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terça-feira, novembro 01, 2022

ALDA MERINI, ELIANE BRUM, ILONA GUITAR & ATELIÊ VIRTUAL

 

 Ao som do Prelude nº 1, de Heitor Villa-Lobos, na interpretação da violonista polonesa Ilona Guitar.

 

TRÍPTICO DQP: - Quando o Sol e os escombros... - Ufa! Uma e outra vez flui o rio pro mar. Já era tempo ouvia Primo Levi: A intolerância tende a censurar, e a censura promove a ignorância dos argumentos dos outros e, portanto, a própria intolerância: um círculo vicioso e rígido que é difícil de quebrar... E isso doía na quebrada dos últimos anos, como aquele verso do Georg Trakl: A neve negra que escorre dos telhados; / Um dedo vermelho mergulha em sua testa / Flocos azuis afundam no quarto vazio, / Estes são os espelhos mortos dos amantes... Impossivel ignorar que antes foi o golpe e depois emergiu a caquistocracia: os sobressaltos tudo outra vez e batiam cabeça como se o perigo não passasse nem tão cedo– o que esperar de Fabos-cabeças-de-fósforos se eles são irredutíveis no Fecamepa? E com eles a pandemia: estúpidos por conta própria com as suas ucronias pelos alto-falantes, tão inquietante quanto claustrofóbicos, do desagradável ao intolerável - qual calibre da guilhotina e as reprises de pólvora, a bofetada sem revide. E conseguem manter com suas baforadas o ar fétido do mundo a franzir o cenho à careta do que desagradavam porque odeiam aflato e vagido, quando pararão de se debater, ninguém sabe – e entre eles, desde que não fizessem às claras e nem assustassem as crianças. Ora, ora. Nem todo mundo é carrasco, nem todo mundo é só do contra porque verdugo e antipático são quase senão os mesmos. Só conseguia ouvir ao meu lado a Eliane Brum: Há realidades que só a ficção suporta... Não adiem os começos, porque o fim já está dado... Era como se só restasse pedir demissão da humanidade, chovendo por dentro entre o sombrio e a existência, os corpos e a morte. A torcida era para que aparecesse um vaqueiro bom pra botar essa boiada espalhada no seu devido curral. Entretons e eutopias, eu me dizia: a vida é necessária como toda arte é política. Graças! Agora parece podermos respirar um pouco mais aliviado porque esta cidade não pertence a ninguém, nem a bandeira é só para energúmenos. Caminho longo pela frente, ainda bem que a estrela brilhou com teor de remissão e alumiando a estrada. Lavei a alma. Prossigamos, enquanto o Sol e os escombros...

 


Ateliê Virtual – A ideia foi do Rubens Cunha Lima, sugestão logo acatada por todos, até pra encampar bloco carnavalesco num desfile geral – troça essa que faria questão de compor mais um frevo! Vambora. Logo a Cibele Carneiro tomou as rédeas das providências e foi arrumando tudinho enquanto sapecava artes. Não demorou muito e lá estávamos todos prontos para trocar ideias. De chapa o Ricardo Aidar trouxe a arte do centenário Pierre Soulages e desafiou a gente pruma pesquisa aprofundada a respeito - – afora mostrar dois quadros de sua autoria que me trouxeram de volta a Intromissão do verbo. A Solange Pinheiro não ficou de fora e me sugeriu logo o Vik Muniz, enquanto a inquieta Márcia Gebara arrumava uma Feira de Livros duma escola. E todas as quintas desde as instruções dos adoráveis professores Renata Sant'Anna de Godoy Pereira, Evandro Nicolau & Maria Angela Serri Francoio. Daí deu-se a organização do nosso ateliê. E eu que não passava dum caçula desenhador, logo me vi parceiro na empreitada. Simbora com aquela sensação do Paul Celan entre o complexo e o complicado: A poesia é uma espécie de regresso a casa... Havia terra dentro deles, e eles cavaram... Eles me curaram em pedaços. E o que de bom vai adiante, rumbora!

