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terça-feira, julho 21, 2020

MICHÈLE LAMONT, KATE MACDOWELL, YASMIN THAYNÁ, SONIA BRAGA & AQUARIUS DE KLEBER MENDONÇA



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: SOMBRA DAS PRIMEIRAS HORAS DE TERÇA - A semana começou ontem, nem havia me dado conta: não sei mais de horas nem dias. Sonho tal Hemingway pelas calçadas: Mesmo quando estava entre a multidão, estava sempre sozinho. Depois da primeira esquina, sei a quantas o mundo gira, como se fosse sonho de amor em Bucareste nos versos de um poema de Vasile Alecsandri: Deste mundo todo o sorriso... A flor se extingue, a vida esvai. Não há como ignorar, tantos se foram, muitos se esvaindo, impossível fazer de conta. E Philippe Ariès avisa grave: Esquecer-se da morte e dos mortos é prestar um péssimo serviço à vida e aos vivos. Não há mesmo como manter-me distante, o peito espremido, olhos às cachoeiras. Alguém me chama. Juro, não foi nada! Tudo é somenos, só não tem jeito pra morte, mas isto é outra coisa.

DUAS: QUANDO O VENTO FAZ A CURVA, HÁ QUEM SOPRE NA JANELA - Depois do feriado de ontem, nem foi pra mim tão sem calendário: ensaios do deus ludens de Huizinga. Brinco de viver, não há outro modo, mesmo com a severidade das palavras de Roberto Cardoso de Oliveira: Que não se olha impunemente, que não se ouve impunemente e muito menos se escreve impunemente. Meu intuito era mostrar um pouco essa relação, essa dinâmica desses três atos fundadores do exercício da antropologia. Sei, de nada sou impune, rastros me denunciam, errâncias de quem persevera.

TRES: FIZ UMA CANÇÃO, QUANDO TE VI – Menino em festa naquela noite e ela, sensual Charlotte Gainsborg na dança, a canção, entre um passo e outro, ao meu ouvido: Um diretor que escolhe você para um papel sente um desejo. E todo intérprete, seja homem ou mulher, usa todos os seus encantos para entrar nesse jogo. O que é inaceitável e o que é terrível é que se torne uma luta pelo poder e uma vontade de submissão. Nem ouvia, beijava-a e a mim se entregou de vez. A língua desenhava a imensidão do universo na minha carne para que o Tao fosse pleno no meu gozo. O coração da palavra, o poema no sexo para que chova a vida em mim, até não sei quando ou depois. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Nos últimos anos, questões relacionadas ao desempenho e a sua avaliação têm recebido maior proeminência acadêmica e social. [...] O crescente interesse na prática da avaliação também se manifesta em estudos sobre a desigualdade e a meritocracia: nas sociedades industriais avançadas, pais de classe média apresentam maior propensão a preparar seus filhos para um mundo de competição mais acirrada, e para isso, investem recursos significativos em educação suplementar e em atividades extracurriculares que consideram essenciais para garantir a reprodução de suas posições de classe [...] Na verdade, a coexistência de matrizes múltiplas de avaliação é uma condição significativa para uma maior resiliência social (associada a uma melhor distribuição de recursos), especialmente em um contexto como o dos Estados Unidos onde um número cada vez menor de indivíduos pode almejar alcançar os padrões de sucesso socioeconômicos que são associados ao mito nacional e dominante do Sonho Americano [American Dream] [...]. Trechos extraídos do estudo Em direção a uma sociologia comparativa da valoração e da avaliação (Norus, 2013), da socióloga canadense Michèle Lamont.

O CINEMA DE YASMIN THAYNÁ
No dia da minha transição capilar, pela primeira vez consegui me olhar no espelho e me sentir segura. Precisamos criar um outro imaginário sobre o negro no Brasil. O cinema e a TV têm papel fundamental nisso.
YASMIN THAYNÁ - A arte da cineasta, roteirista e diretora Yasmin Thayná, que realizou os curtas-metragens Kbela (2015), Batalhas (2016) e Fartura (2019). Ela é estudante de comunicação social da PUC-Rio, passou pela Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu, fez cursos de audiovisual, integrou o Coletivo Nuvem Negra e é fundadora do Afroflix, plataforma online que disponibiliza produções audiovisuais com pelo menos uma área de atuação técnica/artística assinada por uma pessoa negra. Atualmente trabalha como pesquisadora em política pública e comunicação, na Diretoria de Análises de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV-DAPP). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Sou escultora em tempo integral há cerca de cinco anos. Trabalho em argila de porcelana construída à mão, e meu trabalho frequentemente explora nosso relacionamento problemático com o ambiente natural. Comecei a estudar cerâmica nas aulas noturnas da escola de arte local e da faculdade comunitária logo depois de voltar de viver e viajar para o exterior na Índia e na Europa. Tenho mestrado em ensino de literatura inglesa e, no passado, produzi sites para empresas de alta tecnologia, ensinei inglês no ensino médio e trabalhei em um centro de retiro de meditação na Índia.
KATE MACDOWELL – A arte da escultora estadunidense Kate MacDowell, que trabalha com porcelana conceitual, fascinada em transformar o belo e o grotesco. Suas peças exploram a relação tensa e cada vez mais catastrófica entre a humanidade e a natureza, retratando o impacto sobre o meio ambiente, poluição tóxica e transgênicos. Ela leva o conceito destas questões ambientais e os funde com mitos, história da arte e outras referências culturais para alcançar essas peças de porcelana marcantes. Seu trabalho foi publicado em livros e periódicos, incluindo The New York Times, Sunday Magazine, Hi-Fructose, American Craft, Ceramics Monthly, Beautiful Bizarre, OK Periodicals (NL), Creative Review and Rooms (UK) e Hey! (Paris) entre outros. Seu trabalho foi apresentado no CD e na capa do álbum de Erasure, “Tomorrow's World”, e ela pode ser vista esculpindo em stop motion no áudio-vídeo oficial de uma música do álbum 'III' de Miike Snow. Veja mais aquiaqui.

