Mostrando postagens com marcador Nordeste. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nordeste. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, novembro 06, 2017

FLAUBERT, SOMERSET MAUGHAN, SOPHIA BREYNER, ELZA BARROSO, SONIA FÁTIMA DA CONCEIÇÃO, KENNETH BURKE, AMARAJI & ITINERÁRIO MUSICAL DO NORDESTE.

E ISSO É TUDO A VIDA TODA NO CAOS – Já vai longe o tempo em que eu me empolgava avexado na buraqueira, enfrentando os meus moinhos e dando azo à perseguição dos desejos. Ah, quanta coisa esdrúxula me era importante, já passou, não mais. Rio. Não era demais toda irrisão diante da minha conspícua investida na surpresa das inclementes quedas patéticas. Nada mais risível, avalie. Eu atraio estranhos afetos e coisas do outro mundo. Além do mais, vejo o imperceptível que é usualmente insignificante para todos: um desplante pra quem sempre foi tratado por disparatado. As surpresas ao final eram nada mais que previsíveis desastres. Batia, persistia, insistia e até perseverava na minha credulidade tola: jamais admitido em nada, estornado pelas costas ou por insultos tácitos. Precisei de muito até ser abatido pela ruína, às vezes me tornando cáustico, impertinente, metido em desregramentos, até obscenidades, esborrando revoltas que evanesciam ao primeiro sinal de chance proutras pelejas. Resignava insatisfeito, pudera. Cabeça a mil, aprendia, recomeçava do zero. Quando aprumava pro êxito, lamúrias alheias me faziam abdicar na horagá. Tanto renunciei que nem júbilos interessam mais, reduzi-me à existência enclausurada, apartada do mundo. Deixei para trás os arroubos, ambições, tudo esfacelado na dispersão do tempo: desapontamentos são lições valiosas. Deixei para trás coisas até hoje sem solução, acho. Pronde vou, sempre o rebanho humano em sentido contrário, uns atrás dos outros, aceno e me são indiferentes, seguem importunos pro cenário da libação das virtudes corrompidas, enquanto lívido e perplexo encaro os desafios dos conflitos de meu tempo. O que importa é que se deram bem, eu recomeço das cinzas, juntando pedaços que sobraram de mim mesmo, quase nada. Refaço silente e insistente, transgrido para padecer de dores por todo corpo, quando não sucumbo de vez entre a sístole e a diástole: não sou a primeira nem a última criatura entre o deleite e o desespero, desejos por satisfazer, sofrimentos por evitar. A despeito de mim mesmo, apesar de ignorado, parece que alguém me lê às escondidas, quase ninguém se atreve a me escrever, ninguém ousa interlocução. Os meus inimigos sempre estiveram dentro da minha casa, entre meus familiares, quando não ao redor e à espreita de qualquer bocejo meu. Nunca me importei com isso. Hoje desapressado – talvez sinal da minha precoce senectude -, ainda assim transgrido de mim mesmo reiterada e recorrente a duvidar do que penso ou de me ver equivocado com frases que possam ser particularmente felizes, ou não. Talvez acerte, quem sabe, aprendi o erro e persigo circunspecto pelos princípios imutáveis que governam as mudanças. E se vou longe, não sei, sirvo-me do horizonte para saber da infinitude que reluz oculta no meu coração. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais do pianista, maestro e compositor Marlos Nobre: Yanomami for choir & guitar com o Coro Cervantes, Passaglia for Orchestra & Três Cantos de Yemanjá for cello & piano; da compositora russa Galina Ustvolskaya (1919-2006): Symphony nº 2 & Poem nº 1; do compositor, regente, professor e jornalista Gilberto Mendes (1922-2016): Alegres trópicos, um baile na Mata Atlântica, Piano solo & Saudades do Parque Balneário Hotel com a OSESP; e da pianista Miriam Ramos interpretando o compositor, regente e flautista Octavio Maul & o maestro e compositor Ricardo Tacuchian. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] O que me parece mais belo, o que eu mais gostaria de fazer, seria um livro acerca de nada, um livro sem nenhum vínculo exterior, mas sustentado pela força interna do estilo [...] um livro que quase não tivesse assunto, ou pelo menos, em que o assunto fosse quase invisível, se tal é possível. As obras mais belas são as de menos matéria [...] Acredito que o futuro da arte esteja em tais canais. [...]. do escritor francês Gustave Flaubert (1821-1880). Veja mais aqui, aqui & aqui.

CAMBÃO TORTO, AMARAJI - O povoamento de Amaraji teve inicio em 1868. Tomou vulto, pouco a pouco, devida a uma geira que ali se realizava, o que deu lugar à construção de casas comerciais e muitas outras, para residência de moradores vindos de partes mais distantes para dedicar-se ao pequeno comercio e aos misteres agrícolas. O povoamento teve rapico desenvolvimento, e os viandantes e moradores chamavam a nascente povoação pelo de Cambão Torto. Depois de algum tempo, essa denominação foi mudada para São José da Boa Esperança, que teve o predicamento de vila pela Lei munciipal 2137, de 09 de novembro de 1889. Foi desmembrada do município de Escada. A sua instalação ocorreu em 11 de outubro de 1890. Tomou, então, o nome de Amaraji. Foi elevada à categoria de cidade pela Lei estadual 991, de 1 de julho de 1909. Administrativamente, o município é formado pelo distrito-sede e pelo povoado de Demarcação. Atualmente, no dia 01 de julho, Amaraji comemora sua emancipação política. [...]. Extraído da Enciclopedia dos municípios do interior de Pernambuco (FIAM/DI, 1986), Veja mais aqui.

A ARTE E O ARTISTA - [...] Toda a gente tem predicados de artista em criança, ainda mais verdade é que toda a gente tem índole de artista na adolescência [...]. De vez que a Arte, com tornar-se um fim em si mesma, se tornava um problema do indivíduo – ou, com tornar-se um problema do individuo, se tornava um fim em si mesma [...] A inteligência talvez seja um funcionamento inadequado dos instintos, ou os primórdios de instintos que ainda não se cristalizaram [...] em relação às estrelas, um homem não tem maior importância que um gafanhoto. [...] Um autor que vive a maior parte de sua vida mentalmente tem de cometer suas transgressões no papel. [...] A blasfêmia é um experimento sério, uma transgressão por via dos pecados alheios. Blasfemar é restabelecer os deuses perdidos renunciando a eles; a blasfêmia é a luta de uma natureza emotiva, um protesto contra o intelecto que tende a torná-lo estéril de êxtases religiosos. A blasfêmia é ímpia, mas não irreligiosa. [...] A verdade, em Arte, não é a descoberta dos fatos, não é um acréscimo ao conhecimento humano, no sentido científico do termo. É, antes, o exercício da propriedade humana, a formulação de símbolos que enrijecem nosso senso de equilíbrio e ritmo. A verdade artística é a exteriorização do gosto. [...]. Trechos extraídos da obra Teoria da forma literária (Cultrix, 1979), do filósofo e teórico da literatura estadunidense Kenneth Burke (1897-1993). Veja mais aqui.

