá, entendi patavina. Nunca entendo o que ele diz. Ah, mas é doutor Zé Gulu, meu! Ah, tá. Os presentes, então, entreolharam-se e anuíram: Esse doutor é meio biruta, né? Abilolado demais. Num diz coisa com isso ou aquilo. Oxe, bote doidice, leu demais dá nisso: endoida! Eu, hem? TRÊS: APRENDER O QUE NÃO SABE - Rapaz, eu já passei da idade de aprender. Escola é coisa pra essa meninada ter jeito de gente, tudo uns maleducados, sem modos. Pois é, eu mesmo fui pra escola, decorei que só e esqueci tudo. Num é que eu também: de que adiantou levar palmatória, decorar tabuada, os tempos dos verbos, não vi serventia até hoje! A minha professora era carrasca! Ah, não era pior que a minha: chata e cricri. E os livros? Nunca gostei disso, coisa de ler é pra baitola ou aluado. E a gente mesmo assim passava de ano, sabendo de tudo. Hoje os tempos são outros, valeu de nada, aprendi com a vida, essa a melhor escola. Pois digo eu: se eu descobrisse quem inventou estudo, eu mandava matar na hora! Nessa hora aparece a imagem de Amy Lowell na tevê e o locutor dizendo: Os livros são mais do que livros, eles são a vida, o coração e o núcleo dos séculos passados, a razão pela qual os homens trabalharam e morreram, a essência e a quintessência de suas vidas. Eita, que é isso aí na tevê? Sei lá. Eu vi mas não enxerguei. Nem eu. Isso é lá conversa pra boi dormir, ora. É. Vamos tomar a ideira que está ficando tarde. Vambora. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Ela trabalhava agora o dia inteiro e a criança ficava dormindo, no chão, em cima de um velha coberta acolchoada. Quando chorava, a mulher interrompia o trabalho, descobria o seio e sentava-se no chão para o amamentar. O sol caia sobre ambos, o sol tardio dos fins de Outono que conserva o ardor do Verão até que o frio do Inverno o afugenta, e sob os seus raios, a mulher e a criança, tão morenas como a gleba, pareciam duas estátuas de terra. A poeira dos campos polvilhava os cabelos da mulher e a macia cabeça negra do menino. Mas do grande seio da mulher, fluía, branco como a neve, o leite que alimentava a criança, e enquanto um era sugado do outro manava leite como de uma fonte. E ela deixava-o correr. Havia leite de sobra para o menino, por mais insaciável que ele fosse, chegando até para muitas crianças; e, orgulhosa da sua abundância, O-lan deixava-o correr descuidada. E tinha cada vez mais. Às vezes levantava o peito e deixava o leite correr para o chão, para não sujar a roupa, e perdia-se na terra, formando no chão uma mancha mais escura, mole e untuosa. O menino estava gordo, sadio, e absorvia a vida inesgotável que a mãe lhe dava. [...] Havia um sinistro presságio na estranha serenidade daqueles dias em que a terra os abandonava. Só para a petiza não havia receios. Tinha à sua disposição os dois robustos seios da mãe, que até aí chegavam bem para satisfazê-la. [...]. Trechos extraídos da obra Terra bendita (Livros do Brasil, 1956), da escritora e sinologista Prêmio Nobel de Literatura de 1938, Pearl Buck (1892-1973). Veja mais aqui.

