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sábado, outubro 15, 2016

PIGLIA, HALBWACHS, BOB DYLAN, PICASSO, BORELLI, BOSI, MICCOLIS, IGLESIA & ROSIE PEREZ, DANNECKER, CARRASQUER, DABDAB, REUNIER, LUME, CHICHORRO & DINHEIRO


INEDITORIAL: ESCAPANDO & VINGANDO SONHOS (Imagens do artista plástico moçambicano Roberto Chichorro) – Salve, salve, gentamiga! Escapando das adversidades e vingando sonhos, eu persisto, insisto, resisto e persevero! Saravá! Mesmo que tudo seja do contra, eu vou cantando minhas loas. Mesmo que o amanhã sonhado seja inatingível utopia, eu me mantenho na crença de que a gente pode construir um mundo melhor paratodos. Mesmo que me digam e repitam e reiterem que nada vale a pena, eu persigo acreditando que viver vale muito mais que simplesmente comprar e vender, comer e cagar, peidar e feder, sorrir e chorar. Infelizmente vivemos num mundo em que se comemora hoje o lava mãos – eu não lavei, nem lavo as mãos: a minha luta é de todos. Saúdo os professores, esses abnegados profissionais que cultuam o saber e dividem seus conhecimentos, mesmo sabendo que vivemos uma educação que nos conduz para a tragédia humana. Saúdo a todos os que sofrem e choram, afinal hoje é Dia da Prevenção das Doenças do Coração – ao contrário dos maiorais da Nação que fazem questão de golpear todo dia nossa vida com as manchetes do noticiário. E, sem mais delongas, vamos pras novidades do dia: o destaque da edição de hoje fica por conta da reflexão sobre a imprensa de Nilson Araújo de Souza, a música do Prêmio Nobel Bob Dylan, a fenomenologia do olhar de Alfredo Bosi, a memória coletiva de Maurice Halbwachs, a literatura de Ricardo Piglia, a entrevista de Leila Miccolis, a pintura de Picasso, Carrasquer & Reunier, a fotografia de Roberta Dabdab, as Gárgulas da Borelli Cia de Dança, a Luma Teatro, o cinema de Álex de La Iglesia & Rosie Perez, a escultura de Johann Heinrich von Dannecker, a Cidadania na Escola, o Sarau Poético de Curitiba & a croniqueta O poeta chora. Vamos aprumar a conversa & veja mais aqui.

Veja mais sobre:
O Doro no dia do professor, Fernando Pessoa, Nietzsche, The Three Graces, Michel Foucault, Fela Kuti, Denise Fraga, Richard Linklater. John Vanderlyn & Julie Delpy aqui.

E mais:
As trelas do Doro: o desmanttelo da paixonite arrebentadora aqui.
A poesia de Maria Esther Maciel aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando a língua dá no dente do alcagüete, sai de riba que lá vem o enterro voltando aqui.
Fecamepa: enquanto os caras bufam por aumento no governo, aqui embaixo a gente só paga mico, né? Aqui.
Lavando pano & aprumando a conversa aqui.

DESTAQUE: A IMPRENSA
[...] Na prática, o que há é uma poderosa estrutura, representada pelos monopólios de comunicação, que penetra diariamente em nossos lares, procurando fazer nossa cabeça em todos os sentidos. Dizem do que devemos gostar, o que devemos comprar, como devemos ser, como devemos nos comportar. E usam das armas mais sórdidas, como a mentira, a deturpação dos fatos, a calúnia. [...] E como podemos ter liberdade de pensamento e de opinião, se a verdade é diariamente sonegada e, em seu lugar, se planta a mentira? Que democracia liberal que nada! Liberdade para quem? [...] Para atingir seus objetivos – manter sua dominação para ganhar cada vez mais -, esses biliardários recorrem a todos os meios possíveis e imagináveis, numa exacerbação da máxima maquiavélica de que os fins justificam os meios. Constroem arsenais nucleares para manter-nos em clima de terror; promovem a guerra (depois de fabricarem a guerra; usam os meios de comunicação numa política sistemática e sórdida de difamação e desmoralização de novas idéias; promovem ações clandestinas, incluindo o terrorismo; corrompem até a medula os homens públicos; invadem a privacidade dos cidadãos, usando as aparelhagens mais sofisticadas; derrubam governos, destroem, matam. Enfim, procuram controlar toda a vida social e todas as consciências e aqueles que não se submetem são vítimas da chantagem, do terror ou do assassinato. [...] E no cerne da ideologia burguesa está o individualismo, produto da propriedade privada e da produção de mercadorIas, que geram a constante competição entre os seres humanos. Cada um por si, Deus por todos. O ego é o Deus das relações humanas do capitalismo. E o egoísmo é eleito valor supremo (diz-se até que o equilíbrio do sistema é obtido quando cada um busca o proveito próprio). Na caça ao dinheiro – expressão suprema da riqueza capitalista -, vale tudo. [...]. Trechos extraídos da obra O colapso do neoliberalismo (Global, 1995), do economista e professor Nilson Araújo de Souza. Veja mais aqui e aqui.

