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quinta-feira, maio 05, 2016

CREDIBILIDADE DA IMPRENSA BRASILEIRA


CREDIBILIDADE DA IMPRENSA BRASILEIRA – No início dos anos 1980, eu participei e fundei com amigos a revista A Região – projeto que redundou depois na fundação das Edições Bagaço, então Movimento de Apoio Cultural Edições Bagaço -, o que me proporcionou a apresentação do programa radiofônico semanal Horagá, na Rádio Cultura dos Palmares AM e me tornar membro da Associação de Imprensa de Pernambuco (AIP). Por causa disso, anos depois assumi o Departamento de Jornalismo da emissora Quilombo dos Palmares FM, na qual escrevia e apresentava as notícias e o Grande Jornal, bem como um programa semanal aos domingos, Panorama, com a seção Destaque, veiculando entrevistas realizadas com grandes nomes da música brasileira e das artes em geral. Por essas atividades me tornei diretor regional do Sindicato dos Radialistas de Pernambuco, na gestão de Roberto Calou, afora escrever artigos opinativos na seção Opinião, do Diário de Pernambuco. A partir de então comecei a me debruçar em estudos sobre a imprensa brasileira, enquanto na segunda metade dos anos 1990, escrevia regularmente artigos opinativos que foram publicados na seção Opinião do jornal Gazeta de Alagoas e em outros órgãos da imprensa de outros estados brasileiros. Nos anos 2000, tive a experiência de levar o meu programa Tataritaritatá para integrar o Alagoas Frente e Verso, na Rádio Difusora de Alagoas e, posteriormente, encetar a parceria que redundou no Projeto MCLAM, em Minas Gerais. Nesse tempo todo, entre estudos e reflexões, tentei discernir sobre o desenvolvimento histórico da imprensa brasileira, fato que me levou a indagar em que mãos e reduto se encontravam atrelados os veículos de comunicação de massa neste país. Tive a triste constatação de que mesmo se tratando de uma concessão pública, os veículos de comunicação nos mais diversos estados da federação, fazem parte da propriedade de um poderio privado bastante robusto e tentacular que, mesmo insistentemente tidos por seus proprietários como imparciais, não conseguem esconder o rabo preso até o pescoço da parcialidade, além de se configurarem na confusão entre os interesses corporativos privados e o princípio da supremacia do interesse público. Quer dizer, no frigir dos ovos, é só o que vemos hoje em dia na privatização do público e publicização do privado. Exemplos disso, os jornais impressos são invariavelmente possessões de famílias tradicionais detentoras de poder que cultuam hoje apenas a veiculação de matéria paga e o engessamento da cultura do release, manchetes criadas na emergência do momento, fotos, palavras e mais praticamente nada. As emissoras de rádio, idem e que além da famigerada cultura do jabá e das panelinhas balcanizadas, estão enriquecidas de blábláblá, alardes sanguinolentos, abobrinhas e entretenimento duvidoso. As redes de TV – algumas nem deveriam ser consideradas redes de televisão de tão decadentes e por não passarem de canais de marketing -, quando não são fábricas de alienados e estúpidos, são ridiculamente promotoras de um entretenimento pernicioso de baixo nível e fabricação de celebridades para satisfação do lazer da nossa carência econômica, afetiva e educacional. Espremendo tudo, duas coisas: uma, tudo isso não é nada mais nada menos do que já dizia Emily Dickinson: a punição do mérito e o castigo do talento; dois, o resultado de tudo é ter de digerir um caldo bastante abjeto e que é resultado dos equívocos paradoxais da patriamada. Enfim, tudo medido pela usual inflação da audiência, quando não, no atendimento dos mais escusos interesses, atropelada pela oferta de brebotes baratos e por eventos que se tornam espetaculares para perplexidade geral. Até aquelas da TV paga estão contaminadas, salvo, no meio de tudo isso, raríssimas exceções aqui e ali. Tudo isso só me faz concluir que imprensa hoje signifique show business e sirva apenas para o flagelo de nossa indigência intelectual para o voyeurismo e vampirismo modernos, consagrados à promoção patética dos segundos de fama de todos os infelizes insatisfeitos com a vida, com as pessoas e com o mundo. Aí vem a questão: qual a credibilidade da imprensa brasileira? No mínimo, duvidosa. Ela só poderá ter valia pros babaovos dos oportunistas vencedores da nossa malfadada história. Isso é uma bronca e das brabas, que o digam Observatório da Imprensa, do jornalista e escritor Alberto Dines, e o Ver TV, do sociólogo e jornalista Lalo Leal – quem os vê? Sei não. Por isso que a gente vez ou outra vê protestos da população contra determinados canais de TV e outras emissoras e jornais que se posicionam a serviço de poderosos e outras coisitas mas. Tenho pra mim que ou estou mais que redondamente equivocado entre a queda e o abismo da existência, ou isso é pra lá de perigosíssimo. Sei não, mesmo. Mas isso nem vem ao caso, tudo que se vê nos jornais, nas rádios e tvs são pra lá de efêmeros, eclodem aqui, fazem estrago ali e dias depois todo mundo esqueceu e a vida prossegue. A coitada da alma maculada que vai penar com o preconceito e o opróbrio pro resto da vida. Se não tiver culpa no cartório, tem que dar a volta por cima. Pois é. Sei não. Talvez eu que esteja acometido pelo saudosismo estéril e senil que tanto combati a minha vida inteira, ou pela ranzinzice peculiar aos que se acham ver além do visível, ou, ainda, que por cegueira progressiva da idade, tenha me tornado um refém da próxima velhice incorrigível e rabugenta. Acredito que não, quem sabe? Que coisa! Mas vamos aprumar a conversa & tataritaritatá! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui e aqui.

