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quarta-feira, abril 01, 2015

JENNIFER TREMBLAY, VÉRONIQUE OVALDÉ, AVA GARDNER, LUZ DEL FUEGO & NAURO MACHADO

 


AVE, AVA! - A caçula Lavínia era capricorniana filha de pobres produtores de tabaco e algodão que perderam tudo, findando o pai trabalhar numa serraria. Sua mãe era cozinheira e impôs a ela a fé batista. Foram para a Virgínia e lá perdeu o pai para a bronquite: Ninguém queria conhecer o papai quando ele estava morrendo. Ele estava tão sozinho. Ele estava com medo. Eu podia ver o medo nos olhos dele quando ele estava morrendo. Eu fui ver o pregador, o cara que me batizou. Eu implorei que ele viesse visitar o papai, só para falar com ele, sabe? Dê-lhe uma bênção ou algo assim. Mas ele nunca o fez. Ele nunca veio. Deus, eu o odiava, bastardos frios assim deveriam... eu não sei... eles deveriam estar em outra raquete, eu sei disso. Eu não tinha tempo para religião depois disso. Eu nunca orei. Eu nunca disse outra oração... Aí se mudaram para a Carolina do Norte. Foi uma foto tirada pelo marido de sua irmã que a levou para New York. Estava com 18 anos e, mesmo não sabendo cantar, falar ou atuar, acharam-na fantástica. E depois de anos treinando a fala com pequenos papéis, ela interpretou Kitty Collins no The Killers. Seus atributos físicos falavam mais alto. Casou-se e foi só o começo: atuou como a beleza da Maria Vargas no He Barefoot Contessa; estrelou como Guinevere no Cavaleiros da Távola Redonda; e foram tantos, até se mudar para Londres, passando por uma histerectomia eletiva, atendendo reivindicação materna. Divorciou-se em segredo e partiu para um segundo casamento também breve. A mulher fatal foi logo prum tumultuado terceiro casamento e o sucesso com Show Boat. Outros relacionamentos apimentaram sua vida de ateia convicta, mudando-se para a Espanha, onde abundaram amantes, aventuras extraconjugais e tórridos romances que transitavam por seus olhos verdes agateados, seus volumosos cabelos castanhos e um semblante bem esculpido, inaugurando aquela do ditado: solteira, mas nunca sozinha: a destruidora de lares. Fumante inveterada – sofria de enfisema e distúrbio autoimune. Veio então o derrame: o corpo paralisado parcialmente, impediu-a de atuar - Ou escrevo o livro ou vendo as joias... Vitimada por uma pneumonia, levou uma queda e ficou sozinha: Eu estou tão cansada... Veja mais abaixo e também aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Desejo viver até os 150 anos, mas quando eu morrer, desejo que seja com um cigarro em uma mão e um copo de uísque na outra. A verdade é que o único momento em que estou feliz é quando não estou fazendo absolutamente nada. Não entendo pessoas que gostam de trabalhar e falam sobre isso como se fosse algum tipo de dever. Não fazer nada é como flutuar em água morna para mim. Delicioso, perfeito. É uma pena que ninguém mais acredite em luxúria simples... Pensamento da atriz e cantora estadunidense Ava Gardner (Ava Lavinia Gardner – 1922-1990), que no seu livro Ava: My Story (Bantam, 1990), ela mencionou: [...] Sexo não é tão importante assim, mas é quando você ama muito alguém. [...] Quando você tem que encarar o fato de que o casamento com o homem que você ama realmente acabou, isso é muito difícil, pura agonia. Nesse tipo de situação angustiante, eu sempre vou embora e me isolo do mundo. Além disso, eu fico sóbrio imediatamente quando há más notícias genuínas na minha vida; eu nunca enfrento isso com álcool no meu cérebro. Eu apenas aluguei uma casa em Palm Springs e sentei lá e sofri por algumas semanas. Eu sofri lá até que eu estava forte o suficiente para enfrentá-lo [...] Talvez, na análise final, eles me vissem como algo que eu não era e eu tentasse transformá-los em algo que eles nunca poderiam ser. Eu os amava todos, mas talvez eu nunca tenha entendido nenhum deles. Eu não acho que eles me entenderam. [...] Deus sabe que eu tenho tantas fragilidades, eu deveria ser capaz de entendê-las e perdoá-las nos outros. Mas eu não consigo. [...]. Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: As razões pelas quais ficamos nem sempre são fáceis de explicar... Cuidado com a paixão amorosa, essa doença mental... Era simplesmente sobre mim, eu que talvez não me desejasse bem, eu contra mim, eu sozinha contra mim... Pensamento da escritora francesa Véronique Ovaldé, que no seu livro Des vies d'oiseaux (l'Olivier, 2011) expressou: [...] A evitação é certamente uma das formas de convivência. [...] Basta convencer o seu interlocutor de que você é mais digno que ele e que tem mais razão que ele, e às vezes nem precisa dizer uma palavra, é só uma questão de levantar o queixo, levantar o queixo e você sempre será o mais forte. [...]. Já no livro Ce que je sais de Vera Candida (l'Olivier, 2009), ela expressa que: [...] Sua memória é uma enorme comoda com milhões de gavetas e as vezes as dadas ficam presas. [...]. No livro Les hommes en général me plaisent beaucoup (Actes Sud, 2003), ela assinala que: [...] Fecho bem as janelas e espero até que fique líquido, é uma forma como qualquer outra de eliminar tudo de ruim que há em mim, passa pelos poros da minha pele, evaporando imediatamente, desaparecendo tudo. [...]. No seu livro Et mon cœur transparente (l'Olivier, 2008), ela menciona: […] Um homem arranja uma amante para ficar com a esposa, enquanto uma mulher arranja uma amante para deixar o marido. […].

