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sábado, novembro 25, 2017

ASCENSO, JOSÉ PAULO PAES, IGNACY SACHS, NORMAN LINDSAY, SEMA LAO, MULHER, SUSTENTABILIDADE & JUREMA

FAZER E BEM FEITO – Imagem da artista francesa Sema Lao - Tudo que tinha a ser feito ou por fazer, eu já fiz!  E fiz além da conta, e bem feito, acho. Cada qual seu merecimento, pago os meus, sirvo ao karma, ônus e bônus. Por certo, cada qual seus louvores e penhores. Ainda ontem eu andava sorrindo à-toa, quando menos se espera, das lágrimas ao riso e vice-versa, a vida é um palco pra muitas cenas, risíveis ou dramáticas, afoita ou contida, pro paradoxal, uma hora chupando umidade no inverno como quem escorrega do outono embutido nas circunstâncias adversas, amargando espremido; outra hora, entalado no verão como quem encabulado na primavera não tinha o que fazer, riso no quarador pra logo amarelar, topa pra frente, aos empurrões, enquanto outros tinham tudo de graça e aos montes, sem fazer nada, sem saber de nada, Ph.D. de Porra Nenhuma, especialista de ganhador aberto e de cu pra lua, só com a manha de cavalo velho, eu que sofra que só sovaco de aleijado, desentalar é que são elas. Uns na frente, ultrapassam pela direita, comem contramão, tapiam todos e pra tudo que é lado, burlam a lei, enganam meio mundo, passam ileso, dá tudo certo, e eu lá, no mata-burro das ocasiões com um recado na lata: não se endireita sombra de coisa torta ou troncha! Isso é comigo? Os outros aprontam e eu pago o pato, ficando na beira esperando um melhor momento, pior não podia ficar, ferrolho travado, todo embatucado, e de quebra, pronde virasse só o inflexível! E olhe que nesse instante passou um direto, porta aberta pra quem chegasse, nem cheguei e já fechou, entupiu, lascou. Ora, ora, não me fazia nem nunca me fiz de rogado, se bem que sambava no vexame, decepção nas passadas, destá, tudo tem o tempo de encubação, é só beber água na cuia das mãos, maturando, o vento sopra, a aranha tece e fia como pode ou der. Aragem da boa, ora, lá ia eu peito empinado, todo esticado nos trinques, a toda e virado na peste, bufando de entrar pela porta da frente e sair pela porta de trás, como manda o figurino: sem fazer feio, nem deixando rastro de coisa mal feita. Tudo nos conformes, mais de cem, se fosse noventa e nove não prestava, onde já se viu coisa mais sem jeito. Fui sempre pro cento e um ou mais, credor com folga, isso porque sempre soube que haveria um povo mais que beligerante, tipo de anjos da pá virada para botar gosto ruim em tudo, melecar nosso angu que ia bem feito e entornou no ajeitado. Isto sempre soube, até do que nem era de fato nem de direito, deduzia de véspera aquele medo danado que sempre bate nas gentes medrosas ou covardes, sempre um tal de virar casaca, cagar fora do penico, ou até de desistir de última hora, coisas previsíveis de se ter sempre um pé atrás, nunca no limite da confiança, graduando na oscilação. Como disse antes, o que tinha a fazer ou por ser feito, eu já fiz e farei o que vier no tempo certo, e se agora sucumbo, esse o meu merecimento, resiliência em dia pra aprender a lição, levantar e sacudir a poeira dando a volta por cima, assim é a vida e eu já vou. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com:
Egberto Gismonti, Flora Purim, Yes & Rick Wakeman;
Toquinho, Rosa Passos, Paula Morelenbaum & João Bosco;
&
Keith Jarret, Sueli Costa, Eumir Deodato & Rita Lee.
Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] A agenda da grande transição que ora se inicia deve buscar novos paradigmas de desenvolvimento socialmente includentes e ambientalmente sustentáveis [...]. Pensamento extraído da obra Caminhos para o desenvolvimento sustentável (Garamond, 2008), do economista polonês e professor da Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais de Paris, Ignacy Sachs.

