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segunda-feira, fevereiro 26, 2018

ELIOT, ROMAIN ROLLAND, GUATTARI, CARLOS MALTA, ROBERTO CREMA, CAGLIARI, KAREN MENATTI, NATASHA KORSAKOVA & ALYSSA MONKS

LENDAS, FACÉCIAS & LOAS DE ALUMBRAMENTO – Imagem: arte da artista plástica e visual estadunidense Alyssa Monks. UMA: O MALOGRO DA PRINCESA DE BAMBULUÁ – Tantas diziam da Gruta da Pedra que, de tanto ouvir, um dia fui tirar a limpo. Não pensei que fosse tão longe, andei que só, o dia pela tarde e já escurecendo cheguei ao local. Estava tão cansado que resolvi tirar um cochilo para me refazer da caminhada. Acordei no meio da noite escura com uma visagem: o rosto de uma linda mulher me pedindo socorro. Eu me assustei, ora, não era pra menos, só via-lhe o rosto, mais nada, pedia-me para salvá-la. Isso é coisa doutro mundo, só pode. O medo me paralisou, não tinha pra onde correr. Segurei na coragem e perguntei: Como posso salvá-la? Entre na gruta e lá tem tudo que precisa. Hum, hum. Entrar na gruta, essa não estava nos meus planos, pensei que fosse coisa mais fácil. Destá. Já que estava ali, resolvi atender, entrei na gruta e logo divisei um banquete com tudo do bom e do melhor. Tomei um banho morno que já estava pronto, jantei uma ceia das mais lordes e me deitei na rede esperando o que poderia acontecer. Logo ela reapareceu e me disse que à meia-noite eu deveria subir a serra e me deitar embaixo da árvore que tem lá. Ih, está piorando. Aí ela falou, contou disso e daquilo e me convenceu. E aconselhou que lá, ao me deitar, eu não deveria fazer nada, nem me defender, deixasse acontecer, não gritasse, não me levantasse, nem fizesse nada, haja o que houver, deixe que lhe empurrem rolando até embaixo, chegando aqui estará a salvo. Arrepara só a roubada! Pensei desistir, porém ela aparecia chorosa com minha covardia: Você não é homem não? Olhei pra ela, pronto pra desistir, mas não sei o que me deu, sustentei na vera. Eu me arrependi duzentas e cinquenta mil vezes, porém minha boca dizia outra coisa, acho que eu estava enfeitiçado por ela, só sendo. Assim foi, cumpri à risca: à meia-noite deitei-me embaixo da árvore da serra, mal cochilava e logo ouvi uma zoada de vozes e risadas, tremi que só vara verde e não demorou muito fui açoitado, espancado, empurrado, aguentei tudo calado até ver-me salvo diante da gruta. Vitimado pela sova, passei uns dias sendo cuidado não sei por quem, sei que me deram de comer e beber durante toda convalescença. Restabelecido, a visagem reapareceu: Está pronto pra hoje de novo à meia-noite? Claro que não, eu queria era arredar dali, mas o que eu disse: Estou. Pode? E assim fui mais uma vez escorraçado por espíritos malignos e zombeteiros. Por três vezes fui desmantelado pelo abuso desses malefícios e quase desfalecido, finalmente, a linda princesa apareceu desencantada: de corpo inteiro. Confesso que já estava desenganado, pedindo penico e pronto pra morrer. Era muito linda, e como era. Tem jeito? Eu pensava não e só dizia sim. E depois que ela me paparicou foi que eu percebi que valeu a pena todo sofrimento. Será? Ela, então, me disse: Você agora é o meu noivo. Amanhã vou para Bambuluá fazer os preparativos pro nosso casamento. Daqui um ano eu volto para lhe buscar. Você ficará com a idosa professora para aprender a língua dos pássaros e o que for necessário para você se tornar um príncipe. Como é? Explicou, repetiu e eu com a maior cara de besta: Acha que vou cair nessa? Caí. E assim ela foi, estudei com afinco – língua de pássaros, pode um negócio desse? Não tem coisa mais difícil não? É tudo só pra me lascar mesmo! -, e lá estava eu no meu aprendizado, firme e determinado. Não sei o que houve, no dia aprazado pro retorno dela, eu dormi três dias e três noites. A velha professora me disse que ela não me queria mais. Fiquei abatumado com tudo aquilo, chapéu de otário é marreta, mas não desisti, bicho besta que sou, até hoje espero pelo retorno da princesa do Bambuluá. (PS: Historieta apresentada nas minhas atividades de contação de história, releitura das lendas do folclore brasileiro, baseadas em material recolhido por folcloristas brasileiros). DUAS: REVELAÇÃO DA QUEDA - Pra quem for primeiro, me chama que eu vou. Pra quem ficou, já fui. Há tempos apostei o coração à própria sorte, lugares que nunca estive, vozes que nunca ouvi. De resto a minha carne cansada entre a carga e o alívio, o sacrifício e o prazer, a fortuna e a miséria, cacos de vidro, vísceras, talhos, calafrios, eu só tenho a palma da mão exposta para nada, a planta dos pés sem ter para onde ir, os poros da pele sem saber o que fazer. Entre ignaros e incautos eu me fiz pedaços e perdi as estações, os pontos cardeais, nunca se sabe, deixei para trás a promessa do amanhã inventando asas teimosas, um dia pra ir e nunca mais voltar. Amei demais da conta, caí e me destrocei, refiz tudo e me remendei para desencalhar pessoas, como quem dispensa as paixões obsidentes, como quem releva o conspícuo para singrar o mistério. Foi na minha primeira morte a cada dia que ouvi a alma falar coisas incomuns, obscuridades interiores, simplesmente absurdas, a descoberta de ter estado sempre engaiolado na minha finitude, exposto ao fracasso e à falibilidade, na aflição da minha inutilidade diante de tudo. A voz anímica me ensinou a ir além das lonjuras oceânicas e siderais, além das profundezas do ser e da Terra, a correr o risco da errância, assim ressuscitei no primeiro instante, cônscio de que nada sou, pronto para ser feito. Perdi o medo e era como se o caroço desabrochasse na procriação dos ossos e eu me refizesse para ser outro em mim mesmo, o brotar da alteridade no que me tinha por solidário. Tornei-me inteiro, assim me senti apesar dos meus múltiplos fragmentos perdidos pelos quatro cantos do mundo. Os dias passaram e eu vou em frente pro que vier e seja. TRÊS, A SAIDEIRA: É SEGUNDA, PÉ NA TÁBUA - O que passou, passou! Agora é outra vez, assim, tipo ano novo, vida nova. Pouco importa o já feito, agora é só o que há pra fazer e de novo refazer o que sobrou, se é que algo ainda reste depois de tudo. Agora sorrio a memória esvaziada pela contaminação do esquecimento. Mergulhei na água e o meu batismo na purificação do fogo, valho-me apenas da intuição. Aceno pra todos que ficaram e saúdo os que estão embaixo da terra gozando a paz na salvação da chatura de carteiros, intimações, credores e de toda doideira que é este mundo de meu Deus. Agora sorrio plenamente, aprendi com as minhas calamidades: o poeta que nunca fui me ensinou a olhar para as coisas e ações, desde a alvorada ao crepúsculo e da noite pra madrugar novo amanhecer, tudo passa, ficam lições aprendidas ou não. Não mais cair e chorar, eu próprio construí o meu destino entre escolhas pensadas e açodadas. Tudo é muita coisa, eu mesmo faço parte dessa rede de intermináveis ramificações que nem sei onde vai dar, pouco importa. Dou-me bom dia pra sair pro mundo, boa tarde pra prosseguir meu caminho, boa noite pra que tudo renasça amanhã. Vamos, inté. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com a música do multi-instrumentista, composutor, orquestrador, band-leader e educador musical Carlos Malta: Tudo coreto com Coreto Urbano, Tupyzinho com Pife Muderno & Instrumental Sesc Brasil ao vivo; da violinista russa Natasha Korsakova: Autunm and winter Astor Piazzolla, Porgy and bess fantasy Gershwin & Romance Dvorak; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIAA felicidade é uma função natural da nossa capacidade de ser inteiros, de ser verdadeiros, de ser tudo o que somos. A tarefa da educação é facilitar que a pessoa seja tudo o que ela é, nem mais, nem menos. Pensamento do antropólogo e psicólogo Roberto Crema. Veja mais aqui e aqui.

