sábado, novembro 05, 2016

TUDO PASSA PRA QUEM NÃO SABE O DESPREZADO


TUDO PASSA PRA QUEM NÃO SABE O DESPREZADO (Imagens da artista plástica tcheca radicada no Canadá, Martina Shapiro)- Andejo errante eu vou, pele curtida e poeira na alma. Viandante do tempo entre o inóspito das multidões e o acolhimento das pedras, pelo aluguel de esperanças e vendas de felicidade nas casas de festejos e aleleuias, entre o disfarce do afeto e o abraço da dissimulação. Eu vou e se me acusam de pecados ou crimes que não cometi, pouco importa, admito minha culpa pelo que amei e tenho amado; pelo que sonhei sem ter realizado; pelo que errei e tenho errado. A minha insônia é maior que a noite escura de estrelas ocultas e aspirações prementes. Andarilho indômito entre a fome de tudo e o incomestível das ofertas promocionais que rebuçam com seus tentáculos levianos. Tudo tão vivo no ermo da solidão. A fome nas entranhas, a fruta no pé: a distância entre o sedento e o saciado, a saliva abundante pelo sumarento ao alcance da mão. Descasco com unhas e albedo nos dentes, uma, duas, mais frutas cítricas espremidas na chupada pra cuspir a pevide que foi semente e formou raiz entrincheirada no chão, olhou na terra o talo ao caule que avulta tronco em ramos pros galhos e folhas que dão fruto à mão e matam a minha fome e a minha sede. Tão solitária quanto eu, ela me faz o bem que nem sabe. Por ser de graça é desimportante, valeu só ali, foi e não é mais: a minha ingratidão. Daqui a pouco nem lembrarei mais nada, mais um entre os esquecidos que ignoram a bênção, nem tributam, sequer mera gratidão. Pra quem esqueceu o útero materno, a valia é só o momento de apuro e a precisão: a fantasia infantil, o arroubo adolescido e o açodamento adulto. Tudo passa pra quem não sabe o desprezado. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

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DESTAQUE: A FENOMENOLOGIA DA PERCEPÇÃO
[...] Não precisamos temer que nossas escolhas ou nossas ações restrinjam nossa liberdade, já que apenas a escolha e a ação nos liberam de nossas âncoras. [...] existe essa pessoa amada diante de ti, há estes homens que existem como escravos em torno de ti, e tua liberdade não pode querer-se sem sair de sua singularidade e sem querer a liberdade. Quer se trate das coisas ou das situações históricas, a filosofia não tem outra função senão a de tornar a nos ensinar a vê-las bem, e é verdadeiro dizer que ela se realiza destruindo-se como filosofia separada. Mas é aqui que é preciso se calar, pois apenas o herói vive até o fim sua relação com os homens e com o mundo, e não convém que um outro fale em seu nome. Teu filho está preso no incêndio, tu o salvarás... Se há um obstáculo, venderias teu braço por um auxílio. Tu habitas em teu próprio ato. Teu ato é tu... Tu te transformas... Tua significação se mostra, ofuscante. Este é teu dever, é tua raiva, é teu amor, é tua fidelidade, é tua invenção... O homem é só um laço de relações, apenas as relações contam para o homem.
Trechos extraídos da obra Fenomenologia da percepção (Martins Fontes, 1999), do psicólogo e filósofo fenomenólogo francês Maurice Merleau-Ponty (1908-1961), tratando ser essencial captar a percepção viva e em via de realização, o que faz livrar de todos os preconceitos dogmáticos que proporcionam apenas percepções fossilizadas, como espécies de cadáveres de objetos. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagens da artista plástica tcheca radicada no Canadá, Martina Shapiro
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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