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sexta-feira, junho 11, 2021

KAWABATA, CRISTINA AZUMA, LIA LETÍCIA, FELIPE VASCONCELLOS, PRIYA & CALEIDOSCÓPIO.

 

 

TRÍPTICO DQP – O que é e não mais... - Ao som do álbum Contatos (GSP Records, 1995), da violonista, compositora, professora e pesquisadora musical Cristina Azuma. – Nos últimos dias, como já havia vivenciado aventuras no espelho, a exemplo da experiência inicial com os relatos de Joãodito, pensei haver chegado a hora de uma trégua na loucura. Nada, Wang Tu apareceu assim do nada para esclarecer: Outora, o imperador Huang-ti mandou forjar quinze espelhos. O primeiro tinha a largura de um pé e meio e simbolizava a lua cheia. A largura dos demais ia aumentando, de um para outro, de uma polegada. O nosso é, pois, o oitavo dos espelhos de Huang-ti. Eita! E contou-me da família Yang que, premiada com anéis mágicos, prosperara assim do nada. Também a de Tchang que contemplada com uma espada enfeitiçada e, ao perdê-la, também perdeu a vida. E mais: certa noite de uma quinta de lua do ano sete de Tai-yei, uma linda escrava o recepcionara na pousada de Tchen Yong. Achegando-se a ela e mostrando-lhe o espelho, ela atirou-se trêmula e aos prantos para que fosse poupada. Atendendo ao seus pedidos, ela confessou ser uma velha raposa que, quando moça, desposou um camponês que a levou por uma vida infeliz e a abandonou ali, por isso suplicou clemência e que a deixasse, pelo menos por mais algumas horas, pela última vez, se embriagar entre os homens. Direito concedido, ela começou a cantar: Viver é felicidade; morrer não é tão lamentável assim... Então, interrompeu o canto, cumprimentou a todos e caiu morta em forma original. Como? Sim. Assustei-me com o relato e, ao fitá-lo, era ele Yasunari Kawabata: O tempo flui da mesma maneira para todos os seres humanos; cada ser humano flui através do tempo de uma maneira diferente. Talvez o sentimento do mal tivesse ficado anestesiado, confundido com costumes e ordens sociais. Depois de sua fala, não sei o que aconteceu: vi-me enredado por uma força que emanava do velho espelho, a me levar por situações nunca dantes experimentadas.

 


Duas no espelho de Priya – Perdido no tempo e no espaço, logo apareceu uma mulher para me recepcionar. Era Monica Singh, uma jovem que fora vitimada por ataque de um motoqueiro passante, jogando-lhe ácido às suas faces. O que houve? Contou-me em detalhes: ela tinha 19 anos e um amigo que lhe queria namorar, diante de sua recusa, tramou tudo. Por conta deste fato, tornou-se estilista e empresária, fundando a Mahendra Singh Foudation, com o fito de trabalhar no empoderamento de mulheres sobreviventes da violência. Reunida com Paromita Vohra e Ram Devineni, mais a ilustração de Dan Goldman, criou a HQ Espelho de Priya, em 2014, inspirada em uma das tantas filhas do rei Daksha, que tinha seu nome significando amada e, como qualquer mulher hindu sakti, expressava a mãe divina Terra. A história conta de uma adolescente que foi expulsa de casa depois de ter sido estuprada. Vagando sozinha, foi salva pela deusa e ganhou um tigre, afora superpoderes para combater estupradores capitaneados pelo rei-demônio tirânico Ahankar, salvando as vítimas. A segunda história é a de Anjali, que passa por situações cruéis e se revolta para luta contra o rei endemoniado cuspidor de ácido. Ao tomar conhecimento de seu trabalho, ela fitou-me e disse: Uma mulher vence seus medos e descarta o ridículo, falando como uma sobrevivente e tornando-se inspiração para milhares de mulheres na Índia que enfrentaram a mesma experiência – uma super-heroína feminina dos dias modernos. A sua dor fez eco dentro de mim, remexendo tudo a um ponto revoltante. Baixei a cabeça e pensei comigo como é que é possível ter a capacidade para atos tão abomináveis. Ao dirigir-me a ela, solidário, não mais ali e era a Barbara Bodichon: Para as mulheres, o casamento envolve uma grande mudança legal. Passou-me um dos braços sobre meus ombros e saímos cabisbaixos, assumindo as feições de Bertha von Suttner, a me dizer frases soltas do seu Abaixo as armas: A guerra é a negação da evolução em todas as direções... Uma imensa ofensa cometida pelo homem de hoje contra o homem de amanhã!... A organização militar da nossa sociedade foi fundada sob a negação da possibilidade de paz, desprezando o valor da vida humana e aceitando o desejo de matar... Abaixem suas armas: falem para todos, para todos! Já era tempo, eu mesmo já havia deposto há muito todas as armas das mãos e coração. Lá longe um brilho intenso e eu não sabia o que era.

 


Três caleidoscópios e um reflexo do vazio – Imagem: Espelho d’água, da artista performática Lia Letícia – O que é aquilo, um homem-espelho? Apertei a vista e se aproximava. Lá estava eu diante do ator e artista visual Fe Vas - Felipe Vasconcellos com o seu Reflexos: Ensaio sobre o vazio (2013), uma proposta da pesquisa Corpos poéticos: a relação entre a obra, o espectador e o ambiente urbano. Com a sua aproximação tentei me esquivar e me alcançou em cheio: vi-me num Espelho d’água. Temi me afogar, mas tudo parecia uma ilusão de águas, ondas e correntezas. Ou um Caleidoscópio: o experimental, o gesto, o lúdico, trajetórias, experiências, similitudes, distâncias, experiências, múltiplas visões - obras de Daniel Santiago, Gil Vicente e Marcelo Silveira. Onde estou, não sei, sigo adiante: reinvento a vida e o mundo, se for possível viver neste genocídio, todas as formas de amar. Até mais ver.

 

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sexta-feira, setembro 25, 2020

FAULKNER, MARIE UNDER, FELÍCIA HEMANS, CARMELA GROSS, EOS & PAULO CAVALCANTI

 


DIÁRIO DO GENOCÍDIO NO FECAMEPA (TRÍPTICO DGF) – UMA: SABE AQUELA... DA ESCALADA DA VIDA - Fui ao fundo do poço, fiz minha catábase. Sim. E com os versos de Carlos de Oliveira: pelo cascalho interno da terra, / onde o esqueleto da vida / se petrifica protestando. / Como um rio ao contrário, de águas povoadas / por alucinações mortas boiando levadas / para a alma da terra, / procuro os úberes do fogo. Dos umbrais de mim, cenas de filmes e contas nos dedos, andaços e enlevos às desoras. Quando dei por mim naquelas funduras, a perda & a desolação anoitecida. Não sabia que em toda minha vida, das idas e vindas, entre érebros e báratros. Lá nas entranhas do mundo de mim, ouvi o Auto da Alma e a barca de Gil Vicente: À barca, à barca, mortais, barca bem guarnecida, à barca, à barca da vida! Quase os mesmos efusivos alto-falantes dos protestos velados de Not about Nightingales, de Tenessee Williams. Para me proteger de não sei o quê, recitava os poemas da inocência e experiência de William Blake, sem que previsse me deparar Coleridge aos berros: Quem se vangloria de ter conquistado uma multidão de amigos nunca teve um. Vaguei na obscuridade, quis me livrar do passado, olhar para o amanhã e seguir, até ser alertado por William Faulkner: O passado nunca está morto. Nem sequer é passado. Ontem só acabará amanhã, e amanhã começou há dez mil anos. Só faltou dizer que o mundo é a Guernica de Picasso, logro da desconfiança.

