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quarta-feira, junho 22, 2016

ANNE MORROW LINDBERGH, CHARLOTTE MOORMAN, THOMAS MANN, ALAN WATTS, FASSBINDER & HANNA SCHYGULLA, EMMANUELLE SEIGNER, HANSEN BAHIA & ATTILA RICHARD LUKACS


A FILHARADA DE ZÉ CORNINHO - Imagem: Matriz pintada, do marinheiro, escultor, pintor e cineasta alemão Hansen Bahia (1915-1978) - - Zé Corninho ficou com o coração na mão quando viu aquela beldade doutora procurando-lhe pelo nome de registro civil. Logo pensou consigo: - É bronca. E ela: - O senhor José Cornélio da Conceição Pereira? -, e ele amolegando a peia afirmou: - Ao seu dispô, dona senhora doutora! E a sua esposa? Escolha, qualqué uma dessa aí é minha esposa! A assistente social arregalou os olhos, virou-se pro oficial de justiça e policiais, determinando: - Levem-no! Pegaram-no pelo cós da calça e sacudiram dentro do camburão. A bronca foi colocar as distintas esponsais dele num carro só, antes um ônibus para caber tudinho pra levar pra promotoria. Entretanto, várias viagens depois pra lá e pra cá, lá estavam numa sala apertada do Fórum local, a promotora, a delegada, a assistente social, o distinto acusado, dois policiais de escolta, as ditas cujas e a filharada no maior buá, fazendo do ambiente um escarcéu danado. Maior bafafá. – O senhor gosta de trabalho à humanidade, hem? -, reclamou um dos soldados presentes. – Afinal, o senhor casou com qual? Ninhuma, eu só me amiguei cum tudim. – Mentira! – levantou-se uma com um bruguelo mamando no seio -, eu casei cum ele de papel passado e tudo! – Eu tomém casei cum ele no papel e nos pés do padre! -, arremedou outra. – Eu tomém! E assim foi, uma a uma das ali presentes, manifestando haver contraído núpcias com o Don Juan. No conferido do amiudado, na verdade não havia de fato certidão de casamento, contudo, todas tinham tempo de serviço para garantir uma união estável nas costelas do distinto. – O senhor não é só bígamo, é multibígamo é? -, reclamou a delegada segurando o cabo do revólver. – Sô não, senhora dotôra delegada! Fidapeste, esse deve de ter parentesco com coelho! E essa ninhada de menino de quem é? É tudo meu, senhora doutora promotora, eu assumo tudo que faço! – Tem que colocar esse cabra atrás das grades e mandar capá-lo, é a solução! Ô dona senhora madama, mi diga qual macho de verdade num gosta dum furunfado? Dê-se ao respeito senão prendo o senhor agorinha por desacato a autoridade, afora outros crimes que o senhor será incurso, viu? Num é desfeita não, senhora doutora madama, sô igualzinho a qualquer macho daqui e donde quiser, a diferença é que eles só comem uma vez, desgraçam a mulher e deixam pra lá. Eu, não, assumo os meus e até os que não são meu por conta dos irresponsáveis. Meu avô mermo, teve pra mais de 30 e deu conta de tudinho; do meu pai, sou o nono de 20, nenhum deles teve problema algum. Eu acho que já passei disso e, com certeza, darei conta também. Verdade, uma infieira de bruguelo vindo com força fazia o plantel da prole dele. - O senhor, por acaso, sabe o que é ser pai? Senhora madama doutora, o que sei mesmo é enfiar o bregueço lá na loca da mocreia, depois sair tangendo tudo pra ser gente na vida e seja lá o que Deus quiser! E qual das senhoras sabe o que é ser mãe? Uma lá mais desaforada sapecou: - Oxe, mulé, o cabra chega o dia todo se esfregando, quase de comer a gente com caçola e tudo, aí a gente emprenha, fazer o quê? É rezar pra Deus pra que nenhum dê pro que não presta! Pode perguntar a qualquer uma dessa tuia de fêmea aí que é tudo mulher desse pilantra safado. O senhor é algum sheik ou sultão para ter um harém desse é? O senhor sabe que tem de sustentar essas e outras que estão reclamando paternidade, não sabe? Sei, sim senhora! E tem outro bocado reclamando que o senhor não paga pensão! Sei sim, senhora! E que se não pagar vai pra cadeia? Sei sim, senhora! Tudinho pode ir morar na minha casa que dou conta. A promotora olhou pra delegada que olhou pra assistente social e ficaram uma olhando pra outra sem saber o que fazer. Resultado, ao invés de reclamar ou se defender das acusações ou requerimentos, ele assumiu tudo e ainda saiu orgulhoso expondo que era o rei do harém. Uma coisa dessa não pode dar certo de jeito nenhum. Mas vamos aprumar a conversa e tataritaritatá! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 Imagem: a arte do marinheiro, escultor, pintor e cineasta alemão Hansen Bahia (1915 -1978).


Curtindo o álbum de 4 cds Cello Anthology (Alga Marghen, 2006), da violoncelista e artista performer da vanguatda estadunidense Charlotte Moorman (1933 - 1991), a Jeanne d'Arc da nova música.

PESQUISA
Travessia Marítima com Dom Quixote e outros ensaios sobre homens e artistas (Zahar, 2014), do escritor alemão e Prêmio Nobel de Literatura de 1929, Thomas Mann (1875-1955), reunindo 10 ensaios escritos sobre a atividade literária, a obra e outros escritos, ética, estética e temas de ordem sociopolítica, inclusive no ensaio Carta ao conde Hermann Keyserlink, aborda a questão do orgulho infantil de se procriar muitos filhos para confirmação da homência. Veja mais aqui e aqui.