 

A LISTA - [...] A administração das listas é uma atividade complexa. Os itens numa lista não têm a mesma importância. Não sou nada racional. Minhas listas são intermináveis. [...] 'Achar o número da médica'. Eu não considerei corretamente essa tarefa. Eu devia tê-la considerado de imediato. Sem dúvida. Era urgente. Eu a considerei uma tarefa flutuante. Eu a reescrevia de uma lista à outra. Às vezes nem reescrevia. Eu a achava numa lista antiga. Isso me lembrava que eu tinha prometido. E eu a copiava novamente. [...]. Trechos extraídos da obra A Lista (Autêntica, 2015), da escritora canadense Jennifer Tremblay.

 

EDUCAÇÃO INFANTIL – Desde quando tive o primeiro contato com a criançada para uma manifestação artística, que tenho dedicado o meu trabalho nesses últimos trinta anos ao teatro, música e literatura infantis, e, ao mesmo tempo, me concentrado na pesquisa da Educação, tanto a Educação Infantil, como o Ensino Fundamental. O objetivo dos estudos voltados para a área de Educação é o de buscar a contribuição da arte na aprendizagem, desenvolvimento e formação da criança e do adolescente. Nesse sentido, o blog Brincarte do Nitolino tem dedicado especial atenção a esta temática. ATENÇÃO: Um recadinho pras crianças de todas as idades: Hoje é dia de reprise do programa Brincarte do Nitolino, nos horários das 10hs e das 15hs. Para conferir online é só clicar aqui ou aqui.

Imagem: Nude blonde woman, do pintor estadunidense Edgar Leeteg (1904-1953)

Ouvindo a ópera Francesca da Rimini, op. 25 (1905), do compositor, pianista e maestro russo Sergei Rachmaninoff (1873-1943), com Chor and Orchesta of The Bolshoi Theatre, Moscowm Mark Ermler, 1975. Ópera baseada no quinto canto da primeira parte de A Divina Comédia – poema épico parte do Segundo Círculo do Inferno, do poeta italiano Dante Alighieri (1265-1321). Veja mais aqui, aqui e aqui.