FÉRIAS DE NATAL –[...] Dançar com uma moça inteiramente nua acima da cintura era para Charley uma sensação nova e emocionante. Ao pousar a mão naquele corpo e ao sentir aqueles seios nus colados a seu peito, perdeu o fôlego. A mão que segurava era pequena e macia. Charley, sendo um rapaz bem-educado, de boas maneiras, sentiu necessidade de entabular uma conversa polida. [...]. Trecho extraído da obra Férias de Natal (Globo, 2003), do escritor britânico William Somerset Maughan (1874-1965). Veja mais aquiaqui.

UM DIAUm dia, gastos, voltaremos / A viver livres como os animais / E mesmo tão cansados floriremos / Irmãos vivos do mar e dos pinhais. / O vento levará os mil cansaços / Dos gestos agitados irreais / E há-de voltar aos nosso membros lassos / A leve rapidez dos animais. / Só então poderemos caminhar / Através do mistério que se embala / No verde dos pinhais na voz do mar / E em nós germinará a sua fala.  Poema extraído da Antologia (Portugália, 1968), da poeta portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004). Veja mais aqui.

NEGRINHA, DE SÔNIA FÁTIMA DA CONCEIÇÃO
O olhar perde-se
infinidades de dúvidas
ondas em cirandas
cercando a infância
de sanhas insanas
decepastes as bonecas
em mares de indiferenças
mergulhei fundo, contive
em tuas entranhas, brincos
brincadeiras indescritíveis
arrastada às cozinhas abastadas
percorri impassível entre:
brilhos, bombril, resmungos,
choros da criança que sou
e que não era eu
O sol do meu sorriso
derrama-se em felicidades ingênuas
Irascível - a ira - derrama-se
incandescente em teu coração
Negrinha! Tiziu!Tição!
ressoam ventos adormecidos
em desertos de sal
Tu me atinges
O coração rios em chama
a margem - revolta
Torrentes tempestuosas
arremessam ao infinito
tua tentativa ingênua
de romper castelos, fadas
cirandas, infância.
Poema extraído dos Cadernos Negros (Autores, 1981), da escritora Sonia Fátima da Conceição. Veja mais aqui.

ITINERÁRIO MUSICAL DO NORDESTE
A coletânia Itinerário Musical do Nordeste (Massangana, 2011), lançado pela Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) reúne 10 cds e um livro com sonoridades de cultos afros-brasileiros, tais como cerimônia de Obori, jurema, orixás, tambor de mina e Casa Nagô, além de bandas de pífanos, ciranda, tambor de crioula, maneiro-pau, coco de embolada, aboio, incelência, reisado, guerreiro, histórias e cantigas. Os CDs reúnem Orixás, Jurema/Obori, Tambor de Mina/Casa de Nagô, Ciranda/Tambor de Crioula, Banda de Pífanos, Repentistas, Reisado/Guerreiro, Maneiro-Pau/Coco de Embolada, Aboio/Incelência e Histórias/Cantigas. A pesquisa foi realizada pelo então sociólogo da Fundaj, Enemerson Muniz, juntamente com os pesquisadores José Jorge de Carvalho, Rita Segato e Cristina Machado, registrando sonoridades apuradas em expedição realizada de Alagoas ao Maranhão, em uma parceria com o Instituto de Etnomusicologia e Folclore de Caracas (Um presente da conterrâneamiga Graça Lins, obrigado).

Veja mais:
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da fotógrafa e artista plástica Elza Barroso
Veja mais aqui.

quarta-feira, abril 08, 2015

ZLATA FILIPOVIĆ, AMIN MAALOUF, KOWARICK, BERTHA PAPPENHEIM & BASÍLIO DA GAMA

 


O DIÁRIO DA SOLIDÃO DE ZLATA... - A filha única de um advogado e de uma engenheira química vivia das aulas de piano e canto coral, jogava tênis no verão e esqui no inverno. Contava apenas com 11 anos quando começou a escrever o seu diário em Saravejo, seus anseios e percepções, o seu despreocupado cotidiano. Quando menos esperava eclodiu a guerra da Bósnia, os horrores da mais sangrenta depois a da segunda guerra grande. Houve uma debandada geral, mas seus pais, ao contrário, decidiram ficar juntos. O suprimento de comida ficou limitado, não havia eletricidade, nem água. A perplexidade de um modo primitivo de vida que ali ela testemunhava as mortes, desaparecimentos, o medo, o racionamento e as necessidades: Nunca imaginei que algo assim poderia acontecer. Como tudo pode mudar em um segundo? A escola em que eu estudava foi fechada. Lugares que adorava foram destruídos. Pessoas próximas foram feridas ou mortas. Não conseguia entender o porquê de estarem destruindo as coisas que eu tanto amava.... O conflito mais se agravava e o seu diário foi descoberto pela escola. Sua família refugiou-se em Paris. Depois passou uma temporada na Inglaterra, transferindo-se para Irlanda, morando em Dublin: Escrever no diário foi um desabafo. Considerava-o um anjo da guarda, um amigo, companheiro nos momentos difíceis, que não falava, só ouvia... Tudo o que havia antes da guerra foi tirado de mim e de mais de quatro milhões de pessoas que viviam na antiga Iugoslávia... No exílio bacharelou-se em Ciências Humanas na Oxford e fez mestrado em Saúde Pública no Trinity College. Passou a trabalhar na Casa Anne Frank e na Unicef com os propósitos de propagar a paz: Uma das coisas que permanecem na minha memória é o som das bombas explodindo. Até hoje, quando escuto explosões de fogos de artifício, lembro das situações vivenciadas. A vida é muito frágil... Veja mais abaixo e mais aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Tédio!!! Tiroteio!!! Bombardeios!!! Pessoas sendo mortas!!! Desespero!!! Fome!!! Miséria!!! Medo!!! Essa é a minha vida! A vida de uma inocente colegial de onze anos!! Uma colegial sem escola, sem a diversão e a emoção da escola. Uma criança sem jogos, sem amigos, sem sol, sem pássaros, sem natureza, sem frutas, sem chocolate ou doces, com apenas um pouco de leite em pó. Em suma, uma criança sem infância... Pensamento da escritora bósnia e ativista pacifista, Zlata Filipović, que no seu livro Zlata's Diary: A Child's Life in Wartime Sarajevo (Penguin, 2006) ela expressa que: […] Parece-me que esta política significa Sérvios, Croatas e Muçulmanos. Mas eles são todos pessoas. Eles são todos iguais. Todos parecem pessoas, não há diferença. Todos têm braços, pernas e cabeça, andam e falam, mas agora há “algo” que quer torná-los diferentes. [...] A guerra não é brincadeira, ao que parece. Destrói, mata, queima, separa, traz infelicidade. [...] Meu diário tornou-se mais do que um lugar para registrar acontecimentos diários. Tornou-se um amigo, o papel que o compunha estava pronto e disposto a aceitar tudo e qualquer coisa que eu tivesse a dizer. [...]. Ela também participa do livro The Freedom Writers Diary: How a Teacher and 150 Teens Used Writing to Change Themselves and the World Around Them (Main Street Books, 1999), no qual ela expressa: […] Se optarmos por lidar com situações desumanas de uma forma humana, poderemos mudar o mundo e criar lições positivas para nós próprios e para os outros. [...]. Em 2008 ela organizou com a inglesa Melanie Challenger o livro Vozes roubadas: diários de guerra, coletânea de 14 diários escritos por crianças e adolescentes que viveram em áreas de conflito.

