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segunda-feira, outubro 19, 2020

MIGUEL ASTURIAS, LAURA PERRUDIN, FANNIE HURST, NATHALIE SARRAUTE, ANTÓNIO OLE, MESTRE BARACHO, CAFUNÉ & LEILA DINIZ

 

TRÍPTICO DQC: SEGUNDA FEIRA, O TRÂMITE DA SOLIDÃO – Não estou morto e respirei aliviado. Veio o sol e não sei nada, nem me eternizo. Não tenho ninguém para ficar comigo a esta hora e as pessoas patéticas e tolas, saíram para não sei quê nem onde: fabricam sonhos nas ruas. Os barulhos indômitos refazem a cidade de pernas pro ar. Sorrio e choro, lavando o destino. Nenhuma ressurreição no tempo: o sisifismo louco dos dias e a contagem regressiva das horas. Coabita comigo as imagens de ontem e a migração dos ponteiros no corrimão tortuoso da manhã. Ademais, me deprimo com tudo isso: tudo no espelho. Não estou morto e respirei aliviado com o amanhecer.

 


DOIS CAFUNÉS & O INFERNO DO MUNDO É O MAIOR PARAÍSO!!!! - Imagem: curtindo os álbuns Impressões (Volatinos, 2015), Venenos & antídotos (Volatinos, 2017) & Perspectives & Avatars (Laurent Carrier, 2020), da cantora, musicista, compositora, harpista, autora e produtora francesa, Laura Perrudin. - Solitário em Stonehenge, não sabia como havia chegado ali. Dedilho outsider a lira a herança do inominável e a perseguição incomunicável da bestialização dos desmemoriados a me esboroar dia a dia. Demolido estou e nem me importo, faço perguntas, não tenho respostas. Prefiro insolente de tudo cantarolar: Eu adoro uma iaiá, / que quando está de maré, / me chama, muito em segredo, / pra me dar seu cafuné. / Abre o cabelo de banda, / dá-me quatro cafuné / raiva de homem não dura / pra mansidão de mulher. / Não sei que jeito ela tem / no revolver dos dedinhos, / qu’eu fecho os olhos, suspiro / quando sinto os estalinhos. Ouvi um riso agradável. Quem? Dela só a pergunta: Cafuné? Em resposta àqueles olhos lindos, citei O médio São Francisco: uma sociedade de pastores guerreiros (Brasiliana/CEN/INL, 1983), do ensaísta, jornalista e escritor Wilson Lins (1919-20014): o cafuné bem catado pelos dedos lerdos da mucama quente, influem poderosamente no perfil psicológico do homem rural, refletindo na sua vida doméstica e explicando a sua tendência para viver o mais possível dentro de casa. Ela lindamente mais se ria a repetir: Cafuné? Sim? Nome engraçado, poético. Expliquei com mais detalhes, ao que ela, aparência de Fannie Hurst na capa da Esquina do Pecado (Record, 1958), a me dizer Nathalie Sarraute: A poesia numa obra é o que faz aparecer o invisível. Como é que se aplica? Demonstrei e ela deitou minha cabeça no seu colo: Assim? Sim. Como dizia musa imortal Leila Diniz: Um cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco. Ah, se nunca acabasse, tudo seria festa. Eu sei, amanhã é outro dia e não mais.

 


TRÊS PALAVRAS & UMA ESPERANÇA - Imagem: a arte do artista visual, cineasta e multiartista angolano António Ole – O quarto, a distopia e o mundo devastado. Invisíveis ocupam meu espaço, isso eu sei, afora fantasmas resilientes que povoam minha loucura e os indiferentes passantes que sequer sabem que flagro uma barata pelos cantos e uma aranha tece da quina do teto, haja vista sejam meus adoráveis inquilinos, aliás, sei que outros de ultradimensões ou sei lá povoam meus espaços, todos convidados para o banquete da minha solidão. É muito melhor sentir assim do que sem fazer nada como se carregasse pedras num labor inútil. Um gafanhoto voou de um lado para outro e todos os cantos do quarto. Enfim, era uma Esperança, pousou ao meu ombro e o milagre aconteceu na voz de Miguel Ángel Asturias: Seja de que forma a vida te trate, à medida que o tempo vai passando tens sempre a sensação que perdeste a vida no próprio ato de a viver. Que maravilha! Fiquei feliz com o inusitado. Sei, não estou recluso ao meu quarto por medo de morrer, nada disso, para não disseminar nem contaminar os outros. A sindemia pulverizada no meu rumo, vou assim mesmo. Para outroutras, se eu morresse agorinha mesmo, já iria tarde. Voo. Até mais ver.

 

A ARTE DE MESTRE BARACHO

Essa ciranda quem me deu foi Lia / Que mora na ilha / de Itamaracá. 

Ó cirandeiro / cirandeiro ó/ a pedra do seu anel/ brilha mais do que o sol...

Formiga come do que carrega, / lá não deu pra mim, / eu inventei outra ideia.

Agora fico bem satisfeito porque morro, mas meu nome fica na história como o rei sem coroa.

A arte de um dos ícones da cultura popular pernambucana, Antonio Baracho da Silva (1907-1988), o Mestre Baracho, o Rei da Ciranda & o Mestre de Maracatu. Veja mais aqui & aqui.