 


DUAS PASSAGENS ALADAS DE UM ÚNICO AMOR - Imagem da artista multimídia Carmela GrossAonde cheguei era o último piso do fim, nada havia mais além; se epílogo ou posfácio, o derradeiro do limite. Só me restava a poemópera da anábase, como quem vai e volta, a recomeçar, tropeços na jornada, cochilos e visões. Três e tantos movimentos, pisadas e duas graças: nunca me dei por perdido, apesar de. Sucumbi ao amor, desespero da paixão: vertigens, duas ou poucas palavras, muitos textos e três passos para ascenção. Quantas inusitadas situações. Estava só no meio do caminho, muito por me sujeitar de quase não ouvir os versos de Uma canção de despedida de Felícia Hemans: Quando lágrimas repentinas caem sobre seus olhos / Ao som de uma melodia antiga; / Quando você ouve a voz de um riacho na montanha, / Quando você sente o encanto do sonho de um poeta; / Que assim seja! / Que minha memória fique com vocês, amigos! Porque ela era nua amanhecida Eos na carruagem púrpura alada dos arreios multicores para os sonhos intensos de amor infindo, até o reencontro no evento da luz.

 


TRÊS SOPAPOS NA CHEGADA - Imagem da artista multimídia Carmela Gross – Enfim, aqui estou, algum lugar dos caminhos. Eu vim de onde me fiz, a viagem de volta, tantos Brasís, quantos janeiros: trilhas desfeitas, rabiscos, recados indecifráveis, motores raivosos, céus esfumaçados, desídias, talhos, atalhos perdidos, interditos, superstições. (Dava para parafrasear Erasmo no seu Julio II excluído del reino de los cielos nos Escritos de crítica religiosa e política: Certamente não me surpreende que tão poucos cheguem aqui, se você chicotear assim eles assumem o comando da doidice. Apesar de tudo, ouso conjeturar que o país ainda tem cura de alguma forma, pois honra um esgoto tão imundo em virtude do mero título de presidente). Aqui estou e me tratam por necromante com tudo que passei, e para que transmita a verdade que querem ouvir. Apenas repito trecho dAs geórgicas de Virgílio: Não desejo abranger todas as coisas juntas em meus versos, não conseguiria, ainda que possuísse cem línguas e cem bocas, e uma voz de ferro. Prefiro invocar a Denúncia de Marie Under: Eu grito alto com a boca de todo o meu povo, / nossa terra está ferida por uma praga de medo e chumbo, / nossa terra está sombreada pela árvore da forca / nossa terra um cemitério comum, enorme de mortos. / Quem virá ajudar? Bem aqui, no presente, agora! / Porque o paciente está fraco, perdeu o controle. / Mas, como o canto dos pássaros, meu grito se desvanece / no vazio: o mundo é arrogante e frio. / O suspiro do velho, o choro do bebê - / todos correm para a areia, ilusão, falham? / Homens, mulheres gemem como cervos feridos / para aqueles que estão no poder, tudo isso é apenas um conto de fadas. /  Trevas são os olhos do mundo, seus ouvidos são surdos, / os poderosos perdidos na loucura ou na estupidez. / Compaixão só é sentida por aqueles a quem o sofrimento quebra, / e só os sofredores têm corações como você e eu. Voltei levando nos peitos, refém da viagem, vulnerável às circunstâncias, chuvas, quedas, labirintos e túneis sem fim... Quem dera fosse diferente embarque, desembarque: reificação de simulacros e sempresente. A cidade é o deserto e o difícil é chegar. Até mais ver.


CRÔNICA DE AMOR POR ELA

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 A OBRA DE PAULO CAVALCANTI

[...] O que nos conforta é a grandeza da nossa autocrítica, no reconhecimento dos nossos erros. E até dos crimes cometidos em nome do socialismo. Vão-se esses erros e esses crimes. Menos os símbolos.

A obra do escritor, advogado e jornalista Paulo Cavalcanti (1915-1995), fundador da Associação do Ministério Público de Pernambuco e da União Brasileira de Escritores (UBE-PE) e foi preso e aposentando compulsoriamente pelo AI-2, autor de obras como a trilogia O caso eu conto como o caso foi – memórias políticas (1978/1980/1984), Nos tempos de Prestes (1981/1982); A luta clandestina (1984/1985); Homens e ideias do meu tempo (1993); Vale a pena (ainda) ser comunista (1994); História de um governo popular e Os equívocos de Caio Prado Júnior. Veja mais aqui e aqui.

 


 


terça-feira, outubro 13, 2015

CALVINO, GREENAWAY, BLAKE, GILBERTO MENDES, HAYEZ, GIL VICENTE, LAMBERT, MITANÁLISE & PROGRAMA TATARITARITATÁ.