A POESIA DE AMMY LOWELL
OPALA: És gelo e fogo, / Teu toque queima minhas mãos como a neve. / És frio e chama. / És o carmesim da amarílis. / O prateado das magnólias tocadas pela lua. / Quando estou contigo / Meu coração é um tanque gelado / Cintilando com tochas agitadas.
DÉCADA: Quando vieste, tu eras igual ao vinho e ao mel / E teu gosto incendiou minha boca com sua doçura. / Agora tu és como o pão manhã, / Suave e agradável. / Apenas te degusto, já que conheço teu sabor / Embora eu esteja completamente saciada.
UMA OFERENDA QUEIMADA: Porque não havia vento, / O fumo das tuas cartas pairou no ar / Por muito tempo; / E a sua forma / Era a forma do teu rosto, / Minha Amada.
AMMY LOWELL – Poema da poeta estadunidense Amy Lowell (1874-1925), condecorada postumamente com o Prêmio Pulitzer de Poesia, em 1926. Ela foi integrante do Movimento Imagista de Ezra Pound.
&
POEMAS DE INES LEMPECK
MARESIA: quando sua maré enche / esvazia-se de certezas / ventania que devassa / em cada célula / uma interrogação / e quando troca de lua / se enche de estranhamentos / quando sua maré baixa / a onda reversa / deixa na superfície da pele / minúsculos sobreviventes / resquícios da viração / então na calmaria respira / afrouxa o nó dos sustos / esvazia os poros de medos / faz preenchimento de desejos / sem prazos nem validades.
FLOR DA PELE: Abre-te sol / no verão tropical / gringos na praia / purpurina no metrô / ombro vermelho / calor à flor da pele / corpo molhado / flor no chão / pedras na calçada.
III - o dia segue / os sonhos passam / acima dos ombros / voando como nuvens / num entra e sai / pelas orelhas atentas / suprema vertigem / olhares de horizonte.
IV - Há também / o tsunami do bem / sol e mar / alquimia intensa / num eterno poetar.
V - Travessa na mão / livros na sacola / pés no chão / poemas na imaginação.
INES LEMPECK – Poema da poeta e psicóloga Ines Lempek, especialista em Psicanálise e Cultura pela UnB, participando de antologias, oficinas, revistas literárias e blogs. Ela é autora do livro de poemas O avesso do clima (Bestiário, 2019).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Muitas das minhas lembranças mais claras são sobre comida pós-guerra - como tomates crescendo na horta comunitária que meu avô recuperou após a guerra. Havia também morangos naquele jardim que amadureciam no meu aniversário e galinhas no quintal e o vendedor de batatas chegando nna rua com seu carrinho, e as lembranças de finalmente ter idade suficiente e levar um balde para a loja onde estávamos alinhados para receber a ração de leite. Em minha memória, parece haver uma abundância de comida, mas, de fato, era racionamento severo e muitas pessoas com muita fome, como em outras partes da Europa e do Reino Unido.
BRIGITTE CARNOCHAN - A arte da artista visual estadunidense Brigitte Carnochan que produz uma grande variedade de trabalhos fotográficos desde o final dos anos 90, começando com a investigação dos gêneros clássicos de flores e nus. Sua arte frequentemente combina elementos de pintura que os impregnam com uma luz semi-espiritual. Mais recentemente, seu trabalho investigou as complexidades ocultas de sua própria família, com um pai que estava no exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Suas fotografias usaram elementos de seu passado para criar colagens de fotos que são mapas de memórias. Veja mais aquiaqui.

TODO DIA É DIA DA MULHER PERNAMBUCANA
Imagem: Mameluca woman, do pintor e desenhista holandês Albert Eckhout (1610-1665).
MEMÓRIA: Adriana de Holanda (1542-1645), colonizadora de Pernambuco que, juntamente com seu marido Christoph Lins, estabeleceu-se em Porto Calvo, na região onde hoje é o estado de Alagoas, fundando sete engenhos de cana-de-açúcar e vivendo por mais de cem anos de idade.
A música do instrumentista, cantor e compositor Dominguinhos (José Domingos de Morais – 1941-2013), o documentário Dominguinhos (2014) & Veredas Nordestinas (Continental, 1989), o dvd Ao vivo em Nova Jerusalém (Globo Nordeste, 2009) e cd/DVD Iluminado (Biscoito Fino, 2010) aqui e aqui.
Desmanchando o nordeste em poesia, do poeta popular Manoel Bentevi (1911-1999) aqui e aqui.
A guerrilheira perfumada: crônicas do amor diário, do jornalista e escritor Ronildo Maia Leite (1930-2009) aqui & aqui
As prosas de Izabel Marques aqui & aqui.
Água, Vida Água, do poeta e ativista cultural João de Castro aqui.
Circo Itinerante aqui.
As Tribos de Águas Belas aqui & aqui.
&
OFICINAS ABI
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
 

terça-feira, janeiro 27, 2015

ANA MENDIETA, CARMEN LAFORET, LYGIA CLARK & GÜLTEN AKIN CANKOÇAK

 