 


 


sexta-feira, fevereiro 28, 2020

CLARA CAMPOAMOR, CIDA PEDROSA, GEORGE GROSZ, LUZILÁ GONÇALVES & TEJUCUPAPO


TODO DIA É DIA DA MULHER – UMA TABULETA: PASSIONAL CONTROVERTIDA, OU MELHOR, O VIVO QUE SE APAIXONOU PELA MORTA!?! - Caso incrível o de alguém se apaixonar por outra que está condenada à morte, morrendo (ou matando-se) em seguida por pura paixão. Hem? Este é o mote da fabulosa história da bela jovem Charlotte Corday (1768- 1793), aquela mesma que corajosamente planejou e investiu com uma facada contra o peito do pavoroso sanguinário Marat (1743-1793), matando-o quando ele comandava mortes da sua banheira, durante a Revolução Francesa. Como é que é? Isso mesmo. Mas por que ela fez isso? O que a motivou? Caso de amor, crime passional? Paixão recolhida? Nada. Presa e encarcerada, durante o julgamento, ela respondeu com frieza aos seus inquisidores: Meu dever é suficiente - o resto não é nada! Nada, exceto que eu consegui! Eu matei um homem para salvar cem mil. Nenhum inocente será caluniado e comprometido por minha causa. Apenas eu concebi o plano e o executei. Perdoai-me pai, a vergonha está no crime, e não no patíbulo. Ué? Ela foi condenada à guilhotina. E mais: o seu ato mexeu com o coração do revolucionário alemão Adam Lux (1765-1793), que, perdidamente apaixonado, começou um movimento que o levou à leitura do panegírico por ela escrito às vésperas da morte e, por isso mesmo, seguiu voluntariamente o mesmo caminho dela: Morro por Charlotte Corday! E a lâmina afiada também decepou sua cabeça. Eita! Foi. O amor é lindo! Quando não, trágico demais. DUAS TABULETAS: MUDAR DE ASSUNTO, ORA, BUNDA DE FORA! – Ah-rá! Lembrei aquela contada pelo Jaguar sobre um minúsculo bar que mal cabia um grupelho qualquer, não mais que uns 5 gatos pingados e em pé de tão apertado, e, um dia, recepcionou ali a não menos deusa e eterna musa Leila Diniz. Ela, no seu jeito sempre de ser, sacudiu na caixa dos peitos dele: Isso aqui é tão miúdo, chega a gente ficar com a bunda de fora! Hahahaha! O dono do mosqueiro não teve dúvidas: tascou a expressão numa tabuleta para que todo mundo reconhecesse como o nome do botequinho. Deu bronca, os milicos da repressão pegaram pesado e ele teve de dar um jeito. E deu, o nome ficou só: ...de fora. Mas ficou, ora! Hehehehehe. TRÊS TABULETAS: ALIVIANDO NA PANCADA, QUE BELA TAMBÉM SOFRE. E COMO! Voltando ao papo do amor... Na minha vida toda vi todo jeito de desenlace. Uns meio apaziaguados, assim, litigioso com cara de amigável, faz de conta - ah, a quem querem enganar, hem? Outros, nem tanto: é cada rabo de foguete armando o maior barraco. Oxe! É que amantes quando chegam na hora do sai para lá, tem sempre um que não quer. Aí, já viu, né? Sempre é assim. Um dia antes: meu amor para lá, minha vida para cá, biquinhos colados, mãos dadas, tudo tão estreitado de ninguém ser capaz de dizer que aquela união um dia, de uma hora para outra, possa ser apartada, de destroçar vupt! Até acabar assim do nada. Num estalo de dedo. Mas como? Ainda ontem! Pois é, de onde menos se espera, a paixão dá uma entortada no maior envergado que, de tão atrabiliária finda estupefata: cada um com a cara de tacho, remoendo com as bochechas viradas pro lado oposto, dos bicudos nunca mais se entenderem. Aí vem: Salafrário! Vagabunda! Canalha! Quenga! Cagão! Peidona! Danou-se! Isso afora outras empioradas titulaturas odientas e desamadas. Vixe! Muitas! Vôte! O amor tem disso, no final ninguém sai feliz. A melhor de todas foi a da não menos genial musa Pagu: Tenho várias cicatrizes, mas estou viva. Abram a janela. Desabotoem minha blusa. Eu quero respirar. Coisa de quem sucumbiu ao desacerto do que parecia ser um grande amor e sai disfarçando com assobios e lalarilalarás, como se ninguém notasse os cacos ajuntados a se desmontarem na maior dor de cotovelo. Não vale mangar, a próxima vítima pode ser você! Hehehehehe! E vamos aprumar a conversa, gente! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Deixe a mulher se manifestar como é, conhecê-la e julgá-la; respeite seu direito como ser humano; [...] e se o direito constitucional, como norma jurídica dos povos civilizados, todos os dias se aproxima do conceito de liberdade, não nos invoca o princípio aristotélico tardio da desigualdade de seres desiguais [...] Deixe, além disso, a mulher que age em Direito, que será a única maneira de ser educada nele, quaisquer que sejam os obstáculos e as hesitações que, em princípio, ela possuía. [...] Regozijei-me ao pensar que esta Constituição será, pelo seu tempo e pelo seu espírito, a melhor, até agora, daquelas que existem no mundo civilizado, as mais livres, as mais avançadas, e também pensei nela, como no decreto do governo provisório de que, nos quinze dias seguintes, a República fez mais justiça à mulher que fez vinte séculos de monarquia. Eu acho que é o primeiro país latino em que o direito do sufrágio às mulheres será reconhecido, no qual a voz de uma mulher pode ser elevada em uma câmara latina, uma voz modesta como ela, mas que quer nos trazer as auras da verdade, e tenho orgulho da ideia de que é a minha Espanha que levanta essa bandeira da libertação das mulheres [...] E eu digo, legisladores: [...] não deixe que seja outra nação latina que possa colocar à frente de sua Constituição, nos próximos dias, a libertação das mulheres, sua companheira. Trechos do discurso da ativista feminista e política espanhola Clara Campoamor (1888-1972), registrado no Diario das Sesiones de las Cortes Constityyentes de la República Española, sesión celebrada el dia 1 de septiembre de 1931. Ela foi reconhecida pela defesa dos direitos e sufrágio da mulher durante a redação da constituição espanhola de 1931, que buscava garantir a igualdade entre homens e mulheres.

