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domingo, novembro 05, 2017

LAFCADIO HEARN, JOAN DIDION, FEDERICO FELLINI, ERNST BLOCH, BERTRAND TAVERNIER, CIDADE, CULTURA, LITERÓTICA & ARTERÓTICA

A arte da fotógrafa francesa Laure Albin Guillot (1879-1962). Veja mais aqui.

LITERÓTICA: NOSSA FESTA - Toda sexta-feira, meio-dia em ponto, eu bato meu ponto pro que der e vier. Meio dia em ponto, toda sexta-feira eu chego já pronto e o que é o que é. E ela vem de viés com toda surpresa, rompendo a represa de querer mais. É tudo demais e ela só me fascina, jóia excepcional, uma real mina, bailarina de Degas. Ou nua vestal, dançarina de fuá. E eu sentimental com toda destreza arrasto essa presa, astuta indefesa do pito voar. E para empenar tomo a pele e o pulso, a deixo em soluço a gemer de manhar. A se espernear no corpo rendido, eu domino o seu urânio enriquecido pronto pra explodir e eu só pra acudir num bote certeiro, quando vou de matreiro adornar seus quadris. E se faz bela atriz ensaiando sem medo a me ter entre os dedos, a me lamber num enredo de São Paulo a Paris. O que eu sempre quis e me morde abusada, se entope e se engasga entornando o seu mel. Eu adoço seu fel e vou de gandaia com minha azagaia no seu beleléu. Já sou réu condenado a morrer um bocado no meio do céu. Onde ela faz escarcéu, reluta e se esgana, ela goza sacana no maior pitéu. Ao léu a valer, ela não satisfez. E vem tudo de novo pra glória de um rei, ela sabe e eu não sei, o que importa é viver e venha tudo outra vez. OUTRA VEZ: Toda sexta-feira, meio dia em ponto, ela apronta de tudo comigo e pronto! Ela chega e me olha e toda se desfolha para o bem-me-quer. Ela se abre mulher e eu sorrio, ela se rela e vira cadela no cio e me abraça e me beija, e se faz de puta e princesa quando me quer e eu sou sua passarela onde o sangue dá na canela pro que der e vier. Ela ronda, me cheira e me fela, ela usa e lambuza, se descabela e me acusa de só abusar dela. Ela lambe e abocanha, ela vence e me ganha na melhor de três. Ela me agarra medonha, ela me bate uma bronha na maior maciez. Ela chupa e me suga, ela aponta pra fuga e me faz descortês. Ela agita e me alisa, ela grita e repisa que é a última vez. E nem bem recomeça, ela me prega uma peça e posa sisudez. Ela bole, suspira e rebola, ela delira e quase degola a minha rigidez. E se aninha e engalfinha, ela jura que é minha por mais de um mês. Ela assunta e se enrosca, ela se faz mesa posta e eu seu freguês. Ela ajeita e retruca, ela monta mutuca e diz que não fez. Ela esfrega e renega, ela rega e pula a janela da minha timidez. Ela atiça e se esfola, ela então faz escola pela insensatez. Ela aguça e me inflama, ela me queima na chama da sua nudez. Ela se arrisca de fato, ela fica de quatro na maior viuvez. Ela torce e retorce, ela morde, rejeita e se ajeita e nem se refez. Ela goza e remexe, ela arrocha e debocha na maior altivez. Ela treme e me grita e quer sair muito bem nessa fita com toda malvadez. E quando eu gozo espalhafato de folia de bombo. Ela sorri que de fato fui salvo pela zoada do gongo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aquiaqui.


DITOS & DESDITOS - Em vários aspectos, escrever é o ato de dizer Eu, de se impor sobre as outras pessoas, de dizer escute-me, veja pelo meu lado, mude de ideia. É um ato agressivo, até mesmo hostil. Pensamento da escritora e jornalista estadunidense Joan Didion.

ALGUÉM FALOUCinema-verdade? Prefirto o cinema-mentira. A mentira é sempre mais interessante do que a verdade. Sempre faço o mesmo filme. Não consigo distinguir um dos outros. Pensamento do cineasta italiano Federico Fellini (1920-1993). Veja mais aqui, aqui e aqui.

HERANÇA DESTE TEMPO – [...] Nem todos estão presentes no mesmo tempo presente. Aparentemente estão porque é possível vê-los aqui e agora. Mas não é só por isso que uns e outros vivem no mesmo tempo. Pelo contrário, alguns possuem um passado que se intromete. [...] Tempos mais antigos que os atuais continuam a viver nas camadas mais antigas [...] “As velhas formas”, dizia ele, colaboram em parte para a novidade, quando elas são bem dispostas. O inimigo viu melhor [...] que essas formas são extremamente eficazes. É tempo de recuperar algumas velhas coisas, a urgência da hora nos ordena. A indolente arrogância com que um Kautsky zombava dos “heróis” ou das “pequenas amostras da mística apocalíptica” e se contentava em ridicularizá-las está ultrapassada, tanto na teoria quanto na prática [...]. Trechos extraídos da obra Herança deste tempo (Payol, 1978), do filósofo alemão Ernst Bloch (1885-1977). Veja mais aqui.

