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terça-feira, janeiro 28, 2020

EMERSON, HARRIET WHITNEY FRISHMUTH, CHRISTIANA UBACH, OSMAN LINS & CARTA DE GRATIDÃO


CARTA DE GRATIDÃO – O que eu fui se fez em mim para desvendar o segredo da vida e não era qualquer a infância para uma adolescência de descobertas. Meu pai morreu pobre. Nas noites de frio devorava livros da biblioteca da minha mãe: a lâmpada acesa nos meus olhos grandes. Fui hospedado na Casa da Dor pela tísica por anos. Aprendia e já me via irreverente com as velhas tradições e profissões: cada ser humano é um deus em formação. Passei a me sentir dono do mundo das sete estrelas e do ano solar. Não temia mais ser atacado por todos, que eu tivesse o solilóquio da alma sincera sob o céu. Falava, assim mesmo, praqueles que tinham ouvido e não me podiam ouvir. Até que o primeiro amor me envolveu. Ah, Ellen, como eu me apaixonei por sua beleza extrema, a presença viva nos meus diários. Fomos feitos um pro outro e a minha vida voava com o seu espírito alado, serena, amável. Quando me disse que estava pronta para morrer, não imaginava que fosse chamada pela morte tão cedo. Só eu sei a minha aflição: um anjo ia pro céu naquela manhã de fevereiro, não esqueci a paz e a alegria. Dezoito meses separaram em mim a felicidade da tristeza. Fui para a montanha do norte, vasculhar minha alma e decidir meu futuro. Ali, percebi que o homem e Deus poderiam se encontrar entre os outeiros de Roxbury, porque harmonizei o ouvido e o coração com a música da Natureza: éramos Um na Alma do Mundo. Ao retornar, não havia mais como conciliar meu saber e vivência com as tradições religiosas. Aplicava, apenas, a prática do Sermão da Montanha, nada mais. Renunciei a fé com meus ombros encolhidos. Mesmo ausente, foi Ellen quem me proporcionou a vida em Concord: um refúgio para pensar e agir. Segui devotado: a vida não se resumia apenas em mediocridade e insipidez, uma gente indefesa, difusa e prostrada, dispersa e horrorizada. Reverberava em mim a energia da Lei Suprema: o tudo e a Humanidade – a inteireza e a unidade indivisa. Deixei os cemitérios do passado, olhei para os bosques do futuro. Passei a defender a nobreza do comum, a crença dos pacíficos pioneiros: a liberdade individual e a tolerância universal, a colaboração mútua entre humanos livres na tríade viver, deixar viver e ajudar a viver. A dignidade da pessoa comum reconhecida, como se cada qual na soma do Todo: a declaração universal da interdependência. E o amor me envolveu pela segunda vez. Ah, Lydian, uma mente nobre e sincera, uma alegria muito sóbria: educada, inteligente e ativa, uma afeição além das paixões: a grandeza do amor e a sujeição de cada qual à dimensão do desamor. Amávamos cada um, ao seu modo. E sorríamos, dialogávamos, a interlocução dos dessemelhantes. Nisso, inventávamos a nossa felicidade. O seu amor aprumou meus sentimentos e passei a ser o professor da ciência da alegria à beira de tudo quanto é grande e real: que cada um se preocupasse com o seu trabalho e respeitasse o do outro. Esse o meu aprendizado panhumanista. Elas me ensinaram a amar a vida e o mundo, desinteressadamente, da forma mais natural possível. Nunca fui tão feliz, não havia mais como distinguir o que era da vida e o que era da morte: a vida, uma só. Por isso, minha eterna gratidão. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Toda alma é uma Vênus celestial para toda outra alma. O coração tem seus dias de festa e seus jubileus, nos quais o mundo aparece como um himeneu, e todos os sons naturais e o ciclo das estão são odes e danças eróticas. O amor é onipresente na natureza como motivo e recompensa. O amor é a mais elevada palavra que possuímos, e é sinônimo de Deus. [...]. Trecho extraído da obra Ensaios: homens representativos (Martins, 1965), do escritor e filósofo estadunidense Ralf Waldo Emerson (1803-1882), que primeiro amou Ellen Louisa Tucker (1811-1831) e faleceu dezoito meses depois do seu casamento. Em seguida, amou Lydia Jackson (1802-1892). A relação deles com elas estão descritas em obras como One First Love - The Letters Of Ellen Louisa Tucker To Ralph Waldo Emerson (Churchill Livingstone, 1962), de Ellen Louisa Tucker, organizada por Edith W. Gregg; Mr. Emerson's Wife (Griffin, 2006), de Amy Brown; The Essential Writings of Ralph Waldo Emerson (Modern Library, 2000); e O pensamento vivo de Emerson (Martins, 1865), organizado por Edgar Lee Masters. Veja mais aqui, aqui & aqui.