 

ALGUÉM FALOU: Nunca hesite em ir para longe, além de todos os mares, todas as fronteiras, todos os países, todas as crenças... Eu não venho de nenhum país, de nenhuma cidade, de nenhuma tribo. Eu sou o filho da estrada... todas as línguas e todas as orações pertencem a mim. Mas eu não pertenço a nenhuma delas. A identidade não pode ser compartimentada; não pode ser dividida em metades ou terços, nem ter nenhum conjunto de limites claramente definido. Não tenho várias identidades, tenho apenas uma, feita de todos os elementos que moldaram suas proporções únicas... Pensamento do escritor libanês Amin Maalouf, que no seu ensaio livro Killer Identities (Alianza, 2005), expressou que: [...] Só porque uma realidade é imprecisa, imperceptível e flutuante não significa que ela não exista [...] As pessoas muitas vezes se veem em termos de qual de suas lealdades está mais sob ataque. E às vezes, quando uma pessoa não tem forças para defender essa lealdade, ela a esconde. Depois permanece enterrado nas profundezas da escuridão, aguardando a sua vingança. Mas quer ele o aceite ou oculte, proclame-o discretamente ou despreze-o, é com essa lealdade que a pessoa em questão se identifica. E então, seja por cor, religião, língua ou classe, invade toda a identidade da pessoa. Outras pessoas que compartilham a mesma lealdade simpatizam; todos eles se reúnem, unem forças, encorajam uns aos outros, desafiam “o outro lado”. Para eles, “afirmar a sua identidade” torna-se inevitavelmente um ato de coragem, de libertação. No meio de qualquer comunidade que tenha sido ferida surgem naturalmente agitadores… O cenário está agora montado e a guerra pode começar. Aconteça o que acontecer, “os outros” terão merecido. […] O que convenientemente chamamos de “loucura assassina” é a propensão dos nossos semelhantes de se transformarem em carniceiros quando suspeitam que a sua “tribo” está a ser ameaçada. As emoções de medo ou insegurança nem sempre obedecem a considerações racionais. Podem ser exagerados ou até paranóicos; mas quando toda uma população tem medo, estamos a lidar com a realidade do medo e não com a realidade da ameaça. [...]. É também autor das obras In the Name of Identity: Violence and the Need to Belong (1998), Samarkand (1986) e Balthasar's Odyssey (2000).

 

ESPOLIAÇÃO URBANA – [...] Trata-se de um conjunto de situações que pode ser denominado de espoliação urbana: é a somatória de extorsões que se opera pela inexistência ou precariedade de serviços de consumo coletivo, que juntamente ao acesso à terra e à moradia apresentam-se como socialmente necessários para a reprodução dos trabalhadores e aguçam ainda mais a dilapidação decorrente da exploração do trabalho ou, o que é pior, da falta desta. [...]. Trecho extraído da obra Viver em risco: sobre a vulnerabilidade socioeconômica e civil (34, 2009), do cientista político Lúcio Kowarick (1938-2020).

 

LENDAS DO NORDESTE – No blog Brincarte do Nitolino tenho divulgado lendas oriundas do imaginário do Nordeste brasileiro, como também indígenas e das mais diversas regiões do país e do exterior. LEMBRETE: Hoje para as crianças de todas as idades é dia de reprise do programa Brincarte do Nitolino, nos horários das 10hs e das 15hs, no projeto MCLAM, com apresentação da Ísis Corrêa Naves. Para conferir clique aqui, aqui ou aqui.

Imagem Reclining Nude On A Draped Sofa, do Sergei Semenovich Egornov (1860 – 1920)

Ouvindo o álbum The Grand Scheme of Things (1993) do guitarrista inglês de rock progressivo Steve Howe.

AQUELE QUE NASCEU DA TRIBO SAKYAS E ALCANÇOU A PERFEIÇÃO - Com o nome primitivo de Siddhartha Sakya-muni Gautama que quer dizer Gautama que pertence à tribo dos Sakyas e alcançou a meta da perfeição, o Buda (563aC-483aC) nasceu de antigo príncipe hindu. Aos dezenove anos ele casou-se com sua bela prima Yasodhara e quando ela deu à luz o seu primeiro filho, ele disse: - É mais um vínculo poderoso que terei de romper. E assim o fez: no amanhecer, ele chegou à margem de um rio, cortou os cabelos longos, despiu as vestes principescas e tirou as joias, entregand0-as, juntamente com seu cavalo e espada, ao servo Chana, a quem deu ordem de regressar ao palácio e comunicar ao Rajá e a sua esposa a resolução que tomara. Então, depois de vestir uma blusa de camponês, partiu a procurar a verdade junto aos sacerdotes sábios que viviam nas furnas das montanhas. E uma noite em que repousava sob a árvore bô, debatendo-se contra a dúvida e a solidão, uma grande paz desceu sobre ele. E quando se levantou de manhã, já não era Gautama, o Cético, mas Buda, o Iluminado. Por fim, compreendera o mistério do sofrimento humano, suas causas e sua cura. Ele passou a ensinar a alegria, não da posse, mas da renúncia: a base do segredo da vida. E começou a propor: Fez o bem por amor ao próprio bem; por amor da tua paz de espirito; para te tornares um Siddharta, um homem cuja vontade atingiu o seu objetivo. E dizia: Nada sei do mistério de Deus, mas conheço alguma coisa das misérias do homem. E arquitetou um sistema de devoção e devotamento, erigido sobre o triangulo moral formado pela moderação, a paciência e o amor. Todo o resto de sua longa vida, Gautama vagueou de cidade em cidade, acampando nos bosques vizinhos, nos jardins ou à margem de algum rio. E muitos foram os discípulos a quem entregou a sua legitima herança. Um dia, finalmente, quando já passava dos oitenta anos, acolheu-se à cabana de um ferreiro para o almoço depois voltou ao bosque e estendeu-se num leito de folhas, mortalmente enfermo. Os discípulos se reuniram ansiosos em torno do mestre. E Gautama ergueu os olhos para eles: Não pensais que, por ter-se ido o vosso mestre, a Palavra morreu. Veja mais aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