CRISE ECOLÓGICA - [...] Não haverá verdadeira resposta à crise ecológica a não ser em escala planetária e com a condição de que se opere uma autêntica revolução política, social e cultural reorientando os objetivos da produção de bens materiais e imateriais. Esta revolução deverá concernir, portanto, não só às relações de forças visíveis em grande escala, mas também aos domínios moleculares de sensibilidade, de inteligência e de desejo. [...]. Extraído da obra As três ecologias (Papirus, 1990), do filósofo, psicanalista e militante revolucionário francês Félix Guattari (1930-1992). Veja mais aqui e aqui.

LEITURA DO MUNDO - [...] A atividade fundamental desenvolvida pela escola para a formação dos alunos é a leitura. É muito mais importante saber ler do que saber escrever. O melhor que a escola pode oferecer aos alunos deve estar voltado para a leitura. Se um aluno não se sair muito bem em outras atividades, mas for um bom leitor, penso que a escola cumpriu em grande parte sua tarefa. Se, porém, outro aluno tiver notas excelentes em tudo, mas não se tornar um bom leitor, sua formação será profundamente defeituosa e ele terá menos chances no futuro do que aquele que, apesar das reprovações, se tornou um bom leitor. [...]. Trecho extraído de Alfabetização e lingüística (Scipione, 2004), do professor universitário Luiz Carlos Cagliari. Veja mais aqui.

COLAS BREUGNON [...] Os negócios não vão bem. É bobagem se fatigar. Já trabalhei muito na vida. Agora vamos folgar um pouco. Cá estou à mesa, um copo de vinho à minha direita, um tinteiro à esquerda; à minha frente, um caderno novinho em folha me abre os braços. [...]. Sou um bom tratante! Quanto menos tenho, mais tenho. E o sei muito bem. Encontrei um meio de ser rico sem nada possuir, rico dos bens dos outros. Tenho poder sem responsabilidade. Quem falou desses velhos anciãos, que ao serem despojados, depois de darem tudo a seus filhos ingratos, até a camisa e as calças, ficam desamparados, parados, a verem todos os olhares empurrarem-nos para a cova? Isso são os pobres infelizes. Nunca fui, palavra de honra, tão amado, tão mimado quando na minha pobreza. É que não fui idiota de me despojar de tudo, sem nada guardar. É somente a bolsa o que se pode dar? Eu, mesmo dando tudo, guardo o melhor para mim, guardo a minha alegria, o que ajuntei em cinqüenta anos de caminhada, de um lado para outro da vida, o bom humor e a malicia, a loucura ajuizada e o juízo louco. E a provisão está longe de acabar. Abro-a a todos, que todos dela se sirvam! Isso não vale nada?  se recebo dos meus filhos, também lhes dou, estamos quites. E se acontece que um dá mais que o outro, o afeto concorre para equilibrá-los; e no fim ninguém se queixa. Quem quiser ver um rei sem reino, um João sem terra, um feliz tratante, quem quiser ver Breugnon da Gália, que venha ver-me hoje em meu trono, presidindo o festim fervente! É hoje a Epifania. [...]. Trechos extraídos de Colas Breugnon (Delta, 1963), do novelista, biógrafo e músico francês e Prêmio Nobel de Literatura de 1915, Romain Rolland (1866-1944). Veja mais aqui.

SEIS POEMAS1 - O mundo cochila.Dentro de mim. Meu caminho de mato, terra e mar. Quando pequena tinha galinha de estimação. Gato do mato comeu. Noite de tempestade. Mãe ouviu barulho na cozinha, os olhos brilhantes do bicho, relâmpago. ficaram só os dois pezinhos da galinha. Não lembro seu nome. ciscava pelo quintal e bicava a gente. A gente corria. A gente ria. Meus irmãos comiam formiga. Nunca comi.Gostava não.comia fruta colorida do mato e imaginava mundos. Agora adormecem aqui dentro. Depois da tempestade sopra vento pra descanso. 2 –  Antes sofria de poetização crônica. Hoje apenas sofro. / Aqui dentro habita um hiato. Que seja breve. / (Sê) mínima. / Minha secura é tua:se áspero te arranho. 3 - Lá fora céu virou prata, / Cá dentro tinta secou. 4 - Descia pela grama. Ignorava o aviso. Saia e cabelos. Voavam. 5 - Mordeu. Feito manga fiapo nos dentes. / Lambuzou-se rosto, pescoço, mãos. / Escorreu. Peito, barriga, sexo. / Pés inundados. 6 - Poça de gozo-fruta. / Bruta. / Enfim... chão. Poemas da atriz, cantora e poeta Karen Menatti.