PERNAMBUCULTURARTES
O premiado drama e suspense Aquarius (2016), de Kleber Mendonça Filho, conta com a atriz Sonia Braga no papel principal, contando a história de uma jornalista aposentada que defende seu apartamento, onde viveu a vida toda, do assédio de uma construtora. O plano é demolir o edifício Aquarius e dar lugar a um grande empreendimento. O filme é dividido em três capítulos: "O cabelo de Clara", "O amor de Clara" e "O câncer de Clara".
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A obra do filósofo, sociólogo e pedagogo Paulo Freire (1921-1997) aqui, aqui, aqui & aqui.
Iniciação à estética, do escritor, dramaturgo e ensaísta Ariano Suassuna (1927-2014) aqui & aqui.
A música do compositor, cantor e violonista Geraldo Azevedo aqui e aqui.
A poesia de Margarida de Mesquita aqui.
A série de aquarelas Palmares, da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez aqui.
O dicionário Tataritaritatá aqui, aqui, aqui & aqui.
&
O município de Jucati aqui & aqui.
 

sábado, fevereiro 03, 2018

IONESCO, TZARA, CIORAN, CARAGIALE, CELAN,MIRCEA ELIADE, EMINESCU, LIGIA MACOVEI, ENESCU, BRÂNCUȘI, PALLADY, LINDA MARIA BAROS, TATTARESCU & BUCARESTE

 
A arte do escultor romeno Constantin Brâncuși (1876–1957).

SONHO DE AMOR EM BUCARESTE – O que é de sonho, os encantos dela desassombrada a me levar não sei por onde. É sonho, só o que sei, o lugar estranho que ela parecia nativa espontânea e as garçonetes risonhas a nos saudar e eu levado por ela, aos beijos, voava sobre os casarões até as margens do lago no Parc Herastrau. Tudo muito lindo! Ali ela provocante de sempre, deitou minha cabeça ao seu colo, alisando minha pele e cabelos, como se ninasse para eu nunca acordar naquela manhã nem nunca mais, a me abraçar terna e afetuosamente para me fazer vivo para sempre nela, embalado por sua vitalidade sedutora. Surpreso, ela levantou-se, me tomou pela mão rumo incerto e a minha cabeça girava pelas ruas, Lipscan, Stavropoleos, nomes que nunca ouvira nem soubera, e me dizia de coisas dali que sequer ouvira, abriu-me os braços em plena Piata Revolutiei, beijou-me ardentemente, transpirante, seu corpo ao toque, em minhas mãos. Vamos! E eu seguia seus passos, as belas pernas andejas, pareciam voar na Piata Universitatii, no passeio às margens do rio Dâmbovita, inclinada, robusta, arfante e esbelta, eu à sua garupa, meus dedos alisando seu decote, sua pele de céu. Vamos pra Valáquia? Como eu poderia negar-me ao seu galope. Ou para a Moldávia? Sabia lá o que falava, só sabia que ela a minha montaria, atiçada, oferecida. Ah, vamos para a Transilvânia! E me levou pelas mãos aos ventos, errava o caminho pela Strada Lipscani, puxou-me às pressas pela Strada Smardan, ela luminescente, dada e minha. Parou de vez, virou-se resplandescente, olhos nos olhos inebriados, ah, ela radiante queria tomar um café na Cărtureşti Carusel, sabia lá o que ela queria, nem do que tencionava, eu não via nada, só a saia dela ao vento, a sua escultura corporal, a arte déco e a Bauhaus, o desejo renascia a cada gesto de sua carne nutrida deslizando suave sobre o chão daquela paragem estrangeira e onírica. Eu nela e ela, Romênia nua em mim. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aquiaqui.


A arte do pintor romeno Theodor Pallady (1871–1956)

DITOS & DESDITOSDevemos escrever para nós mesmos, é assim que poderemos chegar aos outros. O homem superior é aquele que cumpre sempre o seu dever. Não é a resposta que nos ilumina, mas sim a pergunta. Pensamento do patafísico e dramaturgo romeno, Eugène Ionesco (1909-1994). Veja mais aqui, aqui e aqui.