HEROINAS DO TEJUCUPAPO – Tejucupapo é um distrito do município da mata norte pernambucana, protagonista de um episódio ocorrido durante o período holandês, que estava enfraquecido, sitiado e sem comida, tendo já perdido quase todo o domínio das terras pernambucanas. Para eles a solução seria ocupar Tejucupapo, área tradicional de plantio da mandioca e que, à época, valia a pena arriscar em combate. Seria uma tarefa fácil porque, aos domingos, os homens do vilarejo iam ao Recife vender seus produtos. Com o distrito desguarnecido, investiram. Não contavam com o levante feito por quatro mulheres: Maria Camarão, Maria Quitéria, Maria Clara e Joaquina, que não importava se fossem portugueses ou holandeses, queriam pernambuquês. Elas, outras mulheres e os homens que restavam na localidade, escondidos em trincheiras, enfrentaram os holandeses e os venceram. Toda história deste episódio está reunida na publicação Tejucupapo: história, teatro, cinema (Bagaço, 2004), organizado por Cláudio Bezerra, com os textos: Tejucupapo e o registro da insurreição – a história, de Marcílio Brandão; O espetáculo das mulheres guerreiras – o teatro, de Rafael Coelho; Valeu, Tejucupapo! – o cinema, de Marcílio Brandão; A produção de Tejucupapo – um filme sobre mulheres guerreiras, de Amaro Filho.

A POESIA DE CIDA PEDROSA
URBE: hoje na minha boca / não cabem girassóis / cabe um poemapodre / cheiro de mangue capibaribe / um poemaponte / galeria esgoto chuvas de abril / um poemacidade / fumaça ferrugem fuligem / hoje na minha boca / cabe apenas o poema / o poema hóspede da agonia
MILENA: gosto quando milena fala / dos homens / que comeu durante a noite / é a única voz soante / nesta cantina de repartição / onde todos contam: / do filho drogado do preço do pão / do sapato carmim, exposto na vitrine / da rua sicrano de tal do bairro / de casa amarela / onde você pode comprar / e começar a pagar apenas em abril / sem a voz de milena / o café desce amargo
PATRICIA: é especialista em filhos / deveria ser contratada / para reclames de televisão / e os jornais poderiam colher depoimentos / sobre como ensinar uma empregada / a engomar 10 fraldas de uma única vez / teve 3 filhos / jéssica marina e victor júnior / sabe tudo sobre febre e papinhas cocozinhos risinhos / bonequinhas carrinhos palhacinhos sapatinhos joguinhos / roupinhas festinhas de aniversário letrinhas numerozinhos / velocípedes curso de férias esporte queda de bicicletas / matemática português história geografia cidadania / aula de reforço amigos indesejáveis lan house / passeios aos shopping conga de telefone alta / comprimidos de ecstasy / patrícia é especialista em filhos / mas não sabe o que fazer com o piercing que jéssica / pôs nos grandes lábios / o amor de marina por felipa / e a decisão de victor júnior não seguir a carreira do pai / junto à empresa victorvictoria.
CIDA PEDROSA - A poeta e advogada Cida Pedrosa é autora de diversos livros de poesia, tendo atuado profissionalmente em entidade sindicais, comitês e secretarias em defesa dos direitos humanos, dos trabalhadores rurais e meio ambiente. Veja mais aqui, aqui & aqui.

A ARTE DE GEORGE GROSZ
A arte do pintor e ilustrador alemão George Grosz (1893-1959), que foi integrante do movimento Dadá e di grupo Nova Objetividade. Veja mais aqui, aqui & aqui.

TODO DIA É DIA DA MULHER PERNAMBUCANA
A obra da escritora e professora Luzilá Gonçalves Ferreira aqui, aqui & aqui.
A miscigenação de René Ribeiro aqui.
No caroço de juá de José Adalberto Ferreira aqui.
Natanael Lima & Domingo com poesia aqui, aqui, aqui & aqui.
A música de Leandro Vaz aqui.
A arte de Léo Luna aqui.
O município de Barreiros aqui & aqui.
A poesia de Marcos Palmares aqui.
&
OFICINAS ABI
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


sexta-feira, julho 21, 2017

ETIENNE SOURIAU, CHIQUINHA GONZAGA, EDU LOBO, DAVE ST-PIERRE, RENATO BORGHETTI, ZÉLIA DUNCAN, LEILA DINIZ & TODAS AS MULHERES DO MUNDO!