EPÍGRAFE 
O pensamento sobre a imprensa do desenhista, humorista, dramaturgo, escritor, poeta, tradutor e jornalista brasileiro Millôr Fernandes (1923-2012). Veja mais aqui, aqui e aqui.


Imagem: a imprensa do Brasil.


Curtindo o antológico álbum Eduardo Gudin & Notícias dum Brasil (Dabliú, 1994), do violonista e compositor Eduardo Gudin & participação da cantora Mônica Salmaso, do baixista Arismar do Espírito Santo & participação especial de Ivan Lins.

PESQUISA
História da Imprensa no Brasil (Mauad, 1998), do historiador Nelson Werneck Sodré (1911-1999). Veja mais aqui.

LEITURA
Beijo no asfalto (Teatro, 1960 - Nova Fronteira, 1995), do escritor, jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980). Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA 

Já dizia o escritor espanhol Miguel de Cervantes y Saavedra (1547-1616): Onde quer que a virtude se encontre em grau eminente, é perseguida; poucos ou nenhum dos famosos varões do passado deixou de ser caluniado pela malícia. Veja mais aqui.

Veja mais Machado de Assis, Safo, Herbert Marcuse, Amos Oz, Anton Vivaldi, Frederic Edwin Church, Caroline Dale, François Gerard, Ronald Golias, Audrey Hepburn & Keith Haring aqui. E também Alvorada, Karl Marx, Miklós Radnóti, Soren Kierkegaard, Constantin Stanislavski, Luiz Ruffato, Ingmar Bergman, Federico Fellini, Isabel Magalhães, Anna Maria Kieffer & Harriet Andersson aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: a mais nova integrante voluntária do Projeto Tataritaritatá: a jornalista e modelo albanesa Enki Bracaj, que prometeu enviar uma foto dela do jeito que ela quer fazer apresentação dos nossos noticiários (ou seja, completamente nua). Aguardem.
Veja aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.

quarta-feira, fevereiro 24, 2016

TIBURI, BUSONI, SARTORI, PRATA, NEUROCIÊNCIAS, ROSITA, ÁDILA, EDUCAÇÃO, FECAMEPA & MUITO MAIS!!!