CRIME NA CATEDRAL
[...] Côro (Enquanto um Te deum em latim é cantado na distância) Louvamos-te, Senhor, pela tua gloria manifestada em todas as criaturas da terra. Na neve na chuva, no vento e na tempestade; em todas as tuas criaturas, as que perseguem e as que são perseguidas. Porque todas as coisas existem apenas na medida em que as vês, na medida em que as conheces; tudo existe apenas em Tua luz, e Tua glória se manifesta mesmo naquilo que Te nega; como as trevas manifestam o esplendor da luz. Os que Te negam não poderia negar-Te se não existisses; e sua negação não é completa, pois se o fosse eles não existiriam. Vivendo eles te afirmam; tudo o que é vivo te afirma; o pássaro no ar, seja o falcão ou o pardal; os animais da terra,seja o lobo ou o cordeiro; e o verme na terra e o verme nas entranhas. Assim o homem, que criaste para te conhecer, deve conscientemente louvar-te em palavras, pensamentos e ações. Mesmo com a vassoura nas mãos, ou inclinadas sobre a lareira, ou de joelhos lavando o chão, nós, as pobres, as pobres mulheres de Cantuária, curvadas ao peso da labuta, vergadas ao peso do pecado, velando o rosto com o medo, inclinando a cabeça sob a dor, mesmo em nós, os ruídos das estações, o fungar do inverno, o cantar da primavera, o zumbir do verão, as vozes dos bichos e das aves, cantam os Teus louvores. Nós te damos graças pelos Teus dons do sangue, por Tua redenção pelo sangue, porque o sangue de Teus mártires e santos fertilizará a terra, criará lugares sagrados. Pois o lugar onde um santo viveu, onde um mártir deu o seu sangue pelo sangue de Cristo, esse é o chão consagrado, cuja santidade não se apagará. Ainda que exércitos o pisem, ainda que os visitantes venham, munidos de guia, examiná-lo; desde as praias da Iônia que o mar ocidental corroi, até a morte no deserto, às preces em lugares esquecidos, junto das colunas imperiais quebradas, desse chão brita aquilo que eternamente renova a terra, apesar de sempre ser negado. Assim, oh! Deus, Te agradecmos por teres concedido uma tal graça a Cantuária. Perdoai-nos, Senhor, confessamos ser gente comum, da raça dos homens e das mulheres que cerram a porta e se sentam à lareira; que temem a benção de Deus, a solidão da noite de Deus, o abandono exigido, a privação infligida; que têm mais medo à justiça de Deus que à injustiça dos homens; que temem menos a mão forçando a janela, o fogo no colmo do telhado, a rixa na taverna, o empurrão dentro do rio, menos do que temem o amor de Deus; confessamos nossas ofensas, nossa fraqueza, nossa culpa; confessamos que o pecado do mundo recai sobre nós, que o sangue dos mártires e a agonia dos santos recaem sobre nós. Senhor tende piedade de nós. Cristo tende piedade de nós. Senhor tende piedade de nós. Bem-aventurado Tomás, orai por nós.
Trecho extraído da cena final da peça teatral em dois atos Crime na catedral (Delta, 1966), do poeta, dramaturgo, crítico literário inglês e Prêmio Nobel de 1948, Thomas Stearns Eliot (1888-1965). Veja mais aqui e aqui.

Veja mais:
A folia do frevo no meu coração, a música de Nelson Ferreira, a arte de Jae Ellinger, o Frevo & o Galo da Madrugada aqui.
Folia & Frevo, Galo da Madrugada, Mário Souto Maior, Roberto DaMatta, Mauro Mota, Valdemar de Oliveira, Capiba, Orquestra Contemporânea de Olinda, Márcio Melo, Zsa Zsa Gabor & Helena Isabel Correia Ribeiro aqui.
Folia Tataritaritatá, Cecília Meireles, Gregório de Matos Guerra, Camargo Guarnieri, Heitor Shalia, Albert Marquet, Sarah Siddons & Graciela Rodriguez, Priscila Almeida & Lei Maria da Penha aqui.
Folia Caeté, Ascenso Ferreira, Nelson Ferreira, Baco, Frevo, Chiquinha Gonzaga, Teatro & Carnaval, Dias de Momo, Adolphe William Bouguereau, Peró Batista de Andrade & As Puaras aqui.
Quando o sonho é uma canção de amor aqui.
Eu nasci entre um rio e um riso de mulher aqui.
Santa Folia & Cikó Macedo, James Joyce, Charles Darwin, Marilena Chauí, Henri Matisse, Auguste Rodin, Frank Capra, Arto Lindsay, Donna Reed, Mademoiselle George, Acervum, Irina Costa & Graça Graúna aqui.
Amor Imortal, Carnaval, Pedro Nava, Manuel Bandeira, Arlequim & Carlo Goldoni, Carybé, SpokFrevo Orquestra, Luís Bandeira, Hugo Carvana e Chico Buarque, Tatiana Cañas & Claudia Maia aqui.
Alvorada, Capiba, Pablo Neruda, João Ubaldo Ribeiro, Egberto Gismonti, Ricardo Palma, Fernanda Torres, Tsai Ming-liang & Chen Shiang-Chyi, Cristiane Campos, Digerson Araújo, Asta Vozondas, O cérebro autista & Germina aqui.
A troça do Fabo aqui.
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Caboclinhos aqui.
O Frevo aqui.
Auto Maracatu aqui.
Baile de Carnaval aqui.
Bacalhau do Batata aqui.
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Padre Bidião, o retiro & o séquito das vestais aqui.
Slavoj Zizek, Victor Hugo, Martin Baró, Pier Paulo Pasolini, Altay Veloso, Agildo Ribeiro, Silvana Mangano, Maria Creuza & Honoré Daumier aqui.
Murilo Mendes, António Damásio, Benedetto Croce, Pierre-Auguste Renoir, George Harrison, Bigas Luna, Mathilda May & Joyce Cavalccante aqui.
Aijuna, o mural dos desejos florescidos aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista plástica e visual estadunidense Alyssa Monks.
Veja mais aqui.

quarta-feira, dezembro 16, 2015

ANÁTEMA, BEETHOVEN, AUSTEN, BILAC, CREMA, ANA TERRA, CREMA, BRECHERET & MUITO MAIS.


