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quinta-feira, março 26, 2020

VIKTOR FRANKL, JUNG CHANG, CARLOS PATRAQUIM, MÓNICA MAYER & ANA VAZ


NÃO ESTOU FAZENDO NADA, VOCÊ TAMBÉM. QUE TAL? - UMA: FAZER O QUÊ DIANTE DA RECLUSÃO SOCIAL? - Ora, ora. Agora é só você com os seus e o espelho. Essa a forma encontrada para que a gente supere e consiga escapar da adversidade do agora. Esse o jeito mais preventivo, inteligente e barato, acho. É só encarar. Já ouviu falar sobre a solidão criativa? Ela existe sim e traz possibilidades de melhoria individual: leituras para refletir, atividades lúdicas criativas e inovadoras, enfim, muitas coisas podem ser feitas sozinho e entre os seus, sobretudo, conhecer-se melhor. Acho mesmo que é uma oportunidade ímpar para fugir do umbigocentrismo social com sua competitividade desumana e cotidiana, descobrindo-se a própria personalidade para aceitação de si mesmo, o que levará, indubitavelmente, a uma melhor condução de convívio com o outro e todos. Acredito nisso. Foi como uma vez ouvi da Erica Jong: Todos são talentosos. Difícil é ter coragem de seguir pelo caminho sombrio através do qual o talento guia. Conduza sua vida com as próprias mãos, e o que acontece? Uma coisa terrível: ninguém para culpar. Desafiador, não? Afinal, somos resultados das nossas escolhas, o que quer dizer que somos os únicos culpados pelo que passamos e vivemos. Num é não? Como não sou o dono da verdade, vamos conversar e aprender melhor juntos, então. Vambora? DUAS: BRINCANDO DE ARENGAR COMIGO MESMO – Sério? Diante do espelho: sou eu mesmo. Tudo o que fiz na vida teve uma motivação. Cada decisão tomada tiveram as razões para tal, acertada ou não, eu decidi. E levado sempre pelo certo e o melhor possíveis, mesmo não fossem esses os entendimentos resultantes entre os outros envolvidos, decidi. Mas, se pelejei, foi buscando o certo e o melhor, pelo menos, para mim, a intenção era essa. Quando errei, aceitei a pena; ao acertar, prosseguia. E fui tentando sempre juntando as ideias para que fosse pelo menos fiel a mim e a todos, como Sarah Bernhardt: desafio todas as superstições e apenas ajo como quero. Devemos odiar muito raramente, pois é muito cansativo; permaneça indiferente a muito, perdoe com frequência e nunca esqueça. Um exercício brabo este. É que nunca fui bom o suficiente para me levar a sério de todo. Tive sempre comigo aquela do Walt Whitiman: Longa é a nossa caminhada, e sempre chegamos todos de volta ao mesmo ponto. Pois é, no final, só sobra comigo mesmo. TRÊS: NO FRIGIR DOS OVOS, SOU EU – Numa quebra-de-braço comigo mesmo, muita coisa me descobri deplorável. Verdade. Teve coisas que demorei muito a me perdoar. Só com o passar dos anos, revendo acontecidos, não conseguia entender como eu fui capaz de passar por situações tão vexatórias. Passou, passei. Assumi o erro. Confessei para mim mesmo e paguei o pato, evidentemente. Quase me tornei um juiz inexorável comigo no banco dos réus. Lavei a culpa espremendo todos os panos. Aliviei um pouco o pé no acelerador, não era bem assim: ou me aceitava, ou me lascava todo. Cortei na carne e me cobri de vergonha. Foi quando li um escrito do Tennessee Williams: Ninguém consegue ver alguém verdadeiramente, senão através das falhas de seus próprios egos. É assim que todos nos vemos uns aos outros, na vida. Vaidade, medo, desejo, competição - todas essas distorções dentro de nosso próprio ego - condicionam nossa visão daqueles com quem nos relacionamos. Fui, então, além disso: estava sozinho na roda, ora, e me encontrei. Prestei contas, dei a cara à tapa e meti os peitos pra vida, como se fosse o meu poema em linha reta. