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quarta-feira, abril 01, 2015

JENNIFER TREMBLAY, VÉRONIQUE OVALDÉ, AVA GARDNER, LUZ DEL FUEGO & NAURO MACHADO

 


AVE, AVA! - A caçula Lavínia era capricorniana filha de pobres produtores de tabaco e algodão que perderam tudo, findando o pai trabalhar numa serraria. Sua mãe era cozinheira e impôs a ela a fé batista. Foram para a Virgínia e lá perdeu o pai para a bronquite: Ninguém queria conhecer o papai quando ele estava morrendo. Ele estava tão sozinho. Ele estava com medo. Eu podia ver o medo nos olhos dele quando ele estava morrendo. Eu fui ver o pregador, o cara que me batizou. Eu implorei que ele viesse visitar o papai, só para falar com ele, sabe? Dê-lhe uma bênção ou algo assim. Mas ele nunca o fez. Ele nunca veio. Deus, eu o odiava, bastardos frios assim deveriam... eu não sei... eles deveriam estar em outra raquete, eu sei disso. Eu não tinha tempo para religião depois disso. Eu nunca orei. Eu nunca disse outra oração... Aí se mudaram para a Carolina do Norte. Foi uma foto tirada pelo marido de sua irmã que a levou para New York. Estava com 18 anos e, mesmo não sabendo cantar, falar ou atuar, acharam-na fantástica. E depois de anos treinando a fala com pequenos papéis, ela interpretou Kitty Collins no The Killers. Seus atributos físicos falavam mais alto. Casou-se e foi só o começo: atuou como a beleza da Maria Vargas no He Barefoot Contessa; estrelou como Guinevere no Cavaleiros da Távola Redonda; e foram tantos, até se mudar para Londres, passando por uma histerectomia eletiva, atendendo reivindicação materna. Divorciou-se em segredo e partiu para um segundo casamento também breve. A mulher fatal foi logo prum tumultuado terceiro casamento e o sucesso com Show Boat. Outros relacionamentos apimentaram sua vida de ateia convicta, mudando-se para a Espanha, onde abundaram amantes, aventuras extraconjugais e tórridos romances que transitavam por seus olhos verdes agateados, seus volumosos cabelos castanhos e um semblante bem esculpido, inaugurando aquela do ditado: solteira, mas nunca sozinha: a destruidora de lares. Fumante inveterada – sofria de enfisema e distúrbio autoimune. Veio então o derrame: o corpo paralisado parcialmente, impediu-a de atuar - Ou escrevo o livro ou vendo as joias... Vitimada por uma pneumonia, levou uma queda e ficou sozinha: Eu estou tão cansada... Veja mais abaixo e também aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Desejo viver até os 150 anos, mas quando eu morrer, desejo que seja com um cigarro em uma mão e um copo de uísque na outra. A verdade é que o único momento em que estou feliz é quando não estou fazendo absolutamente nada. Não entendo pessoas que gostam de trabalhar e falam sobre isso como se fosse algum tipo de dever. Não fazer nada é como flutuar em água morna para mim. Delicioso, perfeito. É uma pena que ninguém mais acredite em luxúria simples... Pensamento da atriz e cantora estadunidense Ava Gardner (Ava Lavinia Gardner – 1922-1990), que no seu livro Ava: My Story (Bantam, 1990), ela mencionou: [...] Sexo não é tão importante assim, mas é quando você ama muito alguém. [...] Quando você tem que encarar o fato de que o casamento com o homem que você ama realmente acabou, isso é muito difícil, pura agonia. Nesse tipo de situação angustiante, eu sempre vou embora e me isolo do mundo. Além disso, eu fico sóbrio imediatamente quando há más notícias genuínas na minha vida; eu nunca enfrento isso com álcool no meu cérebro. Eu apenas aluguei uma casa em Palm Springs e sentei lá e sofri por algumas semanas. Eu sofri lá até que eu estava forte o suficiente para enfrentá-lo [...] Talvez, na análise final, eles me vissem como algo que eu não era e eu tentasse transformá-los em algo que eles nunca poderiam ser. Eu os amava todos, mas talvez eu nunca tenha entendido nenhum deles. Eu não acho que eles me entenderam. [...] Deus sabe que eu tenho tantas fragilidades, eu deveria ser capaz de entendê-las e perdoá-las nos outros. Mas eu não consigo. [...]. Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: As razões pelas quais ficamos nem sempre são fáceis de explicar... Cuidado com a paixão amorosa, essa doença mental... Era simplesmente sobre mim, eu que talvez não me desejasse bem, eu contra mim, eu sozinha contra mim... Pensamento da escritora francesa Véronique Ovaldé, que no seu livro Des vies d'oiseaux (l'Olivier, 2011) expressou: [...] A evitação é certamente uma das formas de convivência. [...] Basta convencer o seu interlocutor de que você é mais digno que ele e que tem mais razão que ele, e às vezes nem precisa dizer uma palavra, é só uma questão de levantar o queixo, levantar o queixo e você sempre será o mais forte. [...]. Já no livro Ce que je sais de Vera Candida (l'Olivier, 2009), ela expressa que: [...] Sua memória é uma enorme comoda com milhões de gavetas e as vezes as dadas ficam presas. [...]. No livro Les hommes en général me plaisent beaucoup (Actes Sud, 2003), ela assinala que: [...] Fecho bem as janelas e espero até que fique líquido, é uma forma como qualquer outra de eliminar tudo de ruim que há em mim, passa pelos poros da minha pele, evaporando imediatamente, desaparecendo tudo. [...]. No seu livro Et mon cœur transparente (l'Olivier, 2008), ela menciona: […] Um homem arranja uma amante para ficar com a esposa, enquanto uma mulher arranja uma amante para deixar o marido. […].