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? ANÁTEMA, A HISTÓRIA DA CANÇÃO - - Tudo começou quando em meados dos anos 1990 escrevi o poema A primavera de Ginsberg, concluindo que: Só a poesia tornará a vida suportável. No poema, eu prosseguia: ou que por eloquência nossa, mais fácil falar a língua do inimigo como se nada tivesse acontecido; ou que por superioridade nossa no meio dessa misturada doida, prescindiríamos de leis e governos; ou que por universalidade nossa, adaptaríamos nossa vida à todas do planeta numa carnavalizante existência; ou que por sapiência nossa, misturaríamos de tudo para traduzir o sumo do bom e do melhor nos esquecendo da excrescência noturna com que alicerçamos nosso ontem, enlameamos nosso hoje e fabricamos um infecto amanhã. Qual nada! Se todos os ardis nos iludem na página rotineira de uma novela televisiva; se todos os escroques nos remetem aos apuros com malabarismos sentimentais; se a todo momento expomos a mão à palmatória num vexame bisonho; se isso nada tem haver com nosso bocejo perene, oh! plebe ignara! Chamo de gato ao gato e ao governante de patife! Cada qual cuide de si! Pois todos os banquetes do palácio estão regados com nosso sangue de vítimas desmioladas, presas fáceis dos falastrões incorrigíveis, de gestos fesceninos, adeptos de gestapos e fiéis de Gog e Magog. Qual nada! Cultivemos então nosso orgulho majestoso do jeitinho para tudo, jogando uma bola fenomenal e flertando a bundinha daquelas que seguem para a praia a procura de uma noite por maior prazer, beldades de uma geografia anatômica capazes de esbugalhar os olhos dos mais insensíveis; cultivemos nosso orgulho pelos bens adquiridos através do processo de Felipe da Macedônia, felizes por dar uma marretada no otário que sai todo dia de casa com um chapéu que é a porrada da ocasião, da tapeação e ainda sorrir por haver lesado um imbecil, pelos presentes de Artarxerxes aos nossos desafetos, fofoqueiros que se metem em tudo como um azarão a nos perseguir; pelos que fazem política como pó de Pirlimpimpim e nos conduzem numa nau à deriva, sabe lá, Deus, para onde!!!! Pelos tolos que cumprem as leis violadas pelos sabidos; pelas leis que fazem vista grossa nas dilapidações e nos dão essa segurança de impunidade na rua;  pelas leis que vão até onde o rei falso quiser – toda lei na mão do feitor! pelos que fazem a guerra e ainda se arvoram na petulância de anunciar que o fazem por amor à humanidade, filhos da puta! Pelos que vivem de julgar a todos segundo seu próprio juízo e vomitam razões esquálidas na mais sectária das visões; pelos ambidestros sobre as farândolas dos falidos que cultuam o carnaval para se esbaldar da nossa desgraça e mangar da nossa besteira por santificá-los como bem sucedidos, quando não passam de um vesano sobre os nossos detritos e suas diatribes; pelos rabagás, os tais déspotas, cultores de tudo na base do balão de ensaio, postulantes às tendas de meninas fiéis católicas, que mal geram filhos e negam os peitinhos empinados para que não lhe caiam até a barriga desagradando seu patrão; por essa multidão andrajosa a exibir suas deformidades, dormindo no ponto, sequer desconfiando da sede do abismo com um riso banguela na hora mágica do gol; por essa gente que gosta de tanger gente na maior sem cerimônia; por essa gente que leva a riqueza dos outros na pontinha do dedo sem o menor rubor; pela história mentirosa que se ensina e a vergonhosa que segreda, quando aqui fenícios deixaram indícios suméricos mais valiosos na pré-cabrália e ninguém se deu conta do que seria, por isso deu no que deu! Será, então, um deus moreno, com um olhar tropical, indevidamente preterido, esperando, esperando, esperando por um novo milagre? ah! Para tanto há milagre de abril, cor anil, tão sutil, para ser hostil, com mentiras mil, ah!!! Ah! Se um Frínico tivesse aqui o poema da comoção popular!!! A terra é redonda e ainda, assim, cagam pelos quatro cantos de mundo!! Mas podemos ainda felizes sambar nas praias do nosso lindo litoral nem nos dando conta de tais leviatãs e ainda podemos sorver uma cerveja gelada no boteco da esquina sem nos incomodar com as cambadas e confrarias de nada no conluio dos interesses; e ainda gritar de emoção num lance de gol desconhecendo enxames, matilhas ou pragas ou quadrilhas ou súcias ou varas ou glutões ou vilões dos nossos congressos, legiões de algozes duma ação de verdugos com bocarras exuberantes e seus guinchos de sanha aracnídeas, inimicíssimos de nós meridionais; e ainda podemos remexer o esqueleto na Marquês de Sapucaí, pisando nossos remorsos, aplaudindo lúculus e gangsters e facínoras que financiam as atrofias das nossas vontades!!!!! E ainda podemos melar os pés no pantanal mato-grossense, desconsiderando homicidas sobre os incipientes lerdos inofensivos que não tem nem deus nem nada para se amparar!!!! E ainda podemos singrar as águas do São Francisco sem sabermos que somos verdadeiros suicidas na absolvição dos infratores no centro de uma hemorragia de idólatras no urinol!!!! E ainda podemos passear pelas ruas de Olinda sem prevermos da gatunagem dos que se dizem dermatóglifos de nossa missão, quiromantes do nosso destino, redentores do nosso sofrimento, puta-que-o-pariu!!!! Quem somos além de usuários de um reino diáspora com falcões nos plenários a nos mostrar o homem e o seu lobo, o predador e a sua presa, o desigual do forte sobre o fraco, deus meu? Só a poesia tornará a vida suportável!!! Ai entravam os acordes de Anáterma, surgindo nesse momento um discurso em que eu recitava um questionamento em cima da harmonia, Libelo: O que é legal? O que é legal, porra?!!!!? Afinal, no Brasil tudo se confunde: tudo é legal e ilegal ao mesmo tempo! Enquanto os acordes evoluíam na canção eu afirmava: Ilegal é a saúde pública em petição de miséria! A educação pública falida! A Administração Pública corrupta! A segurança pela hora da morte! A justiça ineficiente! Onde a dignidade humana? Com isso nasceu a letra: Pelo meio do mundo afora, pelo jeito que for e será, pelos ermos caminhos embora e nos abismos me extasiar. Ver o dia vir nascer das mãos, ver o sol se deitar nos olhos, é o meu destino de qualquer pagão e no sereno da noite me molho e enxugo a pele não me dera a vida uma escolha e por sentir amada na paixão minada, viver ! Pelo equívoco de quem desama repudiando deus e todo mundo, vociferando o verso que a veia inflama num anátema jamais profundo. Pelo de dentro e o que vem de fora, pelo embuste que segreda a farsa, procuro pelo que evadiu agora e no frigir já não vale mais nada e a pancada insólita se alastra na culatra e não foi feita só de mera viva cortesia, viver! Não me resta aqui dizer mais nada, isso é página virada precisa só viver! Veja o clipe da música aqui e mais aqui, aqui e aqui.

Imagem: Volupte, do pintor e ilustrador francês Antonio de la Gandara (1861 – 1917).


Curtindo a coleção Sinfonias Urtext Lujo (Deutsche Grammophon), com as nove sinfonias do compositor erudito alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827).


MÉTODO ANALITICO X MÉTODO SINTÉTICO – No livro Saúde e plenitude: um caminho para o ser (Summus, 1995), de Roberto Crema, encontro a distinção entre os métodos analítico e sintético, oferecendo suas características e peculiaridade. O método analítico surgiu como reação ao dogmatismo e obscurantismo medieval, com ênfase na parte, a serviço da decomposição, fatos específicos e particulares, tendência reducionista, via quantitativa, caráter mecanicista, fundamentos principais na razão e sensação, somático (os cinco sentidos clássicos), necessidades e leis, determinista, exatidão, regularidade, codificação matemática, reprodutividade, controle, previsibilidade, geral, regularidade, inclinação indutiva, progressividade, acumulação, relação causal, ponto de vista da causalidade, espaço externo e exterioridade, nível do objeto, ponto de vista da causalidade, realidade objetiva, experimental, hemisfério cerebral esquerdo, exclusão do sujeito pela dualidade, função explicativa, aplicação às ciências da natureza, e seus principais mentores foram Galileu, Bacon, Desartes, Newton, Freud, Berne, entre outros. Já o método sintético surgiu como reação ao racionalismo positivista e analicismo moderno, ênfase na totalidade, a serviço da unificação, realidade plena e total, tendência apliativa e globalista, via qualitativa, caráter organicista, fundamentos principais na emoção e intuição, psíquico, liberdade e responsabilidade, indeterminista, incerteza, flexibilidade, codificação poético-metaforica, unicidade, visa a participação, imprevisibilidade incluindo mistério, singular, biográfico, instantaneidade, descontinuidade, relação acausal e sincronicidade, ponto de vista da finalidade e sentido, espaço interno e interioridade, nível do sujeito, consciência, valores, experiencial, hemisfério cerebral direito, inclusão do sujeito e não-dualidade, função compreensiva, aplicação às ciências do espírito, mentores Dilthey, Smuts, Jung, Soler, Frankl, Krishnamurti, entre outros. Veja mais aqui e aqui.

