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sábado, outubro 15, 2016

PIGLIA, HALBWACHS, BOB DYLAN, PICASSO, BORELLI, BOSI, MICCOLIS, IGLESIA & ROSIE PEREZ, DANNECKER, CARRASQUER, DABDAB, REUNIER, LUME, CHICHORRO & DINHEIRO


INEDITORIAL: ESCAPANDO & VINGANDO SONHOS (Imagens do artista plástico moçambicano Roberto Chichorro) – Salve, salve, gentamiga! Escapando das adversidades e vingando sonhos, eu persisto, insisto, resisto e persevero! Saravá! Mesmo que tudo seja do contra, eu vou cantando minhas loas. Mesmo que o amanhã sonhado seja inatingível utopia, eu me mantenho na crença de que a gente pode construir um mundo melhor paratodos. Mesmo que me digam e repitam e reiterem que nada vale a pena, eu persigo acreditando que viver vale muito mais que simplesmente comprar e vender, comer e cagar, peidar e feder, sorrir e chorar. Infelizmente vivemos num mundo em que se comemora hoje o lava mãos – eu não lavei, nem lavo as mãos: a minha luta é de todos. Saúdo os professores, esses abnegados profissionais que cultuam o saber e dividem seus conhecimentos, mesmo sabendo que vivemos uma educação que nos conduz para a tragédia humana. Saúdo a todos os que sofrem e choram, afinal hoje é Dia da Prevenção das Doenças do Coração – ao contrário dos maiorais da Nação que fazem questão de golpear todo dia nossa vida com as manchetes do noticiário. E, sem mais delongas, vamos pras novidades do dia: o destaque da edição de hoje fica por conta da reflexão sobre a imprensa de Nilson Araújo de Souza, a música do Prêmio Nobel Bob Dylan, a fenomenologia do olhar de Alfredo Bosi, a memória coletiva de Maurice Halbwachs, a literatura de Ricardo Piglia, a entrevista de Leila Miccolis, a pintura de Picasso, Carrasquer & Reunier, a fotografia de Roberta Dabdab, as Gárgulas da Borelli Cia de Dança, a Luma Teatro, o cinema de Álex de La Iglesia & Rosie Perez, a escultura de Johann Heinrich von Dannecker, a Cidadania na Escola, o Sarau Poético de Curitiba & a croniqueta O poeta chora. Vamos aprumar a conversa & veja mais aqui.

Veja mais sobre:
O Doro no dia do professor, Fernando Pessoa, Nietzsche, The Three Graces, Michel Foucault, Fela Kuti, Denise Fraga, Richard Linklater. John Vanderlyn & Julie Delpy aqui.

E mais:
As trelas do Doro: o desmanttelo da paixonite arrebentadora aqui.
A poesia de Maria Esther Maciel aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando a língua dá no dente do alcagüete, sai de riba que lá vem o enterro voltando aqui.
Fecamepa: enquanto os caras bufam por aumento no governo, aqui embaixo a gente só paga mico, né? Aqui.
Lavando pano & aprumando a conversa aqui.

DESTAQUE: A IMPRENSA
[...] Na prática, o que há é uma poderosa estrutura, representada pelos monopólios de comunicação, que penetra diariamente em nossos lares, procurando fazer nossa cabeça em todos os sentidos. Dizem do que devemos gostar, o que devemos comprar, como devemos ser, como devemos nos comportar. E usam das armas mais sórdidas, como a mentira, a deturpação dos fatos, a calúnia. [...] E como podemos ter liberdade de pensamento e de opinião, se a verdade é diariamente sonegada e, em seu lugar, se planta a mentira? Que democracia liberal que nada! Liberdade para quem? [...] Para atingir seus objetivos – manter sua dominação para ganhar cada vez mais -, esses biliardários recorrem a todos os meios possíveis e imagináveis, numa exacerbação da máxima maquiavélica de que os fins justificam os meios. Constroem arsenais nucleares para manter-nos em clima de terror; promovem a guerra (depois de fabricarem a guerra; usam os meios de comunicação numa política sistemática e sórdida de difamação e desmoralização de novas idéias; promovem ações clandestinas, incluindo o terrorismo; corrompem até a medula os homens públicos; invadem a privacidade dos cidadãos, usando as aparelhagens mais sofisticadas; derrubam governos, destroem, matam. Enfim, procuram controlar toda a vida social e todas as consciências e aqueles que não se submetem são vítimas da chantagem, do terror ou do assassinato. [...] E no cerne da ideologia burguesa está o individualismo, produto da propriedade privada e da produção de mercadorIas, que geram a constante competição entre os seres humanos. Cada um por si, Deus por todos. O ego é o Deus das relações humanas do capitalismo. E o egoísmo é eleito valor supremo (diz-se até que o equilíbrio do sistema é obtido quando cada um busca o proveito próprio). Na caça ao dinheiro – expressão suprema da riqueza capitalista -, vale tudo. [...]. Trechos extraídos da obra O colapso do neoliberalismo (Global, 1995), do economista e professor Nilson Araújo de Souza. Veja mais aqui e aqui.