 


Hic et Nunc... - Curiosamente ocorrera comigo o que foi narrado um dia por Middleton: Alguém se aproximou para me entregar um folheto e uma recomendação: não é pra qualquer um. Sim? Reiterou: Só para pessoas especiais. Intrigado, abri o comunicado. Atento, descobri: lá estava inscrita oferta de serviços funerários. Hem? Ao levantar as vistas para indagar a respeito, não havia ninguém: será a trama do xadrez dele? Fiquei só com o distante eco dos antepassados revividos que emergiam no meio das ruas. Era como se me chamassem pelo nome e eu sabia: a tragédia na geral. Mas a mim que haviam tumultuado. Sei que tudo é para ser experimentado: diferentes cotidianos, o aqui dentro e o lá fora. O bom foi a surpresa de Alda Merini: Estamos com fome de ternura, em um mundo onde tudo é abundante que somos pobres desse sentimento que é como uma carícia para o nosso coração que precisamos desses pequenos gestos. Faça-nos sentir boa ternura é um amor desinteressado e generoso, que não pede mais nada para ser entendido e apreciado... O que me deu agora ou depois, respirar fundo o pó da estrada: sempre o inesperado, como se eu dissesse noutro tempo verbal: não há nada melhor, nem há outra escolha. Amanhã já é outro, feliz de quem vive e possa morrer em paz. Não é de hoje, só agora vale mais. Até mais ver.


 

Outro dia mexendo em uma livraria, estarrecido encontrei a cartilha Caminho Suave, a mesma em que fui alfabetizado quarenta e tantos anos atrás. Alguma coisa está errada. As crianças mudaram muito nesses anos, enquanto a educação deu pequenos passos adiante. Pequenos passos mais voltados para a estatística, que para o conteúdo. O futuro será péssimo, pois daqui a 10 anos entre essas crianças que chegam a 5ª série sem saber ler e escrever, estarão os futuros educadores...

Trecho extraído da apresentação da obra Domínio público – literatura em quadrinhos (Funcultura, 2006), do arquiteto, editor e presidente do Instituto do Memorial de Artes Gráficas do Brasil (IMAG), Gualberto Costa. Veja mais Educação & Livroterapia aqui & aqui.




 


domingo, dezembro 17, 2017

RUBEM FONSECA, FAYGA OSTROWER, HUIZINGA, ELIAS JOSÉ, LIEBLING, MARLENE DUMAS, LITERÓTICA, QUADRINHOS, SKETCBOOKS, LIVROS BRINCARTE & CANTARAU TATARITARITATÁ!

A arte da artista sul-africana Marlene Dumas. Veja mais aqui.

LITERÓTICA: CHEGADA - Ela vem nua e linda com os olhos que roubam a minha vida. Nua e linda ela vem e veio como quem havia de alcançar a última esperança perdida. E eu a tomei tão contida como quem chega de um fiapo de luz e se faz de bem acolhido com a querência de terra revolta no ventre pegando fogo, lábios tremendo de rogo, o sexo de fora e o olhar de desmaio, os desejos todos num balaio com relevos da carne de peitinhos empinados e nenhuma rédea no juízo. E nua e linda chegou com gosto de saudade. De lembrança de coisas guardadas e sentidas. Chegou pronta para ser servida, nua e linda, querente, requerente, quente de pegar fogo, boca aberta, língua de fora, ah, felação, engolia a minha vida e o que restava de mim, ávido guerreiro, espada luminosa e pulsante nas estrelas do céu da sua boca, garganta gulosa, lambidas e sugadas, ah, era ela, tudo dela, louca lambuzada, fruta boa para ela pronta para a montaria, amazona nua, trotando aos raios dos cabelos soltos, fera abatida, irrequieta, vingativa, aos pulos e trepadas, ah, tudo dela, inteiro dentro, gozo afora. Até arriar mansa, vencida. Chegou e ficou resolvida a morar pro resto da vida dentro de mim. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aquiaqui. 


DITOS & DESDITOSAs pessoas não param de confundir com noticias o que lêem nos jornais. Pensamento do jornalista estadunidense Abbott Joseph Liebling (1904-1963).

ALGUÉM FALOU: Nunca terminamos uma obra, simplesmente somos obrigados a abandoná-la. Pensamento do escritor e roteirista de cinema Rubem Fonseca. Veja mais aqui.

CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL – [...] Esta herança secular chamada civilização ocidental foi-nos confiada para a transmissão às futuras gerações, preservada, protegida, se for possivel, enriquecida e melhorada; empobrecida se assim tivber de ser; em qualquer dos casos, tão pura quanto nos é possivel conservá-la. A fé no trabalho, a crença na possibilidade de salvação e a coragem para a conseguirmos, ninguém nos poderá privar de tudo isso. Pouco importa quem irá colher os frutos dos nossos suores. [...] A obra continua [...]. Trechos extraídos da obra Nas sombras do amanhã: diagnóstico da enfermidade espiritual do nosso tempo (Armênio Amado, 1944), do professor e historiador neerlandês Johan Huizinga (1872-1945). Veja mais aqui e aqui.

CRIATIVIDADE & PROCESSO DE CRIAÇÃO - [...] a criação é um perene desdobramento e uma perene reestruturação. É uma intensificação da vida. Não haveria como compreender de outro modo o curso de crescimento nos grandes artistas. Sua capacidade de se tornar mais amplos e de uma simplicidade no sentido de uma redução ou eliminação. Trata-se de um adensamento, onde nada fica perdido e tudo é reelaborado com mais coerencia e maior multiplicidade. [...] Trecho extraído da obra Criatividade e processos de criação (Vozes, 2002), da pintora, gravadora, desenhista, ilustradora, professor e teórica de arte brasileira nascida na Polônia, Fayga Ostrower (1920-2001), trazendo um referencial da arte com temática interdisciplinar e encarando a criatividade como um potencial próprio de todos os humanos, notadamente quanto aos processos criativos que em geral importam, tais como percepção, formas, intuição e imaginação, assim como o crescimento e a maturidade das pessoas. Veja mais aqui e aqui.

O BILHETE DE AMOR - Logo que colocou os objetos embaixo da carteira Pitu encontrou o bilhete. Leu, ficou vermelho, colocou no bolso, não mostrou pra ninguém. De vez em quando, mordia-lhe uma curiosidade grande, uma vontade de reler pra ter certeza. Era uma revelação que ele não estava esperando. Não podia dizer que estivesse achando ruim, pelo contrário... ele estava com vontade de olhar pra trás, para procurar uma resposta com o olhar. Era um tímido e não encorajava. A professora explicava num mapa as regiões do Brasil e ele viajava num rumo diferente. Ainda bem que ela não estava olhando para ele, nem fazendo perguntas, só estava expondo a matéria. Na hora da verificação, acabaria saindo-se mal. Não gostava de ignorar as coisas perguntadas. Estava meio perdido nos pensamentos confusos. O bilhete queimando no bolso. Interessante, não era um bilhete bem escrito, tinha até erro de Português – porque a curiosidade? Só ele sabia dele, não foi como no dia do correio-elegante, pai, mãe e seu Francisco do armazém querendo saber, dando palpites, agora, tinha um bilhete que trazia uma declaração de amor e uma assinatura. Trazia mais: um convite para um bate-papo na praça, às duas horas, se ele quisesse namorar de verdade. Marina era bonitinha, ele queria. Faltava-lhe jeito de dizer, tinha que escrever um bilhete respondendo, era mais fácil. No intervalo, escreveu o bilhete, fechado no banheiro. Quando ela chegou, a resposta esperava na carteira. Quase no fim da aula, ele criou força e olhou para trás. Marina sorria, confirmando. Ele sorria também. Os dois estavam vivendo uma ternura primeira e não sabiam escondê-la mais. Tanto assim que a professora pediu que ele virasse para frente, observasse o que ela estava pedindo pra pesquisa do fim de semana. Naquele fim de semana, ele iria pesquisar alguma coisa nova que não tinha experimentado, como alguns outros da sua idade e turma. Conto extraído da obra As curtições de Pitu (Melhoramentos, 1976), do escritor Elias José (1936-2008).



SKETCHBOOKS - A obra Sketcbooks: as páginas desconhecidas do processo criativo (Ipsis. 2010), de Cesar Almeida & Roger Barreto, reúne o trabalho desenvolvido por Alarcão, Alex Hornest, Amanda Grazini, Angeli, Artur D’Araujo, Bruno Kurru, Carla Caffé, Claudio Gil, Eduardo Berliner, Eduardo Recife, Elisa Sassi, Fernanda Guedes, Guto Lacaz, Hiro Kawahara, Kako D'Angelo, Kiko Farkas, Leo Gibran, Lollo, Lourenço Mutarelli, Montalvo Machado, Mulheres Barbadas (Henrique Lima e Julio Zukerman), Orlando, Rafael Grampá, Roger Cruz, Titi Freak e Yomar Augusto.

