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quarta-feira, dezembro 09, 2020

CLARICE LISPECTOR, FRANCISCO NIEVA, PETRA COLLINS & LÍVIA FALCÃO


  

TRÍPTICO DQC: JANELINVENÇÃO, O SEGREDO DOS SONHOS - Ao som de Un dia de noviembre, de Leo Brouwer. – Vitalina trouxe da infância todos os medos: de papafigo a bicho-papão, da perna-cabeluda aos monstros embaixo da cama, sacis, gnomos e duendes. Isso afora a mãe: Não faça isso que o bicho vai lhe pegar! O pai: a La Ursa vai lhe levar, maluvida! Avós, parentes e aderentes: Deus vai lhe castigar sua traquina! Daí cresceu com medo de tudo: de altura, de ficar sozinha, de escuridão, de espelhos, de fechar o olho ao tomar banho, de trovões e relâmpagos, de neblinas ou sombras e réstias; de fantasmas e de carecas; de baratas e outros tantos insetos e besouros; de ventríloquos e manequins, de bonecos feios, de palhaços, de atravessar pontes, de pensar e ficar doida, de pecar e ficar mal falada, de ter sonhos ruins, de mergulhar em rio ou mar e ser devorada por um tubarão ou jacaré; de quem já morreu, das estrelas caírem do céu, da Terra despencar no abismo, de todo tipo de doença, de ser enterrada viva, de perder a virgindade e uma mania de perseguição de que seria estuprada pela ruindade de um velho estranho ou um maconheiro safado e desalmado, enfim, tinha pânico de qualquer coisa que não estivesse na sua zona de conforto. Para se precaver, tinha remédio para tudo: comprimido pra isso, cachete praquilo, drágeas praquiloutro, batesse a ansiedade ou depressão, qualquer mal-estar e já se automedicava, batendo o punho fechado três vezes na madeira e se benzendo mais de dez vezes com rezas de Pai-nosso, Creio-em-Deus-Pai e Ave-Maria. Era peculiar uma tremedeira de gasguita, mas a qualquer alerta de cuidado, ela: Ué, sou prevenida e saudável, oxente! E a parentalha, pelas costas, só nos cochichos: Coitado do Tomé! Nada, é outro esquisitão, Deus fez, o diabo ajuntou. Quem a visse dava logo por uma desequilibrada. Há quem dissesse que era uma quejuda porque a castidade encruou no quengo e deixou-la uma mal-amada sujeita a paroxismos inusitados. Dizem: Inda bem que casou, imagino e desmantelo de um casal tão temperante, avalie. Com o converseiro, dei as costas e voltei para a janela. Lá estava Clarice Lispector em riste: O que uma pessoa diz a outra? Fora 'como vai?' Se desse a loucura da franqueza, que diriam as pessoas às outras? A loucura é vizinha da mais cruel sensatez. Engulo a loucura porque ela me alucina calmamente. Não tenha medo de meu silêncio... Sou uma louca mas guiada dentro de mim por uma espécie de grande sábio. Quero que tudo seja intenso, exagerado e louco. Porque só assim fico satisfeita! Dar a cara à tapa! Ser louca, estranha, chata! Eu sou assim. Ah, Clarice, sempre duvidei da minha sanidade mental, principalmente agora, diante dos seus olhos.

 


