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quinta-feira, abril 23, 2015

PATRICIA HILL COLLINS, NARCIZA AMÁLIA, SHAKESPEARE & BRIGITTE BARDOT

 


A SOLIDÃO DE NARCISA, A POETA DOS LIVRES… - Nascida em São João da Barra, aquela bela Ariana, filha de poeta e duma professora, falava latim e francês, aprendendo retórica com seu pai. Logo mudou-se para Resende e lá, ainda adolescente, se casou com um artista mambembe. Não durou muito, separando-se. Ganhava, a partir de então, a pecha de mulher separada. Refez-se e logo se ocupou em traduzir George Sand e outros autores franceses. Traduziu não só contos, como também ensaios, até os estudos do paleobotânico Gaston de Saporta. Veio, então, o Segundo casamento e, pouco tempo depois, nova separação acompanhada de boatos nada alvissareiros. Aumentava o peçonhento estigma de mulher separada, sendo fortemente difamada. Manteve-se firme e publicou seu livro de poemas Nebulosas, com tanto sucesso e a ponto de ser elogiado tanto por Machado de Assis, como pelo Pedro II. Lá estavam seus versos exaltando a natureza, a patria e as lembranças da infância, além de poemas intimistas, femininos e de cunho social na defesa da abolição da escravatura. Por este livrou foi premiada com a Lira de Ouro e, em seguida, o prêmio da Mocidade Acadêmica do Rio de Janeiro. Mas o seu sucesso não veio sozinho e, com ele, tanta inveja nos ex-maridos, sendo atacada por eles com difamações horrendas, inclusive, a acusação de que não era autora dos seus poemas. Seguiu adiante contribuindo com o Novo Almanaque de Lembranças, fundando o Gazetinha – folha dedicada ao belo sexo, um pequeno jornal quinzenal, suplemento do Tymburitá. Manteve-se corajosamente em sua atividade, sensível erudita engajada com as questões humanitárias e o universe feminino. Por fim, cansada de tantos e sucessivos ataques, exilou-se voluntariamente em São Cristóvão, abandonando a literatura, dedicando-se exclusivamente à prática de magistério. Assim envelheceu pobre, com problemas de mobilidade, cega e esquecida, de nem se dar conta do desaparecimento definitive da poeta dos livres. Veja mais abaixo e mais aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Eu diria à mulher inteligente molha a pena no sangue do teu coração e insufla nas tuas criações a alma enamorada que te anima. Assim deixarás como vestígio ressonância em todos os sentidos... Pensamento da poeta, tradutora e jornalista Narciza Amália de Campos (1852-1924), que na sua crônica A mulher no século XIX (Democratema, 1882), expressou que: [...] A educação da mulher! Mas tem a mulher por acaso necessidade de ser educada? Para quê? Cautela! A mulher representa o gênio do mal sob uma forma mais ou menos graciosa e cultivar a sua inteligência seria fornecer-lhe novas armas para o mal. Procuremos antes torná-la inofensiva por meio da ignorância. Guerra, pois, à inteligência feminil! Eis a palavra do século passado. O que diria a idade de ouro da selvageria, quando o homem tinha o direito de vida e de morte sobre a sua companheira? Quando a mulher carregava-lhe a bagagem na emigração, a antílope morta – na caçada e roía os ossos em comum com os cães? Desprezada, embrutecida, castigada e vendida, a mísera arrastava o longo suplício de sua existência até que a morte viesse libertá-la e a pá de terra levantasse entre ela e o seu opressor uma eterna barreira. Nada há que justifique essa tenaz perseguição da mulher; e entretanto foi perpetuada de século a século! Na Ásia, de rosto sempre velado, ignorante e submissa como um cão, trabalhava, comia e chorava à vontade do senhor, sem que uma palavra de simpatia jamais lhe dilatasse o coração; na Índia, levavam-na mais longe: atiravam-na à fogueira no dia em que lhe expirava o marido! Em Babilônia era vendida em praça pública; em Esparta, escolhida ao acaso; em Atenas, circunscrita nos gineceus. Batida, aviltada e corrompida pelo homem, a mulher romana, por sua vez, bate, avilta e corrompe o homem no filho. [...]. É autor do poema Perfil de escrava: Quando os olhos entreabro à luz que avança, \ Batendo a sombra e pérfida indolência,\ Vejo além da discreta transparência \ Do alvo cortinando uma criança. \ Pupila de gazela - viva e mansa,\ Com sereno temor colhendo a ardência\ Fronte imersa em palor...Rir de inocência,\ Rir que trai ora angústia, ora esperança...\ Eis o esboço fugaz da estátua viva,\ Que - de braços em cruz - na sombra avulta\ Silenciosa, atenta, pensativa! \ Estátua? Não, que essa cadeia estulta\ Há de quebrar-se, mísera, cativa,\ Este afeto de mãe, que a dona oculta!.