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? A VIDA E CADA UM DE NÓS - A grande maioria das pessoas que eu vejo por aí, ou aqui, ali ou acolá e alhures, ou vivem de mangar dos defeitos dos outros, ou de esconder suas próprias desditas. Ué, alguém é perfeito? Arre. Os primeiros vivem só de escárnio, a tocar maldosamente com seus motejos na ferida depreciativa de quem quer seja. Bastam ver algo de desmazelado ou não, e logo passam a rotular; seja pela calça coronha pegando borboleta, seja pelo andar queimando o arroz no rego da bunda, ou pelo pixaim do cristão, a gola mamãe, o vinco desajeitado nas vestes desbotadas dos curaus ou ocrídios, a cara de foto bufenta que requer exorcismo pra erradicar a feiura, a falta do nome do pai na certidão de nascimento, o adotado ou enjeitado, a que perdeu os três vinténs, a vitalina, o que levou forquilha, o que penteou um asno, não escapando quer sejam os engomadinhos do clube do Bolinha, ou as patricinhas de bunda-rica do clube da Luluzinha. Tudo serve para mangação na base das saudações às caretas e pilhérias de enxeridos inescrupulosos na maior das caçoadas mais cínicas. Na verdade, todo desdém esconde lá neles os seus próprios conflitos: macaco não olha o rabo! Vai ver, é rindo dos outros que esconde seus escombros e fraquezas. Há também os que são as vítimas desse menosprezo, que emendam as camisas numa bravata pra lá de truculenta quando lhe denunciam a alcunha e que vivem de lamentar de ter nascido onde o malquisto perdeu as botas ao invés duma paradisíaca paragem europeia ou estadunidense. Nas suas horas minguadas vivem gemendo a jetatura de papa-vento malfadado a se precipitar nas suas lamúrias de escanteado da sorte e da vida. E ainda negam de pés juntos toda e qualquer suspeita enrustida de que, na verdade, queriam ser ou roliúde da situação, ou o suprassumo da espécie. Que tenha lá suas razões – já dizia Pascal que o coração tem razões que a própria razão desconhece! Cada qual valoriza ou não suas próprias recompensas. E pra esconder sua infelicidade trajam tudo de grife pra desfilar na moda! Eita, grei! Mas como a boca fala do que está cheio o coração, mesmo no maior dos trinques mandam ver na gesticulação furiosa e aziaga, a condenar de tudo contra os apelidos descabidos, a gritar engravatado e cheio de nove horas que bata na boca que isso é blasfêmia ou a velha carteirada do sabe com quem estás falando? E se arvoram com as suas exaltações temperamentais que está tudo errado, que ninguém presta e tudo está condenado ao fim do mundo. Minha nossa! Não tem cabimento, é o maior nhenhenhen. É só comer sal com esse tipo de gente que logo se vê quanta veleidade. Desculpe a má palavra, nem Deus com um gancho e o diabo com um garrancho, o que se tem de certo é que o desgosto varia de acordo com as circunstâncias, dependendo do temperamento de cada um ou do que melhor lhe convier. Mas como já dizia Vespasiano: a raposa muda de pelo, mas não de costume. É a maior lengalenga. Não seria mais fácil aceitar-se a si mesmo e olhar pro mundo como quem é o que é, sem o desserviço de com sua infelicidade estragar o repasto dos outros? Ah, o que vale mesmo é aquilo do se não sou feliz, ninguém será. Valha-me! Eu mesmo que sou baixim, banguela, buchudim, tronchim e feím, dou-me por satisfeito comigo mesmo – se bem que vou sempre resiliente pra me autosuperar e vez em quando me surpreendo até comigo mesmo, a mangar de minhas leseiras. Ué, a distância entre o chique do máximo e um zé-ruela é uma má impressão no meio. Mesmo que o espelho ou fotografia não dê jeito dum mondrongo virar Apolo, a gente bem que podia relevar na exigência, ser a gente mesmo e ver que a coisa não é tão péssima assim, ora, ora. O pior é querer ser o que não é. Aí sim é que é engodo, só de pensar que só você é sabido e que os outros todos são bestas, um dia a casa cai. E como todo dia é dia da vida, o que vale de mesmo é ser feliz, seja como for. E vamos aprumar a conversa aqui

 Imagem: Woman after Bath (1859-Nude Bather), do pintor italiano Francesco Hayez (1791-1882). Veja maisaqui.


Curtindo: cd/livro Música Contemporânea Brasileira (Lua Music 2005), do músico, compositor, regente orquestral, professor e jornalista Gilberto Mendes.

O TERAPEUTA E O SHAMANO livro Vínculos e mitos: uma introdução à mitanálise (Ágora, 1988), de Sophia Rozzanna Caracushansky, trata sobre as novas perspectivas, a grande heresia, o terapeuta e o Shaman, a mitanálise, sobre os mitos e sonhos, anomalias nos padrões de interação com a mãe, repetição adulta de padrões infantis, o padrão de relacionamento, mitos e fases do desenvolvimento, autismo normal, diferença entre autismo e síndrome pré-simbiótica, Eros e a Síndrome Simbiótica no Adulto, a saída do ovo, Ignis e a Síndrome do Desabrochamento no adulto, os dois níveis do desabrochamento, Mercúrioo, Paradigma da Síndrome do Treinamento, elementos da simbiose presentes ao inicio da reaproximação, Laio ou a Síndrome da Reaproximação no adulto, Síndromes de Separação e distância real, Síndrome da Separação no adulto, A dama e o vagabundo, o Actong-Out, Garuda, Apolo, a Síndrome da Distância Ideal no adulto, processo mitanalítico, Síndrome do Deus do Inferno, Síndrome de Tiamat, Síndrome de Laio, Síndrome de Apolo, Síndrome de Eros, Síndrome de Garuda, Shiva, mudando o significado do Final Feliz, mitologia brasileira do século X, multiplicidade de papéis na vida, processo irracional versus processo terapêutico, Hamlet, Peter Pan, Aladin e a Lâmpada Maravilhosa, João e Maria, Perseu, Odisseu, Endimião, Bel Mardik, os ciclos mitológicos subsequentes e a união dos opostos, os gêmeos, Ino, Semele, Idade do Bronze, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho O terapeuta e o Shaman: [...] O shaman é uma pessoa que na adolescência passou por uma séria crise psicologia, a qual chamaríamos em nossa cultura de psicose. Uma vez resolvida a crise, considera-se que a crise anormal lhe trouxe benefícios tanto no plano afetivo como no cognitivo. O reconhecimento entre os primitivos, que a crise possa ter um efeito regenerador não é muito diferente da posição do psicoterapeuta moderno das civilizações mais avançadas. Ele pode utilizar a crise como parte do processo de cura. Mas os esquimós não se limitam a tal reconhecimento. Eles passam a considerar o shaman como alguém superior, mais consciente que os demais. Sempre que um jovem apresenta uma crise similar, a família manda chamar o shaman para resolver o problema. Um shaman esquimó, de uma tribo radicada ao noirte do Canadá, contou que quando jovem tinha constantemente sonhos estranhos. Seres bizarros e desconhecidos dele se aproximavam e lhe falavam. Ao acordar lembrava-se de tudo de forma tão vívida que podia descreve-lo aos que estavam à sua volta. A família, perturbada, mas sabendo o que se passava, mandou chamar um velho shaman de nome Peqanaoq. Ele diagnosticou imediatamente o caso e levou-o, em pleno inverno, numa noite escura e gélida do inverno ártico – a um deserto longínqyo, solitário, construindo ali uma pequena cabana que mal daria para conter uma pessoa sentada. Não foi permitido ao jovem colocar os pés na neve. Ele foi carregado por Peqanaoq, e colocado dentro da cabana, sentado, de pernas cruzadas, sobre uma pequena tira de couro. O velho shaman, sem deixar-lhe comida ou bebida, deu-lhe ordem de pensar apenas no Grande Espírito, que deveria surgir ali. Foi deixado sozinho naquele lugar por trinta dias. Após cinco dias, Peqanaoq veio trazer-lhe uma bebida quente. E depois de outros quinze, compareceu com mais uma bebida e um pedacinho de carne. Mas isso foi tudo. O frio e o jejum eram tão abrasadores que, vez por outra, o jovem sentia como se estivesse morto. E durante esse tempo todo ficou pensando no Grande Espírito, até que, lá pelo fim da provação, um espirito benfeitor de fato apareceu, em forma de mulher, que parecia pairar sobre sua cabeça. Ele nunca mais a viu, mas ela se tornou seu espírito protetor. Peqanaoq levou-o, então, para casa e ele mesmo se tornou shaman. [...] A mitánalise repousa sobre umas tantas ideias a respeito dos mitos (e dos destinos humanos neles contidos), de um lado, e sobre determinadas descobertas no campo da psicologia do desenvolvimento, de outro. Os mitos contem normas de de vida. Representam a moral primitiva, voltada para a satisfação das necessidades instintivas do homem. falam de valores, ainda primários, ligados a forças biológicas originárias do ser e do mundo. [...] o conto de Aladim e a Lampada Maravilhosa [...] Aladim está para morrer de fome e sede na gruta escura, quando, ao tocar a lâmpada maravilhosa, ele consegue fazer sair dali o gênio, escrevao da lâmpada. “Às suas ordens, senhor”, diz o gênio, “seus desejos são ordens”. Aladim lhe pede, então, para voltar á face da terra e retornar à sua casa, a que o gênio atende imediatamente. Depois, pede-lhe riquezas e o gênio também atende. Assim, Aladim não precisa fazer coisa alguma a não ser chamar pelo gênio, para ter as suas necessidades supridas. O relacionamento de Aladim com o gênio retrata o relacionamento do Sujeito com o Objeto na fase simbiótica e em nenhuma outra. [...]. Veja mais aqui.