TARTARUGAS, CREPÚSCULO E CORTINA – Ao som de Cantora de Yala, do álbum Junjo (2006), da contrabaixista e cantora estadunidense Esperanza Spalding. - Ela me levou para um teatro imenso. Era a minha primeira vez naquele local e muitas pessoas iam e viam, me cumprimentavam e eu a espera dela que me deixou ali de mão abanando. Virei a atenção para o ensaio de Tórtolas, crepúsculo y ... telón (Escelicer, 1972) porque o autor, o premiado dramaturgo espanhol, Francisco Nieva (1924-2016), apareceu explicando aos atores e atrizes no palco e na plateia: Sob o pretexto de manter uma quarentena, forçado pela propagação de um desconhecido vírus, uma companhia de teatro é sequestrada no próprio coliseu, onde tem que agir, sujeitá-lo - como ratos de laboratório - para experimentos cruéis, cujo objetivo é revolucionar e renovar o mundo da cena, até mesmo agindo e comportamento do público. Os incidentes que marcam esta situação são numerosas e adquirem diferentes ou seja, até terminar em uma espécie de festa, Dionisíaco e caótico, celebrando a próprio existência do teatro. Depois ele desceu do palco, cumprimentou alguns sentados na plateia e, em seguida, veio ao meu encontro e me falou: O teatro é uma vida alucinante e intensa. Não é o mundo, nem manifestação à luz do sol, nem comunicação a vozes da realidade prática. É uma cerimônia ilegal um crime voluntário e impune. É alteração e disfarce: Atores e público usam máscaras, maquiagens, eles usam fantasias diferentes... ou eles vão nus. Ninguém se conhece, todos são diferentes, todos são "os outros", todos são intérpretes do coven. O teatro é uma tentação sempre renovada, canto, choro, arrependimento, complacência e martírio. É a grande cerca orgiástica sem evasão; É o outro mundo, a outra vida o além de nossa consciência. É remédio secreto feitiçaria, alquimia do espirito, fúria jubilosa sem trégua. Fiquei admirado por ter tido contato com o seu teatro, aquela que já foi denominado tanto de furioso, como de farsa e calamidade, ou de crônica e selo. Ele me sorriu e saiu.

 


TRÊS PARA AS SEIS - Imagem: A arte da fotógrafa, modelo e artista canadense Petra Collins, ao som de Lacrimae, do compositor e alaudista britânico John Dowland (1563-1626), na interpretação do premiado musicólogo, professor, luthier e performer Christopher Morrongiello. - Ela retornou e era Nelly Sachs: Uma porta é uma faca: ela divide o mundo em duas partes. E me puxou apressada para saída do teatro, descendo a escadaria e seguindo pela descida da margem de um rio. Não é para irmos para lá? Não. E mais se aproximada das águas no íngreme declive até à beira. Que rio é este? O seu. O Una? Sim. Nunca o vi assim. E virou-se encarando-me e citando Jorge Semprún: Senti com a força do meu sangue que circulava rapidamente que minha morte não roubaria esta árvore de sua beleza irradiante, apenas roubaria o mundo de meu olhar. Olhei atrás de mim e havia sim uma árvore jamais vista. Venha, quero amar você e ser batizada neste rio secular! Seguiu saltitante por entre as pedras, e se despiu para mergulhar nas águas rasas. Vem! Ao sentir meu corpo no seu, disse-me Pierre Louÿs: Ninguém ainda afirmou que possuir o que desejamos é felicidade, ou prazer, ou bem-estar ou apenas equilíbrio. E beijou-me intensamente e me recitou Emily Dickinson: Tudo o que sabemos do amor, é que o amor é tudo que existe. E esqueci as dores do mundo. Ainda disse-me: O que você quer e o que você precisa: poesia no seu dia-a-dia. E amamos à noite alagados de prazer. Até mais ver.

 

A ARTE DE LÍVIA FALCÃO

A arte da atriz Lívia Falcão, que iniciou sua carreira no teatro e foi premiada como atriz revelação por sua atuação na peça A cantora careca, ainda adolescente, aos 17 anos de idade. Depois atuou em peças teatrais como Caetana, Mamãe Não Pode Saber, Lisbela e o Prisioneiro, e A Máquina, entre outros espetáculos. Em 1986 foi premiada com o monólogo Criadas da Glória, de João Falcão, no I Festival Nacional de Humor. Enveredou posteriormente pelo cinema atuando em vários longas-metragens e, também, pela televisão, atuando em novelas. Veja mais aqui e aqui.