O POETA CHORA - Imagem: The Old Guitarist (1903), do pintor, escultor, ceramista, cenógrafo, poeta e dramaturgo espanhol Pablo Picasso (1881-1973) - O poeta chora a sua e a dor alheia, ele é um fingidor. E doendo ele é todo coração e recita O amor de Maiakovisky e pranteia pelos que não têm onde cair morto e vivem embaixo das pontes, dos viadutos, nos bancos das praças, no ermo das ruas, pelas calçadas ou prédios abandonados. Ele chora pelos injustiçados, pelos que foram trucidados, pelos que foram mutilados, pelos que sofrem de quase morrer. Chora pelos que acabaram de nascer de mães paridas sem futuro algum; pelos que zanzam pelas noites e dias sem ter o que comer; pelas meretrizes desvalidas que ele solidário as fode para ejacular sua dor no prazer das que gozam ou fingem ter orgasmos múltiplos nas tremuras das carnes mundanas de todos os sofreres e castigos; das crianças que chamam pelos pais que se evadiram e das que tiveram os seus abatidos pela polícia ou pelo tráfico ou por latrocidas de plantão; pelos que são vítimas dos conluios nos gabinetes dos políticos e autoridades escamoteando direitos e serviços públicos; pelos que estão nos corredores das urgências morrendo de dores e nenhuma atenção pública à saúde; pelos que sucumbem à fome, às drogas e às ilusões do consumo, sem que tenham o direito de viver dignamente e em paz; pelos que são levados pelas promessas dos que se acham salvadores da pátria e do reino de Deus e pelos que se iludem com a primeira mentira que escapole da insensatez; pelos que seguem no meio da boiada sem parentes nem aderentes pro colapso do abismo; pelos que são infelizes por não terem o que querem e sofrem da inveja pra desgraçar a vida dos outros; pelos que perderam a esperança na vida e fazem da maledicência o seu único caminho; pelas mulheres que foram abandonadas, estupradas e mal-amadas por seus príncipes encantados e ainda acreditam que podem ser felizes apesar dos pesares; pelos que devotam a vida ao bem com a alteridade de que a dor do outro é sua também. O poeta chora, caminha sem destino e encontra refúgio na brisa do mar. Acende o pascaio feito na hora, traga, carbura as idéias a se perguntar por que o mundo é tão lindo e com tanto sofrimento. Mergulha na sua dor e naquelas que atormentam todo mundo. Lamenta e se aniquila, traga mais uma vez. Procura abrigo em si mesmo e na sua dor. De repente é assaltado por um estúpido infeliz que o desgraça: - Você está preso, maconheiro feladaputa! E é arrastado pelos cabelos e jogado no camburão, levado pela alta velocidade da viatura, sacudido na prisão, humilhado, espezinhado, cuspido e mal pago. Vão-se as noites e os dias, o poeta perde a noção do tempo e do choro, já era presidiário da sua própria dor, agora com outras dores: a da incompreensão, a da injustiça, a da estupidez. O poeta chora, tal Pasolini: chora um mundo morto, mas não está morto ele que o chora. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui e aqui.
Curtindo o box set Bob Dylan - The Original Mono Recordings (Colúmbia, 2010), do músico, poeta, artista plástico, compositor de música Folk estadunidense & Prêmio Nobel de Literatura 2016, Bob Dylan. Veja mais aqui e aqui.

FENOMENOLOGIA DO OLHAR – [...] o olhar não está isolado, o olhar está enraizado na corporeidade, enquanto sensibilidade e enquanto motricidade. [...] o ato de olhar significa um dirigir a mente para um “ato de “in-tencionalidade [...] Olhar e ser olhado, atividade e passividade, exercem-se em um campo de forças onde o poder e o conhecer se fundam mutuamente. O outro é uma liberdade que pode invadir a minha; logo, o outro existe. O olhar é a expressão mesma desse poder. [...] A diferença profunda que ocorre entre uma e outra se evidencia quando vista através da epistemologia antiga: há uma vertente materialista, ou mais rigorosamente sensualista do ver como receber, ao lado de uma vertente idealista ou mentalista do ver como buscar, captar. [...]. Trechos extraídos de Fenomenologia do olhar, do professor, crítico e historiador da literatura brasileira, Alfredo Bosi, recolhido da obra O olhar (Companhia das Letras, 1988), organizada por Adauto Novaes e Flávio Aguiar.