ALGUÉM FALOU: Sou tão triste e tão feliz que minhas lágrimas refletem o céu e o inferno com a mesma precisão. Pensamento do filósofo romeno Emil Cioran (1911-1995). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

MIRCEA ELIADE
A obra do filósofo, professor, cientista das religiões, mitólogo e romancista romeno Mircea Eliade (1997-1986) aqui e aqui.

UMA VELA DE PÁSCOA – [...] Às almas que facilmente vacilam, as ameaças doem mais do que as pancadas. [...] Se a casa não tivesse sido pilhada, podia-se pensar numa cruel vingança, ou num ato de loucura religiosa. Nos anais dos sectários iluminados contam-se às vezes tão absurdas e selvagens execuções! [...] O atavismo... o álcool com suas consequências patológicas... o vício de concepção... a deformação... o paludismo... e a nevrose! – Tantas e tantas conquistas da ciência moderna... mas o caso de regressão! [...] No “caso de regressão”, o condutor abre muito os olhos, onde brulha uma profunda admiração pelas conquistas da ciência moderna. [...] E o homem partiu lentamente para a colina de leste, como um viajante prudente que sabe que não se deve caminhar muito depressa para fazer uma longa jornada. Trechos de conto do escritor e dramaturgo romeno Ion Luca Caragiale (1852-1912).

DOIS POEMASDE AMOR E CIANETO!: Não me chame para sua casa, em seu sótão, / girando – como um descuidado gira! – / os botões do fogão, / para se livrar uma vez por todas / dos uivos de lobos velhos do forno, / dos seus cabelos, / que o cultiva incessantemente nos braços, / a noite, como os furúnculos, / os cigarros profundamente em sua carne. / Não me chame para sua casa, em seu sótão, / rachado – como um descuidado rachado! – / entre as barras da cama, / na porta, debaixo da bota, / sua tíbia e sua fíbula / – Ouço estalo em meu laptop – / como se estalasse / o rifle velho de caça de seu pai, / muito pesado para que você possa carregá-lo novamente, / depois que queimara os miolos / e, tendo espasmos, arrombou sua porta / a pontapés. / Não me chame para sua casa, em seu sótão, / que eu irei! / E arrancarei meu coração do tórax, / rasgarei com os dentes / e polvilharei sal / extraído com uma picareta / de minhas glândulas lacrimais / e o arremessarei / como se joga uma pedra de moinho, / para quebrar a sua tíbia e sua fíbula, / – em pedaços pequenos! – / de modo que os empilhem profundamente no forno / seu sopro de amoníaco / e dividi-la para sempre / sua cabeça de besta selvagem! NOITE EM MARSUPIUM: A auto-estrada lança os seus clarividentes por aqui. / Na escuridão, segundo o modelo do coração que dispara / contra os recrutas adormecidos no edredão de asfalto, / viajantes, também eles. / Em sonhos, distintas meninas os aleitam em marsupium. / A auto-estrada lança os seus clarividentes por aqui. / Segadores que partiram dos campos. / O capuz de erva foi-lhes colado selváticamente / na fronte, pelo canhão. / Eles escavam o sulco de asfalto / Segam as velas do nevoeiro / Entalham os corações sob o asfalto, fendem os marsupiums. / E em algum lado, não muito longe - como ervas / adormecidas na neve - / suspiram fatigados os recrutas e montam guarda / dormindo ao mesmo tempo / sobre longos pavimentos revestidos de gases. / E em algum lado, não muito longe, a grande noite / de nariz aplainado contra o asfalto / aperta-os na sua rede / como um colete de forças. / Os segadores partiram há muito tempo dos campos. / O capuz de erva cai sobre os olhos dos recrutas. / Como um marsupium. / Distintas meninas os aleitaram muito à sua vontade. / Os recrutas já subiram a costa, / levam no dorso o edredão de asfalto, / o capuz de alcatrão. / A noite escoa-se. Cala-se o canhão. / A auto-estrada empurra os seus clarividentes por aqui. Poemas da poeta, tradutora e ensaísta romena Linda Maria Baros.

A POESIA
A poesia do poeta ucraniano-francês Paul Celan (1920-1970) aqui
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A poesia do poeta romeno Mihai Eminescu (1850-1889) aqui
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A poesia do poeta e ensaísta romeno Tristan Tzara (1896-1963) aqui, aqui & aqui.

A ARTE DE LIGIA MACOVEI
A arte da artista gráfica, pintora e colecionadora de arte romena Ligia Macovei.

A MÚSICA
Curtindo a música do compositor, violinista, pianista, maestro e professor romeno George Enescu (1881-1955), da compositora e pianista romena Adriana Hölszky, da cantora, compositor, dançarina e modelo romena Andreea Banica & da cantora, produtora, compositora e DJ romena Vika Jigulina.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor romeno Gheorghe Tattarescu (1818-1894).
Veja mais aqui.
 

DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...