 



segunda-feira, novembro 16, 2009

ALEJANDRA PIZARNIK, DINKINSON, SÓFOCLES, ORTEGA Y GASSET, CELSO FURTADO, BOURDIEU, CARROL BAKER, LITERÓTICA: AFRODITE & BÍBLIAS DO VOYEURISMO


A vida parece ser uma série interminável de sobrevivências, não é? Comecei a me opor a tudo, mas era tarde demais. A imagem do símbolo sexual já havia começado. Recusei as peças e elas me colocaram na lista negra. A imprensa me atacou violentamente a cada oportunidade. Eu cheguei muito perto do suicídio.
A arte da atriz estadunidense Carrol Baker (pseudônimo de Caroline Rose Baker).

AFRODITE – Era sexta-feira quando a celeste e marinha deusa surgiu diante da minha surpresa para me deixar para lá de extasiado com tanta beleza exposta. Era a sexta dela, daquela que nasceu dentro de uma madrepérola do Chipre e nem sabia que era o seu dia para adorá-la, o dia ela era toda feita de espumas do mar e aquecida pelo sangue do deus pra me incendiar. Era sexta na qual ela era conduzida por Zéfiro para as Horas e ao se deparar comigo nas florestas do Monte Líbano sorridente e nua, emergiu do seio das ondas mais esbeltas, ereta com sua coroa de rosas para me enfeitiçar inclemente. Era sexta e ela sorriu com toda galanteria de sua graça para que eu me rendesse ao seu encanto ao me dar o cinto nos bosques do Cáucaso, despir-se dos véus e qual água límpida de fonte inesgotável, bailou nua dominando todos os meus sentidos. Fez-se aos meus olhos Anêmona, a efêmera da primavera esvoaçante para me apaziguar com seus afetos e mais se fez Cipres como quem se dá resoluta sobre a minha pele eriçada e se fez Citereia para que eu me embriagasse com sua perfume de rosa fêmea e me entregou seu segredo da Cnide de Praxíteles a me envolver com a placidez das manhãs ensolaradas, e se entregou Dioneia como quem se deixa escravizar sobre meu sexo devorado por sua latejante erupção e me fez seu Adônis para nos amássemos desregrados em Chipre, em Pafos, Amatonpe, Citera, no paraíso de todos os gozos com todos os prazeres do amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


DITOS & DESDITOS - A civilização avançada envolve problemas árduos. Por isso, quanto maior o progresso, mais está ameaçada. A vida está cada vez melhor; porém, evidentemente, cada vez mais complicada. Podemos pretender ser quanto queiramos; mas não é lícito fingir que somos o que não somos. Liderar não é tanto uma questão de mão pesada mas mais de assento firme. Pouco se pode esperar de alguém que só se esforça quando tem a certeza de vir a ser recompensado. O importante é a lembrança dos erros, que nos permite não cometer sempre os mesmos. O verdadeiro tesouro do homem é o tesouro dos seus erros, a larga experiência vital decantada por milénios, gota a gota. Sem missão não há homem. Pensamento do ensaísta, jornalista e ativista político espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955). Veja mais aqui.

ALGUÉM FALOU: A doença grave do Brasil é social, não econômica. Expressão do economista brasileiro Celso Furtado (1920-2004), em entrevista à revista Caros Amigos, fevereiro de 2003. Veja mais aqui.

O CORPO DO CAMPONÊS – [...] A sociologia talvez não merecesse uma hora de esforço se tivesse por finalidade apenas descobrir os cordões que movem os indivíduos que ela observa, se esquecesse que lida com os homens, mesmo quando estes, à maneira das marionetes, jogam um jogo cujas regras ignoram, em suma, se ela não se desse à tarefa de restituir a esses homens o sentido de suas ações. [...]. Trecho do artigo O camponês e seu corpo (Revista Sociologia Política, jun. 2006), do sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002). Veja mais aqui.