HISTÓRIA EM QUADRINHOS – A obra Dominio público: literatura em quadrinhos (Organizadores, 2006), organizada por Christiano Mascaro, João Lin e Mário Hélio, reúne em quadrinhos as histórias de Bram Stoker, Richard Middleton, Isaac Babel, Guy de Maupassant, Esopo e Henrich von Kleist, por quadrinistas como Gabriel Goes, Samuel Casal, Mascaro, João Lin, Fernando Lopes e Guazzelli. Veja mais aqui. Veja mais aqui e aqui.

A IDENTIDADE COMO INTERPRETAÇÃO
Mesmo quando pinto um ser vivo, crio sempre apenas uma imagem, uma coisa, não um ser humano.
A arte da artista sul-africana Marlene Dumas. Veja mais aqui.


LIVROS PRAS CRIANÇAS

Todo dia é dia de presentear livros pras crianças!
Veja detalhes aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá!!!
Veja mais aqui.
&
CANTARAU TATARITARITATÁ
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quarta-feira, março 22, 2017

JORGE BEN JOR, HÉLIO OITICICA, FORREST ACKERMAN, ELIANE QUEIROZ AUER, LIA KOSTA, FABOS & CHATOS

O CORDÃO DOS A FAVOR & OS DO CONTRA – Desde que me entendo por gente que a coisa é assim, esteja certo ou errado, sempre houve aquela da predileção definindo os favoráveis aos empreendimentos individuais legítimos ou ilegítimos de cada um, como também aqueles que se apresentam obstaculizando tudo que for de idéia ou intenção no que quer que seja. De um lado, ditos os meus; e, do outro, os arreda. O quinhão dos a favor é formado pela turma que dá corda e chega junto, seja nas iniciativas promissoras ou ridículas, sempre apoiando e empurrando o premiado pro pódium ou pro abismo, inarredável suporte para qualquer ocasião. Entre estes estão os familiares – mesmo os arengueiros e intrigados que na horagá se juntam na tuia -, os parentes, achegados e simpatizantes. Normalmente constituído pela consanguinidade independente de litígios cabeludos de uma parentalha formada por um cordão de guaiamum que dá volta em não sei quantas famílias, e por uma legião de babaovo que nunca mais tem fim no reino da politicalha. Este é considerado o lado do bem e só esses são os bons, tanto que vale a máxima: aos amigos tudo! Isso equivale apoio nos atos lícitos e ilícitos, proteção e todo tipo de privilégio acima ou abaixo da lei, sempre em detrimento dos que estão fora da corriola. Quer queira, quer não, embaixo da asa de algum patriarca poderoso ou arrimo de família proeminente – leia-se: bastante endinheirado -, há sempre o paternalismo que vai desde o compadrio de primeiro ao centésimo grau de parentesco, até o fisiologismo de toda e qualquer natureza. Esse é um lado; o outro é a facção do contra que é composta pelos inimigos figadais e os adversários que, no frigir dos ovos, são uma bosta só, como sendo aqueles que caíram na desgraça da antipatia por velha rixa oriunda de uma questiúncula que virou desavença e se alimenta de hostilidades e outras tantas maledicências mútuas. São aqueles que compõem o lado do mal e, para eles, o complemento da máxima: os rigores da lei! De preferência com cruzetas, blasfêmias, infâmias e ardis que redundem deles queimarem nos quintos dos infernos de cabeça pra baixo – ou seja, quanto pior, melhor. Ou, ainda: santo que não me ajuda pode cair da parede. Afora esses dois, ainda tem os neutros, ou seja, os que nem são do lado que se acha do bom, muito menos dos que são tratados por maus, são aqueles que se encontram em cima do muro ou os que não fedem nem catingam. Entre esses estão aqueles que pendem prum lado sempre que as circunstâncias são convenientes, ou seja, os aproveitadores e oportunistas que debandam pro lado vencedor, engrossando as panelinhas e os clubes do Bolinha ou da Luluzinha. Basta que um ou outro arrote supremacia sobre o seu algoz e alcance maior poder, basta isso, e a ruma dos lambecus corre pra guarida do lado mais robustecido para ali ficar na sombra e água fresca. São esses os homúnculos mais conhecidos por Fabos, aqueles que formam a trupe dos sequazes na formação da claque para aplaudir honrarias e desatinos, até que um deles se lasque pro outro emergir salvador da pátria sob aplausos e apoio total dos que antes estavam do lado oposto. O que todos gostam mesmo é de ver o circo pegar fogo pra torcer pelo leão. Pois é, assim foi e é até os dias de hoje. Como já vi das tantas e muitas, no reino do Fecamepa a coisa sempre se repete: um passo pro avanço sem conseguir escapar do sisifismo, porque os sabidos sempre se ocuparam em embananar tudo dando uns dois mil e quinhentos passos de retrocesso, a ponto de retornar ao pior que antes. Graças a eles, salve, a meleca faz sempre festa. Agora a pergunta que não quer calar: quem é que paga o pato, hem? Vamos aprumar a conversa. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