Imagens: a arte da fotógrafa, fotojornalista e pesquisadora de imagem Roberta Dabdab, que realizou em 2006 a mostra individual A língua das coisas.

PENSAMENTO DO DIA; MEMÓRIA COLETIVA – [...] para que a nossa memória se aproveite da memória dos outros, não basta que estes nos apresentem seus testemunhos: também é preciso que ela não tenha deixado de concordar com as memórias deles e que existam muitos pontos de contato entre uma e outras para que a lembrança que nos fazem recordar venha a ser constituída sobre uma base comum. [...] Que importa que os outros estejam ainda dominados por um sentimento que outrora experimentei com eles e que já não tenho? Não posso mais despertá-lo em mim porque há muito tempo não há mais nada em comum entre mim e meus antigos companheiros. Não é culpa da minha memória nem da memória deles. Desapareceu uma memória coletiva mais ampla, que ao mesmo tempo compreendia a minha e a deles [...] diríamos que cada memória individual é um ponto de vista sobre a memória coletiva, que este ponto de vista muda segundo o lugar que ali ocupo e que esse mesmo lugar muda segundo as relações que mantenho com outros ambientes [...]. Trechos extraídos da obra A memória coletiva (Centauro, 2006), do sociólogo francês Maurice Halbwachs (1877-1945), que escreveu uma tese sobre o nível de vida dos operários e desenvolveu o conceito de memória coletiva.


Imagens: a arte do pintor francês Marcos Carrasquer.

DINHEIRO QUEIMADO – [...] Só loucos assassinos e animais sem moral podem ser tão cínicos e tão criminosos a ponto de queimar quinhentos mil dólares. [...] Indignados, os cidadãos que observavam a cena davam gritos de horror e de ódio [...]. A partir daí, os seres lúmpen que assaltam se transformam em "niilistas". [...]. Trechos extraídos do romance Dinheiro roubado (Companhia das Letras, 1998), do escritor, ensaísta e compositor argentino Ricardo Piglia, contando a história de um assalto a um banco com a conivência de políticos e policiais, quando os ladrões traem os cúmplices e fogem para o exterior, onde sofrem um estranho cerco das autoridades.


Imagens: espetáculo de dança Gárgulas, concepção, coreografia e direção de Sandro Borelli, com a Borelli Cia de Dança, baseado na vida e na obra do britânico Lucian Freud, expoente da pintura figurativa contemporânea.


LUME TEATRO – Há mais de 30 anos a premiada companhia Lume de Teatro é um coletivo de pesquisa formado por sete atores-criadores e possui repertório diversificado que inclui teatro físico/visual, montagens em grupo, solos, clown, espetáculos de grandes dimensões ao ar livre e com a participação da comunidade. Trata-se de um grupo que se tornou conhecido em mais de 26 países, tendo atravessado quatro continentes, desenvolvendo parcerias especiais com mestres da cena artística mundial. Está sediado em Barão Geraldo, Distrito de Campinas (SP), difundindo sua arte e metodologia por meio de oficinas, demonstrações técnicas, intercâmbios de trabalho, trocas culturais, assessorias, reflexões teóricas e projetos  Veja mais aqui.


PERDITA DURANGO – O filme de ação, crime e horror Perdita Durango (Dance with the Devil, 1997), dirigido por Álex de La Iglesia, é baseado em novela de Barry Gifford, contando a história de psicótico casal criminoso que se torna amantes – uma dura senhora vestida de preto que encontra um criminoso maníaco -, que seqüestra adolescentes com planos para estupro e sacrifícios. O destaque do filme fica por conta da atuação da atriz, dançarina, coreógrafa e ativista Rosie Perez.  Veja mais aqui.

 Imagens: a arte do escultor alemão Johann Heinrich von Dannecker (1758-1841).


AGENDA: SARAU POÉTICO – Acontecerá no próximo sábado, dia 22/10, a partir das 14hs, em Curitiba, o Sarau Poético, organizado pelas poetas Conceição Gomes, Marinez Novaes, Vanice Zimerman, Ione Perez e Luciah Lopes. Imperdível. Veja detalhes do evento aqui & mais aqui e aqui.


ENTREVISTA: LEILA MICCOLIS – A admirável e generosíssima escritora, editora, professora, promotora cultural e artista performática Leila Miccolis, com quem tive o meu primeiro contato lá pelos idos dos anos 1970, trocando aerogramas e zines, me concedeu algum tempo atrás uma entrevista que publiquei quando então editor do Guia de Poesia do Projeto SobreSites, que agora se encontra reproduzida no meu BlogAgenda. Veja a entrevista aqui e aqui.