A POPULAÇÃO & SUSTENTABILIDADE - [...] As populações humanas continuam crescendo, e com elas a urbanização e a desordem [...] buscar e atingir um novo estilo de vida e formas mais compatíveis de relacionamnento com o ambiente natural [...]. Trechos extraídos da obra Pegada ecológica e sustentabilidade humana (Gaia, 2002), do professor, ecologista e ambientalista Genebaldo Freire Dias, defendendo que a economia global está em choque com os limites naturais da Terra, necessitando de redirecionar as escolhas da humanidade e educá-la para que não mais ignore as consequências ambientais de seus atos: A maior parte da população humana agora vive em cidades. Já são várias gerações nascidas e criadas ali, afastadas do convívio com a natureza. Essas gerações foram preparadas por um sistema educacional que as faz ignorar as conseqüências ambientais dos seus atos e objetiva torna-las consumidoras úteis e perseguidoras obsessivas de bens materiais. Imersas em uma luta cotidiana cada vez mais cheia de compromissos, não percebem como estão incluídas na trama global da insustentabilidade. Vivendo sob tais condições, não reconhecem que dependem de uma base ecológica de sustentação da vida. Populações crescentes, analfabetismo ambiental, consumos exagerados e comportamentos egoísticos formam uma amálgama temerosa para a configuração de um estádio de declínio da qualidade da experiência humana, via degradação ambiental, concentração de renda e exclusão social.  Sob tais condições, o desenvolvimento sustentável não é concebível nem teoricamente. O desafio evolucionário humano está ocorrendo nos centros urbanos. As cidades são pontos emanadores de indução de alterações ambientais globais. Quase todo o crescimento está ocorrendo em cidades. Elas ocupam apenas 2% da superfície da Terra mas consomem 75% dos seus recursos. As cidades tendem a ocupar o mesmo nicho global dentro da biosfera e explorar os recursos da mesma maneira   Esse modelo suicida está sendo replicado em quase todo o mundo, gerando pressões cada vez mais fortes. O aumento da eficiência em uma parte relativamente pequena do mundo produziria grandes resultados. Veja mais aqui e aqui.

JUREMA – No ano de 1840, um fugitivo da seca do Piancó da Paraíba encantou-se com a sombra frondosa dos juremais, fascinado com a paisagem, estabeleceu residência e construiu uma capela, atraindo para o local outras pessoas e imigrantes. A partir de então deu-se a povoamento de Jurema, como distrito que foi criado pela Lei Municipal de nº 34, de 20 de outubro de 1899, pertencente ao Município de Quipapá. A sede do distrito foi elevada à categoria de vila pela Lei Estadual de nº 991, de 1 de julho de 1909, e pela Lei estadual de nº 1.931, datada de 11 de setembro de 1928 – Jurema tornou-se Município autônomo, sendo sua sede elevada a categoria de cidade. A sua instalação ocorreu em 1 de janeiro de 1929. Administrativamente é formado pelos distritos sede e Santo Antonio das Queimadas e tem a comemoração de sua emancipação todo dia 11 de setembro de cada ano. O município encontra-se no Planalto da Borborema e está inserido nos domínios da bacia hidrográfica do Rio Una, tendo como principais tributários os rios do Feijão, Pirangi e das Paixões, além dos riachos Gaiola, Pátio Velho e das Paixões, todos de regime intermitente. Veja mais aqui.

O ENGOLE COBRA - O coronel não gostava de apelido. Assim, por volta das seis horas da tarde, ele estava sentado no terraço da casa-grande, passeando pra lá e pra cá, quando aparece um sujeitinho... – Boa noite, seu coroné. – Boa noite. Coroné, não tem um servicim por aí pra mim, não? – Talvez se arrume, talvez se arrume... como é que você se chama? – Eu me chamo Engole Cobra. – Engole Cobra? Ô Maria!... Maria!... anda ver o homem que engole cobra! – chamou a mulher que estava lá dentro. A mulher apareceu. Ele fez a apresentação e disse: - Engole Cobra, meu nego, você vai morar ali naquele ranchinho... Passou sexta, sábado, no domingo o sujeito veio reclamar: - Coroné, não tem um servicim pra mim, não? – Que é que o senhor ta reclamando? Não recebeu as suas férias? – Recebi, sim senhor. – Não se incomode que logo aparece... logo aparece... Lá para o meio da outra semana, descobriram uma surucucu que não tinha mais pra onde crescer. – Não bole com ela não, vai chamar ali seu Engole Cobra. O Engole Cobra veio nas carreiras. Disse: - Engole Cobra, meu nego, está aí um servicim pra você. É só essa bvesteirinha pra você engolir. – Tá doido, seu coroné. Eu nunca engoli cobra! Isso é apelido! – Aaaaaahhh! É apelido!... Vigia, ô vigia! Dá uma surra nesse homem, vigia! Conto do poeta modernista Ascenso Ferreira (1895-1956), extraído da Panorâmica do conto em Pernambuco (Escrituras, 2007), organizada por Antonio Campos e Cyl Gallindo. Veja mais aqui e aqui.