O POETA CHORA - Imagem: The Old Guitarist (1903), do pintor, escultor, ceramista, cenógrafo, poeta e dramaturgo espanhol Pablo Picasso (1881-1973) - O poeta chora a sua e a dor alheia, ele é um fingidor. E doendo ele é todo coração e recita O amor de Maiakovisky e pranteia pelos que não têm onde cair morto e vivem embaixo das pontes, dos viadutos, nos bancos das praças, no ermo das ruas, pelas calçadas ou prédios abandonados. Ele chora pelos injustiçados, pelos que foram trucidados, pelos que foram mutilados, pelos que sofrem de quase morrer. Chora pelos que acabaram de nascer de mães paridas sem futuro algum; pelos que zanzam pelas noites e dias sem ter o que comer; pelas meretrizes desvalidas que ele solidário as fode para ejacular sua dor no prazer das que gozam ou fingem ter orgasmos múltiplos nas tremuras das carnes mundanas de todos os sofreres e castigos; das crianças que chamam pelos pais que se evadiram e das que tiveram os seus abatidos pela polícia ou pelo tráfico ou por latrocidas de plantão; pelos que são vítimas dos conluios nos gabinetes dos políticos e autoridades escamoteando direitos e serviços públicos; pelos que estão nos corredores das urgências morrendo de dores e nenhuma atenção pública à saúde; pelos que sucumbem à fome, às drogas e às ilusões do consumo, sem que tenham o direito de viver dignamente e em paz; pelos que são levados pelas promessas dos que se acham salvadores da pátria e do reino de Deus e pelos que se iludem com a primeira mentira que escapole da insensatez; pelos que seguem no meio da boiada sem parentes nem aderentes pro colapso do abismo; pelos que são infelizes por não terem o que querem e sofrem da inveja pra desgraçar a vida dos outros; pelos que perderam a esperança na vida e fazem da maledicência o seu único caminho; pelas mulheres que foram abandonadas, estupradas e mal-amadas por seus príncipes encantados e ainda acreditam que podem ser felizes apesar dos pesares; pelos que devotam a vida ao bem com a alteridade de que a dor do outro é sua também. O poeta chora, caminha sem destino e encontra refúgio na brisa do mar. Acende o pascaio feito na hora, traga, carbura as idéias a se perguntar por que o mundo é tão lindo e com tanto sofrimento. Mergulha na sua dor e naquelas que atormentam todo mundo. Lamenta e se aniquila, traga mais uma vez. Procura abrigo em si mesmo e na sua dor. De repente é assaltado por um estúpido infeliz que o desgraça: - Você está preso, maconheiro feladaputa! E é arrastado pelos cabelos e jogado no camburão, levado pela alta velocidade da viatura, sacudido na prisão, humilhado, espezinhado, cuspido e mal pago. Vão-se as noites e os dias, o poeta perde a noção do tempo e do choro, já era presidiário da sua própria dor, agora com outras dores: a da incompreensão, a da injustiça, a da estupidez. O poeta chora, tal Pasolini: chora um mundo morto, mas não está morto ele que o chora. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui e aqui.
Curtindo o box set Bob Dylan - The Original Mono Recordings (Colúmbia, 2010), do músico, poeta, artista plástico, compositor de música Folk estadunidense & Prêmio Nobel de Literatura 2016, Bob Dylan. Veja mais aqui e aqui.

FENOMENOLOGIA DO OLHAR – [...] o olhar não está isolado, o olhar está enraizado na corporeidade, enquanto sensibilidade e enquanto motricidade. [...] o ato de olhar significa um dirigir a mente para um “ato de “in-tencionalidade [...] Olhar e ser olhado, atividade e passividade, exercem-se em um campo de forças onde o poder e o conhecer se fundam mutuamente. O outro é uma liberdade que pode invadir a minha; logo, o outro existe. O olhar é a expressão mesma desse poder. [...] A diferença profunda que ocorre entre uma e outra se evidencia quando vista através da epistemologia antiga: há uma vertente materialista, ou mais rigorosamente sensualista do ver como receber, ao lado de uma vertente idealista ou mentalista do ver como buscar, captar. [...]. Trechos extraídos de Fenomenologia do olhar, do professor, crítico e historiador da literatura brasileira, Alfredo Bosi, recolhido da obra O olhar (Companhia das Letras, 1988), organizada por Adauto Novaes e Flávio Aguiar.