LEITURA 
O casamento: variações sobre um tema (Crescer, 1993), da escritora estadunidense Anne Morrow Lindbergh (1906-2001), contando sobre uma cerimônia de casamento, desde o instante em que a noiva começa a se vestir até o momento em que se despede, partindo para uma nova vida; e o que sente cada uma das pessoas envolvidas nessa cerimônia, refletinco sobre o casamento, o amor, a separação e a infidelidade, o envelhecimento - sobre a vida e a morte, enfim.

PENSAMENTO DO DIA:
[...] o homem geralmente projeta o seu sêmen no interior da mulher e depois a acusa de o ter seduzido. Como bem disse Adão: “Esta mulher que me deste tentou-me e eu comi a maçã”. [...] Tal ato é, então, mais e mais esperado para compensar pela deficiência da espontaneidade em todas as demais direções, sendo, portanto, como o grande prazer, abstrato ou colcoado à parte de todas as experiências. [...] contribui para o desenvolvimento de todos os refinamentos da luxúria civilizada.
Trecho extraído do livro O homem, a mulher a natureza (Record, 1958), do filósofo e escritor inglês Alan Wilson Watts (1915-1973). Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA 
Cartaz do premiado drama O casamento de Maria Braun (Die Ehe Der Maria Braun, 1978), do cineasta alemão Rainer Werner Fassbinder (1945-1982), estrelado pela atriz alemã Hanna Schygulla que arrebatou juntamente com o Urso de Ouro do filme, o Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Cinema de Berlim, de 1979. Veja mais aqui.

Veja mais sobre Norbert Elias, Hermeto Pascoal & Aline Moreira, Sándor Márai, Zuca Sardan, Martin Esslin, Fred Schepisi, Meryl Streep, Derek Gores, Pierre-Nicolas Beauvallet & Gilson Luiz dos Santos Braga aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Todo dia é dia da belíssima atriz e modelo francesa Emmanuelle Seigner.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Imagem: Etiquetas, do artista visual canadense Attila Richard Lukacs.
Recital Musical Tataritaritatá.
Veja aqui.




segunda-feira, junho 01, 2015

MORIN, RUBIÃO, GENET, FASSBINDER, MARILYN, MORISSETE, GAINSBOROUGH, FERNANDO FIORESE, MEMEI CORRÊA & IMPRENSA BRASILEIRA.


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? – O dia amanhece. Contemplo o Sol e o horizonte escancarado para minha realização. Então, canto e entoando a canção sobre os versos de Fernando Fiorese – Porque cantar já não muda em manhã -, mais incorporo o poder de insistir, persistir, resistir e perseverar. Dedilhando os acordes da canção, recito Meimei Corrêa: "Minha palavra louca explode sem mesmo sair da boca, sai do coração, é mina em explosão, sem conter silêncios, provoca cada vez mais incêndios, não se reduz, porque reluz em sua direção. Sua palavra apouca, o coloca em falta, ela se escorrega peralta e se perde no labirinto do que eu sinto; se soa e ecoa, é canivete que corta, quando nem tanta coisa importa, o erro se repete e nada descreve a sua ou a minha falta. E quando surge a manhã, a palavra ainda está muda e se faz também surda, diante dos gritos inauditos das madrugadas que se perderam... Sou dona do que calo, escrava do que falo... E quero mais me escravizar mesmo pelo que não consigo expressar; palavras são palavras, pequenas diante das verdades que me fazem senhora do que não digo e se vou ou se fico, chego sem mesmo ir, me perco, me acho, me encaixo nas manhãs do seu desejo a me possuir". Veja mais aqui, aqui e aqui.

Imagem: Musidora, do célebre pintor do Arcadismo inglês Thomas Gainsborough (1828-1788)

Curtindo Live at Montreux (Havoc and Bright Lights – Guardian Angel Tour) – Montreux Jazz Festival, Switzerland (2013), da cantora, compositora, produtora e atriz canadense Alanis Morissete.

PENSAMENTO COMPLEXO – A obra Introdução ao pensamento complexo (Sulina, 2005), do antropólogo, sociólogo e filósofo francês Edgar Morin, aborda tema como a inteligência cega, a tomada de consciência, o problema da organização do conhecimento, a patologia do saber, a necessidade do pensamento complexo, a Indo-américa, a teoria sistêmica, o sistema aberto, o sujeito e o objeto, coerência e abertura epistemológica, scienza nuova, a integração das realidades banidas pela ciência clássica, a virada paradigmática, o paradigma complexo e simplificador, ordem e desordem no universo, necessidade dos macroconceitos, o todo está na parte que está no todo, da auto-organização à auto-eco-organização, viver e lidar com a desordem, epistemologia da complexidade, os mal-entendidos, a migração dos conceitos, entre outros assuntos. Destaco o texto introdutório: [...] A palavra complexidade só pode exprimir nosso incômodo, nossa confusão, nossa incapacidade para definir de modo simples, para nomear de modo claro, para ordenar nossas idéias. O conhecimento científico também foi durante muito tempo e com freqüência ainda continua sendo concebido como tendo por missão dissipar a aparente complexidade dos fenômenos a fim de revelar a ordem simples a que eles obedecem. Mas se resulta que os modos simplificadores de conhecimento mutilam mais do que exprimem as realidades ou os fenômenos de que tratam, torna-se evidente que eles produzem mais cegueira do que elucidação, então surge o problema: como considerar a complexidade de modo não simplificador? Este problema, entretanto, não pode se impor de imediato. Ele deve provar sua legitimidade, porque a palavra complexidade não tem por trás de si uma nobre herança filosófica, científica ou epistemológica. Ela suporta, ao contrário, uma pesada carga semântica, pois que traz em seu seio confusão, incerteza, desordem. Sua primeira definição não pode fornecer nenhuma elucidação: é complexo o que não pode se resumir numa palavra-chave, o que não pode ser reduzido a uma lei nem a uma ideia simples. Em outros termos, o complexo não pode se resumir à palavra complexidade, referir-se a uma lei da complexidade, reduzir-se à ideia de complexidade. Não se poderia fazer da complexidade algo que se definisse de modo simples e ocupasse o lugar da simplicidade. A complexidade é uma palavra-problema e não uma palavra-solução. [...] Em toda a minha vida, jamais pude me resignar ao saber fragmentado, pude isolar um objeto de estudo de seu contexto, de seus antecedentes, de seu devenir. Sempre aspirei a um pensamento multidimensional. Jamais pude eliminar a contradição interna. Sempre senti que verdades profundas, antagônicas umas às outras, eram para mim complementares, sem deixarem de ser antagônicas. Jamais quis reduzir à força a incerteza e a ambiguidade. [...] Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