 

ALGUÉM FALOU: O poder de uma mente livre consiste em confiar em sua própria mente para fazer as perguntas que precisam ser feitas e em sua própria capacidade de descobrir as estratégias que você precisa para obter respostas a essas perguntas. Com o tempo, isso requer a construção de comunidades que tornem esse tipo de trabalho intelectual e político possível… O conhecimento sem sabedoria é adequado para os poderosos, mas a sabedoria é essencial para a sobrevivência dos subordinados… Opressão descreve qualquer situação injusta em que, sistematicamente e durante um longo período de tempo, um grupo nega a outro grupo o acesso aos recursos da sociedade… Pensamento da socióloga estadunidense Patricia Hill Collins, autora da obra Black Sexual Politics: African Americans, Gender, and the New Racism (Routledge, 2006), no qual expressou que: [...] A mente do homem e a mente da mulher são as mesmas, mas esse negócio de viver faz com que as mulheres usem suas mentes de maneiras que os homens nem precisam pensar. [...] sob a ideologia daltônica do novo racismo, a negritude deve ser vista como evidência da alegada cegueira de cor que aparentemente caracteriza a oportunidade econômica contemporânea. [...] Assim, a ideologia de gênero não só cria ideias sobre feminilidade, mas também molda concepções de masculinidade. […] Grupos privilegiados rotineiramente assumem que todos os americanos merecedores vivem em moradias decentes, frequentam escolas seguras com professores atenciosos e serão recompensados ​​por seu trabalho duro com oportunidades de faculdade e bons empregos. Eles acreditam que negros e latinos indignos que permanecem presos em cidades do interior em deterioração recebem o que merecem e não merecem programas sociais que lhes mostrarão um futuro. Essa porta de oportunidade fechada associada à hipersegregação cria uma situação de redução de oportunidades e negligência. Esse é o clima exato que gera uma cultura de violência que é um componente crescente da "cultura de rua" em bairros negros pobres e de classe trabalhadora. [...] Suprimir o conhecimento produzido por qualquer grupo oprimido torna mais fácil para os grupos dominantes governarem porque a aparente ausência de dissidência sugere que os grupos subordinados colaboram voluntariamente em sua própria vitimização. [...].

 

AURORA NASCENTE – O livro Aurora nascente (Die Morgenröte im Aufgang, 1612) do filósofo e místico alemão Jacob Boehme (1575-1624), é uma das mais importantes obras do Ocidente na visualização do esplendor do conhecimento divino, apresentando os reais fundamentos das ciências filosóficas, astrológicas e teológicas sob a perspectiva do metacosmo. A cosmologia apresentada pelo autor permite o alcance do estado original de inocência e harmonia que permite ao ser humano atingir uma nova autoconsciência pela interação entre o homem e o universo. Da obra destaco os seguintes trechos: Benevolente leitor, eu comparo toda a Filosofia, a Astrologia, a Teologia, juntamente com a fonte de onde elas derivam, a uma bela árvore que cresce num soberbo jardim de delícias. [...] A qualidade boa opera e trabalha continuamente com grande atividade para [fazer a árvore] dar bons frutos, nos quais o Espírito Santo domina, e ela dá para isso sua seiva e vida. A qualidade má compele e se empenha também com todo o seu poder para dar sempre maus frutos, e o domínio lhe fornece para isso sua seiva e sua chama infernal. [...] Estas duas coisas [ou espécies de qualidades] estão agora na árvore da natureza; e os homens são formados desta árvore e vivem no meio de uma ou de outra qualidade neste mundo, nesse jardim, em grande perigo, exposto ora ao ardor do sol, ora à ‘chuva’, ora ao ‘vento’ e à ‘neve’. Mas como o homem tem tendência para ambas as qualidades [ou seja, tende tanto à natureza má quanto boa], pode ligar-se à que lhe apraz, porque vive entre uma e outra neste mundo; e as duas qualidades, boa e má, estão nele. Naquela em que se move, dela será imediatamente revestido: ou da força santa, ou da força infernal. Veja mais aqui, aqui & aqui.

Imagem: Semi reclining female nude, do pintor Art Nouveau alemão de origem francesa Marcel René Herrfeldt (1890 – 1965). Veja mais aqui & aqui.

Ouvindo no Dia Nacional do Choro o álbum Pixinguinha – For flute and san - coleção Clássicos do Choro Brasileiro (Choro Music), do genial compositor, arranjador e músico brasileiro Alfredo da Rocha Vianna Filho – o Pixinguinha (1897-1973). Veja mais aqui, aqui & aqui. 

A TEORIA QUÂNTICA - O físico alemão e ganhador do Prêmio Nobel de Física de 1918, Max Planck (1959-1947) foi quem desenvolveu a teoria da física quântica, uma revolução que revelou que o comportamento de pequenos sistemas obedecem regras que não podem ser explicadas pelas leis das teorias clássicas, vez que o mundo atômico e subatômico não obedeceriam as regras do mundo do dia-a-dia, sendo necessária novas interpretações as quais a intuição não se aplicava mais. Com isso, tornou-se um dos mais importantes físicos do século XX, tratando sobre a radiação de corpo negro, radiações eletromagnéticas e a hipótese da discretização das energias de partícula vibrando, chegando a afirmar que: "O mundo externo é algo independente do homem, algo absoluto, e a procura pelas leis que se aplicam a este absoluto mostram-se como a mais sublime busca científica na vida!". Veja mais aqui, aqui & aqui.

