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domingo, dezembro 21, 2025

JANNA LEVIN, DAISY ZAMORA, LISA JAKUB, CERÚLEO ESCARLATE & FRANCISCO JULIÃO

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Dentro da oficina do mestre João do Pife de Caruaru adquiri meu primeiro instrumento e assim comecei a aprender. Trouxe o instrumento pra casa, que meu pai me deu de presente porque era próximo do meu aniversário. E como a gente mora aqui no bairro do Salgado, bem próximo a casa do João do Pife, sempre eu estava lá, chamava as amizades e aperreava o “vein” pra ele me ensinar a tocar pife e foi assim que eu aprendi e tenho muito a aprender ainda...

Pensamento ao som do álbum Sem Pergaminho (2025), primeiro álbum musical autoral da artista independente, musicista, pifeira, luthier, compositora, professora e produtora Vitória do Pife, que idealizou o projeto Passarinho Passarada (2019), levando música como forma de educação para as crianças do bairro do Salgado, em Caruaru – PE. É integrante Orquestra de Pífanos de Caruaru & Maestro Mozart Vieira, da banda Forró Agarradim e da Banda de Pífanos Zé do Estado, além de fundar a Banda de Pífanos Caruaru Camaleão

 

A vida segue caminhos tortuosos... - Já era tarde da noite quando Zeca Biu, aos bocejos, sentiu frio. Estava muito chateado com o imbróglio de suas demandas diárias, comendo seu juízo. Viu-se cansadíssimo e resolveu jogar tudo pro ar, ora, ora. Melhor deitar e descansar, obtemperou. Assim o fez e logo regalou-se à costumeira cama com seu cobertor abafa-banana, ajeitando os travesseiros molambentos, aos suspiros, aí dormiu emborcado, roncou estirado de papo pro ar e, aos peidos trovejantes, muito sonhou. Despertou determinado a ir num zoológico para dar cabo do pandemônio que virara seu quintal – os incomodados vizinhos, ameaça da polícia, as chaturas e perrengues, perigava ser enxotado num sabia pra onde. Estava tão firme no seu propósito de quase passar despercebido que não estava em sua cama, ali não era seu quarto e viu-se fora de sua casa, numa noite do ocaso da Lua. Oxe, que fuleragem é essa, ondéqeutô! Abriu bem os olhos, levantou as pestanas, acionou o faro, aprumou as ouças, ligou as orelhas e perscrutou: vozes. Na verdade, duas: um casal combinava, não dava para identificar o quê. Ficou sintonizando, ia pra lá, não, distanciava-se; pra cá, sim, aproximava-se, vozes mais nítidas. Tateou, topadas e sustos, quase ao vivo, mas sem conseguir enxergá-los, ousou no caliginoso: Boa noite, por acaso poderiam me dizer onde estou? Num oásis, respondeu-lhe uma voz masculina. E pra seu espanto deu pra ver de relance numa centelha ínfima: um mascarado de camelo falante. Essa é boa: que marmota é essa, saíram de um baile de máscara, foi? Não, somos nós – era uma voz feminina e um novo escândalo: fantasiada de zebra, também falante. Agora deu, pronto, devo ter endoidado: que pinoia é essa, hem? Responderam com outra indagação: Nunca leu Shakespeare? Ué, o que tem o cu com as calças? Somos humanos! Eita! Aí aboticou as vistas: Não eram e tinha certeza, parecia uma daquelas disforias de espécie, uma teriantropia ao contrário, ou que licantropia braba era essa, será? Então, uma fogueira foi acesa e ele começou a falar: Sou Alain, filho do tapeceiro Josamur. Muito jovem me apaixonei pela bela filha do Sultão e era correspondido. E por não ser abastado e vindo de família muito humilde, fui ameaçado e, como insisti, condenado à morte. Por causa do nosso idílio, o pai dela tentou por diversas vezes me matar. E numa de suas investidas, mais uma vez me desvencilhei e, com o desalmado golpe, ele matou a própria filha. Daí a minha fuga pelos 4 cantos do mundo, até ser amaldiçoado por bruxaria e me tornei o que sou: um camelo e me chamam agora de Bonifácio, suposto neto de Zorol da Somália, que, por sua vez era filho de um dos guardiões do paraíso, os voadores de Zohar do Paraíso no Avesta. Peraí! Como é que é? Ouviu tudo de novo e Zeca Biu amiudou na conferência: de fato, era mesmo um bicho feio com cabeça de alce, orelha de burro, cílios longos e grossos, patas de cavalo, pernas de avestruz, rabos de espanador, teimoso, cuspidor, estava com uma bateria nas costas; não, melhor, duas, pense num desengonçado, hem, Esopo, tão desajeitado de ganhar o opróbrio por não ter sido criado por Deus, mas, como disse Millôr: por um grupo de trabalho. E continuou a narração: Eu me perdi duma caravana, depois de atravessar os desertos de Gobi, da Arábia, o Saara e Kalahari; fui parar no Rajastão para ser trocado nas feiras de Pushkar e Bikader e, depois de muitas idas e vindas, de lá me passei pelos 35 camelos do homem que calculava, fui o preguiçoso de Rudyard Kipling e quase fui capturado pruma expedição que ia pro Ceará - na verdade foram 14 dromedários de Argel para Pedro II, numa comissão científica que incluía o poeta e