AS MULHERES - As mulheres nunca tiveram os mesmos direitos que os homens. Eu não acho que a sociedade de hoje precise de reforma. Eu acho que precisa de uma mudança radical e é nesse sentido que pode trazer benefícios para as mulheres. Embora ser mulher não me impeça de escrever, acho que vale a pena começar com uma lucidez exasperada. Deste modo, afirmo que nascer mulher é uma desgraça, como ser judeu, ser pobre, ser negro, ser homossexual, ser poeta, ser argentino etc. Obviamente, o que importa é o que fazemos com nossos infortúnios. Cada um possui seu próprio corpo, cada um controla-o como quer e como pode. É o demônio das baixas proibições que, sob a proteção de mentiras "morais", colocou as leis que governam o aborto nas mãos do governo ou eclesiásticas. Essas leis são imorais, donas de inéditas crueldades. Os conflitos das mulheres não residem em um único problema possível a ser destacado. Nesse caso, e em outros, o slogan permanece: mude a vida! A poesia não é uma carreira; é um destino. Pensamento da escritora argentina Alejandra Pizarnik (1936-1972). Veja mais aqui, aqui e aqui.

POESIA - A palavra morre / Quando é dita, / Alguém diz. / Eu digo que ela começa / A viver / Naquele dia. Poema da poeta estadunidense Emily Dickinson (1830-1886). Veja mais abaixo e aqui.

ANTÍGONA DE SÓFOCLES – obras do dramaturgo grego Sófocles, colocando o confronto entre a coragem da princesa Antígona e a tirania do rei déspota Creonte. A tragédia trata dos filhos de Édipo, os irmãos Polinices e Etéocles, que se atraiçoam e reciprocamente se matam pelo poder, restando apenas da linhagem edipiana as duas filhas Antígona e Ismenia. Com a morte dos irmãos, assume Creonte o poder, uma vez cunhado de Édipo e tio de seus filhos, indignado com Polinices e honrando a memória de Etéocles. Por isso, lança édito condenando Polinices ao relento sem sepultamento, o que leva Antígona a se indignar e descumprir suas ordens. Indignado com Antígona Creonte planeja uma morte dolorosa e lenta, determinando que fosse levada a sua última morada, para se juntar com o que ela venerava: os mortos. Após esse desfecho, Creonte ouve do adivinho Tirésias o que poderia acontecer se concretizasse todo o seu ódio em relação à filha de Édipo.Com receio que suas premonições se realizassem Creonte vai ao local onde mandou aprisionar Antígona, chegando à tumba encontra ao lado do corpo dela o de seu filho, que num ato de revolta volta-se contra seu pai e não conseguindo aplacá-lo, suicida-se. Não bastando à morte do filho sua esposa ao tomar conhecimento do fato também suicida. (Tradução de J. B. Mello e Souza).

Numerosas são as maravilhas da natureza, mas de todas a maior é o Homem! Singrando os mares espumosos, impelido pelos ventos do sul, ele avança, e arrosta as vagas imensas que rugem ao redor! Gê, a suprema divindade, que todas as mais supera, na sua eternidade, ele a corta com suas charruas que, de ano em ano, vão e vem, revolvendo e fertilizando o solo, graças à força das alimárias! A tribo dos pássaros ligeiros, ele a captura, ele a domina; as hordas de animais selvagens, e de viventes das águas do mar, o Homem imaginoso as prende nas malhas de suas redes. E amansa, igualmente, o animal agreste, bem como o dócil cavalo, que o conduzirá, sob o jugo e os freios, que o prendem dos dois lados; bem assim o touro bravio das campinas. E a língua, o pensamento alado, e os costumes moralizados, tudo isso ele aprendeu! E tambem, a evitar as intempéries e os rigores da natureza! Fecundo em seus recursos, ele realiza sempre o ideal a que aspira! Só a Morte, ele não encontrará nunca, o meio de evitar! Embora de muitas doenças, contra as quais nada se podia fazer outrora, já se descobriu remédio eficaz para a cura. Industrioso e hábil, ele se dirige, ora para o bem... ora para o mal... confundindo as leis de natureza, e também as leis divinas a que jurou obedecer, quando está à frente de uma cidade, muita vez se torna indigno, e pratica o mal, audaciosamente! Oh! Que nunca transponha minha soleira, nem repouse junto ao meu fogo, quem não pense como eu, e proceda de modo tão infame!” “[...] não há estado algum que pertença a um único homem!” “[...] e seja nosso guia Baco, que faz tremar a terra tebana!”. “[...] virá o dia em que veremos se tens sentimentos nobres, ou se desmentes teu nascimento”. Tudo porque Jupiter detesta a presunçosa jactância de uma língua altaneira”. “[...] ao passo que dois infelizes, filhos do mesmo pai e da mesma mãe, ergueram, um contra o outro, suas lanças soberanas, e deram-se reciprocamente a morrer”. 
FONTE: 
SÓFOCLES. Antígona. São Paulo: W. M. Jacnson Inc, 1969. Veja mais Antígona de Sófocles.