BOA SORTE, MEU AMOR
O drama Boa Sorte, Meu Amor (2013), dirigido e escrito por Daniel Aragão, conta a história de um homem de 30 anos oriundo de uma família aristocrata do sertão nordestino. Ele trabalha em uma empresa de demolição, ajudando nas diversas transformações que a cidade tem passado nos últimos anos. Ao encontrar Maria, uma estudante de música com alma de artista, ele passa a sentir a urgência por mudanças em sua própria vida. O destaque fica por conta da atuação da atriz Christiana Ubach. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
É tão fácil fazer a beleza feia e distorcer. Excentricidade e capricho não substituem estilo e domínio na modelagem. A beleza está em toda parte neste mundo, sempre esteve. Talvez os olhos de hoje não tenham sido treinados para ver, pois se o artista aprecia e entende a natureza, ele não pode ir muito longe da verdade e da beleza, que são os pilares da grande arte.
HARRIET WHITNEY FRISHMUTH - A arte da escultora estadunidense Harriet Whitney Frishmuth (1880-1980). Veja mais aqui, aqui & aqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
A literatura de Osman Lins aqui & aqui.
A música de Cussy de Almeida aqui & aqui.
A arte de Cícero Dias aqui & aqui.
A poesia de Mário Hélio aqui.
A taboada de Azulão, do cordelista Sebastião Cândido dos Santos aqui.
A arte de Cícero Santos aqui
&
O município de Catende aqui, aqui, aqui & aqui.


terça-feira, maio 28, 2019

EMERSON, BARBARA HEPWORTH, LUCRÉCIA FERRARA, HELENA IGNEZ, MEMENTO MORI, TERRITÓRIO DA SAÚDE & MÔNICA FALCON


MEMENTO MORI - Diante de si e de tudo, a hora. Quem se recusa com o beiço virado e um deus na barriga, dono de si desafiando a vida, pisando gente com a soberba descarada, autossuficiência de semideus e o domínio ao umbigo, a mandar e desmandar aos quatro ventos e astros, na avareza e possessão, acumulando ao mandonismo, agiotagem, ambições, para gozar uma vida eterna aqui na Terra, agora e sempre, guerras, epidemias, traições, quanta húbris! Todos sonham em ser auriga no memento homo, segurando a sua coroa de louros, vitoriosos. Mas quem, diante de si e de tudo, agora, de que adianta passar os outros para trás, tirar proveito da ignorância alheia, enganar, enrascar, fazer os demais de tolos, otários, para vangloriar-se o rei da cocada preta no exagero do exibicionismo. Ah, esquece-se que se pode sucumbir à doença, indiferente ao fatídico suicídio, à calamidade do inopinado, o desassossego dos aflitos, as colisões, os destroços dos míseros, tudo tão conspícuo. Quantos se apegam e se agarram à correnteza da vida. A gente cada vez menos conhece o que é o ser humano. Quase impossível lembrar-se que é mortal, isso é líquido e certo. Não há o que temer. É preciso elaborar, saber-se das cartas de Sêneca, do beijo de Epiteto e do que rondava os pensamentos de Wittgenstein, o tratado samurai, o respeito ao povo dos túmulos. Lembrar-se da morte, do quanto tudo é perecível, efêmero, nada além de saber que tudo morre e não é o fim. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] a cidade como mídia só se revela como mediação à medida em que contempla as diferenças entre cidades e as características dos seus lugares. Se a cidade como mídia supõe a lógica redundante da midialogia, a mediação supõe reação e ação atentas ao movimento contínuo que organiza e reorganiza a cidade como um sistema. Em consequência e enquanto mediação, a cidade não é marcada pelas imagens que a simbolizam, mas é ela própria, enquanto produtora de ações e comportamentos, que se caracteriza pragmaticamente e se revela como mediação na grande experiência coletiva que é dada ao homem descobrir e viver. [...] Como grau zero da mídia, a mediação não é, mas está disponível e inaugura-se como escritura cuja função não é exprimir ou transmitir valores e ações, mas impor a semiose que parte da dimensão semiótica das interações, para superá-la e escrever uma história da cidade feita do modo como nela operamos ou dela fazemos parte. A mídia sinaliza a cidade através das suas imagens, mas a mediação permanece cognitivamente na experiência que produz sua metamorfose feita de convergências e divergências.
Trechos do artigo Cidade: meio, mídia e mediação (Matrizes, abril 2008), da professora e pesquisadora Lucrécia Ferrara, autora da obra Os significados urbanos (Edusp/Fapesp, 2000).