A MEGERA DOMADA – A comédia em cinco atos A megera domada (1594), do poeta, dramaturgo e ator inglês William Shakespeare (1564-1616), conta a história de Catarina, Petruchio e Hortênsio. Da peça destaco a cena II do Ato V, na tradução de Millôr Fernandes: (Aposento na casa de Lucêncio. Entram Batista, Vincêncio, Grêmio, o Professor, Lucêncio, Bianca, Petrúquio, Catarina, Hortênsio e sua viú­va, Trânio, Biondello e Grúmio. Os criados e Trânio trazem o banquete.) LUCÊNCIO: Por fim, depois de tanto tempo, se afinam as nossas notas dissonantes. E o momento, agora, acabada a batalha furiosa, de sorrir a perigos e ameaças passadas. Minha bela Bianca, dá a meu pai as boas-vindas, que, com a mesma ternura, me dirijo ao teu. Irmão Petrúquio, Catarina irmã, e tu, Hortênsio, com a viúva amada, é meu prazer que se divirtam ao máximo: sejam bem-vindos a esta casa. Um bom banquete aquecerá o nosso estômago, arrematando a nossa alegre festa. Sentem-se, por favor. Sentados podemos conversar mais à vontade ¾ sem deixar de comer. (Sentam-se.) PETRÚQUIO:      Não se faz outra coisa ¾ é sentar e sentar e comer e comer. BATISTA: São os prazeres de viver em Pádua, meu Petrúquio. PETRÚQUIO: Filho de Pádua só nos traz prazeres. HORTÊNSIO: Por nós ambos, Petrúquio, gostaria que fosse verdadeiro o que tu dizes. PETRÚQUIO: Ai, por minha vida, Hortênsio tem receio da viúva. VIÚVA: Então jamais confie em mim, se meto medo. PETRÚQUIO:        Criatura tão sensível e não percebeu o meu sentido. Eu quis dizer que Hortênsio receia por você. VIÚVA: Quem está gira diz que o mundo gira. PETRÚQUIO: É uma resposta louca. CATARINA:       Senhora, que pretende dizer com essa frase? VIÚVA: É a concepção que tenho dele. PETRÚQUIO: Concebe de mim? Oh, que dirá Hortênsio? HORTÊNSIO: Minha viúva quis dizer que concebeu um conceito a seu respeito. PETRÚQUIO: Muito bem remendado. Boa viúva, ele merece um beijo. CATARINA: Quem é gira diz que o mundo gira. Lhe perguntei o que pretende dizer com essa frase. VIÚVA: Que seu marido, torturado por viver com uma megera, pensa que meu marido sofre igual desdita. Já sabe agora a minha intenção. CATARINA: Intenção de ferir. VIÚVA: Referir... a você. CATARINA: Sou megera, em verdade; mas em comparação, quem sabe? PETRÚQUIO: A ela, Cata! HORTÊNSIO: Nela, viúva! PETRÚQUIO: Cem marcos, como minha mulher fica por cima. HORTÊNSIO: Eh, é minha essa função! PETRÚQUIO: Ao funcionário. (Bebe.) BATISTA: Então, Grêmio, que acha dessa gente de cabeça ágil? GRÊMIO: Acho, senhor, que estão trocando boas cabeçadas. BIANCA: Boas cabeçadas. Certas cabeças lutariam melhor se tivessem os chifres que merecem. VINCÊNCIO: Oh, a bela noiva; a discussão acordou-a! BIANCA: Ligeiramente. Torno a dormir. PETRÚQUIO: Não torne não. Agora que entrou, prepare-se para flecha­das mais certeiras. BIANCA: Sou seu passarinho? Pertenço ao seu viveiro? Pois vou mu­dar de bosque. E quem tiver bom arco me persiga. Sejam bem-vindos, todos. (Saem Bianca, Catarina e a viúva.) PETRÚQUIO: Oh, perdi a mira! Aqui, senhor Trânio, ao pássaro que alvejou e não feriu. À saúde de todos que atiram e falham. TRÂNIO: Oh, senhor, Lucêncio usou-me como um perdigueiro que corre muito, mas, quando apanha a caça, é para o dono. PETRÚQUIO: Boa comparação; e bem ligeira; mas um tanto canina. TRÂNIO: Quanto ao senhor, fez bem em perseguir a própria caça; di­zem, porém, que a corça que persegue mantém sua distância. BATISTA: Eh, oh, Petrúquio! Trânio acertou uma! LUCÊNCIO: Agradeço a estocada, amigo Trânio. HORTÊNSIO: Confessa, confessa que ele te acertou! PETRÚQUIO: Confesso, me arranhou um pouco. Mas, como o golpe pegou-me de raspão, posto dez por um que atingiu em cheio vocês dois. BATISTA: Agora, bom Petrúquio, falo a sério; acho que a mais megera é mesmo a que te coube. PETRÚQUIO: Não discuto; vamos verificar. Cada um de nós manda chamar a esposa. Aquele cuja esposa for mais obediente, vindo assim que chamada, ganhará o prêmio que nós combinarmos. HORTÊNSIO: De acordo! Qual é o prêmio? LUCÊNCIO: Vinte coroas. PETRÚQUIO: Vinte coroas! Isso eu aposto em meu falcão ou em meu cão de caça. Em minha esposa aposto vinte vezes. LUCÊNCIO: Cem coroas, então. HORTÊNSIO: De acordo. PETRÚQUIO: O jogo está fechado. HORTÊNSIO: Quem começa? LUCÊNCIO: Eu começo. Vai, Biondello, e diz a minha esposa que venha até aqui. BIONDELLO: Já vou. (Sai.) BATISTA: Meu filho, fico com metade da aposta. Bianca vem. LUCÊNCIO: Nada de sócio. Vou ganhar sozinho. (Entra Biondello.) En­tão. então? Que aconteceu? BIONDELLO: Patrão, sua senhora manda dizer que está ocupada e que não pode vir. PETRÚQUIO: Olá, está ocupada e não pode vir! Isso é resposta? GRÊMIO: Sim, e por sinal, gentil. Peça a Deus, senhor, que não lhe mande uma pior. PETRÚQUIO: Melhor, melhor! HORTÊNSIO: Biondello, seu tonto, corre e roga a minha esposa que venha ter comigo, por favor. (Sai Biondello.) PETRÚQUIO: Ah, eh! Rogando, bem, pode ser que ela venha. HORTÊNSIO: Acho, senhor, que