ORGULHO E PRECONCEITO – Na obra Orgulho e Preconceito (Abril, 1982), da escritora inglesa Jane Austen (1775-1817), destaco o trecho inicial: É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro, possuidor de uma boa fortuna, deve estar necessitado de esposa. Por pouco que os sentimentos ou as opiniões de tal homem sejam conhecidos ao se fixar numa nova localidade, essa verdade se encontra de tal modo impressa nos espíritos das famílias vizinhas que o rapaz é desde logo considerado a propriedade legítima de uma das suas filhas. — Caro Mr. Bennet — disse-lhe um dia a sua esposa —, já ouviu dizer que Netherfield Park foi alugado afinal? Mr. Bennet respondeu que não sabia. — Pois foi — assegurou ela. —Mrs. Long acabou de sair daqui e me contou tudo. Mr. Bennet não respondeu. — Afinal não deseja saber quem é o locatário? — gritou a mulher, impacientemente. — Você é quem está querendo me dizer e eu não faço nenhuma objeção a isto. Este convite foi suficiente. — Pois, meu caro, você deve saber que Mrs. Long disse que Netherfield foi alugado por um rapaz de grande fortuna, oriundo da Inglaterra. E que além disso ele chegou segunda-feira numa elegante caleça a fim de visitar a propriedade. Ficou tão encantado que entrou imediatamente em negócio com Mr. Morris; Mrs. Long falou também que ele entrará na posse do prédio antes do dia de São Miguel. Alguns dos seus criados devem chegar já na próxima semana. — Como se chama ele? — Bingley. — É casado ou solteiro? — Oh, solteiro, naturalmente, meu caro. Solteiro e muito rico! Quatro ou cinco mil libras por ano. Que boa coisa para as nossas meninas, hem? — Como assim? De que modo pode isso afetá-las? — Meu caro Mr. Bennet — replicou a esposa —, como você, às vezes, é enfadonho! Deve saber que ando pensando em casar uma delas... — Será este o projeto do homem ao se instalar aqui? — Projeto? Tolice... Como é que você pode dizer uma coisa destas? É até muito provável que ele se apaixone por uma delas. Portanto, assim que chegue, você deve ir visitá-lo. — Não vejo motivo para isto. Você pode ir com as meninas, ou pode até mandá-las sozinhas, o que talvez ainda seja melhor, pois como você é tão bela quanto qualquer uma delas Mr. Bingley pode preferi-la. — Você está me lisonjeando. Decerto já tive o meu quinhão de beleza, mas não ambiciono ser nada de extraordinário agora. Quando uma mulher tem cinco filhas crescidas, deve deixar de pensar em vaidades. — Em casos como esses, em geral, uma mulher não tem muito que pensar em beleza. — Mas meu caro, você deve realmente ir ver Mr. Bingley, quando ele chegar. — Não quero assumir esse compromisso. — Mas lembre -se das suas filhas. Pense que partido seria para uma delas! Sir William e Lady Lucas estão decididos a ir. É exclusivamente por motivo idêntico, pois você sabe que em geral eles não visitam recém-chegados. Deve ir, pois a nós, mulheres, será impossível fazê-lo, se antes você não o fizer. — Creio que isto é excesso de escrúpulos da sua parte. Tenho certeza de que Mr. Bingley terá muito prazer em vê-la. Além disso eu lhe enviarei algumas linhas por seu intermédio, assegurando-lhe que darei o meu consentimento para que ele se case com qualquer das meninas que escolher, embora devesse acrescentar um elogio para a minha pequena Lizzy. — Desejo que não faça tal coisa. Lizzy não é melhor do que as outras. Estou convencida de que não tem metade da beleza de Jane. E nem sequer metade do bom humor de Lydia. Mas você não cessa de manifestar a sua preferência por ela. — Nenhuma delas tem muito o que se lhes recomende — respondeu Mr. Bennet. — São tolas e ignorantes como as outras moças. Mas Lizzy é realmente um pouco mais viva do que as irmãs. — Como é que pode falar mal assim dos próprios filhos, Mr. Bennet? Você se compraz em aborrecer-me; não tem nenhuma pena dos meus pobres nervos. — Está enganada, minha cara. Tenho muito respeito pelos seus nervos. São meus velhos amigos. Venho escutando você falar a respeito deles com grande consideração, pelo menos durante esses últimos vinte anos. — Ah, você não sabe o que eu sofro! — Espero que você se restabeleça e viva bastante tempo para ver muitos rapazes com quatro mil libras anuais de rendimentos se instalarem na vizinhança. — Pouco nos adiantará que venham vinte deles se você se recusar a visitá-los. — Pode ficar certa, minha querida, de que quando chegarem os vinte eu os visitarei a todos. Mr. Bennet era um misto tão curioso de vivacidade, humor sarcástico, reserva e capricho, que a experiência de vinte e três anos juntos tinha sido insuficiente para que a sua esposa lhe conhecesse o caráter. O espírito de sua mulher era menos difícil de compreender; tratava-se de uma senhora dotada de inteligência medíocre, pouca cultura e gênio instável. Quando se aborrecia imaginava que estava nervosa. A única preocupação da sua vida era casar as filhas. Seu consolo, fazer visitas e saber novidades.[...] Veja mais aquiaqui.

NEL MEZZO DEL CAMIN & CANÇÃO DE ROMEU - No livro Poesias (1888 – Martin Claret, 2002), do jornalista e escritor do Parnasianismo brasileiro, Olavo Bilac (1865-1918), destaco, inicialmente, o poema Nel mezzo del camin:  Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada / E triste, e triste e fatigado eu vinha. / Tinhas a alma de sonhos povoada, / E alma de sonhos povoada eu tinha... / E paramos de súbito na estrada / Da vida: longos anos, presa à minha / A tua mão, a vista deslumbrada / Tive da luz que teu olhar continha. / Hoje segues de novo... Na partida / Nem o pranto os teus olhos umedece, / Nem te comove a dor da despedida. / E eu, solitário, volto a face, e tremo, / Vendo o teu vulto que desaparece / Na extrema curva do caminho extremo. Também o poema Canção de Romeu: Abre a janela... acorda! / Que eu, só por te acordar, / Vou pulsando a guitarra, corda a corda, / Ao luar! / As estrelas surgiram / Todas: e o limpo véu, / Como lírios alvíssimos, cobriram / Do céu. / De todas a mais bela / Não veio inda, porém: / Falta uma estrela... És tu! Abre a janela, / E vem! / A alva cortina ansiosa / Do leito entreabre; e, ao chão / Saltando, o ouvido presta à harmoniosa / Canção. / Solta os cabelos cheios / De aroma: e seminus, / Surjam formosos, trêmulos, teus seios / À luz. / Repousa o espaço mudo; / Nem uma aragem, vês? / Tudo é silêncio, tudo calma, tudo / Mudez. / Abre a janela, acorda! / Que eu, só por te acordar, / Vou pulsando a guitarra corda a corda, / Ao luar! / Que puro céu! que pura / Noite! nem um rumor.. / Só a guitarra em minhas mãos murmura: / Amor!... / Não foi o vento brando / Que ouviste soar aqui: / É o choro da guitarra, perguntando / Por ti. / Não foi a ave que ouviste / Chilrando no jardim: / É a guitarra que geme e trila triste / Assim. / Vem, que esta voz secreta / É o canto de Romeu! / Acorda! quem te chama, Julieta, / Sou eu! / Porém... Ó cotovia, / ilêncio! a aurora, em véus / De névoa e rosas, não desdobre o dia / Nos céus... / Silêncio! que ela acorda... / Já fulge o seu olhar... / Adormeça a guitarra, corda a corda, / Ao luar! Veja mais aqui e aqui.