etnólogo Gonçalves Dias. Não tivesse me desviado duma comitiva que ia pro Atacama, entre o Chile e o Peru, daí nenhuma cáfila, nem dromedários, iamas, alpacas ou vicunhas que aparecessem, findei como um desertor errante pelo semiárido, atravessando Seridó, Gilbués, Irauçuba e o sertão de Cabrobó. Até passei pelos Lençóis Maranhenses e o Jalapão de Tocantins, coisas até bonitas de se ver. Chorei muito de solidão, sabia: os camelos também choram! Zeca Biu ainda com um pé atrás e zis pulgas rondando suas orelhas, perquiriu agudamente e constatou: É mesmo, parecia mais que o bicho estava ao relento e contou que era bastante resistente e servil, carregando pesadíssimos fardos em marchas pelos desertos, doido por cevada e andava melancólico pela vaia que levou ao se meter numa competição com um salafrário dum macaco numa dança, razão pela qual foi execrado pelo reino animal e, ainda por cima, amaldiçoado por fugir atravessando o buraco de uma agulha, um vitupério para Jesuisis, e com um lamento: Virei provérbio buriata da Sibéria à Turquia: porque se julgou grande, desgraçou o exército! Mas, saiba: sou a primeira das 3 metamorfoses do espírito do Zaratustra de Nietszche. Ah, entendi o ditado: sábio feito um camelo! E dizem que sua lágrima é antídoto! Foi então que puxando o fim da conversa, mencionou haver descoberto a sugestão de Cecília Meirelles: o camelo mastiga a sua solidão. E regurgitei para descobrir meu próprio deserto entre zumbis hiperativos incluídos e trapos humanos excluídos da Rolnik, assim, exercia o meu vazio: camelos também dançam! Vixe! Pra minha sorte, não fosse o charme das minhas formosas bossas, não teria encontrado esta bela senhorita que me acompanha. Aí Zeca Biu disse pra si mesmo: Essa é boa: deu zebra! Segura a peta que vem mais patranha! Mesmo inarredavelmente incrédulo, para ele a coisa seguia um tanto convincente: Quero ver mesmo aonde é que vai dar! E enquanto o camelo assoprava a fogueira e pondo mais incensos pra queimar, ela começou a contar: Sou Dinazade, o mesmo nome da irmã de Sheherazade com as suas mil & uma noites, porém, só o nome, pois, sou filha de um oleiro etíope muito severo e religioso. Por causa de um namorico com um jovem bonito eritreu, nem meus pais nem os dele aprovavam o enlace e, inflamados pela fúria, fui vítima da mais perversa feitiçaria de um praticante de Zangbeto, que era, na verdade, pra me proteger e deu tudo errado: transformaram-me numa equídea de Grevy e agora me chamam de Zecora, supostamente nascida em Equestria, entre muitas outras e cada uma com o padrão do Alan Touring. Agora sim, posso assegurar: zebras também existem, viu! E aprendi com as hienas a desconfiar das arapucas e passei a andar com o rebanho milhares de quilômetros na migração, atrás de água e comida. Sentia-me protegida pela manada, prosperávamos em ambiente hostil que fosse. Corríamos pelas savanas e, se dependesse de mim, o leão morria de fome; se viesse me atacar, me defendia com minha patada letal: Quero é ver predador resistir. E passei a bramir e também latir, roncar, guinchar e miar, tanto como alerta, como pros rituais de acasalamento. Era tudo verdade, constatou ali mesmo Zeca Biu: a listrada quadrúpede solípedes girava as orelhas em qualquer direção, dormia em pé de dia, alerta total; deitava-se de noite, sob a vigilância dos pares; era desconfiada e temperamentalmente reativa. E mais: a mamífera ungulada corria como uma praga e era celebrada em Botsuana, ornamentava as oferendas na Tailândia e muito prestigiada pelos xamãs e zulus: o equilíbrio entre opostos. E sob o seu símbolo invocava-se a energia espiritual para cura e orientação, a sua pele representava proteção, força e poder. E ela continuou plangente: Fui capturada e levada com outras para um tal de Walter Rothschild, que me treinou para puxar carruagens. Ele não sabia: não sou para montar, nem me sujeito a carregar nada nem ninguém. Fugi e virei pilhéria nos versos do Clive Blake: nasci com código de barras. Pode isso? Fui louvada nas paisagens dos safaris de Hemingway, quando na verdade, vivia o perigo da única hestória de Chimamanda, porque sabia Mia Couto: o racismo inventava a raça. O bom que não tenho úlceras! Mas o lume da pedra me feriu na cerimônia dos ritos de passagem de Paula Tavares. Depois de muitas andanças erráticas, finalmente encontrei este cavalheiresco senhor: foi o glifo na minha garupa que flechou seu coração com o feitiço da nossa paixão. U-la-lá! Quase de mentira, porém verossímil. Zeca Biu impressionou-se: Dava prum enredo maior que o cordel do Pavão Mysterioso. Hum? Estava enfim afeiçoado por ambos. E o que parecia a mais insolente aldrabice duma doidice onírica, atravessou os limites da fábula e invadiu a sua realidade. Ainda hoje Zeca Biu insiste: Não é caraminhola não, viu? Estão lá no meu quintal pra quem quiser comprovar! Até mais ver.