OUTRAS TUITADAS DAS BIBLIAS DO VOYEURISMO MUNDANO:

CELEBRIDADE – Como já dizia Emily Dicksinson: a celebridade é a punição do mérito e o castigo do talento.

CELEBRIDADE II – Como já também dizia Sérgio Augusto: “Não tenha dúvida: a mídia é a maior responsável pela patética e jeca vassalagem a celebridades que, a partir da década de 90, virou um flagelo mundial. O jeca é uma cortesia de Paulo Francis, que sentia furibundo desprezo pela fama imerecida, por celebridades forjadas pela mídia, criaturas que-são-famosas-porque-são-famosas, que nada fizeram de meritório para o destaque que a imprensa lhes dá. Ou então fazem coisas que a imprensa, por uma questão de decoro, deveria ocultar de seus leitores. (Se você pensou em Narcisa Tamborindeguy e quejandos, meus parabéns). Sabe por que os editores de jornais e revistas dão tanata luz a essa gentalha?, comentou comigo Paulo Francis, pouco antes de morrer, porque todos eles, com raras exceções, são jecas e deslumbrados, que ainda ontem só andavam de ônibus, vestiam terno da Ducal, achavam o fino tomar vinho rose e comeram o seu primeiro patê aos 25 anos”. Veja mais aqui e aqui



Veja mais sobre:

Vamos aprumar a conversa, Ariano Suassuna, Elomar Figueira de Mello & Camerata Kaleidoscópio, Luís da Câmara Cascudo, Leandro Gomes de Barros, Cantadores de Leonardo Mota, Lauro Palhano, Sylvie Debs, Mariana Pabst Martins & Ciro Fernandes aqui.

E mais:
Responsabilidade social aqui.
A teoria política do individualismo possessivo de Hobbes a Locke aqui.
Direito: teorias, interpretação e aplicação aqui.
A qualidade na gestão escolar aqui.
Inclusão social pelo trabalho, Pitágoras, José Louzeiro, Samir Yazbek, Jacques Rivette, Xue Yanqun, Ednalva Tavares, Lisa Lyon, Música Folclórica Pernambucana & A imprensa na atualidade aqui.
Literatura de Cordel: Quadrilha junina, de Francisco Diniz aqui.
Literatura de Cordel: Sidrião e Maristela ou A goiaba da discórdia, de José Honório aqui.
Velta, a heroína brasileira aqui.
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História & Literatura do Teatro aqui.
Literatura de Cordel: As flô de puxinanã, de Zé da Luz aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA - LITERÓTICA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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quarta-feira, julho 08, 2009

MARSHALL ROSENBERG, HERMILO, DICKINSON, HERRIGEL, RONALD DE CARVALHO, COLERIDGE, BEUYS, SCHOPENHAUER, KAREL APPEL & MUITO MAIS!

Pensar é esculpir. A revolução somos nós. Todo homem é um artista.
Rayo iluminando un venado, arte do artista alemão Joseph Beuys (1921-1986). Veja mais abaixo, aqui e aqui.