ANA & A ARTE INTERROMPIDA – De Havana para a casa de praia de Varadero foi a sua infância. Aos doze anos o exílio Peter Pan num orfanato dos Estados Unidos - um êxodo forçado clandestino pro orfanato de Dubuquet: Lá eu era um ser erótico (o mito da latina ardente), agressivo e de certa forma diabólico. Isso criou em mim uma atitude muito rebelde. Desterrada, a arte foi a sua salvação em Iowa. O abalo com o estupro e assassinato de uma sua colega, motivou performar com corpo coberto por sangue: Rape Scene - uma homenagem para Sara Ann Otten: uma festa em que ela debruçou-se imóvel sobre a mesa da cozinha, com as mãos amarradas e as calças arriadas, coberta por sangue. Depois Untitled (People Looking at Blood, Moffitt) e como as pessoas viam uma poça de sangue na calçada. Todos indagavam quem seria aquela corajosa jovem estudante cubana: estava muito à frente do seu tempo. Ao sair da faculdade, sem dinheiro nem contatos, foi tentar a sorte em New York depois de ter sido vítima de extremas experiências racistas e xenófobas. Sua arte pioneira e original na transcendência e singularidade experimental foi formada pelo dialeto pessoal na busca pela conexão com um passado não vivido, a ancestralidade. Integrou a A.I.R Gallery (Artists in Residence) – ampliando as experiências de imigrante excluída, desqualificada, hipersexualizada e à procura pelo pertencimento em um país avesso ao diverso: A população branca dos Estados Unidos, diversa, mas de origem europeia básica, exterminou a civilização indígena e deixou de lado as culturas negras e não-brancas para criar uma cultura homogênea dominada pelos homens acima da divergência interna... Como mulheres não brancas, nossas lutas são duplas... O contentamento com a carreira em andamento, pois havia se apaixonado, casou-se, sua arte crescia e o relacionamento se deteriorava. Demitiu-se diante de um desentendimento. Vídeos, fotografias, landart, bodyart, a recuperação do elo terra-corpo, a conexão e o envolvimento da escala humana no não-lugar e um corpo almejando abrigo imolando seus ícones: Tendo sido arrancada da minha terra natal durante a adolescência, estou oprimida pela sensação de ter sido expulsa do útero. Minha arte é a forma em que restabeleço os laços que me conectam ao universo... A transmutação e a transitoriedade levavam ao fascínio e assombro do seu labirinto expurgando, restaurando e perlaborando a sua experiência no mundo. Sentia-se arrancada do seu chão, expulsa do ventre, buscando restabelecer os laços que a uniam ao universo, por meio da sua geopolítica ecosófica e feminista. Foi pra cidade-ruína do Pueblo Viejo – Árvore Velha e seguiu para as tumbas e cavernas nas pedras vulcânicas de Yagul, em Oaxaca, México, para conceber a Silueta Series. Quando se decidiu pelo divórcio, despencou pela janela do 34º de um prédio em Greenwich Village. Ela tinha pânico de altura e muitas evidências e versões contraditórias. A sua arte e liberdade foram atacadas, interrompidas, excluída da história pelo protocolo do silêncio. Veja mais abaixo e mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Minha arte é a forma como restabeleço os laços que me unem ao universo. Minha arte é fundamentada na crença de uma energia universal que atravessa tudo: do inseto ao homem, do homem ao espectro, do espectro à planta, da planta à galáxia. Minhas obras são as veias de irrigação desse fluido universal. Por elas ascendem a seiva ancestral, as crenças originais, as acumulações primordiais, os pensamentos inconscientes que animam o mundo. Pensamento da pintora, escultora, performer e vídeo artista cubana Ana Mendieta (1948–1985). Veja mais aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Quantos seres sou eu para buscar sempre do outro ser que me habita as realidades das contradições? Quantas alegrias e dores meu corpo se abrindo como uma gigantesca couve-flor ofereceu ao outro ser que está secreto dentro de meu eu? Dentro de minha barriga mora um pássaro, dentro do meu peito, um leão. Este passeia pra lá e pra cá incessantemente. A ave grasna, esperneia e é sacrificada. O ovo continua a envolvê-la, como mortalha, mas já é o começo do outro pássaro que nasce imediatamente após a morte. Nem chega a haver intervalo. É o festim da vida e da morte entrelaçadas... Pássaros e leões nos habitam, são nosso corpo-bicho... Pensamento da pintora e escultora Lygia Clark (1920-1988). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