A ESPOSA-SEREIA - No livro Italian folktales (Pantheon, 1980), do escritor italiano Italo Calvino (1923-1985), encontro a história A esposa-sereia: Há muito tempo, uma mulher casou-se com um marinheiro, porém ele ficava longe de casa a maior parte do tempo, velejando pelos sete mares. Um dia, quando ele estava fora, a esposa viu o rei que passava a cavalo e os dois se apaixonaram. Ela foi viver com o rei, e quando o marido voltou, encontrou sua casa fria e vazia. Em pouco tempo, o rei e a mulher cansaram-se um do outro e ela voltou para casa. Suplicou ao marido que a perdoasse, mas ele enfurecido, lançou-a no mar e gritou: “mulher infiel!” – Essa é a punição que você merece! Logo a seguir, ele recuperou o juízo e se perguntou: - O que foi que eu fiz? Estou matando a única mulher que amo. Tentou salvá-la, no entanto, ela já sumira nas profundezas das águas. Ele voltou para casa com o coração partido. A mulher caiu entre as sereias, que estavam no seu jardim de coral e pérolas. Quando as sereias viram a mulher, exclamaram: “Que mulher linda!” Levaram-na para seu palácio e a reanimaram com suas mágicas. Você será uma de nós, disseram as sereias e seu nome será ‘Espuma’. Pentearam seu cabelo, perfumaram seu corpo e a adornaram com pérolas. A seguir fizeram uma festa em sua homenagem. Ela dançou a noite toda no salão do palácio entre lindas sereias. Daí em diante, viveu no luxo e na alegria do fundo das águas. Um dia lembrou-se do seu marido e encheu-se de tristeza, pois ainda o amava. Sentiu vontade de vê-lo novamente. As sereias perguntaram o que a atormentava. – Não é nada, disse ela, mas seu semblante estava muito triste e as sereias vendo-a sofrer não suportaram. Resolveram levá-la para a superfície para cantarem ao luar suas canções mágicas. Com essas canções elas faziam marinheiros caírem na água e os transformavam em moluscos e caranguejos. Certa noite, enquanto as sereias cantavam, um homem saltou nas águas e a esposa logo reconheceu seu marido. Vamos torná-lo um camarão, exclamaram as sereias. - Não, não, interrompeu a esposa. - O que você quer com ele, Espuma?, perguntaram as sereias. Ela teve uma idéia. – Eu quero tentar uma mágica, eu mesma. As outras concordaram. Prenderam o homem no palácio e foram dormir. A esposa foi, secretamente, até o aposento em que ele estava e cantou do lado de fora. O marido acordou e logo reconheceu a voz da esposa. Você está viva, disse ele e pediu-lhe que o perdoasse. Ela disse que já o perdoara há muito tempo, porém você deve ficar quieto. Se as outras acordarem irão fazer-lhe mal. Voltarei aqui mais tarde e o libertatarei. Foi ver se todas estavam dormindo e depois voltou e libertou o marido, levando-o para a superfície e o deixando-o em segurança. Logo, um navio passou por perto e ela mandou que ele fizesse sinal para que o resgatassem. Não posso ir com você, disse ela, agora sou uma sereia e, se sair da água, morrerei. Em seguida mergulhou e desapareceu. Ele gritou desesperado e os marinheiros do navio ouviram e vieram salvá-lo. Ele contou sua história, mas ninguém acreditou, acharam que ele tinha perdido o juízo. Levaram ele de volta para sua casa. Ele ficou muito inquieto,dia e noite só pensava na esposa. Certo dia, imerso em seus pensamentos, saiu andando pela floresta e aproximou-se de uma nogueira, em torno da qual diziam que as fadas dançavam. - Por que você está tão triste, meu bom homem? Perguntou uma velha que saíra de trás da árvore. Ele se assustou, mas contou-lhe tudo que estava passando. A velha disse que poderia ajudá-lo, mas não era uma tarefa fácil - Farei qualquer coisa, disse ele. A velha então falou: - Primeiro você tem que me trazer a ‘flor’ que cresce no palácio das sereias, a qual elas chamam de ‘a mais linda flor’ . Traga-a para mim e sua esposa sairá salva do fundo do mar. Ele coçou a cabeça, pensando como conseguiria esta flor do fundo do mar. - Bem, disse a velha, isso você tem que resolver e desapareceu atrás da árvore. Ele, finalmente, jogou-se na água e, no meio do oceano, chamou pela esposa. Quando ela apareceu na superfície, ele contou-lhe sobre a proposta da velha. A esposa disse-lhe que não podia fazer isso, porque as sereias haviam roubado a ‘flor’ das fadas há longo tempo. Se a perderem, morrerão e eu também, porque agora sou sereia. Não disse ele, a velha e as fadas vão salvá-la. Ela disse que ia pensar e pediu que ele voltasse no dia seguinte. No dia seguinte, ele voltou e ela falou que para conseguir a ‘flor’, precisava de sua ajuda, ou seja, ele tinha que vender tudo o que possuia e com o dinheiro comprar as mais lindas e preciosas jóias. Depois pendurá-las no seu barco e içar as velas. As sereias não conseguem resistir a jóias e certamente o seguirão. No momento que você levá-las para longe, eu colherei a ‘flor’. Ele voltou à cidade, vendeu o que tinha, comprou lindas e preciosas jóias, pendurou-as em seu barco e foi para o meio do oceano. As jóias atraíram as sereias e elas o seguiram para bem longe. Subitamente, o oceano tremeu e o mar se abriu. As sereias morreram, imediatamente. O oceano tremeu novamente, o marinheiro estava atônito, mas diante dele apareceu a velha da floresta, no dorso de uma grande águia. Atrás dela vinha sua esposa, sã e salva. A velha levou-a para a casa deles e quando ele chegou, abraçaram-se e renovaram os votos de amor para sempre! Veja mais aqui e aqui.