CANÇÃO DE BAAL
O longa-metragem Canção de Baal (2008), escrito e dirigido pela cineasta, atriz, diretora e roteirista Helena Ignez, é baseado na peça Baal, de Bertolt Brecht, contando a história de um artista liberal que tem casos com várias mulheres e um homem, de quem morre de ciúmes. Em um jantar, ele se torna sarcástico com os convidados e atrai a mulher do amigo. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
O escultor tem de procurar apaixonadamente o principio subjacente à organização da massa e da tensão – o significado do gesto e a estrutura do ritmo.
A arte da escultora britânica Barbara Hepworth (1913-1975), com suas obras abstratas, de formas côncavas e convexas e superfícies polidas. Baseado na vida dela, o drama independente The Sculptress (2018), dirigido por Alex Bailey e estrelado por Cassie Compton como protagonista, traçando a trajetória da artista, alimentado por seu caso de amor com o pintor inglês Ben Nicholson (1894-1982). 
Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

O TERRITÓRIO SAÚDE DE MÔNICA FALCON
O programa Território Saúde, apresentado pela jornalista, produtora e diretora Mônica Falcon, na TV Padre Cícero, traz questões atinentes aos cuidados com a saúde. Ela edita o blog Atelier Mônica Falcon e atua como palestrante de conteúdo motivacional, além de produzir, atuar e dirigir conteúdo para tevê, peças publicitárias e varejo televisivo. Veja mais aqui e aqui.
&
A OBRA DE RALF WALDO EMERSON
O que nos outros chamamos de pecado, para nós é experiência.
A obra do escritor e filósofo estadunidense Ralf Waldo Emerson (1803-1882) aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


quinta-feira, abril 26, 2018

EMERSON, JOSUÉ DE CASTRO, PAULO MENDES CAMPOS, MÁRIO CHAMIE, ZINAIDA SEREBRIAKOVA, ZIRALDO, VICENTE AMIGO & JENNI MARI VARTIAINEN

NINGUÉM SABE DIREITO O DIREITO O QUE É QUE É - Imagem: cartum do Ziraldo. - Lembro-me bem ainda criança, alguma coisa desagradava minha mãe, e ela, pra meu espanto, admoestava: Você não tem o direito de fazer isso! Tá. Doutra feita, brincando sem querer a intervenção de ninguém, ela repreendia: É direito dele brincar, é a vez dele! Tá. Já adolescente, meu pai ralhava: Faça direito! Ou, minha mãe: Ajeite-se direito, menino! Ou: Vá pelo lado direito da rua! Tanto é que na hora de ir pra faculdade, meu pai arredou o pé: Faça Direito! E depois de ir pra lá e pra cá, findei matriculado no curso, com a maior curiosidade para saber o que o termo significava. Entrei na sala de aula com quase meio milhar de gente aboletado nas bancas e fiquei ligado na busca de saber o que realmente qual era a definição para direito. Durante o curso fiquei sabendo no meio das aulas chatas que, ao longo dos milênios o direito passou por estágios em que já foi, entre outras significações, linha reta e retidão moral, o justo e a mais perfeita das linhas no antigo conceito geométrico euclidiano, modelo ou padrão ideal a ser seguido, a poesia de Simônides no pensamento platônico, o que cria e conserva no todo ou nas partes a felicidade geral no sentido aristotélico, aquilo que está conforme com as leis, um fenômeno coexistencial da ordem universal pra Agostinho de Hipona, socialidade para Hobbes, poder moral que realiza a justiça para Leibniz, a liberdade de todos harmonizada por uma lei geral para Kant, o que é justo, ora natural, ora positivo quando passou a ser costume; ou uma ciência, um fenômeno histórico ou cultural, uma prescrição divina, um produto humano; codificação formal das atividades humanas, uma categoria transcendental das experiências humanas, uma ordem coativa para Kelsen; conjunto orgânico das relações vitais para Savigny, condições existenciais da sociedade para Ihering, vinculação bilateral-atributiva da conduta humana para Miguel Reale, o querer entrelaçante-autárquico-inviolável para Stammler, disciplina social imposta à comunidade humana, regras e instituições jurídicas, ideal de justiça, enfim, conjunto de regras sociais que disciplinam as obrigações e poderes referentes à questão da posse, sancionadas pela força do Estado e grupos intermediários. Pronto. Hem? Entre um cochilo e outro deu pra sacar que desde a sua fundação no princípio do parentesco arcaico, até se tornar a decisão que contemple o menor prejuízo como Justiça, o que eu entendia por direito era patavina, senão aquilo que fora suspenso ao longo do tempo como confirmação de injustiça, o tráfico da merenda escolar e do remédio da saúde, a venda de privilégios e alma sem poupar a de ninguém, fazer do público uma privada, embolsar o erário público em proveito próprio, pregar a democracia do umbigo, sabotar o alheio para viabilizar o que é de si mesmo, o que já foi adquirido e não é mais, e aquela do um pra eu, um pra tu, um pra eu da anedota do Gonzagão, entre outras situações de perplexidades cometidas em nome da mais sagrada convenção. Pra mim mesmo ficou sacramentado ser, por exemplo, de não ser nada diante do desrespeito de privilegiar alguns poucos sortudos escolhidos em detrimento da maioria toda do lado de fora, isso nas mais diversas formas de prestação de serviço público, até na formação dos grupelhos e afins, afora descobrir que cada qual entende o direito a sua maneira e em fazer o que bem quiser e entender pra si sobre os outros. É aí que a coisa pega, fomentando litígios que passam anos nas varas das pequenas causas ou na Justiça do Trabalho, ou mesmo décadas na Justiça comum, dando a entender pela morosidade do Judiciário que é uma coisa pecaminosa que só pode ser reparada depois que a gente arrasta a bunda no chão, tira fino na morte e, quando menos se espera, cai quando está perdido como se fosse um milagre do céu. Será, então, o impossível? Ou quase, por que não? Pra mim, ou a gente apruma a conversa, ou direito ficará sempre naquela de não se saber nada ou aquilo que quem vê morre! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com o guitarrista espanhol Vicente Amigo: Ciudad de las ideas, Memoria dos los sentidos & Um momento com el sonido; e a cantora finlandesa Jenni Mari Vartiainen: Pparhaat Laulut, Ruisrock & Hierra kädelläsi; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] não sejamos tímidos nem caprichosos nos nossos atos. A vida toda é uma experiência. Quanto mais experiências se fazem, tanto melhor. Que importa que sejam brutais e que nos arrisquemos a manchar nosso manto ou rasgá-lo? Que importa se falharmos e cairmos alguma vez na lama! De pé de novo! Nunca mais temeremos tanto uma queda. [...]. Pensamento extraído da obra Ensaios (Cultrix, 1966), do escritor e filósofo estadunidense Ralf Waldo Emerson (1803-1882). Veja mais aqui e aqui.