Imagens: a arte da fotógrafa, fotojornalista e pesquisadora de imagem Roberta Dabdab, que realizou em 2006 a mostra individual A língua das coisas.

PENSAMENTO DO DIA; MEMÓRIA COLETIVA – [...] para que a nossa memória se aproveite da memória dos outros, não basta que estes nos apresentem seus testemunhos: também é preciso que ela não tenha deixado de concordar com as memórias deles e que existam muitos pontos de contato entre uma e outras para que a lembrança que nos fazem recordar venha a ser constituída sobre uma base comum. [...] Que importa que os outros estejam ainda dominados por um sentimento que outrora experimentei com eles e que já não tenho? Não posso mais despertá-lo em mim porque há muito tempo não há mais nada em comum entre mim e meus antigos companheiros. Não é culpa da minha memória nem da memória deles. Desapareceu uma memória coletiva mais ampla, que ao mesmo tempo compreendia a minha e a deles [...] diríamos que cada memória individual é um ponto de vista sobre a memória coletiva, que este ponto de vista muda segundo o lugar que ali ocupo e que esse mesmo lugar muda segundo as relações que mantenho com outros ambientes [...]. Trechos extraídos da obra A memória coletiva (Centauro, 2006), do sociólogo francês Maurice Halbwachs (1877-1945), que escreveu uma tese sobre o nível de vida dos operários e desenvolveu o conceito de memória coletiva.


Imagens: a arte do pintor francês Marcos Carrasquer.

DINHEIRO QUEIMADO – [...] Só loucos assassinos e animais sem moral podem ser tão cínicos e tão criminosos a ponto de queimar quinhentos mil dólares. [...] Indignados, os cidadãos que observavam a cena davam gritos de horror e de ódio [...]. A partir daí, os seres lúmpen que assaltam se transformam em "niilistas". [...]. Trechos extraídos do romance Dinheiro roubado (Companhia das Letras, 1998), do escritor, ensaísta e compositor argentino Ricardo Piglia, contando a história de um assalto a um banco com a conivência de políticos e policiais, quando os ladrões traem os cúmplices e fogem para o exterior, onde sofrem um estranho cerco das autoridades.


Imagens: espetáculo de dança Gárgulas, concepção, coreografia e direção de Sandro Borelli, com a Borelli Cia de Dança, baseado na vida e na obra do britânico Lucian Freud, expoente da pintura figurativa contemporânea.


LUME TEATRO – Há mais de 30 anos a premiada companhia Lume de Teatro é um coletivo de pesquisa formado por sete atores-criadores e possui repertório diversificado que inclui teatro físico/visual, montagens em grupo, solos, clown, espetáculos de grandes dimensões ao ar livre e com a participação da comunidade. Trata-se de um grupo que se tornou conhecido em mais de 26 países, tendo atravessado quatro continentes, desenvolvendo parcerias especiais com mestres da cena artística mundial. Está sediado em Barão Geraldo, Distrito de Campinas (SP), difundindo sua arte e metodologia por meio de oficinas, demonstrações técnicas, intercâmbios de trabalho, trocas culturais, assessorias, reflexões teóricas e projetos  Veja mais aqui.


PERDITA DURANGO – O filme de ação, crime e horror Perdita Durango (Dance with the Devil, 1997), dirigido por Álex de La Iglesia, é baseado em novela de Barry Gifford, contando a história de psicótico casal criminoso que se torna amantes – uma dura senhora vestida de preto que encontra um criminoso maníaco -, que seqüestra adolescentes com planos para estupro e sacrifícios. O destaque do filme fica por conta da atuação da atriz, dançarina, coreógrafa e ativista Rosie Perez.  Veja mais aqui.

 Imagens: a arte do escultor alemão Johann Heinrich von Dannecker (1758-1841).


AGENDA: SARAU POÉTICO – Acontecerá no próximo sábado, dia 22/10, a partir das 14hs, em Curitiba, o Sarau Poético, organizado pelas poetas Conceição Gomes, Marinez Novaes, Vanice Zimerman, Ione Perez e Luciah Lopes. Imperdível. Veja detalhes do evento aqui & mais aqui e aqui.