A POISON TREE & PROVÉRBIOS DO INFERNO – No livro William Blake poesia e prosa selecionadas (Nova Alexandria, 2006), do poeta, tipógrafo e pintor inglês William Blake (1757-1827), destaco, inicialmente, o poema A poison tree: Estava com raiva de meu amigo. / Falei de minha ira; minha ira morreu. / Estava com rqaiva de meu inimigo. / Não falei disso. Minha ira cresceu. / E umedeci-a em meus medos / noite e dia com minhas lágrimas / e aqueci-a com sorrisos / e astúcias doces e insinceras. / E ela crescia de noite e de dia / até dar à luz luminosa maçã / que meu inimigo, vendo brilhar, / soube que era minha. / E meu jardim invadiu / quando a noite tudo tinha ocultado / e pela manhã feliz constatei / meu inimigo estendido sob a árvore. Também Provérbios do inferno: No tempo de semeadura, aprende; na colheita, ensina; no inverno, desfruta. / Conduz teu carro e teu arado sobre a ossada dos mortos. / O caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria. / A Prudência é uma rica, feia e velha donzela cortejada pela Impotência. / Aquele que deseja e não age engendra a peste. / O verme perdoa o arado que o corta. / Imerge no rio aquele que a água ama. / O tolo não vê a mesma árvore que o sábio vê. / Aquele cuja face não fulgura jamais será uma estrela. / A Eternidade anda enamorada dos frutos do tempo. / À laboriosa abelha não sobra tempo para tristezas. / As horas de insensatez, mede-as o relógio; as de sabedoria, porém, não há relógio que as meça. / Todo alimento sadio se colhe sem rede e sem laço. / Toma número, peso & medida em ano de míngua. / Ave alguma se eleva a grande altura, se se eleva com suas próprias alas. / Um cadáver não revida agravos. / O ato mais alto é até outro elevar-te. / Se persistisse em sua tolice, o tolo sábio se tornaria. / A tolice é o manto da malandrice. / O manto do orgulho, a vergonha. / Prisões se constroem com pedras da Lei; Bordéis, com tijolos da Religião. / A vanglória do pavão é a glória de Deus. / O cabritismo do bode é a bondade de Deus. / A fúria do leão é a sabedoria de Deus. / A nudez da mulher é a obra de Deus. / Excesso de pranto ri. Excesso de riso chora. / O rugir de leões, o uivar de lobos, o furor do mar em procela e a espada destruidora são fragmentos de eternidade, demasiado grandes para o olho humano. / A raposa culpa o ardil, não a si mesma. / Júbilo fecunda. Tristeza engendra. / Vista o homem a pele do leão, a mulher, o velo da ovelha. / O pássaro um ninho, a aranha uma teia, o homem amizade. / O tolo, egoísta e risonho, & o tolo, sisudo e tristonho, serão ambos julgados sábios, para que sejam exemplo. / O que agora se prova outrora foi imaginário. / O rato, o camundongo, a raposa e o coelho espreitam as raízes; o leão, o tigre, o cavalo e o elefante espreitam os frutos. / A cisterna contém: a fonte transborda. / Uma só idéia impregna a imensidão. / Dize sempre o que pensas e o vil te evitará. / Tudo em que se pode crer é imagem da verdade. / Jamais uma águia perdeu tanto tempo como quando se dispôs a aprender com a gralha. / A raposa provê a si mesma, mas Deus provê ao leão. / De manhã, pensa, Ao meio-dia, age. Ao entardecer, come. De noite, dorme. / Quem consentiu que dele te aproveitasses, este te conhece. / Assim como o arado segue as palavras, Deus recompensa as preces. / Os tigres da ira são mais sábios que os cavalos da instrução. / Da água estagnada espera veneno. / Jamais saberás o que é suficiente, se não souberes o que é mais que suficiente. / Ouve a crítica do tolo! É um direito régio! / Os olhos de fogo, as narinas de ar, a boca de água, a barba de terra. / O fraco em coragem é forte em astúcia. / A macieira jamais pergunta à faia como crescer; nem o leão ao cavalo como apanhar sua presa. / Quem reconhecido recebe, abundante colheita obtém. / Se outros não fossem tolos, seríamos nós. / A alma de doce deleite jamais será maculada. / Quando vês uma Águia, vês uma parcela do Gênio; ergue a cabeça! / Assim como a lagarta escolhe as mais belas folhas para pôr seus ovos, o sacerdote lança sua maldição sobre as alegrias mais belas. / Criar uma pequena flor é labor de séculos. / Maldição tensiona: Benção relaxa. / O melhor vinho é o mais velho, a melhor água, a mais nova. / Orações não aram! Louvores não colhem! / Júbilos não riem! Tristezas não choram! / A cabeça, Sublime; o coração, Paixão; os genitais, Beleza; mãos e pés, Proporção. / Como o ar para o pássaro, ou o mar para o peixe, assim o desprezo para o desprezível. / O corvo queria tudo negro; tudo branco, a coruja. / Exuberância é Beleza. / Se seguisse os conselhos da raposa, o leão seria astuto. / O Progresso constrói caminhos retos; mas caminhos tortuosos sem Progresso são caminhos de Gênio. / Melhor matar um bebê em seu berço que acalentar desejos irrealizáveis. / Onde ausente o homem, estéril a natureza. / A verdade jamais será dita de modo compreensível, sem que nela se creia. / Suficiente! ou Demasiado. / Os Poetas antigos animaram todos os objetos sensíveis com Deuses e Gênios, nomeando-os e adornando-os com os atributos de bosques, rios, montanhas, lagos, cidades, nações e tudo quanto seus amplos e numerosos sentidos permitiam perceber. / E estudaram, em particular, o caráter de cada cidade e país, identificando-os segundo sua deidade mental; / Até que se estabeleceu um sistema, do qual alguns se favoreceram, & escravizaram o vulgo com o intento de concretizar ou abstrair as deidades mentais a partir de seus objetos: assim começou o Sacerdócio; / Pela escolha de formas de culto das narrativas poéticas. / E proclamaram, por fim, que os Deuses haviam ordenado tais coisas. / Desse modo, os homens esqueceram que todas as deidades residem no coração humano. Veja mais aqui, aqui e aqui.