NADA - [...] Quem poderá compreender os mil fios que unem as almas dos homens e o alcance das suas palavras? [...] Parece-me que não adianta correr se temos que seguir sempre o mesmo caminho fechado da nossa personalidade. Alguns seres nascem para viver, outros para trabalhar e outros para olhar a vida. Tive um papel pequeno e mesquinho como espectador. Impossível sair disso. Impossível me libertar. Uma angústia tremenda era a única coisa real para mim naqueles momentos [...] Não procuro gentileza nem mesmo bons modos nas pessoas..., embora acredite que estes últimos sejam essenciais para conviver com eles. Gosto de pessoas que veem a vida com olhos diferentes dos outros, que consideram as coisas de forma diferente da maioria... Talvez isso aconteça comigo porque sempre convivi com seres muito normais e satisfeitos consigo mesmos... [...] Talvez o sentido da vida para uma mulher consista apenas em ser descoberta assim, olhada de uma forma que a faça sentir-se radiante de luz.[...]. Trechos extraídos da obra Nada (Alfaguara, 2008), da escritora espanhola Carmen Laforet (1921-2004).

 

TRES POEMASPOEMA - A poesia é nossa velha cúmplice. \ Tudo o que cometemos, cometemos com ela. AREIA - Tive um amante que me mandou a areia da cidade em que morava. E sempre me \ perguntei sobre o vento daquele lugar\ É bem comportado ou louco É permanente?\ céu? O que\ tirou do chão\ Tínhamos cidades que partilhávamos Então\ o vento era mestre, eu era novato\ Ele soprou e passou com pressa\ A areia encheu meus olhos. A PRÓXIMA VEZ - Quando as coisas não acontecem do seu jeito\ Você está passando pela próxima vez\ Uma estrela cai no mundo\ De repente a terra treme\ Crianças com olhos mortos\ Esperando o sol que não nasce Tanta neve e vento\ nas montanhas O narciso esquecido Até florescer. Poema da escritora turca Gülten Akın Cankoçak (1933- 2015).

 

SACADOUTRAS

 

O SÍMBOLO DA LUTA PELOS DIREITOS – “- Por que você nos importuna”, perguntou ao policial que a abordava dentro do ônibus. – Eu não sei, mas lei é lei e você está presa!”. Esta é a abertura da narrativa do capítulo Triunfo do multiculturalismo, escrito por Demétrio Magnoli em seu Uma gosta de sangue: história do pensamento racial (Contexto, 2009). Esse caso traz a luta da costureira negra estadunidense, Rosa Parks, oficialmente Rosa Louise McCauley (1913-2005), que se tornou o símbolo do movimento dos direitos civis. A prisão ocorreu em 1955 quando ela se recusou a ceder seu lugar num ônibus para os brancos, marcando o estopim do preconceito racial que irá deflagrar o Boicote aos Autocarros de Montgomery, no Alabama. Por causa disso, por 381 dias, atendendo o chamado da Associação pelo Progresso de Montgomery, conhecida pelas iniciais MIA, a população negra da cidade parou de utilizar ônibus. Caminhando, pedalando, pegando carona ou usando táxis que, em solidariedade, cobravam o mesmo preço das tarifas dos ônibus, eles atraíram as atenções de todo país. Ativistas negros sofreram atentados e todo tipo de violência, inclusive, Luther King passou duas semanas na cadeia por conta deste evento. Uma Corte Federal do distrito julgou inconstitucional a segregação nos ônibus do Alabama e, no final de 1956, a Corte Suprema pronunciou um veredicto contra a apelação e o movimento alcançou uma vitória histórica. Depois de se aposentar, ela escreveu sua autobiografia e perseguiu seus últimos dias marcados pelo Mal de Alzheimer. Veja mais aquiaqui.