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Minha avó era uma beldade. Tinha um rosto oval, faces róseas e pele acetinada. Os cabelos longos e brilhantes eram entretecidos numa grossa trança que lhe chegava à cintura. Sabia ser recatada quando a ocasião exigia, ou seja, na maior parte do tempo, mas por baixo da aparência impassível estuava de energia reprimida. Era mignon, cerca de um metro e sessenta, com um corpo esguio e ombros arredondados, considerados o ideal. Mas seu grande tesouro eram os pés enfaixados [...] Os pés de minha avó foram enfaixados quando ela completara dois anos. A mãe, que tinha ela própria os pés enfaixados, primeiro enrolou um pedaço de pano branco de uns seis metros de comprimento em torno dos pés dela, dobrando todos os dedos, com exceção do dedão, para dentro, sob as solas. Depois colocou uma grande pedra em cima para esmagar o arco. Minha avó gritava de dor e pedia-lhe que parasse. A mãe teve de amarrar-lhe um pano na boca, para amordaçá-la. Minha avó desmaiou várias vezes de dor. O processo durava vários anos. Mesmo depois de quebrados todos os ossos, os pés tinham de ser enfaixados dia e noite com pano grosso, porque assim que eram soltos tentavam recuperar-se. Durante anos minha avó viveu com dores constantes e excruciantes. Quando implorava à mãe que desamarrasse as faixas, a mãe chorava e dizia-lhe que os pés desatados arruinariam toda a sua vida, e que fazia aquilo para a futura felicidade dela. Naquele tempo, quando uma mulher se casava, a primeira coisa que a família do noivo fazia era examinar seus pés. Achava-se que os grandes, ou seja, normais, traziam vergonha à casa do marido. [...] A prática do enfaixamento fora introduzida originalmente cerca de mil anos atrás, supostamente por uma concubina do imperador. Não apenas se considerava erótica a visão de uma mulher cambaleando sobre pés minúsculos, mas os homens se excitavam com eles, sempre ocultos sob sapatos de seda bordada. As mulheres não podiam retirar as faixas nem quando já estavam adultas, pois os pés recomeçariam a crescer. A faixa só podia ser afrouxada temporariamente à noite na cama, quando elas calçavam sapatos de sola mole. Os homens raramente viam nus os pés enfaixados, em geral cobertos de carne podre e malcheirosos quando se retiravam as faixas. Lembro-me de, quando criança, ver minha avó em sofrimento constante. Quando voltávamos das compras, a primeira coisa que ela fazia era mergulhar os pés numa bacia de água quente, suspirando de alívio. Depois punha-se a cortar os pedaços de pele morta, A dor vinha não apenas dos ossos quebrados, mas também das unhas, que se enterravam nas plantas dos pés. [...]. As meninas da terra tinham de caminhar seis quilômetros na vida e na volta todo dia; as crianças japonesas iam de caminhão. As da terra ganhavam uma papa rala feita de milho mofado, com bichos mortos flutuando dentro; as japonesas recebiam refeições embaladas de carne, legumes e frutas. [...]. Trechos extraídos da obra Cisnes Selvagens, (Companhia das Letras, 2006), , da escritora chinesa Jung Chang, contando sobre as perspectivas das mulheres a história da China, desde os tempos feudais até a Revolução Cultural, por meio de seus antepassados e presente, desde a mutilação dos pés até o interdito da demonstração de emoções por parte das mulheres.