ENTREVISTA: LEILA MICCOLIS – A admirável e generosíssima escritora, editora, professora, promotora cultural e artista performática Leila Miccolis, com quem tive o meu primeiro contato lá pelos idos dos anos 1970, trocando aerogramas e zines, me concedeu algum tempo atrás uma entrevista que publiquei quando então editor do Guia de Poesia do Projeto SobreSites, que agora se encontra reproduzida no meu BlogAgenda. Veja a entrevista aqui e aqui.

REGISTRO: CIDADANIA NA ESCOLA 
Em 2008, atendendo convite da coordenadora escola Cêça Mota, fui convidado para realizar uma palestra sobre Cidadania & Literatura Infantil, nas turmas de Ensino Fundamental, Médio e EJA da Escola Estadual Josefa Conceição da Costa, no bairro Canaã, em Maceió. A partir do primeiro conta com a uma turma de estudantes, fui convidado a prosseguir durante o mês de julho realizando as palestras que culminaram com a exposição dos meus livros, lançamento dos livros infantis Turma do Brincarte e do folheto de cordel Tataritaritatá, escritos e lançados especialmente para o evento. Posteriormente esse evento transformou-se em atividade na disciplina Psicologia Social, ministrada pelo professor MS Cláudio Jorge Gomes. Confira detalhes aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor e fotógrafo alemão Eugene Reunier (1884-1960).
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra no Dia do Professor
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


sexta-feira, julho 31, 2015

SEARLE, ANTONIO MACHADO, IGNÁCIO LOYOLA, ARRABAL, BOB DYLAN, KUSTURICA, MARELEMBAUM & A FESTA DOS MAIS DE 500 MIL ACESSOS!!!!


VAMOS APRUMAR A CONVERSA: ZINE NASCENTE – Com o resultado das edições anteriores do Zine Nascente, mais se ampliaram os horizontes de relacionamentos. Tanto é que na edição nº 5 – Abril-Maio/1997 -, dedicada à cidade de Penedo, cidade histórica alagoana e monumento nacional e com o editorial Missiva para o menino – em resposta as indagações feitas sobre os meus livros Falange, Falanginha, Falangeta (Nascente, 1995), Para viver o personagem do homem (Nordestal, 1992) e Primeira reunião (antologia – Bagaço, 1992), feitas pelo então jovem autor integrante das edições da antologia Bricarte, hoje advogado Diogo Palmeira -, traz o intercambio realizado com as mais diversas publicações, a exemplo da recepção do Sagrações do meio de Leontino Filho (RN), O Nordeste em Poesia de João Lourenço (AL), publicação da UBE seccional de Sergipe enviada por Edmo Raimundo (SE), poemas de Alba Granja (AL), Clipe de Suely Correia Gomes (RS), Literarte de Arlindo Nóbrega (SP) e Curupira de Antônio Cabral, bem como a publicação de poemas de Ana Cristina Quixabeira (AL), Maria Fátima Dias (MS), Leila Míccolis (RJ), Leontino Filho (RN), Cileide Alexandre (PE), Elita Afonso Ferreira (PE), Edmo Raimundo de Albuquerque (SE), Jorge L. Escudeiro (Argentina), Rolando Revagliati (Argentina), Leonilda Silva (PE), João Lins (PE), João Lourenço (AL) e Glenda Maier (RJ). Na edição nº 6 – Junho/Julho-1997, dedicada ao amigo alagoano Marcos Palmeira e com o editorial Devaneio Factível, registro a recepção de publicações, tais como KoisaLinda de Oefe Souza (SP), Poemas de Wilmar J. Matter (RS), Alternativo Cultural Reviravolta Poesia de Cecília Fideles (SO), Dicionário de Poetas Contemporâneos de Sérgio Jeronimo (RJ), Associação Profissional dos Poetas do Estado do Rio de Janeiro de Glenda Maier (RJ), O Literário de Osael Carvalho (RJ), Espaço Menor de Edmo Menor (SE), 1000 Páginas do Sebo Badaró (SP), Viramundo de Carlos Costa (SP), Poster e Pefil de Glenda Maier (RJ), Prelidio de Jorge Luiz (AL), Fábula de Eno Teodoro Wanke (RJ), Anuário da Poesia Brasileira de Laís Costa Velho (MG) e Correio da Poesia de Luiz Fernandes da Silva (PB), destacando poemas de Ernande Bezerra de Moura (AL), Cecilia Fideli (SP), Felisbelo Silva (CE), Ziney Santos Moura (SP), Tadeu Wanderley (AL), Gladstone Silva (RJ), Emanoel Fay (AL), Jorge Luiz (AL), Osael de Carvalho (RS), Jaime Vieira (PR), Luiz Balthazar, Arlindo Nóbrega (SP), Leone Cvalcante (AL), Lais Costa Velho (MG), Ziney Santos Moura (SP), Maria Ligia Silva (SP), Wilmar Matter (RS), Alba Granja (AL) e Beatriz E. Chacon (RJ). O que era sonho foi virando realidade & vamos aprumar a conversa aqui.
 Imagem: Cassandra - Green, cantor, compositor, escritor e artista plástico estadunidense Bob Dylan. Veja mais aqui.