O QUE DEVERÍAMOS FAZER - [...] É imprescindível retransformar a economia de guerra em que vivemos numa economia de paz, e utilizar a enorme poupança que resultar do desarmamento parcial na obtenção de um tipo de desenvolvimento mais igualitário e não poluidor. [...] Trechos extraídos da obra Fome: um tema proibido (CEPE, 1996), do médico, professor catedrático, pensador, ativista político e embaixador do Brasil na ONU, Josué de Castro (1908-1973). Veja mais aqui e aqui.

OS DIFERENTES ESTILOS – Parodiando Raymond Queneau, que toma um livro inteiro para descrever de todos os modos possíveis um episódio corriqueiro, acontecido em um ônibus de Paris, narra-se aqui, em diversas modalidades de estilo, um fato comum da vida carioca, a saber: o corpo de um homem de quarenta anos presumíveis é encontrado de madrugada pelo vigia de uma construção, à margem da Lagoa Rodrigo de Freitas, não existindo sinais de morte violenta. Estilo interjetivo – Um cadáver! Encontrado em plena madrugada! Em pleno bairro de Ipanema! Um homem desconhecido! Coitado! Menos de quarenta anos! Um que morreu quando a cidade acordava! Que pena! Estilo colorido – Na hora cor-de-rosa da aurora, à margem da cinzenta Lagoa Rodrigo de Freitas, um vigia de cor preta encontrou o cadáver de um homem branco, cabelos louros, olhos azuis, trajando calça amarela, casaco pardo, sapato marrom, gravata branca com bolinhas azuis. Para este o destino foi negro. Estilo antimunicipalista – Quando mais um dia de sofrimentos e desmandos nasceu para esta cidade tão mal governada, nas margens imundas, esburacadas e fétidas da Lagoa Rodrigo de Freitas, e em cujos arredores falta água há vários meses, sem falar nas frequentes mortandades de peixes já famosas, o vigia de uma construção (já permitiram, por debaixo do pano, a ignominiosa elevação de gabarito em Ipanema) encontrou o cadáver de um desgraçado morador desta cidade sem policiamento. Como não podia deixar de ser, o corpo ficou ali entregue às moscas que pululam naquele perigoso foco de epidemias. Até quando? Estilo reacionário – Os moradores da Lagoa Rodrigo de Freitas tiveram na manhã de hoje o profundo desagrado de deparar com o cadáver de um vagabundo que foi logo escolher para morrer (de bêbado) um dos bairros mais elegantes desta cidade, como se já não bastasse para enfear aquele local uma sórdida favela que nos envergonha aos olhos dos americanos que nos visitam ou que nos dão a honra de residir no Rio. Estilo então – Então o vigia de uma construção em Ipanema, não tendo sono, saiu então para passeio de madrugada. Encontrou então o cadáver de um homem. Resolveu então procurar um guarda. Então o guarda veio e tomou então as providências necessárias. Aí então eu resolvi te contar isto. [...] Estilo preciosista – No crepúsculo matutino de hoje, quando fulgia solitária e longínqua a Estrela-d’ Alva, o atalaia de uma construção civil, que perambulava insone pela orla sinuosa e murmurante de uma lagoa serena, deparou com a atra e lúrida visão de um ignoto e gélido ser humano, já eternamente sem o hausto que vivifica. [...] Estilo sem jeito – Eu queria ter o dom da palavra, o gênio de um Rui ou o estro de um Castro Alves, para descrever o que se passou na manhã de hoje. Mas não sei escrever, porque nem todas as pessoas que têm sentimento são capazes de expressar esse sentimento. Mas eu gostaria de deixar, ainda que sem brilho literário, tudo aquilo que senti. Não sei se cabe aqui a lavra sensibilidade. Talvez não caiba. Talvez seja uma tragédia. Não sei escrever mas o leitor poderá perfeitamente imaginar o que foi isso. Triste, muito triste. Ah, se eu soubesse escrever. [...]. Trecho de Os diferentes estilos (Ática, 1979), do escritor e jornalista Paulo Mendes Campos (1922-1991). Veja mais aqui, aqui e aqui.