O CASO ANNA O – Trata-se de um dos mitos fundadores da psicanálise, relatado nas experiências de Josef Breuer nos Estudos sobre a histeria, envolvendo uma moça inteligente, enérgica e obstinada vienense que contava com vinte e um anos de idade na época da sua doença, dando o nome de talking cure ao tratamento que era feito pela fala e empregou o termo chinery sweeping para designar uma forma de rememoração por limpeza de chaminé, um processo catártico. Na verdade trata-se de Bertha Pappenheim (1859-1936), uma jovem criada por uma mãe rígida e conformista e que depois do tratamento voltou-se para atividades humanitárias, tornando-se líder de movimento feminista, assistente social e escritora judia austro-alemã. Inicialmente diretora de um orfanato judaico em Frankfurt, mais tarde viajou aos Bálcãs, ao Oriente Próximo e à Rússia, para realizar pesquisas sobre o tráfico de mulher brancas. Em 1904, fundou o Judischer Fraudebund – a Liga das Mulheres Judias – e, três anos depois, um estabelecimento de ensino filiado a essa organização. Muito apegada ao judaísmo, desenvolveu estudos sobre a situação das mulheres judias e dos criminosos judeus. Quando Hitler assumiu o poder, ela se pronunciou contra a emigração para a Palestina. Após a II Guerra Mundial, tornou-se uma figura lendária na história das mulheres e do feminismo através de sua ação social, a ponto de o governo alemão haver honrado sua memória com um selo que trazia a sua efigie. Já no fim da vida, havendo-se tornado devota e autoritária como fora sua mãe, reeditou antigas obras de religião e redigiu a história de uma de suas ancestrais. Esse caso foi relatado no livro Estudos sobre a histeria (Volume II - 1893-1895), de Josef Breuer e Sigmundo Freud, e no filme Freud, além da alma (1962), dirigido por John Huston e trilha sonora de Jerry Goldsmith. Veja mais aqui, aqui, aquiaqui.


A FENOMENOLOGIA – Influenciado por Brentano, a tradição grega e escolástica, Descartes, Leibniz, o empirismo inglês e o kantismo, o filósofo alemão Edmund Husserl (1850-1938), desenvolveu o pensamento fenomenológico, conceituado como o processo que consiste em por entre parênteses, em epokhê, a existência dos conteúdos da consciência, ou das vivências, e também do eu, enquanto sujeito psicofísico ou suporte existencial da consciência, assim reduzida ao eu puro, ou transcendental. A redução eidética, por sua vez, reduz as vivencias à sua essência (êidos), objetos ideais que não se acham na mente, hipótese psicológica, nem no mundo platônico das ideias, hipótese metafisica, nem na inteligência divina, hipótese teológica. Tais objetos de ideais, são significações, alheias ao tempo e ao espaço, de validade permanente. Veja mais veja mais aqui, aqui, aquiaqui.


A UMA SENHORA – Em uma coletânea de Sonetos Brasileiros (Briguiet & Cie, 1913), está registrado entre as obras do poeta brasileiro da Arcádia Romana, Basílio da Gama (1741-1795), o soneto A uma senhora: Na idade em que eu brincando entre os pastores / Andava pela mão e mal andava, / Uma ninfa comigo então brincava / Da mesma idade e bela como as flores. / Eu com vê-la sentia mil ardores. / Ella punha-se a olhar e não falava; / Qualquer de nós podia ver que amava, / Mas quem sabia então que eram amores ? / Mudar de sitio à ninfa já convinha, / Foi-se a outra ribeira; e eu naquela / Fiquei sentindo a dor que n'alma tinha. / Eu cada vez mais firme, ela mais bela; / Não se lembra ela já de que foi minha, / Eu ainda me lembro que sou dela !... Veja mais aqui, aquiaqui e aqui.

CYRANO DE BERGERAC – A comédia heroica em cinco atos Cyrano de Bergerac, do poeta e dramaturgo francês Edmond Rostand (1868-1918), baseada na vida do escritor e mosqueteiro francês Hector Savinien de Cyrano de Bergerac (1619-1655), que era possuidor de um grande nariz e famoso por ser um herói romântico na senda de Dom Quixote, combatendo a covardia, a estupidez e a mentira. A sua vida tinha por meta a defesa dos fracos e oprimidos, bem como dos amantes infelizes e dos amigos humilhados. Acontece que ele era apaixonado pela sua prima, a bela Roxana, moça inteligente mas um pouco pedante, que gosta de coisas ditas de maneira arrebata e sutil, com elegância e originalidade. Além de Cyrano, por ela suspirava o jovem Cristiano de Neuville, porem pouco brilhante ao lidar com as palavras. Cyrano não tem a menor esperança de um dia conquistar a formosa prima, que não o vê senão como um bom amigo e terrivelmente feio. Já que não pode ser feliz com a amada, ele resolve fazê-la feliz com outro, por saber que a moça não é indiferente ao rapaz: ela apenas espera dele uma demonstração de brilhantismo verbal para cair em seus braços. A peça foi transformada para o cinema pelo cineasta Jean-Paul Rappeneau, em 1990, com roteiro do diretor e de Jean-Claude Carrière e música de Jean-Claude Petit. Destaque no filme para a atriz francesa Anne Brochet. Veja mais aquiaqui e aqui.



Veja mais sobre:
Parece que foi ontem ser pai no aniversário da filha, a literatura de Erza Pound, Enterrem meu coração na curva de um rio de Dee Brown, a música de Percorso Ensemble & pintura de Fernand Khnof aqui.