CIDADE: A SEDUÇÃO DO LUGAR – [...] Mesmo com as instituições públicas distanciadas, a sensação da cidade e o seu tecido físico estão sempre presentes para os habitantes e visitantes. Apreciado, visto, tocado, cheirado adentrado, consciente ou inconscientemente, esse tecido é uma representação tangível daquela coisa intangível, a sociedade que ali vive e suas aspirações [...]. Trecho extraído da obra A sedução do lugar (Martins Fontes, 2004), do professor e historiador de arte britânico Joseph Ryckert.

QUANDO TUDO COMEÇA – O filme Quando tudo começa (1999), de Bertrand Tavernier, trata sobre a direção de uma escola pública infantil mutirracional, em uma pequena cidade francesa, com alto índice de desemprego. A situação confronta o cotidiano profissional, refletindo sobre o desempenho e o comportamento dos alunos. Utiliza historias reais relatadas por professores, discutindo problemas de educação, de comunidades excluídas, problemas éticos relacionados à exclusão socioeconômica, participação da comunidade, cidadania e solidariedade.


ARTERÓTICA –A coleção Erótica (Taschen, 2001), reunindo a arte de 17th – 18th Century: from Rembrandt to Fragonard, 19th Century: from Courbet to Gaugin, 20th Century Volume I – From Rodin to Picasso & 20th Volume II – From Dali to Grumb, do historiador e editor de arte francês Giles Néret, reúne a expressão artistica erótica dos séculos XVII ao XX. Veja mais aqui.