 

A LISTA - [...] A administração das listas é uma atividade complexa. Os itens numa lista não têm a mesma importância. Não sou nada racional. Minhas listas são intermináveis. [...] 'Achar o número da médica'. Eu não considerei corretamente essa tarefa. Eu devia tê-la considerado de imediato. Sem dúvida. Era urgente. Eu a considerei uma tarefa flutuante. Eu a reescrevia de uma lista à outra. Às vezes nem reescrevia. Eu a achava numa lista antiga. Isso me lembrava que eu tinha prometido. E eu a copiava novamente. [...]. Trechos extraídos da obra A Lista (Autêntica, 2015), da escritora canadense Jennifer Tremblay.

 

EDUCAÇÃO INFANTIL – Desde quando tive o primeiro contato com a criançada para uma manifestação artística, que tenho dedicado o meu trabalho nesses últimos trinta anos ao teatro, música e literatura infantis, e, ao mesmo tempo, me concentrado na pesquisa da Educação, tanto a Educação Infantil, como o Ensino Fundamental. O objetivo dos estudos voltados para a área de Educação é o de buscar a contribuição da arte na aprendizagem, desenvolvimento e formação da criança e do adolescente. Nesse sentido, o blog Brincarte do Nitolino tem dedicado especial atenção a esta temática. ATENÇÃO: Um recadinho pras crianças de todas as idades: Hoje é dia de reprise do programa Brincarte do Nitolino, nos horários das 10hs e das 15hs. Para conferir online é só clicar aqui ou aqui.

Imagem: Nude blonde woman, do pintor estadunidense Edgar Leeteg (1904-1953)

Ouvindo a ópera Francesca da Rimini, op. 25 (1905), do compositor, pianista e maestro russo Sergei Rachmaninoff (1873-1943), com Chor and Orchesta of The Bolshoi Theatre, Moscowm Mark Ermler, 1975. Ópera baseada no quinto canto da primeira parte de A Divina Comédia – poema épico parte do Segundo Círculo do Inferno, do poeta italiano Dante Alighieri (1265-1321). Veja mais aqui, aqui e aqui.