DUAS ADIVINHAS - 1 – Subo e desço o dia inteiro / no dentista e no barbeiro. / Se elétrica, logo mato. / Mas na eleição me cobiça / todo e qualquer candidato. 2 – Do direito faço esquerdo / do esquerdo faço direito. / Bonito me acha bonito / feio me acha sempre feio. / O de fora ponho dentro / mês meu dentro está lá fora. / Que sou eu? Me diga agora. Poemas da obra Lé com cré (Ática, 1994), do poeta, ensaísta, jornalista e tradutor José Paulo Paes (1926-1988). Veja mais aqui, aqui e aqui.

TODO HOMEM QUE MALTRATA A MULHER
NÃO MERECE JAMAIS QUALQUER PERDÃO! (LAM).
Mural/homenagem da artista francesa Sema Lao, em Fondi – Itália, pela passagem do Dia Internacional para Eliminação da Violência contra as Mulheres. Veja mais aqui.

Veja mais:

A Psicanálise de Jacques Lacan aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
O teatro & a poesia de Lope de Vega aqui, aqui, aqui e aqui.
A literatura de Eça de Queirós aqui e aqui.
O pensamento de Harvey Spencer Lewis 
aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do escritor, pintor, gravador, escultor e cartunista australiano Norman Lindsay (1879-1969). Veja mais aqui.



sexta-feira, dezembro 21, 2007

RÂMANA MAHÂRSHI, BARDESANES, CARRERO, FUKUDA, FASSBINDER, CES, SCHYGULLA, SUSTENTABILIDADE & DIREITO TRIBUTÁRIO!


PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA NO CRÉDITO TRIBUTÁRIO – A presente abordagem aborda acerca da prescrição e da decadência, em conformidade com o que preceitua o Código Civil brasileiro vigente. Conceitualmente, a prescrição consiste na consolidação, pelo decurso do tempo, de uma lesão a um direito subjetivo, enquanto que a decadência representa a extinção, pelo decurso do tempo, de um direito protestativo, ou seja, aplica-se o prazo decadencial quando constatado um direito que fosse exercido por meio de uma conduta do próprio titular. Os fundamentos da prescrição estão na ação destruidora do tempo; no castigo à negligência; na presunção de abandono ou renúncia; na presunção da extinção do direito; na proteção ao devedor; na diminuição do número de demandas; no interesse social pela estabilidade das relações jurídicas. Já a decadência, no campo jurídico, indica a queda ou perecimento de direito pelo decurso do prazo fixado para seu exercício, sem que o titular o tivesse exercido. E isto quer dizer que a decadência e a prescrição se fundam na inércia do titular do direito, durante certo lapso de tempo, ambas jogam, com o conceito de inércia e tempo. Os requisitos da prescrição são: a existência de ação exercitável;  a inércia do titular da ação pelo seu não-exercício; a continuidade dessa inércia; e a ausência de fato impeditivo, suspensivo ou interruptivo do curso da prescrição. A prescrição apenas pode ser declarada de ofício, privativamente, em favor de absolutamente incapaz. Também pode ser alegada, a prescrição, em curso contínuo diante do sucessor. E em relação a incapaz e pessoa jurídica, a não alegação da prescrição pode ensejar à responsabilização dos seus representantes ou assistentes, assim como, sobre o agente da pessoa jurídica ou do incapaz que com sua inércia dá motivos à ocorrência de prescrição. E, seguindo o critério de que a prescrição extingue diretamente as ações e atinge indiretamente, portanto, o respectivo direito, parte do ponto de que a decadência extingue diretamente o direito. As conseqüências finais dessa distinção são iguais, pois em qualquer caso haverá a extinção de um direito. Se, por um lado, a finalidade dos dois institutos é igual, eles diferem bastante no modo de atuação e na produção de efeitos. Assim, a decadência extingue diretamente o direito, e com ela a ação que o protege, enquanto a prescrição extingue a ação, e com ela o direito que protege. Há também que considerar que a decadência começa a correr, como prazo extintivo, desde o momento em que o direito nasce, enquanto a prescrição não tem seu início com o nascimento do direito, mas a partir de sua violação, porque é nesse momento que nasce a ação contra a qual se volta a prescrição. A distinção entre ambas reside na diversa natureza do direito que se extingue, pois a decadência supõe um direito que, embora nascido, não se tornou efetivo pela falta de exercício; ao passo que a prescrição supõe um direito nascido e efetivo, mas que perecem pela falta de proteção pela ação, contra a violação sofrida. No exame de um caso específico, toma-se em consideração a origem da ação; se a origem for à mesma do direito e nasceu com ele, configura-se a decadência; se for diversa, se a ação nasceu posteriormente, quando o direito já era existente e vem a ser violado, tal ato caracteriza a prescrição. Há que se considerar também o objeto da decadência que é o direito que nasce, por vontade da lei ou do homem, subordinado à condição de seu exercício em limitado lapso de tempo. Todo direito nasce de um fato a que a lei atribui eficácia para gerá-lo. Este fato pode ser acontecimento natural, assim como pode emanar da vontade, transfigurando-se em ato jurídico praticado no intuito de criar direitos. No entanto, em ambos os casos, que o acontecimento seja proveniente de acontecimento natural, que proveniente de vontade, a lei pode subordinar o direito, para se tornar efetivo, à condição de ser exercido dentro de certo período de tempo, sob pena de decadência. Se o titular do direito deixa de exercê-lo, deixando transcorrer em branco o prazo, sem tomar iniciativa, opera-se sua extinção, a caducidade ou decadência, não sendo mais lícito ao titular colocá-lo em atividade. Com relação a prescritibilidade, o crédito tributário pode se extinguir pelo não exercício do direito de sua cobrança, conforme previsto no art. 174 CTN. Já quanto a caducidade, a sua não constituição, no prazo de cinco anos, contados na forma do parágrafo 4o do art. 150 ou do 173 do CTN, implica em seu perecimento. Ou seja, a decadência, no campo do Direito Tributário, é o desaparecimento do direito de constituir o crédito tributário, de fazer o lançamento, de formar o título. Assim, o prazo decadencial, nesse ramo do Direito, é de cinco anos, nos termos do art. 173 do CTN, contados: - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. No que concerne à decadência, o art. 173 do CTN prevê: Art. 173 - O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Já quanto a prescrição, o art. 174 do CTN, prevê: “Art. 174 - A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data da sua constituição definitiva”. A prescrição, conforme visto, é a perda do direito de ação, inerente ao direito material, pelo seu não exercício durante certo lapso de tempo. Há lei prevendo a hipótese; há o comportamento que realiza o fato gerador e há o lançamento, mas o Estado deixa de cobrar. Tem o sujeito ativo, nos termos do CTN, o prazo de 5 anos, após o que prescreve a ação de cobrança. Interrompe-se o prazo prescricional nas mesmas hipóteses previstas na lei civil. Pode ser a prescrição interrompida, nos termos do art. 174, & único, do CTN, e pode ser suspensa, nos termos do art. 151 do Código. Os requisitos da ocorrência da prescrição são: ação exercitável;- inércia do titular da ação; prolongamento da inércia por tal lapso de tempo (5 anos); ausência de qualquer ato ou fato a que a lei atribua efeito suspensivo, interruptivo ou impeditivo do lapso prescricional. REFERÊNCIAS: COELHO, Sacha Calmon N. Curso de Direito Tributário Brasileiro. Rio de Janeiro: Forense, 2004. DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2002. TEPEDINO, Gustavo (Coordenador). Novo Código Civil: Estudos na Perspectiva Civil. Rio de Janeiro: Renovar, 2003. VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil. São Paulo: Atlas, 2004. RODRIGUES, Silvio. Direito Civil São Paulo: Saraiva. 2004. Veja mais aqui, aqui e aqui.


Imagem: Lovers, da artista plástica Christine E. S. Code CES.


Curtindo o álbum Convergences Brazilian Music for Strings (Paulus, 2001), com a violinista e professora Elisa Fukuda & Camerata Fukuda. Veja mais aqui

EPÍGRAFE – Os maiores estadistas lutam para governar os demais; no entanto, sabem no seu íntimo que são incapazes de governar a si mesmos. O cientista que passa a vida acumulando conhecimetnos terá que baixar a cabeça quando lhe perguntarem se resolveu o mistério do homem e se conquistou a si próprio. Que adianta conhecer o que se passa fora de nós se ficamos na ignorância do que se passa dentro de nós? Qual conhecimento é mais digno da nossa atenção e do nosso emprenho? Excerto do pensamento do filósofo, sábio e mestre de Advaita Vedanta, Bhagavan Sri Râmana Mahârshi (1878-1950). Veja mais aqui.