PROMESSA QUEBRADA - [...] Nada aconteceu que pudesse perturbar a felicidade da jovem esposa até o sétimo dia após o casamento, quando seu marido foi convocado para executar algumas tarefas que exigiam a presença dele no castelo durante a noite. Na primeira vez que foi obrigado a deixá-la sozinha, ela se sentiu indisposta de um modo que não soube explicar, vagamente assustada sem saber por quê. Quando se deitou, não conseguiu dormir. Podia sentir uma estranha opressão na atmosfera, uma densidade inexplicável, como ocorre algumas vezes nos momentos que precedem uma tempestade. Quase na Hora do Boi, ela ouviu, no lado de fora, um sino tocar, o sino dos peregrinos budistas; e se perguntou que peregrino poderia estar passando pelo bairro do samurai àquelas horas. Logo em seguida, após uma pausa, o sino soou muito mais perto. Com certeza, o peregrino estava se aproximando da casa; mas por que o faria pelos fundos, onde sequer havia uma rua?… De repente, os cães começaram a ganir e uivar de uma maneira incomum e apavorante; e ela sentiu-se tomada pelo medo, como o medo que tinha dos sonhos… Aquele som vinha certamente do jardim… Ela tentou se levantar para acordar um serviçal. No entanto, percebeu que não conseguia se erguer, se mover e nem mesmo falar… E o som do sino mais perto, cada vez mais perto; e, nossa!, como os cães estavam uivando!… Então, ligeira como uma sombra furtiva, uma Mulher entrou no quarto, embora todas as portas estivessem trancadas e todas as janelas fechadas, era uma Mulher vestida numa mortalha , carregando um sino de peregrino. Cega, pois estava morta havia muito tempo, ela se aproximou… e seus cabelos soltos escorriam pelo rosto; e sem visão ela olhou através do emaranhado da sua cabeleira e falou sem a língua: — Você não pode ficar nesta casa! Ainda sou a senhora deste lar. Vá embora; e não diga a ninguém a razão de sua partida. Se contar para ELE, eu te deixarei em pedaços! Dizendo isso, a assombração desapareceu. A nova esposa do samurai ficou entorpecida de medo. E assim permaneceu até o dia raiar. Todavia, com a agradável luz da manhã, ela duvidou da realidade do que tinha visto e ouvido à noite. Entretanto, a lembrança daquela ameaça ainda pesava sobre ela com tanta força, que não ousou falar sobre a visão que tivera, nem com seu marido, nem com ninguém; acabou, porém, quase conseguindo persuadir a si mesma de que tudo havia sido apenas um pesadelo que a deixara indisposta. Na noite seguinte, porém, não teve dúvidas. Novamente, na Hora do Boi, os cães começaram a uivar e ganir; novamente o sino soou, aproximando-se lentamente pelo jardim; novamente ela tentou em vão se levantar e chamar alguém; novamente a falecida entrou no quarto e lhe sussurrou: — Vá embora; e não conte a ninguém o motivo de sua partida! Se você sequer contar para ELE, eu te deixarei em pedaços! Desta vez, a assombração chegou perto da cama, curvou-se sobre ela e murmurou, como se pairasse no ar… Na manhã seguinte, quando o samurai voltou do castelo, sua jovem esposa se prostrou diante dele e suplicou: — Eu imploro — disse ela —, perdoe minha ingratidão e minha extrema rudeza dirigindo-me desta forma a você: mas eu quero voltar para casa; quero ir embora imediatamente. — Você não é feliz aqui? — perguntou ele com sincera surpresa. — Alguém ousou ser indelicado com você na minha ausência? — Não, não é isso — soluçou a moça. — Todos têm sido muito bons co- migo… Mas não posso continuar sendo sua esposa; tenho que ir embora… — Minha querida — exclamou o samurai, incrivelmente espantado —, é muito doloroso saber que alguma coisa nesta casa causou-lhe infelicidade. Mas não posso imaginar um motivo para você ir embora, a menos que alguém tenha sido indelicado contigo… Espero que você não esteja dizendo que pretende se divorciar. Tremendo e chorando, ela respondeu: — Se você não me der o divórcio, morrerei! Ele ficou em silêncio durante um instante, tentando inutilmente descobrir alguma causa para aquela surpreendente declaração. Então, sem demonstrar qualquer emoção, disse: — Deixá-la voltar para sua família, sem nenhuma falha da sua parte, seria um ato vergonhoso. Se você me der uma boa razão para esta sua vontade, qualquer razão que me permita explicar honrosamente o que houve, eu concederei o divórcio. Mas, a menos que me dê uma razão, uma boa razão, você não terá o divórcio, pois a honra deste lar deve ser mantida acima de qualquer opróbrio. E assim ela se sentiu obrigada a falar; e lhe contou tudo, acrescentando, numa agonia de terror: — Agora que contei para você, ela me matará! Ela me matará!… Embora fosse um homem de coragem, e pouco inclinado a crer em fantasmas, o samurai ficou bastante sobressaltado por um instante. Mas uma explicação simples e natural logo veio-lhe ao espírito. — Minha querida __ disse ele —, você está muito nervosa agora; e receio que tenham lhe contado histórias absurdas. Não posso conceder-lhe o divórcio apenas porque você teve um pesadelo nesta casa. Mas lamento realmente que esteja sofrendo de tal modo durante minha ausência. Esta noite, também, tenho que ir ao castelo; mas você não ficará sozinha. Ordenarei a dois serviçais que vigiem seu quarto; e você poderá dormir em paz. São pessoas da minha confiança e cuidarão muito bem de você. Em seguida, falou com ela de um modo tão atencioso e afetuoso que a moça se sentiu quase envergonhada do seu terror, e resolveu permanecer naquela casa. Os dois serviçais encarregados de cuidar da jovem esposa eram homens simples, fortes e corajosos, que tinham experiência em proteger mulheres e crianças. Eles contaram à moça histórias divertidas para alegrá-la. Ela conversou com eles por um bom tempo, riu de suas tiradas bem-humoradas, e quase esqueceu seus receios. Quando finalmente ela se deitou para dormir, os dois guardiões tomaram seus lugares no canto do quarto, atrás da tela, e iniciaram um jogo de go, falando apenas em sussurros, para não incomodá-la. Ela adormeceu feito uma criança. Porém, mais uma vez, na Hora do Boi, ela despertou com um gemido de terror ao ouvir o sino lá fora!… O som já estava perto e cada vez se aproximava mais. Ela teve um sobressalto e gritou; mas não notou nenhum movimento no quarto, havia somente um silêncio sepulcral, um silêncio crescente, cada vez mais denso. Ela correu na direção de seus guardiões: estes estavam sentados diante do tabuleiro, imóveis, miravam-se um ao outro com os olhos fixos. A moça os chamou, os sacudiu: eles permaneceram paralisados, como se estivessem congelados… Mais tarde, eles disseram ter ouvido o sino, e também o grito da jovem esposa, até chegaram a sentir que ela os sacudia para despertá-los; e que, no entanto, não foram capazes de se mover nem de falar. No momento exato em que pararam de ouvir e enxergar, submergiram num sono sinistro. Ao entrar no quarto de casal, de madrugada, o samurai viu, na claridade de uma luz evanescente, o corpo sem cabeça de sua jovem esposa, deitado numa poça de sangue. Ainda agachados diante do jogo inconcluso, os dois serviçais dormiam. Ao ouvirem o grito do senhor eles despertaram, e com uma expressão estúpida, afrontaram o horror no chão… Não encontraram a cabeça; e a ferida horrenda mostrava que ela não havia sido cortada, mas arrancada. Um rastro de sangue se estendia do quarto até um ângulo da varanda, onde as portas que protegem das intempéries pareciam ter sido rachadas. Os três homens seguiram o rastro até o jardim, passando pelo gramado, pelos canteiros de areia, ao longo da margem de um lago iridescente sob a sombra espessa de cedros e bambus. E, repentinamente, num desvão, encontraram-se face a face com uma coisa horripilante que se agitava como um morcego: a figura da mulher há muito enterrada, ereta diante de seu túmulo, numa das mãos o sino, na outra a cabeça ainda gotejante… Por um momento, os três ficaram entorpecidos. Em seguida, um dos serviçais, pronunciando uma prece budista, avançou e desferiu um golpe sobre aquele vulto. Imediatamente o vulto se esfarelou no chão, não passava de um amon- toado de trapos de pano, ossos e cabelos; e o sino rolou retinindo para longe daquele dejeto humano. Mas a mão direita, descarnada, mesmo decepada do pulso, ainda se contorcia; e seus dedos comprimiam a cabeça ensangüentada, dilacerando-a e desfigurando-a, como as tenazes dos caranguejos amarelos estraçalhando uma fruta que caiu da árvore…— Esta é uma história cruel — disse eu ao amigo que acabara de contá-la. — Se a falecida queria se vingar de alguém, deveria ter escolhido o marido. — É assim que os homens pensam — respondeu. — Mas não é desse modo que as mulheres agem… Ele tinha razão. [...]. Trechos da obra do escritor japonês Lafcadio Hearn (1850-1904). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da fotógrafa francesa Laure Albin Guillot (1879-1962). 
Veja mais aquiaqui.