Curtindo os álbuns Tábua de Esmeralda (Phillips, 1974), Energia (1992), World Dance (Warner, 1995) e Acústico MTV (2002), do músico e compositor Jorge Ben Jor. Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
O reino das águas aqui.

E mais:
Eu nasci entre um rio e um riso de mulher aqui e aqui.
Cantando às margens do Una aqui.
A correnteza do rio me ensinou a nadar aqui.
Penedo, às margens do São Francisco aqui.
Sou deste chão como a terra, o fogo, a água e o ar, André Gide, Brian Smith, Friedrich Hundertwasser & Carol Andrade aqui.
O que era Mata Atlântica quando asfalto que mata, António Salvado, João Parahyba, Don Dixon & Nini Theiladetheilade aqui.
Existe gente pra tudo, Os Apinajé, Harriet Hosmer, Josefina de Vasconcelos, Anelis Assumpção & Banksy aqui.
Rascunho solitário, Edino Krieger, Arturo Ambrogi, Jean-Baptiste Camille Corot & Jim Thompson aqui.
Centenário de Hermilo Borba Filho, Orquestra Armorial & Cussy de Almeida, Augusto Boal, Joshua Reynolds, Ginofagia & Sedução aqui.
As águas de Alvoradinha, Bhagwan Shree Rajneesh, Milan Kundera, Endimião & Selene, Jorge Ben Jor, Anatol Rosenfeld, Lena Olin, Anthony van Dyck, Teco Seade,:Socorro Cunha & João Lins aqui.
O monge e o executivo de James Hunter, Neuropsicologia, Ressocialização penal, Psicologia escolar & educacional aqui.
Sexualidade na terceira idade aqui.
Homossexualidade & educação sexual aqui.
Globalização, Educação & Formação Pedagógica, Direito Constitucional Ambiental & Psicologia Escolar aqui.
Homofobia, Sexualidade, Bissexualidade & Educação para as diferenças aqui.
A literatura de Goethe aqui, aqui, aqui & aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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A arte experimental do pintor, escultor, artista plástico e performático de aspirações anarquistas Hélio Oiticica (1937-1980).

DESTAQUE: ELIANE QUEIROZ AUER
Os livros de poesias Noites Poéticas (CBJE, 2013) e Quando os sinos tocam (Recanto das Letras, 2016), da poeta, pedagoga e especialista em Educação, Eliane Queiroz Auer. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Vampirella, personagem das histórias em quadrinho criadas pelo escritor, editor e agente literário estadunidense Forrest J. Ackerman (1916-2008).
Veja mais aquiaqui e aqui.

DEDICATÓRIA:
A edição de hoje é dedicada à locutora, radialista, atriz e apresentadora de televisão Lia Kosta.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Dia Mundial da Água!
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.
 

sábado, março 14, 2015

SILVA JARDIM, AVENTUREIROS DO UNA, EUGÊNIA CÂMARA & CASTRO ALVES


AVENTUREIROS DO UNA – A minha primeira coleção na vida foi a de gibi. Menino, ainda, eu viajava nos quadrinhos dos super-heróis e, sobretudo, entre os livros de Monteiro Lobato e Maurício de Souza com a Turma da Mônica. Adolescente eu tinha sacos e sacos cheínhos deles. Até que um dia resolvi eu mesmo produzir o meu. E isso só foi possível por causa da parceria com o artista plástico e ator Rolandry Silvério: Os aventureiros do Una.  E como hoje é o Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos, impossível não dar uma repassada na minha infância e nessa aventura que me levou pra Literatura. Veja mais aqui, aquiaqui e aqui.