 

Stephenie Meyer: Para mim, é importante ser livre e saber que estou agindo por mim mesma. Faço as coisas porque quero, e isso é importante. Você quer ser você mesmo... Quando se pode viver para sempre, para que se vive?... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Ana Maria Machado: Hoje sabemos que somos nada. Que a vida é o lampejo do cisco. Que o que amamos é infinitamente precioso... Ler é um direito de cada cidadão, não é um dever... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Patricia Churchland: A humildade nos convida a nos aceitarmos como somos; não precisamos ter importância cósmica para sermos verdadeiramente significativos... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

CELEBRAÇÃO DO CORPO

Imagem: Acervo ArtLAM.

Amo este meu corpo que viveu a vida, \ seu contorno de ânfora, \ sua suavidade aquosa, \ a profusão de cabelos que coroa meu crânio, \ a taça de cristal do meu rosto, \ sua base delicada que se ergue graciosamente dos ombros e clavículas. \ Amo minhas costas, \ adornadas com estrelas desbotadas, \ minhas colinas translúcidas, \ fontes do meu seio que dão o primeiro sustento da espécie. \ Projeções estriadas, \ cintura móvel, \ recipiente pleno e quente do meu ventre. \ Amo a curva lunar dos meus quadris \ moldada por gestações alternadas, \ a vasta e ondulante redondeza das minhas nádegas; \ e minhas pernas e pés, alicerce e suporte do templo. \ Amo o punhado de pétalas escuras, \ o velo oculto que guarda o misterioso limiar do paraíso, \ a cavidade úmida onde o sangue flui e a água viva brota. \ Este meu corpo doente, \ que supura, tosse e transpira, \ secreta humores, fezes e saliva, \ e se cansa, se exaure e definha. \ Corpo vivo, elo que assegura a infinita cadeia de corpos sucessivos. \ Amo este corpo feito da mais pura argila: \ semente, raiz, seiva, flor e fruto.

Poema da premiada poeta, radialista e editora nicaraguense Daisy Zamora, autora de obras como Tierra de Nadie, Tierra de Todos (2007), The Violent Foam (Curbstone, 2002), Life for Each (Katabasis, 1994), Clean Slate (Curbstone, 1993) e Riverbed of Memory (City Lights, 1992). Ela foi combatente da Frente Nacional Sandinista de Libertação, foi diretora de programação e voz da clandestina Rádio Sandino, e tornou-se Vice-Ministra da Cultura após o triunfo da revolução.