A PESCA DAS MULHERES – Imagem de J. Lanzelotti (In: Estórias e lendas dos índios, Humberto Galdus (Org.) - Edigraf, s/d) - No livro Os Bororos Orientais (Companhia Editora Nacional, 1942), de Antonio Colbacchini & César Albisetti, encontrei a narrativa A pesca das mulheres: Por muitos dias a fio os homens foram pescar sem resultado nenhum e à tarde voltavam de mãos vazias à aldeia. Vinham tristes não só pela má figura que tinham feito como também pela desagradável recepção que lhes faziam as mulheres. Elas chegaram ao ponto de desafiar os homens para vem quem pescava mais. Certa manhã todas juntas foram ao rio onde, com altos gritos, chamaram as lontras. As lontras atenderam logo e, conhecido o desejo das mulheres, mergulharam na água e pescaram abundantemente. Então as mulheres voltaram à aldeia sobrecarregadas, entre admiração e a vergonha dos homens, que no dia seguinte pensaram em tirar desforra. Mas não pescaram coisa nenhuma e regressaram de mãos abanando, entre o escarnio das mulheres as quais, no dia seguinte, com o auxilio das lontras, realizaram nova e abundantíssima pescaria. A coisa era de fato extraordinária e os homens começaram a recear alguma cilada. E o quituiréu, que é uma ave, tomou a si o encargo de esclarecer o mistério. Ele, com toda cautela, seguiu as mulheres na pesca e viu o que acontecia. Feita a descoberta, voltou à aldeia, reuniu os homens e, juntos estabeleceram o que era preciso fazer: cada um devia preparar uma corda com visgo, e ficar pronto para o dia seguinte. À volta das mulheres, mantiveram-se mudos e indiferentes, a tal ponto que elas se queixavam dessa inesperada atitude. Na manhã seguinte, os homens foram pescar. Levando a corda com visgo, chegaram ao rio e, industriados pelo quituiréu, chamaram as lontras que, como de costume, saíram da água pensando que fossem as pescadoras de sempre. Mas, quando chegaram bem perto, os homens lhes atiraram a corda ao pescoço e estrangularam-nas. Uma apenas conseguiu fugir. Tendo saído tão bem a empresa, os homens voltaram satisfeitos à aldeia, combinando entre si nada contar às mulheres. Estas, mais uma vez, vaiaram os homens enquanto eles, no fundo do seu coração, riam a bom rir. No dia seguinte, as mulheres foram pescar, mas voltaram do rio com os cestos quase vazios. Cheias de raiva por terem os homens descoberto a sua esperteza, urdiram logo uma vingança. Prepararam uma bebida com certa fruta chamada pequi, mas sem lhe tirar os numerosíssimos e pequeninos espinhos que, debaixo da carne, rodeiam a semente. Os homens beberam, mas sufocados por causa dos espinhos que se fincaram na garganta, começaram a fazer ú ú ú ú, para libertar-se dos mesmos. E ficaram transformados em porcos, que também fazem ú ú ú ú... Veja mais aqui.