OS DIAS PASSAM E A GENTE VAI PASSAGEIRO – Imagem: Das-Paar, 1952-slash-1953, arte do artista alemão Joseph Beuys (1921-1986). UMA: A VIAGEM DOS LIVROS – Sempre fui achegado aos livros, desde menino quando descobri umas imagens de mulheres nuas numas enciclopédias massudas que repousavam enfileiradas nas estantes da biblioteca paterna. Cheguei neles com a curiosidade de saber o segredo que levava o meu pai a folheá-los e ficar ali entretido por horas. Queria saber e, como era proibido de entrar lá por ordens da minha, aproveitei um cochilo na vigilância dela e furtivamente invadi o gabinete. Tinha livro que só, estantes ocupando todos os espaços do ambiente. Peguei o primeiro que me deu na telha: um pesado e grosso volume que me chamou atenção. Comecei a folhear, páginas inteiras de letras e figuras de gente desnuda. Enquanto examinava uma imagem de uma mulher belíssima e despida, fui pego no flagra! Vigilância redobrada, até o dia que meu pai lia e eu invadi o ambiente perguntando o que tinha tanto nos livros, e a resposta foi ele retirar um numa das estantes e me entregar. Já sabia ler, eram as fábulas dos irmãos Grimm. Como era bom ler. Nunca mais larguei os livros por causa da Emily Dickinson: Não há melhor fragata que um livro para nos levar a terras distantes. Aonde quer que eu vá, seja em que lugar for, a primeira coisa que procuro são estantes ou livros. DUAS: DE BARULHADA & DESINTELIGÊNCIA – A leitura nunca exigiu de mim silêncio na redondeza. Em qualquer lugar que estivesse, nos ônibus, na redação do jornal, nas salas de espera, no ambiente de trabalho, lá estava eu com as vistas nos parágrafos, sem me dar conta de nada ao redor. Com o tempo fui perdendo essa habilidade, infelizmente. Hoje esse mundo barulhentíssimo e cheio de gente ofendida com seus amostramentos e pantins dificultam e muito, mas não impedem minhas leituras. O que tem de motor roncando e chatura de palradores tagarelas, não dá pra mensurar o tanto da estupidez desperdiçada a torto e a direito. Já diziam Schopenhauer: A soma de barulho que uma pessoa pode suportar está na razão inversa de sua capacidade mental. Confesso: haja paciência. TRÊS: E O QUE DIZER DO AMOR? - Ah, sempre soube: o amor é cego e cega! Nem havia levado a sério quando li Coleridge: A paixão cega nossos olhos e a luz que a experiência nos dá é de uma lanterna na popa que ilumina apenas as ondas que deixamos para trás. A adolescência deixa escapar cada coisa! É que eu estava cego de paixão por tudo: mulheres, livros, músicas, artes, natureza, vida! Encantado com tudo segui por toda maior parte até da minha maturidade. Não perdi o encanto nem me arrependi de nada que fiz, faria tudo de novo! De forma correta ou não, foi o melhor que pude fazer. Claro que têm coisas absurdas de me escandalizar no que fiz, obviamente! Já me condenei trocentas vezes e mais inexorável que os algozes e desafetos. Sempre achei que a vida foi justa comigo, sobretudo nas penalizações. E até me julgo um sujeito de sorte, apesar dos pesares. Não sou perfeito, contudo foi o que pude, o melhor e a opção que eu tinha quando cometi ou deixei de fazer. Nunca usei dolo, nem quis prejudicar ninguém, consciência tranquila. Se algum prejuízo causei foi a mim mesmo, nunca a outrem; e paguei todos os patos e dívidas, até as que não devia, acredito! E vamos aprumar a conversa e até amanhã! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.