O ALVO DO PÓDICE (Imagem: Auto-abrazo, by Omar Ortiz) – A tua nudez esurina da vida afia as errâncias a rutilar como esmeralda cobiçada ao alcance da mão. E linda nua vens impune à flor das águas da volúpia, com o torvelinho de todos os encantos, com os olhos de todas as querências, com a boca de todos os desejos, com o rosto enrubescido de todos os ardores da paixão. E nua linda pose essa mais safada do teu olhar manhoso que recende o aroma exaltado de fêmea no vício desesperada, indômita e jacente a lamber os lábios da cor de romã, despertando a luxúria e motins nos meus beijos sedentos que invadem querelantes por todos os poderes sobre a tua posse. Nua e linda, propositalmente sedutora ao me virar às costas, oferecendo a nuca com desleixe e te deixando render de bruços ao meu afago carinhoso. E roço tua pele com a minha língua teimosa de prazer. E preencho teus recantos com a minha gula faminta de sempre. E percorro tua assimetria como quem tomado pela loucura que ambiciona todos os teus tesouros. Vou adiante e nua e linda erradica a minha timidez a levar-me pelas fagulhas douradas da bola de fogo dos teus janeiros, onde eu inundo com esmero de carícias todos os teus desvãos e exploro com braçadas longas de afago todo o contorno de tua corcova azeitada. Nua e linda, solícita e emborcada, és o alvo para o êmbulo intumescido rondando na garupa e abrasado de pelejar nos requebros ofegantes de tuas montanhas carnudas. És inteiramente grácil entre gemidos e delícias a me deixar invadir o teu claustro globuloso, a me deliciar no sesso profuso dardejando firme na tua meiguice espalmada. E escalo os íngremes aclives de tua popa generosa. E atiço tuas fantasias mais iminentes. E me esgueiro na furiosa tempestade da tua entrega para que eu possa saborear da vertigem das alturas, explodindo genioso até repousar sossegado no maciço gracioso de tua carne imantada em decúbito ventral. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aquiaqui e aqui.

 Imagem: Nude, do artista plástico húgaro Emerico Imre Toth. Veja mais aqui.


Curtindo o álbum Sonaten for violine & klavier (Genuin, 2006), especialmente a Sonate f.Violine & Klavier n.2 op.36, do compositor, pianista, professor e maestro italiano Ferruccio Busoni (1866-1924), na interpretação da violinista Gertrud Schilde & klavier Klaus Schilde. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA – Na temerança do Fecamepa, das duas, uma: ou eu sou um bicho burro da porra, ou se tivesse Justiça pra valer nem o vice, muito menos seus ministros podiam ter tomado posse. Isso é ou não golpe: A buen entendedor, breve hablador. A propósito: a expressão a bom entendedor, meia palavra basta ficou imortalizada no capítulo XXXVII do Dom Quixote de La Mancha, de Cervantes, e na comédia La Celestina de Fernando Rojas. Veja mais aqui e aqui.

AS MULHERES E A VIDA CONTEMPORÂNEA – No artigo As Mulheres e a Vida Contemporânea (Cult, agosto/2013), da filósofa, escritora, professora universitária e artista plástica gaúcha Marcia Tiburi, destaco os trechos: [...] Um outro lado da questão que começa a surgir no campo do feminismo irônico que é, ao mesmo tempo, orgânico. Quando as mulheres falam em seu próprio trabalho não esperam apenas pagar contas e fazer sucesso segundo os padrões do capital, mas esperam estar se realizando como seres que são capazes de mudar o seu próprio mundo e o mundo ao seu redor. Tantas artistas, ativistas, empreendedoras sociais existem em nosso tempo que vemos a criatividade como uma marca feminina no campo do trabalho. Se há alguma diferença no modo de pensar das mulheres que em nossa época surgem em busca de direitos, creio que seja esta. As mulheres querem “ser” algo muito diferente do que os homens foram. Tendo a apostar que a cultura cooperativa e colaborativa tem a ver com esse desejo que nasceu no projeto feminista há 200 anos na forma de luta pelos direitos da “humanidade” como um todo. Humanidade na qual devem estar inclusas todas as pessoas independente de características biológicas ou fenótipos, independentemente de suas escolhas e destinos, inclusive as escolhas e experiências sexuais que hoje em dia vão para além do binômio “mulher” e “homem” e põem em cena a expressão de singularidades diversas. [...] A nossa personagem é uma moça que é do seu tempo por que quer ter seu próprio tempo. A meu ver essa é a característica comum das mulheres contemporâneas. Há ainda muitas mulheres que se submetem ao patriarcado, que tentam agradar não apenas aos homens, mas a toda a moral masculinista, que sonham com um casamento ideal e a maternidade como se este fosse um objetivo de vida.  Mas muitas outras já desconstruíram esse paradigma e defendem a liberdade de cada uma a partir da defesa da liberdade pessoal.  Por isso, vemos tantas mulheres que ainda querem casar, ter filhos, etc. e outras tantas que não desejam fazer nada disso. Muitas mulheres hoje adoram crianças sem terem se casado, outras tantas casam e optam por não ter filhos. Outras tantas descobrem na homossexualidade uma vida mais feliz. Todas elas rompem com o padrão de subjugação que sempre fez tantas mulheres infelizes. Isso significa que encontram a liberdade que não pode ser realizada por ninguém, senão por elas mesmas. Isso significa ser uma mulher contemporânea: ser dona do seu próprio tempo respeitando o tempo de cada uma, respeitando primeiramente a si mesma. Veja mais aqui.