a sua, nem rogando vem. (Entra Bion­dello.) Então, onde está minha esposa? BIONDELLO: Disse para o senhor deixar de brincadeira. Disse que não vem; se o senhor quiser pode ir lá. PETRÚQUIO: Cada vez pior: se o senhor quiser pode ir lá! Absurdo, vergonhoso, intolerável! Grúmio, vá procurar sua patroa e diga-lhe que lhe ordeno vir aqui! (Sai Grúmio.) HORTÊNSIO: Já sei a resposta. PETRÚQUIO: Qual é? HORTÊNSIO: Não vem. PETRÚQUIO: Tanto pior minha sorte. Ai, o fim. BATISTA: Por Nossa Senhora, lá vem Catarina! (Entra Catarina.) CATARINA: Que deseja, senhor, pra que me chama? PETRÚQUIO: Onde está tua irmã e a mulher de Hortênsio? CATARINA: Conversam, senhor, junto à lareira do salão. PETRÚQIJIO: Vai buscá-las; se recusarem vir, podes bater-lhes com vontade, desde que venham ter com os maridos. Vai, anda; que ve­nham sem demora! (Sai Catarina.) LUCÊNCIO: Se existem milagres, acabo de ver um. HORTÊNSIO: Milagre é; não sei é o que anuncia. PETRÚQUIO: Ora, anuncia a paz, o amor, a vida calma, respeito a quem se deve, justa supremacia. Para ser breve, tudo que traz prazer, felicidade. BATISTA: Que tudo de bom te aconteça, meu Petrúquio! A aposta é tua e junto mais vinte mil libras ao que os dois perderam; é um outro dote para outra filha. Está tão mudada que não é mais a mesma. PETRÚQUIO: Não, quero ganhar melhor a minha aposta mostrando outros sinais de sua obediência. Obediência; essa virtude que apren­deu agora. Vejam, lá vem ela, trazendo pela mão as duas mulheres geniosas, prisioneiras de sua atual convicção. (Entra Catarina, com Bianca e a viúva.) Catarina, não te assenta esse chapéu que trazes. Bota fora e pisa essa besteira. (Ela obedece.) VIÚVA: Meu Deus, não me dê jamais o infortúnio de padecer seme­lhante humilhação! BIANCA: Que vergonha! Isso é uma obediência estúpida. LUCÊNCIO: Gostaria que tua obediência fosse igualmente estúpida, formosa Bianca. Pois tua obediência sábia já me custou cem coroas. BIANCA: Pois mais estúpido é você que aposta em minha obediência. PETRÚQUIO: Catarina, encarrego-te de dizer a essas senhoras cabeçu­das as obrigações que têm para com seus maridos e senhores. VIÚVA: Vamos, vamos, está zombando. Não queremos sermão. PETRÚQUIO: Estou mandando, vamos; e começa com ela. VIÚVA: Não o fará. PETRÚQUIO: Fará: e começa com ela. CATARINA: Tem vergonha! Desfaz essa expressão ameaçadora e não lança olhares desdenhosos para ferir teu senhor, teu rei, teu sobera­no. Isso corrói tua beleza, como a geada queima o verde prado, destrói tua reputação como o redemoinho os botões em flor; e não é nem sensato nem gracioso. A mulher irritada é uma fonte turva, enlamea­da, desagradável de aspecto, ausente de beleza. E enquanto está as­sim não há ninguém, por mais seco e sedento, que toque os lábios nela, que lhe beba uma gota. O marido é teu senhor, tua vida, teu protetor, teu chefe, e soberano. É quem cuida de ti, e, para manter-te, submete seu corpo a trabalho penoso seja em terra ou no mar. Sofren­do a tempestade à noite, de dia o frio, enquanto dormes no teu leito morno, salva e segura, segura e salva. E não exige de ti outro tributo senão amor, beleza, sincera obediência. Pagamento reduzido demais para tão grande esforço. O mesmo dever que prende o servo ao sobe­rano prende, ao marido, a mulher. E quando ela é teimosa, imperti­nente, azeda, desabrida, não obedecendo às suas ordens justas, que é então senão rebelde, infame, uma traidora que não merece as graças de seu amo e amante? Tenho vergonha de ver mulheres tão ingênuas que pensam em fazer guerra quando deviam ajoelhar e pedir paz. Ou procurando poder, supremacia e força quando deviam amar, servir, obedecer. Por que razão o nosso corpo é liso, macio, delicado, não preparado para a fadiga e a confusão do mundo, senão para que o nosso coração e o nosso espírito tenham delicadeza igual ao exterior? Vamos, vamos, vermes teimosos e impotentes. Também já tive um gênio tão difícil, um coração pior. E mais razão, talvez, pra revidar palavra por palavra, ofensa por ofensa. Vejo agora, porém, que nossas lanças são de palha. Nossa força é fraqueza, nossa fraqueza, sem re­médio. E quanto mais queremos ser, menos nós somos. Assim, com­preendido o inútil desse orgulho, devemos colocar as mãos, humildemente, sob os pés do senhor. Para esse dever, quando meu esposo quiser, a minha mão está pronta. PETRÚQUIO: Sim, eis uma mulher! Vem, dá-me um beijo. Cata. LUCÊNCIO: Vai, segue teu caminho, amigo; chegaste onde querias. VINCÊNCIO: É agradável ouvir a juventude em tão belo momento. LUCÊNCIO: Mas mulheres teimosas, meu Deus, que abatimento! HORTÊNSIO: Vai, segue teu caminho; domaste uma megera brava. LUCÊNCIO: Permita-me dizer; é um assombro que esteja assim domada. PETRÚQUIO: Estamos os três casados, mas vocês dois, vencidos! Co­mo vencedor, porém, eu peço a Deus que lhes favoreça uma boa noite! E agora, Catarina, para a cama! (Saem.). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui,  aqui e aqui.