REGISTRO: CIDADANIA NA ESCOLA 
Em 2008, atendendo convite da coordenadora escola Cêça Mota, fui convidado para realizar uma palestra sobre Cidadania & Literatura Infantil, nas turmas de Ensino Fundamental, Médio e EJA da Escola Estadual Josefa Conceição da Costa, no bairro Canaã, em Maceió. A partir do primeiro conta com a uma turma de estudantes, fui convidado a prosseguir durante o mês de julho realizando as palestras que culminaram com a exposição dos meus livros, lançamento dos livros infantis Turma do Brincarte e do folheto de cordel Tataritaritatá, escritos e lançados especialmente para o evento. Posteriormente esse evento transformou-se em atividade na disciplina Psicologia Social, ministrada pelo professor MS Cláudio Jorge Gomes. Confira detalhes aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor e fotógrafo alemão Eugene Reunier (1884-1960).
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra no Dia do Professor
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


quinta-feira, maio 05, 2016

CREDIBILIDADE DA IMPRENSA BRASILEIRA


CREDIBILIDADE DA IMPRENSA BRASILEIRA – No início dos anos 1980, eu participei e fundei com amigos a revista A Região – projeto que redundou depois na fundação das Edições Bagaço, então Movimento de Apoio Cultural Edições Bagaço -, o que me proporcionou a apresentação do programa radiofônico semanal Horagá, na Rádio Cultura dos Palmares AM e me tornar membro da Associação de Imprensa de Pernambuco (AIP). Por causa disso, anos depois assumi o Departamento de Jornalismo da emissora Quilombo dos Palmares FM, na qual escrevia e apresentava as notícias e o Grande Jornal, bem como um programa semanal aos domingos, Panorama, com a seção Destaque, veiculando entrevistas realizadas com grandes nomes da música brasileira e das artes em geral. Por essas atividades me tornei diretor regional do Sindicato dos Radialistas de Pernambuco, na gestão de Roberto Calou, afora escrever artigos opinativos na seção Opinião, do Diário de Pernambuco. A partir de então comecei a me debruçar em estudos sobre a imprensa brasileira, enquanto na segunda metade dos anos 1990, escrevia regularmente artigos opinativos que foram publicados na seção Opinião do jornal Gazeta de Alagoas e em outros órgãos da imprensa de outros estados brasileiros. Nos anos 2000, tive a experiência de levar o meu programa Tataritaritatá para integrar o Alagoas Frente e Verso, na Rádio Difusora de Alagoas e, posteriormente, encetar a parceria que redundou no Projeto MCLAM, em Minas Gerais. Nesse tempo todo, entre estudos e reflexões, tentei discernir sobre o desenvolvimento histórico da imprensa brasileira, fato que me levou a indagar em que mãos e reduto se encontravam atrelados os veículos de comunicação de massa neste país. Tive a triste constatação de que mesmo se tratando de uma concessão pública, os veículos de comunicação nos mais diversos estados da federação, fazem parte da propriedade de um poderio privado bastante robusto e tentacular que, mesmo insistentemente tidos por seus proprietários como imparciais, não conseguem esconder o rabo preso até o pescoço da parcialidade, além de se configurarem na confusão entre os interesses corporativos privados e o princípio da supremacia do interesse público. Quer dizer, no frigir dos ovos, é só o que vemos hoje em dia na privatização do público e publicização do privado. Exemplos disso, os jornais impressos são invariavelmente possessões de famílias tradicionais detentoras de poder que cultuam hoje apenas a veiculação de matéria paga e o engessamento da cultura do release, manchetes criadas na emergência do momento, fotos, palavras e mais praticamente nada. As emissoras de rádio, idem e que além da famigerada cultura do jabá e das panelinhas balcanizadas, estão enriquecidas de blábláblá, alardes sanguinolentos, abobrinhas e entretenimento duvidoso. As redes de TV – algumas nem deveriam ser consideradas redes de televisão de tão decadentes e por não passarem de canais de marketing -, quando não são fábricas de alienados e estúpidos, são ridiculamente promotoras de um entretenimento pernicioso de baixo nível e fabricação de celebridades para satisfação do lazer da nossa carência econômica, afetiva e educacional. Espremendo tudo, duas coisas: uma, tudo isso não é nada mais nada menos do que já dizia Emily Dickinson: a punição do mérito e o castigo do talento; dois, o resultado de tudo é ter de digerir um caldo bastante abjeto e que é resultado dos equívocos paradoxais da patriamada. Enfim, tudo medido pela usual inflação da audiência, quando não, no atendimento dos mais escusos interesses, atropelada pela oferta de brebotes baratos e por eventos que se tornam espetaculares para perplexidade geral. Até aquelas da TV paga estão contaminadas, salvo, no meio de tudo isso, raríssimas exceções aqui e ali. Tudo isso só me faz concluir que imprensa hoje signifique show business e sirva apenas para o flagelo de nossa indigência intelectual para o voyeurismo e vampirismo modernos, consagrados à promoção patética dos segundos de fama de todos os infelizes insatisfeitos com a vida, com as pessoas e com o mundo. Aí vem a questão: qual a credibilidade da imprensa brasileira? No mínimo, duvidosa. Ela só poderá ter valia pros babaovos dos oportunistas vencedores da nossa malfadada história. Isso é uma bronca e das brabas, que o digam Observatório da Imprensa, do jornalista e escritor Alberto Dines, e o Ver TV, do sociólogo e jornalista Lalo Leal – quem os vê? Sei não. Por isso que a gente vez ou outra vê protestos da população contra determinados canais de TV e outras emissoras e jornais que se posicionam a serviço de poderosos e outras coisitas mas. Tenho pra mim que ou estou mais que redondamente equivocado entre a queda e o abismo da existência, ou isso é pra lá de perigosíssimo. Sei não, mesmo. Mas isso nem vem ao caso, tudo que se vê nos jornais, nas rádios e tvs são pra lá de efêmeros, eclodem aqui, fazem estrago ali e dias depois todo mundo esqueceu e a vida prossegue. A coitada da alma maculada que vai penar com o preconceito e o opróbrio pro resto da vida. Se não tiver culpa no cartório, tem que dar a volta por cima. Pois é. Sei não. Talvez eu que esteja acometido pelo saudosismo estéril e senil que tanto combati a minha vida inteira, ou pela ranzinzice peculiar aos que se acham ver além do visível, ou, ainda, que por cegueira progressiva da idade, tenha me tornado um refém da próxima velhice incorrigível e rabugenta. Acredito que não, quem sabe? Que coisa! Mas vamos aprumar a conversa & tataritaritatá! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui e aqui.