Imagem: Reclining nude, do pintor francês Jules Joseph Lefebvre (1838-1911)

Ouvindo os Preludes op. 32, 9 e op. 23 (Deutsche Grammophon, 1970), do compositor, pianista e maestro do Romantismo russo Sergei Rachmaninoff (1873-1943), na interpretação da pianista brasileira Yara Bernette (1920-2002). Veja mais aqui, aqui e aqui. 

SILVA JARDIM EM PALMARESNo dia 12 de junho de 1889, o advogado, jornalista e ativista abolicionista Antonio da Silva Jardim (1860-1891), embarcou no mesmo navio em que viajava o conde D’Eu, com propósitos opostos. Enquanto o conde viajava ao norte para propagandear a monarquia e um possível terceiro reinado, o abolicionista o acompanhava até Pernambuco, que então era “o centro do Norte” para levar a sua palavra republicana e abolicionista. Em suas memórias ele narra toda sua a viagem, com uma parada no dia 16, em Salvador, local que quase lhe custou a vida, ameaçado por membros da Guarda Negra. Seguiu então para Maceió, onde teve uma recepção tranquila. Foi para Pernambuco, quase no final do mês, com apoio dos republicanos locais, Anibal Falcão e José Isidoro Martins Junior. Foi quando, então, ele fez uma conferência em Palmares, local em que se surpreendeu pela recepção dos membros do Club Literário. Na ocasião, enquanto discursava, os escravocratas presentes disfarçados por liberais, se reuniram em um canto, deixando suas esposas atentas às palavras do orador. Ele empolgou-se, então, com a participativa interlocução das senhoras, que ali dialogaram, fazendo-o estender até altas horas. Ao término da explanação, ele foi indagado qual a impressão que tirara da localidade, ao que respondeu entusiasmado: “Palmares é canção da natureza!”. Depois seguiu ele para outras conferências em Nazaré (atual Nazaré da Mata), Olinda, Escada e Vitória (atual Vitória de Santo Antão). Ao chegar no Recife, a completa ausência de segurança alegada pelo chefe da polícia, o fez suspender um comício programado, optando por um manifesto de protesto contra a monarquia. Regressou então e manteve-se ativamente nos movimentos republicanos e abolicionistas Brasil afora por todo ano seguinte. Em 1891, completara ele 30 anos de idade, e resolvera viajar pela Europa. No meio do passeio, ele resolveu visitar Pompéia, na Itália, curioso por conhecer o vulcão Vesúvio, mesmo sob a ameaça de que poderia entrar em erupção a qualquer momento. Assim foi e, maravilhado com a vista, ele foi tragado por uma fenda que se abriu na cratera da montanha. O acidente foi noticiado numa reportagem de 30 de julho de 1891, publicada pelo jornal A Pátria Mineira, da cidade de São João Del Rei, dando por conta do seu falecimento, relatado pelo jornalista Joaquim Carneiro Mendonça, que também o acompanhava e teria se ferido quando engolido pela fenda, mas salvo pelo guia turístico. A fonte da informação foi dada por Xavier de Carvalho, publicada pela Carta Parisiense. FONTE: JARDIM, A. Silva. Memórias e viagens: Campanha de um propagandista 1887-1890 (2 volumes). Rio de Janeiro: Companhia Nacional, 1891.