PROGRAMA TATARITARITATÁ – O programa Tataritaritatá que vai ao ar todas terças, a partir das 21 (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação desta terça aquiLogo mais, a partir das 21hs (horário de Brasília), acontecerá mais uma edição do programa Tataritaritatá com muita festa e a apresentação da querida Meimei Corrêa. E com as seguintes atrações na programação: Mozart, Heitor Villa-Lobos, Quarteto Radamés Gnattali, Waldir Azevedo, Lenine, Rildo Hora, Geraldo Azevedo, Moraes Moreira, Milton Nascimento, Leila Pinheiro, Chico Buarque, Maria Rita, Sonia Mello, Wilson Monteiro, Milane Hora, Jan Cláudio, Eliste Retter, Monsyerrá Batista, Júlio Uçá, Ricardo Machado, Marcio Celli, Mazinho, Marisa Serrano, um especial de aniversário do Djavan & muito mais! Veja mais aqui.

SERVIÇO:
O que? Programa Tataritaritatá Especial de Ano Novo
Quando? Hoje, terça, 27 de janeiro, a partir das 21hs (horário de Brasília)
Onde? No MCLAM - blog do Programa Domingo Romântico
Apresentação: Meimei Corrêa

O programa de hoje é dedicado à memória do poetamigo Jaorish Gomes Telles.

Imagem: Mulher nua de costas, da pintora portuguesa Paula Rego. Veja mais aqui.

Ouvindo: Não é azul mas é mar (1987) de Djavan. Veja mais aqui.

PORQUE CANTAR JÁ NÃO MUDA EM MANHÃ – Quando tive o prazer e a honra de musicar este poema de Fernando Fábio Fiorese Furtado, o fiz inserir no meu show Tataritaritatá. É que o poema diz muito do que eu quero dizer no palco e na vida, e a música surgiu tão logo comecei a lê-lo. Na verdade, a música já existia no poema, eu apenas a descobri. Confira aqui e aqui.


A DIVINA COMÉDIA – O filósofo alemão Friedrich Schelling (1775-1854), entre os seus estudos desenvolvidos, tratou a respeito da obra A divina comédia, o poema sagrado do poeta e político italiano, Dante Alighieri (1265-1321), em um ensaio que expressa que: “[...] tão longínquo monumento da filosofia ligada com a poesia como são as obras de Dante, há muito recobertas pela santidade da antiguidade. [...] A admirável grandeza do poema, que refulge na interpenetração de todos os elementos da poesia e da arte, chega inteiramente, desse modo, à aparição exterior. Essa obra divina não é plástica, nem pitoresca, nem musical, mas estudo isso ao mesmo tempo e em concordante harmonia: não é dramática, nem épica, nem lírica, mas também deste gêneros uma mistura inteiramente própria, única, sem exemplo. Acredito ter mostrado, ao mesmo tempo, que ele é profético, exemplar, para toda a poesia moderna. Capta em si todas as suas determinações e sobressai-se à sua maestria, ainda multiplamente misturada, como a primeira planta que se espraia sobre a terra e para o céu, o primeiro fruto da transfiguração. Aqueles que querem conhecer a poesia do tempo mais tardio, não segundo conceitos superficiais, mas em sua fonte, que frequentem este grande e rigoroso espírito, para saber por que meios a totalidade do tempo moderno é abrangida – e que não é tão fácil de atar o elo que a unifique. Aqueles que não estão destinados a isso, que desde já apliquem a si mesmo as palavras do inicio da primeira parte: deixai partir toda esperança, ó vós que entrais!”. A obra é inquestionavelmente um clássico da literatura universal, dividido em três partes: inferno, purgatório e paraíso, descrevendo a viagem do poeta na busca pela sua musa Beatriz, num cenário de riqueza de alegorias para um relato atemporal.Veja mais aqui, aquiaqui.