TODO DIA É DIA DA MULHER
Leitora Tataritaritatá.

Todo dia é Dia da Cultura
&
Cantarau Tataritaritatá!
Ligue o som para conferir & veja clipes/vídeos aqui.

domingo, fevereiro 21, 2016

GAY TALESE, NINA SIMONE, ERPENBECK, SEGATO, DAREL, ODISSEIA & LITERÓTICA

 

CELEBRAÇÃO DELA... – Seus olhos esbanjam a gula arraigada de sua paradisíaca exacerbação indomável – neles o abrigo para me salvar da diáspora. A sua arregalada boca murmura à vida o conluio de nossos beijos arrebatados. Seus apimentados lábios entreabertos exaltam a pulsão da oblíqua espera da sua gula insaciável – o verbo revelado. O abissal decote me chama a percorrer o vale entre as dunas apetitosas de seus aduncos seios ofertados, para que eu saboreie mangas-rosas ao meu paladar salivador – regaço da minha redenção, meu eremitério. Nos seus braços o porto seguro para ancoragem das minhas andanças, para ganhar de suas mãos a gênese dos dias e das noites. E assim reina soberana sobre meu sexo exímia manipuladora, provocando-me exaltado ao seu domínio possessivo. Inupta alvoroçada entre as minhas pernas, arranchando vasculhadora sobre o meu ventre, a remover os óbices para se apropriar da minha artilharia púbica, apoderando-se da torre devassada por seu poderio da língua serpenteante aveludada, acometendo-me com o fluxo de suas abocanhadas mais ousadas, a render-me refém de sua sagacidade sensual de arquear debruçada, ofertando-me as costas espalmadas, para me servirem de pista de pouso numa aterrissagem altiva por suas escorregadias montanhas do Cáucaso, deslizando-me pelo tobogã do seu pódice alvissareiro, a esquiar libidinoso suas fontes pudendas, meu propício hangar, porque suas pernas são os caminhos para as andanças do meu leste, meus pontos cardeais para a ilha dos sonhos e ao se abrirem todas as fechaduras escancaram-se as portas volumosas de suas voluptuosas coxas, a me convidar pra invadi-las vidente desbravador de toda a opulência de seus tesouros mais secretos. Nocê estão todos os atributos da Deusa-Mãe para tornar-se o altar da minha devoção, meu andor em procissão, engatinhando reboladora para me servir o orifício cobiçado e a gruta dos milagres e possa visitar as eventuais habitações filiais da mônada suprema, a cavalgá-la qual possante égua no cio a me levar pra Shangri-lá com seu torrencial orgasmo - tê-la meu nirvana, seu gozo minha iluminação, sua nudez a minha iniciação – do seu ventre toda verdade desvelada, o portal da eternidade, meu Shekinah. É nela o que sou da ascensão aos céus divinos. Veja mais abaixo & aqui.

 


DITOS & DESDITOS

No fim das contas, existem certas coisas que você pode levar consigo quando foge, coisas que não têm peso, como a música...

Pensamento da escritora e diretora de ópera alemã, Jenny Erpenbeck. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

ALGUÉM FALOU:

[...] Falar de mulheres não é somente relatar os fatos em que esteve presente, mas reconhecer o processo histórico de exclusão de sujeitos. [...]

Trecho extraído da obra Tempos diferentes, discursos iguais: a construção do corpo feminino na história (UFGD, 2014), da historiadora, pesquisadora e professora Ana Maria Colling.