SIM, AFINAL DE CONTAS... – Ninguém tem o direito de praticar injustiça, nem mesmo aquele que sofreu injustiça. Tudo pode ser tirado de uma pessoa, exceto uma coisa: a liberdade de escolher sua atitude em qualquer circunstância da vida. Cada vez mais, as pessoas têm os meios para viver, mas não tem uma razão pela qual viver. Devemos transformar os aspectos negativos da vida em algo construtivo. O amor é a única maneira de captar outro ser humano no íntimo da sua personalidade. Pensamento do neurologista e psiquiatra austríaco Viktor Frankl (1905-1997). Veja mais aqui.

MULHERES DE ÁGUA, DE LUÍS CARLOS PATRAQUIM
[...] É que eu tenho uma história!...Não sei se posso contá-la, abrir-me assim diante deste silêncio...vergastando as vossas sombras...Um mulher não pode utilizar esse verbo...Abrir...A-brir-se!... [...].
MULHERES DE ÁGUA – O monólogo Mulheres de Água, do poeta, autor teatral e jornalista moçambicano, Luís Carlos Patraquim, trata sobre uma jovem mulher que conta sua própria história, acerca do absurdo, da política, do cômico e social, dos dias de hoje, um conflito entre a intelectual e a prostituta. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte tem que ser o que precisamos que seja.
MÓNICA MAYER - A arte da premiada artista conceitual, ativista, curadora e crítica de arte mexicana Mónica Mayer, trabalha com fotografia, performance, gráficos digitais, desenho e teoria da arte, tendo participado de inúmeros eventos artísticos em diversos países, tornando-se a pioneira de performances e da arte feminista na América Latina. Participa do projeto De Archivos y Redes, criadora do projeto Pinto mi Raya e do grupo Polvo de Gallina Negra, publicando o Escandalario: los artistas y la distribucion del art (AVJ, 2008) e o livro infantil Juanita, las pochotas y una bolsa de preguntas (Instituto de la Mujar Oaxaqueña, 2008). Atualmente é membro do Conselho do Museo de Mujeres Artistas Mexicanas (MUMA) e do Consorcio Internacional Arte y Escuela AC. Veja mais aquiaqui.

PERNAMBUCO ART&CULTURAS
A ARTE DE ANA VAZ
A arte da premiada pintora Ana Vaz, que possui licenciatura em Artes Plásticas pela UFPE, doutoramento em Letras pela UFPE, e estudou na École Nationale Supérièure des Beaux Arts e na Université de Paris VIII, onde concluiu a sua Licenciatura. Já realizou exposições em países como França, Portugal, Mônaco, Suíça e Espanha, afora diversas capitais e cidades brasileiras.
A música de Vitor Araújo aqui.
A terra pernambucana do professor, jornalista e escritor Mario Sette (1886-1950) aqui & aqui.
As danças populares de Maria Goretti Rocha de Oliveira aqui.
A poesia de Alberto Lins Caldas aqui.
A casa do Alto do Inglês aqui & aqui.
A raposa, o sabiá e o cancão aqui.
O município de São Caetano aqui & aqui.
&
OFICINAS ABI – 2º SEMESTRE 2020
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
 