BIOPOESIA: O TOQUE DA FAUSTOSA PORNÓGRAFA – A escritora, advogada, professora e pesquisadora humanista e revolucionária Silvia Mota, é mestre em Direito Civil pela UERJ, cônsul dos Poetas Del Mundo para Cabo Frio (Rio de Janeiro), associada à Rede de Escritoras Brasileiras (REBRA), membro Efetivo da Academia Virtual Brasileira de Letras e membro da Sociedade Brasileira de Bioética e da Associação Brasil Soka Gakkai Internacional. Ela milita na área de música, poesia e pintura, atuando na área do biodireito e da arte ecolologia, bem como reúne no sítio Silvia Mota diversos siteblogs que compreendem suas múltiplas atividades. Além disso, ela é a criadora e coordenadora do Portal Sociocultural Interdisciplinar Poetas e Escritores do Amor e da Paz: saber com dignidade, ética e respeito, já participou das mais diversas antologias, possuindo um currículo invejável que a caracteriza como uma intelectual atuante. Entre os seus poemas, primeiramente destaco o seu Toque: Não falarei de rosas ou crisântemos nesse mundo devastado pela chuva, onde tropeço em esqueletos alinhados no chão. Chamo corrupção a esse mal insano cortado em róseas auréolas mastigadas a sangue frio bem à frente dos meus olhos, na mesma rua onde moro. Seja qual for meu protesto contra as histórias sem futuro, assisto bocas sem dentes que sorriem ao falso riso. Chamo incultura aos sonhos obesos plantados em terra de fins lucrativos, mas cortados prematuramente ao surgir do novo amanhecer por cimitarras desprovidas de ética. Lembram-se – ao menos – daqueles que tocaram? Também merece destaque o seu Faustosa pornógrafa: Ensaiei obscenidades e ocultos fetiches. Fiz-te meretriz enferma e pintei teus lábios de sangue na ânsia de abafar de mim tua ridícula anemia. Ensaiei obsessões e cenas de canibalismo. Como se fosse numa zona do cais lavei-te os perfumes naturais e ao afã de injuriar-te salpiquei cheiros estranhos no teu chão. Depois, num ato insano, rameira perfumada, permiti que homens estúpidos a deflorassem sob meus olhos concupiscentes... Foi assim, Orbe Terra, foi assim, que ao roubar tua juventude explorei teus encantos e joguei-te indigente aos meus pés... quase morta... Veja mais aqui.