JAGUADARTE – O cultuado e traduzidíssimo poema nonsense de Lewis Carroll, pseudônimo do escritor, matemático, desenhista, fotógrafo e reverendo anglicano britânico Charles Lutwidge Dodgson (1832-1898), Jaguadarte (em inglês Jabberwocky), tem sido apreciado pelos mais renomados críticos e estudiosos pela fusão e disposição espacial das palavras ao longo do poema, precursor da poesia de vanguarda. Eis o poema numa tradução de Augusto de Campos: Era briluz. As lesmolisas touvas roldavam e reviam nos gramilvos. Estavam mimsicais as pintalouvas, E os momirratos davam grilvos. "Foge do Jaguadarte, o que não morre! Garra que agarra, bocarra que urra! Foge da ave Fefel, meu filho, e corre Do frumioso Babassura!" Ele arrancou sua espada vorpal e foi atras do inimigo do Homundo. Na árvore Tamtam ele afinal Parou, um dia, sonilundo. E enquanto estava em sussustada sesta, Chegou o Jaguadarte, olho de fogo, Sorrelfiflando atraves da floresta, E borbulia um riso louco! Um dois! Um, dois! Sua espada mavorta Vai-vem, vem-vai, para tras, para diante! Cabeca fere, corta e, fera morta, Ei-lo que volta galunfante. "Pois entao tu mataste o Jaguadarte! Vem aos meus braços, homenino meu! Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!" Ele se ria jubileu. Era briluz. As lesmolisas touvas roldavam e relviam nos gramilvos. Estavam mimsicais as pintalouvas, E os momirratos davam grilvos. Veja mais aqui.
E como todo dia é dia da mulher, hoje é dia de homenagear a linda atriz Carrie-Anne Moss. Veja mais aqui.


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Ovídio, Nikolai Gógol, Eduardo Giannetti, Xangai, Bob Rafelson, Diana/Ártemis, Theresa Russel & Agostino Carracci aqui.

E mais:
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Perfume de mulher aqui.
João Cabral de Melo Neto, Rigoberta Menchú Tum, Joan Baez, Simone de Beauvoir & Eduardo Viana aqui.
Hermeto Pascoal, Eric Kandel, Ludwig van Beethoven, Linda Lovelace & Nina Kozoriz aqui.
Oswald de Andrade, Stanislaw Ponte Preta, Mary Whiton Calkins, Hypatia de Alexandria, Geraldo Azevedo & Parmigiano aqui.
Hannah Arendt, Tarsila do Amaral, Edvard Hagerup Grieg, Rubem Braga & Eleanor Jack Gibson aqui.
Paul Feyerabend, Gilberto Mendes, Brian de Palma, Sandra Scarr, Chaim Soutine, Penelope Ann Miller & Programa Tataritaritatá aqui.
A vida é linda, apesar dos enrustidos & dos chatos de galocha, Selene, A lenda Bororo das duas pombas, Laura Tedeschi, Witold Lutoslawski & Ewa Kupiec aqui.
No país da sabiduria, só sabido ganha jogo, Alfosno Hernández Catá, Sebastião Salgado, Zé Paulo Becker, Pedro Sangeon & Michael Malfano aqui.
Bloco descontentes do Fecamepa, Alban Berg, Andy Golub, Cristiane Campos & Wilson Araújo aqui.
O milagre do amor na festa do dia e da noite, Oscar Wilde, Richard Strauss & Inga Nielsen, Violante Placido & Luciah Lopez aqui.
A vida que sou na alma do Recife, Marlos Nobre, Osman Lins, Cicero Dias & André Cunha aqui.
No país do Fecamepa, até no dia da felicidade não dá pra ser feliz & João Câmara aqui.
Contratos Mercantis, Denise Dalmacchio, Fernanda Guimarães, Jussanam, Consiglia Latorre, Aline Calixto & Fátima Lacerda aqui.
Psicologia no Brasil, Armélia Sueli Santos Salles, Carmen Queiroz, Bárbara Rodrix, Verônica Ferriani, Paula Moreno & Liz Rosa aqui.
Mesmer & Mesmerismo, Nara Salles, Mirianês Zabot, Elaine Guedes, Eleonora Falcone, Juliana Farina & Dani Gurgel aqui.
Martin Buber, Elisabeth Carvalho Nascimento, Célia Mara, Adryana BB, Ivete Souza, Sandra Vianna & Elisete aqui.
Ayn Rand, Teca Calazans, Danny Reis, Tatiana Rocha, Valéria Oliveira, Natália Mallo & Dani Lasalvia aqui.
István Mészarós, Tetê Espíndola, Luciana Melo, Fhatima Santos, Thaís Fraga, Ana Diniz & Patty Ascher aqui.
Literatura de cordel: o papé da rapariga de Bob Motta aqui.
Proezas do Biritoaldo: quando o urubu tá numa de caipora, não há pau que escore: o de debaixo caga no de cima aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Ísis Nefelibata
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.



MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...