Curtindo o álbum Berimbaum (Universal, 2004), da cantora Paula Marelembaum.

A ESTRUTURA DA CONSCIÊNCIA – No livro A redescoberta da mente (Martins Fontes, 2006), do filósofo estadunidense John R. Searle aborda temas como o que há de errado com a Filosofia da Mente, a historia recente do materialismo e a repetição do mesmo erro, a psicologia popular, rompendo o domínio: cérebros de silícios e robôs conscientes & outras mentes, consciência e seu lugar na natureza, reduicionismo e irredutibilidade da consciência, o inconsciente e sua relação com a consciência, intencionalidade e o background, a critica da razão cognitiva, entre outros assuntos. No capítulo 6 da obra, encontrei A estrutura da consciência: uma introdução, da qual destaco os trechos a seguir: [...] Dois tópicos são cruciais para a consciência, mas terei pouco a dizer sobre eles porque ainda não os compreendo suficientemente bem. O primeiro é a temporalidade. Desde Kant, estamos cientes de uma assimetria no modo como a consciência se relaciona com o espaço e com o tempo. Embora experimentemos objetos e eventos tanto espacialmente extensivos como de duração temporal, nossa consciência em si não é experimentada como espacial, embora seja experimentada como temporalmente extensiva. Na verdade, as metáforas espaciais para a descrição do tempo parecem, da mesma forma, praticamente inevitáveis para a consciência, como quando falamos, por exemplo, do fluxo de consciência. Sabidamente, o tempo fenomenológico não corresponde exatamente ao tempo real, mas não sei como explicar o caráter sistemático das disparidades. O segundo tópico negligenciado é a sociedade. Estou convencido de que a categoria de outras pessoas desempenha um papel especial na estrutura de nossas experiências conscientes, um papel diferente daquele de objetos e estados de coisas; e acredito que essa capacidade é atribuir um status especial a outros loci de consciência é tanto biologicamente fundamentada como uma pressuposição de background para todas as formas de intencionalidade coletiva. Mas ainda não sei como demonstrar essas asserções, nem como analisar a estrutura do elemento social na consciência individual. [...] Acredito que ao menos dois, e talvez todos os três equívocos tenham uma origem comum no cartesianismo. Os filósofos na tradição cartesiana em epistemologia queriam que a consciência fornecesse uma base para todo conhecimento. Mas, para que a consciência nos dê uma certa base para o conhecimento, temos que ter primeiro um certo conhecimento dos estados conscientes; daí a doutrina da incorrigibilidade. Para conhecer a consciência com segurança, temos que conhece-la por meio de alguma faculdade especial que nos dê acesso direto a ela; daí a doutrina da introspecção. E – embora eu esteja menos seguro sobre isto enquanto um diagnóstico histórico -, se o ego deve ser a fonte de todo conhecimento e significado, e estes devem estar fundamentados em sua própria consciência, então é natural crer que existe uma conexão necessária entre consciência e autocoensciência; daí a doutrina da autoconsciência. [...] Veja mais aqui.