BOWLING FOR COLUMBINE – O premiadíssimo filme documentário Bowling for Columbine (Tiros em Columbine, 2002), do cineasta, documentarista e escritor estadunidense Michael Moore toma como base o massacre do instituto Columbine, investigando a violência, o extermínio dos indígenas, a militarização e segurança nacional, o política armamentista, o racismo, a cultura de que a maior defesa é o ataque, a publicidade das armas de fogo e os crimes violentos, para defender a sua tese que a taxa de homicídios no seu país se deve à sociedade violenta e não ao comércio das armas de fogo. O filme ganhou o Oscar , o Festival de Cannes e o Prêmio Cesar de cinematografia francesa, todos em 2003. Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da atriz francesa e símbolo sexual dos anos 1950/60 Brigitte Bardot. Veja mais aqui, aqui & aqui.


Veja mais sobre:
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Alvorada, O capital de Karl Marx, O desespero humano de Soren Kierkegaard, A construção do personagem de Constantin Stanislavski, a literatura de Luiz Ruffato, Memória Musical Brasileira de Anna Maria Kieffer, a poesia de Miklós Radnóti, o cinema de Ingmar Bergman & Harriet Andersson, as ilustrações de Federico Fellini, a pintura de Isabel Magalhães & Programa Tataritaritatá aqui.
A poesia digesta de Glauco Mattoso aqui.
Crônica de amor, A República de Cícero, Marta Suplicy, Jornal da Besta Fubana, Tolinho & Bestinha aqui.
A esfera estética de Max Weber, Os olhos de cão de Hilda Hilst, o teatro da crueldade de Antonin Artaud, a Literatura Brasileira de Silvio Romero, a música de Al Di Meola & Cynthia Makris, a pintura de Ludovico Carracci, Lorna de Russ Meyer & Barbara Popejoy, o cinema de James Griffith & Lorna Maitland, A ira explícita de Iramar Freire Guimarães & Programa Tataritaritatá aqui.
O jacaré e a princesa, A metafísica dos costumes de Immanuel Kant, Lolita de Vladimir Nabokov, O simbolismo do Teatro de T. S Eliot, a música de Bach & Yehudi Menuhin, O joelho de Claire de Éric Rohmer, a pintura de Paul Sieffert, a arte de Mae West, Catxerê: a mulher estrela & Poema a céu aberto de Natanael Lima Júnior aqui.
Ah, se estou vivo, tenho mais o que fazer, a literatura de Liev Tolstói, A cena dividida de Gerd Bornheim, a música de Joyce & Maurício Maestro, a poesia de Nauro Machado, a pintura de Lasar Segall, a arte de Patrick Conklin & Luciah Lopez aqui.
Além da entrega mais que tardia, a poesia de Sylvia Plath, a arte de Jean Cocteau, A literatura ocidental de Guillermo de Torre, a música de Sky Ferreira, Luciah Lopez, a pintura de Artemísia Gentileschi & Tom Wesselmann aqui.
Caraminholas do miolo de pote, O homem pós-orgânico de Paula Sibilia, a poesia de Guillaume Apollinaire, a literatura de Antoine de Saint-Exupéry, a música de Diamanda Galás, a fotografia de Jim Duvall, a pintura de Marie Fox & a arte de Luciah Lopez aqui.
Migrante entre equívocos, A tragédia da cultura de Georg Simmel, Santuário de William Faulkner, Cibercultura de André Lemos, a música de Ivan Lins & Sá & Guarabira, a pintura de James McNeill Whistler, o cinema de Tony Richardson & Lee Ann Remick, a arte de Lanoo & Yosuke Onishi aqui.
Lagoa da Prata, Cultura & arte pós-humana de Lucia Santaella, O folclore no Brasil de Basílio de Magalhães & Moacir da Costa Lopes, a música de Belchior, a fotografia de Tatiana Mikhina, a pintura de Joseph Mallord William Turner & a arte de Wesley Duke Lee aqui.
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quarta-feira, maio 16, 2012

KATE MILLETT, MAGGIE JACKSON, IBN HAZM, IBN AL-SHERESHI, LITERÓTICA

AS DELÍCIAS DO POMAR DELA – Seu corpo é o pomar de todas as delícias. É onde me esbaldo de não mais querer sair, desistindo do mundo e de tudo. Cubro todo seu terreiro, feito menino matreiro fugindo pelo quintal. Demais de legal, me atrepo por todos os galhos do seu desejo, busco seu talho, seu beijo, feito peralta carente. É no seu corpo que me faço que nem gente: vivo, sonho e realizo. E sem aviso aperto seu jeito como se espremesse carinhosamente a fruta no pé. Ah, que bom que é, chega sinto o sumo descer embaixo, eita, acendeu o facho, como é bom demais! Muito demais. Ah, é um bom caju, melhor embu. Dulcíssima graviola, suco de carambola, acerola na mão. Do seu bago sou chupão. E na sua pele de cajá, sabor de maracujá. Ah, me dá teu ingá que eu te dou meu araçá! Quero comer sua goiaba e toda mangaba. Chupar sua manga, ah, lamber seus peitinhos com sabor de pitanga, nada melhor, seja o que o for. Prazer de abacaxi, feito um sapoti! E faz a banana ser sua cana-caiana, ave, deus, avali. Água na boca, uma vida muito louca, foi tudo que eu pedi. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Sou muito infantil para ser imaturo. Eu amo a internet; Eu estou nisso o tempo todo. Todo homem é um herói para seu pseudônimo. Pensamento do escritor e crítico cultural estadunidense Lee Siegel, autor da obra Against the machine: being human in the age of the eletrônica mob (Spiegel & Grau, 2008), na qual expressa que: No mundo surreal da Web 2.0, a retórica de democracia, liberdade e acesso é usualmente uma folha de aprreira para uma retórica antidemocrática e coercitiva; onde ambições comerciais se disfarçam na pele de cordeiro dos valores humanísticos; e onde, ironicamente a tecbologia fez voltar o relógio do prazer desinteressado da arte popular e erudita para uma cultura primitiva de interesses próprios, toscos e avarentos. Sobre a Internet ele assevera que: É um desastre sem proporções. Está destruindo o jornalismo neste país, por exemplo. É uma estupidez que uma inovação tecnológica esteja comprometendo a qualidade do jornalismo, ao invés de melhorá-la. Não vejo nada novo ou original vindo dali. Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Eu escrevo sobre os aspectos intangíveis cruciais da vida - casa, atenção, incerteza - que muitas vezes esquecemos na era tecnológica, e procuro maneiras de contrabalançar a inquietação, velocidade, complexidade e natureza centrada na máquina de nossos tempos com calma, reverência , lucidez e humanidade. Não sou um ludita, nem estou fascinado pela tecnologia. Eu me considero um usuário com os olhos bem abertos e alguém que está constantemente perguntando: que tipo de humano queremos ser, hoje e no futuro? Pensamento da escritora e jornalista estadunidense Maggie Jackson, autora da obra Distracted: The Erosion of Attention and the Coming Dark Age (Prometheus, 2008) em que expõe a vida cibercêntrica com a deficiência de atenção, ou seja, que a erosão da capacidade de atenção profunda e plena consciência provocada pela vida cibercêntrica traz gritantes implicações para uma sociedade saudável, por nutrir uma cultura de difusão e desapego. Com a atenção dispersa entre os bips e pings de um mundo de botões, cada vez menos há capacidade de fazer uma pausa, refletir e conectar profundamente.