O PIROTÉCNICO ZACARIAS – O livro O pirotécnico Zacarias (Ática, 1974), do escritor, advogado, professor e jornalista Murilo Rubião (1916-1991), é composto de oito contos que se inserem no gênero fantástico com narrativas que se dimensionam o onírico, situações absurdas e valorização do sobrenatural. Da obra destaco trecho do conto homônimo: [...] Ao clarear o dia, saí da semiletargia em que me encontrava. Alguém me perguntava onde eu desejava ficar. Recordo-me que insisti em descer no cemitério, ao que me responderam ser impossível, pois àquela hora ele se encontrava fechado. Repeti diversas vezes a palavra cemitério. (Quem sabe nem chegasse a repeti-la, mas somente movesse os lábios, procurando ligar as palavras às sensações longínquas do meu delírio policrômico.) Por muito tempo se prolongou em mim o desequilíbrio entre o mundo exterior e os meus olhos, que não se acomodavam ao colorido das paisagens estendidas na minha frente. Havia ainda o medo que sentia, desde aquela madrugada, quando constatei que a morte penetrara no meu corpo. Não fosse o ceticismo dos homens, recusando-se aceitar-me vivo ou morto, eu poderia abrigar a ambição de construir uma nova existência. Tinha ainda que lutar contra o desatino que, às vezes, se tornava senhor dos meus atos e obrigava-me a buscar, ansioso, nos jornais, qualquer notícia que elucidasse o mistério que cercava o meu falecimento. Fiz várias tentativas para estabelecer contato com meus companheiros da noite fatal e o resultado foi desencorajador. E eles eram a esperança que me restava para provar quão real fora a minha morte. No passar dos meses, tornou-se menos intenso o meu sofrimento e menor a minha frustração ante a dificuldade de convencer os amigos de que o Zacarias que anda pelas ruas da cidade é o mesmo artista pirotécnico de outros tempos, com a diferença de que aquele era vivo e este, um defunto. Só um pensamento me oprime: que acontecimentos o destino reservará a um morto se os vivos respiram uma vida agonizante? E a minha angústia cresce ao sentir, na sua plenitude, que a minha capacidade de amar, discernir as coisas, é bem superior à dos seres que por mim passam assustados. Amanhã o dia poderá nascer claro, o sol brilhando como nunca brilhou. Nessa hora os homens compreenderão que, mesmo à margem da vida, ainda vivo, porque a minha existência se transmudou em cores e o branco já se aproxima da terra para exclusiva ternura dos meus olhos. [...] Veja mais aqui.