NÃO VERÁS PAÍS NENHUM – O romance Não verás país nenhum: memorial descritivo (Codecri, 1981), do escritor e jornalista Ignácio de Loyola Brandão, conta a história pessimista e apocalíptica de um Brasil no futuro dominado por um governo de mediocridade e totalitário. Da obra destaco o trecho inicial: [...] Mefítico. O fedor vem dos cadáveres, do lixo e excrementos que se amontoam além dos Círculos Oficiais Permitidos, para lá dos Acampamentos Paupérrimos. Que não me ouçam designar tais regiões pelos apelidos populares. Mal sei o que me pode acontecer. Isolamento, acho. Tentaram tudo para eliminar esse cheiro de morte e decomposição que nos agonia continuamente. Será que tentaram? Nada conseguiram. Os caminhões, alegremente pintados em amarelo e verde, despejam mortos, noite e dia. Sabemos, porque tais coisas sempre se sabem. É assim. Não há tempo para cremar todos os corpos. Empilham e esperam. Os esgotos se abrem ao ar livre, descarregam em vagonetes, na vala seca do rio. O lixo forma setenta e sete colinas que ondulam, habitadas, todas. E o sol, violento demais, corrói e apodrece a carne, em poucas horas. O cheiro infeto dos mortos se mistura ao dos inseticidas impotentes e aos formóis. Acre, faz o nariz sangrar, em tardes de inversão atmosférica. Atravessa as máscaras obrigatórias, resseca a boca, os olhos lacrimejam, racha a pele. Ao nível do chão, os animais morrem. Forma-se uma atmosfera pestilencial que uma bateria de ventiladores possantes procura inutilmente expulsar. Para longe dos limites do oikoumenê, palavra que os sociólogos, ociosos, recuperaram da antiguidade, a fim de designar o espaço exíguo em que vivemos. Vivemos? Virei-me assustado. Adelaide nunca tinha dado um grito em trinta e dois anos de casados. Treze para as oito. Em quatro minutos devia estar no ponto, ou perderia o S-7.58, minha condução autorizada. Estranho, ela sabia. E por que então resolvia me atrasar ainda mais? — O que foi? — O paletó. Esqueceu? — Não aguento esse paletó. Passo o dia suando. — Mas sem ele não te deixam trabalhar. — Tomara. Adelaide me olhou, arisca. Inquieto, encarei o rosto dela e me perguntei. Pergunta que não tenho coragem de enfrentar. Se eu admitir, ela se desvenda. Toma forma, cristaliza, revela. Será que depois de tantos anos compensa ver? Reagir agora? Penso: e se valesse a pena? Tomávamos o café da manhã juntos, todos os dias. Depois ela me acompanhava até a porta. Eu colocava o chapéu (voltou o seu uso), acariciava seu ombro esquerdo (nem sei mais se há prazer nisto) e consultava o relógio. Ficava angustiado se não estivesse dentro do horário. [...] Veja mais aqui.

SONHO, CANTARES, UMA NOITE DE VERÃO – No livro - presente do meu amigo José Duran y Duran – Antologia Poetica (Salvat, 1969), do poeta e dramaturgo espanhol Antonio Machado (1875-1939), destaco inicialmente o poema Sonho: Lá do umbral de um sonho me chamaram… / Era a suave voz, a voz querida. / — Diz-me: virás comigo a ver a alma?… / Veio a meu coração uma carícia. / — Contigo sempre… E segui em meu sonho / por uma larga, precisa galeria, / sentindo o roçar da veste pura / e o palpitar suave da mão amiga. Também o poema Uma noite de verão...: Uma noite de verão / – estava aberta a varanda / e a porta de minha casa – / a morte na casa entrou. / Foi-se acercando a seu leito / – nem sequer me percebeu –, / com uns dedos muito finos, / algo mui tênue rompeu. / Silenciosa e sem me olhar, / a morte outra vez passou / ante a mim. “O que fizeste?” / A morte não respondeu. / A filha ficou tranquila / sofrido meu coração, / Ai, o que a morte quebrou / era um fio entre nós dois! Por fim, o belíssimo poema Cantares: Tudo passa e tudo fica / porém o nosso é passar, / passar fazendo caminhos / caminhos sobre o mar / Nunca persegui a glória / nem deixar na memória / dos homens minha canção / eu amo os mundos sutis / leves e gentis, / como bolhas de sabão / Gosto de vê-los pintar-se / de sol e grená, voar / abaixo o céu azul, tremer subitamente e quebrar-se… / Nunca persegui a glória / Caminhante, são tuas pegadas / o caminho e nada mais; / caminhante, não há caminho, / se faz caminho ao andar / Ao andar se faz caminho / e ao voltar a vista atrás / se vê a senda que nunca / se há de voltar a pisar / Caminhante não há caminho / senão há marcas no mar… / Faz algum tempo neste lugar / onde hoje os bosques se vestem de espinhos / se ouviu a voz de um poeta gritar / “Caminhante não há caminho, / se faz caminho ao andar”… / Golpe a golpe, verso a verso… / Morreu o poeta longe do lar / cobre-lhe o pó de um país vizinho. / Ao afastar-se lhe viram chorar / “Caminhante não há caminho, / se faz caminho ao andar…” / Golpe a golpe, verso a verso… / Quando o pintassilgo não pode cantar. / Quando o poeta é um peregrino. / Quando de nada nos serve rezar. / “Caminhante não há caminho, / se faz caminho ao andar…” / Golpe a golpe, verso a verso. Veja mais aqui.