QUATRO POEMAS – AGIOTAGEM: um / dois / três / o juro: o prazo / o pôr / o cento / o mês / o ágio / p o r c e n t a g i o. / dez / cem / mil / o lucro: o dízimo / o ágio / a mora / a monta em péssimo / e m p r é s t i m o./ muito / nada / tudo / a quebra: a sobra / a monta / o pé / o cento / a quota / h a j a n o t a / agiota. PLANTIO: Cava, / então descansa. / Enxada; fio de corte corre o braço / de cima / e marca: mês, mês de sonda. / Cova. / Joga, / então não pensa. / Semente; grão de poda larga a palma / de lado / e seca; rês, rês de malha. / Cava. / Calca / e não relembra. / Demência; mão de louco planta o vau / de perto / e talha: três, três de paus. / Cova. / Molha / e não dispensa. / Adubo; pó de esterco mancha o rego / de longo / e forma: nó, nó de resmo. / Joga. / Troca, / então condena. / Contrato; quê de paga perde o ganho / de hora / e troça: mais, mais de ano. / Calca. / Cova: e não se espanta. / Plantio; fé e safra sofre o homem / de morte / e morre: rês, rés de fome / cava. SIDERURGIA S.O.S.: Se der o ouro sidéreo opus horário / Sem sol o sal do erário salário / Ser der orgia semistério o empresário / Siderurgia do opus o só do erário / Se der a via do pus opus errado / Se der o certo no errado o empregado / Se der errado no certo o emprecáriO O TOLO E O SÁBIO: O sábio que há em você / não sabe o que sabe /o tolo que não se vê./ Sabe que não se vê / o tolo que não sabe / o que há de sábio em você. / Mas do tolo que há em você / não sabe o sábio que você vê. Poemas do poeta e crítico Mário Chamie (1933-2011). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora russa Zinaida Serebriakova (1884-1967). 
Veja mais aqui, aqui e aqui.



Lendas, crendices e abusões: alegoria e história em O Cara de Fogo, de Jayme Griz, em artigo de Ivson Bruno da Silva & muito mais na Agenda aqui.
&
Amor em Alagoinhanduba, o teatro de Federico Garcia Lorca, o pensamento de Bernard Lown & a fotografia de María Magdalena Campos-Pons aqui.