segunda-feira, novembro 13, 2017

JUNG, GOURMONT, ERICA JONG, MARIA BLANCHARD, JOHANNES ITTEN, ADRIANO SALES & SÃO BENEDITO DO SUL

A CANÇÃO DO POEMA QUE NÃO FIZ - Imagem: The lute player (1917-1918), da pintora espanhola Maria Blanchard (1881-1932). - O poema que não fiz era só uma canção que se perdeu, nada mais. Eu queria cantá-lo voz em eco das tripas coração, alma na boca. Só não fiz e se perdera, mudo e só, no meio da madrugada, o poema que eu não fiz se fez silêncio e não foi feito quando deveria ser, passou e não mais. O poema que não fiz deu sinal de vida, brotou por um triz e não se fez, desceu pelo ralo e se perdeu. Hoje sinto falta como se fosse uma lembrança que se esquece e quase nem sei porquê, ora bolas, de sentir que não escrevi o que deveria ter dito e feito. Pra quê mesmo? Ora, ora. Sei lá, só sei que o poema que não fiz fugiu entre os dedos, escorreu peito abaixo e esqueci cantar na voz rouca, o peso dos anos nas costas e mais que inventei pra cantar. O poema que não fiz era uma canção só feita de sóis e de lás sustenidos do que eu tinha esquecido por tantos bemóis, pedaços de infância, segredos adolescidos, adulteza incerta e se foi vento como aquela que ama e partiu pra não voltar. O poema que não fiz era um verso só na agonia das entranhas, atravessado na angústia e o perdi na ladeira, quando eu ia pro céu sem saber que ela se foi pra não mais voltar, me deixando sozinho na esquina do escuro e sem saber nada mais nada, alma penada que perdeu rumo e viés. O poema que não fiz era a canção que deixei de fazer com um verso que teimava em poema na flor do pensamento e quase não dizia de nada nem de mim, nem de nada, era sussurro do dia se valendo da noite, a tarde desfeita em quimeras que sequer sonhei, quando ela foi embora e não mais voltou para eu perder a noção da estrada, dos quadrantes, pontos cardeais, até os acordes da canção se foram com ela pra mim que perdera a posse no erro da veia como quem não tem nem onde cair morto. A canção que eu não fiz doía muito e sangrou no caminho até me nocautear e quase morrer de tão grande em mim de não caber na voz e nenhum tom, apenas solada por melodia que me encantava pronto pra solfejar e dizer o que era de alma e coração, e perder os sentidos de mais nada saber. A canção que não fiz era o poema incompleto e aos trapos, enviezado no peito com o aceno dela de que não mais voltaria e a me engasgar o adeus na garganta e a voz que se rasga e se espanta pra não mais cantar, tão tarde a canção que eu fiz e perdi no poema esquecido do verso dissolvido no adeus de quem ama pra sempre amar porque tudo fizera o amor o poema em canção. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com o saudoso arranjador, maestro, compositor e multi-instrumentista Moacir Santos (1926-2006): Ouro negro & Coisas; com a multifacetada cantora, guitarrista, compositora, atriz & performer argentina Érica Garcia: Amorama & El Cerebro; do compositor holandês Jacob de Haan: Concerto d’ Amore, Ross Roy, Utopia & Pacifi Dream; e do grupo vocal e instrumental de pesquisa e recriação muscial Mawaca: Canto da Floresta & Gayatri Mantra. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - [...] Meu amigo, já faz alguns séculos que as escolas têm estado a envenenar-vos a sensibilidade e a asfixiar-vos a inteligência [...], pensamento do poeta e dramaturgo francês Rémy de Gourmont (1858-1915), que também expressou: [...] a volúpia é uma criação do homem, uma arte delicada que só uns poucos dominam com perfeição, como a música ou a pintura. [...] o homem associa suas ideias, não de acordo com a lógica, ou com exatidão comprovável, mas de acordo com seus desejos e interesses. [...]. Veja mais aqui.

SÃO BENEDITO DO SUL – O distrito de São Benedito do Sul foi criado pela Lei municipal 24, datada de 20 de outubro de 1899, com a denominação de São Benedito, integrando território do município de Quipapá. O Decreto-Lei estadual 952, de 31 de dezembro de 1943, mudou a denominação para Iraci. A Lei estadual 4980, de 29 de dezmebro de 1963 – data de criação do município -, elevou o distrito à categoria de município autônomo, com a denominação de São Benedito do Sul, com sua instalação ocorendo em 13 de maio de 1964. Administrativamente o município está formado pelos distritos sede e Igarapeba e pelos povoados da Usina Periperi e do Engenho Soberana. Anualmente, no dia 13 de maio, o município comemora sua emancipação política, conforme a Enciclopédia dos Municípios do Interior de Pernambuco (FIAM/DI, 1986). Veja mais aqui.