O CÉREBRO NA ESCOLA – O livro O cérebro vai para a escola e o coração vai junto – relato de experiências (Wak, 2014), da professora, pedagoga e psicopedagoga Rosita Edler Carvalho, trata sobre as experiências da autora como educadora usando o cérebro e o coração, as contribuições das Neurociências Cognitivas para aprimorar o processo ensino-aprendizagem, novas estratégias de ensino-aprendizagem, importantes processos cognitivos, os fenômenos da atenção, da memória, da linguagem, níveis de estruturação da linguagem, origem e aquisição da linguagem, linguagem e pensamento, o sistema límbico, a pedagogia da afetividade, entre outros assuntos. Veja mais aqui.

HOMO VIDENS – A obra Homo videns: televisão e pós-pensamento (Edusc, 2001), do cientista político italiano Giovanni Sartori, aborda temas como o incentivo da violência pela televisão e sua pouca e mal informação, discutindo papel dessa mídia na mudança da natureza do ser humano e a mudança do seu comportamento com o progresso tecnológico com a utilização dos meios de comunicação de massa com maior audiência: O vídeo está transformando o homem sapiens produzido pela cultura escrita em um homo videns no qual a palavra vem sendo destronada pela imagem. Para o autor, a televisão está transformando os humanos, por exemplo, atualmente as crianças aprendem a assisti-la antes mesmo de aprenderem a ler e escrever. Em cada um dos três capítulos ele aborda questões acerca da imagem (ver sem entender), da videopolítica (poder político da televisão) e a democracia. Veja mais aqui.

O ESTADO JARDIM – O livro O estado jardim (Rocco, 2001), do escritor estadunidense Rick Moody, conta a história que se passa no subúrbio industrial de Nova Jersei nos anos 1980, quando um grupo de jovens entre 18 e 25 anos enfrenta a perda das ilusões da adolescência e da vida real pelo subemprego, drogas e álcool. Do livro destaco o trecho: [...] Foi passando pelo distribuidor de cerveja, pelos trilhos de carga, pelo multiplex de dez cinemas, e quando chegou ao lugar onde acorrentara a motoneta, nada restava além de molas soltas e elos de corrente espalhados pela calçada feito vísceras, na calçada rachada. Ali as linhas de tensão, nas rachaduras, um capim amarelado brotava em tufos diminutos e ferozes. Veja mais aqui.

TRAÇO & LINHA – Entre os poemas da professora paraense especialista em psicopedagogia Ádila J. P. Cabral – Cabral Poesias, destaco o seu poema Traço e linha: Eu nasci com milhões / De entrelinhas / Finas linhas / Mal traçadas / Não sei ler. / Eu nasci com milhões / De entre laços / Traço traços / Traço formas / Pra viver. / Traçaria entre laços / Nessas linhas / Linhas turvas / Linhas tortas / Vou romper. / Desalinho mal traçados / Sigo traços / Entre abraços / Descontínuo / Meu sofrer. Também o seu poema Asa: Hoje eu quero me despir / De o frágil ser humano. / Fazer do sonho asa e voar / Subir, chegar aos céus. / Cansei-me do chão / E dos dias iguais. / Hoje eu quero me despir / De tudo que me faz cativo / E me vestir / De liberdade. Veja mais aqui.

EU FALO O QUE ELAS QUEREM OUVIR – A peça teatral Eu falo o que elas querem ouvir, do escritor, dramaturgo e jornalista Mário Prata, trata sobre um deputado que sequestra um diretor teatral para obriga-lo a ensaiar um parente no papel de louco e assim escapar da condenação por estupro, o que prejudicaria o politico, contando com a participação de uma prostituta na tramoia. Veja mais aqui.

SUNSHINE – O filme Sunshine (o Despertar de um Século, 1999), escritor e produzido pelo cineasta húngaro István Szabó, conta a história de três gerações de uma família judia, do antigo Imperio Austro-Húngaro, no começo do século XX até o período revolucionário de 1956, cujo protagonista central carrega as semelhanças passadas de pai para filho. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da premiada atriz e modelo britânica Rachel Weisz.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.