A REDENÇÃO DO AMOR - Imagem: arte da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez. - Ao amanhecer ainda ouvia o seu sussurro a me chamar “Etienne!”. Alvoroçado, eu a procurava enquanto sua melíflua voz ecoava ao ouvido. Cadê você, minha Isabeau? Sabia-lhe presente, mas não a encontrava. Ela estava em mim, eu me sentia nela, sabíamos, ela o meu amor e eu o seu. Cadê-la? Inútil procura, nem mais a voz, só a certeza dentro de mim de que ela estava em mim e ao meu redor, sempre. Até que surgia um belo falcão, asas abertas, crocitando nas imediações, se aproximando, chegando mais perto de mim. Contornava montanhas e pradarias com o seu voo veloz, sempre se achegando como se falasse comigo e eu entendia que o seu piado era aviso de emboscadas ou malsinações. Estava sempre atento aos seus sinais, pipiava pra me guiar o caminho a seguir durante a manhã e toda tarde. No primeiro crepúsculo, a sua transformação: era ela a amada Isabeau d’Anjou, a mulher que povoava meus sonhos e pensamentos. No afã de abraçá-la, tudo escurecia e não via mais nada, apenas o seu cheiro e toque como se estivesse o tempo inteiro comigo. Ouvia sua voz cantarolando, sua suave mão a me alisar carinhosamente, sabia da sua presença na minha noite longa, por meus sonhos mais inusitados, mesmo que eu não visse nada e não tivesse nada além que a sensação de sua envolvente emanação, sabia da sua presença na minha carne e alma. Sempre que a aurora apontava na barra do horizonte, eu acordava e ainda via a sua imagem suplicante se desfazer de braços estendidos a me chamar como se eu me mantivesse sonhando, sua expressão se esmaecendo até desaparecer por completo pra meu mais desolado desgosto. Dali a pouco, logo surgia em voo a sua plumagem cinzento-azulada no dorso e asas, o bico escuro e a cabeça preta, como se me chamasse e mais se aproximando, até depois de muito rondar, definitivamente pousar arfante ao meu braço e se tornar meu talismã, insígnia ao meu peito de capitão valente e cavaleiro negro solitário. E me guiava pelo mundo afora até levar-me aos esconderijos do monge Imperius que temia pela nossa presença. Sua insistência em ter com ele levou-me a capturá-lo e prisioneiro exigi que se explicasse e me contasse o que estava ocorrendo. Deu-me ele ciência da traição em que fora forçado e que, por conta disso, fomos condenados pela maldição do bispo de Áquila a estarmos sempre juntos, eternamente separados. Como assim? Quanto mais explicava menos eu entendia, coisas de sina do destino, fatalidade de maldições. Não acreditava nisso, a minha única crença depois de todas as lutas e batalhas triunfantes e fracassadas era no meu amor por Isabeau e no dela por mim. Disposto a não mais dar-lhe atenção, o falcão recusou-se a sair do recinto, insistia em ficar, como se tivesse que prestar contas com o monge. Virei-me pra ele e, mesmo trêmulo de medo e a suplicar clemência e perdão genuflexo, Imperius detalhou: de dia você é o capitão Etienne Navarre e ela o seu fiel falcão; de noite ela é Isabeau e você o lobo negro protetor dela. Desconfiei que estivesse bêbado, como sempre, mas o Rato, jovem ladrão que eu mesmo salvei, poupando-lhe de prisão e morte certas, confirmou a narrativa nos mínimos detalhes, tudo o que o traidor depôs. Fitei o falcão e vi nos seus olhos a efígie de Isabeau, tal como eu presenciara no último crepúsculo. E como já estava prestes o ocaso, era a vez de rever o espetáculo até tudo escurecer. Assim foi e vi Isabeau sumir na minha escura e longa noite, deixando seu perfume, sua aura e sua presença invisível no meu coração e na minha alma. Ela estava e sempre esteve em mim. Não sabia o que fazer ao amanhecer quando tudo se repetia e como nos entregar como o nosso querer, já que ela estava pra sempre em mim e eu nela até o fim do interdito da maldição pra nossa redenção com o eclipse solar no dia sem noite e noite sem dia. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aquiaqui.

TEATRO NA ESTÉTICA DE SOURIAU
[...] descobrir sob que ângulo de visão o mundo a ser apresentado é o mais interessante, o mais pitoresco, o mais estranho, o mais vibrante, ou o mais significativo. É exatamente - a analogia é esclarecedora - fazer no moral o que o cineasta faz no físico com sua câmara, procurando o melhor ângulo de tomada. [...] Uma situação dramática é a figura estrutural esboçada, num momento dado da ação, por um sistema de forças - pelo sistema das forças presentes no microcosmo, centro estelar do universo teatral; e encarnadas, experimentadas ou animadas pelos principais personagens daquele momento da ação. [...] Aliás, alguma vez um artista perdeu um mínimo de gênio por formular com clareza os dados positivos de sua técnica? Creio, porém, que, entre todas as artes, a do teatro é a que mais recorre a este gênero de conhecimentos, de cálculos, de formulações. Quem protestasse contra a idéia de qualquer cálculo nesses domínios, sisplemente estaria provando que nada entende da arte teatral, na qual sempre existiu muitos cálculos ou, se esta palavra ofende alguns sentimentais, muitos artifícios engenhosos e longamente meditados. Aliás, em que arte não há? [...].
Trechos extraídos da obra As duzentas situações dramáticas (Ática, 1993), do filósofo francês Etienne Souriau (1982-1979), autor da obra Chaves da Estética (Cultura Atual, 1973). Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
O aperto que virou vexame trágico, As estratégias sensíveis de Muniz Sodré, O soldado morto de Sophia de Mello Breyner Andresen, Tecnologias & esquecimento de Maria Cristina Franco Ferraz, a fotografia de Alexander Yakovlev, a pintura de William Mulready & Ângelo Hasse, a arte de Doris Savard, a música de Asaph Eleutério – Ninguém, Ricardo Loureiro & Radio Estrada 55 aqui.