AS CRIADAS – A peça teatral As criadas (Les Bonnes, 1946-47), do controverso escritor e dramaturgo francês Jean Genet (1910-1986), traz a histórias de duas irmãs que empregadas domesticas que executam elaborados rituais sadomasoquistas que levam a um jogo com desfecho trágico. Da obra destaco o trecho: [...] CLAIRE: Solange! Solange! Solange! SOLANGE: Berre à vontade! Pode até lançar seu grito derradeiro, Madame! (Empurra Claire, que fica agachada num canto) Enfim! Madame está morta! Estendida no linóleo ... Estrangulada pelas luvas de lavar panelas. Madame pode permanecer sentada! Madame pode me chamar de senhorita Solange. Justamente. É por causa do que eu fiz. Madame, o doutor me chamará Senhorita Solange Lemercier ... Madame devia ter tirado esse vestido preto, é grotesco. (Imita a voz de Madame) Eis-me aqui reduzida, por luto a minha criada. A saída do cemitério, todos os empregados do bairro desfilavam diante de mim como se eu fosse alguém da família. Tantas vezes fiz de conta que ela pertencia à família. Vai ver que a morte levou esse gracejo até as últimas conseqüências. Oh! Madame, sou sua igual Madame, e ando de cabeça erguida ... (Ri) Não, senhor inspetor, não ... o senhor não saberá nada sobre o meu trabalho. Nada sobre o nosso trabalho em comum. Nada sobre a nossa colaboração para esse assassinato ... Os vestidos? Oh! Madame pode guardá-los. Minha irmã e eu tínhamos os nossos. Aqueles que vestíamos a noite, escondida. Agora tenho meu vestido e sou sua igual. Estou com a toalete vermelha das criminosas. Faço rir o doutor? Faço o doutor sorrir? Ele pensa que as criadas devem ter bom gosto de não fazerem gestos que estão reservados à Madame! Verdade que me perdoa? É a bondade em pessoa. Quer competir comigo em grandeza. Mas a que eu conquistar é a mais selvagem ... Madame começa a perceber minha solidão! Finalmente! Agora estou sozinha, medonha. Podia lhe falar com crueldade, mas posso ser boa. Seu medo vai passar, Madame. Vai passar completamente. No meio das suas flores, seus perfumes, seus vestidos. Aquele vestido branco que a senhora usava à noite no baile da ópera, aquele vestido branco que eu não deixo ela vestir nunca. E no meio das suas jóias, dos seus amantes. Quanto a mim, tenho, minha irmã. Sim, ouso falar nela. Ouso, Madame. Posso ousar tudo. E quem poderia me fazer falar? Quem teria a coragem de me dizer: “minha filha”? Eu servi. Fiz os gestos que são necessários para servir. Sorri para Madame. Me abaixei para lavar os ladrilhos, me abaixei para fazer a cama, me abaixei para descascar legumes, para escutar atrás das portas, colar meu olho nas fechaduras. Mas agora estou de pé. E firme. Sou a estranguladora. A senhorita Solange, aquela que estrangulou a irmã! Me calar! Madame é mesmo delicada. Mas tenho pena da brancura da Madame, da sua pele acetinada, das suas orelhinhas, dos seus pulsinhos ... Eu sou a galinha preta, tenho os meus juízes. Sou da polícia ... Claire? Ela gostava muito, muito mesmo da Madame! ... Não senhor inspetor, diante deles não explico nada. Essas coisas só interessam a nós ... Aquilo, minha filha, a nossa noite, nossa! (Acende um cigarro e fuma desajeitadamente. A fumaça a faz tossir) Nem vocês nem ninguém vai saber nada, senão que desta vez Solange foi até o fim. Vocês a estão vendo vestida de vermelho. Ela vai sair. (Solange se dirige para a janela, abre-a e sobe a sacada, de costas para o público, encarando a noite. Dirá a retirada seguinte. Um vento leve faz ondular as cortinas) Sair. Descer a grande escadaria! A polícia a acompanha. Saiam à sacada para vê-la seguir entre os negros penitentes.É meio-dia. E, assim, leva na mão uma tocha de nove libras. Logo atrás, o carrasco segreda-lhe ao ouvido palavras de amor. O carrasco me acompanha, Claire! (Ri) Ela será conduzida em cortejo por todas as criadas do bairro, por todos os domésticos que acompanharam Claire à sua última morada. (Olha para fora) Levam coroas, flores, bandeirolas, tocam o dobre de finados. O enterro desdobra sua pompa. Lindo, não. Vêm primeiro os mordomos, de fraque, sem forro de seda. Trazem suas coroas. Depois os criados de libré, os lacaios de culote curto e meias brancas. Trazem suas coroas. Vêm depois os camareiros e depois as arrumadeiras, trazendo as nossas cores. Vêm os porteiros e vêm ainda, as delegações do céu. E eu as conduzo. O carrasco me embala. Todos clamam. Estou pálida e vou morrer! (Entra) Quantas flores! Deram-lhe um lindo enterro, não. Oh! Claire, minha pobrezinha Claire! (Rompe em soluços e se afunda numa poltrona. Levanta-se de novo) Não adianta, Madame, obedeço à polícia. Só ela me compreende. Ela também é do mundo dos réprobos. (Debruçada na ombreira da porta da cozinha, Claire visível só para o público, desde há instantes ouve sua irmã) Agora somos a senhorita Solange Lemercier. A mulher Lemercier. A Lemercier. A célebre criminosa. (Cansada) Claire, nós estamos perdidas. CLAIRE: (Dolente, com a voz da Madame) Fecha a janela e corra a cortina. SOLANGE: Já é tarde. Todo mundo foi dormir. Não vamos continuar. CLAIRE: (Faz com a mão um gesto de silêncio) Claire, você vai me servir um chá. SOLANGE: Mas...  CLAIRE: Eu estou dizendo, meu chá.  SOLANGE: Estamos mortas de cansaço. Temos de parar. (Senta-se na poltrona) CLAIRE: Ah! Absolutamente! Não! Então pensa, criadinha, que se safa assim à toa? Seria fácil demais conspirar com o vento, ser cúmplice da noite. SOLANGE: Mas CLAIRE: Não discuta. É a mim que compete dispor destes minutos finais. Solange, tu me guardarás em ti. [...]. Essa peça foi adaptada para o cinema, The Maids (1974) pelo diretor Christhopher Miles. Veja mais aqui.

O CASAMENTO DE MARIA BRAUN – O premiado drama O casamento de Maria Braun (Die Ehe Der Maria Braun, 1978), do cineasta alemão Rainer Werner Fassbinder (1945-1982), é uma das obras-primas do diretor que conta a história de uma mulher cujo casamento se transforma numa longa espera pela reunificação com o seu marido, que parte para a guerra, se perde na frente russa, é preso e emigra para a América. A trama inclui várias metáforas cinematográficas sobre a questão da identidade e as experiências do pós-guerra alemão, narrando o percurso de Maria Braun, desde o seu casamento apressado em 1943 e contando as várias fases da história da Alemanha, dos anos de guerra ao milagre econômico. Destaque para a atriz alemã Hanna Schygulla que arrebatou juntamente com o Urso de Ouro do filme, o Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Cinema de Berlim, de 1979. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Hoje é dia da atriz, cantora, modelo e musa mundial Marilyn Monroe (1926-1962). Veja mais aqui.

Hoje é o Dia da Imprensa


Veja mais sobre:
Quando não é na entrada é na saída, O autor como produtor de Walter Benjamin, Antologia Pornográfica de Alexei Bueno, Linguística & Estilo, Fronteiriços de Anna Bella Geiger, a música de Andrea dos Guimarães, Wunderblogs, a ninfa Carna, a arte de Gilvan Samico & Matéria Incógnita aqui.