DITOS & DESDITOS - Nunca questione a beleza do que se diz, quando alguém reage com dor, julgamento ou crítica. Significa apenas que esse alguém não te ouviu. Para praticar o processo de resolução de conflitos, devemos abandonar completamente o objetivo de levar as pessoas a fazerem aquilo que nós queremos. A violência vem da crença de que as outras pessoas causam a nossa dor e, portanto, merecem punição. Toda violência é o resultado das pessoas enganarem a si mesmas, acreditando que a dor delas deriva de outras pessoas e que, consequentemente, essas pessoas merecem ser punidas. Nós nunca ficamos com raiva por causa do que os outros dizem ou fazem. É o nosso pensamento que nos deixa com raiva. Raiva, depressão, culpa e vergonha são o produto do pensamento que está na base da violência no nosso planeta. No cerne de toda a raiva há uma necessidade que não está sendo satisfeita. As análises que fazemos dos outros são, na verdade, expressão das nossas próprias necessidades e dos nossos próprios valores. A paz não pode ser construída com alicerces no medo. A paz requer algo muito mais difícil do que vingança ou simplesmente dar a outra face; requer empatia com os medos e necessidades não satisfeitas que criam o ímpeto para as pessoas se atacarem umas às outras. Estando conscientes desses sentimentos e necessidades, as pessoas perdem o desejo de atacar de volta porque podem ver a ignorância humana que leva a esses ataques. O que eu quero na minha vida é compaixão, um fluxo entre mim e os outros baseado em uma doação mútua do coração. À medida que vamos aprendendo a falar do coração, mudaremos os hábitos de uma vida. Pensamento do psicólogo Ph.D. estadunidense Marshall Rosenberg (1934-2015). Veja mais aqui.

ALGUÉM FALOU: O conhecimento isola fenômenos e coisas a serem observadas ... nada é isolável ou pode ser removido de seu ambiente. Tudo o que se torna isolado deixa de existir. É como a violenta recusa de alguém em jogar um jogo no qual todos trapaceiam. Pensamento do escritor, pintor e escultor neerlandês Karel Appel (1921-2006). Veja mais aqui.

A ARTE CAVALHEIRESCA DO ARQUEIRO ZEN - [...] chamou a atenção para a forma nobre que possui o arco, de quase dois metros de comprimento, quando armado com a corda, e que se manifesta de maneira surpreendente quanto mais é tensionado. “Quando estiramos a corda ao máximo”, disse-nos o mestre, “o arco abarca o universo, e por isso é importante saber curvá-lo adequadamente”. Em seguida, escolheu o melhor e o mais resistente dos seus arcos e, numa atitude solene, fez a corda vibrar repetidas vezes, extraindo um som ao mesmo tempo grave e agudo que, depois de se escutar algumas vezes, jamais se esquece, tão original e irresistível é a maneira como ele chega ao coração. Desde tempos remotos se atribuiu a esse som o misterioso poder de afastar os mais espíritos: eu podia, então, compreender por que tal crença se arraigara no povo japonês. [...] Quando eu liguei a luz sobre o alvo, descobri, para minha surpresa, que a primeira flecha atingiu em cheio o meio do preto, enquanto a segunda flecha tinha estilhaçou a coronha da primeira e entrou pelo eixo. [...]. Trechos extraídos da obra A arte cavalheiresca do arqueiro zen (Pensamento, 1997), do filósofo alemão Eugen Herrigel (1884-1955), introdutor da filosofia Zen em grande parte da Europa.

SABEDORIA - Enquanto disputam os doutores gravemente / sobre a natureza / do bem e do mal, do erro e da verdade, / do consciente e do inconsciente; / enquanto disputam os doutores sutilíssimos, / aproveita o momento! / Faze da tua realidade / uma obra de beleza / Só uma vez amadurece, / efêmero imprudente, / o cacho de uvas que o acaso te oferece… Poema do escritor brasileiro Ronald de Carvalho (1893-1935). Veja mais aqui.


RUBÃO CONTA POESIA MATUTA – Há anos atrás, quando eu ainda trabalhava na emissora Quilombo FM, de Palmares, certa manhã acordei ouvindo o programa Forró Povão, do radialista Toínho Du Rego, quando me apareceu Rubão contando causos. Oxente! Eu conhecia Rubão desde menino, mas não sabia dessa sua versatilidade. Incrédulo, dei uma carreira no estúdio da emissora e lá vi in loco Rubão metendo bronca nos causos e poesias matutas. Aí, não deu outra, acertei com o locutor do horário a presença do Rubão por lá porque era original e uma das boas coisas que aparecera para melhorar a nossa programação. Anos se passaram. Domingo passado, no Encontro dos Palmarenses de Maceió, dou uma barruada com o Rubão que esfrega na minha venta o “Rubão conta poesia matuta”, um cd com histórias, causos e poemas de Daniel Cavalcanti, aquele mesmo do “Ini riba do grande hoté Boa Viagem a coisa é mermo que quejo”, também dos não menos famosos Zé da Luz, Jessier Quirino, Zé Laurentino, Zé Brejeito, do poeta palmarense Zé Maria Sales Pica Pau e muito mais. Simplesmente arretado!!!!O cd foi gravado em 2009, com produção de Zé Linaldo, capa de Wilson Fotografias e com um excelente bom gosto. Contatos para show de Rubão: 81.9986.0247, 8761.2076 e 9123.5008.