 

OUTRA QUE ALGUEM FALOU: Assuma o controle de sua vida, o que acontece? Algo terrível: não há ninguém para culpar. Pensamento da escritora estadunidense Erica Jong. Veja mais aqui e aqui.

 

A TRISTE SINA DE IBN HAZM & O COLAR DA POMBA- O polímata, historiador, jurista e filósofo muçulmano andaluz Ibn Hazm(Mohamed Ali ibn Ahmad ibn Said ibn Hazm, 994-1064), foi descrito como um dos hadith proponente e codificador da escola de pensamento islâmico Zahiri. Era filho do ministro de Al-Mansur e foi criado no harém do palácio de Córdova, no qual recebeu educação até a adolescência. Seu pai morreu em 1012, após ter conhecido as amarguras de uma grande desgraça. Aos 20 anos ele é forçado a deixar Córdova, caçado pelos Berberes almorávidas. Libertado, ele retoma o caminho do exílio e se apresenta em Valência onde novamente é aprisionado, só sendo libertado para ser ministro do Omíada Abd al-Rahman, que será assassinado numa conspiração e retoma o caminho da prisão. é quando compõe o célebre Tawk el hamama – O colar da Pomba. Depois se dedica à ciência e ao direito, porém seu temperamento combativo e sobretudo o desejo de contrariar a ortodoxia reinante o compelem a fazer-se defensor de uma escola heterodoxa, a dos Ahl adh’dhahir, ou escola da verdadeira religião. Intransigente, polemista dotado de uma pena acirrada e impiedosa, foi proibido de professar na grande Mesquita de Córdova. Em Sevilha os seus livros são publicamente queimados e sua efigie decapitada. Assim, foi preso, jogado na prisão e expulso da ilha. oprimido por tantas infelicidades, até acabar seus dias numa propriedade rural da família Badajoz. Ele produziu mais de 400 obras, mais de 80 mil páginas que o fez um dos principais pensadores do mundo muçulmano. Dele encontra-se o poema Al-Mahribi de flâmulas dos defensores: Você veio até mim um pouco antes / os cristãos tocaram seus sinos. / A meia-lua estava subindo / parecendo a sobrancelha de um velho / ou um delicado peito do pé. / E embora ainda fosse noite / quando você veio um arco-íris / brilhava no horizonte, / mostrando quantas cores / como a cauda de um pavão. Veja mais aqui.

 

POLÍTICA SEXUAL – [...] Uma revolução sexual exigiria antes de mais, talvez, o fim das inibições e tabus sexuais, especialmente aqueles que mais ameaçam o casamento monógamo tradicional: a homossexualidade, a «ilegitimidade», as relações sexuais pré-matrimoniais e na adolescência. Deste modo, o aspecto negativo no qual a atividade sexual tem sido geralmente envolvida seria necessariamente eliminado, juntamente com o código moral ambivalente e a prostituição. Esta revolução teria por objetivo estabelecer um princípio único de tolerância, completamente alheio aos sórdidos e alienantes fundamentos econômicos das tradicionais alianças sexuais. [...] O princípio tutelar, frequente na jurisprudência ocidental, colocava a mulher casada numa condição de objeto durante toda a vida. O marido passava a ser uma espécie de tutor legal, como se com o casamento ela passasse a fazer parte da categoria dos loucos e atrasados mentais, que, de um ponto de vista legal, eram também considerados como «mortos aos olhos da lei». Por muito irresponsável que o marido fosse e indiferente ao bem-estar dos seus filhos, ele estava legalmente autorizado a exigir e receber em qualquer momento os salários da mulher, mesmo sacrificando a vida dos que dele dependiam. Como chefe de família, da qual era proprietário, tinha poderes para privar a mãe dos seus próprios filhos, que legalmente lhe pertenciam, se quisesse abandoná-la ou divorciar-se dela. Um pai, tal como um negreiro, podia recorrer à lei para reclamar os seus bens mobiliários, sempre que quisesse. Podia reter a mulher contra sua vontade; as esposas inglesas que se recusassem a voltar para casa podiam ser presas. Se o marido morria sem deixar testamento, o Estado podia apropriar-se de todos os seus bens (porque legalmente todos os bens lhe pertenciam) sem deixar nada à viúva, ou apenas aquilo que entendesse conferir-lhe. A legislação de Nova Iorque era edificante e minuciosa neste aspecto; indiferente ao número de filhos, enumerava o seguinte como sendo devido à viúva: A Bíblia da família, quadros, livros escolares e todos os livros que não ultrapassem o valor de 50 dólares: rodas de fiar, teares e fogões; dez ovelhas e as suas peles, dois porcos. [...] Todo o vestuário necessário, camas, armações de cama, colchões e lençóis; os fatos da viúva e ornamentos próprios à sua condição. Uma mesa, seis cadeiras, seis facas e garfos, seis chávenas de chá e respectivos pires, um açucareiro, um bule de leite, um bule de chá e seis colheres. O exemplo mais parecido com o casamento é o feudalismo. [...] Trechos extraídos da obra Política Sexual (Dom Quixote, 1969), da escritora, artista, educadora e ativista estadunidense Kate Millett (1934-2017), que é considerado a “bíblia da liberação das mulheres”. Da autora há uma série de frases lapidares: O amor tem sido o ópio das mulheres como a religião o das massas. Enquanto amávamos, eles governavam. Pode ser que não é que o amor em si é ruim, mas a maneira como foi usado para persuadir a mulher e torná-la dependente, em todos os sentidos. Entre os seres livres é outra coisa O amor é simplesmente para permitir o outro a ser, viver, crescer, expandir e se tornar. Uma apreciação que não exige e nem espera nada em troca... É interessante ver que muitas mulheres não se reconhecem como discriminadas. Não foi encontrada melhor prova da totalidade de seu condicionamento... Sobre o patriarcado, a autora expressa que: O patriarcado é uma ideologia dominante sem comparação; é provável que nunca nenhum outro sistema tenha exercido um controle tão completo sobre seus sujeitos. [...] Ele se apoia em princípios fundamentais de que o macho tem que dominar a fêmea... As diferenças intelectuais entre o homem e a mulher são apenas consequências naturais das diferenças na educação e condicionamento e não implicam qualquer desigualdade fundamental e ainda menos uma inferioridade notória baseada na natureza... Um dos mitos favoritos da mentalidade conservadora consiste precisamente na ideia de que toda mulher é uma mãe em potencial... Veja mais aqui e aqui.