TEATRO MEDIEVAL – Na obra Teatro Vivo (Civita, 1976), organizada por Sábato Magaldi, encontro que: Enquanto por toda a parte do Ocidente o Império Romano sucumbia diante das investidas dos chamados povos bárbaros, a igreja levava adiante sua intenção de colocar todos sob a bandeira de Cristo. Para tanto, apoiou entusiasticamente qualquer iniciativa apologética que conduzisse àquele objetivo. Vestindo a cena de uma sagrada missão, o clero dos inícios da Idade Média transformou em apóstolos os integrantes dos incipientes grupos que perambulavam ao redor dos primeiros templos católicos. Provavelmente, os espetáculos profanos não perderam sua força, mas devem ter sido confinado ao interior dos feudos, mais precisamente dentro dos castelos senhoriais. De qualquer forma, a documentação é bastante exígua. Enquanto a igreja adquiria o monopólio da educação, ao qual se deve a grande influencia que exerceu na sociedade da Europa Ocidental, cantores e comediantes passaram a se movimentar nos mesmos círculos, tornando-se indistintos. Surgiu assim a figura do menestrel, misto de cantor da corte da primitiva Idade Média e o do antigo jogral dos tempos clássicos. Dotado de impressionante versatilidade, o menestrel ocupou o lugar do poeta culto, especializado na balada heroica. Mas não assumiu apenas a função de poeta e cantor. Era a um só tempo músico, dançarino, dramaturgo, ator, palhaço e acrobata, executando divertimentos de todos os gêneros, desde as canções de baile às histórias de fadas e lendas dos santos. O menestrel tentava o sensacional, as grandes tiradas, a poesia viva. Ele também sofreu a hostilidade do clero, diante do qual sucumbiram os cantores da corte nos séculos VIII e IX. Assim, a partir dessa época multiplicaram-se os artistas errantes e vagabundos, que se viam obrigados a procurar seu público pelas estradas e feiras. No período sem moeda e sem comércio da primitiva Idade Média, em que a propriedade agrária era a única fonte de rendimento, a cultura tornou-se patrimônio exclusivo da igreja. Aos camponeses convocados para festejar as datas católicas, eram didaticamente apresentadas as chamadas moralidades, em que abstrações como a gula e a luxuria, consideradas pecados capitais, surgiam na forma de terríveis demônios. Esse apavorante teatro, a serviço de ideias religiosas, continha ao mesmo tempo rústicos traços de tragédia, comédia e farsa. O programa cultural da igreja atingiu completamente seu objetivo nos fins do séc. X, sob a influencia do movimento surgido na França, na Abadia de Cluny. Com a aproximação do ano 1000 passou-se a pregar o fim do mundo, o julgamento final e o terror da morte. Os homens viviam em estado de constante excitação religiosa, com peregrinações, cruzadas e excomunhões de imperadores e reis. [...] Veja mais aqui e aqui.
 HISTÓRIA TRÁGICA COM FINAL FELIZ – O curta metragem de animação português História trágica com final feliz (2005), da cineasta portuguesa Regina Pessoa, é a segunda parte da trilogia sobre curtas de animação da diretora sobre infância, após A Noite (1999) e Kali, o pequeno vampiro. Esse filme recebeu inúmeros prêmios, realizado a partir de ideias de gravuras e serigrafias, contando a história de uma menina que se isola diante de uma sociedade intolerante. Trata-se de um belíssimo curta sobre respeito às diferenças, imperdível. Veja mais aqui.

MESA DE CANTOS, POESIA & VIDEOMANIA - A professora e blogueira Flavia Daher edita vários blogs, entre eles Mesa de Cantos, FlaviaPoesia e Videomania, entre outros, todos voltados para reunião de textos, poemas, vídeos, músicas e entretenimentos em geral. Na entrada dos blogs encontrei essa mensagem, na qual meritória de destaque, ela expressa suas ideias: A vida é curta, quebre regras, perdoe rapidamente, beije lentamente, ame de verdade, ria descontroladamente, e nunca pare de sorrir, por mais estranho que seja o motivo. E lembre-se que não há prazer sem riscos. A vida pode não ser a festa que esperávamos, mas uma vez que estamos aqui, temos que comemorar!!! Aplausos, vale a pena conferir. E como se trata de uma pessoa para lá de simpática, competente, presente a todo momento e duma generosidade ímpar, nada melhor que aproveitar para saudá-la desejando tudo de bom e do melhor pra ela! Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do escultor ítalo-brasileiro Victor Brecheret (1894-1955).
Veja mais aqui.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à poeta, compositora, produtora musical e audiovisual, Ana Terra. Veja aqui e aqui.
 

quinta-feira, novembro 05, 2015

CREMA, BEZALY, MOZART, LEILA, MARTINS PENA, ANGELI, CAPSI, EUDES, ZORN, JOÃO MONTEIRO & DAS IDAS E VINDAS DA VIDA.