AUTO DA ALMA – A peça teatral Auto da Alma (1518), do poeta e dramaturgo português Gil Vicente (1465-1537), é um auto de cunho religioso contando a história de uma alma que é levada por um anjo quando se defrontam com o Diabo e suas tentações. Da obra destaco o trecho inicial: Está posta uma mesa com uma cadeira. Vem a Madre Santa Igreja com seus quatro doutores: S. Tomás, S. Jerónimo, Santo Ambrósio e Santo Agostinho. E diz Agostinho: AGOSTINHO Necessário foi, amigos, que nesta triste carreira desta vida, pera os mui p'rigosos p'rigos dos imigos, houvesse alguma maneira de guarida. Porque a humana transitória natureza vai cansada em várias calmas; nesta carreira da glória meritória, foi necessário pousada pera as almas. Pousada com mantimentos, mesa posta em clara luz, sempre esperando com dobrados mantimentos dos tormentos que o Filho de Deus, na Cruz, comprou, penando. Sua morte foi avença, dando, por dar-nos paraíso, a sua vida apreçada, sem detença, por sentença, julgada a paga em proviso, e recebida. A Sua mortal empresa foi santa estalajadeira Igreja Madre: consolar à sua despesa, nesta mesa, qualquer alma caminheira, com o Padre e o Anjo Custódio aio. Alma que lhe é encomendada, se enfraquece e lhe vai tomando raio de desmaio, se chegando a esta pousada, se guarece. Vem o Anjo Custódio, com a Alma, e diz: ANJO Alma humana, formada de nenhüa cousa feita, mui preciosa, de corrupção separada, e esmaltada naquela frágoa perfeita, gloriosa! Planta neste vale posta pera dar celestes flores olorosas, e pera serdes tresposta em a alta costa, onde se criam primores mais que rosas! Planta sois e caminheira, que ainda que estais, vos is donde viestes. Vossa pátria verdadeira é ser herdei da glória que conseguis: andai prestes. Alma bem-aventurada, dos anjos tanto querida, não durmais! Um ponto não esteis parada, que a jornada muito em breve é fenecida, se atentais. ALMA Anjo que sois minha guarda, olhai por minha fraqueza terreal! de toda a parte haja resguarda, que não arda a minha preciosa riqueza principal. Cercai-me sempre ò redor porque vou mui temerosa de contenda. Ó precioso defensor meu favor! Vossa espada lumiosa me defenda! Tende sempre mão em mim, porque hei medo de empeçar, e de cair ANJO Pera isso sam e a isso vim; mas enfim, cumpre-vos de me ajudar a resistir Não vos ocupem vaidades, riquezas, nem seus debates. Olhai por vós; que pompas, honras, herdades e vaidades, são embates e combates pera vós. Vosso livre alvedrio, isento, forro, poderoso vos é dado polo divinal poderio e senhorio, que possais fazer glorioso vosso estado. Deu-vos livre entendimento, e vontade libertada e a memória, que tenhais em vosso tento fundamento, que sois por Ele criada pera a glória. E vendo Deus que o metal em que vos pôs a estilar, pera merecer, que era muito fraco e mortal, e, por tal, me manda a vos ajudar e defender. Andemos a estrada nossa; olhai: não torneis atrás, que o imigo à vossa vida gloriosa porá grosa, Não creiais a Satanás, vosso perigo! Continuai ter o cuidado no fim de vossa jornada, e a memória, que o espírito atalaiado do pecado caminha sem temer nada pera a Glória. E nos laços infernais, e nas redes de tristura tenebrosas da carreira, que passais, não caiais: siga vossa fermosura as gloriosas. Adianta-se o Anjo, e vem o Diabo a ela e diz: [...]. Veja mais aqui e aqui.

8½ WOMEN – O filme 8½ Women (1999), dirigido pelo cineasta e artista multimídia britânico Peter Greenaway, e apresentado durante o Festival de Cannes daquele ano, é uma homenagem direta às mulheres de Federico Fellini. Conta a história de um pai e filho bilionários, donos de cassinos luxuosos no Japão que contratam oito mulheres para servirem de acompanhantes e supostas esposas, num mundo de requintada estranheza, descobrindo como melhor se relacionarem com elas em suas diferentes e bizarras características. Além de ser um ótimo e imperdível filme, merece destaque o grandioso desfile de belas mulheres que desfilam durante a trama, tais como as atrizes Vivian Wu, Annie Shizuka Inoh, Barbara Sarafian, Kirina Mano, Toni Collete, Amanda Plummer, Natacha Amal, Manna Fujiwara, Polly Walker, Elizabeth Berrington, Myriam Muller e Claire Johnston. Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Lyrical Poetry, do escultor francês Lambert Sigisbert Adam (1700-1759).
Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Tataritaritatá, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Na programação: Especial de Fagner & mais Lobo de Mesquita, Paul Simon, Edu da Gaita, Luiz Vieira, Margareth Menezes & Cláudio Zoli, Luis de Freitas Branco, Wilson Monteiro, Tatiana Cobett, Rosana Simpson, Wilson Miranda, Wagner e Wander Ponzo, Walter Pepê, Ricardo Machado, Paul Potts & Kanon, Christophe, Carlos Marín, Ashanti, Roupa Nova, Verney Filho & Rubem Alves, Meimei Corrêa & muito mais! Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui .
VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
Dê livros de presente para as crianças.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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quarta-feira, julho 08, 2015

PERLS, LA FONTAINE, GIL VICENTE, LAURINDO RABELO, PROCÓPIO, EPPER, DIVERSÕES LÚDICAS, ÓPERA NA MALA & FECAMEPA!!!!!!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? FECAMEPA – A História do Brasil que eu estudava na escola virou pinoia logo quando, no inicio da segunda metade dos anos 1970, descobri de uma tacada só os estudos desenvolvidos pelo historiador, jornalista e advogado Francisco Augusto Pereira da Costa e, também, do historiador José Antônio Gonsalves de Melo. Foi, então, que comecei a dar umas investidas mais pesadas na biblioteca do meu pai que guardava várias coleções e uma farta exposição de livros sobre o tema, vez que ele era professor da disciplina, e saí fuçando tudo. Outra surpreendente descoberta foi ter acesso à coleção Cronologia Pernambucana – Subsídios para a história do agreste e do sertão (FDMIP/CEHM, 1982), do historiador Nelson Barbalho que me deu mais gás ainda para prosseguir na empreitada. Estava eu repleto de informações que requeriam uma mudança radical a respeito do que havia aprendido acerca da história da patriamada. Mesmo quando fui pra faculdade, entrando noutra área alheia ao tema, mantive meus estudos a respeito ao longo dos anos, até que ao acumular mais de trinta de pesquisas histórias a respeito do meu país, resolvi dar uma intrometido. Mesmo não tendo qualificação nenhuma para abordar tal temática, resolvi escrever umas croniquetas a respeito de acontecimentos históricos ocorridos desde 1500 até o presente – tipo imitação barata do Febeapá, do saudoso Sérgio Stanislaw Porto Ponte Preta -, resultando na reunião de umas besteiradas com fundamentos históricos denominado Festival de Cagadas Melando o País, o que resultou na demoninação do Fecamepa. Vamos aprumar a conversa? Confira aqui e aqui.

Imagem: Barque on the lake, do pintor e escultor suíço Ignaz Epper (1892-1969)

Curtindo o dvd Diversões Lúdicas ao vivo e a cores (2008), do grupo mineiro Diversões Lúdicas criado em 1991 e formado por Rosana Brito (voz, violão, percussão e direção musical), Isabella Ladeira (voz e percussão) e Gutti Mendes (guitarra, voz e percussão).

BRINCARTE DO NITOLINO – Hoje é dia de reprise do programa Brincarte do Nitolino no Projeto MCLAM, com apresentação da simpática apresentadora Ísis Corrêa Naves, em dois horários: às 10hs e às 15hs. Além disso, no blog do projeto Bricarte voê pode conferir as atividades desenvolvidas por Nitolino com os professores e alunos do Sesc Jaraguá – Maceió, como também conferir a literatura de Mírian Leitão, afora ficar por dentro de informações e outras dicas sobre Educação Infantil, Psicologia Infantil, Direito das Crianças e Adolescentes, Literatura Infantil, Música Infantil e Teatro Infantil. Confira aqui e aqui.