sexta-feira, fevereiro 09, 2018

SHAKESPEARE, EMERSON, GILBERTO MENDES, MARAÑON, BORDENAVE, SAMIR AMIN, DANIELA SPIELMANN, PATRIC JEAN & KEES VAN DONGEN

FOLIA SÓ É BOA NO MAIOR ESPALHAFATO – Imagem: arte do pintor fauvista holandês Kees van Dongen (1877-1968). - UMA: É CARNAVAL NO FECAMEPA, GENTE! – É festa no Fecamepa, agora vale tudo! O libertário Reino de Dioniso reencarna no colorido do carnaval. Vale tudo mesmo: sair do armário, acender a fluorescente, virar homem, virar mulher, vira lobisomem, a festa do vira virou! Cada qual arreia suas máscaras, ninguém está nem aí pro que vier depois. Não há censura por trás de toda repressão, nem há seriedade por trás de toda coação, tudo é legítimo mesmo que esteja embaixo dum grande golpe ou traição. É carnaval, ora. Pra quem quiser entrar na folia é só cair na Troça do Fabo! Pra quem não quer é só ficar na brechada do Trupe do Fecamepa e seja feliz – se puder ou for capaz - no feriadão. O resto do ano é pro trampo e pras eleições! Vamos aprumar a conversa! DUAS: MACHETES DO NOTICIÁRIO – O Fecamepa oferece o seu Jornal BãoBobo, a notícia que é paratodos! Apresentação de Danado Bochecha, o maior chupeta da imprensa brasileira! (Sobe o BG aí, meu! Agora corta pro locutor, porra! Close no apresentador, jumento!) Bom dia, boa tarde, boa noite! Essa é a principal manchete do seu Jornal Bão Bobo (Sobe e desce BG pro fuleiro falar aí, cara!): Desgoverno garante folia & 104 anos de vida pra todo Fabo Brasileiro! (Sobe BG de novo, alesado! Isso! Agora desce o BG e close no locutor aí, trepeça!) O desgoverno Gol da Pista garante um carnaval tranquilo de nortasul e lestoeste, trabalhando 24 horas na aprovação da reforma previdenciária que garantirá vida longa para todo Fabo brasileiro! Veja o que diz disso a economista Virilha Cunhão: Isso mesmo, mundiça, o desgoverno melhor do mundo, está trabalhando para ajustar suas contas com o maior glamour, garantindo na reforma previdenciária uma vida longa para todo mundo, tanto para o Brasil como para todo planeta. A medida promoverá uma aposentadoria que só ocorrerá depois disso, nada melhor, evidentemente, que ter uma vida saudável e centenária, com toda assistência desgovernamental ao dispor, o que é economicamente viável e, com certeza, resultando numa qualidade de vida jamais vivida pra bocoiós e mocreias que nunca tiveram sequer onde morar ou morrer! A proposta traz a certeza de que vingará (para isso toda tropa de caboetas e mercenários já caiu em campo), e ofertará uma velhice maravilhosa para todo aquele ou aquela que se dispuser a dar um acocho no seu deputado federal e senador para aprová-la a partir da quarta-feira de cinzas. A promessa é fazer desta Nação do Fecamepa o mais feliz e melhor país do mundo! Faça a sua parte de cidadão ou cidadã Fabista enquanto cai na folia! (Corta da comentarista e volta pro locutor, cacete!) Agora já está sacramentado que a expectativa de vida de todo Fabo brasileiro será de 105 anos! Quer melhor que isso? É só sacar que este é um oferecimento da Casa Funerária do Gal Langal, com promoções espetaculares de caixões, velórios e sepultamentos de todo Brasil! (Sobe o BG e vão todos se foder, porra! Fui!). TRÊS PRA SUMIDEIRA – Agora chega de lorota que eu também sou filho de Deus e mereço, pelo menos, uns dias de descanso. E isso no normal: sábado e domingo com a Folia Tataritaritatá rolando com muito frevo pra rapaziada e pras minas, voltando na segunda-feira com todo gás pras novidades. Está dado o recado! Enquanto isso, desejo paratodos uma tranquila e apaziguadora folia para renovar as energias e jogar fora todas as neuras e estresses, retomando tudo na quarta de cinzas, ou na quinta que mais parece de finados ou na segunda de ressaca emendada pela semana toda só de carnaval! E vamos aprumar a convera & tataritaritatá! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com a música do compositor, regente orquestral, professor e jornalista Gilberto Mendes (1922-2016): O anjo esquerdo da história, Alegres trópicos - um baile na mata atlântica & Qualquer música; da saxofonista, flautista, compositora e arranjadora Daniela Spielmann com Brazilian Breath, Saudades do Paulo com Cliff Korman & Chorinho pra você com Paulo Moura & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – Humanismo é muito mais gesto e conduta do que saber: é a capacidade de agir, guiada pela reflexão, mas com base nos sentimentos e em certos traços do caráter conhecidos como virtude. Pensamento do filósofo, médico, cientista, historiador e escritor espanhol Gregório Marañon (1887-1960).

MEIOS DE COMUNICAÇÃO –[...] Os meios de comunicação parecem ter a estranha virtude de servir de “espelhos” para a comunidade se enxergar a si mesma e ficar consciente de seus problemas, normalmente sofridos mas não percebido como problemas. [...]. Trecho extraído da obra O que é comunicação rural (Brasiliense, 1985), do intelectual paraguaio que estudou a comunicação, Juan Diaz Bordenave (1926-2012). Veja mais aqui.

A NATUREZA & O MEIO AMBIENTE – [...] Não se trata de saber se a natureza existe ou não; ela existe, bem entendido, intervenham ou não as “forças da natureza” no processo produtivo, e é logico que intervêm. A questão é saber quais as questões sociais que regulam a utilização destas forças [...]. Trecho extraído da obra Questão agrária no capitalismo (Regra do Jogo, 1978), do economista egípcio Samir Amin.

PALAVRAS, PALAVRAS - [...] Sim, há palavras e palavras e palavras. As palavras podem exprimir servidão, as palavras podem gritar também de revolta. Há palavras que implicam obediência mas tambem há palavras de protesto. Algumas palavras servem o conformismo, outras exprimem ressentimento. Algumas palavra são utilizadas pelos fracos e pelos obedientes, outras por almas que se respeitam e são rebeldes. [...]. Trecho de A tempestade (Relume Dumará, 1991), do poeta, dramaturgo e ator inglês William Shakespeare (1564-1616). Veja mais aqui.