 

O OLHO E O ESPÍRITO
– Na obra O olho e o espírito (L’oeil et l’esprit – Veja, 1997), o filósofo fenomenólogo francês Maurice Merleau-Ponty (1908-1961) trata acerca do vivente no mundo na condição de vidente e visível do eu vejo e do eu posso, relacionada à pintura, valorizando a atividade do artista plástico não diferenciando o vidente do visível, o eu do mundo, nem o sujeito do objeto. Aborda também sobre o racionalismo e Descartes, criticando a ingenuidade da ciência no início do séc. XX pela reprodução dos fenômenos nos laboratórios. Desse livro destaco o trecho: A ciência manipula as coisas e renuncia a habitá-Ias. Fabrica para si modelos internos delas e, operando sobre esses índices ou variáveis as transformações permitidas por sua definição, só de longe em longe se defronta com o mundo atual. Ela é, sempre foi, esse pensamento admiravelmente ativo, engenhoso, desenvolto, esse parti pris de tratar todo ser como "objeto em geral", isto é, a um tempo como se ele nada fosse para nós, e, no entanto, se achasse predestinado aos nossos artifícios. Mas a ciência clássica guardava o sentimento da opacidade do mundo, era a este que ela pretendia juntar-se por suas construções, e por isto é que se acreditava obrigada a procurar para suas operações um fundamento transcendente ou transcendental. Há, hoje em dia –não na ciência, e sim numa filosofia das ciências assaz difundida -, isto de inteiramente novo: que a prática construtiva se toma e se dá por autônoma, e que o pensamento deliberadamente se reduz ao conjunto das técnicas de tomada ou de captação, que ele inventa. Pensar é ensaiar, operar, transformar, sob a única reserva de um controle experimental onde só intervêm fenômenos altamente "trabalhados", e que os nossos aparelhos produzem, em vez de registrá-los. Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

O POETA & VENDAVAL MARAVILHOSO – O poeta baiano Castro Alves (1847-1871), entre a poesia e a vida, se apaixonando em 1866, durante a apresentação da atriz de teatro, poeta e tradutora portuguesa Eugênia Câmara (1837-1874) no Teatro Santa Isabel, em Recife. Com ela teve uma relação que durou até 1868. Esse relacionamento recebeu duas adaptações para o cinema; A primeira, O Poeta (1939); a segunda, o filme luso-brasileiro Vendaval Maravilhoso (1949), com roteiro de Joracy Camargo, Osório de Almeida e do diretor José Leitão de Barros, com a atriz e cantora portuguesa Amália Rodrigues interpretando Eugênia Câmara e o ator Paulo Maurício como Castro Alves. Ele dedicou-lhe duas poesias recolhidas das Poesias Completas de Castro Alves (Spiker, s/d), a primeira no livro Hinos do Equador: Ainda uma vez tu brilhas sobre o palco, / ainda uma vez eu venho te saudar... / também o povo vem rolando aplausos / às tuas plantas mil troféus lançar!... / Após a noite, que passou sombria / a estrela d´alva pelo céu rasgou / errante estrela, se lutaste um dia, / vê como o povo o teu sofrer pagou... / Lutar!... que importa, se afinal venceste? / Chorar!... que importa, se afinal sorris? / A tempestade se não rompe a estátua / lava-lhe os pés e a triunfal cerviz. / Ouve o aplauso deste povo imenso, / lava, que irrompe do popular vulcão? / É o bronze rubro, que ao fundir dos bustos... / referve ardente do porvir na mão. / O povo... o povo... é um juiz severo, / maldiz as trevas, abençoa a luz... / sentiu teu gênio e rebramiu soberbo: / - Pra ti altares, não do poste a cruz. / Que queres? Ouve! – são mil palmas férvidas, / Olha! – é o delírio, que prorrompe audaz / Pisa! – são flores, que tu tens às plantas / toca na fronte – coroada estás. / Descansa, pois, como o condor nos Andes, / pairando altivo sobre terra e mar / pousa nas nuvens pra arrogante em breve / distante... longe... mais além voar. A segunda, recolhidas entre as inéditas do volume, com o título de À atriz Eugênia Câmara (No dia seguinte ao de uma vaia sofrida no Teatro Santa Isabel, em Recife): Hoje estamos unidos a adorar-te, / tu é a nossa gloria, a nossa fé, / gravitar para ti é levantar-se, / cair-te às plantas é ficar de pé! / Ontem a infâmia te cobriu de lama / mas para insultar-te se cobriu de pó!... / Miseráveis que ferem a fraqueza / de uma pobre mulher inerme, só! / Tu és tão grande como é grande o gênio, / és tão brilhante como a própria luz, / dentre os infames do calvário d´arte, / tu foste o Cristo, foi o palco a cruz!.../ Mas estamos unidos a adorar-te! / Tu és a nossa gloria, a nossa fé! / Gravitar para ti é levantar-se, / cair-te às plantas é ficar de pé! Veja mais aqui, aquiaqui e aqui.