E mais:
Vamos aprumar a conversa, Pensamento complexo de Edgar Morin, Pirotécnico Zacarias de Murilo Rubião, As criadas de Jean Genet, o cinema de Rainer Werner Fassbinder & Hanna Schygulla, a arte de Hanna Schygulla, Imprensa, a música de Alanis Morissete & a pintura de Thomas Gainsborough aqui.
Credibilidade da imprensa brasileira, A imprensa & Millôr Fernandes, a música de Eduardo Gudin, História da Imprensa de Nelson Werneck Sodré, Beijo no asfalto de Nelson Rodrigues, a literatura de Cervantes & a arte da jornalista Enki Bracaj aqui.
Inclusão social pelo trabalho, Pitágoras, José Louzeiro, Samir Yazbek, Jacques Rivette, Xue Yanqun, Ednalva Tavares, Lisa Lyon, Música Folclórica Pernambucana & A imprensa na atualidade aqui.
A mulher do médico, Do sentir de Mario Perniola, a fotografia de Alfred Cheney Johnston, a arte de Sandra Cinto.& Akino Kondoh, Sonhos graúdos na diversão da mocidade aqui.
Mil sonhos na cabeça e o amanhã nas mãos, A pedra do sono de João Cabral de Melo Neto, a pintura de Omar Ortiz, a arte de Gary Jackson & Sean Seal aqui.
A vida em risco e o veneno à mesa, O direito dos povos de Amartya Kumar Sem, a pintura de Roberto Fernandez Balbuena & a arte de Kadee Glass aqui.
O brinde do amor, Pedagogia do oprimido de Paulo Freire, a música de Vanessa da Mata, a arte de Luciah Lopez, Project Global Peace Art & Havia mais que desejo na paixão feita do amor aqui.
Sexta postura, A arte de amar de Manuel Bandeira, a música de Al Di Meola, a escultura de Ambrogio Borghi, arte de Juli Cady Ryan & Quando amor premia o sábado aqui.
Desencontros de ontem, reencontros amanhã, Augúrios da inocência de William Blake, a música de Gonzaguinha, a arte de Duarte Vitória, a poesia de Tony Antunes & Alô, Congresso Nacional, ouça quem o elegeu aqui.
O que é ser brasileiro?, Sobre a violência de Hannah Arendt, a arte de Alex Grey, a música de Carol Saboya & Quem faz e não sabe o que fez é o mesmo que melar na entrada e na saída e nem se lembrou de limpar. Que meladeiro aqui.
Pra quem nunca foi à luta, está na hora de ir, a escultura de Phillip Piperides, a música de Duo Graffiti, a arte de Tracey Moffatt & Tanise Carrali aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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sexta-feira, dezembro 21, 2007

RÂMANA MAHÂRSHI, BARDESANES, CARRERO, FUKUDA, FASSBINDER, CES, SCHYGULLA, SUSTENTABILIDADE & DIREITO TRIBUTÁRIO!


PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA NO CRÉDITO TRIBUTÁRIO – A presente abordagem aborda acerca da prescrição e da decadência, em conformidade com o que preceitua o Código Civil brasileiro vigente. Conceitualmente, a prescrição consiste na consolidação, pelo decurso do tempo, de uma lesão a um direito subjetivo, enquanto que a decadência representa a extinção, pelo decurso do tempo, de um direito protestativo, ou seja, aplica-se o prazo decadencial quando constatado um direito que fosse exercido por meio de uma conduta do próprio titular. Os fundamentos da prescrição estão na ação destruidora do tempo; no castigo à negligência; na presunção de abandono ou renúncia; na presunção da extinção do direito; na proteção ao devedor; na diminuição do número de demandas; no interesse social pela estabilidade das relações jurídicas. Já a decadência, no campo jurídico, indica a queda ou perecimento de direito pelo decurso do prazo fixado para seu exercício, sem que o titular o tivesse exercido. E isto quer dizer que a decadência e a prescrição se fundam na inércia do titular do direito, durante certo lapso de tempo, ambas jogam, com o conceito de inércia e tempo. Os requisitos da prescrição são: a existência de ação exercitável;  a inércia do titular da ação pelo seu não-exercício; a continuidade dessa inércia; e a ausência de fato impeditivo, suspensivo ou interruptivo do curso da prescrição. A prescrição apenas pode ser declarada de ofício, privativamente, em favor de absolutamente incapaz. Também pode ser alegada, a prescrição, em curso contínuo diante do sucessor. E em relação a incapaz e pessoa jurídica, a não alegação da prescrição pode ensejar à responsabilização dos seus representantes ou assistentes, assim como, sobre o agente da pessoa jurídica ou do incapaz que com sua inércia dá motivos à ocorrência de prescrição. E, seguindo o critério de que a prescrição extingue diretamente as ações e atinge indiretamente, portanto, o respectivo direito, parte do ponto de que a decadência extingue diretamente o direito. As conseqüências finais dessa distinção são iguais, pois em qualquer caso haverá a extinção de um direito. Se, por um lado, a finalidade dos dois institutos é igual, eles diferem bastante no modo de atuação e na produção de efeitos. Assim, a decadência extingue diretamente o direito, e com ela a ação que o protege, enquanto a prescrição extingue a ação, e com ela o direito que protege. Há também que considerar que a decadência começa a correr, como prazo extintivo, desde o momento em que o direito nasce, enquanto a prescrição não tem seu início com o nascimento do direito, mas a partir de sua violação, porque é nesse momento que nasce a ação contra a qual se volta a prescrição. A distinção entre ambas reside na diversa natureza do direito que se extingue, pois a decadência supõe um direito que, embora nascido, não se tornou efetivo pela falta de exercício; ao passo que a prescrição supõe um direito nascido e efetivo, mas que perecem pela falta de proteção pela ação, contra a violação sofrida. No exame de um caso específico, toma-se em consideração a origem da ação; se a origem for à mesma do direito e nasceu com ele, configura-se a decadência; se for diversa, se a ação nasceu posteriormente, quando o direito já era existente e vem a ser violado, tal ato caracteriza a prescrição. Há que se considerar também o objeto da decadência que é o direito que nasce, por vontade da lei ou do homem, subordinado à condição de seu exercício em limitado lapso de tempo. Todo direito nasce de um fato a que a lei atribui eficácia para gerá-lo. Este fato pode ser acontecimento natural, assim como pode emanar da vontade, transfigurando-se em ato jurídico praticado no intuito de criar direitos. No entanto, em ambos os casos, que o acontecimento seja proveniente de acontecimento natural, que proveniente de vontade, a lei pode subordinar o direito, para se tornar efetivo, à condição de ser exercido dentro de certo período de tempo, sob pena de decadência. Se o titular do direito deixa de exercê-lo, deixando transcorrer em branco o prazo, sem tomar iniciativa, opera-se sua extinção, a caducidade ou decadência, não sendo mais lícito ao titular colocá-lo em atividade. Com relação a prescritibilidade, o crédito tributário pode se extinguir pelo não exercício do direito de sua cobrança, conforme previsto no art. 174 CTN. Já quanto a caducidade, a sua não constituição, no prazo de cinco anos, contados na forma do parágrafo 4o do art. 150 ou do 173 do CTN, implica em seu perecimento. Ou seja, a decadência, no campo do Direito Tributário, é o desaparecimento do direito de constituir o crédito tributário, de fazer o lançamento, de formar o título. Assim, o prazo decadencial, nesse ramo do Direito, é de cinco anos, nos termos do art. 173 do CTN, contados: - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. No que concerne à decadência, o art. 173 do CTN prevê: Art. 173 - O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Já quanto a prescrição, o art. 174 do CTN, prevê: “Art. 174 - A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data da sua constituição definitiva”. A prescrição, conforme visto, é a perda do direito de ação, inerente ao direito material, pelo seu não exercício durante certo lapso de tempo. Há lei prevendo a hipótese; há o comportamento que realiza o fato gerador e há o lançamento, mas o Estado deixa de cobrar. Tem o sujeito ativo, nos termos do CTN, o prazo de 5 anos, após o que prescreve a ação de cobrança. Interrompe-se o prazo prescricional nas mesmas hipóteses previstas na lei civil. Pode ser a prescrição interrompida, nos termos do art. 174, & único, do CTN, e pode ser suspensa, nos termos do art. 151 do Código. Os requisitos da ocorrência da prescrição são: ação exercitável;- inércia do titular da ação; prolongamento da inércia por tal lapso de tempo (5 anos); ausência de qualquer ato ou fato a que a lei atribua efeito suspensivo, interruptivo ou impeditivo do lapso prescricional. REFERÊNCIAS: COELHO, Sacha Calmon N. Curso de Direito Tributário Brasileiro. Rio de Janeiro: Forense, 2004. DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2002. TEPEDINO, Gustavo (Coordenador). Novo Código Civil: Estudos na Perspectiva Civil. Rio de Janeiro: Renovar, 2003. VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil. São Paulo: Atlas, 2004. RODRIGUES, Silvio. Direito Civil São Paulo: Saraiva. 2004. Veja mais aqui, aqui e aqui.


Imagem: Lovers, da artista plástica Christine E. S. Code CES.


Curtindo o álbum Convergences Brazilian Music for Strings (Paulus, 2001), com a violinista e professora Elisa Fukuda & Camerata Fukuda. Veja mais aqui

EPÍGRAFE – Os maiores estadistas lutam para governar os demais; no entanto, sabem no seu íntimo que são incapazes de governar a si mesmos. O cientista que passa a vida acumulando conhecimetnos terá que baixar a cabeça quando lhe perguntarem se resolveu o mistério do homem e se conquistou a si próprio. Que adianta conhecer o que se passa fora de nós se ficamos na ignorância do que se passa dentro de nós? Qual conhecimento é mais digno da nossa atenção e do nosso emprenho? Excerto do pensamento do filósofo, sábio e mestre de Advaita Vedanta, Bhagavan Sri Râmana Mahârshi (1878-1950). Veja mais aqui.

SUSTENTABILIDADE – O conceito de sustentabilidade está muito ligado à idéia de uma relação do ser humano com a natureza que conserva o meio ambiente, associando-se imediatamente às questões atinentes ao ambientalismo e ecologia. Sustentabilidade não diz respeito, apenas, à preservação e à conservação de recursos naturais limitados e não renováveis, quer dizer, de recursos que, se forem gastos sem previsão de seu esgotamento, farão falta para nós e para os que vierem depois de nós. Sustentabilidade diz respeito, também e principalmente, a um padrão de organização de um sistema que se mantém ao longo do tempo em virtude de ter adquirido certas características que lhe conferem capacidades autocriativas. Ser sustentável tem a ver com uma dinâmica que começa agora a se revelar com a ascensão do pensamento sistêmico, de rede autocatalítica, autocriativa. A sustentabilidade, portanto, é o resultado de um padrão de organização, observado inicialmente em ecossistemas - e, depois, mais precisamente, em sistemas moleculares vivos, como células - mas que também pode ser encontrado em nossos sistemas complexos. Daí dizer-se que desenvolvimento sustentável é aquele que leva à construção de comunidades humanas sustentáveis, ou seja, comunidades que buscam atingir um padrão de organização em rede dotado de características como interdependência, reciclagem, parceria, flexibilidade e diversidade. Veja detalhes aqui, aqui, aqui e aqui.