E mais:
Cadê o padre Bidião?, História da criança e da família de Philippe Ariès, O sol também se levanta de Ernest Hemingway, Espelho convexo de Celina Ferreira, O teatro e seu duplo de Antonin Artaud, o cinema de música de Catherine Malfitano & Mawaca, a pintura de Emil Orlik & Miles Mathis, Programa Tataritaritatá & muito mais aqui.
A obra de arte e a reprodução de Walter Benjamin, Philippe Ariès, Neuropsicologia, Educação Sexual, a música de Charlotte Gainsbourg, a pintura de Emil Orlik, o teatro de Ruy Jobim Neto & a arte de Marco Leal aqui.
Literatura de cordel: È coisa do meu sertão, de Patativa de Assaré aqui.
Liberdade para aprender de Carl Rogers, A mistificação pedagógica de Bernard Charlot, a arte de Bernard Charlot, Voyeurismo, Curriculum podre& ficha suja, Zé Bilola toma na tarraqueta & muito mais aqui.
Quase meio dia, As revoluções científicas de Thomas Kuhn, Não morra antes de morrer de Yevgeny Yevtushenko, Os amores amarelos de Tristan Corbière, A consciência da mulher de Leilah Assumpção, a música de Debussy & Sandrine Piau, o cinema de Eric Rohmer & Françoise Fabian & Marie-Christine Barrault, a arte de Dian Hanson & Eric Kroll, a pintura de Hyacinthe Rigaud & Vittorio Polidori aqui.
Big Shit Bôbras - a profissão golpista do marido da Marcela, História Universal da Infâmia de Jorge Luis Borges, O mundo das imagens eletrônicas, a música de Fredrika Brillembourg, a pintura de Siron Franco & a arte de Miguelanxo Prado aqui.
Rua do Sol, Anatomia da destrutividade humana de Erich Fromm, Museu de tudo de João Cabral de Melo Neto, Confissões de Narciso de Autran Dourado, a arte de Ivan Serpa, a música de Dawn Upshaw & a fotografia de Larry Clark aqui.
As flores maio, Os cantos de Ezra Pound, O poço dos milagres de Carlos Nejar, Neurociências, a pintura de Fernand Léger, a música de Marku Ribas, a fotografia de Waclaw Wantuch & a arte de Luciah Lopez aqui.
Quando renasci pra vida depois de morrer pela primeira vez, Presenças de Otto Maria Carpeaux, Moll Flandres de Daniel Defoe, o teatro de Hugo von Hofmannsthal, a música de El Hadj N'Diaye & Érica García, a arte de Antonio Dias & Xul Solar aqui.
O pavor dos acrófobos à beira do abismo, o pensamento de Comenius, Jornada de um poema de Margaret Edson, Toponimia pernambucana de José de Almeida Maciel, a poesia alemã de Olívio Caeiro, a música de Leoš Janáček & Kamila Stösslová, a arte de Pierre Alechinsky & Philip Hallawel aqui.
Forte e sadio que nem o povo do tempo do ronca, Seis propostas para o próximo milênio de Ítalo Calvino, A geografia da fome de Josué de Castro, Poesia Moderna da Grécia, a música de Angela Gheorghiu, a fotografia de Evelyn Bencicova, a pintura de René Mels & Paul-Émile Bécat aqui.
Renascido da segunda morte, João Ternura de Aníbal Machado, Modernidade líquida de Zygmunt Bauman, a música de Jacob de Haan, Comunicação em prosa moderna de Othon Moacir Garcia, a ilustração de Andy Singer, a arte de Chris Cozen & Niki de Saint Phalle aqui.
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TODAS AS MULHERES DO MUNDO
A premiada comédia Todas as Mulheres do Mundo (1966), do ator, dramaturgo e cineasta Domingos de Oliveira, com roteiro baseado nos contos A falseta e Memórias de Don Juan, de Eduardo Prado, conta a história de uma festa de Natal, quando um jornalista conta ao amigo sobre uma falseta acontecida entre ele e uma moça que é noiva de um outro e ele se apaixona, investindo numa conquista até ela ceder no envolvimento, mantendo-se amiga do ex-noivo, enquanto ele descarta relacionamento com inúmeras mulheres. O destaque do filme fica por conta da eternamente bela atriz Leila Diniz (1945-1972). Veja mais aqui, aqui e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje é dia de especiais com o cantor, compositor, arranjador e instrumentista Edu Lobo: Camaleão & Limite das águas; da compositora, pianista e maestrina Chiquinha Gonzaga (1847-1935), interpretada pelos pianistas Leandro Braga & Clara Sverner; do músico instrumentista e acordeonista Renato Borghetti; e da cantora e compositora Zélia Duncan: Pelo sabor do gesto em cena & Tudo esclarecido. Para conferir é só ligar o som e curtir.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
LIBAÇÃO & ENTRE VERSOS DE LUCIAH LOPEZ
no teu colo___________me esparramo!
Sou feito enchente, enxame, exangue pele sob as tuas mãos
Ah, as tuas mãos
sempre tão sedutoras e indecentes me percorrendo
em busca do céu e um cantinho do inferno
essa mistura nada piedosa
nada piegas
mas sabedora das delicias da carne
dos encaixes perfeitos e afoitos
quando te percebo a enxergar
meu corpo desnudo, bêbado e extasiado
pronto a receber a tua nudez de homem
.
Libação, poema/imagens da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez. PS: Neste domingo, 23/07, das 9:30 às 13:30hs, na Feira do Poeta – Largo da Ordem (ao lado da Casa Romário Martins), lançamento do livro Entre Versos: a palavra branca é nua, da autora. Confira mais aquiaqui.