A PESCA DAS MULHERES – Imagem de J. Lanzelotti (In: Estórias e lendas dos índios, Humberto Galdus (Org.) - Edigraf, s/d) - No livro Os Bororos Orientais (Companhia Editora Nacional, 1942), de Antonio Colbacchini & César Albisetti, encontrei a narrativa A pesca das mulheres: Por muitos dias a fio os homens foram pescar sem resultado nenhum e à tarde voltavam de mãos vazias à aldeia. Vinham tristes não só pela má figura que tinham feito como também pela desagradável recepção que lhes faziam as mulheres. Elas chegaram ao ponto de desafiar os homens para vem quem pescava mais. Certa manhã todas juntas foram ao rio onde, com altos gritos, chamaram as lontras. As lontras atenderam logo e, conhecido o desejo das mulheres, mergulharam na água e pescaram abundantemente. Então as mulheres voltaram à aldeia sobrecarregadas, entre admiração e a vergonha dos homens, que no dia seguinte pensaram em tirar desforra. Mas não pescaram coisa nenhuma e regressaram de mãos abanando, entre o escarnio das mulheres as quais, no dia seguinte, com o auxilio das lontras, realizaram nova e abundantíssima pescaria. A coisa era de fato extraordinária e os homens começaram a recear alguma cilada. E o quituiréu, que é uma ave, tomou a si o encargo de esclarecer o mistério. Ele, com toda cautela, seguiu as mulheres na pesca e viu o que acontecia. Feita a descoberta, voltou à aldeia, reuniu os homens e, juntos estabeleceram o que era preciso fazer: cada um devia preparar uma corda com visgo, e ficar pronto para o dia seguinte. À volta das mulheres, mantiveram-se mudos e indiferentes, a tal ponto que elas se queixavam dessa inesperada atitude. Na manhã seguinte, os homens foram pescar. Levando a corda com visgo, chegaram ao rio e, industriados pelo quituiréu, chamaram as lontras que, como de costume, saíram da água pensando que fossem as pescadoras de sempre. Mas, quando chegaram bem perto, os homens lhes atiraram a corda ao pescoço e estrangularam-nas. Uma apenas conseguiu fugir. Tendo saído tão bem a empresa, os homens voltaram satisfeitos à aldeia, combinando entre si nada contar às mulheres. Estas, mais uma vez, vaiaram os homens enquanto eles, no fundo do seu coração, riam a bom rir. No dia seguinte, as mulheres foram pescar, mas voltaram do rio com os cestos quase vazios. Cheias de raiva por terem os homens descoberto a sua esperteza, urdiram logo uma vingança. Prepararam uma bebida com certa fruta chamada pequi, mas sem lhe tirar os numerosíssimos e pequeninos espinhos que, debaixo da carne, rodeiam a semente. Os homens beberam, mas sufocados por causa dos espinhos que se fincaram na garganta, começaram a fazer ú ú ú ú, para libertar-se dos mesmos. E ficaram transformados em porcos, que também fazem ú ú ú ú... Veja mais aqui.

INTRODUÇÃO À PSICOLOGIA DO SER – O livro Introdução à psicologia do ser (Eldorado, 1962), do médico e psicólogo estadunidense Abraham Maslow (1908-1970), aborda temas como a jurisdição mais ampla para a psicologia, a psicologia da saúde, o existencialismo, crescimento e motivação, necessidade de saber e o medo do conhecimento, crescimento e cognição, cognição do ser em experiências culminantes e como agudas experiências de identidade, alguns perigos da cognição do ser, resistência à rubricação do ser, criatividade nas pessoas individuacionantes, dados psicológicos e valores humanos, crescimento e saúde, saúde como transcendência do ambiente, tarefas para o futuro, proposições básicas para uma psicologia do crescimento e da individuação, psicologia social normativa, entre outros assuntos. Da obra destaco: Está surgindo agora no horizonte uma nova concepção de doença humana e de saúde humana, uma Psicologia que acho tão emocionante e tão cheia de maravilhosas possibilidades que cedi à tentação de apresentá-la publicamente, mesmo antes de ser verificada e confirmada, e antes de poder ser denominada conhecimento científico idôneo. Os pressupostos básicos desse ponto de vista são: 1. Cada um de nós tem uma natureza interna essencial, biologicamente alicerçada, a qual é, em certa medida, “natural”, intrínseca, dada e, num certo sentido limitado, invariável ou, pelo menos, invariante. 2. A natureza interna de cada pessoa é, em parte, singularmente sua e, em parte, universal na espécie. 3. É possível estudar cientificamente essa natureza interna e descobrir a sua constituição (não inventar, mas descobrir). 4. Essa natureza interna, até onde nos é dado saber hoje, parece não ser intrinsecamente, ou primordialmente, ou necessariamente, má. As necessidades básicas (de vida, de segurança, de filiação e de afeição, de respeito e de dignidade pessoal, e de individuação ou autonomia), as  emoções humanas básicas e as capacidades humanas básicas são, ao que parece, neutras, pré-morais ou positivamente “boas”. A destrutividade, o sadismo, a crueldade, a premeditação malévola etc. parecem não ser intrínsecos, mas, antes, constituiriam reações violentas contra a frustração das nossas necessidades, emoções e capacidades intrínsecas. A cólera, em si mesma, não é má, nem o medo, a indolência ou até a ignorância. É claro, podem levar (e levam) a um comportamento maligno, mas não forçosamente. Esse resultado não é intrinsecamente necessário. A natureza humana está muito longe de ser tão má quanto se pensava. De fato, pode-se dizer que as possibilidades da natureza humana têm sido, habitualmente, depreciadas. 5. Como essa natureza humana é boa ou neutra, e não má, é preferível expressá-la e encorajá-la, em vez de a suprimir. Se lhe permitirmos que guie a nossa vida, cresceremos sadios, fecundos e felizes. 6. Se esse núcleo essencial da pessoa for negado ou suprimido, ela adoece, por vezes de maneira óbvia, outras vezes de uma forma sutil, às vezes imediatamente, algumas vezes mais tarde. 7. Essa natureza interna não é forte, preponderante e inconfundível, como os instintos dos animais. É frágil, delicada, sutil e facilmente vencida pelo hábito, a pressão cultural e as atitudes errôneas em relação a ela. 8. Ainda que frágil, raramente desaparece na pessoa normal — talvez nem desapareça na pessoa doente. Ainda que negada, persiste subjacente e para sempre, pressionando no sentido da individuação. 9. Seja como for, essas conclusões devem ser todas articuladas com a necessidade de disciplina, privação, frustração, dor e tragédia. Na medida em que essas experiências revelam, estimulam e satisfazem à nossa natureza interna, elas são experiências desejáveis. Está cada vez mais claro que essas experiências têm algo a ver com um sentido de realização e de robustez do ego; e, portanto, com o sentido de salutar amor-próprio e autoconfiança. A pessoa que não conquistou, não resistiu e não superou continua duvidando de que possa consegui-lo. Isso é certo não só a respeito dos perigos externos; também é válido para a capacidade de controlar e de protelar os próprios impulsos e, portanto, para não ter medo deles. Assinale-se que, se a verdade desses pressupostos for demonstrada, eles prometem uma ética científica, um sistema natural de valores, uma corte de apelação suprema para a determinação do bem e do mal, do certo e errado [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