E mais:
Infância, Imagem e Literatura: uma experiência psicossocial na comunidade do Jacaré – AL, a literatura de Ítalo Calvino, Mademoiselle Fifi de Guy de Maupassant, Mandrágora de Nicolau Maquiavel, Serge Gainsbourg & Jane Birkin, a música de Cole Porter, os Poemas de amor de Ivo Korytowski, a arte de Maria de Medeiros, a pintura de Odilon Redon & a coreografia da Quasar Cia de Dança aqui.
Ginofagia: quatro poemetos em prosa de paixão por ela & a pintura de Victoria Selbach aqui.
A arte musical de Ruthe London & outras dicas tataritaritatá aqui.
A honra dos sertões à morte, a literatura de Euclides da Cunha, O julgamento de Frineia, Amarcord de Federico Fellini, a música de Amedée Ernest Chausson, a pintura de Antonio Parreiras, a poesia de Ana Terra & Programa Tataritaritatá aqui.
A filosofia na alcova de Marquês de Sade, a necessidade neurótica do amor de Karen Horney, O tambor de Günter Grass, a música de Chico Buarque, o teatro de Maria Clara Machado, a pintura de Larry Vincent Garrison, a arte de Angela Winkler, a poesia de Luiz Edmundo Alves & o blog de Monica & Monique Justino aqui.
O caso Dora de Freud & Ida Bauer, Contos do Panchatantra, O amante de Marguerite Duras, o teatro de Molière, a música de Muddy Waters, o cinema de Jean-Jacques Annaud & Jane March, a pintura de Maurice de Vlaminck & a Deusa Cibele aqui.
A menstruação mental do Robimagaiver puto da vida, A realidade e os sonhos de Muriel Spark, O mundo da vida cotidiana de Peter L. Berger & Thomas Luckmann, A sociologia econômica de Mark Granovetter, a música de Han-Na Chang, a arte de Marina Abramović, a fotografia de Greg Gorman & Alfred Cheney aqui.
A correnteza do rio me ensinou a nadar, A flor azul de Penelope Fitzgerald, A juventude e as tecnologias de Beatriz Polivanov e Vinicius Andrade Pereira, Intereções e redes na sociedade de Denise Najmanovich & Elina Dabas, a música de Karlheinz Stockhausen & Suzanne Stephens, a arte de Yayoi Kusama & Robert Rauschenberg, a coreografia de Anita Berber, a arte de Otto Dix & Sue Halstenberg, Palmares & Rio Una aqui.
O amor todo dia e o dia todo, O homem ativo & o intelectual de Antonio Gramsci, a literatura de Samuel Rawet, A dialética do concreto de Karel Kosik, a música de Madeleine Peyroux, a fotografia de Rory Banwell, a arte de Luciah Lopez, a pintura de Serge Marshennikov & Amélia Toledo aqui.
Entre topadas e escorregões, eu insisto, persisto, resisto e até persevero, A poesia brasileira de Antonio Cândido, História de um louco amor de Horacio Quiroga, O espelho da alma de Marilena Chauí, a música de Catherine Ribeiro, a coreografia de Caralotta Ikeda, a pintura de Anders Zorn, a fotografia de Spencer Tunick & Maureen Bisilliat aqui.
Poesia não deu, só noutra, o pensamento de Friedrich Nietzsche, a literatura de Nadine Gordimer, A gaia ciência de José D 'Assunção Barros, a música de Dulce Pontes, a fotografia de Kharlos Cesar, a arte de Giovanna Casotto & Jeju Loveland aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.


quarta-feira, janeiro 28, 2015

ANJA SNELLMAN, JUDY CHICAGO, FRANCESCA WOODMAN & C. J. CHERRYH

 