EPÍGRAFE 
O pensamento sobre a imprensa do desenhista, humorista, dramaturgo, escritor, poeta, tradutor e jornalista brasileiro Millôr Fernandes (1923-2012). Veja mais aqui, aqui e aqui.


Imagem: a imprensa do Brasil.


Curtindo o antológico álbum Eduardo Gudin & Notícias dum Brasil (Dabliú, 1994), do violonista e compositor Eduardo Gudin & participação da cantora Mônica Salmaso, do baixista Arismar do Espírito Santo & participação especial de Ivan Lins.

PESQUISA
História da Imprensa no Brasil (Mauad, 1998), do historiador Nelson Werneck Sodré (1911-1999). Veja mais aqui.

LEITURA
Beijo no asfalto (Teatro, 1960 - Nova Fronteira, 1995), do escritor, jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980). Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA 

Já dizia o escritor espanhol Miguel de Cervantes y Saavedra (1547-1616): Onde quer que a virtude se encontre em grau eminente, é perseguida; poucos ou nenhum dos famosos varões do passado deixou de ser caluniado pela malícia. Veja mais aqui.

Veja mais Machado de Assis, Safo, Herbert Marcuse, Amos Oz, Anton Vivaldi, Frederic Edwin Church, Caroline Dale, François Gerard, Ronald Golias, Audrey Hepburn & Keith Haring aqui. E também Alvorada, Karl Marx, Miklós Radnóti, Soren Kierkegaard, Constantin Stanislavski, Luiz Ruffato, Ingmar Bergman, Federico Fellini, Isabel Magalhães, Anna Maria Kieffer & Harriet Andersson aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: a mais nova integrante voluntária do Projeto Tataritaritatá: a jornalista e modelo albanesa Enki Bracaj, que prometeu enviar uma foto dela do jeito que ela quer fazer apresentação dos nossos noticiários (ou seja, completamente nua). Aguardem.
Veja aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.

segunda-feira, junho 01, 2015

MORIN, RUBIÃO, GENET, FASSBINDER, MARILYN, MORISSETE, GAINSBOROUGH, FERNANDO FIORESE, MEMEI CORRÊA & IMPRENSA BRASILEIRA.


