TATARITARITATÁ: VAMOS APRUMAR A CONVERSA - Literatura, Teatro, Música & Pesquisas de Luiz Alberto Machado (LAM). Show, cantarau, recital, palestras, oficinas, dicas & informações. Contato & Chave Pix: luizalbertomachado@gmail.com
quinta-feira, agosto 01, 2019
NORBERT ELIAS, JANE GOODALL, DENIS GUÉNOUN, STAN TRAMPE & VEIAS DO PEITO
quinta-feira, dezembro 18, 2014
KETTY NIVYABANDI, GAYLE FORMAN, RÜHLE-GERSTEL, NIETZSCHE & VON KLEIST
A SOLIDÃO DE ALICE - A ariana judia de Praga foi educada em
sua terra natal e em Munique. Tornou-se enfermeira durante a guerra primeira, voltando
a estudar Schlegel para doutorar-se. Simpática ao socialismo casou-se com um
comunista. Fundou com amigos uma associação de psicologia individual marxista. Depois,
fundou uma editora: Am Ufer ändern - Dresden-Buchholz-Friedewald.
E foi por ela que escrevia defendendo uma educação socialista. A insegurança
com a ascensão nazista crescia levando-a a trabalhar no suplemento infantil do Prager
Tagblatt. Seus temas preferidos era escrever sobre psicologia individual,
marxismo e feminismo, sobretudo o desenvolvimento psicológico das mulheres, a
sexualidade feminina e o papel das mulheres na sociedade. Foi então que escreveu
seu romance autobiográfico Der Umbruch oder die Freiheit und Hanna. O seu
objetivo era escrever uma psicologia social da feminilidade, analisando as
múltiplas formas como as mulheres são tratadas como de segunda classe nas
esferas pública e privada. Tornou-se insustentável sua estadia por ali e teve
de exilar-se. Foi para o México trabalhar como tradutora e jornalista econômica.
Lá não se sentia confortável, apesar das ótimas amizades. Escrevia cartas
desesperadoras. Repentinamente o marido faleceu de ataque cardíaco e, no mesmo
dia, mal recebera a notícia da fatalidade suicida-se. Veja mais aqui e aqui.
DITOS & DESDITOS – À noite, as mães gradualmente
regressam à humilde semi-escuridão da sua vida quotidiana, onde agora irão
cumprir seus modestos e múltiplos deveres até o próximo ano... No entanto,
dentro do sistema capitalista todas as mulheres tendem a ser proletárias... A
família pequeno-burguesa é aquela família em que a mulher é exclusiva ou pelo
menos principalmente dona de casa e mãe, e seu papel será aprovado por ela
mesma e por todos os membros da família... E as próprias mulheres estão tão sob
o ditame da esta perspectiva dominante que aprenderam a perceber a função
social, que lhes é atribuída na divisão contemporânea do trabalho, como o seu
papel natural... Pensamento da escritora, feminista e psicóloga judia alemã
Alice Rühle-Gerstel (1894-1943), autora de Die Frau und der Kapitalismus (Neue Kritik, 1972),
entre outras obras.
ALGUÉM FALOU: Guardar na honra aquilo que acaba
dando errado, tanto mais pelo fato de ter dado errado, isso está bem mais perto
de fazer parte da minha moral. Pensamento do filósofo alemão Friedrich
Nietzsche (1844-1900). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui,
aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
A PROPÓSITO DO TEATRO DE
MARIONETES — [...] Foi durante o inverno de 1801 que, certa
noite, num parque em M…, encontrei C…, então recém-contratado como primeiro
bailarino na ópera da cidade, com extraordinário sucesso de público. Na
ocasião, disse a ele da minha surpresa de tê-lo visto diversas vezes num teatro
de marionetes montado na praça do mercado para divertir o povo com pequenos
dramas burlescos, intercalados por canto e dança. [...] Eu disse que por
mais que ele conduzisse com habilidade a questão de seus paradoxos, jamais
poderia fazer que eu acreditasse que seria possível obter mais graça num
manequim do que na estrutura de um corpo humano. Ele sugeriu que em relação a
isso, seria praticamente impossível ao homem ao menos se aproximar do manequim.
Que nesse campo, só um deus poderia dar conta dessa matéria; e eis o ponto em
que as duas extremidades do mundo circular se juntariam. [...] Verifica-se
que a reflexão, no seio do mundo orgânico, é inversamente proporcional à graça:
quanto mais fraca aquela é, mais esta irradia e domina. O mesmo se dá com duas
curvas que, passando de ambos os lados de um ponto, se cortam no infinito; ou
com a imagem de um espelho côncavo que repetidamente se faz real depois de ter
atingido o infinito; também assim a graça ressurge depois do conhecimento
atravessar, digamos, um infinito; e da mais pura forma ela se mostra, quer no
corpo que tenha uma, infinita, querendo eu dizer no fantoche articulado ou em
Deus. - Dessa forma – respondi um tanto perplexo – seria necessário voltarmos a
provar do fruto do conhecimento para recuperarmos o estado de inocência. – Com
certeza absoluta – respondeu – E será esse o derradeiro capítulo da história do
mundo. [...] Cada movimento-
disse-me ele – tinha o seu centro de gravidade; bastava controlá-lo a partir do
interior do boneco; os membros, que não passavam de pêndulos, seguiam por si
mesmos, sem nenhuma intervenção mecânica [...] Trechos extraídos da obra Sobre o teatro de marionetes
(Revista USP, 1993), do escritor e dramaturgo alemão Henrich Von Kleist
(1777–1811), autor da comédia O Jarro Quebrado, da tragédia Pentesileia
e da novela Michael Kohlhaas.