O DELICADO ABISMO DA LOUCURA – O livro O delicado abismo da loucura (Iluminuras, 2005), do premiado escritor, crítico, editor e jornalista pernambucano Raimundo Carrero, é o primeiro volume do projeto de comemorações dos trinta anos de carreira do autor, tratando de temas universais como a morte, o destino implacável e a presença de heróis capazes de mudar suas próprias histórias. Da obra destaco o trecho: [...] Ali deitado na cama, abatido, vivera grande parte de sua vida. [...] Só que ontem ela estava viva, palpitante, arrastando os chinelos pelo corredor. Foi ontem e por isso é como hoje. Estava ali mesmo desitado. Escutou as passadas. Levantou-se – e levantou-se com decisão solitária e feliz dos suicidas. [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

HINO DA PÉROLA – O Hino da Pérola – também tendo a denominação de Hino da Alma ou Hino da Veste de Glória -, é atribuído ao poeta gnóstico do século II, Bardesanes, uma alegoria de forma comovente sobre a perehrinação da alma até a sua redenção, que ocorre pela conquista da sabedoria, a qual é representa pela obtenção da pérola. Eis o poema: Quando era pequenino vivia em meu reino na casa de meu Pai e na opulência e abundância de meus educadores encontrava meu prazer quando mus pais me equiparam e enviaram desde o Oriente, minha pátria. Das riquezas de nosso tesouro me prepararam um enxoval pequeno, mas valioso e leve para que eu mesmo o transportasse. Ouro da casa dos deuses, prata dos grandes tesouros, rubis da Índia, ágatas do reino de Kushan. Me cingiram um diamante que pode talhar o ferro. Me retiraram o vestido brilhante que eles amorosamente haviam feito para mim e a toga púrpura que havia sido confeccionada para meu tamanho. Fizeram um pacto comigo e escreveram em meu coração, para que não o esquecesse, isto: “Se desces ao Egito e te apoderas da pérola única que se encontra no fundo do mar na morada da serpente que faz espuma (então) vestirás de novo o vestido resplandecente e a toga que descansa sobre ele e serás herdeiro de nosso reino com teu irmão, o mais próximo a nosso nível. Abandonei Oriente e desci acompanhado de dois guias pois o caminho era perigoso e difícil e era muito jovem para viajar. Atravessei a região de Messena, o lugar de reunião dos mercadores do Oriente, e alcancei a terra de Babel e penetrei no recinto de Sarbuj. Cheguei ao Egito e meus companheiros me abandonaram. Me dirigi diretamente à serpente e morei próximo de seu albergue esperando que a o sono a tomasse e dormisse e assim poder conseguir a pérola. E quando estava absolutamente só, estrangeiro naquele país estranho, vi a um de minha raça, um homem livre, um oriental, jovem, formoso e favorecido, um filho de nobres, e chegou e se relacionou comigo e o disse meu amigo íntimo, um companheiro a quem confiar meu segredo. O adverti contra os egípcios e contra a sociedade dos impuros. E me vesti com seus disfarces para que não suspeitassem que havia vindo de longe para tirar-lhes a pérola e impedir que excitassem a serpente contra mim. Mas de alguma maneira se deram conta de que eu não era um compatriota; me estenderam uma armadilha e fizeram comer de seus alimentos. Esqueci que era filho de reis e servi a seu rei; esqueci da pérola pela qual meus pais me haviam enviado e por causa da pesadez de seus alimentos caí em um sono profundo. Mas isto que acontecia foi sabido por meus pais e se apiedaram de mim e saiu um decreto de nosso reino, ordenando a todos, vir ante nosso trono, aos reis e príncipes da Partia e a todos os nobres do Oriente. E determinaram sobre mim que não devi permanecer no Egito, e me escreveram uma carta que cada nobre firmou com seu nome: “De teu Pai, o Rei dos reis, e de tua Mãe, a soberana do Oriente, e de teu irmão, nosso mais próximo em nível, para ti, filho nosso, que estais no Egito, Saúdo! Desperta e levanta-te de teu sono, e ouve as palavras de nossa carta. Recorda que és filho de reis! Olha a escravidão em que caístes!  Recorda a pérola pela qual fostes enviado ao Egito! Pensa em teu vestido resplandecente e recorda tua toga gloriosa que vestirás e te adornará quando teu nome seja lido no livro dos valentes e que teu irmão, nosso sucessor, será o herdeiro de nosso reino”. E minha carta, era uma carta que o Rei selou com sua mão direita, para preservá-la dos males, dos filhos de Babel e dos demônios selvagens de Sarbuj. Voou como uma águia – a carta –, o rei dos pássaros; voou e desceu sobre mim e chegou a ser toda palavra. A sua voz e alvoroço me despertei e saí de meu sono. A tomei, a beijei, retirei seu selo e a li: e se acordavam com o escrito em meu coração, as palavras escritas na carta. Recordei que era filho de reis, e livre por própria natureza. Recordei a pérola, pela qual havia sido enviado ao Egito, e comecei a encantar à terrível serpente que produz espuma. Comecei a encantá-la e a adormeci depois de pronunciar sobre ela o nome de meu Pai, e o nome de meu irmão e o de minha mãe, a rainha do Oriente; e capturei a pérola e voltei para a casa de meus pais. Retirei o vestido maculado e impuro e o abandonei sobre a areia do país, e tomei o reto caminho em direção à luz de nosso país, o Oriente. E minha carta, a que me despertou, a encontrava diante de mim, durante o caminho, e o mesmo que me havia despertado com sua voz me guiava com sua luz. Pois a (carta) real de seda brilhava diante de mim com sua forma e com sua voz e sua direção me animava e atraía amorosamente. Continuei meu caminho, passei Sarbuj, deixei Babel a meu lado esquerdo. E alcancei a grande Messena, o porto dos mercadores, que está sobre a borda do mar. E meu vestido de luz, que havia abandonado, e a toga pregada junto a ele, das alturas de Hyrcania meus pais os enviaram a mim, por meio de seus tesoureiros, a cuja fidelidade se os havia confiado, e posto que eu não recordava sua dignidade já que em minha infância havia abandonado a casa de meu Pai, de improviso, como os enfrentara, o vestido me pareceu como um espelho de mim mesmo. O vi todo inteiro em mim mesmo, e a mim mesmo inteiro nele, posto que nós eramos dos diferentes e, não obstante, novamente uno em uma única forma. E aos tesoureiros igualmente, os quais trouxeram a mim, os vi em semelhante maneira, já que eles eram dois, embora como um, posto que sobre eles estava gravado um único selo do Rei, o qual me restituía meu tesouro e minha riqueza por meio deles, meu luminoso vestido bordado, que estava ornado com gloriosas cores, com ouro e com berilos, com rubis e ágatas e ágatas de variadas cores, também havia sido confeccionado na mansão do alto e com diamantes, haviam sido floreadas suas costuras. E a imagem do Rei dos reis estava pintada em todo ele, e também com as safiras rutilavam suas cores. E novamente vi que todo ele se agitava pelo movimento de meu conhecimento e como se prepara-se para falar o vi. Ouvi o som do canto que recitava ao descer, dizendo: “Sou o mais dedicado dos servidores que se puseram a serviço de meu Pai, e também percebi em mim que minha estatura crescia conforme a seus trabalhos”. E em seus movimentos reais se estendeu em direção a mim, e das mãos de seus portadores e incitou a tomá-lo. E também meu amor me urgia para que corresse a seu encontro e o tomasse, e assim o recebi e com a beleza de suas cores me adornei. E minha toga de cores brilhantes me envolveu todo inteiro, e me vesti e ascendi em direção à porta da saudação e da homenagem; inclinei a cabeça e rendi homenagem à Majestade de meu Pai que o havia enviado até mim, porque havia cumprido seus mandamentos e ele também havia cumprido sua promessa, e à porta de seus príncipes, me mesclei com seus nobres; pois se regozijou por mim e me recebeu, e fui com ele em seu reino. E com a voz da oração todos seus servos o glorificam. E me prometeu que também até a porta do Rei dos reis iria com ele, e levando meu obséquio e minha pérola aparecia com ele diante de nosso Rei. Veja mais aqui.