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? – O dia amanhece. Contemplo o Sol e o horizonte escancarado para minha realização. Então, canto e entoando a canção sobre os versos de Fernando Fiorese – Porque cantar já não muda em manhã -, mais incorporo o poder de insistir, persistir, resistir e perseverar. Dedilhando os acordes da canção, recito Meimei Corrêa: "Minha palavra louca explode sem mesmo sair da boca, sai do coração, é mina em explosão, sem conter silêncios, provoca cada vez mais incêndios, não se reduz, porque reluz em sua direção. Sua palavra apouca, o coloca em falta, ela se escorrega peralta e se perde no labirinto do que eu sinto; se soa e ecoa, é canivete que corta, quando nem tanta coisa importa, o erro se repete e nada descreve a sua ou a minha falta. E quando surge a manhã, a palavra ainda está muda e se faz também surda, diante dos gritos inauditos das madrugadas que se perderam... Sou dona do que calo, escrava do que falo... E quero mais me escravizar mesmo pelo que não consigo expressar; palavras são palavras, pequenas diante das verdades que me fazem senhora do que não digo e se vou ou se fico, chego sem mesmo ir, me perco, me acho, me encaixo nas manhãs do seu desejo a me possuir". Veja mais aqui, aqui e aqui.

Imagem: Musidora, do célebre pintor do Arcadismo inglês Thomas Gainsborough (1828-1788)

Curtindo Live at Montreux (Havoc and Bright Lights – Guardian Angel Tour) – Montreux Jazz Festival, Switzerland (2013), da cantora, compositora, produtora e atriz canadense Alanis Morissete.

PENSAMENTO COMPLEXO – A obra Introdução ao pensamento complexo (Sulina, 2005), do antropólogo, sociólogo e filósofo francês Edgar Morin, aborda tema como a inteligência cega, a tomada de consciência, o problema da organização do conhecimento, a patologia do saber, a necessidade do pensamento complexo, a Indo-américa, a teoria sistêmica, o sistema aberto, o sujeito e o objeto, coerência e abertura epistemológica, scienza nuova, a integração das realidades banidas pela ciência clássica, a virada paradigmática, o paradigma complexo e simplificador, ordem e desordem no universo, necessidade dos macroconceitos, o todo está na parte que está no todo, da auto-organização à auto-eco-organização, viver e lidar com a desordem, epistemologia da complexidade, os mal-entendidos, a migração dos conceitos, entre outros assuntos. Destaco o texto introdutório: [...] A palavra complexidade só pode exprimir nosso incômodo, nossa confusão, nossa incapacidade para definir de modo simples, para nomear de modo claro, para ordenar nossas idéias. O conhecimento científico também foi durante muito tempo e com freqüência ainda continua sendo concebido como tendo por missão dissipar a aparente complexidade dos fenômenos a fim de revelar a ordem simples a que eles obedecem. Mas se resulta que os modos simplificadores de conhecimento mutilam mais do que exprimem as realidades ou os fenômenos de que tratam, torna-se evidente que eles produzem mais cegueira do que elucidação, então surge o problema: como considerar a complexidade de modo não simplificador? Este problema, entretanto, não pode se impor de imediato. Ele deve provar sua legitimidade, porque a palavra complexidade não tem por trás de si uma nobre herança filosófica, científica ou epistemológica. Ela suporta, ao contrário, uma pesada carga semântica, pois que traz em seu seio confusão, incerteza, desordem. Sua primeira definição não pode fornecer nenhuma elucidação: é complexo o que não pode se resumir numa palavra-chave, o que não pode ser reduzido a uma lei nem a uma ideia simples. Em outros termos, o complexo não pode se resumir à palavra complexidade, referir-se a uma lei da complexidade, reduzir-se à ideia de complexidade. Não se poderia fazer da complexidade algo que se definisse de modo simples e ocupasse o lugar da simplicidade. A complexidade é uma palavra-problema e não uma palavra-solução. [...] Em toda a minha vida, jamais pude me resignar ao saber fragmentado, pude isolar um objeto de estudo de seu contexto, de seus antecedentes, de seu devenir. Sempre aspirei a um pensamento multidimensional. Jamais pude eliminar a contradição interna. Sempre senti que verdades profundas, antagônicas umas às outras, eram para mim complementares, sem deixarem de ser antagônicas. Jamais quis reduzir à força a incerteza e a ambiguidade. [...] Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