A BICICLETA DO CONDENADO – A peça teatral em um único ato A bicicleta do condenado (1959), do escritor, dramaturgo e cineasta espanhol Fernando Arrabal, conta a história de tocador de piano que manifesta o amor por uma mulher carregando sua bicicleta no corredor da morte. Da obra destaco o trecho inicial: (Tasla ao centro do palco imita a estátua da justiça, sem a venda nos olhos; à direita, por trás do muro, dos Homens com características de policiais, e à esquerda, sentado no banco do piano, Viloro encara a platéia. Depois de algum tempo vê-se surgir das costas de Viloro, como se fosse parte dele, Paso que ostenta uma coroa na cabeça. Black-out. Palco pouco iluminado. À direita, muito ao fundo, um pequeno muro de 1,30 m por 3 m. À esquerda, um piano. Viloro toca piano apenas com um dedo, muito desajeitadamente. Ensaia a escala musical — Dó, ré, mi, fá, lá. Gesto de contrariedade. Silêncio. Tenta recomeçar a escala. Toca muito lentamente para não se enganar. — Dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó. Grande alegria. Viloro esfrega as mãos de contentamento, mas apesar de tudo, um pouco timidamente. Silêncio. Recomeça a tocar cheio de confiança.. — Dó, ré, mi, fá, sol. Trejeito de contrariedade. Ouvem-se risos ao fundo. Viloro volta-se receosamente. Ao fundo distinguem-se dois homens por detrás do muro. Viloro olha para eles. Os homens tornam-se bruscamente sérios. Olham também para Viloro. Silêncio. Viloro recomeça a tocar: — Dó, ré, mi, fá, sol, ré. Trejeito tímido de contrariedade. Risos dos dois homens por detrás do muro. Viloro volta-se e timidamente olha para o fundo. Os homens deixam de rir. Viloro olha para eles. Os homens olham para Viloro seriamente. Silêncio. Viloro tenta ainda fazer a escala: — Dó, ré, mi, fá, si, ré. Trejeito tímido de contrariedade. Os homens riem. Viloro olha para eles. Os homens param de rir e olham-se muito seriamente. Silêncio. Viloro prepara-se para recomeçara tocar. Ao fundo, próximo aos dois homens e igualmente por detrás do muro, aparece um terceiro homem. É Paso – um homem de cabelos ruivos. Paso indica Viloro descaradamente com o dedo e ri ruidosamente. Os três homens riem Viloro volta-se receosamente e contempla os homens. Os três deixam de rir. Encaram muito seriamente Viloro, que tenta de novo fazer a escala: — Dó, ré, mi, fá, sol, lá, si. Os três homens riem por detrás do muro e apontam descaradamente com o dedo. Paso, principalmente, ri muito alto. Viloro volta-se receosamente e contempla os três homens. Cessam de rir. Encaram-no seriamente. Silêncio. Viloro toca mais uma vez: — Dó, ré, mi, fá, si, sol. Os dois homens riem por detrás do muro. Viloro volta-se para eles com ar zangado mas com timidez. Os dois homens param de rir. Encaram-no muito seriamente. Silêncio. Pela esquerda entra uma mulher – TASLA – montada numa bicicleta que transporta à maneira de reboque uma gaiola de madeira. A gaiola tem três pequenas rodas e transporta um homem ruivo. É PASO, com as mãos atadas. Traz uma mordaça. Tasla desce da bicicleta. Dirige-se para Viloro. Os dois homens olham descaradamente para Tasla) TASLA – Bom dia, Viloro. (Viloro com gesto de fadiga aponta o muro) VILORO – Não fale. Eles estão ali. TASLA – (Olha receosamente para os homens) – Ainda! (Silêncio. Risos dos homens. Tasla e Viloro voltam receosamente o olhar para o muro. Os dois homens calam-se. Silêncio. Viloro e Tasla olham um para o outro. Os homens desaparecem. Silêncio) VILORO – Vê se eles ainda estão lá. TASLA – Olha você. Tenho medo. VILORO – Eu também. (Silêncio. Viloro olha receosamente para o fundo) VILORO – (muito contente) – Eles já foram embora. (Tasla olha. O seu rosto ilumina-se) TASLA – Finalmente estamos tranqüilos. VILORO – Temos que esperar. Não vão eles voltar daqui a pouco como fazem algumas vezes? TASLA – (Após um silêncio) – Progrediste? VILORO – (Muito contente) – Oh! Sim. Fiz enormes progressos. TASLA – Toca para eu ouvir. VILORO – Tenho um pouco de vergonha. TASLA – Coragem! Não há motivo para ficar vermelho de vergonha. VILORO – (Entusiasmado) – É sem querer. TASLA – De repente? VILORO – Não é bem de repente. . . mas quase. TASLA – Toca um bocadinho. (Viloro toca piano: Dó, ré, mi, fá, lá. – Gesto contrariado de Viloro) TASLA – Muito bem, Viloro. Você fez um progresso espantoso! VILORO – Enganei-me no fim. Não percebeste? — Dó, ré, mi, fá, si, sol. Os dois homens riem por detrás do muro. Viloro volta-se para eles com ar zangado mas com timidez. Os dois homens param de rir. Encaram-no muito seriamente. Silêncio. Pela esquerda entra uma mulher – TASLA – montada numa bicicleta que transporta à maneira de reboque uma gaiola de madeira. A gaiola tem três pequenas rodas e transporta um homem ruivo. É PASO, com as mãos atadas. Traz uma mordaça. Tasla desce da bicicleta. Dirige-se para Viloro. Os dois homens olham descaradamente para Tasla) TASLA – Bom dia, Viloro. (Viloro com gesto de fadiga aponta o muro) VILORO – Não fale. Eles estão ali. TASLA – (Olha receosamente para os homens) – Ainda! (Silêncio. Risos dos homens. Tasla e Viloro voltam receosamente o olhar para o muro. Os dois homens calam-se. Silêncio. Viloro e Tasla olham um para o outro. Os homens desaparecem. Silêncio) VILORO – Vê se eles ainda estão lá. TASLA – Olha você. Tenho medo. VILORO – Eu também. (Silêncio. Viloro olha receosamente para o fundo) VILORO – (muito contente) – Eles já foram embora. (Tasla olha. O seu rosto ilumina-se) TASLA – Finalmente estamos tranqüilos. VILORO – Temos que esperar. Não vão eles voltar daqui a pouco como fazem algumas vezes? TASLA – (Após um silêncio) – Progrediste? VILORO – (Muito contente) – Oh! Sim. Fiz enormes progressos. TASLA – Toca para eu ouvir. VILORO – Tenho um pouco de vergonha. TASLA – Coragem! Não há motivo para ficar vermelho de vergonha. VILORO – (Entusiasmado) – É sem querer. TASLA – De repente? VILORO – Não é bem de repente. . . mas quase. TASLA – Toca um bocadinho. (Viloro toca piano: Dó, ré, mi, fá, lá. – Gesto contrariado de Viloro) TASLA – Muito bem, Viloro. Você fez um progresso espantoso! VILORO – Enganei-me no fim. Não percebeste? [...] Veja mais aqui.