SUSTENTABILIDADE – O conceito de sustentabilidade está muito ligado à idéia de uma relação do ser humano com a natureza que conserva o meio ambiente, associando-se imediatamente às questões atinentes ao ambientalismo e ecologia. Sustentabilidade não diz respeito, apenas, à preservação e à conservação de recursos naturais limitados e não renováveis, quer dizer, de recursos que, se forem gastos sem previsão de seu esgotamento, farão falta para nós e para os que vierem depois de nós. Sustentabilidade diz respeito, também e principalmente, a um padrão de organização de um sistema que se mantém ao longo do tempo em virtude de ter adquirido certas características que lhe conferem capacidades autocriativas. Ser sustentável tem a ver com uma dinâmica que começa agora a se revelar com a ascensão do pensamento sistêmico, de rede autocatalítica, autocriativa. A sustentabilidade, portanto, é o resultado de um padrão de organização, observado inicialmente em ecossistemas - e, depois, mais precisamente, em sistemas moleculares vivos, como células - mas que também pode ser encontrado em nossos sistemas complexos. Daí dizer-se que desenvolvimento sustentável é aquele que leva à construção de comunidades humanas sustentáveis, ou seja, comunidades que buscam atingir um padrão de organização em rede dotado de características como interdependência, reciclagem, parceria, flexibilidade e diversidade. Veja detalhes aqui, aqui, aqui e aqui.

O DELICADO ABISMO DA LOUCURA – O livro O delicado abismo da loucura (Iluminuras, 2005), do premiado escritor, crítico, editor e jornalista pernambucano Raimundo Carrero, é o primeiro volume do projeto de comemorações dos trinta anos de carreira do autor, tratando de temas universais como a morte, o destino implacável e a presença de heróis capazes de mudar suas próprias histórias. Da obra destaco o trecho: [...] Ali deitado na cama, abatido, vivera grande parte de sua vida. [...] Só que ontem ela estava viva, palpitante, arrastando os chinelos pelo corredor. Foi ontem e por isso é como hoje. Estava ali mesmo desitado. Escutou as passadas. Levantou-se – e levantou-se com decisão solitária e feliz dos suicidas. [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