FRANCESCA, AVIS RARA - Ela nasceu em Denver e cresceu em Boulder, pais artistas – ele fotógrafo-pintor, ela ceramista, a arte por religião. Foi para a escola pública e interrompeu os estudos para seguir com a família para a Itália. A partir de então os verões em Antella. Aos treze anos, no ensino médio do internato de Massachusettes, a câmera à tiracolo, presente do pai e o seu autorretrato desfocado desafiando o usual: os cabelos cobriam-lhe o rosto e ao seu redor fragmentos – uma atmosfera mística, uma porta, uma cadeira vazia, o jogo de luz e a escuridão. Mudou-se para Providence estudando na Rhode Island School of Design, morando num estúdio industrial. Era leal e intensa, já protestava contra os limites opressivos de sua vida. A estudante se formou e foi morar em Roma. Como uma egocêntrica teimosa se insinuava extremamente motivada pela abertura da nudez: encostada à parede na Space2, entre duas janelas de um prédio abandonado, aprisionada em sua desintegração na sala vazia: Quem sou eu? O retorno e On Being an Angel – Providence, e ela flutuava e expondo o peito e os ombros nus, olhando pra mim, uma frustração agressiva como se fosse uma condenada que perdera o céu para sempre. Dizia o indizível ao desenvolver diazótipos em papel e teve então um relacionamento romântico fracassado, mantinha-se ativa com seu incrível carisma: uma mariposa a voar ao redor da chama de uma vela. E lá estava ela entrelaçada com as raízes de uma árvore na frente de lápides, seu corpo nu imerso na água fazia contraste com as sombras, suas pernas serpenteavam porque ela era Eva que se fez Daphne para ser Ophelia perseguindo o fruto proibido entre a vida e a morte. Depois saltava no ar com suas asas feitas de lençóis brancos suspensos, tentava levantar voo surrealista por uma Roma barroca para encontrar-se a si própria. Ou mesmo puxando os cabelos para desafiar a gravidade, uma torre que se fez do seu longo vestido preto, encostada à parede de um salão vazio para sua força engrandecedora. Quando não os braços levantados, o rosto virado e suspensa no batente de uma porta para sua crucificação e o limiar entre a vida e a morte, o que era e não. Ela olhava timidamente para baixo, com seus braços envolvidos pelos punhos de bétula e vestida com casca de árvore, expondo a sua alma. Na primavera era a vez do Blueprint for a Temple e ela protegia o rosto envolta por um pano e as mãos cruzadas, tornava-se uma cariátide viva. Trouxe-me o volume do Some Disordered Interior Geometries, inspirado na Nadja de Breton: Essas coisas chegaram da minha avó... me fazem pensar onde me encaixo na estranha geometria do tempo... A frase entre as gravuras e ela nua da cintura para baixo com roupas espalhadas ao redor. Logo o Portrait of a Reputation, que começava vestida com uma única luva e se desnudava contornando uma das mãos aos seios. Depois apenas as impressões de suas mãos na parede, a solidão... É questão de conveniência, estou sempre disponível... As tendências depressivas, malsucedidos, a profundeza emotiva, mais de 800 fotografias, muito vídeos, um olhar atento e aquela jovem prodígio prolífico, estava imersa pela arte com sua sofisticada compreensão e maturidade artística: o seu corpo nu e a realidade circundante. Eram os capítulos da autodestruição definitiva, a vítima trágica da transição entre a infância e o adulto, a aura enigmática: Portraits, Friends, Equations. Os 8 cadernos e sua própria hestória. O talento fatal e a mítica atravessaram seus próprios infernos: sobreviveu a uma tentativa de suicídio e voltou a morar com os pais. Terapias e o amor fracassava, depressão e a recusa de um projeto. Naquele janeiro, era inverno, atirou-se pela janela de um edifício do Lower East Side, Nova York. Seu corpo atingiu o concreto a ponto de desfigurar sua face. Tinha apenas 22 anos, começava a sua lenda e culto. Veja mais abaixo e mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Estou na foto? Estou entrando ou saindo dela? Eu poderia ser um fantasma, um animal ou um corpo morto, não apenas essa garota parada na esquina... Você não pode me ver de onde eu me olho... As coisas reais não me assustam, apenas as que estão em minha mente, sim...  As palavras influenciam-me muito mais do que a política, mas gosto especialmente de frases literárias alusivas e indiretas + metáforas... Gostaria que as palavras fossem para as minhas fotografias o que as fotografias são para o texto de 'Nadia' de Andre Breton. Ele seleciona as alusões e os detalhes enigmáticos de alguns instantâneos bastante comuns e não misteriosos e os elabora em uma história que eu gostaria que minhas fotografias condensassem a experiência. Uso nus em parte num sentido irônico, como os nus da pintura clássica que quero que minhas fotos tenham. uma certa qualidade atemporal, pessoal, mas alegórica, como acontece, digamos, nas pinturas históricas de Ingres, mas gosto do aspecto áspero que a fotografia dá ao nu. Gosto de observar o imediatismo de uma fotografia lutando com 'imagens atemporais' do jeito que faz. digamos, uma fotografia pictorialista... Finalmente consegui tentar me livrar de mim mesmo, da maneira mais organizada e concisa possível. Prefiro morrer jovem deixando várias realizações, algum trabalho, minha amizade com você e alguns outros artefatos intactos, em vez de apagar desordenadamente todas essas coisas delicadas... Essa ação que previ, não tem nada a ver com melodrama. É que a vida que vivo agora é uma série de exceções. Não fui (sou?) único, mas especial. É por isso que eu era um artista... Palavras da fotógrafa estadunidense Francesca Woodman (1958-1981), que ainda escreveu o poema: Sinto como se estivesse flutuando em plasma \ Preciso de um professor ou amante \ Preciso de alguém que arrisque se envolver comigo. \ Sou tão vaidosa e sou tão masoquista. \ Como eles podem coexistir?... Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Uma vez que eu soube que queria ser uma artista, eu me tornei uma. Eu não entendia que querer nem sempre leva à ação. Muitas das mulheres foram criadas sem a sensação de que elas poderiam moldar e moldar suas próprias vidas, e então, querer ser uma artista (mas sem a habilidade de realizar seus desejos) era, para algumas delas, apenas uma fantasia ociosa, como querer ir à lua. Como os homens têm uma história, é difícil para eles imaginarem como é crescer sem uma, ou o senso de expansão pessoal que vem da descoberta de que nós, mulheres, temos uma herança valiosa. Junto com o orgulho, muitas vezes vem a raiva – raiva de ter sido privado de um conhecimento tão significativo. As divindades femininas foram gradualmente ofuscadas ou incorporadas aos atributos de vários deuses masculinos, depois eclipsadas pela ascensão da única divindade masculina que domina a tradição judaico-cristã. Pensamento da educadora, escritora e artista feminista estadunidense Judy Chicago (Judith Sylvia Cohen), que no seu livro Judy Chicago, Beyond the Flower: The Autobiography of a Feminist Artist (Penguin, 1997) expressou: […] Historicamente, as mulheres foram excluídas do processo de criação das definições do que é considerado arte ou autorizadas a participar somente se aceitarmos e trabalharmos dentro das designações tradicionais existentes. Se as mulheres não têm um papel real como mulheres no processo de definição da arte, então somos essencialmente impedidas de ajudar a moldar símbolos culturais. [...] Fui criada em uma casa moldada pelo que pode ser chamado de valores éticos judaicos, particularmente o conceito de tikun, a cura ou reparação do mundo. Fui ensinado a acreditar que trabalhar para alcançar essa transformação é o que a vida é e que as posses materiais são totalmente sem importância. Ainda me lembro do meu pai apontando para todos os livros e registros em nossa casa e dizendo ¨Veja estes, estas são as únicas riquezas que contam [...] e também autora do poema: E então tudo o que nos dividiu se fundirá \ E então a compaixão se casará com o poder \ E então a suavidade chegará a um mundo que é duro e cruel \ E então tanto homens quanto mulheres serão gentis \ E então tanto mulheres quanto homens serão fortes \ E então nenhuma pessoa estará sujeita à vontade de outra \ E então todos serão ricos, livres e variados \ E então a ganância de alguns dará lugar às necessidades de muitos \ E então todos compartilharão igualmente a abundância da Terra \ E então todos cuidarão dos doentes, dos fracos e dos velhos \ E então todos nutrirão os jovens \ E então todos apreciarão as criaturas da vida \ E então todos viverão em harmonia uns com os outros e com a Terra \ E então todos serão chamados de Éden novamente.

 

DEFENSOR - [...] Não é aconselhável espalhar isso de forma tão espessa sobre toda essa situação. [...] A ignorância matou o gato; a curiosidade foi incriminada! [...]. Trechos da obra Defender (DAW, 2002), da escritora estadunidense C. J. Cherryh (Carolyn Janice Cherry), que em outra obra sua, Invader (Daw, 1996), expressa que: [...] Mas seu senso político manteve uma coceira persistente que dizia: A, Dada a ignorância na mistura, a estupidez era pelo menos tão comum na política quanto as manobras astutas; B, A crise sempre atrai insetos; e, C, Inevitavelmente, a parte que tentava resolver um assunto tinha que lidar com a parte mais disposta a explorá-lo. [...]. Já noutra obra, Forge of Heaven (Eos, 2005), ela expressa que: […] Os problemas não vinham apenas em grupos de três: eles reuniam passageiros à medida que avançavam e colidiam violentamente com os transeuntes. [...], afora defender que: Nada é impossível, exceto nunca tentar. Meus mundos são complexos e muitas vezes sugerem mais de uma história. Eu tenho mais medo de pessoas estúpidas. Pessoas estúpidas farão qualquer coisa. Pessoas verdadeiramente inteligentes farão apenas o que for lógico para elas. Veja mais aqui.