  

PARA SER COMPLETAMENTE HONESTO – [...] Vivemos em uma cultura onde alguém pergunta " como vai?"  e a outra pessoa responde "estou bem". É uma troca automática. Vivemos em um mundo de selfies totalmente filtradas, fotos do Facebook escolhidas a dedo, emoções reduzidas a emojis. Parece seguro e fácil navegar nessas águas mornas e rasas dos relacionamentos, onde não arriscamos nada. Não aprendemos nada. Nunca nos tornamos vulneráveis e perdemos a oportunidade de criar um relacionamento mais significativo. [...] Quando finalmente nos abrimos sobre como realmente nos sentimos, é tentador pedir desculpas logo em seguida, porque parece muito vulnerável, muito honesto. Sentimos culpa por ter essas emoções não tão positivas — mas isso faz parte da experiência humana. Tristeza, decepção e perda são inevitáveis. Observo o mundo ao meu redor e, a cada manhã, parece haver notícias de mais sofrimento. Existem problemas reais, enormes e profundamente preocupantes. Muitos de nós estamos sofrendo e muitos de nós não falamos sobre isso. Mas falar sobre isso é o que mais precisamos. Quando uma amiga me perguntou como eu estava — ela realmente perguntou, olhando profundamente nos meus olhos — eu me joguei em seus braços e desabei em lágrimas no vestiário da academia de ioga. Depois, fiquei tentada a me desculpar pelo meu colapso em público, pela exposição tão aberta das minhas emoções verdadeiras. Mas eu não me arrependi. Então eu enviei isso para ela. E com essa demonstração de gratidão e um emoji de coração, curei um pouco do meu próprio coração. Tudo isso com total honestidade. [...]. Trecho de texto escrito pela escritora, professora e atriz canadense Lisa Jakub, autora dos livros You Look Like That Girl: A Child Actor Stops Pretending and Finally Grows Up (2015) e Not Just Me (2017), nos quais defende que: Nunca é tarde demais para mudar de ideia e se tornar quem você nasceu para ser. Nossa mente pode ser realmente poderosa e capaz de inventar um milhão de razões pelas quais você não pode mudar. Ela pode dizer que não é lógico, ou que as coisas estão assim há muito tempo, ou que é muito difícil, ou o que as pessoas vão pensar. Mas, às vezes, é mais importante viver de acordo com a intuição e o coração do que com a razão... Não há problema em decidir que ser feliz vale mais do que se formar em direito, ou casar com o namorado(a) do ensino médio só porque ele(a) foi legal, ou ser ator porque você acha que é incapaz de fazer qualquer outra coisa. Nunca é tarde demais para assumir o controle do seu destino e dar uma contribuição diferente ao mundo...

 

GUIA DE SOBREVIVÊNCIA A BURACOS NEGROS[...] Buracos negros são uma dádiva, tanto física quanto teoricamente. São detectáveis nos confins do universo observável. Ancoram galáxias, fornecendo um centro para a nossa própria galáxia em espiral e, possivelmente, para todas as outras ilhas de estrelas. E, teoricamente, oferecem um laboratório para a exploração dos confins da mente. Buracos negros são o cenário fantástico ideal para desenvolver experimentos mentais que visam as verdades essenciais sobre o cosmos. [...] Imagine-se um astronauta sozinho no espaço. Nenhum planeta à vista. Nenhuma nave espacial. Nenhuma estrela distante. Nenhuma fonte de luz. Imagine o terror latente, o silêncio do espaço, a estranha sensação de flutuar, a escuridão indescritível entre a profusão de estrelas. [...] Um buraco negro puro é espaço-tempo vazio — sem átomos, luz, cordas ou partículas de qualquer tipo, escuras ou brilhantes. É espaço vazio — ou, na linguagem da física, o vácuo. [...] Os arquitetos originais da mecânica quântica insistiram nessa conservação como um princípio filosófico que merecia respeito. Eles construíram a mecânica quântica para salvaguardar operacionalmente a informação. [...]. Você envia mensagens em vão para ninguém. Mas envie-as mesmo assim. Suas epifanias estão perdidas para sempre na singularidade catastrófica. Mas envie-as, por favor, seus atos de desafio. [...]. Trechos extraídos da obra Black Hole Survival Guide (Bodley Head, 2020), da cosmóloga e professora estadunidense, Janna J. Levin, autora de obras tais como Black Hole Blues and Other Songs from Outer Space (2016), A Madman Dreams of Turing Machines (2007) e How the Universe Got Its Spots: Diary of a Finite Time in a Finite Space (2002). Grande parte de seu trabalho se concentra na busca de evidências que apoiem a proposta de que nosso universo possa ter um tamanho finito devido à sua topologia não trivial, tratando sobre buracos negros e teoria do caos. Veja mais aqui.

 

LIGAS CAMPONESAS & GOLPE DE 1964

[...] Saio desta peleja como entrei nela: pobre [...] Não me deixo conduzir pelas circunstâncias. Prefiro debruçar-me sobre a História para a longa viagem. Por isso, empunho bandeiras. Mas como sou um ser concreto, existo, vivo. Vivo para mim e para o outro, o próximo e o distante. Parto deste princípio para fazer política. [...] Dei um golpe de misericórdia no meu próprio mito. Já era tempo. Passada a refrega, busco a palavra exata. [...] E não encontro. Que aceitem, por favor, a elegância do meu silêncio. [...] A virtude se escondeu envergonhada. E o que se pôs em evidência foi a glória efêmera, alicerçada no sentir do maior contar da língua. [...]