INTRODUÇÃO À PSICOLOGIA DO SER – O livro Introdução à psicologia do ser (Eldorado, 1962), do médico e psicólogo estadunidense Abraham Maslow (1908-1970), aborda temas como a jurisdição mais ampla para a psicologia, a psicologia da saúde, o existencialismo, crescimento e motivação, necessidade de saber e o medo do conhecimento, crescimento e cognição, cognição do ser em experiências culminantes e como agudas experiências de identidade, alguns perigos da cognição do ser, resistência à rubricação do ser, criatividade nas pessoas individuacionantes, dados psicológicos e valores humanos, crescimento e saúde, saúde como transcendência do ambiente, tarefas para o futuro, proposições básicas para uma psicologia do crescimento e da individuação, psicologia social normativa, entre outros assuntos. Da obra destaco: Está surgindo agora no horizonte uma nova concepção de doença humana e de saúde humana, uma Psicologia que acho tão emocionante e tão cheia de maravilhosas possibilidades que cedi à tentação de apresentá-la publicamente, mesmo antes de ser verificada e confirmada, e antes de poder ser denominada conhecimento científico idôneo. Os pressupostos básicos desse ponto de vista são: 1. Cada um de nós tem uma natureza interna essencial, biologicamente alicerçada, a qual é, em certa medida, “natural”, intrínseca, dada e, num certo sentido limitado, invariável ou, pelo menos, invariante. 2. A natureza interna de cada pessoa é, em parte, singularmente sua e, em parte, universal na espécie. 3. É possível estudar cientificamente essa natureza interna e descobrir a sua constituição (não inventar, mas descobrir). 4. Essa natureza interna, até onde nos é dado saber hoje, parece não ser intrinsecamente, ou primordialmente, ou necessariamente, má. As necessidades básicas (de vida, de segurança, de filiação e de afeição, de respeito e de dignidade pessoal, e de individuação ou autonomia), as  emoções humanas básicas e as capacidades humanas básicas são, ao que parece, neutras, pré-morais ou positivamente “boas”. A destrutividade, o sadismo, a crueldade, a premeditação malévola etc. parecem não ser intrínsecos, mas, antes, constituiriam reações violentas contra a frustração das nossas necessidades, emoções e capacidades intrínsecas. A cólera, em si mesma, não é má, nem o medo, a indolência ou até a ignorância. É claro, podem levar (e levam) a um comportamento maligno, mas não forçosamente. Esse resultado não é intrinsecamente necessário. A natureza humana está muito longe de ser tão má quanto se pensava. De fato, pode-se dizer que as possibilidades da natureza humana têm sido, habitualmente, depreciadas. 5. Como essa natureza humana é boa ou neutra, e não má, é preferível expressá-la e encorajá-la, em vez de a suprimir. Se lhe permitirmos que guie a nossa vida, cresceremos sadios, fecundos e felizes. 6. Se esse núcleo essencial da pessoa for negado ou suprimido, ela adoece, por vezes de maneira óbvia, outras vezes de uma forma sutil, às vezes imediatamente, algumas vezes mais tarde. 7. Essa natureza interna não é forte, preponderante e inconfundível, como os instintos dos animais. É frágil, delicada, sutil e facilmente vencida pelo hábito, a pressão cultural e as atitudes errôneas em relação a ela. 8. Ainda que frágil, raramente desaparece na pessoa normal — talvez nem desapareça na pessoa doente. Ainda que negada, persiste subjacente e para sempre, pressionando no sentido da individuação. 9. Seja como for, essas conclusões devem ser todas articuladas com a necessidade de disciplina, privação, frustração, dor e tragédia. Na medida em que essas experiências revelam, estimulam e satisfazem à nossa natureza interna, elas são experiências desejáveis. Está cada vez mais claro que essas experiências têm algo a ver com um sentido de realização e de robustez do ego; e, portanto, com o sentido de salutar amor-próprio e autoconfiança. A pessoa que não conquistou, não resistiu e não superou continua duvidando de que possa consegui-lo. Isso é certo não só a respeito dos perigos externos; também é válido para a capacidade de controlar e de protelar os próprios impulsos e, portanto, para não ter medo deles. Assinale-se que, se a verdade desses pressupostos for demonstrada, eles prometem uma ética científica, um sistema natural de valores, uma corte de apelação suprema para a determinação do bem e do mal, do certo e errado [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

DA UBIQUIDADE OBCESSIONAL – No livro O exercício do caos (1961 – Antologia Poética – Imago, 1998), do poeta maranhense Nauro Machado, encontro o poema Ubiquidade Obcessional: Morre um pouco de mim no meu inicio ambíguo / a mente circunscreve o mundo à minha forma, / a fonte à minha boca, teu sonho, Jocasta, / a terra estiolada, e teu sangue materno. / No entanto as bestas mesmas soem ser felizes / pois, quando – não pensadas – as carnes se empenham. / E o ter-me em outros! Falta-me, em mim, minha vida / embora em sua excedência, morro na escassez. / Tudo que vive sem mim minha essência ambígua / consubstancia, embora seja só e inconsútil. Veja mais aqui, aqui e aqui.



LUZ DEL FUEGO – Luz del Fuego é o nome artístico adotado pela bailarina, vedete, naturista e feminista brasileira Dora Vivacqua (1917-1967) que criou a Ilha do Sol, em 1954, a primeira área naturista do país e o Clube Naturista Brasileiro, na ilha de Tapuama de Dentro, na Baía de Guanabara (RJ). Ela foi assassinada em 1967, juntamente com seu caseiro, amarrados e seus corpos jogados no fundo do mar. Sua história foi adaptada para o cinema em 1982, pelo diretor David Neves e estrelado pela atriz Lucélia Santos. Veja mais aqui.