Veja mais:








TODO DIA É DIA DA MULHER
Imagem: arte de Luciah Lopez
Veja as homenageadas aqui.

terça-feira, janeiro 19, 2016

COBIÇA, BUDA, CERVANTES, ALEGRÍA, MONTESQUIEU, LUCRÉCIO, TAGIAFERRO, JUSSANAM & MUITO MAIS.


CRÔNICA DE AMOR POR ELA: - (Imagem: Vídeo/Arte de Meimei Corrêa) Vali-me naquele dia dos espelhos múltiplos que me vinham dos seus olhos onde nascem todas as manhãs e que me chegaram repentinamente com todos os seus ventos e redemoinhos e me dominaram e me restituíram o ânimo de percorrer os corredores largos da paixão. E tal Davi eu flagrei sua magia de Bethsabé com seus vitrais singulares me seduzindo e me levando a delirar na busca pelas escadarias dos seus esconderijos mais secretos, até o espesso enlouquecimento de todas as cobiças. Você se fez em os golpes de Eros por todas as vidraças que reluziam todas as tentações que arrepiavam e perpassavam todos os recantos escuros do meu ser mendigo, caído no fosso da miséria e que agora estava diante de um portão que se abre sem que precise ser aberto no meio das areias inexploradas do meu deserto e a deixar minha alma exposta em toda parte. Uma deusa em pele e osso sem andor, que desfila devagar pra meu encanto e eu sinto no meu peito todas as tochas acesas de sua exuberante claridade, enquanto lassa e frouxa vem a mim e me diz com seus lábios doces de todas as auroras todas as palavras perfumadas que meu coração enfeitiça e estende-me os braços firmes e seguros a me dar sua quentura tão ardente de seu sangue em minhas veias, a provar dos seus feitiços mais amantes, vítima de todo aparato de sua bruxaria benéfica, de todo arsenal de sua sedução, da munição dos seus carinhos, da artilharia dos seus afagos, das barricadas de suas entregas, a dar-me beijos que tatuam a minha alma com seu facho que arde por noites e dias infindos para o fogo do amor cozer firme no mais profundo íntimo do meu ser. E salta a minha gula ansiosa e lastimável por sua esguia forma delgada e vibrátil escultura feita pros gemidos sem disfarces que espreito impossível de mim. E que não tarda e logo envolta deusa desembaraçada com apelo erguido na trama de sua teia, enredando-me ao seu molde repleto de roseirais aromáticos que passam por meus sonhos e me leva pra onde vai no encontro do nosso longo e seguro olhar. E me enlouquece para que eu esqueça que venho de becos lamacentos a me perder nas horas desconformes ao derredor. E alumia minha vida para que não mais veja sombras no meu chão movediço e descampado, para que eu tenha, apenas e simplesmente, a loucura da cobiça do seu ser. (Luiz Alberto Machado. Veja o vídeo da canção aqui. E mais aquiaqui e aqui.).

CONFIRA MAIS CRÔNICA DE AMOR POR ELA:













POR VOCÊ 
COBIÇA
 
PICADINHO
 
Imagem: a arte do pintor húngaro Emerico Imre Toth.


Curtindo o álbum Magda Tagliaferro Revival (Echo, 1991), da pianista Magda Tagliaferro (1893-1986). Veja mais aqui.

EPÍGRAFE – Nada sei do mistério de Deus, mas conheço alguma coisa das misérias do homem, de Siddhartha Sakya-muni Gautama que quer dizer Gautama - aquele que pertence à tribo dos Sakyas e alcançou a meta da perfeição, o Buda (563aC-483aC). Veja mais aqui, aqui e aqui.

DAS MOÇAS – No livro Do espírito das leis (1748 – Abril, 1979), do filósofo, político e escritor francês Charles-Louis de Secondat, barão de La Brède e de Montesquieu, conhecido como Montesquieu (1689-1755), encontro o capítulo IX do Livro Vigésimo Tefceiro, que trata das leis, na relação que têm com o número de habitantes, destaco o trecho Das Moças: As jovens, que só pelo casamento são levadas ao prazer e à liberdade, que têm um espírito que não ousa pensar, um coração que não ousa sentir, olhos que não ousam ver, ouvidos que não ouvir, que só se apresentam para se mostrar estúpidas, condenadas incessantemente a futilidades e a preceitos, são muito dadas ao casamento; são os rapazes que se torna necessário encorajar. Esse o pensamento ainda hoje vigente para uma substancial parcela do mundo masculino. Veja mais aqui e aqui.