LA PORNAGRAPHIE DES AMES DE DAVE ST-PIERRE
O espetáculo La Pornografia des Âmes (2004), ensaio coreográfico do bailarino, coreógrafo e diretor canadense Dave St-Pierre, envolvendo pessoas comuns e seus dramas com a constatação de que as pessoas estão se tornando solitárias na multidão e que só se comunicam com atendentes de respostas, utilizando-se de dançarinas nuas, provocativas e perturbadoras, como frágeis e em movimento numa fantasia. Veja mais aqui.
 

quinta-feira, novembro 05, 2015

CREMA, BEZALY, MOZART, LEILA, MARTINS PENA, ANGELI, CAPSI, EUDES, ZORN, JOÃO MONTEIRO & DAS IDAS E VINDAS DA VIDA.


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? DAS IDAS E VINDAS, A VIDA - Era um mormaço de tarde na segunda metade dos anos 1980. Local: a rua da delegacia de uma cidade pacata de interior. O povo em polvorosa, indignação geral. Foi que um mês antes, Judilidinho resolvera dar as caras depois de alguns bons anos de sumido na capital paulista. A mãe quase teve um troço, tinha-o na conta dos desencantados nas curvas do destino. Nada, vivinho da silva, gírias nas jaquetas, ginga nos blusões. Temperatura alta e ele vincado nos trinques do frio de sulista, pronúncia de erres e esses das aventuras de bafos ousados pra delírio das mocinhas debutantes. Encantadas, viam-no príncipe nas suas calcinhas úmidas de desejo embaixo das saias, seios buliçosos no decote do vestido. Ele, ancho pervertido, retribuía-lhes arrancando o cabaço dia a dia, uma a uma. Contava nos dedos, Francinilza, Leucidalva, Dilmanilde, Marizalda, Nilmaria, Belazita e quantas mais viessem assanhadas e oferecidas, papadas nos prêmios da conquista: – Hoje só três perdero os vinténs -, era o troféu da empáfia no pódio da galera. É-he! Quando sentiu o arrepio da Lurdivalnia, a sua própria mãe vem com carão de arrancar-lhe a pele. – Não mexa com a da cumade Dezinha, ela é minha afilhada! -, e sapecou-lhe jura de pisas em meio a beliscões. Ele enfureceu e revidou aos tabefes, dela estender-se aos gritos no chão. – Sou sua mãe! A vizinhança acudiu, ele escapulira. Coração de mãe abafa: - Foi ladrão! E tome caçada dele chegar depois, cara lisa: – Que s’assucedeu? Ciente do ocorrido, tal qual Édipo jurou vingança: - Vou capar o desgracento! Acreditaram, mãe de esguelha. Nisso deram por falta da Francinilza, enquanto a Lurdivalnia se enrabichava inquieta mais pra sua banda no brejo do quintal. Há dois dias Leucidalva não voltara pra casa, enquanto ele picava a sua peçonha no brejo da moça com a saia na cabeça. - Cadê a Dilmanilde? No meio do vuque-vuque, ele insaciável meteu-lhe martelada, o sangue descia pelo pescoço e entre as pernas dela. – Pronde foi Marizalda? Quase desfalecida, rasgou-lhe o esfíncter anal com seu mondrongo avantajado, do sangue descer pelo rego da bunda branca e sedosa. Ela desmaia. Ele aproveitou-se das folhas de zinco e cobriu-a deitada nua no brejo. A água fria, ela acordou-se desorientada. Novos golpes, pênis na vagina, pedras no peito para não boiar. Trabalho feito, arrumou-se e rumou pra rodoviária. – Quédi Nilmária? No guichê, passagem pra São Paulo, embarque 23hs. – Belazita sumiu! Foi pra casa, pegou a bolsa e começou arrumar seus pertences. – Pronde tu vai, desgraçado? – perguntou-lhe a mãe de través. – Já vou-me, as férias findaram. – Tu tais sabendo que tão querendo o paradeiro da minha afilhada? – Oxe, ela sumiu? – Tu num tem nada a ver com o sumiço das meninas que viviam tudo assanhada atrás de tu, né? Ele virou-se com um olhar implacável. Ela temeu, sentiu fedor de enxofre no ar. – Valha-me, Deus! Nem deu tempo dela findar balbucio, viu-lhe os olhos vermelhos de fúria. Saiu às pressas segurando as saias, chamando atenção. – Que foi? Aos prantos, voz enrolada, só sabia apontar pra sua casa. Vizinhos acorreram, não deram por nada. – Ele escapou de novo, vai pra rodoviária! -, conseguiu, enfim, avisar. Era o fim da picada, coração materno destroçado. E a população em peso na captura com toda justiça nas mãos. Foi preciso chegar a polícia para conter o linchamento. Levaram-no protegido pra delegacia. Os apupos de opróbrio geral. Horas de aperto e ameaça do povaréu de invadir o recinto, depôs tudo: o ódio da mãe desde que nascera, o abuso do pai escafedido, a rejeição do padre em dar-lhe primeira comunhão... o delegado impaciente já lhe dera uns tapas e logo o paradeiro dos corpos seminus das estupradas na grota do canavial, na gruta do rio, na beira do açude, nas valetas da estrada. Todas irreconhecíveis. Uma a uma pesou-lhe a sentença. Foi preciso um batalhão de soldados para protegê-lo no trajeto pro presídio. Nem esquentou canto, naquela mesma noite, madrugada no meio, um apenado primo das ofendidas estrangulou-o na cela. O povo de alma lavada; e os anjos no céu, amém. Veja mais aqui.