GESTALT-TERAPIA – O livro Gestalt-terapia explicada (Summus, 1977), do psicólogo, psicoterapeita e psiquiatra alemão Friederich Salomon Perls (1893-1970), traz uma síntese de suas palestras e sessões gravadas com as quais apresenta e sustenta a Gestalt-terapia, comentando suas intervenções e proposta de que o desenvolvimento psicológico e biológico de um organismo se processa de acordo com as tendências inatas que tentam adaptá-lo harmoniosamente ao ambiente, apresentando uma visão de homem e de mundo pautadas na holística, na fenomenologia e no existencialismo, e tendo como foco levar as pessoas a restaurar o contato consigo, com os outros e com o mundo. Da obra destaco o trecho introdutório: Desejo falar sobre o desenvolvimento atual da psicologia humanista. Levamos bastante tempo para desmascarar todo o logro freudiano, e agora estamos entrando numa fase nova e perigosa. Estamos entrando na fase das terapias estimulantes: ligando-nos em cura instantânea, em consciência sensorial instantânea. Estamos entrando na fase dos homens charlatães e de pouca confiança, que pensam que se vocês obtiverem alguma quebra de resistência, estarão curados, sem considerar qualquer necessidade de crescimento, sem considerar o potencial real, sem considerar o gênio inato em todos vocês. Se isto estiver se tornando moda, será tão perigoso para a psicologia quanto deitar num divã durante um ano, uma década, um século. Pelo menos os danos que sofremos com a psicanalise tem pouca influencia sobre o paciente, a não ser por deixaram-no cada vez mais morto. Isto não é tão prejudicial quanto a coisa super-super-rápida. Os psicanalistas pelo menos tinham boa vontade. Devo dizer que estou muito preocupado com o que está acontecendo atualmente. Uma das objeções que tenho contra qualquer pessoa que se diga um Gestalt-terapeuta é quanto ao uso da técnica. Uma técnica é um truque. Um truque que deve ser usado apenas em casos extremos. Existem muitas pessoas colecionando triques e mais truques, abusando deles. Estas técnicas, estes instrumentos são bastante úteis em seminários de consciência sensorial ou alegria, para dar a ideia de que ainda se está vivo, e que o mito de que o americano é um cadáver não é verdade, que ele pode estar vivo. Mas o triste fato é que esta energetização frequente se torna uma perigosa atividade substituta, uma outra falsa terapia que impede o crescimento. Agora, o problema não é tanto em relação às terapias estimulantes, mas em relação a toda cultura americana. Nós demos um giro de cento e oitenta graus, do puritanismo e moralismo até o hedonismo. De repente, tudo tem que ser diversão e prazer, e qualquer envolvimento sincero, qualquer estar aqui real, é desencorajado. [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

CONTES ET NOUVELLES EM VERS – O poeta e fabulista francês Jean de La Fontaine (1621-1695), foi o criador de baladas, epístolas e madrigais e autor de Elegia às ninfas do Vaux (1661). Posteriormente escreveu Contes (1664), narrativas em verso o que o identificou como um artista da palavra, poeta conciso, criador de versos eficientes em vários gêneros: epigramáticos, voluptuosos, razoáveis, fantásticos e barroco. Em 1669 publicou Os amores de Psiquê, que se destacou pela elegância da prosa e pela analise maliciosa da psicologia feminina. Ele revela em toda sua obra um domínio extraordinário da língua e seu vocabulário combina elementos arcaicos, preciosistas e harmoniosos. Em 1668 publicou os seis primeiros livros das Fables que iriam torna-lo internacionalmente famoso. As fabulas de La Fontaine divide-se em doze livros, como sendo um gênero alegórico com virtudes e vícios humanos personificados por animais. Ele aproveitou temas clássicos de Esopo e Fedro para caracterizar personagens e situações humanas. A ambientação é geralmente rustica. O poeta serve-se também dos deuses e heróis mitológicos para ilustrar suas lições, uma vez que suas fábulas são psicológico-didáticas, moralistas no sentido francês do termo, não procurando impor conceitos, apenas constata aquilo que não devia ser, mas é pela força ou pela fraude. As suas fábulas foram traduzidas e tornaram-se leitura obrigatória nas escolas do mundo inteiro. Apesar das criticas ao conteúdo de egoísmo malicioso, conceito utilitário da vida, não fazem mais do que refletir a realidade. A narração viva, elegante e variada cativa os leitores de todas as idades na busca por instruir divertindo; em vez de humanizar os animais, procura ressaltar os aspectos animais da natureza humana. Sua poesia é intelectualista e já foi comparada por críticos franceses, com a de Homero e Dante. Veja mais aqui, aqui e aqui.

AS ROSAS DO CUME & OUTROS POEMAS – No livro Poesias (Cultura, 1944), do escritor, professor e médico do Romantismo brasileiro Laurindo Rabelo (1826-1864), encontro o poema Tempo e Conta: Deus pede estrita conta de meu tempo. / E eu vou do meu tempo, dar-lhe conta. / Mas, como dar, sem tempo, tanta conta. / Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo? / Para dar minha conta feita a tempo, /O tempo me foi dado, e não fiz conta. / Não quis, sobrando tempo, fazer conta. / Hoje, quero acertar conta, e não há tempo. / Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta, / Não gasteis vosso tempo em passatempo. / Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta! / Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo, / Quando o tempo chegar, de prestar conta / Chorarão, como eu, o não ter tempo... Também merece destaque o Soneto II – A uma inconstante: De uma ingrata em troféu despedaçado / Meu coração devora amor cruento, / Trocando em fero e bárbaro tormento / Quantos prazeres concedeu-me o fado. / No seio d'alma, já dilacerado, / Negras fúrias do báratro apascento! / Filtra-me o delirante pensamento / De zelos negro fel envenenado. / Desprezo, ingratidão, fria esquivança / Da cruel por quem morro, em tal procela / Apagaram-me a estrela da esperança. / E eu (ao confessá-lo a dor me gela) / Humilhado a seus pés, minha vingança / Ê carpir, delirar, morrer por ela. Por fim, o belíssimo As rosas do cume: Eu plantei uma roseira. / Quanto mais as rosas brotam, / Tanto mais o cume cheira. / À tarde, quando o sol posto, / E o cume o vento adeja, / Vem travessa borboleta / E as rosas do cume beija. / No tempo das invernadas, / Que as plantas do cume lavam, / Quanto mais molhadas eram, / Tanto mais no cume davam. / Mas se as aguas vêm correntes, / E o sujo do cume limpam, / Os botões do cume abrem, / As rosas do cume brincam. / Tenho, pois, certeza agora / Que no tempo de tal rega, / Arbusto por mais mimoso / Plantado no cume, pega. / Vem porém o sol brilhante / E seca logo a catadupa; / O mesmo sol a terra abrasa / E as águas do cume chupa. / A rosa do cume fica / no mais alto da montanha / A rosa do cume pica / A rosa do cume arranha / As rosas do cume espreitam / entre as folhagens d'além / trazidos na fresca brisa / os cheiros do cume vêm. / No cume duma montanha / tem um olho d'água à beira. / É uma água tão cheirosa / que a multidão ansiosa / o olho do cume cheira. Veja mais aqui.