O PIROTÉCNICO ZACARIAS – O livro O pirotécnico Zacarias (Ática, 1974), do escritor, advogado, professor e jornalista Murilo Rubião (1916-1991), é composto de oito contos que se inserem no gênero fantástico com narrativas que se dimensionam o onírico, situações absurdas e valorização do sobrenatural. Da obra destaco trecho do conto homônimo: [...] Ao clarear o dia, saí da semiletargia em que me encontrava. Alguém me perguntava onde eu desejava ficar. Recordo-me que insisti em descer no cemitério, ao que me responderam ser impossível, pois àquela hora ele se encontrava fechado. Repeti diversas vezes a palavra cemitério. (Quem sabe nem chegasse a repeti-la, mas somente movesse os lábios, procurando ligar as palavras às sensações longínquas do meu delírio policrômico.) Por muito tempo se prolongou em mim o desequilíbrio entre o mundo exterior e os meus olhos, que não se acomodavam ao colorido das paisagens estendidas na minha frente. Havia ainda o medo que sentia, desde aquela madrugada, quando constatei que a morte penetrara no meu corpo. Não fosse o ceticismo dos homens, recusando-se aceitar-me vivo ou morto, eu poderia abrigar a ambição de construir uma nova existência. Tinha ainda que lutar contra o desatino que, às vezes, se tornava senhor dos meus atos e obrigava-me a buscar, ansioso, nos jornais, qualquer notícia que elucidasse o mistério que cercava o meu falecimento. Fiz várias tentativas para estabelecer contato com meus companheiros da noite fatal e o resultado foi desencorajador. E eles eram a esperança que me restava para provar quão real fora a minha morte. No passar dos meses, tornou-se menos intenso o meu sofrimento e menor a minha frustração ante a dificuldade de convencer os amigos de que o Zacarias que anda pelas ruas da cidade é o mesmo artista pirotécnico de outros tempos, com a diferença de que aquele era vivo e este, um defunto. Só um pensamento me oprime: que acontecimentos o destino reservará a um morto se os vivos respiram uma vida agonizante? E a minha angústia cresce ao sentir, na sua plenitude, que a minha capacidade de amar, discernir as coisas, é bem superior à dos seres que por mim passam assustados. Amanhã o dia poderá nascer claro, o sol brilhando como nunca brilhou. Nessa hora os homens compreenderão que, mesmo à margem da vida, ainda vivo, porque a minha existência se transmudou em cores e o branco já se aproxima da terra para exclusiva ternura dos meus olhos. [...] Veja mais aqui.