DA SALVAÇÃO DA PÁTRIA – No livro O ato e o fato: crônicas políticas (Civilização Brasileira, 1964), do escritor, jornalista e membro da Academia Brasileira de Letras, Carlos Heitor Cony, encontrei essa primorosa crônica, Da salvação da pátria: Posto em sossego por uma cirurgia e suas complicações, eis que o sossego subitamente se transforma em desassossego: minha filha surge esbaforida dizendo que há revolução na rua. Apesar da ordem médica, decido interromper o sossego e assuntar: ali no Posto 6, segundo me afirmam, há briga e morte. Confiando estupidamente no patriotismo e nos sadios princípios que norteiam as nossas gloriosas Forças Armadas, lá vou eu, trôpego e atordoado, ver o povo e a história que ali, em minhas barbas, está sendo feita. E vejo. Vejo um heróico general, à paisana, comandar alguns rapazes naquilo que mais tarde o repórter da TV-Rio chamou de “gloriosa barricada”. Os rapazes arrancam bancos e árvores. Impedem o cruzamento da Avenida Atlântica com a Rua Joaquim Nabuco. Mas o general destina-se à missão mais importante e gloriosa: apanha dois paralelepípedos e concentra-se na brava façanha de colocar um em cima do outro. Estou impossibilitado de ajudar os gloriosos herdeiros de Caxias, mas vendo o general em tarefa aparentemente tão insignificante, chego-me a ele e antes de oferecer meus préstimos patrióticos, pergunto para que servem aqueles paralelepípedos tão sabiamente colocados um sobre o outro. – General, para que é isto? O intrépido soldado não se dignou olhar-me. Rosna, modestamente: – Isso é para impedir os tanques do I Exército! Apesar de oficial da Reserva – ou talvez por isso mesmo – sempre nutri profunda e inarredável ignorância em assuntos militares. Acreditava, até então, que dificilmente se deteria todo um Exército com dois paralelepípedos ali na esquina da rua onde moro. Não digo nem pergunto mais nada. Retiro-me à minha estúpida ignorância. Qual não é meu pasmo quando, dali a pouco, em companhia do bardo Carlos Drummond de Andrade, que descera à rua para saber o que se passava, ouço pelo rádio que os dois paralelepípedos do general foram eficazes: o I Exército, em sabendo que havia tão sólida resistência, desistiu do vexame: aderiu aos que se chamavam de rebeldes. Nessa altura, há confusão na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, pois ninguém sabe ao certo o que significa “aderir aos rebeldes”. A confusão é rápida. Não há rebeldes e todos, rebeldes ou não, aderem, que a natural tendência da humana espécie é aderir. Os rapazes de Copacabana, belos espécimes: de nossa sadia juventude, bem nutridos, bem fumados, bem motorizados, erguem o general em triunfo. Vejo o bravo cabo-de-guerra passar em glória sobre minha cabeça. Olho o chão. Por acaso ou não, os dois paralelepípedos lá estão, intatos, invencidos, um em cima do outro. Vou lá perto, com a ponta do sapato tento derrubá-los. É coisa relativamente fácil. Das janelas, cai papel picado. Senhoras pias exibem seus pios e alvacentos lençóis, em sinal de vitória. Um cadillac conversível pára perto do “Six” e surge uma bandeira nacional. Cantam o Hino também Nacional e declaram todos que a Pátria está salva. Minha filha, ao meu lado, exige uma explicação para aquilo tudo. – É carnaval, papai ? – Não. – É campeonato do mundo? – Também não. Ela fica sem saber o que é. E eu também fico. Recolho-me ao sossego e sinto na boca um gosto azedo de covardia. Veja mais aqui, aquiaqui.


TROIA – O épico de guerra Troy (Troia, 2004), do diretor e roteirista alemão Wolfgang Petersen, música de James Horner e roteiro de David Benioff, é baseado na obra Ilíada, do poeta grego Homero. Entre as estrelas do filme destaco a atriz alemã Diane Kruger por sua interpretação de Helena de Troia; Veja mais aqui.



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