Trechos extraídos da obra Francisco Julião, as Ligas e o Golpe Militar de 64 (Comunigraf, 2004), do jornalista e escritor Vandeck Santiago, narrando sobre as utopias de um homem desarmado, a trajetória do advogado, escritor e político Francisco Julião (Francisco Julião Arruda de Paula – 1915-1999), líder político do movimento camponês das Ligas camponesas, sobre as quais relata: Não fundei a Liga - ela foi fundada por um grupo de camponeses que a levou a mim para que desse ajuda. A primeira Liga foi a da Galileia, fundada a 1º de janeiro de 1955 e que se chamava Sociedade Agrícola e Pecuária dos Plantadores de Pernambuco. Foi um grupo de camponeses com uma certa experiência política, que já tinha militado em partidos, de uma certa cabeça, que fundou o negócio, mas faltava um advogado e eu era conhecido na região. Foi uma comissão à minha casa, me apresentou os estatutos e disse: 'existe uma associação e queríamos que você aceitasse ser o nosso advogado'. Aceitei imediatamente. Por isso o negócio veio bater na minha mão. Coincidiu que eu acabara de ser eleito deputado estadual pelo Partido Socialista e na tribuna política me tornei importante como defensor dos camponeses. Julião é autor de livros como Cachaça (1951), Irmão Juazeiro (1961), O que São as Ligas Camponesas (1962), Até Quarta, Isabela (1965), e Cambão: La Cara Oculta de Brasil (1968), no qual expressa: [...] Se o coração não se agita, o sangue não circula e a vida se apaga. [...] Manda o médico que se agite certos remédios no momento de toma-los. O crime não está em agitar, mas em permanecer imóvel. [...]. Veja mais aqui & aqui.

&

CERÚLEO ESCARLATE, DE TCHELLO D'BARROS

Foi recentemente lançado no Rio de Janeiro, o livro Cerúleo Escarlate (Lítteris, 2025), do escritor, jornalista, roteirista e curador Tchello d'Barros. A obra apresenta uma seleção de contos adaptados de seus roteiros de curtas e longas, sendo esta sua primeira incursão na área ficcional, já que tem diversos títulos publicados na área da poesia e da poesia visual. As histórias dialogam com temas que vinham sendo abordados em seus precedentes livros de poesia: um arco temático sobre Amor e Morte, relações humanas, vida amorosa (das diatribes ao sublime) e aspectos inusitados do mundo da arte. O autor realiza ações literárias pelo Brasil e mundo afora, além de seus textos constarem diversas coletâneas, antologias e didáticos. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR:

Veja mais sobre MJ Produções, Gabinete de Arte & Amigos da Biblioteca aqui.


 


quinta-feira, julho 20, 2017

CANÇÃO AMIGA DE DRUMMOND, TOM JOBIM, ANA MARIA MACHADO, GUIOMAR NOVAES, SEBASTIÃO TAPAJÓS, MOHOLY-NAGY, TECA CALAZANS & TEXTO AMIGO

AMIZADE & DOS AMIGOS & AMIGAS - Imagem: arte do designer, fotógrafo, pintor e professor húngaro László Moholy-Nagy (1895-1946). -  Uma mão puxa outra e faz história, muitas até, indefinidamente imantadas, naturalmente, mesmo pra quem vê-las antagônicas, são complementares, sejam destros ou canhotos, simpáticos ou repulsivos, amantes ou desamados. Elas montam, desmontam, inventam e reinventam, fazem e desfazem, refazem, pegam e soltam, puxam e empurram, acenam, ajeitam, desajeitam, enfeitam, aprumam e desaprumam, levantam e abaixam, nadam, remam, cortam, emendam, cavam, tapam, amarram e desamarram, clicam, desenham, contornam, enfim, tanto abrem como fecham nos braços e abraços de côncavo e convexo, com força centrífuga ou centrípeta, aconchegantes ou desdenhosos, cruzados ou inflexíveis, abertos ou filantropos, peito aberto a quem chegar, ou não. Vão com os pés, um atrás do outro, vão adiante, pra cima ou pra baixo, pra onde quer que queiram, longe ou perto, prali ou pracolá, vão e voltam, pra onde der nas ventas, qualquer direção. Assim somos, receptivos de riso aberto, ou intragáveis caras fechadas com o seu mundinho restrito ao umbigo. Assim somos entre escolhas, acertos e desacertos. Uma mão amiga é sempre bem-vinda, um abraço fraterno sempre desejável. Há quem se disponha a doar, como há quem negue, quem se veja apenas a si, ou com todos na festa do coletivo, na solidariedade. A forma de ver é o que importa, há muitos modos de olhar, enxergar é possível até o visinvisível, da semente ao fruto, do nascer à morte que é a mesma coisa, só renascimentos. Assim somos pra viver e aprender a lição: o passado é história, pra que a gente aprenda a não repetir os erros; o futuro é mistério, o delicioso mistério da vida; e o presente é uma dádiva viver. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