O TAO E OS OPOSTOS - [...] porque as coisas do mundo interior estão sempre a influenciar-nos poderosamente rumo à inconsciência, é essencial a qualquer pessoa que tenha a intenção de fazer progressos na autocultura objetivar os efeitos da anima e, depois, tentar compreender quais são os conteúdos subjacentes a eles. É dessa maneira que o individuo se adapta e adquire proteção contra o invisível. Não haverá adaptação sem que se façam concessões aos dois mundos. Da ponderação entre os reclamos dos mundos interior e exterior, ou melhor, dos conflitos existentes entre eles, surge o possível e o necessário. Nossa mente ocidental, infelizmente, carente que é de qualquer espécie de cultura a esse respeito, ainda não conseguiu idear um conceito, nem mesmo um nome, para a “união dos opostos em um caminho mediano”, esse item mais fundamental da experiência interior que bem pode, com todo o respeito, ser justaposto ao conceito chinês do Tao. [...]. Trecho extraído das Obras completas (Colected works – Vozes, 2000), do psicoterapeuta suíço Carl Gustav Jung (1875-1961). Veja mais aqui e aqui.

MEDO DE VOAR – [...] mas o grande problema era como fazer com que o feminismo se harmonizasse com a fome insaciável de corpos masculinos. Não era fácil. Ademais, ao passar do tempo mais claro se fornava que os homens, na essência, tinham pavor às mulheres. Alguns em segredo, outros abertamente. O que podia ser mais lancinante do que uma mulher libertada, de olho em cacete murcho? As maiores questões da história empalidecem, em comparação com esses dois objetos quintessenciais, a mulher eterna e o cacete murcho. [...]. Trecho extraído da obra Medo de voar (Artenova, 1975),da escritora e educadora estadunidense Erica Jong. Veja mais aqui

PALMARES
Terra dos poetas
Que nas manhãs de agosto
Encobre-se por uma cortina branca
De névoa e garoa
Cortada pelo imponente Rio Una
Impávido e colossal
Terra das belas praças
Árvores belas
E clima interiorano
Com tantos motivos
Dá-me vontade rimar:
Com meus pensamentos estranhos
Deito em bancos da Praça Paulo Paranhos
Deleza que incendeia na Praça Ismael Gouveia
Em rimas que se estendem
Longo seria o poema
Pois infinita é sua beleza.
Poema extraído do livro Eu-poesias em vias (Rascunhos, 2015), de Adriano Sales, Veja mais aqui.

Veja mais:
A poesia de Manoel de Barros aqui, aqui, aqui e aqui.
A arte de Almeida Junior aqui.
A literatura de Robert Louis Stevenson aqui.
A arte de Camille Pissarro aqui.
O pensamento de Agostinho de Hipona aqui e aqui.
A arte de Ludovico Carracci aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor, escritor e professor suíço Johannes Itten (1888-1967).
Veja mais aqui.

quarta-feira, maio 16, 2012

KATE MILLETT, MAGGIE JACKSON, IBN HAZM, IBN AL-SHERESHI, LITERÓTICA

AS DELÍCIAS DO POMAR DELA – Seu corpo é o pomar de todas as delícias. É onde me esbaldo de não mais querer sair, desistindo do mundo e de tudo. Cubro todo seu terreiro, feito menino matreiro fugindo pelo quintal. Demais de legal, me atrepo por todos os galhos do seu desejo, busco seu talho, seu beijo, feito peralta carente. É no seu corpo que me faço que nem gente: vivo, sonho e realizo. E sem aviso aperto seu jeito como se espremesse carinhosamente a fruta no pé. Ah, que bom que é, chega sinto o sumo descer embaixo, eita, acendeu o facho, como é bom demais! Muito demais. Ah, é um bom caju, melhor embu. Dulcíssima graviola, suco de carambola, acerola na mão. Do seu bago sou chupão. E na sua pele de cajá, sabor de maracujá. Ah, me dá teu ingá que eu te dou meu araçá! Quero comer sua goiaba e toda mangaba. Chupar sua manga, ah, lamber seus peitinhos com sabor de pitanga, nada melhor, seja o que o for. Prazer de abacaxi, feito um sapoti! E faz a banana ser sua cana-caiana, ave, deus, avali. Água na boca, uma vida muito louca, foi tudo que eu pedi. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui, aquiaqui.