PEÇA DE ELEVADOR – Em 2006, tive oportunidade de assistir no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, à montagem da peça teatral Peça de Elevador, de Cássio Pires, com direção de Marcelo Lazzaratto, com a Cia Elevador de Teatro Panorâmico, contando várias histórias que se embaralham nos dois elevadores de um prédio comercial, envolvendo personagens que vão desde executivos ao espectro do pai de Hamlet. Aos ascensoristas cabe juntar os cacos dos acontecimentos e tirar conclusões sobre a humanidade. O destaque do espetáculo fica por conta da atuação das atrizes Heloisa Cintra e Juliana Pinho. Veja mais aqui.

LILI MARLEEN – O drama de guerra Lili Marleen (1981), do cineasta alemão Rainer Werner Fassbinder (1945-1982), conta a história ocorrida às vesperas da eclosão da segunda guerra mundial, quando uma cantora de cabaret e um pianista boêmio se apaixonam, sendo que ele é judeu e a familía dele não quer o relacionamento pois ela é alemã. Ao voltar de uma viagem, ela é impedida de cruzar a fronteira e retornar à Suíça, pois foi expulsa do país por dívidas, em uma ação furtiva do pai dele. Sem alternativa, ela é obrigada a ficar em seu país natal e acaba por se envolver com um poderoso comandante nazista. Enquanto a guerra se desenrola, o comandante a ajuda a gravar um disco e uma das canções, Lili Marleen, toca na Rádio de Belgrado e se torna extremamente popular entre as tropas alemãs que estão na frente de batalha. Ela fica famosa e recebe os privilégios do regime, inclusive conhecendo pessoalmente Hitler. O apaixonado não se conforma que ela tenha se tornado um símbolo do regime nazista e volta à Alemanha para falar com ela, usando documentos falsos. Ele é feito prisioneiro e Lili passa a ser suspeita de espionagem. O destaque do filme fica por conta da atuação da atriz alemã de ascendência polaca Hanna Schygulla. Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da atriz alemã Hanna Schygulla.



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Se o mundo deu o créu, sorria!, Maria Clara Machado, Fridrich Witt, Bram Stocker, Susanne Barner, Darren Aronofsky, Aldemir Martins, Artur Griz, Ellen Burstyn, Claudia Andujar & Holismo, ecologia e espiritualidade aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 
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 Por um novo dia sempre.
Por um homem justo e novo.
Por um gesto necessário em favor da vida!
Por isso sou cantador.

Mais um ano se vai. E com ele nascem novas esperanças. Obrigado por sua companhia. Estarei de férias até dia 03 de janeiro! Até lá. E depois disso muitas novidades no ar! Feliz Ano Novo! Beijabrações & tataritaritatá!!!

GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...