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? DAS IDAS E VINDAS, A VIDA - Era um mormaço de tarde na segunda metade dos anos 1980. Local: a rua da delegacia de uma cidade pacata de interior. O povo em polvorosa, indignação geral. Foi que um mês antes, Judilidinho resolvera dar as caras depois de alguns bons anos de sumido na capital paulista. A mãe quase teve um troço, tinha-o na conta dos desencantados nas curvas do destino. Nada, vivinho da silva, gírias nas jaquetas, ginga nos blusões. Temperatura alta e ele vincado nos trinques do frio de sulista, pronúncia de erres e esses das aventuras de bafos ousados pra delírio das mocinhas debutantes. Encantadas, viam-no príncipe nas suas calcinhas úmidas de desejo embaixo das saias, seios buliçosos no decote do vestido. Ele, ancho pervertido, retribuía-lhes arrancando o cabaço dia a dia, uma a uma. Contava nos dedos, Francinilza, Leucidalva, Dilmanilde, Marizalda, Nilmaria, Belazita e quantas mais viessem assanhadas e oferecidas, papadas nos prêmios da conquista: – Hoje só três perdero os vinténs -, era o troféu da empáfia no pódio da galera. É-he! Quando sentiu o arrepio da Lurdivalnia, a sua própria mãe vem com carão de arrancar-lhe a pele. – Não mexa com a da cumade Dezinha, ela é minha afilhada! -, e sapecou-lhe jura de pisas em meio a beliscões. Ele enfureceu e revidou aos tabefes, dela estender-se aos gritos no chão. – Sou sua mãe! A vizinhança acudiu, ele escapulira. Coração de mãe abafa: - Foi ladrão! E tome caçada dele chegar depois, cara lisa: – Que s’assucedeu? Ciente do ocorrido, tal qual Édipo jurou vingança: - Vou capar o desgracento! Acreditaram, mãe de esguelha. Nisso deram por falta da Francinilza, enquanto a Lurdivalnia se enrabichava inquieta mais pra sua banda no brejo do quintal. Há dois dias Leucidalva não voltara pra casa, enquanto ele picava a sua peçonha no brejo da moça com a saia na cabeça. - Cadê a Dilmanilde? No meio do vuque-vuque, ele insaciável meteu-lhe martelada, o sangue descia pelo pescoço e entre as pernas dela. – Pronde foi Marizalda? Quase desfalecida, rasgou-lhe o esfíncter anal com seu mondrongo avantajado, do sangue descer pelo rego da bunda branca e sedosa. Ela desmaia. Ele aproveitou-se das folhas de zinco e cobriu-a deitada nua no brejo. A água fria, ela acordou-se desorientada. Novos golpes, pênis na vagina, pedras no peito para não boiar. Trabalho feito, arrumou-se e rumou pra rodoviária. – Quédi Nilmária? No guichê, passagem pra São Paulo, embarque 23hs. – Belazita sumiu! Foi pra casa, pegou a bolsa e começou arrumar seus pertences. – Pronde tu vai, desgraçado? – perguntou-lhe a mãe de través. – Já vou-me, as férias findaram. – Tu tais sabendo que tão querendo o paradeiro da minha afilhada? – Oxe, ela sumiu? – Tu num tem nada a ver com o sumiço das meninas que viviam tudo assanhada atrás de tu, né? Ele virou-se com um olhar implacável. Ela temeu, sentiu fedor de enxofre no ar. – Valha-me, Deus! Nem deu tempo dela findar balbucio, viu-lhe os olhos vermelhos de fúria. Saiu às pressas segurando as saias, chamando atenção. – Que foi? Aos prantos, voz enrolada, só sabia apontar pra sua casa. Vizinhos acorreram, não deram por nada. – Ele escapou de novo, vai pra rodoviária! -, conseguiu, enfim, avisar. Era o fim da picada, coração materno destroçado. E a população em peso na captura com toda justiça nas mãos. Foi preciso chegar a polícia para conter o linchamento. Levaram-no protegido pra delegacia. Os apupos de opróbrio geral. Horas de aperto e ameaça do povaréu de invadir o recinto, depôs tudo: o ódio da mãe desde que nascera, o abuso do pai escafedido, a rejeição do padre em dar-lhe primeira comunhão... o delegado impaciente já lhe dera uns tapas e logo o paradeiro dos corpos seminus das estupradas na grota do canavial, na gruta do rio, na beira do açude, nas valetas da estrada. Todas irreconhecíveis. Uma a uma pesou-lhe a sentença. Foi preciso um batalhão de soldados para protegê-lo no trajeto pro presídio. Nem esquentou canto, naquela mesma noite, madrugada no meio, um apenado primo das ofendidas estrangulou-o na cela. O povo de alma lavada; e os anjos no céu, amém. Veja mais aqui.

Imagem: Nude girl stretched out on her bed Art, do pintor sueco Anders Zorn (1860-1920).


Curtindo Flute Concert - Wolfgang Amadeus Mozart (BIS, 2005), com a flautista israelita Sharon Bezaly & Ostrobothnian Chamber Orchestra, Juha Kangas.

VOCAÇÃO: A TAREFA PESSOAL – O livro Saúde e plenitude: um caminho para o ser (Summus, 1995), do antropólogo e psicólogo Roberto Crema, apresenta a contribuição da visão holística aplicada aos campos da saúde, educação, consultoria e pesquisa psíquica, com inspiração na antropologia, ética e prática dos terapeutas de Alexandria, cujos princípios são reforçados pelas evidências das descobertas científicas de ponta, oferecendo uma visão inovadora e criativa dos campos mencionados. O livro aborda temas como integração do método, desafios e liderança do facilitador holocentrado, memórias da prisão e espaço vivencial, metaprincípios para uma abordagem transdisciplinar em terapia, vestígios de encontros, entre outros temas. Da obra destaco os trechos da parte da Vocação a tarefa pessoal: [...] quando nos convocamos a existir, numa coordenada tempo-espaço, nós nos fazemos um propósito. Há uma promessa inerente ao nosso ser. Não estamos aqui apenas para um pic-nic ou aposentadoria. Estamos aqui para realizar uma tarefa pessoal intransferível. Estamos aqui para concretizar uma obra-prima; para trazer uma diferença ao universo. É o que denomino de vocação: a voz interna de nosso desejo mais fundamental e o imperioso impulso para realizarmos o que somos. [...] Há uma significativa dimensão educacional holística em psicoterapia. No seu sentido original, educação provém do latim educare, significando traze3r para fora a sabedoria inerente ao individuo: atualizar o seu potencial inato. Aprender a fazer delicada escuta e leitura da sintomatologia como denuncia de contradição e desvio, é uma importante etapa no caminho do autoconhecimento e individuação. [...] Uma só pergunta nos será feita, pelo senhor da totalidade psíquica, o Ser, na ocasião do ajuste de contas final, no findar de nossas existências: Você foi você mesmo? O que você fez com os talentos que lhe foram confiados? Bem ou mal, a esta pergunta haveremos de responder. [...] Veja mais aqui, aqui e aqui.