 

ODISSEIA – […] De todas as criaturas que respiram e se movem sobre a terra, nenhuma é mais frágil que o homem. [...] Há tempo para muitas palavras, e há também tempo para dormir. [...] Não há nada mais admirável do que quando duas pessoas que se entendem perfeitamente vivem juntas como marido e mulher, confundindo seus inimigos e encantando seus amigos. [...] Um homem que passou por experiências amargas e viajou muito, passa a apreciar até mesmo seus sofrimentos depois de um tempo. [...] Um amigo com um coração compreensivo vale tanto quanto um irmão. [...] Os homens são tão rápidos em culpar os deuses: dizem que nós arquitetamos sua miséria. Mas eles eles mesmos - em sua depravação - arquitetam dores maiores do que as dores que o destino lhes impõe. [...]. Trechos extraídos da obra The Odyssey (Penguin, 2010), do poeta grego Homero. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A ESPOSA DO TEU PRÓXIMO - [...] Os homens admitiam ser infinitamente fascinados pela forma feminina nua; eles apreciavam as mulheres de uma maneira distante e impessoal que as mulheres, mesmo aquelas que se sentiam lisonjeadas por tal atenção, raramente compreendiam. [...] Embora a força moral da tradição judaico-cristã e da lei tenha buscado purificar o pênis e restringir sua semente à instituição santificada do matrimônio, o pênis não é, por natureza, um órgão monogâmico. Ele não conhece nenhum código moral. Foi concebido pela natureza para o desperdício, anseia por variedade, e nada menos que a castração eliminará o fascínio da prostituição, da fornicação, do adultério ou da pornografia. [...] Ao contrário dos milhões que se masturbam casualmente em solidão enquanto olham fotos de mulheres na Playboy e revistas semelhantes, o massagista preferia uma cúmplice, uma acompanhante de aparência respeitável que o ajudasse a reduzir a culpa e a solidão desse ato de amor tão solitário. [...] Curiosamente, o caso histórico de 1868 na Inglaterra, que definiu pela primeira vez a obscenidade — conhecido entre os advogados como a decisão Hicklin — surgiu da acusação de um panfleto que descrevia como os padres frequentemente ficavam tão excitados sexualmente ao ouvirem as confissões das mulheres que às vezes se masturbavam e até copulavam com suas súditas arrependidas no confessionário. [...] O homem casado médio, se tivesse energia, poderia ter relações sexuais com várias mulheres sem diminuir o afeto e o desejo que sentia por sua esposa. Mas mulheres como Judith — ao contrário de mulheres verdadeiramente libertas como Barbara e Arlene — não conseguiam simplesmente aceitar um homem como um instrumento temporário de prazer; elas queriam luz suave e promessas, não apenas um pênis, mas o homem a ele ligado. [...] O pênis, muitas vezes considerado uma arma, é também um fardo, a maldição masculina. [...]. Trechos extraídos da obra Thy Neighbor's Wife: A Chronicle of American Permissiveness Before the Age of AIDS (Random House, 1995), do escritor estadunidense Gay Talese, que noutro livro seu, The Voyeur's Motel (Grove Press, 2016), ele expressa: [...] Se nossa sociedade tivesse a oportunidade de ser voyeur por um dia, encararia a vida de maneira muito diferente da atual. [...].

 

FEMINICÍDIO – [...] Na língua do feminicídio, o corpo feminino também significa território e sua etimologia é tão arcaica como são recentes suas transformações. Tem sido constitutivo da linguagem das guerras, tribais ou modernas, que o corpo da mulher seja anexado como parte do país conquistado. A sexualidade derramada sobre ele expressa o ato de domesticação, apropriação, ao inseminar o território-corpo da mulher. [...]. Trecho extraído da obra La guerra contra las mujeres (Traficantes de Sueños, 2016), da antropóloga e escritora argentina Rita Laura Segato, autora de obras como Las estructuras elementales de la violencia (2003), La nación y sus otros (2007), Las nuevas formas de la guerra y el cuerpo de las mujeres (2014), entre otros.

 


NINA SIMONE
– Curtindo o dvd Nina Simone Ao vivo (Kultur/Creative Arts, 2005), da pianista, compositora, cantora e ativista pelos direitos civis estadunidenses Nina Simone (1933-2003). Veja mais aqui.


Confira mais Wystan Hugh Auden, Stanislaw Ponte Preta, Anaïs Nin, Maria de Medeiros, Alberti Leon Battista, Francisco Manuel da Silva, Luli Coutinho & muito mais aqui.


Arte do gravurista, pintor, desenhista, ilustrador e professor Darel Valença Lins. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui, aqui e aqui.

A POESIA DE BERNARDO GUIMARÃES (1825-1884)

A ORIGEM DO MÊNSTRUO (De uma fábula de Ovídio achada nas escavações de Pompéia evertida em latim vulgar por Simão de Nuntua).