 


DITOS & DESDITOS - Sou muito infantil para ser imaturo. Eu amo a internet; Eu estou nisso o tempo todo. Todo homem é um herói para seu pseudônimo. Pensamento do escritor e crítico cultural estadunidense Lee Siegel, autor da obra Against the machine: being human in the age of the eletrônica mob (Spiegel & Grau, 2008), na qual expressa que: No mundo surreal da Web 2.0, a retórica de democracia, liberdade e acesso é usualmente uma folha de aprreira para uma retórica antidemocrática e coercitiva; onde ambições comerciais se disfarçam na pele de cordeiro dos valores humanísticos; e onde, ironicamente a tecbologia fez voltar o relógio do prazer desinteressado da arte popular e erudita para uma cultura primitiva de interesses próprios, toscos e avarentos. Sobre a Internet ele assevera que: É um desastre sem proporções. Está destruindo o jornalismo neste país, por exemplo. É uma estupidez que uma inovação tecnológica esteja comprometendo a qualidade do jornalismo, ao invés de melhorá-la. Não vejo nada novo ou original vindo dali. Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Eu escrevo sobre os aspectos intangíveis cruciais da vida - casa, atenção, incerteza - que muitas vezes esquecemos na era tecnológica, e procuro maneiras de contrabalançar a inquietação, velocidade, complexidade e natureza centrada na máquina de nossos tempos com calma, reverência , lucidez e humanidade. Não sou um ludita, nem estou fascinado pela tecnologia. Eu me considero um usuário com os olhos bem abertos e alguém que está constantemente perguntando: que tipo de humano queremos ser, hoje e no futuro? Pensamento da escritora e jornalista estadunidense Maggie Jackson, autora da obra Distracted: The Erosion of Attention and the Coming Dark Age (Prometheus, 2008) em que expõe a vida cibercêntrica com a deficiência de atenção, ou seja, que a erosão da capacidade de atenção profunda e plena consciência provocada pela vida cibercêntrica traz gritantes implicações para uma sociedade saudável, por nutrir uma cultura de difusão e desapego. Com a atenção dispersa entre os bips e pings de um mundo de botões, cada vez menos há capacidade de fazer uma pausa, refletir e conectar profundamente.

 

OUTRA QUE ALGUEM FALOU: Assuma o controle de sua vida, o que acontece? Algo terrível: não há ninguém para culpar. Pensamento da escritora estadunidense Erica Jong. Veja mais aqui e aqui.

 

A TRISTE SINA DE IBN HAZM & O COLAR DA POMBA- O polímata, historiador, jurista e filósofo muçulmano andaluz Ibn Hazm(Mohamed Ali ibn Ahmad ibn Said ibn Hazm, 994-1064), foi descrito como um dos hadith proponente e codificador da escola de pensamento islâmico Zahiri. Era filho do ministro de Al-Mansur e foi criado no harém do palácio de Córdova, no qual recebeu educação até a adolescência. Seu pai morreu em 1012, após ter conhecido as amarguras de uma grande desgraça. Aos 20 anos ele é forçado a deixar Córdova, caçado pelos Berberes almorávidas. Libertado, ele retoma o caminho do exílio e se apresenta em Valência onde novamente é aprisionado, só sendo libertado para ser ministro do Omíada Abd al-Rahman, que será assassinado numa conspiração e retoma o caminho da prisão. é quando compõe o célebre Tawk el hamama – O colar da Pomba. Depois se dedica à ciência e ao direito, porém seu temperamento combativo e sobretudo o desejo de contrariar a ortodoxia reinante o compelem a fazer-se defensor de uma escola heterodoxa, a dos Ahl adh’dhahir, ou escola da verdadeira religião. Intransigente, polemista dotado de uma pena acirrada e impiedosa, foi proibido de professar na grande Mesquita de Córdova. Em Sevilha os seus livros são publicamente queimados e sua efigie decapitada. Assim, foi preso, jogado na prisão e expulso da ilha. oprimido por tantas infelicidades, até acabar seus dias numa propriedade rural da família Badajoz. Ele produziu mais de 400 obras, mais de 80 mil páginas que o fez um dos principais pensadores do mundo muçulmano. Dele encontra-se o poema Al-Mahribi de flâmulas dos defensores: Você veio até mim um pouco antes / os cristãos tocaram seus sinos. / A meia-lua estava subindo / parecendo a sobrancelha de um velho / ou um delicado peito do pé. / E embora ainda fosse noite / quando você veio um arco-íris / brilhava no horizonte, / mostrando quantas cores / como a cauda de um pavão. Veja mais aqui.