DOA TUDO AO AMOR – Doa tudo ao amor / segue o teu coração / amigos todos dias / riqueza fama planos / crédito e às nove musas / nada nada recuses. / Ele é um bravo mestre, / que tem o seu escopo, / segue-o sem restrição. / De esperança em esperança / alto e sempre mais alto /mergulha no meio-dia / com intento intraduzível. / Porém ele é um deus / conhece a sua trilha / e os atalhos do céu. / Jamais para o que é baixo / requer duma coragem. / Alma acima da dúvida / valor inquebrantável. / Ele premiará / e eles voltarão / mais do que eram antes / e sempre em crescimento. / Deixa tudo ao amor. / Porém me escuta ainda / uma palavra mais / a teu coração toca, / mais uma vez o pulso / da firma diligência / conserva-te por hoje, / amanhã para sempre / liberto, tal um árabe, / da tua bem-amada. / Agarra-te à donzela / porém quando a surpresa / de prima vaga sombra / de cisma de um prazer / alheio a ti perpassa / pelo seu jovem seio; / que seja ela liberta. / Não lhe colhas o vestido / nem a pálida rosa / que lhe cai da capela. / Embora amaste-a tanto / como a ti próprio, ser / de puríssima argila. / Embora tal partida / escurecendo o dia / roube a graça aos vivos, / saibas, no coração, / se vão os semideuses / logos chegam os deuses. Poema do escritor e filósofo estadunidense Ralf Waldo Emerson (1803-1882). Veja mais aqui.

LA RAISON DU PLUS FORT
O documentário La raison du plus fort (2003), dirigido pelo cineasta belga Patric Jean, denuncia a mudança política implementada pela Europa desde o final da década de 1990, baseando-se em argumentação rigorosa a partir das ideias dos párias urbanos do sociólogo Loic Wacquant e do fim da democracia do filósofo Jean-Paul Curnier, contando sobre a destruição de fábricas para construção de prisões, sugerindo que na França, Bélgica e em outros países europeus foram implementadas políticas para lutar contra o aumento do desemprego que são mais seguras e econômicas, do que combater a pobreza, tendo em vista ao lado dos bairros ricos é tolerada a existência de subúrbios da miséria onde há a generalização da tolerância zero. O filme mostra a concentração das áreas de miséria com todos os problemas da sociedade: altas taxas de desemprego, analfabetismo, pobreza, precariedade e criminalidade, justamente onde o Estado é ausente, identificando assim as consequências da lógica discriminatória peculiar às sociedades ocidentais.

Veja mais:
Bloco descontentes do Fecamepa, a música de Alban Berg, a poesia de Wilson Araújo, a arte de Andy Golub, a pintura de Cristiane Campos & Márcio Melo aqui.
No reino do Fecamepa nada pode dar certo aqui.
Terça-feira no trâmite da solidão aqui.
Auto do Maracatu aqui.
Baile de Carnaval aqui.
Karen Horney, Manuel Castels, Edson Cordeiro, Carmen Miranda, Amelinha, Mônica Waldvogel, Frevo & Branca Tirollo aqui.
A literatura de Dostoiévski aqui.
Dois poemetos de amor demais pra ela aqui.
Doro invocado denuncia abuso em mais uma presepada aqui.
Zé Ripe entre amigos & pé de serra aqui.
A esfíngica amante aqui.
Literatura de Cordel: Melancia & Coco Mole aqui.
O ser humano e seus papéis construtivos e não-construtivos aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor fauvista holandês Kees van Dongen (1877-1968).
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sábado, setembro 30, 2017