Stava Vênus gentil junto da fonte
fazendo o seu pentelho,
com todo o jeito, pra que não ferisse
das cricas o aparelho.
Tinha que dar o cu naquela noite
ao grande pai Anquises,
o qual, com ela, se não mente a fama,
passou dias felizes...
Rapava bem o cu, pois, resolvia
na mente altas idéias:
– ia gerar naquela heróica foda
o grande e pio Enéias.
Mas a navalha tinham o fio rombo,
e a deusa, que gemia,
arrancava os pentelhos e peidando,
caretas mil fazia!
Nesse entretanto, a ninfa Galatéia,
acaso ali passava, e vendo a deusa assim tão agachada,
julgou que ela cagava...
Essa ninfa travessa e petulante
era de gênio mau,
e por pregar um susto à mãe do Amor,
atira-lhe um calhau...
Vênus se assusta. A branca mão mimosa
se agita alvoroçada,
e no cono lhe prega (oh! caso horrendo!)
tremenda navalhada.
Da nacarada cona, em sutil fio,
corre purpúrea veia,
e nobre sangue do divino cono
as águas purpureia...
(É fama que quem bebe dessas águas
jamais perde a tesão
e é capaz de foder noites e dias,
até no cu de um cão!)
– "Ora porra!" – gritou a deusa irada,
e nisso o rosto volta...
E a ninfa, que conter-se não podia,
uma risada solta.
A travessa menina mal pensava
que, com tal brincadeira,
ia ferir a mais mimosa parte
da deusa regateira...
– "Estou perdida!" – trêmula murmura
a pobre Galatéia,
vendo o sangue correr do róseo cono
da poderosa déia...
Mas era tarde! A Cípira, furibunda,
por um momento a encara,
e, após instantes, com severo acento,
nesse clamor dispara:
"Vê! Que fizeste, desastrada ninfa,
que crime cometeste!
Que castigo há no céu, que punir possa
um crime como este?
Assim, por mais de um mês inutilizas
o vaso das delícias...
E em que hei de gastar das longas noites
as horas tão propícias?
Ai! Um mês sem foder! Que atroz suplício...
Em mísero abandono,
que é que há de fazer, por tanto tempo,
este faminto cono?
Ó Adonis! Ó Jupiter potentes!
E tu, mavorte invito!
E tu, Aquiles! Acudi de pronto
da minha dor ao grito!
Este vaso gentil que eu tencionava
tornar bem fresco e limpo
para recreio e divinal regalo
dos deuses do Alto Olimpo
Vede seu triste estado, ó! Que esta vida
em sangue já se esvai-me!
Ó Deus, se desejais ter foda certa
vingai-vos e vingai-me!
Ó ninfa, o teu cono sempre atormente
perpétuas comichões,
e não aches quem jamais nele queira
vazar os seus colhões...
Em negra, podridão imundos vermes
roam-te sempre a crica,
e à vista dela sinta-se banzeira
a mais valente pica!
De eterno esquentamento flagelada,
verta fétidos jorros,
que causem tédio e nojo a todo mundo,
até mesmo aos cachorros!"
Ouviu-lhe estas palavras piedosas
do Olimpo o Grão-Tonante,
que em pívia ao sacana do Cupido
comia nesse instante...
Comovido no íntimo do peito,
das lástimas que ouviu,
manda ao menino que, de pronto, acuda
à puta que o pariu...
Ei-lo que, pronto, tange o veloz carro
de concha alabastrina,
que quatro aladas porras vão tirando
na esfera cristalina
Cupido que as conhece e as rédeas bate
da rápida quadriga,
co'a voz ora as alenta, ora co'a ponta
das setas as fustiga.
Já desce aos bosques onde a mãe, aflita,
em mísera agonia,
com seu sangue divino o verde musgo
de púrpura tingia...
No carro a toma e num momento chega
à olímpica morada,
onde a turba dos deuses, reunida,
a espera consternada!
Já Mercúrio de emplastros se aparelha
para a venérea chaga,
feliz porque aquele curativo
espera certa a paga...
Vulcano, vendo o estado da consorte,
mil pragas vomitou...
Marte arranca um suspiro que as abóbadas
celestes abalou...
Sorriu a furto a ciumenta Juno,
lembrando o antigo pleito,
e Palas, orgulhosa lá consigo,
resmoneou: – "Bem-feito"!
Coube a Apolo lavar dos roxos lírios
o sangue que escorria,
e de tesão terrível assaltado,
conter-se mal podia!
Mas, enquanto se faz o curativo,
em seus divinos braços,
Jove sustém a filha, acalentando-a
com beijos e com abraços.
Depois, subindo ao trono luminoso,
com carrancudo aspecto,
e erguendo a voz troante, fundamenta
e lavra este DECRETO:
– "Suspende, ó filha, os lamentos justos
por tão atroz delito,
que no tremendo Livro do Destino
de há muito estava escrito.
Desse ultraje feroz será vingado
o teu divino cono,
e as imprecações que fulminaste
agora sanciono.
Mas, inda é pouco: – a todas as mulheres
estenda-se o castigo
para expiar o crime que esta infame
ousou para contigo...
Para punir tão bárbaro atentado,
toda humana crica,
de hoje em diante, lá de tempo em tempo,
escorra sangue em bica...
E por memória eterna chore sempre
o cono da mulher,
com lágrimas de sangue, o caso infando,
enquanto mundo houver..."
Amém! Amém! como voz atroadora
os deuses todos urram!
E os ecos das olímpicas abóbadas,
Amém! Amém! sussurram...