 

POLÍTICA SEXUAL – [...] Uma revolução sexual exigiria antes de mais, talvez, o fim das inibições e tabus sexuais, especialmente aqueles que mais ameaçam o casamento monógamo tradicional: a homossexualidade, a «ilegitimidade», as relações sexuais pré-matrimoniais e na adolescência. Deste modo, o aspecto negativo no qual a atividade sexual tem sido geralmente envolvida seria necessariamente eliminado, juntamente com o código moral ambivalente e a prostituição. Esta revolução teria por objetivo estabelecer um princípio único de tolerância, completamente alheio aos sórdidos e alienantes fundamentos econômicos das tradicionais alianças sexuais. [...] O princípio tutelar, frequente na jurisprudência ocidental, colocava a mulher casada numa condição de objeto durante toda a vida. O marido passava a ser uma espécie de tutor legal, como se com o casamento ela passasse a fazer parte da categoria dos loucos e atrasados mentais, que, de um ponto de vista legal, eram também considerados como «mortos aos olhos da lei». Por muito irresponsável que o marido fosse e indiferente ao bem-estar dos seus filhos, ele estava legalmente autorizado a exigir e receber em qualquer momento os salários da mulher, mesmo sacrificando a vida dos que dele dependiam. Como chefe de família, da qual era proprietário, tinha poderes para privar a mãe dos seus próprios filhos, que legalmente lhe pertenciam, se quisesse abandoná-la ou divorciar-se dela. Um pai, tal como um negreiro, podia recorrer à lei para reclamar os seus bens mobiliários, sempre que quisesse. Podia reter a mulher contra sua vontade; as esposas inglesas que se recusassem a voltar para casa podiam ser presas. Se o marido morria sem deixar testamento, o Estado podia apropriar-se de todos os seus bens (porque legalmente todos os bens lhe pertenciam) sem deixar nada à viúva, ou apenas aquilo que entendesse conferir-lhe. A legislação de Nova Iorque era edificante e minuciosa neste aspecto; indiferente ao número de filhos, enumerava o seguinte como sendo devido à viúva: A Bíblia da família, quadros, livros escolares e todos os livros que não ultrapassem o valor de 50 dólares: rodas de fiar, teares e fogões; dez ovelhas e as suas peles, dois porcos. [...] Todo o vestuário necessário, camas, armações de cama, colchões e lençóis; os fatos da viúva e ornamentos próprios à sua condição. Uma mesa, seis cadeiras, seis facas e garfos, seis chávenas de chá e respectivos pires, um açucareiro, um bule de leite, um bule de chá e seis colheres. O exemplo mais parecido com o casamento é o feudalismo. [...] Trechos extraídos da obra Política Sexual (Dom Quixote, 1969), da escritora, artista, educadora e ativista estadunidense Kate Millett (1934-2017), que é considerado a “bíblia da liberação das mulheres”. Da autora há uma série de frases lapidares: O amor tem sido o ópio das mulheres como a religião o das massas. Enquanto amávamos, eles governavam. Pode ser que não é que o amor em si é ruim, mas a maneira como foi usado para persuadir a mulher e torná-la dependente, em todos os sentidos. Entre os seres livres é outra coisa O amor é simplesmente para permitir o outro a ser, viver, crescer, expandir e se tornar. Uma apreciação que não exige e nem espera nada em troca... É interessante ver que muitas mulheres não se reconhecem como discriminadas. Não foi encontrada melhor prova da totalidade de seu condicionamento... Sobre o patriarcado, a autora expressa que: O patriarcado é uma ideologia dominante sem comparação; é provável que nunca nenhum outro sistema tenha exercido um controle tão completo sobre seus sujeitos. [...] Ele se apoia em princípios fundamentais de que o macho tem que dominar a fêmea... As diferenças intelectuais entre o homem e a mulher são apenas consequências naturais das diferenças na educação e condicionamento e não implicam qualquer desigualdade fundamental e ainda menos uma inferioridade notória baseada na natureza... Um dos mitos favoritos da mentalidade conservadora consiste precisamente na ideia de que toda mulher é uma mãe em potencial... Veja mais aqui e aqui.