A DONZELA ARREVESADA – Esta é a foto do grupo teatral que encenou a peça A donzela Arrevesada, representações do grotesco e dos afetos num conto de Hermilo Borba Filho. Veja mais aqui.



PAPO DO DORO – Vixe! O Doro sai com cada uma! Agora foi mais essa que ele aprendeu com não sei quem. Ele destabocou que a mulher de casa é feito galinha de granja: cheirosa, perfumada, limpinha, mas insossa e só dá pra encarar na base do Viagra. Mulher da rua é feito galinha de capoeira: come merda, rasga dinheiro, só traz desgraça, fede que só, mas a carne é de primeira, chega dá gosto de comer! Hehehehehehehe. Veja mais aqui.

PAPO DO DORO 2: CASAMENTO – Casamento é o caminho da peste, só basta 1 besta e 1 sabida, pronto. Se juntou, tai o começo da desgraça. E se botar papel com assinatura no meio, fudeu tudo na vida do coitado.

ELUCUBRAÇÕES DO DR. ZÉ GULU – Contradições do Brasil: a elite mameluca e bandeirante vive revoltada porque nasceu aqui quando só queria ter nascido na Suiça e morar em Miami. A classe média misturada vive revoltada porque queria ter nascido aristocrata e só vive abaixo da cagada, indômita de medo de empobrecer ou ser roubada pela patuléia. Já as classes de C a Z vivem revoltada porque não têm nada, vive de sonhos e da TV, se matando e se fodendo, se avolumando e morrendo na torcida do circo pegar fogo para que um dia a casa caia e, aí, quem sabe, Jesus, no fim, salve todos dessa melecada toda. Eita, povinho besta esse, hem? Veja mais aqui.



HUMORECO – JERONIMO NETTO – um blog arretado é editado pelo pernambucano Jeronimo Neto. Ele é um profissional que um curriculum daqueles, pois já colaborou por alguns anos na Edições Bagaço e no Papa-Figo, e finalmente plantando raízes em Maceió – AL onde trabalhou em O JORNAL, TRIBUNA DE ALAGOAS, ALAGOAS EM TEMPO, A NOTÍCIA e é colaborador do jornal TRIBUNA DO SERTÃO (Palmeira dos Índios). Já publicou um livro de poesias em pequeníssima edição, projeto que ainda espera momento para retomar. Agora por simples falta do que fazer resolveu criar o blog Humoreco, projeto antigo que já foi posto em prática (impresso) por 29 semanas em 2002. Confira: http://humoreco-al.blogspot.com/



Veja mais sobre:
Tem horas que até o amor fala grego, Lev Vygotsky, Rachel de Queiroz, Ledo Ivo, Chick Corea & Friedrich Gulda, William Shakespeare, Jean-Luc Godard, Auguste Rodin, Agnolo Bronzino & Marina Vlady aqui.

E mais:
A saga do Padre Bidião aqui.
Villa Caeté aqui.
A poesia do cordel de Chico Pedrosa, Bob Motta & Jorge Filó aqui.
A poesia viva de Raymundo Alves de Souza aqui.
Cordel Ais coisa qui tu me diz..., de  Bob Motta aqui.
Literatura de cordel: Mulher cariri, cariri mulher, de Salete Maria – Cordelirando aqui.
Cordel do Meio Ambiente, de Marcos Maciel - Janduís – RN aqui.
O evangelho de José Saramago aqui.
Cordel do quebra pau no STF, de Bob Motta aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...