DA UBIQUIDADE OBCESSIONAL – No livro O exercício do caos (1961 – Antologia Poética – Imago, 1998), do poeta maranhense Nauro Machado, encontro o poema Ubiquidade Obcessional: Morre um pouco de mim no meu inicio ambíguo / a mente circunscreve o mundo à minha forma, / a fonte à minha boca, teu sonho, Jocasta, / a terra estiolada, e teu sangue materno. / No entanto as bestas mesmas soem ser felizes / pois, quando – não pensadas – as carnes se empenham. / E o ter-me em outros! Falta-me, em mim, minha vida / embora em sua excedência, morro na escassez. / Tudo que vive sem mim minha essência ambígua / consubstancia, embora seja só e inconsútil. Veja mais aqui, aqui e aqui.



LUZ DEL FUEGO – Luz del Fuego é o nome artístico adotado pela bailarina, vedete, naturista e feminista brasileira Dora Vivacqua (1917-1967) que criou a Ilha do Sol, em 1954, a primeira área naturista do país e o Clube Naturista Brasileiro, na ilha de Tapuama de Dentro, na Baía de Guanabara (RJ). Ela foi assassinada em 1967, juntamente com seu caseiro, amarrados e seus corpos jogados no fundo do mar. Sua história foi adaptada para o cinema em 1982, pelo diretor David Neves e estrelado pela atriz Lucélia Santos. Veja mais aqui.



Veja mais sobre:
A terra & o porvir da humanidade, Fecamepa, a pintura de Paul Gauguin, a música de Nivaldo Ornelas & a literatura de Adelino Magalhães aqui.