A VIDA É UM MILAGRE – O filme A vida é um milagre (Život je čudo, 2004), do cineasta e músico sérvio cirílico Emir Kusturica – que também compôs a música do filme com Dejo Sparavalo -, conta uma história que se passa na Bósnia de 1992, quando um engenheiro se instala num vilarejo com sua família - sua esposa é uma cantora lírica e seu filho um adolescente -, sem dar ouvidos a uma ameaça de guerra que quando eclode,  leva sua vida a sofrer mudanças drásticas: sua esposa foge com um músico e seu filho é convocado para a guerra. O filme é belíssimo e conta reviravolta que se dá na vida de um pai de família, numa região ameaçada pela guerra e que, almejando alcançar seus objetivos se põe obstinadamente na luta pela conquista dos seus objetivos, quando em pleno andamento de seu planejamento se vê sem a mulher e sem o filho, tendo, por isso, a sua família destroçada. Imperdível. O destaque do filme vai para a belíssima atriz sérvia Nataša Tapušković. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
 Homenagem à atriz alemã do teatro, cinema e televisão Lil Dagover - Marie Antonia Siegelinde Martha Seubert (1887-1980).


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Some Moments com a festa comemorativa dos mais de 500 mil acessos daqui, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial de Meimei Corrêa & Verney Filho. Para conferir online acesse aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...