EMERSON, MONTEIRO LOBATO, GENERINO BATISTA, PAULO CALDAS, SERGIO VALLE & PADRE CÍCERO

A SEGUNDA DO PADRE CÍCERO – Depois de matar duas, o Padre Cícero obrou milagre: ressuscitou uma delas. A que se foi, Deus tenha em bom lugar. Desse dia em diante, Vera nunca mais deixou de dedicar uma hora que fosse do seu dia, para contritas rezas pro seu devotado. Não perdia sequer a oportunidade de narrar aos amigos e presentes acerca da experiência de ter visto de um só lance anteriores encarnações, como teve a oportunidade de ser levada por seu padroeiro, à presença do Criador, de passear no céu, de ficar alarmada com as cavernas de fogo do inferno, de ser recepcionada no purgatório e de ressurgir incólume do Hades. Graças ao seu santificado padrinho, pode percorrer tudo e retornar com vida para contar a todos. Tanto é que a tia dela, bastante sensibilizada com o que ela contava repetidamente, passou, então, também a adorá-lo, a ponto de, certo dia, ao chegar na feira, deu de cara com uma imagem que se diga lá de mais ou menos, mas que lembrava bem o virtuoso pároco nordestino. Quanto é? Quinhentos. Dou cem! Quatrocentos! Duzentos! Trezentos! Aí ela abraçou-se com ele, viu que era pesado, tinha pra mais de metro e meio, quilos do muito. Duzentos pra deixar lá em casa! Duzentos e cinqüenta! Fechado. Onde a senhora mora? Ela dobrou o beiço de baixo, como se apontasse a direção: logo ali. O vendedor emborcou a imagem na cacunda, pesava muito, andou mais ou menos uns quinze a vinte quilômetros, não sei, aos reclamos: A senhora não podia morar mais longe não? Chegamos! Ah, ainda bem! Dinheiro na mão, santo num canto da sala. Todo dia, ela e Vera se ajoelhavam em preces por horas. Deu-se um dia da tia bater as botas e havia um pedido seu a ser cumprido no sepultamento: ela queria ser enterrada com a imagem do santo. Mas não dá! Tem que dar, é o último pedido dela, tem que ser cumprido. Um bêbado aproximou-se do caixão: hem, hem, tão nova, partiu dessa pra melhor. E ouviu a arenga entre Vera e o rapaz do serviço funerário: ah, pedido de morta tem que ser cumprido! Vai pra lá, bêbo! Quando deitaram a imagem, era maior que a defunta! Num tá vendo? Providenciaram outro caixão: também não dá, o chapéu do padre é muito grande! Aí o bebo: besteira, tira o chapéu! Foi, então, a marteladas, arrancaram a aba do chapéu. Quanto trouxeram a estátua para colocá-la no caixão, o bêbo gritou: eita, o padim padre Cícero veio de moto, oxe, vão enterrá-lo com capacete e tudo, é? Sai pra lá bebão. Fecha o cachão! Perai, deixa eu me despedi do santo e da defunta! Vai pra lá, cachaceiro! Tenho direito! E deixaram, o embriagado abriu a tampa do caixão e gritou: Pade Ciço, não me enrole, vá, me dê a chave da moto que eu quero ir pra casa! Avie, homem! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com o cantor e compositor Elomar Figueira de Mello com seus álbuns Das barrancas do Rio Gavião & Fantasia leiga para um rio seco; a pianista, compositora, artista e diretora japonesa Tomoko Mukaiyama interpretando Multus #1 Canto Ostinato, Zorn Bolcom Zappa & Illuseum #1; o guitarrista e violonista Ricardo Silveira com seus álbuns Bom de tocar & Sky light; e a cantora e compositora Ná Ozzetti com os álbuns Love Lee Rita & Show. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – Nossos olhos são limitados, de modo que não podemos ver as coisas que estão bem à vista, até que chegue o momento em que nossa mente esteja amadurecida. do escritor e filósofo estadunidense Ralf Waldo Emerson (1803-1882). Veja mais aqui, aqui e aqui.

A HISTÓRIA DA PENINHA - Um sujeito propôs a outra esta adivinhação: “Qual o bicho que tem quatro pernas, come ratos, mia, passeia pelos telhados e tem uma peninha na ponta da cauda?” Está claro que ninguém adivinhou. – Pois é o gato, explicou ele. – Gato com peninha na cauda? – Sim. A peninha está aí só para atrapalhar. Trecho extraído do texto O nosso dualismo (Cult, maio/2002), do escritor Monteiro Lobato (1882-1948). Veja mais aqui, aqui e aqui.

O SOL ALÉM DA MINHA RUA – [...] A rigor, o destino parecia ter-lhe reservado o desconforto divino das viagens de ônibus. Aperto, calor, tempo perdido. A vida é difícil, cruel, para quem é jovem pai de família e vive feito eu, sem perspectiva numa grande cidade do terceiro mundo. Cruel no sentido que o destino, se é que existe, costuma premiar poucos e punir a maioria. Cruel pra fechar o horizonte aos anseios dos mais jovens. Trecho extraído da obra O sol além da minha rua (Bagaço, 2003), do escritor e editor Paulo Caldas. Veja mais aqui.

EITA, GOTA! – Você tem toda razão / dizer que não falo bem / papai chamava pru mode / mamãe dizia qui nem / um filho desse casal / que português é que tem! Poema do poeta Generino Batista. Veja mais aqui e aqui.

BIBLIOTECA FENELON BARRETO
Recepcionando a estudantada com os poetas Paulo Santos & Genésio Cavalcanti na Biblioteca Fenelon Barreto.

Veja mais:
Padre Cícero matou duas aqui.
A arte musical e poética de Elomar aqui e aqui.
Vera indignada aqui, aqui e aqui.
A arte musical de Tomoko Mukaiyama aqui.
Dia da Secretária aqui e aqui.
A secretária do Tataritaritatá aqui.
A arte musical de Ná Ozzetti aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do fotógrafo e artista multimídia Sérgio Valle Duarte.
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GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...