O ELIXIR DO PAJÉ

Que tens, caralho, que pesar te oprime
que assim te vejo murcho e cabisbaixo
sumido entre essa basta pentelheira,
mole, caindo pela perna abaixo?
Nessa postura merencória e triste
para trás tanto vergas o focinho,
que eu cuido vais beijar, lá no traseiro,
teu sórdido vizinho!
Que é feito desses tempos gloriosos
em que erguias as guelras inflamadas,
na barriga me dando de contínuo
tremendas cabeçadas?
Qual hidra furiosa, o colo alçando,
co'a sanguinosa crista açoita os mares,
e sustos derramando
por terras e por mares,
aqui e além atira mortais botes,
dando o co'a cauda horríveis piparotes,
assim tu, ó caralho,
erguendo o teu vermelho cabeçalho,
faminto e arquejante,
dando em vão rabanadas pelo espaço,
pedias um cabaço!
Um cabaço! Que era este o único esforço,
única empresa digna de teus brios;
porque surradas conas e punhetas
são ilusões, são petas,
só dignas de caralhos doentios.
Quem extinguiu-te assim o entusiasmo?
Quem sepultou-te nesse vil marasmo?
Acaso pra teu tormento,
indefluxou-te algum esquentamento?
Ou em pífias estéreis te cansaste,
ficando reduzido a inútil traste?
Porventura do tempo a destra irada
quebrou-te as forças, envergou-te o colo,
e assim deixou-te pálido e pendente,
olhando para o solo,
bem como inútil lâmpada apagada
entre duas colunas pendurada?
Caralho sem tensão é fruta chocha,
sem gosto nem cherume,
lingüiça com bolor, banana podre,
é lampião sem lume
teta que não dá leite,
balão sem gás, candeia sem azeite.
Porém não é tempo ainda
de esmorecer,
pois que teu mal ainda pode
alívio ter.
Sus, ó caralho meu, não desanimes,
que ainda novos combates e vitórias
e mil brilhantes glórias
a ti reserva o fornicante Marte,
que tudo vencer pode co'engenho e arte.
Eis um santo elixir miraculoso
que vem de longes terras,
transpondo montes, serras,
e a mim chegou por modo misterioso.
Um pajé sem tesão, um nigromante
das matas de Goiás,
sentindo-se incapaz
de bem cumprir a lei do matrimônio,
foi ter com o demônio,
a lhe pedir conselho
para dar-lhe vigor ao aparelho,
que já de encarquilhado,
de velho e de cansado,
quase se lhe sumia entre o pentelho.
À meia-noite, à luz da lua nova,
co'os manitós falando em uma cova,
compôs esta triaga
de plantas cabalísticas colhidas,
por sua próprias mãos às escondidas.
Esse velho pajé de pica mole,
com uma gota desse feitiço,
sentiu de novo renascer os brios
de seu velho chouriço!
E ao som das inúbias,
ao som do boré,
na taba ou na brenha,
deitado ou de pé,
no macho ou na fêmea
de noite ou de dia,
fodendo se via
o velho pajé!
Se acaso ecoando
na mata sombria,
medonho se ouvia
o som do boré
dizendo: "Guerreiros,
ó vinde ligeiros,
que à guerra vos chama
feroz aimoré",
- assim respondia
o velho pajé,
brandindo o caralho,
batendo co'o pé:
- Mas neste trabalho,
dizei, minha gente,
quem é mais valente,
mais forte quem é?
Quem vibra o marzapo
com mais valentia?
Quem conas enfia
com tanta destreza?
Quem fura cabaços
com gentileza?"
E ao som das inúbias,
ao som do boré,
na taba ou na brenha,
deitado ou de pé,
no macho ou na fêmea,
fodia o pajé.
Se a inúbia soando
por vales e outeiros,
à deusa sagrada
chamava os guerreiros,
de noite ou de dia,
ninguém jamais via
o velho pajé,
que sempre fodia
na taba na brenha,
no macho ou na fêmea,
deitando ou de pé,
e o duro marzapo,
que sempre fodia,
qual rijo tacape
a nada cedia!
Vassouras terrível
dos cus indianos,
por anos e anos,
fodendo passou,
levando de rojo
donzelas e putas,
no seio das grutas
fodendo acabou!
E com sua morte
milhares de gretas
fazendo punhetas
saudosas deixou...
Feliz caralho meu, exulta, exulta!
Tu que aos conos fizeste guerra viva,
e nas guerras de amor criaste calos,
eleva a fronte altiva;
em triunfo sacode hoje os badalos;
alimpa esse bolor, lava essa cara,
que a Deusa dos amores,
já pródiga em favores
hoje novos triunfos te prepara,
graças ao santo elixir
que herdei do pajé bandalho,
vai hoje ficar em pé
o meu cansado caralho!
Sus, caralho! Este elixir
ao combate hoje tem chama
e de novo ardor te inflama
para as campanhas do amor!
Não mais ficará à-toa,
nesta indolência tamanha,
criando teias de aranha,
cobrindo-te de bolor...
Este elixir milagroso,
o maior mimo na terra,
em uma só gota encerra
quinze dias de tesão...
Do macróbio centenário
ao esquecido mazarpo,
que já mole como um trapo,
nas pernas balança em vão,
dá tal força e valentia
que só com uma estocada
põe a porta escancarada
do mais rebelde cabaço,
e pode em cento de fêmeas
foder de fio a pavio,
sem nunca sentir cansaço...
Eu te adoro, água divina,
santo elixir da tesão,
eu te dou meu coração,
eu te entrego a minha porra!
Faze que ela, sempre tesa,
e em tesão sempre crescendo,
sem cessar viva fodendo,
até que fodendo morra!