Imagem: Nude girl stretched out on her bed Art, do pintor sueco Anders Zorn (1860-1920).


Curtindo Flute Concert - Wolfgang Amadeus Mozart (BIS, 2005), com a flautista israelita Sharon Bezaly & Ostrobothnian Chamber Orchestra, Juha Kangas.

VOCAÇÃO: A TAREFA PESSOAL – O livro Saúde e plenitude: um caminho para o ser (Summus, 1995), do antropólogo e psicólogo Roberto Crema, apresenta a contribuição da visão holística aplicada aos campos da saúde, educação, consultoria e pesquisa psíquica, com inspiração na antropologia, ética e prática dos terapeutas de Alexandria, cujos princípios são reforçados pelas evidências das descobertas científicas de ponta, oferecendo uma visão inovadora e criativa dos campos mencionados. O livro aborda temas como integração do método, desafios e liderança do facilitador holocentrado, memórias da prisão e espaço vivencial, metaprincípios para uma abordagem transdisciplinar em terapia, vestígios de encontros, entre outros temas. Da obra destaco os trechos da parte da Vocação a tarefa pessoal: [...] quando nos convocamos a existir, numa coordenada tempo-espaço, nós nos fazemos um propósito. Há uma promessa inerente ao nosso ser. Não estamos aqui apenas para um pic-nic ou aposentadoria. Estamos aqui para realizar uma tarefa pessoal intransferível. Estamos aqui para concretizar uma obra-prima; para trazer uma diferença ao universo. É o que denomino de vocação: a voz interna de nosso desejo mais fundamental e o imperioso impulso para realizarmos o que somos. [...] Há uma significativa dimensão educacional holística em psicoterapia. No seu sentido original, educação provém do latim educare, significando traze3r para fora a sabedoria inerente ao individuo: atualizar o seu potencial inato. Aprender a fazer delicada escuta e leitura da sintomatologia como denuncia de contradição e desvio, é uma importante etapa no caminho do autoconhecimento e individuação. [...] Uma só pergunta nos será feita, pelo senhor da totalidade psíquica, o Ser, na ocasião do ajuste de contas final, no findar de nossas existências: Você foi você mesmo? O que você fez com os talentos que lhe foram confiados? Bem ou mal, a esta pergunta haveremos de responder. [...] Veja mais aqui, aqui e aqui.

A ROSA – No livro O lobisomem e outros contos (Pasárgada, 1994), do advogado, jornalista e escritor Eudes Jarbas de Melo (1925-1999), encontrei o conto A Rosa, o qual transcrevo a seguir: A moça descia a alameda em direção a casa. Caminhava despreocupada, na tarde indecisa que se avizinhava da noite. Os garis, que trabalharam o dia todo nas redondezas, já estavam prontos, aguardando o transporte da firma. Nesse interim, um homem dela se aproximou e falou do seu marido. “Olha, ele está bem e pede que não se preocupe...” A moça não se assustou com a abordagem. O homem prosseguiu: “...ele também me pediu que olhe desse essa rosa”. Embaraçada, sem raciocinar sobre o que se passava, ela agradeceu e retornou o seu caminho. Só em casa, recomeçou a lembra-se e disse a irmã: “Eu nunca vi aquele homem... e por que meu marido mandaria um estranho entregar-me uma rosa? Ah, eu quero esclarecer este fato. Vem comigo... é possível que o homem ainda se encontre nas redondezas...” Colocou a rosa em um copo com água e saiu com a irmã. Só encontrou os garis. Perguntou a um deles pelo homem com quem falara. “Eu vi a senhora olhando uma flor e falando sozinha. Pensei que houvesse perdido algum objeto...” A moça voltou para casa, cheia de pressentimentos. “Eu não estou maluca. Falei àquele homem... e a flor? Onde fui arranjá-la?” Naquela noite a insônia lhe fez companhia. Mas só quando o dia amanheceu, chegou a notícia. Seu marido morrera de um desastre de carro. Muitos dias se passaram para que a moça se refizesse do golpe. O tempo foi o analgésico de sua dor. Hoje, passados alguns meses, ninguém mais comenta sobre o falecido, mas, pergunta, sim, pela flor que permanece no copo, viva e freca, tal como no dia em que o homem a entregou... Veja mais aqui.