 

UM POEMA SOBRE A VELHICE Ó povo da Andaluzia, vós compreendestes / Graças a vossa inteligência, uma coisa sutil: / para chorar vossos mortos vós vestis o branco. / Parecendo, talvez, um estranho traje / vós tendes razão: o branco é a verdadeira cor do luto. / Que luto é mais triste que a brancura dos cabelos? Poema do historiador e poeta muçulmano andaluz Ibn al-Shereshi sobre a velhice. Dele também é encontrada a anedota: Os homens que voltaram daquele lugar disseram que foram testemunhas de um horror como nunca tinham visto. Eles levaram os homens diante de um altar coberto de sangue, e um havia sido curvado sobre ele, e eles assistiram com horror como o seu o peito foi perfurado e seu coração foi arrancado de seu peito. Eles nos contaram com horror como os politeístas gritavam aos seus ídolos, e naquele momento eles sabiam que só podiam estar chamando o shayatan. Seus guias lhes disseram que os ídolos exigiram muito deles, mas eles não poderiam saber que seria assim. Tão aterrorizados ficaram que os atacaram com fúria e mataram vários deles, antes que fossem expulsos para além das muralhas de Tuloom e voltassem para seus navios no horror do que tinham visto. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

BREBOTES & OUTROS CLECKS ARRUELADOS


ABRE-TE SÉSAMO, MONSTESQUIEU – O que será que está escondido na sala secreta da CPMI do Cachoeira? Nossa, até o STF entra na dança. Pra mim é a proteção de poderosos no conluio nebuloso entre o Executivo, Legislativo e Judiciário, justo como propunha a Teoria dos Três Poderes do filosofo iluminista francês Montesquieu: cada poder deve ser autônomo para exercer determinada função e ser harmônicos entre si. E quando ocorre essa harmonia a gente já sabe: quem paga o pato é o povo! E Viva o Fecamepa!!!!!!


CACHOEIRA ABAIXO – Já vi tudo: vai descer cachoeira abaixo uma tuia de gatunildo e ladronaldo. Uns serão expostos ao opróbrio popular (já começou o circo!); outros, sairão com o pára-brisa trincado (cara dum, cara doutro, quem não pisar vira gafanhoto!); alguns mais fortes, farão a briga toda, sairão impune e a gente com uma pizza enorme ruim de digerir. Vê aí como é que é essa CPMI do Cachoeira.


DECLARAÇÃO DE AMOR – Michael Moore fez sua declaração de amor aos USA com o seu Capitalism: a love story. Eu fiz a minha ao Brasil: Fecamepa. E você? Aproveita o intervalo da televisão e raciocina um pouco, tá?


IMPRENSA BRASILEIRA: O QUE É, O QUE É? – Se os donos dos veículos de comunicação de massa do Brasil ou são políticos ou achegados deles, ou seja: de um dos lados do poder a imprensa está: ou a favor, ou contra. A pergunta que não quer calar: se a imprensa é o quarto poder e ou está do contra ou a favor do poder, onde fica o povo brasileiro nessa relação? E olhe que a imprensa deve primar pelo interesse público. Será? E o povo onde é que está nessa hora????? E haja BigShit Bôbras.

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A professoraHenrik Ibsen, Lenine, Marvin Minsky, Columbina, Jean-Jacques Beineix, Valentina Sauca, Carlos Leão, A sociedade da Mente & A lenda do mel aqui.
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