CANÇÃO AMIGA DE DRUMMOND
Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.
Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.
Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram
Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.
Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças
.
Canção amiga, extraído da obra Poesia completa (Nova Aguilar, 2002), do poeta, contista e cronista Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Veja mais sobre:
Eita! Vou por ali no que vem e que vai, Viajante numa noite de inverno de Ítalo Calvino, Os tempos da Praieira de Costa Porto, O efêmero de Louise Glück, Neurofilosofia & Neurociência Cognitiva, a música de Edson Zampronha, a arte de Laszlo Moholy-Nagy & Anke Catesby, Mike Edwards & Betina Muller aqui.

E mais:
Dr. Ciuça Gorda & os cavaleiros do pós-calipso do nó cego, As aporias de Zenão de Eleia, Sonetos de Francesco Petrarca, Teatro de situação de Jean-Paul Sartre, a música de Carlos Santana, Viridiana de Luis Buñuel & Silvia Pinal, a escultura de Denise Barros, a pintura de Max Liebermann & a arte de Georgy Kurasov aqui.
Psicologia da Gestalt, Sonetos de Petrarca, Poesias de Adrian Pãunescu & Erik Axel Karlfeldt, a arte de László Modoly-Nagy, a música de Carlos Santana, a pintura de Max Liebermann & a arte de Luiz Edmundo Alves aqui.
O culto da rosa: canção à flor, mulher amada, Totalidade & infinito de Emmanuel Lévinas, Mundo fantasmo de Bráulio Tavares, A arte do teatro de Edward Gordon Craig, Sinfonia erótica de Jess Franco & Susan Hemingway, a música de Wojciech Kilar, a pintura de Paul Delaroche & Paul-Émile Bécat, Fernanda Guimarães & muito mais aqui.
Conselho dum bebão na teibei, Gênero & violência de Heleieth Safiotti, História do Brasil de Cláudio Vieira, Contra o golpe de Emir Sader, Coluna social de Edu Krieger, a pintura de Salvador Dalí & Fecamepa aqui.
Enfermeira & a dor de ser mulher, O ser e o nada de Jean-Paul Sartre, História do desejo de Jean-Manuel Traimond, Artista do corpo de Don DeLillo, a música de Anton Webern & Leonore Aumaier, a pintura de Joseph Beuys & Nanduxa aqui.
E num é que a Vera toda-tuda virou a bruxa das pancs na boca do povo, Iluminações de Walter Benjamin, Marxismo & literatura de Cliff Slaughter, Os bruzundangas de Lima Barreto, a música de Guiomar Novaes, a pintura de Pedro Sanz, a arte de Paolo Serpieri & Sara Vieira, LAM na TV Gazeta de Alagoas & muito mais aqui.
Em mim a vida & o estouro dos confins de tudo, Ísis sem véus de Helena Blavatsky, O jardineiro do amor de Rabindranath Tagore, Corpus Hermeticum de Hermes Trismegistus, a música de Kitaro, a fotografia de Jovana Rikalo & a pintura de Ewa Kienko Gawlik aqui.
Os cinco prêmios do amor, História da criança e da família de Philippe Ariès, Laços de família de Clarice Lispector, a música de Egberto Gismonti, Divã de Martha Medeiros, a pintura de Gustav Klimt & Nelson Shanks aqui.
História Universal da Temerança, Versos em lá menor de Yde Schloenbach Blumenschein, A divina increnca de Juó Bananére, Savitu-Vrta & Savarasti, Ator e estranhamento de Eraldo Pera Rizzo, a música de Mônica Feijó, a arte de Alfred Pellan & Kellie Day aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
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AMIGO É COMIGO, DE ANA MARIA MACHADO
[...] Fiquei feliz. Isso para mim era o mais importante de tudo. Quanto mais o tempo passa, mais eu confirmo que amizade é uma das coisas mais importantes na vida da gente. Um verdadeiro tesouro. Tem toda razão aquela canção que diz: Amigo é coisa pra se guardar Do lado esquerdo do peito. De minha parte, pretendo guardar mesmo. Como algo muito precioso. Debaixo de sete chaves. [...]
Trecho de Amigo é coisa pra se guardar, extraído da obra Amigo é comigo (Moderna, 1999), da escritora e jornalista Ana Maria Machado. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especiais com o compositor, maestro, pianista, arranjador e violonista Tom Jobim (1927-1994): Passarim & Live Concert Festival International Jazz Montreal; da pianista Guiomar Novaes (1894-1979): Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro, Les Préludes Debussy Live & Philharmonic Hall NYC; do violonista e compositor Sebastião Tapajós: Villa=Lobos & El arte de La guitarra; e da cantora e compositora Teca Calazans em arte solo & em parceria com Heraldo do Monte. Para conferir é só ligar o som e curtir.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor, fotógrafo e escultor húngaro Laszlo Moholy-Nagy (1895-1946). 
Veja mais aquiaqui, aqui & aqui.