E mais:
A literatura de Hilda Hilst, o teatro de Antonin Artaud, a História da Literatura de Silvio Romero, a Esfera Estética de Max Weber, a música de Al Di Meola & Cynthia Makris, o cinema de Russ Meyer & Lorna Maitland, a pintura de Ludovico Carracci, a poesia de Iramar Freire Guimarães & Programa Tataritaritatá aqui.
A literatura de Clarice Lispector, o pensamento de Emil Cioran & Hilton Japiassu, Darcy Ribeiro & Fecamepa aqui.
As fases da persecução penal brasileira e o prazo razoável aqui.
Cantarau, a poesia de Thiago de Mello & Paul Verlaine, Hannah Arendt, Melanie Klein, o teatro de José Celso Martinez Corrêa, a pintura de Francisco de Goya & Vincent Van Gogh, a música de Tracy Chapman, o cinema de Warren Beatty, a arte de Méry Laurent & Paulo Cesar Barros aqui.
Nênia de Abril, Os filhos do barro de Octavio Paz, Jorge Tufic & Rogel Samuel, o Cogito de René Descartes, a música de Joseph Haydn, o cinema de Nagisa Oshima, a pintura de William Morris Hunt & Programa Tataritaritatá aqui.
Do amor e da vida, a História da Sexualidade de Michel Foucault, a educação sexual de Isaura Guimarães, a pintura de Di Cavalcanti & Daphne Todd, a música de Giacomo Meyerbeer, a poesia de Antônio Cícero, Nascente & a entrevista de Marina Lima aqui.
Cantos do meu país, o Febeapá de Stanislaw Ponte Preta, o pensamento de Mário Schenberg, a música de Ivan Lins & Vitor Martins, o teatro de Plínio Marcos, a fotografia de Marcia Foletto, Claudia Alende & o cinema de José Mojica Marins aqui.
Pelo jeito, o doro agora vai, a literatura de Antônio Alcântara Machado, a poesia de Eugénio de Andrade, a biopsicologia de John P. J. Pinel, a música de Mary Jane Lamond, a fotografia de Harry Fayt & a pintura de Ana Maia Nobre aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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sábado, março 14, 2015

SILVA JARDIM, AVENTUREIROS DO UNA, EUGÊNIA CÂMARA & CASTRO ALVES


AVENTUREIROS DO UNA – A minha primeira coleção na vida foi a de gibi. Menino, ainda, eu viajava nos quadrinhos dos super-heróis e, sobretudo, entre os livros de Monteiro Lobato e Maurício de Souza com a Turma da Mônica. Adolescente eu tinha sacos e sacos cheínhos deles. Até que um dia resolvi eu mesmo produzir o meu. E isso só foi possível por causa da parceria com o artista plástico e ator Rolandry Silvério: Os aventureiros do Una.  E como hoje é o Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos, impossível não dar uma repassada na minha infância e nessa aventura que me levou pra Literatura. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

Imagem: Reclining nude, do pintor francês Jules Joseph Lefebvre (1838-1911)

Ouvindo os Preludes op. 32, 9 e op. 23 (Deutsche Grammophon, 1970), do compositor, pianista e maestro do Romantismo russo Sergei Rachmaninoff (1873-1943), na interpretação da pianista brasileira Yara Bernette (1920-2002). Veja mais aqui, aqui e aqui. 

SILVA JARDIM EM PALMARES – No dia 12 de junho de 1889, o advogado, jornalista e ativista abolicionista Antonio da Silva Jardim (1860-1891), embarcou no mesmo navio em que viajava o conde D’Eu, com propósitos opostos. Enquanto o conde viajava ao norte para propagandear a monarquia e um possível terceiro reinado, o abolicionista o acompanhava até Pernambuco, que então era “o centro do Norte” para levar a sua palavra republicana e abolicionista. Em suas memórias ele narra toda sua a viagem, com uma parada no dia 16, em Salvador, local que quase lhe custou a vida, ameaçado por membros da Guarda Negra. Seguiu então para Maceió, onde teve uma recepção tranquila. Foi para Pernambuco, quase no final do mês, com apoio dos republicanos locais, Anibal Falcão e José Isidoro Martins Junior. Foi quando, então, ele fez uma conferência em Palmares, local em que se surpreendeu pela recepção dos membros do Club Literário. Na ocasião, enquanto discursava, os escravocratas presentes disfarçados por liberais, se reuniram em um canto, deixando suas esposas atentas às palavras do orador. Ele empolgou-se, então, com a participativa interlocução das senhoras, que ali dialogaram, fazendo-o estender até altas horas. Ao término da explanação, ele foi indagado qual a impressão que tirara da localidade, ao que respondeu entusiasmado: “Palmares é canção da natureza!”. Depois seguiu ele para outras conferências em Nazaré (atual Nazaré da Mata), Olinda, Escada e Vitória (atual Vitória de Santo Antão). Ao chegar no Recife, a completa ausência de segurança alegada pelo chefe da polícia, o fez suspender um comício programado, optando por um manifesto de protesto contra a monarquia. Regressou então e manteve-se ativamente nos movimentos republicanos e abolicionistas Brasil afora por todo ano seguinte. Em 1891, completara ele 30 anos de idade, e resolvera viajar pela Europa. No meio do passeio, ele resolveu visitar Pompéia, na Itália, curioso por conhecer o vulcão Vesúvio, mesmo sob a ameaça de que poderia entrar em erupção a qualquer momento. Assim foi e, maravilhado com a vista, ele foi tragado por uma fenda que se abriu na cratera da montanha. O acidente foi noticiado numa reportagem de 30 de julho de 1891, publicada pelo jornal A Pátria Mineira, da cidade de São João Del Rei, dando por conta do seu falecimento, relatado pelo jornalista Joaquim Carneiro Mendonça, que também o acompanhava e teria se ferido quando engolido pela fenda, mas salvo pelo guia turístico. A fonte da informação foi dada por Xavier de Carvalho, publicada pela Carta Parisiense. FONTE: JARDIM, A. Silva. Memórias e viagens: Campanha de um propagandista 1887-1890 (2 volumes). Rio de Janeiro: Companhia Nacional, 1891.