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A terra & o porvir da humanidade, Fecamepa, a pintura de Paul Gauguin, a música de Nivaldo Ornelas & a literatura de Adelino Magalhães aqui.

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A literatura de Hilda Hilst, o teatro de Antonin Artaud, a História da Literatura de Silvio Romero, a Esfera Estética de Max Weber, a música de Al Di Meola & Cynthia Makris, o cinema de Russ Meyer & Lorna Maitland, a pintura de Ludovico Carracci, a poesia de Iramar Freire Guimarães & Programa Tataritaritatá aqui.
A literatura de Clarice Lispector, o pensamento de Emil Cioran & Hilton Japiassu, Darcy Ribeiro & Fecamepa aqui.
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Nênia de Abril, Os filhos do barro de Octavio Paz, Jorge Tufic & Rogel Samuel, o Cogito de René Descartes, a música de Joseph Haydn, o cinema de Nagisa Oshima, a pintura de William Morris Hunt & Programa Tataritaritatá aqui.
Do amor e da vida, a História da Sexualidade de Michel Foucault, a educação sexual de Isaura Guimarães, a pintura de Di Cavalcanti & Daphne Todd, a música de Giacomo Meyerbeer, a poesia de Antônio Cícero, Nascente & a entrevista de Marina Lima aqui.
Cantos do meu país, o Febeapá de Stanislaw Ponte Preta, o pensamento de Mário Schenberg, a música de Ivan Lins & Vitor Martins, o teatro de Plínio Marcos, a fotografia de Marcia Foletto, Claudia Alende & o cinema de José Mojica Marins aqui.
Pelo jeito, o doro agora vai, a literatura de Antônio Alcântara Machado, a poesia de Eugénio de Andrade, a biopsicologia de John P. J. Pinel, a música de Mary Jane Lamond, a fotografia de Harry Fayt & a pintura de Ana Maia Nobre aqui.
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segunda-feira, julho 22, 2013

ÁGNES HELLER, LUGONES, MASEFIELD, MORLEY. MAXIMILIEN DE WALDECK, LITERATURA DE CORDEL & LITERÓTICA


OS VENTOS DO VENTRE DESNUDADO – Lá estava ela: a franja sobre os olhos possessivos, as pálpebras da luxúria no batom da boca Madonna entreaberta a expor o decote da Monika de Bergman com a sua empolgação contagiante. Ajeitou os óculos na bolsa e entrelaçou sua mão à minha, enquanto as pernas se enroscavam entre joelhos, ósculos e amplexos, os seios acesos e estufados sob a blusa decotada. Delicadamente desabotou minha camisa e deslizou mansamente a mão por meu omoplata e sentiu o meu peito ofegante para ousar afago sobre meus músculos embaixo da camisa. Beijei-lhe timidamente enquanto se livrava do sutien e expunha seu magistral desejo tímido. Fitei-lhe fundo os olhos e na minha Íris ela era Mira, a Omicron Ceti, a estrela maravilhosa a me levar pela constelação de Cetus, como se fosse um passeio por Hegra na Nabateia da Al-Hirj. Beijos e toques logo ela se fez desnuda estrela vermelha Betelgeuse, a Alpha Orionis, como se fosse Ericto de Ferri lindamente exposta para minha gula de sátiro grego, o manequim que a fez bacante na odisseia dos meus desejos mais incendiados. Com perícia sucumbi sob suas saias, mãos atrevidas a demover sua calcinha úmida e todas as águas jorraram de suas entranhas para me lavar a alma e o sexo. Recostou-se nua como se fosse a indefesa La Cigale de Lefebvre e alisou a glande do meu sexo como se fosse João Batista na cena da Salomé de Bonnard. Reclinou-se a beijar meu morango e pude atravessar galáxias inteiras no céu da sua boca. Inquieta incendiária me ofertou os ventos do seu ventre desnudado: o seu sexo era o Campi Flegrei pronto para entrar em ebulição com a Origem do Mundo de Courbet inflamada para minha excitante penetração profunda, investindo firme até que o seu gozo era a erupção do Hunga Tonga-Hunga Ha'apai. A nossa orgia parecia mais o Jardim das Delícias de Bosch, com todas as poses de Maximilien de Waldeck, as esculturas eróticas do Kajuraho e dos amantes das ilustrações nas paredes de Pompeia. No ápice do prazer vivi nela a Eterna Primavera de Rodin. Veja mais aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Não se converte um homem quando o reduzimos ao silêncio. Existe no coração de todos os homens um nervo secreto que reage às vibrações da beleza. Só existe um êxito: a capacidade de levar a vida que se quer. Pensamento do escritor estadunidense Christopher Morley (1890-1957). Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU - Não se resiste sozinha à colonialidade do gênero. Resiste-se a ela desde dentro, de uma forma de compreender o mundo e de viver nele que é compartilhada e que pode compreender os atos de alguém, permitindo assim o reconhecimento. ⁠Quando penso em mim mesma como uma teórica da resistência, não é porque penso na resistência como o fim ou a meta da luta política, mas sim como seu começo, sua possibilidade. Pensamento da da filósofa, ativista e professora argentina Maria Lugones. Veja mais aqui.