HINO DA PÉROLA – O Hino da Pérola – também tendo a denominação de Hino da Alma ou Hino da Veste de Glória -, é atribuído ao poeta gnóstico do século II, Bardesanes, uma alegoria de forma comovente sobre a perehrinação da alma até a sua redenção, que ocorre pela conquista da sabedoria, a qual é representa pela obtenção da pérola. Eis o poema: Quando era pequenino vivia em meu reino na casa de meu Pai e na opulência e abundância de meus educadores encontrava meu prazer quando mus pais me equiparam e enviaram desde o Oriente, minha pátria. Das riquezas de nosso tesouro me prepararam um enxoval pequeno, mas valioso e leve para que eu mesmo o transportasse. Ouro da casa dos deuses, prata dos grandes tesouros, rubis da Índia, ágatas do reino de Kushan. Me cingiram um diamante que pode talhar o ferro. Me retiraram o vestido brilhante que eles amorosamente haviam feito para mim e a toga púrpura que havia sido confeccionada para meu tamanho. Fizeram um pacto comigo e escreveram em meu coração, para que não o esquecesse, isto: “Se desces ao Egito e te apoderas da pérola única que se encontra no fundo do mar na morada da serpente que faz espuma (então) vestirás de novo o vestido resplandecente e a toga que descansa sobre ele e serás herdeiro de nosso reino com teu irmão, o mais próximo a nosso nível. Abandonei Oriente e desci acompanhado de dois guias pois o caminho era perigoso e difícil e era muito jovem para viajar. Atravessei a região de Messena, o lugar de reunião dos mercadores do Oriente, e alcancei a terra de Babel e penetrei no recinto de Sarbuj. Cheguei ao Egito e meus companheiros me abandonaram. Me dirigi diretamente à serpente e morei próximo de seu albergue esperando que a o sono a tomasse e dormisse e assim poder conseguir a pérola. E quando estava absolutamente só, estrangeiro naquele país estranho, vi a um de minha raça, um homem livre, um oriental, jovem, formoso e favorecido, um filho de nobres, e chegou e se relacionou comigo e o disse meu amigo íntimo, um companheiro a quem confiar meu segredo. O adverti contra os egípcios e contra a sociedade dos impuros. E me vesti com seus disfarces para que não suspeitassem que havia vindo de longe para tirar-lhes a pérola e impedir que excitassem a serpente contra mim. Mas de alguma maneira se deram conta de que eu não era um compatriota; me estenderam uma armadilha e fizeram comer de seus alimentos. Esqueci que era filho de reis e servi a seu rei; esqueci da pérola pela qual meus pais me haviam enviado e por causa da pesadez de seus alimentos caí em um sono profundo. Mas isto que acontecia foi sabido por meus pais e se apiedaram de mim e saiu um decreto de nosso reino, ordenando a todos, vir ante nosso trono, aos reis e príncipes da Partia e a todos os nobres do Oriente. E determinaram sobre mim que não devi permanecer no Egito, e me escreveram uma carta que cada nobre firmou com seu nome: “De teu Pai, o Rei dos reis, e de tua Mãe, a soberana do Oriente, e de teu irmão, nosso mais próximo em nível, para ti, filho nosso, que estais no Egito, Saúdo! Desperta e levanta-te de teu sono, e ouve as palavras de nossa carta. Recorda que és filho de reis! Olha a escravidão em que caístes!  Recorda a pérola pela qual fostes enviado ao Egito! Pensa em teu vestido resplandecente e recorda tua toga gloriosa que vestirás e te adornará quando teu nome seja lido no livro dos valentes e que teu irmão, nosso sucessor, será o herdeiro de nosso reino”. E minha carta, era uma carta que o Rei selou com sua mão direita, para preservá-la dos males, dos filhos de Babel e dos demônios selvagens de Sarbuj. Voou como uma águia – a carta –, o rei dos pássaros; voou e desceu sobre mim e chegou a ser toda palavra. A sua voz e alvoroço me despertei e saí de meu sono. A tomei, a beijei, retirei seu selo e a li: e se acordavam com o escrito em meu coração, as palavras escritas na carta. Recordei que era filho de reis, e livre por própria natureza. Recordei a pérola, pela qual havia sido enviado ao Egito, e comecei a encantar à terrível serpente que produz espuma. Comecei a encantá-la e a adormeci depois de pronunciar sobre ela o nome de meu Pai, e o nome de meu irmão e o de minha mãe, a rainha do Oriente; e capturei a pérola e voltei para a casa de meus pais. Retirei o vestido maculado e impuro e o abandonei sobre a areia do país, e tomei o reto caminho em direção à luz de nosso país, o Oriente. E minha carta, a que me despertou, a encontrava diante de mim, durante o caminho, e o mesmo que me havia despertado com sua voz me guiava com sua luz. Pois a (carta) real de seda brilhava diante de mim com sua forma e com sua voz e sua direção me animava e atraía amorosamente. Continuei meu caminho, passei Sarbuj, deixei Babel a meu lado esquerdo. E alcancei a grande Messena, o porto dos mercadores, que está sobre a borda do mar. E meu vestido de luz, que havia abandonado, e a toga pregada junto a ele, das alturas de Hyrcania meus pais os enviaram a mim, por meio de seus tesoureiros, a cuja fidelidade se os havia confiado, e posto que eu não recordava sua dignidade já que em minha infância havia abandonado a casa de meu Pai, de improviso, como os enfrentara, o vestido me pareceu como um espelho de mim mesmo. O vi todo inteiro em mim mesmo, e a mim mesmo inteiro nele, posto que nós eramos dos diferentes e, não obstante, novamente uno em uma única forma. E aos tesoureiros igualmente, os quais trouxeram a mim, os vi em semelhante maneira, já que eles eram dois, embora como um, posto que sobre eles estava gravado um único selo do Rei, o qual me restituía meu tesouro e minha riqueza por meio deles, meu luminoso vestido bordado, que estava ornado com gloriosas cores, com ouro e com berilos, com rubis e ágatas e ágatas de variadas cores, também havia sido confeccionado na mansão do alto e com diamantes, haviam sido floreadas suas costuras. E a imagem do Rei dos reis estava pintada em todo ele, e também com as safiras rutilavam suas cores. E novamente vi que todo ele se agitava pelo movimento de meu conhecimento e como se prepara-se para falar o vi. Ouvi o som do canto que recitava ao descer, dizendo: “Sou o mais dedicado dos servidores que se puseram a serviço de meu Pai, e também percebi em mim que minha estatura crescia conforme a seus trabalhos”. E em seus movimentos reais se estendeu em direção a mim, e das mãos de seus portadores e incitou a tomá-lo. E também meu amor me urgia para que corresse a seu encontro e o tomasse, e assim o recebi e com a beleza de suas cores me adornei. E minha toga de cores brilhantes me envolveu todo inteiro, e me vesti e ascendi em direção à porta da saudação e da homenagem; inclinei a cabeça e rendi homenagem à Majestade de meu Pai que o havia enviado até mim, porque havia cumprido seus mandamentos e ele também havia cumprido sua promessa, e à porta de seus príncipes, me mesclei com seus nobres; pois se regozijou por mim e me recebeu, e fui com ele em seu reino. E com a voz da oração todos seus servos o glorificam. E me prometeu que também até a porta do Rei dos reis iria com ele, e levando meu obséquio e minha pérola aparecia com ele diante de nosso Rei. Veja mais aqui.