A DESCONHECIDA – No conto A desconhecida (Cultrix, 1962), do premiado escritor e jornalista peruano Ciro Alegría (1909-1967), destaco os trechos: Sombria, magra, o traje gasto, ela chegou com a sombra dos álamos até a casa da lombada. O sol caía. os álamos enfileirados apontavam os seus dourados cimos, que teria um acento de écloga não fosse pela muralha pétrea das montanhas. Elas falam de lonjuras e ao mesmo tempo apertam opressivamente a inquietação viajeira dos homens. A mulher olhou a casa de parede raiada e telhado vermelho, dobrou para um lado e foi sentar-se ao pé de um quallay ramalhudo. Pôs no chão uma trouxa grande que trazia às costas e tomou a atitude de quem descansa. [...] A desconhecida acabou de comer e fitou o guaso. Ele também a fitou. Sem se terem visto nunca, reconheceram-se na memória dos tempos idos, na lembrança do seu povo, na impressão de todas as caras encontradas na vida. O homem tinha a pele queimada e os olhos penetrantes, sinais de trabalho ao sol e ante o espaço. A mulher – já a contemplamos – mostrava os traços de uma fadiga humilde e monótona. [...] O destino gritava ao guaso Tomás. E sentiu-se como se a desconhecida fosse a sua alma que se abandonava de novo aos longos e inumeráveis caminhos. Veja mais aqui.

DA NATUREZA – No livro De rerum natura (Sobre a natureza das coisas – Abril, 1980), do poeta e filósofo latino Titus Lucrécio Caro (99-55aC), destaco um trecho do Livro I - Invocação à Vênus Voluptas, do seu grandioso poema: [...] Ó mãe dos Enéadas, prazer dos homens e dos deuses, ó Vênus criadora, que por sob os astros errantes povoas o navegado mar e as terras férteis em searas, por teu intermédio se concebe todo o gênero de seres vivos e, nascendo, contempla a luz do sol: por isso de ti fogem os ventos, ó deusa; de ti, mal tu chegas, se afastam as nuvens do céu; e a ti oferece a terra diligente as suaves flores, para ti sorriem os plainos do mar e o céu em paz resplandece inundado de luz. [...] Finalmente, pelos mares e pelos montes e pelos rios impetuosos, e pelos frondosos lares das aves, e pelos campos virentes, a todos incutindo no peito o brando amor, tu consegues que desejem propagar-se no tempo, por meio da geração. [...] Faze, entretanto, que, por mares e por terras, tranquilos se aplaquem os feros trabalhos militares; só tu podes obter para os mortais a branda paz [...]. Veja mais aqui e aqui.

FARSA QUIXOTESCA – Tive oportunidade de assistir em São Paulo, no ano de 2000, a peça teatral Farsa Quixotesca, baseada no clássico Dom Quixote de La Mancha (El ingenioso Hidalgo Fon Quixote de La Mancha, 1605), do escritor espanhol Miguel de Cervantes y Saavedra (1547-1616), com direção de Hugo Possolo e o grupo Pia Fraus Teatro. Trata-se da ligação entre a loucura e o humor de Dom Quixote de la Mancha contada do ponto de vista de Dulcinéia, a sua amada. Veja mais aqui e aqui.

DULCINEIA – O filme Dulcineia (1963), dirigido elo espanhol Vicente Escrivá, conta a história da carta final de Don Quixote dirigida a sua amada Dulcinéia, levada por seu escudeiro Sancho, nas mãos de Aldonza, uma moça castelhana. A carta toca tanto a menina que, a partir daquele momento, assumiu a personalidade de Dulcinéia e vai em busca de Don Quixote, que descobre em seu leito de morte. A nova Dulcineia infundida pelo desejo de sua amada para continuar com as aventuras que ele deixou, leva às estradas que espalham o amor e a caridade para com os pobres. Embora capaz de superar todos os tipos de dificuldades agora deve enfrentar a Santa Inquisição, acusada de bruxaria. O destaque do filme é para a atriz estadunidense Millie Perkins. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Dulcinea del Toboso (1839), do pintor inglês Charles Robert Leslie (1754-1859).
Veja mais aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à atriz e cantora carioca radicada na Islândia, Jussanan Dejah. Veja mais aqui.

TODO DIA É DIA DA MULHER
Veja as homenageadas aqui.


DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...