 

VIDA COTIDIANA - [...] ninguém consegue identificar-se com sua atividade humano-genérica a ponto de desligar-se inteiramente da cotidianidade. [...] o homem participa na vida cotidiana com todos os aspectos de sua individualidade, de sua personalidade. Nela, colocam-se “em funcionamento todos os seus sentidos, todas as suas capacidades intelectuais, suas habilidades manipulativas, seus sentimentos, paixões, ideias, ideologias. O fato de que todas as suas capacidades se coloquem em funcionamento determina também, naturalmente, que nenhuma delas possa realizar-se, nem de longe, em toda sua intensidade. O homem da cotidianidade é atuante e fruidor, ativo e receptivo, mas não tem nem tempo nem possibilidade de se absorver inteiramente em nenhum desses aspectos; por isso, não pode aguça-los em toda a sua intensidade. [...]. Trecho extraído da obra Estrutura da vida cotidiana (Paz e Terra, 2004), da filósofa húngara Ágnes Heller (1929-2019), que em outra de suas obras, Sociología de la vida cotidiana (Península, 1977), expressa que: [...] A arte é a autoconsciência da humanidade: suas criações são sempre veículos da genericidade para-si e em múltiplos sentidos. A obra de arte é sempre imanente: representa o mundo como um mundo do homem, como um mundo feito pelo homem. Sua hierarquia de valores reflete o desenvolvimento da humanidade; no topo dessa hierarquia encontram-se sempre aqueles indivíduos (sentimentos, comportamentos individuais) que influenciam ao máximo o processo de desenvolvimento da essência genérica. Dito com mais precisão: o critério de “duração” de uma obra de arte é a elaboração de uma hierarquia desse tipo; se ela não consegue isso, desaparece no poço da história. Em consequência, a obra de arte constitui também a memória da humanidade. As obras suscitadas por conflitos de épocas hoje remotas podem ser gozadas porque o homem atual reconhece naqueles conflitos a pré-história de sua própria vida, de seu próprio conflito: através deles desperta-se a recordação da infância e da juventude da humanidade. [...]. Veja mais aqui,

 

A CAIXA DAS DELÍCIAS – [...] O Natal tem que ser atualizado”, disse Maria. “Deveria ter bandidos, aviões e muitas pistolas automáticas.” [...] Trecho extraídos da obra The Box of Delights (Egmort, 2007), do poeta inglês John Masefield (1878-1967), autor de frases como: Os dias que nos fazem felizes nos tornam sábios. A alma distante pode abalar a alma do amigo distante e fazer sentir a saudade, por incontáveis milhas. Só a estrada e a madrugada, o sol, o vento e a chuva, E o relógio dispara sob as estrelas, e dorme, e a estrada novamente. Veja mais aqui.