A ROSA – No livro O lobisomem e outros contos (Pasárgada, 1994), do advogado, jornalista e escritor Eudes Jarbas de Melo (1925-1999), encontrei o conto A Rosa, o qual transcrevo a seguir: A moça descia a alameda em direção a casa. Caminhava despreocupada, na tarde indecisa que se avizinhava da noite. Os garis, que trabalharam o dia todo nas redondezas, já estavam prontos, aguardando o transporte da firma. Nesse interim, um homem dela se aproximou e falou do seu marido. “Olha, ele está bem e pede que não se preocupe...” A moça não se assustou com a abordagem. O homem prosseguiu: “...ele também me pediu que olhe desse essa rosa”. Embaraçada, sem raciocinar sobre o que se passava, ela agradeceu e retornou o seu caminho. Só em casa, recomeçou a lembra-se e disse a irmã: “Eu nunca vi aquele homem... e por que meu marido mandaria um estranho entregar-me uma rosa? Ah, eu quero esclarecer este fato. Vem comigo... é possível que o homem ainda se encontre nas redondezas...” Colocou a rosa em um copo com água e saiu com a irmã. Só encontrou os garis. Perguntou a um deles pelo homem com quem falara. “Eu vi a senhora olhando uma flor e falando sozinha. Pensei que houvesse perdido algum objeto...” A moça voltou para casa, cheia de pressentimentos. “Eu não estou maluca. Falei àquele homem... e a flor? Onde fui arranjá-la?” Naquela noite a insônia lhe fez companhia. Mas só quando o dia amanheceu, chegou a notícia. Seu marido morrera de um desastre de carro. Muitos dias se passaram para que a moça se refizesse do golpe. O tempo foi o analgésico de sua dor. Hoje, passados alguns meses, ninguém mais comenta sobre o falecido, mas, pergunta, sim, pela flor que permanece no copo, viva e freca, tal como no dia em que o homem a entregou... Veja mais aqui.

SONETO AOS SUJOS & OUTROS POEMAS – No livro Gavetário (Medusa, 2012), do poeta, músico e advogado João Monteiro - que edita o ótimo blog Momento Monteiro -, destaco inicialmente destaco o Soneto aos sujos: merda miséria / miséria de merda, / merda mui séria / de merda / dar-me de mudo / te merda que séria / em série de merdas e surdos / que merda! / séria miséria / te surtam que sabem / e gostam de sujos / de merda que mudos / só medram em miséria, / miséria de muitos. Depois, o poema Cânone: Dará vida forma em rica / e já sim de como dará vida / forma rica dava fome onde / modo já de sim e dívida / dado como ode fome onde / cara forma caricato rica / mofa dado dado já em vida / vinda cara dada já em onde / já em dado cara a cara fome / dado mas mas não encara e come / come sim e já não vê saída / forma vinda vida cara e onde / modo cada forma dado e come / já de sim de com jaz a vida. Também Cera quente: Dou-lhe um candelabro / e você com os lábios / vai-me atiçar os nervos. Mais o poema Solidão: despiu-se da carne arrebatada no peito / do sangue de todas as angustias tardias / infindas no tempo-estridor dos dias / calados em dor implodida, / tudo o mais claro intento, / satirizar a morte / e martirizar a vida. Por fim, Acalanto cordial: Um dia a mamãe me disse, / e eu jamais esqueci: / - Joãozinho, o mundo é triste, / mas não para ti! / Eu sou lindinho, sensível e especial / não há nada que me possa magoar / o coraçãozinho: / Dorme, neném, / que a vida ensinará, / descubra logo as coisas / o amor devorará. / Ai, mamãe, você tem sempre razão! Veja mais aqui.

QUEM CASA QUER CASA – A peça teatral em 1 ato Quem casa, quer casa (1845), do dramaturgo e diplomata Martins Pena (1815-1848), introdutor da comédia de costumes com obras recheadas de ironia e humor, graças as desventuras da sociedade brasileira. Da obra destaco a cena inicial: Sala com uma porta no fundo, duas à direita e duas à esquerda, uma mesa com o que é necessário para escrever-se, cadeiras, etc. Paulina e Fabiana. Paulina junto à porta da esquerda e Fabiana no meio da sala; mostram-se enfurecidas. PAULINA (batendo o pé) - Hei de mandar!... FABIANA (no mesmo) - Não há de mandar!... PAULINA (no mesmo) - Hei-de e hei-de mandar!... FABIANA - Não há-de e não há- de mandar!... PAULINA - Eu lho mostrarei. (Sai.) FABIANA - Ai que estalo! Isto assim não vai longe... Duas senhoras a mandarem em uma casa... é o inferno! Duas senhoras? A senhora aqui sou eu; esta casa é de meu marido, e ela deve obedecer-me, porque é minha nora. Quer também dar ordens; isso veremos... PAULINA (aparecendo à porta) - Hei de mandar e hei de mandar, tenho dito! (Sai.) FABIANA (arrepelando-se de raiva) - Hum! Ora, eis aí está para que se casou meu filho, e trouxe a mulher para minha casa. É isto constantemente. Não sabe o senhor meu filho que quem casa quer casa... Já não posso, não posso, não posso! (Batendo com o pé:) Um dia arrebento, e então veremos! (Tocam dentro rabeca.) Ai, que lá está o outro com a maldita rabeca... É o que se vê: casa-se meu filho e traz a mulher para minha casa... É uma desavergonhada, que se não pode aturar. Casa-se minha filha, e vem seu marido da mesma sorte morar comigo... É um preguiçoso, um indolente, que para nada serve. Depois que ouviu no teatro tocar rabeca, deu-lhe a mania para aí, e leva todo o santo dia - vum,vum,vim,vim! Já tenho a alma esfalfada. (Gritando para a direita:) Ó homem, não deixarás essa maldita sanfona? Nada! (Chamando:) Olaia! (Gritando:) Olaia! Veja mais aqui e aqui.

AMOR, CARNAVAL E SONHOS – No Dia Nacional do Cinema Brasileiro, nada mais justo que trazer aqui a homenagem oportuna ao drama Amor, carnaval e sonhos (1972) dirigido pelo cineasta Paulo César Saraceni (1933-2012), conta a história que ocorre nas vésperas do carnaval, quando uma jovem suplica um milagre a uma santa de sua devoção: quer um rapaz com quem possa brincar durante a folia. E, quando todas as esperanças parecem perdidas, o milagre acontece; um malandro surge pela janela. A partir daí, o filme mostra dramas íntimos que se extravasam nos quatro dias de folia, tendo como pano de fundo o carnaval. O destaque do longa-metragem é nada mais nada menos que a grandiosa atriz Leila Diniz (1945-1972) que ao concluir as filmagens, faz a viagem que não tem volta e o país fica órfão desta grande mulher. Veja mais aqui e aqui

CONTANDO HISTÓRIAS - O Centro Acadêmico de Psicologia Martin-Baró (Capsi) realizará neste dia 11 de novembro, no horário das 17:30 às 19:30 hs, no adutirótio do curso de Direito do Centro Universitário Cesmac, o evento Conversas em Psicologia: contando histórias, que contará com a presença e apresentação de abordagem temática pelo psicólogo, psicoterapeuta e professor Afonso Henrique Lisboa Fonseca, e pela psicóloga e professora Daniela Botti da Rosa. Informações no Capsi Cesmac. Entrada: um livro infantil novo ou usado ou R$ 5,00. Certificação: 2 horas. Realização: Centro Acadêmico de Psicologia Martin-Baró, do Cesmac. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte & as mulheres de Angeli.
Veja mais aqui.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa SuperNova, a partir das 21hs (horário de verão), com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui .

CURSO DINÂMICO DE ORATÓRIA
Veja mais detalhes aqui.
 

MÁRIO QUINTANA, ANNE BOYER, KATE MANNE & JONES MANOEL

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Aroma da memória, flor despetalada... – Bella não era Isabella, a cantora perturbada do Blue Velvet . Nem a...