AS CRIADAS – A peça teatral As criadas (Les Bonnes, 1946-47), do controverso escritor e dramaturgo francês Jean Genet (1910-1986), traz a histórias de duas irmãs que empregadas domesticas que executam elaborados rituais sadomasoquistas que levam a um jogo com desfecho trágico. Da obra destaco o trecho: [...] CLAIRE: Solange! Solange! Solange! SOLANGE: Berre à vontade! Pode até lançar seu grito derradeiro, Madame! (Empurra Claire, que fica agachada num canto) Enfim! Madame está morta! Estendida no linóleo ... Estrangulada pelas luvas de lavar panelas. Madame pode permanecer sentada! Madame pode me chamar de senhorita Solange. Justamente. É por causa do que eu fiz. Madame, o doutor me chamará Senhorita Solange Lemercier ... Madame devia ter tirado esse vestido preto, é grotesco. (Imita a voz de Madame) Eis-me aqui reduzida, por luto a minha criada. A saída do cemitério, todos os empregados do bairro desfilavam diante de mim como se eu fosse alguém da família. Tantas vezes fiz de conta que ela pertencia à família. Vai ver que a morte levou esse gracejo até as últimas conseqüências. Oh! Madame, sou sua igual Madame, e ando de cabeça erguida ... (Ri) Não, senhor inspetor, não ... o senhor não saberá nada sobre o meu trabalho. Nada sobre o nosso trabalho em comum. Nada sobre a nossa colaboração para esse assassinato ... Os vestidos? Oh! Madame pode guardá-los. Minha irmã e eu tínhamos os nossos. Aqueles que vestíamos a noite, escondida. Agora tenho meu vestido e sou sua igual. Estou com a toalete vermelha das criminosas. Faço rir o doutor? Faço o doutor sorrir? Ele pensa que as criadas devem ter bom gosto de não fazerem gestos que estão reservados à Madame! Verdade que me perdoa? É a bondade em pessoa. Quer competir comigo em grandeza. Mas a que eu conquistar é a mais selvagem ... Madame começa a perceber minha solidão! Finalmente! Agora estou sozinha, medonha. Podia lhe falar com crueldade, mas posso ser boa. Seu medo vai passar, Madame. Vai passar completamente. No meio das suas flores, seus perfumes, seus vestidos. Aquele vestido branco que a senhora usava à noite no baile da ópera, aquele vestido branco que eu não deixo ela vestir nunca. E no meio das suas jóias, dos seus amantes. Quanto a mim, tenho, minha irmã. Sim, ouso falar nela. Ouso, Madame. Posso ousar tudo. E quem poderia me fazer falar? Quem teria a coragem de me dizer: “minha filha”? Eu servi. Fiz os gestos que são necessários para servir. Sorri para Madame. Me abaixei para lavar os ladrilhos, me abaixei para fazer a cama, me abaixei para descascar legumes, para escutar atrás das portas, colar meu olho nas fechaduras. Mas agora estou de pé. E firme. Sou a estranguladora. A senhorita Solange, aquela que estrangulou a irmã! Me calar! Madame é mesmo delicada. Mas tenho pena da brancura da Madame, da sua pele acetinada, das suas orelhinhas, dos seus pulsinhos ... Eu sou a galinha preta, tenho os meus juízes. Sou da polícia ... Claire? Ela gostava muito, muito mesmo da Madame! ... Não senhor inspetor, diante deles não explico nada. Essas coisas só interessam a nós ... Aquilo, minha filha, a nossa noite, nossa! (Acende um cigarro e fuma desajeitadamente. A fumaça a faz tossir) Nem vocês nem ninguém vai saber nada, senão que desta vez Solange foi até o fim. Vocês a estão vendo vestida de vermelho. Ela vai sair. (Solange se dirige para a janela, abre-a e sobe a sacada, de costas para o público, encarando a noite. Dirá a retirada seguinte. Um vento leve faz ondular as cortinas) Sair. Descer a grande escadaria! A polícia a acompanha. Saiam à sacada para vê-la seguir entre os negros penitentes.É meio-dia. E, assim, leva na mão uma tocha de nove libras. Logo atrás, o carrasco segreda-lhe ao ouvido palavras de amor. O carrasco me acompanha, Claire! (Ri) Ela será conduzida em cortejo por todas as criadas do bairro, por todos os domésticos que acompanharam Claire à sua última morada. (Olha para fora) Levam coroas, flores, bandeirolas, tocam o dobre de finados. O enterro desdobra sua pompa. Lindo, não. Vêm primeiro os mordomos, de fraque, sem forro de seda. Trazem suas coroas. Depois os criados de libré, os lacaios de culote curto e meias brancas. Trazem suas coroas. Vêm depois os camareiros e depois as arrumadeiras, trazendo as nossas cores. Vêm os porteiros e vêm ainda, as delegações do céu. E eu as conduzo. O carrasco me embala. Todos clamam. Estou pálida e vou morrer! (Entra) Quantas flores! Deram-lhe um lindo enterro, não. Oh! Claire, minha pobrezinha Claire! (Rompe em soluços e se afunda numa poltrona. Levanta-se de novo) Não adianta, Madame, obedeço à polícia. Só ela me compreende. Ela também é do mundo dos réprobos. (Debruçada na ombreira da porta da cozinha, Claire visível só para o público, desde há instantes ouve sua irmã) Agora somos a senhorita Solange Lemercier. A mulher Lemercier. A Lemercier. A célebre criminosa. (Cansada) Claire, nós estamos perdidas. CLAIRE: (Dolente, com a voz da Madame) Fecha a janela e corra a cortina. SOLANGE: Já é tarde. Todo mundo foi dormir. Não vamos continuar. CLAIRE: (Faz com a mão um gesto de silêncio) Claire, você vai me servir um chá. SOLANGE: Mas...  CLAIRE: Eu estou dizendo, meu chá.  SOLANGE: Estamos mortas de cansaço. Temos de parar. (Senta-se na poltrona) CLAIRE: Ah! Absolutamente! Não! Então pensa, criadinha, que se safa assim à toa? Seria fácil demais conspirar com o vento, ser cúmplice da noite. SOLANGE: Mas CLAIRE: Não discuta. É a mim que compete dispor destes minutos finais. Solange, tu me guardarás em ti. [...]. Essa peça foi adaptada para o cinema, The Maids (1974) pelo diretor Christhopher Miles. Veja mais aqui.

O CASAMENTO DE MARIA BRAUN – O premiado drama O casamento de Maria Braun (Die Ehe Der Maria Braun, 1978), do cineasta alemão Rainer Werner Fassbinder (1945-1982), é uma das obras-primas do diretor que conta a história de uma mulher cujo casamento se transforma numa longa espera pela reunificação com o seu marido, que parte para a guerra, se perde na frente russa, é preso e emigra para a América. A trama inclui várias metáforas cinematográficas sobre a questão da identidade e as experiências do pós-guerra alemão, narrando o percurso de Maria Braun, desde o seu casamento apressado em 1943 e contando as várias fases da história da Alemanha, dos anos de guerra ao milagre econômico. Destaque para a atriz alemã Hanna Schygulla que arrebatou juntamente com o Urso de Ouro do filme, o Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Cinema de Berlim, de 1979. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Hoje é dia da atriz, cantora, modelo e musa mundial Marilyn Monroe (1926-1962). Veja mais aqui.

Hoje é o Dia da Imprensa


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  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...