 

UM POEMA SOBRE A VELHICE – Ó povo da Andaluzia, vós compreendestes / Graças a vossa inteligência, uma coisa sutil: / para chorar vossos mortos vós vestis o branco. / Parecendo, talvez, um estranho traje / vós tendes razão: o branco é a verdadeira cor do luto. / Que luto é mais triste que a brancura dos cabelos? Poema do historiador e poeta muçulmano andaluz Ibn al-Shereshi sobre a velhice. Dele também é encontrada a anedota: Os homens que voltaram daquele lugar disseram que foram testemunhas de um horror como nunca tinham visto. Eles levaram os homens diante de um altar coberto de sangue, e um havia sido curvado sobre ele, e eles assistiram com horror como o seu o peito foi perfurado e seu coração foi arrancado de seu peito. Eles nos contaram com horror como os politeístas gritavam aos seus ídolos, e naquele momento eles sabiam que só podiam estar chamando o shayatan. Seus guias lhes disseram que os ídolos exigiram muito deles, mas eles não poderiam saber que seria assim. Tão aterrorizados ficaram que os atacaram com fúria e mataram vários deles, antes que fossem expulsos para além das muralhas de Tuloom e voltassem para seus navios no horror do que tinham visto. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

BREBOTES & OUTROS CLECKS ARRUELADOS


ABRE-TE SÉSAMO, MONSTESQUIEU – O que será que está escondido na sala secreta da CPMI do Cachoeira? Nossa, até o STF entra na dança. Pra mim é a proteção de poderosos no conluio nebuloso entre o Executivo, Legislativo e Judiciário, justo como propunha a Teoria dos Três Poderes do filosofo iluminista francês Montesquieu: cada poder deve ser autônomo para exercer determinada função e ser harmônicos entre si. E quando ocorre essa harmonia a gente já sabe: quem paga o pato é o povo! E Viva o Fecamepa!!!!!!


CACHOEIRA ABAIXO – Já vi tudo: vai descer cachoeira abaixo uma tuia de gatunildo e ladronaldo. Uns serão expostos ao opróbrio popular (já começou o circo!); outros, sairão com o pára-brisa trincado (cara dum, cara doutro, quem não pisar vira gafanhoto!); alguns mais fortes, farão a briga toda, sairão impune e a gente com uma pizza enorme ruim de digerir. Vê aí como é que é essa CPMI do Cachoeira.


DECLARAÇÃO DE AMOR – Michael Moore fez sua declaração de amor aos USA com o seu Capitalism: a love story. Eu fiz a minha ao Brasil: Fecamepa. E você? Aproveita o intervalo da televisão e raciocina um pouco, tá?


IMPRENSA BRASILEIRA: O QUE É, O QUE É? – Se os donos dos veículos de comunicação de massa do Brasil ou são políticos ou achegados deles, ou seja: de um dos lados do poder a imprensa está: ou a favor, ou contra. A pergunta que não quer calar: se a imprensa é o quarto poder e ou está do contra ou a favor do poder, onde fica o povo brasileiro nessa relação? E olhe que a imprensa deve primar pelo interesse público. Será? E o povo onde é que está nessa hora????? E haja BigShit Bôbras.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitoras comemorando a festa Tataritaritatá!
Art by Ísis Nefelibata
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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ANNE CARSON, FRANÇOISE VERGÈS, TAHMIMA ANAM & SETÍGONO

    Imagem: Pulsações caósmicas , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Em rota de colisão, a sorte...