 

O OLHO E O ESPÍRITO
– Na obra O olho e o espírito (L’oeil et l’esprit – Veja, 1997), o filósofo fenomenólogo francês Maurice Merleau-Ponty (1908-1961) trata acerca do vivente no mundo na condição de vidente e visível do eu vejo e do eu posso, relacionada à pintura, valorizando a atividade do artista plástico não diferenciando o vidente do visível, o eu do mundo, nem o sujeito do objeto. Aborda também sobre o racionalismo e Descartes, criticando a ingenuidade da ciência no início do séc. XX pela reprodução dos fenômenos nos laboratórios. Desse livro destaco o trecho: A ciência manipula as coisas e renuncia a habitá-Ias. Fabrica para si modelos internos delas e, operando sobre esses índices ou variáveis as transformações permitidas por sua definição, só de longe em longe se defronta com o mundo atual. Ela é, sempre foi, esse pensamento admiravelmente ativo, engenhoso, desenvolto, esse parti pris de tratar todo ser como "objeto em geral", isto é, a um tempo como se ele nada fosse para nós, e, no entanto, se achasse predestinado aos nossos artifícios. Mas a ciência clássica guardava o sentimento da opacidade do mundo, era a este que ela pretendia juntar-se por suas construções, e por isto é que se acreditava obrigada a procurar para suas operações um fundamento transcendente ou transcendental. Há, hoje em dia –não na ciência, e sim numa filosofia das ciências assaz difundida -, isto de inteiramente novo: que a prática construtiva se toma e se dá por autônoma, e que o pensamento deliberadamente se reduz ao conjunto das técnicas de tomada ou de captação, que ele inventa. Pensar é ensaiar, operar, transformar, sob a única reserva de um controle experimental onde só intervêm fenômenos altamente "trabalhados", e que os nossos aparelhos produzem, em vez de registrá-los. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