 

DOIS POEMASCOMEÇO - Num apartamento vazio \ onde o antigo amante não mora mais \ os gatos ficam perto das paredes \ O novo amante está se mudando hoje \ a luz muda lentamente no teto\ O novo amante bebe água da torneira \ O novo amante abre a janela \ Sem cicatrizes, ainda \ Este é o nosso começo. ARQUIVADO - Anna Karenina e Lolita se encontram em segredo \ comparando suas experiências com homens \ que pedem à Sra. Dalloway para se juntar a elas\ Vamos beber cerveja preta \ com uma perna balançando em cima da outra \ em um café escuro\ Vamos compartilhar histórias, \ confiar uns nos outros com tal abandono \ que o remorso toma conta no dia seguinte, \ uma vontade de rastejar até a estante \ para esquecer o que nunca foi, \ frases que nunca foram ditas, \ apenas um sussurro tímido, um sonho delicado, \ um telefonema cortado. Poemas da escritora, jornalista e psicoterapeuta finlandesa Anja Snellman (Anja Kyllikki Snellman-Orma nascida Kauranen), autora de obra como Sonja O. kävi täällä (1981), Tushka (1983), Kultasuu (1985), Pimeää vão meidän silmillemme (1987), Kiinalainen kesä (1989), Kaipauksen e energian lapset (1991), Ihon Aika (1993), Pelon Maantiede (1995), Syysprinsi (1996), Lauri Árabe (1997), Lado (1998), Paratiisin kartta (1999), Aura (2000), entre outros.

 

SACADOUTRAS

 

A QUEM INTERESSA A TRAGÉDIA DA SECA? – No ano de 1900, Darcy Ribeiro registra uma notícia no seu Aos trancos e barrancos: como o Brasil deu no que deu, a respeito da grande seca que assola a região nordestina: “Grande seca – que se reitera em 1903 e 1904 – castiga o Nordeste, matando, imbecilizando e pondo na estrada multidões de retirantes que, de passagem, roubam cabras e ovelhas, invadem cidades rezando e esmolando. O governo cria frente de trabalho para socorrê-los”. Quem leu a obra de Raquel de Queiroz, O quinze, ficou sabendo o que se deu desses anos de seca, culminando com a grande seca de 1915. Sucessivos anos de seca levaram o jornalista e escritor Antonio Callado a denunciar que: “[...] Os “industriais da seca” se utilizam da calamidade para conseguir mais verbas, incentivos fiscais, concessões de crédito e perdão de dívidas valendo-se da propaganda de que o povo está morrendo de fome. Enquanto isso, o pouco dos recursos que realmente são empregados na construção de açudes e projetos de irrigação, torna-se inútil quando estes são construídos em propriedades privadas de grandes latifundiários que os usam para fortalecer seu poder ou então, quando por falta de planejamento adequado, se tornam imensas obras ineficazes”. A partir disso procurou-se levantar uma bibliografia acerca do tema, encontrando em Renato Duarte um farto material, incluindo Durval Albuquerque Junior, no seu artigo “Palavras que calcinam, palavras que dominam: a invenção da seca do Nordeste” que engrossa o caldo das denúncias acerca das ações dessa indústria nefasta que toma conta do desenvolvimento nordestino. Essa indústria, para Caroline Faria e Conceição Filgueira, é uma herança que aprisiona o Nordeste oriunda da sociedade patriarcal, escravocrata, monocultora, latifundiária e aristocrática do passado colonial, envolvendo fatores econômicos, sociais, raciais e diversas discriminações sérias das desigualdades entre as regiões. Acrescenta Roberto Alves Silva que o drama da calamidade pública ainda se repete nos períodos prolongados de estiagem e das chuvas irregulares: “Os meios de comunicação tratam de dar maior visibilidade aos problemas regionais e de recolocar para a população algumas soluções que poderiam mudar esse quadro. [...] As políticas emergenciais, no entanto, continuaram ocorrendo concomitantes às ações hídricas de combate à seca, sem promover modificações significativas nos determinantes estruturais das calamidades sociais nas secas; [...] Verifica-se que a proposta do “combate à seca e aos seus efeitos”, atualmente em crise, não participa ativamente da disputa tendo em vista que os seus fundamentos negam, explicitamente, os princípios da sustentabilidade”. Afinal, a quem interessa o drama de todo nordestino promovido pela indústria da seca? Vamos aprumar a conversa & tataritaritatá. Veja mais aqui, aquiaqui.
REFERÊNCIAS:
ALBUQUERQUE JUNIOR, Durval M. Palavras que calcinam, palavras que dominam: a invenção da seca do Nordeste. Revista Brasileira de História. São Paulo, ANPUH/Marco Zero, vol. 15, nº 28, pp. 111-120; 1995.
CALLADO, Antonio. Os industriais da seca e os galileus de Pernambuco. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1960.
DUARTE, Renato. Bibliografia da seca do Nordeste. Banco do Nordeste/Universidade do Texas, 2002.
FARIA, Caroline. Industria da seca. InfoEscola/Fundaj, 1994.
FILGUEIRA, Maria Conceição. Eloy de Souza: uma interpretação sobre o Nordeste e os dilemas das secas. Natal : EDUFRN, 2011.
QUEIROZ, Raquel. O quinze. Rio de Janeiro: José Olympio, 1968.
RIBEIRO, Darcy. Aos trancos e barrancos: como o Brasil deu no que deu. Rio de Janeiro: Guanabara, 1985.
SILVA, Roberto Alves. Entre o combate à seca e a convivência com o semi-árido: transições paradigmáticas e sustentabilidade do de senvolvimento. Brasília: UnB, 2006. 

Imagem: Siréne espagnole (1912) do pintor neerlandês Kees van Dongen (1877-1968)

Ouvindo a ópera A flauta mágica, do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), com a Orquestra Sinfônica de Limeira sob a regência de Fernando Barreto, soprano Raíssa Amaral, direção musical de Angelo Fernandes e direção cênica de André Estevez. Veja mais aqui.