SE EU FICAR - [...] Posso te perder assim se não te perder
hoje. Eu vou deixar você ir. Se você ficar. [...] Amor, isso
nunca morre. Ele nunca vai embora, nunca desaparece,
contanto que você se agarre a ele. O amor pode torná-lo imortal [...] E é só isso,
não é? É assim que conseguimos sobreviver à perda. Porque o amor nunca
morre, nunca vai embora, nunca desaparece, desde que você se apegue a ele. [...] Não tenho
mais certeza se este é mais um mundo ao qual pertenço. Não tenho certeza se
quero acordar. [...]. Trechos extraídos da obra If
I Stay (Speak, 2005), da escritora estadunidense
Gayle Forman, que na obra Where She Went (SPEAK, 2012), expressa que: […] Eu precisava odiar alguém e você é quem eu mais amo, então caiu em você [...] Você não me
compartilha. Você me possui [...]. Já na obra
Just One Day (Speak, 2013), ela
expressa que: […] Parte de mim sabe que mais um dia não fará nada, exceto adiar o desgosto. Mas outra parte de
mim acredita de forma diferente. Nascemos em um dia. Morremos em um dia. Podemos mudar em um
dia. E podemos nos apaixonar em um dia. Tudo pode acontecer em apenas um dia [...] Às vezes, a
melhor maneira de descobrir o que você deveria fazer é fazendo aquilo que não
deveria fazer. [...] Você tem que se apaixonar para estar apaixonado,
mas se apaixonar não é a mesma coisa que estar apaixonado [...].
Veja mais aqui.
DOIS POEMAS – HOMENZINHO - Os animais já não falam \ Os tambores recusam-se a
bater \ Tanganica recua lentamente \ Das suas costas \ Ensanguentado pelo
pesadelo dos homens \ Cuja mesquinhez perfura \ O sono profundo dos antigos. \ Homenzinhos
com a fome de gigantes \ Falam, falam sem parar \ Em nome de gente simples \ Cujos
nomes e aflições eles ignoram \ Mas que mesmo assim \ os encaram com o desdém
de incontáveis maldições \ Eles erguem estátuas de poeira \ Em suas casas brilhando com sombras \ E rastreados com
pegadas lamacentas... \ Falam, falam sem parar \ Em nome de um povo \ Que
saqueiam impiedosamente \ Chovem palavras feridas e depreciativas \ Da boca de
suas barrigas de seis cabeças, \ Palavras frias e estéreis \ Que esfolam a
carne de uma terra sufocante \ com suas longas unhas bifurcadas \ Que sugam
selvagemente seus seios murchos \ Por algumas gotas de vida vermelho-sangue \ Os
animais não falam mais \ Os tambores se recusam a tocar \ O sol lamenta seus
raios brilhantes \ Desde que homens estranhos \ Homens de pequenas idéias \ Homens
de pequenas ações \ Homens de pequenas ambições \ Homens vazios de imaginação \
Ergueram-se uns aos outros em ombros minúsculos \ E da crista de seus destroços
\ Vendaram um pequeno terra \ Sombreada pela tonalidade do crepúsculo que, \ Era
uma vez, \ Sonhava em tornar-se grande. DUNAS ESMERALDAS - Das profundezas dos silêncios enevoados \Os últimos segredos da noite
estão envoltos \ Nos pescoços dormentes dos velhos galos \ Enquanto os vigias
cochilam vergonhosamente \ Grandes mulheres se levantam, \ Os céus se curvam ao
ver \ Os quatro cantos da terra \ Mas acima de tudo, acima de tudo \ O sol
ardente que, tendo rodeado \ o mundo todas as noites, \ Cochila nos seus peitos
inchados \ Houve muitos outros, \ Maiores, \ Mais famosos também \ Mas nunca
mais elegantes \ Um por um eles se levantam \ E soltam \ Uma língua longa e
aveludada \ Que lentamente se desenrola \ Gishora \ Banga \ Higiro \ Nkondo \ Karera
\ Mbuye \ Nyabihanga \ Mugera \ Fota \ Não é que sejam os mais belos \ Brilhando
como banana e eucalipto \ Com essas lâminas prateadas que se inclinam \ E
cobrem seus peitos todas as
manhãs \ E esses épicos ascendendo de suas parcas cabanas \ É justo que me
pertençam \ Fluindo pelo fluxos de minhas veias \ Ontem e amanhã \ Majestosos \
Pródigos \ Audaciosos \ Dunas esmeraldas \ Sangrando nas linhas das palmas das
minhas mãos. Poemas da escritora e ativista burundesa Ketty Nivyabandi, que foi selecionada em 2012 para o Burundi no London Poetry Parnassus como parte dos
Jogos Olímpicos de Verão e publicou seus poemas em revistas literárias como World Literature Today e Words Without
Borders, e em antologias incluindo We Have Crossed Many Rivers: New Poetry
(2012).
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