quinta-feira, dezembro 24, 2015

GOETHE, BAUMAN, FELLINI, PRIAPÉIA, BYINGTON, REDIG, EDUARDA & MUITO MAIS!


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? RENASCENDO DAS CINZAS - Renasço das cinzas. Desencavei sonhos, memórias, sangue e areia. Em janeiros viajei pelos devaneios da infância no mundo afora. Por fevereiros fui marujo dos carnavais adolescentes que ruíram de não sobrar escombros. Por marços as águas me lavaram a culpa e a alma. Por abris fui relegado a todos os segundos e terceiros planos. Por maios exorcizei paixões e renasci para novas catarses. Por junhos singrei o tempo sem nostalgia nos olhos quase adultos. Por julhos enfrentei adagas, punhos, espadas e estrépitos alarmantes. Por agostos atravessei desertos de sóis minguantes. Por setembros devorei primaveras esboçadas por mãos anônimas. Por outubros revivi a coragem dos sacrifícios. Por novembros cobicei conciliações que redundaram em nada. E por dezembro renovei a crença de que invernos passam e fui preparar o terreno com investidas sólidas por entre quase e talvez. E o que conta de tudo isso eu não sei, exilado, vez ou outra, senão sempre. Não maldigo o passado, lições que aprendi. Tirei as pedras do peito e ainda teimo em ser feliz. Não tenho que esperar por nada, nem rever as escolhas que fiz. Estou disponível pro que virá: o disforme que se desvela. Sabedor que o acaso não existe no voo das minhas incoerências, eu vou por minhas obsessões oníricas e autobiográficas. Pelo menos, sigo pelo transcurso da vida sem saber pra onde ir nem onde vai dar, à deriva, o que parece ser divertido. O bom disso é não ter que racionalizar pelas lógicas, só a intuição. Saio do nada e pulo pro ignoto futuro, na manhã que viceja: tenho todas as direções às mãos, sigo o Sol. O que vale é a vida e ela pra ser vivida e cumprir a missão. Aprume a conversa aqui.

PICADINHO


Imagem do pintor dinamarquês Nikolaj Wilhelm Marstrand (1810-1873).


Curtindo o álbum Perto (Biscoito Fino, 2014), da cantora e compositora Olivia Byington.

EPÍGRAFE – do sociólogo polonês Zygmunt Bauman: Ter uma identidade fixa é hoje, neste mundo fluido, uma decisão de certo modo suicida. Veja mais aqui e aqui.

DO CORPO E DA ALMA – No livro As doutrinas secretas de Jesus (Renes, 1975), do famoso Rosacruz, escritor, ocultista e místico Dr. Ph.D Harvey Spencer Lewis (1883-1939), encontro que: [...] Há séculos, as escolas de mistérios vinham ensinando que até o homem aprender a ver a terra, com tudo o que nela se contém, como um reino destinado apenas a servi-lo, e não a dominá-lo, e até que o homem aprenda a vibrar mais com o amor espiritual do que com o amor mundano ou físico, ele não pode salvar o eu interior da inevitável destruição ou aniquilamento. O eu interior, ao contrário da alma, não é essencialmente imortal, exceto pelas suas virtudes, sua moralidade e sua realização espiritual. A alma do homem é eternamente imortal e divina. O homem interior está livre para escolher e livre para alcançar seus objetivos espirituais ou ser engolfado nas chamas do inferno, onde será expurgado da associação com a alma e eternamente separado da expressão corporal. É o eu interior, como uma entidade, que pode erguer-se em ressurreição para entrar no Reino dos Céus, enquanto que o corpo físico volta ao pó da terra e perde sua entidade, sua individualidade, seu caráter e sua natureza. [...]. Veja mais aqui e aqui.