O POETA & VENDAVAL MARAVILHOSO – O poeta baiano Castro Alves (1847-1871), entre a poesia e a vida, se apaixonando em 1866, durante a apresentação da atriz de teatro, poeta e tradutora portuguesa Eugênia Câmara (1837-1874) no Teatro Santa Isabel, em Recife. Com ela teve uma relação que durou até 1868. Esse relacionamento recebeu duas adaptações para o cinema; A primeira, O Poeta (1939); a segunda, o filme luso-brasileiro Vendaval Maravilhoso (1949), com roteiro de Joracy Camargo, Osório de Almeida e do diretor José Leitão de Barros, com a atriz e cantora portuguesa Amália Rodrigues interpretando Eugênia Câmara e o ator Paulo Maurício como Castro Alves. Ele dedicou-lhe duas poesias recolhidas das Poesias Completas de Castro Alves (Spiker, s/d), a primeira no livro Hinos do Equador: Ainda uma vez tu brilhas sobre o palco, / ainda uma vez eu venho te saudar... / também o povo vem rolando aplausos / às tuas plantas mil troféus lançar!... / Após a noite, que passou sombria / a estrela d´alva pelo céu rasgou / errante estrela, se lutaste um dia, / vê como o povo o teu sofrer pagou... / Lutar!... que importa, se afinal venceste? / Chorar!... que importa, se afinal sorris? / A tempestade se não rompe a estátua / lava-lhe os pés e a triunfal cerviz. / Ouve o aplauso deste povo imenso, / lava, que irrompe do popular vulcão? / É o bronze rubro, que ao fundir dos bustos... / referve ardente do porvir na mão. / O povo... o povo... é um juiz severo, / maldiz as trevas, abençoa a luz... / sentiu teu gênio e rebramiu soberbo: / - Pra ti altares, não do poste a cruz. / Que queres? Ouve! – são mil palmas férvidas, / Olha! – é o delírio, que prorrompe audaz / Pisa! – são flores, que tu tens às plantas / toca na fronte – coroada estás. / Descansa, pois, como o condor nos Andes, / pairando altivo sobre terra e mar / pousa nas nuvens pra arrogante em breve / distante... longe... mais além voar. A segunda, recolhidas entre as inéditas do volume, com o título de À atriz Eugênia Câmara (No dia seguinte ao de uma vaia sofrida no Teatro Santa Isabel, em Recife): Hoje estamos unidos a adorar-te, / tu é a nossa gloria, a nossa fé, / gravitar para ti é levantar-se, / cair-te às plantas é ficar de pé! / Ontem a infâmia te cobriu de lama / mas para insultar-te se cobriu de pó!... / Miseráveis que ferem a fraqueza / de uma pobre mulher inerme, só! / Tu és tão grande como é grande o gênio, / és tão brilhante como a própria luz, / dentre os infames do calvário d´arte, / tu foste o Cristo, foi o palco a cruz!.../ Mas estamos unidos a adorar-te! / Tu és a nossa gloria, a nossa fé! / Gravitar para ti é levantar-se, / cair-te às plantas é ficar de pé! Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

DA SALVAÇÃO DA PÁTRIA – No livro O ato e o fato: crônicas políticas (Civilização Brasileira, 1964), do escritor, jornalista e membro da Academia Brasileira de Letras, Carlos Heitor Cony, encontrei essa primorosa crônica, Da salvação da pátria: Posto em sossego por uma cirurgia e suas complicações, eis que o sossego subitamente se transforma em desassossego: minha filha surge esbaforida dizendo que há revolução na rua. Apesar da ordem médica, decido interromper o sossego e assuntar: ali no Posto 6, segundo me afirmam, há briga e morte. Confiando estupidamente no patriotismo e nos sadios princípios que norteiam as nossas gloriosas Forças Armadas, lá vou eu, trôpego e atordoado, ver o povo e a história que ali, em minhas barbas, está sendo feita. E vejo. Vejo um heróico general, à paisana, comandar alguns rapazes naquilo que mais tarde o repórter da TV-Rio chamou de “gloriosa barricada”. Os rapazes arrancam bancos e árvores. Impedem o cruzamento da Avenida Atlântica com a Rua Joaquim Nabuco. Mas o general destina-se à missão mais importante e gloriosa: apanha dois paralelepípedos e concentra-se na brava façanha de colocar um em cima do outro. Estou impossibilitado de ajudar os gloriosos herdeiros de Caxias, mas vendo o general em tarefa aparentemente tão insignificante, chego-me a ele e antes de oferecer meus préstimos patrióticos, pergunto para que servem aqueles paralelepípedos tão sabiamente colocados um sobre o outro. – General, para que é isto? O intrépido soldado não se dignou olhar-me. Rosna, modestamente: – Isso é para impedir os tanques do I Exército! Apesar de oficial da Reserva – ou talvez por isso mesmo – sempre nutri profunda e inarredável ignorância em assuntos militares. Acreditava, até então, que dificilmente se deteria todo um Exército com dois paralelepípedos ali na esquina da rua onde moro. Não digo nem pergunto mais nada. Retiro-me à minha estúpida ignorância. Qual não é meu pasmo quando, dali a pouco, em companhia do bardo Carlos Drummond de Andrade, que descera à rua para saber o que se passava, ouço pelo rádio que os dois paralelepípedos do general foram eficazes: o I Exército, em sabendo que havia tão sólida resistência, desistiu do vexame: aderiu aos que se chamavam de rebeldes. Nessa altura, há confusão na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, pois ninguém sabe ao certo o que significa “aderir aos rebeldes”. A confusão é rápida. Não há rebeldes e todos, rebeldes ou não, aderem, que a natural tendência da humana espécie é aderir. Os rapazes de Copacabana, belos espécimes: de nossa sadia juventude, bem nutridos, bem fumados, bem motorizados, erguem o general em triunfo. Vejo o bravo cabo-de-guerra passar em glória sobre minha cabeça. Olho o chão. Por acaso ou não, os dois paralelepípedos lá estão, intatos, invencidos, um em cima do outro. Vou lá perto, com a ponta do sapato tento derrubá-los. É coisa relativamente fácil. Das janelas, cai papel picado. Senhoras pias exibem seus pios e alvacentos lençóis, em sinal de vitória. Um cadillac conversível pára perto do “Six” e surge uma bandeira nacional. Cantam o Hino também Nacional e declaram todos que a Pátria está salva. Minha filha, ao meu lado, exige uma explicação para aquilo tudo. – É carnaval, papai ? – Não. – É campeonato do mundo? – Também não. Ela fica sem saber o que é. E eu também fico. Recolho-me ao sossego e sinto na boca um gosto azedo de covardia. Veja mais aqui, aqui e aqui.