 


MAXILIMILIEN DE WALDECK – Imagem recolhida da obra I Modi: The Sixteen Pleasures : An Erotic Album of the Italian Renaissance: The Sixteen Pleasures : an Erotic Album of the Italian Renaissance: Giulio... and Count Jean-Frederic-Maximilien De Waldeck (Northwestern Univ Pr, 1989), reunindo a obra do artista, antiquário, cartógrafo francês Jean-Frédéric Maximilien de Waldeck (1766-1875), tornando-se famoso pela publicação de suas gravuras I Modi. Morreu aos 109 anos de ataque cardíaco ao visualizar uma bela mulher perto da Champs-Élysées, em Paris.

 



Ilustração: J. Lanzelotti

MELANCIA E COCO MOLE

Havia um homem que gostava muito de uma moça e queria casar com ela.

Um dia ele foi chamado pras guerras e disse à moça que não casasse com outro, que quando ele voltasse casaria com ela.

Para ninguém desconfiar o rapaz tratava a moça por Melancia e a moça o tratava por Coco Mole.

Um dia se despediram muito chorosos e ele partiu para as guerras.

Todo dia aparecia casamento para esta moça, porém ela não queria, com sentido no seu querido.

Passados alguns anos e, aparecendo um dia um casamento, o pai da moça decidiu que ela havia de aceitar. Ela fez o gosto do pai, e, quando foi no dia do casamento, o seu namorado chegou das guerras, indagou logo pela moça e soube que ela se casava naquele mesmo dia.

O rapaz ficou muito triste e não quis comer.

Um caboclo, que era pajem dele, perguntou-lhe por que estava tão triste. Sabendo da história, disse-lhe: "Não tem nada, meu amo. Deixe estar que eu arranjo tudo!!"

Havia uma árvore no fundo do quintal da casa da moça, onde ela costumava ir conversar com o antigo namorado. O caboclo ensinou ao amo que fosse para debaixo da árvore, que lhe garantia que a moça iria lá ter. Ele fez o que o caboclo recomendou, e este se dirigiu para casa da noiva. Chegando lá encontrou já todos os convidados, o noivo e a noiva já preparados, só faltando o padre para os casar. O caboclo pediu licença para fazer uma saúde à noiva, chegou-se para junto dela e disse:

"Eu venho lá de tão longe
Corrido de tanta guerra
Melancia, Coco Mole
É chegado nesta terra"

Todos bateram palma e disseram: "Bravo! Caboclo, faça outra saúde".

O caboclo retrucou:

"Não há bebida tão boa
Como seja o aluá
Melancia, Coco Mole
Vos espera no lugar”

Todos bradaram: "Muito bem! Caboclo!… faça outra saúde!"

O caboclo entusiasmado continuou:

"Moça, que estais tão bonita
Não vos lembrais do passado
Melancia, Como Mole
Vos manda muito recado"

Aí a moça levantou-se e disse que ia beber água. Saiu caladinha pela porta do quintal e foi direitinho à árvore onde ela costumava ir conversar com seu antigo namorado, que era o do peito. Chegando aí, encontrou-o e ao mesmo tempo a um padre que já ali se achava apalavrado para os casar. Veja mais aqui.

FONTES:
BRANDÃO, Theo. Um conto popular brasileiro. Revista Brasileira de Folclore, ano VI, n. 14, pp. 5-52, jan-abril, 1966.
CASCUDO, Luís da Câmara. A literatura oral no Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: EdUSP, 1988.
DANTAS, Paulo. Antologia ilustrada do folclore brasileiro: estórias e lendas do norte e nordeste. São Paulo: Edigraf, s/d.
LOPES NETO, João Simões. Contos gauchescos. Porto Alegre : Martins Livreiro, 1998.
RESENDE, José Camelo de Melo. Coco Verde e Melancia – ou Armando e Rosa. São Paulo: Luzeiro, s/d.
ROMERO, Silvio. Contos populares. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954.



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ANNE CARSON, FRANÇOISE VERGÈS, TAHMIMA ANAM & SETÍGONO

    Imagem: Pulsações caósmicas , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Em rota de colisão, a sorte...