SONETO AOS SUJOS & OUTROS POEMAS – No livro Gavetário (Medusa, 2012), do poeta, músico e advogado João Monteiro - que edita o ótimo blog Momento Monteiro -, destaco inicialmente destaco o Soneto aos sujos: merda miséria / miséria de merda, / merda mui séria / de merda / dar-me de mudo / te merda que séria / em série de merdas e surdos / que merda! / séria miséria / te surtam que sabem / e gostam de sujos / de merda que mudos / só medram em miséria, / miséria de muitos. Depois, o poema Cânone: Dará vida forma em rica / e já sim de como dará vida / forma rica dava fome onde / modo já de sim e dívida / dado como ode fome onde / cara forma caricato rica / mofa dado dado já em vida / vinda cara dada já em onde / já em dado cara a cara fome / dado mas mas não encara e come / come sim e já não vê saída / forma vinda vida cara e onde / modo cada forma dado e come / já de sim de com jaz a vida. Também Cera quente: Dou-lhe um candelabro / e você com os lábios / vai-me atiçar os nervos. Mais o poema Solidão: despiu-se da carne arrebatada no peito / do sangue de todas as angustias tardias / infindas no tempo-estridor dos dias / calados em dor implodida, / tudo o mais claro intento, / satirizar a morte / e martirizar a vida. Por fim, Acalanto cordial: Um dia a mamãe me disse, / e eu jamais esqueci: / - Joãozinho, o mundo é triste, / mas não para ti! / Eu sou lindinho, sensível e especial / não há nada que me possa magoar / o coraçãozinho: / Dorme, neném, / que a vida ensinará, / descubra logo as coisas / o amor devorará. / Ai, mamãe, você tem sempre razão! Veja mais aqui.

QUEM CASA QUER CASA – A peça teatral em 1 ato Quem casa, quer casa (1845), do dramaturgo e diplomata Martins Pena (1815-1848), introdutor da comédia de costumes com obras recheadas de ironia e humor, graças as desventuras da sociedade brasileira. Da obra destaco a cena inicial: Sala com uma porta no fundo, duas à direita e duas à esquerda, uma mesa com o que é necessário para escrever-se, cadeiras, etc. Paulina e Fabiana. Paulina junto à porta da esquerda e Fabiana no meio da sala; mostram-se enfurecidas. PAULINA (batendo o pé) - Hei de mandar!... FABIANA (no mesmo) - Não há de mandar!... PAULINA (no mesmo) - Hei-de e hei-de mandar!... FABIANA - Não há-de e não há- de mandar!... PAULINA - Eu lho mostrarei. (Sai.) FABIANA - Ai que estalo! Isto assim não vai longe... Duas senhoras a mandarem em uma casa... é o inferno! Duas senhoras? A senhora aqui sou eu; esta casa é de meu marido, e ela deve obedecer-me, porque é minha nora. Quer também dar ordens; isso veremos... PAULINA (aparecendo à porta) - Hei de mandar e hei de mandar, tenho dito! (Sai.) FABIANA (arrepelando-se de raiva) - Hum! Ora, eis aí está para que se casou meu filho, e trouxe a mulher para minha casa. É isto constantemente. Não sabe o senhor meu filho que quem casa quer casa... Já não posso, não posso, não posso! (Batendo com o pé:) Um dia arrebento, e então veremos! (Tocam dentro rabeca.) Ai, que lá está o outro com a maldita rabeca... É o que se vê: casa-se meu filho e traz a mulher para minha casa... É uma desavergonhada, que se não pode aturar. Casa-se minha filha, e vem seu marido da mesma sorte morar comigo... É um preguiçoso, um indolente, que para nada serve. Depois que ouviu no teatro tocar rabeca, deu-lhe a mania para aí, e leva todo o santo dia - vum,vum,vim,vim! Já tenho a alma esfalfada. (Gritando para a direita:) Ó homem, não deixarás essa maldita sanfona? Nada! (Chamando:) Olaia! (Gritando:) Olaia! Veja mais aqui e aqui.

AMOR, CARNAVAL E SONHOS – No Dia Nacional do Cinema Brasileiro, nada mais justo que trazer aqui a homenagem oportuna ao drama Amor, carnaval e sonhos (1972) dirigido pelo cineasta Paulo César Saraceni (1933-2012), conta a história que ocorre nas vésperas do carnaval, quando uma jovem suplica um milagre a uma santa de sua devoção: quer um rapaz com quem possa brincar durante a folia. E, quando todas as esperanças parecem perdidas, o milagre acontece; um malandro surge pela janela. A partir daí, o filme mostra dramas íntimos que se extravasam nos quatro dias de folia, tendo como pano de fundo o carnaval. O destaque do longa-metragem é nada mais nada menos que a grandiosa atriz Leila Diniz (1945-1972) que ao concluir as filmagens, faz a viagem que não tem volta e o país fica órfão desta grande mulher. Veja mais aqui e aqui

CONTANDO HISTÓRIAS - O Centro Acadêmico de Psicologia Martin-Baró (Capsi) realizará neste dia 11 de novembro, no horário das 17:30 às 19:30 hs, no adutirótio do curso de Direito do Centro Universitário Cesmac, o evento Conversas em Psicologia: contando histórias, que contará com a presença e apresentação de abordagem temática pelo psicólogo, psicoterapeuta e professor Afonso Henrique Lisboa Fonseca, e pela psicóloga e professora Daniela Botti da Rosa. Informações no Capsi Cesmac. Entrada: um livro infantil novo ou usado ou R$ 5,00. Certificação: 2 horas. Realização: Centro Acadêmico de Psicologia Martin-Baró, do Cesmac. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte & as mulheres de Angeli.
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Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa SuperNova, a partir das 21hs (horário de verão), com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui .

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  Imagem: Acervo ArtLAM .   Fábula hodierna ... - Dois irmãos uterinos, duas irmãs órfãs consanguíneas. Assim: Prometeu brechava fascín...