TROIA – O épico de guerra Troy (Troia, 2004), do diretor e roteirista alemão Wolfgang Petersen, música de James Horner e roteiro de David Benioff, é baseado na obra Ilíada, do poeta grego Homero. Entre as estrelas do filme destaco a atriz alemã Diane Kruger por sua interpretação de Helena de Troia; Veja mais aqui.



Veja mais sobre:
De heróis, mitos & o escambau, Alphonse Eugène Felix Lecadre & Aldemir Martins aqui.

E mais:
Literatura Infantil, Tiquê, Leviatã & Thomas Hobbes, Constantin Stanislavski, Hermann Hesse, Lee Ritenour, Krzysztof Kieslowski, Jean-Honoré Fragonard, Juliette Binoche, Bette Davis & Alexey Tarasovich Markov aqui.
Simone Weil, Simone de Beauvoir, Emma Goldman, Clara Lemlich, Alexandra Kollontai, Clara Zetkin & Tereza Costa Rego aqui.
Pablo Picasso, Fernanda Seno, Karl Jaspers, Händel, Tom Wesselmann, Eva Green, Demi Moore & Soninha Porto aqui.
Cecília Meireles, Jean-Luc Godard, Psicologia & Consciência & Pedrinho Guareschi, Pablo Milanés, Bertha Lutz & Sufrágio Feminino, Juliette Binoche e Myriem Roussel, Johan Christian Dahl, Costinha & Programa Tataritaritatá aqui.
Murilo Mendes, Renoir, George Harrison, António Damásio, Benedetto Croce, Bigas Luna, Mathilda May & Joyce Cavalccante aqui.
Caríssimos ouvintes, a voz ao coração, Bernhard Hoetger, Aleksandr Rodchenko & Fremont Solstice Parade aqui.
Carpe diem, mutatis mutandis!, Endecha, Nikolai Roerich, Antonella Fabiani & Leon Zernitsky aqui.
Cada qual seus pecados ocultos, Nênia de Abril, Lisbeth Hummel, Sérgio Campos & Antes que os nossos filhos denunciem o luto secular de seus abris aqui.
Sinfonias de bar, Vincent van Gogh, Ingmar Bergman, Annie Veitch, Kerri Blackman & Apesar dos pesares, a vida prossegue... aqui.
E se o amor fosse a vida na tarde ensolarada do quintal, Varvara Stepanova & Luciah Lopez aqui.
Errâncias de quem ama, promessas da paixão, Richard Strauss & Leonie Rysanek, A lenda Bororo de origem das estrelas, Sonia Ebling de Kermoal & Dorothy Lafriner Bucket aqui.
A ponte entre quem ama e a plenitude do amor, Murilo Rubião, Anneke van Giersbergen, Wäinö Aaltonen, Eduardo Kobra, Ramón Casas, Manuel Colombo & Fátima Jambo aqui.
Legalidade sob suspeita, Anna Moffo, Viola Spolin, Reisha Perlmutter, Floriano de Araújo Teixeira & Moína Lima aqui.
Os seus versos, danças & cantos do cacrequin, Jasmine Guy, Renata Domagalska, Lívia Perez, Luciah Lopez & Vera Lúcia Regina aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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ANNE CARSON, FRANÇOISE VERGÈS, TAHMIMA ANAM & SETÍGONO

    Imagem: Pulsações caósmicas , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Em rota de colisão, a sorte...