APRUMANDO A CONVERSA – Já dizia o escritor latino Sêneca (4aC/65dC): “A virtude não consiste em temer a vida, mas em fazer face às grandes adversidades e jamais voltar-lhe as costas”, trecho esse recolhido pelo filósofo e escritor francês Michel de Montaigne (1533-1592) nos seus Ensaios, acrescentando que: “Na verdade, é fácil menosprezar a morte; o mais bravo é o que saber ser infeliz”. E vamos aprumar a conversa & tataritaritatá!!! Veja mais aquiaqui

O REDONDO UNIVERSO DO POETA E DA POESIA – Abordando sobre a poesia do poeta alemão Rainer Maria Rilke (1875-1926), o filósofo, crítico literário e epistemólogo francês Gaston Bachelard (1884-1962), na sua obra A poética do espaço (Abril, 1978), expressa que: [...] Às vezes existe uma forma que guia e que enfeixa os primeiros sonhos. Para um pintor, a árvore se compõe em sua redondeza. Mas o poeta retoma o sonho mais alto. Sabe que o que se isola se arredonda, toma a figura do ser que se concentra em si. Nos Poemas Franceses de Rilke, isso acontece. Em torno de uma árvore sozinha, meio de um mundo a cúpula do céu vai arredondar-se seguindo a regra da poesia cósmica. [...] É certo que o poeta só tem sob os olhos uma árvore da planície: ele não pensa em nenhuma árvore lendária que fosse só para ele todo o cosmos unindo a terra e o céu. Mas a imaginação de ser redondo segue sua lei; já que a nogueira é, como diz o poeta, orgulhosamente redonda, ele pode saborear a abobada dos céus. O mundo é redondo em torno do ser redondo. E de verso em verso, o poema vai crescendo, aumenta seu ser. A ávore está viva, pensando, voltada para Deus. [...] Aqui, o devir tem mil formas, mil folhas, mas o ser não suporta nenhuma dispersão: se eu jamais pudesse numa vasta coleção reunir todas as imagens do ser, todas as imagens múltiplas, cambiantes que, da mesma forma, ilustram a permanência do ser, a árvore rilkiana abriria um grande capítulo em meu álbum de metafísica concreta. Veja mais aqui, aquiaqui e aqui


A ENCANTADORA BELEZA LUSITANA DE MARIA – Desde que a vi como Anais Nin no Henry & June do Philip Kaufman, a Yvonne de La Tentation de Vénus de Istvan Szabo, a Marta no Huevos de oro de Bigas Luna, no Pulp Fiction de Quentin Tarantino, mais no Porto da Minha Infância, Paraíso Perdido, Retrato de Família, entre outros filmes em que ela desfilou a sua beleza encantadora, que me tornei fã da atriz, cineasta e cantora portuguesa Maria de Medeiros Esteves Victorino de Almeida, ou simplesmente, Maria de Medeiros. Nada mais justo que aqui homenageá-la na campanha Todo dia é dia da mulher. Veja mais aquiaqui.


Veja mais sobre:
Leila Diniz, Psicologia Infantil, Béla Bartók, Gerd Bornheim, Gutzon Borglum, David Lean & Sarah Miles, Nilto Maciel & Clotilde Tavares aqui.

E mais:
Aurora, Zaratustra, Hermeto Pascoal, Alfred Adler, Viktor Frankl, Gregory Corso, Tennessee William, Pedro Almodóvar, Gaston Guedy & Penélope Cruz aqui.
Helena Blavatsky, João Ubaldo Ribeiro, Édouard Manet, Stendhal, Vital Farias, Joana Francesa & Jeanne Moreau aqui.
Constituição Federal, Yamandu Costa, Terêncio, Beaumarchais, Sharon Tate & Julie Dreyfus aqui.
Quarup & Antonio Callado, Angela Yvonne Davis, Tavito Carvalho, Jean-Claude Forest, Giovanni Lanfranco, Barbarella & Jane Fonda aqui.
Virginia Woolf, Tom Jobim, Somerset Maughan, Adelaide Cabete, Pompeu Girolamo Batoni & Renata Bonfiglio Fan aqui.
Dante Alighieri, Lewis Carroll, Djavan, Friedrich Schelling, Rosa Parks, Paula Rego, Fernando Fiorese, Carrie-Anne Moss, Jaorish Gomes Telles & Programa Tataritaritatá aqui.
Errâncias de quem ama, promessas da paixão, Oscar Wilde, Richard Strauss & Leonie Rysanek, Lenda Bororo A origem das estrelas, Sonia Ebling de Kermoal & Dorothy Lafriner Bucket aqui.
A ponte entre quem ama e a plenitude do amor, Murilo Rubião, Wäinö Aaltonen, Manuel Colombo, Anneke van Giersbergen, Ramón Casas, Eduardo Kobra & Fátima Jambo aqui.
Legalidade sob suspeita, Anna Moffo, Viola Spolin, Reisha Perlmutter, Floriano de Araújo Teixeira & Moína Lima aqui.
Os seus versos, danças & cantos do Cacrequin, Jasmine Guy, Renata Domagalska, Lívia Perez & Quem matou Eloá, Luciah Lopez & Vera Lúcia Regina aqui.
Água morro acima, fogo queda abaixo, isto é Brasil, Noêmia de Sousa, Juarez Machado, Tetê Espíndola, Glauco Villas Boas, Geraldo de Arruda Castro & Giselda Camilo Pereira aqui.
O prêmio do amor & Christine Comyn aqui.
Presente de aniversário, Svetlana Ziuzina, Juan Medina & Carla Osório aqui.
Pequena história da formação social brasileira de Manoel Maurício de Albuquerque aqui.
A linguagem na filosofia de Marilena Chauí aqui.
A poesia de Chico Buarque aqui.
Vigiar e punir de Michel Foucault aqui.
Norberto Bobbio e a teoria da norma jurídica aqui.
Como se faz um processo de Francesco Carnelutti aqui.
Fecamepa no reino do ficha suja aqui.
Tolinho & Bestinha: Quando Bestinha emputecido prestou depoimento arrepiado aqui.
Fecamepa : quando o furacão dá no suspiro do bandido, de uma coisa fique certa: a gente não vale nada aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá!
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.



ANNA LEMBKE, RIN USAMI, BIRHAN KESKIN, ANTÔNIO MARIA & YAYOI KUSAMA

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Cambalhotas & as coisas nunca davam certas... - Zé Lua vivia por aí, todo acanhado sob a aba do boné, ...