terça-feira, novembro 22, 2016

SONHOS GRAÚDOS NA DIVERSÃO DA MOCIDADE



A MULHER DO MÉDICO - Imagem: Adolescent dreams, by Akino Kondoh - Doutor Ulisses era um chato: fumante de piteira com bigodinho hitleriano, caareca buchudo com uma delicadeza falsa na fala mansa, Montblanc enfiada no bolso do jaleco sobre o paletó e gravata Black-tie, dedo indicador sobre a mesa catando o mínimo sinal de poeira pra reclamos, enfim, um odiento metido abominado por toda cidade. Por sua vez, a mulher dele, ah, era o sonho de consumo de qualquer macho: fêmea enxuta e bem-feita a se exibir com saia curta reveladora das coxas roliças nas pernas torneadas, decote profundo de seios salientes e voluptuosos, lábios proeminentes no batom vermelho vivo da boca cangula a realçar nas faces aformoseadas pelo olhar das malícias mais aconchegantes, a fala delicada de uma corpuda que esbanja a generosidade de sua assimetria proporcional dos pés à cabeça, um colosso a olhos vistos! Eu mesmo, ora, não sei quantas vezes sentia um calafrio do membro mexer dentro do calção todo saliente pra amolegadas, toda vez que ela chegava reboladeira na casa dela. Eu ficava do campinho da beira do rio, esperando ela ir e vir da varanda pro portão, quanta coisa linda era aquela mulher de me fazer de escondido nas moitas brechando de longe todos os seus detalhes corporais. Quando não era isso, bastava o doutor sair pra eu espionar pelas frestas do muro atrás da igrejinha e vê-la desfilar seminua pelo quintal a se bronzear, ou pelas brechas dos combongós que davam pro banheiro dela. Ou ainda quando ela se espreguiçava folheando revistas no terraço com suas vestes sumárias quase mostrando tudo. Quanto alvoroço, nguinho deixava a bola acabando a pelada, só pra conferir no amiudado aquela cena aprazível. Não lembro quantas e tantas vezes rendendo homenagens demoradas pra ela, cada uma melhor que a outra. Muitas vezes fui surpreendido por um ou outro no meio do maior regalo. Eu só não, a marmanjada toda pelos cantos procurando fissuras nas paredes pra checá-la nas intimidades. Quem não morria de inveja quando ela ia pro dentista caprichada na elegância, ou quando saía no táxi dum bonitão do lugar, até um dia segui na bicicleta e vi tomarem rumo rodovia afora. Oh felizardo quem se aproveitava daquela gostosura. Eu e tantos outros sonhávamos com aquela beldade. Era a vingança contra o chato do marido dela. Eu só não, a cidade em peso, todo mundo já havia provado dos maus bofes daquele purgante. Todo mundo desejava todo tipo de mau agouro praquela trepeça de gente. Até que um dia de manhã o maçante deu um flagra em sua própria casa, dela com o oficial de justiça. Foi um bafafá, maior torcida. O pé de lã saiu cara mais lisa e às pressas, nu com as roupas enroladas no sovaco. O zoadeiro era só de quebradeira de louças e utensílios. As portas foram cerradas, maior silêncio. Será que ele matou-la? Juntou gente no campinho e na redondeza só pra ver no que ia dar. Rapaz, que será que tá havendo lá, hem? Passou-se toda manhã, cochichos e arremedos, chegou a tarde, saiu pela noite e veio madrugada. Converseiro graúdo, maior pé de fofoca, ninguém aguentou a vigília pegando no ronco. Quando acordei com a notícia: eles pegaram o corujão. Quem? O doutor e a boazuda. Foi não. Foi. Bem empregado praquele corno desinfeliz! Que é isso, mulher, é menos uma perua pra assanhar os maridos, ora. Demorasse mais ela ia levar uma camada de pau das esposas enciumadas. Num brinca! Verdade! Os homens tavam tudo de queixo caído pras bandas dela. Ah, também o doutor era um chute nos testículos. Era. Uma coisa ruim daquela, ele que devia de ir, ela que ficasse pra gente limpar a vista! Hem, hem! Acabou-se a diversão do lugar. Mas, num é! Tais vendo, tu? Como era mesmo o nome dela? Homem, seu menino, a conversa está boa, mas vamos arrumar uma lavagem de roupa que a coisa não está pra brinquedo! © Luiz Alberto Machado.. Veja mais aqui.


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[...] Na substituição da ideologia pela sensologia, da burocracia pela mediocracia, do narcisismo pelo especularismo, dá-se uma verdadeira subordinação do pensar e fazer em relação ao sentir, que adquire o poder do conferir aos pensamentos e às ações uma dimensão efectual que por si sós jamais conseguem atingir. [...] Não nos devemos deixar arrebatar pelo impulso exterior e devemos reflectir com tempo e deixar que o repouso acalme completamente a emoção. [...].
Trechos da obra Do sentir (Presença, 1993), do filósofo italiano Mario Perniola, Veja mais aqui.

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