BERNARDO GUIMARÃES (1825-1884)– Bernardo Joaquim da Silva Guimarães, magistrado, jornalista, professor, romancista e poeta, nasceu em Ouro Preto, MG, em 15 de agosto de 1825, falecendo, na mesma Cidade, em 10 de março de 1884, sendo filho de Joaquim da Silva Guimarães e Constança Beatriz de Oliveira. Tendo sido indicado como o patrono da Cadeira n. 5 da Academia Brasileira de Letras, por escolha de Raimundo Correia, em 1896, portanto, doze anos após a sua morte. Tem-se como certa a sua participação, em 1842, na revolução liberal. Bernardo Guimarães, Álvares de Azevedo e Aureliano Lessa, fundaram (em 1845), com outros estudantes, a “Sociedade Epicuréia”, a que se atribuíram “coisas fantásticas”, que ganharam fama no meio paulistano. A capital paulista, na época, tinha uma população em torno de 15 mil pessoas. Com uma visão conservadora, os paulistas se escandalizavam com o comportamento dos estudantes, membros da mencionada sociedade secreta, em que os mesmos, alunos da Academia, chamavam-se uns aos outros pelos nomes de personagens do Lord Byron e tinham, como objetivo principal, colocar em prática as "extravagantes fantasias" do poeta inglês. Essa atitude era vista pelos conservadores como algo devasso, atentando contra a moral predominante na época. Já em 1847, aos 24 anos, matriculou-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo. Nessa época, tornou-se amigo inseparável de Álvares de Azevedo e Aureliano Lessa. Antes da morte precoce de Álvares de Azevedo (1831-1852), os três amigos planejavam publicar um livro de versos, intitulado "AsTrês Liras". Esse sonho nunca foi realizado. Bacharelou-se, em 2ª. época, no começo de 1852. Nesse ano publicou Cantos da Solidão, obra de poesia. Na carreira jurídica exerceu o cargo de juiz municipal e de órfãos de Catalão, em Goiás, por duas vezes, em 1852-54 e 1861-64. Depois de passar 6 anos em Goiás, o escritor muda-se para o Rio de Janeiro e, entre 58 e 60, trabalha como jornalista e crítico literário no jornal Atualidade. Retornando a Goiás em 1861, novamente como juiz municipal de Catalão. Sendo um magistrado rigoroso, mas humano, tomou uma atitude que releva a sua personalidade: decretou a absolvição, libertando todas as pessoas presas da cidade, em virtude das péssimas instalações dos presídios em que ficavam recolhidos os presos. Esta ousadia lhe rendeu um processo promovido pelo presidente da província, sendo, ao final, absolvido da acusação que lhe foi dirigida. Fixou-se, a partir de 1866, em Ouro Preto, onde foi nomeado professor de retórica e poética no Liceu Mineiro. No entanto, a partir de 1869, Bernardo Guimarães já começava a se destacar como escritor de prosa de ficção, com a publicação de seu primeiro romance, O ermitão de Muquém. Três anos depois, publica duas de suas principais obras: O seminarista e O garimpeiro. Em 1873, foi nomeado professor de latim e francês em Queluz, atual Lafayette, MG. Também esta cadeira foi extinta. Mas foi com a primeira edição de A Escrava Isaura, em 1875, em meio à campanha abolicionista, que o escritor ganhou fama e popularidade em diversas partes do mundo, pois essa obra teve ampla aceitação em mais de 30 paises, seja em forma de livros, seja como novela. Dedicando-se inteiramente à literatura, escreveu ainda quatro romances e mais duas coletâneas de versos. A visita de Dom Pedro II a Minas Gerais, em 1881, deu motivo a que o Imperador prestasse expressiva homenagem a Bernardo Guimarães, a quem admirava. Aos 58 anos, precisamente em 10 de março de 1884, Bernardo Guimarães morreu em Ouro Preto, deixando inacabadas as obras: A história de Minas Gerais, encomendada pelo imperador D. Pedro II, em 1881, e o romance O bandido do Rio das Mortes. Veja mais aqui.

REFERÊNCIAS
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