EU COMIGO MESMO – No livro Bisa Bia, Bisa Bel (Moderna, 2001), da escritora e jornalista Ana Maria Machado, destaco: [...] De tanto ela falar em experiência, experimentei tapar os ouvidos com algodão, mas não deu certo, porque a voz dela vem de dentro de mim. Aí resolvi cantar bem alto, mais alto do que ela, e canto uma música que eu mesma inventei: Experimenta Experimenta Quem não pimenta Nunca se esquenta Quem nunca tenta Jamais inventa Experimenta Experimenta Com minha música cantada bel alto, a voz dela fica mais baixinha para eu ir em frente fazendo o que quero, sem que se intrometa muito. Mas, um dia, eu estava com dor de garganta, no começo de uma gripe que depois virou uma tragédia. Em vez de cantar, assoviei. Aí, bem, foi outro deus-nos-acuda! Sabe o que foi que Bisa Bia disse? Foi isto: - Meninas que assoviam e galinhas que cantam nunca têm bom fim... [...]. Veja mais aqui e aqui.

DA PRIAPÉIA – No livro A busca fálica: Príapo e a inflação masculina (Paulus, 1994), de James Wyly, encontro dois poemas da Priapéia, o primeiro traduzido por Parker: Ei você, que mal consegue conter a tentação / de em nossa rica horta deitar a ágil mão: / este vigia vai sair e entrar por sua porta traseira / com o maior gosto, até você cair de canseira; / e dois mais virão dos seus dois lados, / com belos pênis ricamente equipados / pondo-se ao trabalho, a cavar mais fundo; / um asno, depois, vai se empenhar sobre você. / Claro que não tentar truque algum fará sentido /quando se tratar de por tantos pintos ser punido. O segundo poema foi traduzido por Buck: Este estúpido apêndice não mais quer crescer / como antes fazia, e nem com força decente / se erguer, mesmo com a mão pra o socorrer. / Ah, que desgraça grande, a minha! / E que desastre para as minhas namoradas / é esta inútil coisinha, vergonha estranha e nova, / vou acabar irritando-as com meu jogo. / Maior valor tinha Tideu, se o que Homero diz é certo, / pois em seu pequeno corpo guardava a natureza / jamais por nada rebaixada. Veja mais aqui, aqui e aqui.

DO FAUSTO DE GOETHE – No poema trágico – uma peça teatral com diálogos rimados - O Fausto (1808), do poeta alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), destaco o diálogo: Mefistófeles – Parabéns, antes que você se separe de mim! Você conhece o demônio, é fácil convir. Tome, pegue esta chave aqui. Fausto – Uma coisinha dessas? E para quê? Mefistófeles – Primeiro pegue; não é nada para se desmerecer. Fausto – Isto tem luz, brilha, cresce na minha mão. Mefistófeles – Do seu valor pleno, logo, você terá compreensão. Esta chave fareja a origem de todas as outras, suas irmãs. Siga-lhe a pista e ela o levará às Mães! Veja mais aqui e aqui.

EU SOU UM GRANDE MENTIROSO – O documentário Fellini: eu sou um grande mentiroso (Sono um Gran Bugiardo, 2003), dirigido por Damian Pettigrew, analisa a vida e a carreira do cineasta italiano Federico Fellini (1829-1993), com entrevistas de amigos e colaboradores, além de trechos de seus filmes. O próprio Fellini fala a respeito do papel do artista na sociedade e de como seus filmes se ajustam nesse contexto. No elenco, o próprio homenageado, Donald Sutherland, Italo Calvino, Roberto Benigni, Terence Stamp, entre outros. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
A beleza da jovem graduanda em Comunicação Social (Cesmac), Maria Eduarda Rodrigues, eleita por unanimidade Musa Tataritaritatá 2015!

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à cantoramiga Clara Redig. Veja aqui e aqui.

AS PREVISÕES DO DORO PARA 2016
Confira aqui.

CRÔNICAS NATALINAS 
Confira aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 Imagem do artista plástico russo Yuri Krotov.
Veja mais aqui.
 

ANNA LEMBKE, RIN USAMI, BIRHAN KESKIN, ANTÔNIO MARIA & YAYOI KUSAMA

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Cambalhotas & as coisas nunca davam certas... - Zé Lua vivia por aí, todo acanhado sob a aba do boné, ...