PEÇA DE ELEVADOR – Em 2006, tive oportunidade de assistir no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, à montagem da peça teatral Peça de Elevador, de Cássio Pires, com direção de Marcelo Lazzaratto, com a Cia Elevador de Teatro Panorâmico, contando várias histórias que se embaralham nos dois elevadores de um prédio comercial, envolvendo personagens que vão desde executivos ao espectro do pai de Hamlet. Aos ascensoristas cabe juntar os cacos dos acontecimentos e tirar conclusões sobre a humanidade. O destaque do espetáculo fica por conta da atuação das atrizes Heloisa Cintra e Juliana Pinho. Veja mais aqui.

LILI MARLEEN – O drama de guerra Lili Marleen (1981), do cineasta alemão Rainer Werner Fassbinder (1945-1982), conta a história ocorrida às vesperas da eclosão da segunda guerra mundial, quando uma cantora de cabaret e um pianista boêmio se apaixonam, sendo que ele é judeu e a familía dele não quer o relacionamento pois ela é alemã. Ao voltar de uma viagem, ela é impedida de cruzar a fronteira e retornar à Suíça, pois foi expulsa do país por dívidas, em uma ação furtiva do pai dele. Sem alternativa, ela é obrigada a ficar em seu país natal e acaba por se envolver com um poderoso comandante nazista. Enquanto a guerra se desenrola, o comandante a ajuda a gravar um disco e uma das canções, Lili Marleen, toca na Rádio de Belgrado e se torna extremamente popular entre as tropas alemãs que estão na frente de batalha. Ela fica famosa e recebe os privilégios do regime, inclusive conhecendo pessoalmente Hitler. O apaixonado não se conforma que ela tenha se tornado um símbolo do regime nazista e volta à Alemanha para falar com ela, usando documentos falsos. Ele é feito prisioneiro e Lili passa a ser suspeita de espionagem. O destaque do filme fica por conta da atuação da atriz alemã de ascendência polaca Hanna Schygulla. Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da atriz alemã Hanna Schygulla.



Veja mais sobre:
Se o mundo deu o créu, sorria!, Maria Clara Machado, Fridrich Witt, Bram Stocker, Susanne Barner, Darren Aronofsky, Aldemir Martins, Artur Griz, Ellen Burstyn, Claudia Andujar & Holismo, ecologia e espiritualidade aqui.

E mais:
Dicionário Tataritaritatá aqui.
A arte de Silvili aqui.
Validivar, Psicanálise, Miolo de Pote & Zé-corninho aqui.
As trelas do Doro, o bacharel das chapuletadas aqui.
Cordel A moça que bateu na mãe e virou cachorra, de Rodolfo Coelho Cavalcanti aqui.
Fecamepa & Fabo Esporte Clube aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 
                                                                  Veja aqui e aqui.
 Por um novo dia sempre.
Por um homem justo e novo.
Por um gesto necessário em favor da vida!
Por isso sou cantador.

Mais um ano se vai. E com ele nascem novas esperanças. Obrigado por sua companhia. Estarei de férias até dia 03 de janeiro! Até lá. E depois disso muitas novidades no ar! Feliz Ano Novo! Beijabrações & tataritaritatá!!!

GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...