AUTO DA ALMA – A composição dramática de caráter religioso e moralista Auto da alma (1518), do dramaturgo, músico, ator, encenador e poeta português Gil Vicente (1465-1537), conta a história do conflito Geraldo por uma alma que volta à unidade divina, mas acaba se desviando e encontrando outros interesses para os seus propósitos, ao ser tentada pelo Diabo para as riquezas da terra, enquanto o anjo procura dissuadi-la sobre as tentações do Diabo. Da obra destaco o trecho inicial: Está posta uma mesa com uma cadeira. Vem a Madre Santa Igreja com seus quatro doutores: S. Tomás, S. Jerónimo, Santo Ambrósio e Santo Agostinho. E diz Agostinho: AGOSTINHO Necessário foi, amigos, que nesta triste carreira desta vida, pera os mui p'rigosos p'rigos dos imigos, houvesse alguma maneira de guarida. Porque a humana transitória natureza vai cansada em várias calmas; nesta carreira da glória meritória, foi necessário pousada pera as almas. Pousada com mantimentos, mesa posta em clara luz, sempre esperando com dobrados mantimentos dos tormentos que o Filho de Deus, na Cruz, comprou, penando. Sua morte foi avença, dando, por dar-nos paraíso, a sua vida apreçada, sem detença, por sentença, julgada a paga em proviso, e recebida. A Sua mortal empresa foi santa estalajadeira Igreja Madre: consolar à sua despesa, nesta mesa, qualquer alma caminheira, com o Padre e o Anjo Custódio aio. Alma que lhe é encomendada, se enfraquece e lhe vai tomando raio de desmaio, se chegando a esta pousada, se guarece. Vem o Anjo Custódio, com a Alma [...] Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DA CIDADE AMADA – O filme Crônica da cidade amada (1965), do cineasta Carlos Hugo Christensen com roteiro escrito por Millôr Fernandes, Carlos Drummond de Andrade, Orígenes Lessa, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Dinah Silveira de Queiroz e Paulo Rodrigues, e canções interpretadas por Taiguara, relata onze situações histórias inspiradas na vida carioca, com narração de Paulo Autran e a participação do ator e diretor teatral brasileiro Procópio Ferreira (1898-1979) que divide a cena com Magalhães Graça no episódio O índio, de Drummond, narrando a situação de um homem que fica indignado quando sua cédula de cruzeiros com um rosto de um índio não é aceita sob suspeita de ser falsificada. Os outros episódios são Aparição, Mal entendido, Aventura carioca, Luzia, O homem que se evadiu, O pombo enigmático, Um pobre morreu, Receita de Domingo, Iniciada a peleja e A morena e o louro. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
A Cia. Ópera na MalaCris Miguel e Sérgio Serrano – realizam o programa televiso infantil Baú de Histórias, criado em 2002 e transmitido pela TV Cultura e TV Rá-Tim-Bum, no qual os personagens improvisam sobre fábulas infantis ao ritmo de instrumentos e diálogos cômicos. Em 2014 ele passou a ser chamado de Caderninho Verde e suas Histórias, pela TV Cultura. Veja mais aqui e aqui.


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Veja mais sobre:
O feitiço da naja: tocaia & o bote, Sistemas de comunicação de Joseph Luyten, Palmares & o coração de Hermilo Borba Filho, Porta giratória de Mário Quintana, Or de Liz Duffy Adams, a música de Vanessa Lann, a pintura de Joerg Warda & a arte de Luciah Lopez aqui.

E mais:
Aniversário de Aninha, A escritura & a diferença de Jacques Derrida, O narrador de Walter Benjamin, Bodas de sangue de Federico García Lorca, a música de Paulo Moura, a pintura de Cícero Dias & Rembrandt Harmenszoon van Rijn, a coreografia de Lia Robato, Brincarte do Nitolino & a poesia de Greta Benitez aqui.
A obra de arte & a reprodução de Walter Benjamim, a poesia de Guillaume Apollinaire, a pintura de Rembrandt Harmenszoon van Rijn, Efigênia Coutinho & Programa Tataritaritatá aqui.
A campanha do Doro presidente aqui.
A ponte entre o amor e a paixão aqui.
Literatura de cordel: Que língua a nossa, de Carlos Silva aqui.
As trelas do Doro: doidices na sucessão & a arte de Yayoi Kusama aqui.
Cantarau Tataritaritatá, a pintura de Candido Portinari & Vicente do Rego Monteiro, a música de Bach & Wanda Landowska, O vir-a-ser contínuo de Heráclito de Êfeso, A estrada morta de Mia Couto, As casas & os homens de Adolfo Casais Monteiro, Maria Peregrina de Luis Alberto Abreu, Quebra de xangô de Siloé Soares de Amorim, a arte de Luciano Tasso, Brincarte do Nitolino & Jobs no baço e encarar nocautes de Vlado Lima aqui.
Primeira reunião, Ética pro novo milênio do Dalai Lama, Morte ao invasor de Gilvan Lemos, O despertar da primavera de Frank Wedekind, O testamento de Orfeu de Jean Cocteau, a pintura de Marc Chagall & Edgar Degas, a música de Toquinho, a arte de María Casares, a coreografia de Alonso Barros & a poesia de Valéria Tarelho aqui.
Lagoa Manguaba, Teoria do vínculo de Pichon Rivière, História do Brasil de Laurentino Gomes, as sinfonias de Gustav Mahler, a pintura de Lasar Segall & Ekaterina Mortensen, Amor por anexins de Artur Azevedo, o cinema de Vittorio De Sica & Sophia Loren, Kiki, Rainha de Montparnasse, Pavios curtos de José Aloise Bahia & Programa Tataritaritatá aqui.
A rodagem de Badalejo, a bodega de Água Preta, O analista de Bagé de Luis Fernando Veríssimo, Narração & narrativas de Samira Nahid Mesquita, Iniciação ao teatro de Sábato Magaldi, o cinema de Hector Babenco, a música de Meredith Monk, a arte de Vanice Zimmerman, a pintura de Robert Luciano & Vlaho Bukovac aqui.
Cantando às margens do Una, Psicologia geral de Alexander Luria, Clonagem & células-tronco de Mayana Zatz, Aquela criança de sempre de Reinaldo Arenas, a música de Heitor Villa-Lobos & Arthur Moreira Lima, o cinema de Luchino Visconti & Alida Valli & Marcella Mariani, Ginger Rogers, a pintura de Joshua Reynolds & Carl Larsson, a arte de Ana Paula Arósio & a poesia de Líria Porto aqui.
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NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Interregno das personas... - Havia o que já foi sem que desse nunca pelo que virá: só crescia de noite para ...