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quinta-feira, maio 17, 2018

MARIO BENEDETTI, VIRGINIA WOOLF, HUSSERL, ERNST FISCHER, CLAUDIA NÊN, ERIN M. RILEY, ROBSON MIGUEL & ENYA

ARENGA DE ANTANHO – Imagem: Arte da artista visual e xilogravurista sergipana Claudia Nên - Zé Peiúdo estava feliz da vida: ia ser pai. O cabra chega bufafa ufano, os dentes pelas orelhas, um Júnior caía bem na encomenda: Esse vai ser macho feito o pai! Bastou o bruguelo nascer, gritou logo: Pelo tom do choro, puxou a mim, brabo todo! E na hora mesmo correu pro pariceiro Zé – que, até então, não era ainda Corninho, casado de papel passado com a primeira das muitas que viriam encher-lhe a testa de chifres -, e o convidou para padrinho. Selaram o compadrio tomando umas e outras, emendando pelo batizado e todo final de semana, compadre praqui, compadre prali, carne e unha. O petiz foi crescendo na casa do patrono e já tinha uma mania: toda vez que passava pelo paraninfo, amolegava o bilau e dizia: Chupeta, padim. Esse menino, hum! E de meninote viu-se rapazote, o pai foi feliz até os doze anos dele: Parece que errei na dose. As más línguas já cochichavam por todo canto: Esse garoto acende a fluorescente, ah, se! Aos quinze a coisa enfeiou: não tinha namorada e desmunhecava que só. Os boatos comiam no centro: Esse de quatro passa batalhão, fazem fila no furico dele. Aos dezessete já andava saltitante, invejava mulheres de tão espalhafatoso. O pai desconfiado, confidenciou com o achegado: Cumpade, você acha que esse menino é biba? Cuma? Ele queima a rosca? Como é? Ora, ele solta a rodela? Pela insistência, Zé-Corninho cruzou os dedos escondidos: Oxente, cumpade, naaaada! Ele é só um tiquinho delicado, mais nada. Eu tô vendo o povo se rindo pelas minhas costas. Tá nada, impressão sua. Oxe, estavam mesmo era mangando e muito da macheza dele, o filho só na maior desmoralização purpurinada. Se esse menino for fresco, eu mato esse filho duma puta! Calma, cumpade. Propôs um trato: Descubra se ele é ou não bicha, pois se for, mato ele de cacete! Deixa disso, cumpade! Lá se vão dias, semanas, meses, de repente Peiúdo entra na maior das surpresas na casa do Corninho e dá de cara com a cena: o padrinho enfiado todo no papeiro do afilhado. Que é que é isso, cumpade? Eu ia lhe contar, mas você já viu, né? Infeliz das costas ocas! O Peiúdo partiu pra cima do Corninho com tapas e bofetes, bufe, bufe, cada tabefe de quase estourar-lhe o espinhaço. Bufe, bufe. Ai, ai! Também te pego, viado! Nem deu tempo de pegar a carreira da gazela que sumiu para nunca mais. Eu pego esse baitola! Corninho todo arrebentado, ainda conseguiu persuadir: Calma, cumpade, homofobia é crime, sabia não? Então s’acostume que isso é normal, viu? Desse dia em diante, uma rixa braba nascia entre Zé Peiúdo e Zé Corninho. E a vida continua. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do violonista Robson Miguel: Viva Brasil, Uma volta ao mundo em seis cordas & Ao vivo; da cantora, instrumentista e compositora irlandesa Enya: The Cranberries Live in Paris, Greatest Hits Best Songs & Only time; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Estou certo também de que a crise [...] possui raízes nos desvios do racionalismo. Mas isto não autoriza sustentar que a racionalidade como tal é má em si mesma, ou que ela tenha, dentro do conjunto da existência humana, uma importância de segundo plano [...]. Pensamento do filósofo alemão Edmund Husserl (1850-1938). Veja mais aqui.

NECESSIDADE DA ARTE – [...] A arte é quase tão antiga quanto o homem [...] Por seu trabalho, o homem transforma o mundo como um mágico: um pedaço de madeira, um osso, uma pederneira, são trabalhados de maneira a assemelharem-se a um modelo e, com isso, são transformados naquele modelo. Objetos materiais são transformados em signos, em nomes, em conceitos. O próprio homem é transformado de animal em homem [...] o artista continuou a ser o representante e porta-voz da sociedade. Dele não se espera que importune o público com sua vida privada, seus assuntos particulares; sua personalidade é irrelevante e ele é julgado apenas por sua habilidade em fazer-se o eco e o reflexo da experiência comum, dos grandes eventos e das ideias do seu povo, da sua classe e do seu tempo. Tal função social era imperativa, indiscutível, da mesma forma que tinha sido a do feiticeiro anteriormente [...]~A ambição do artista que se apoderou das ideias e experiências do seu tempo tem sido sempre não só a de representar a realidade como a de plasmá-la. […] Por muito tempo, o capitalismo encarou a arte como algo suspeito, frívolo e opaco. A arte “não dava lucro”. [...] O capitalismo acarretou o cálculo sóbrio e a contenção puritana. [...] O capitalismo não é em sua essência, uma força social propícia à arte, disposta a promover a arte. Na medida em que o capitalista necessita da arte de algum modo, precisa dela como embelezamento da vida privada ou apenas como um bom investimento [...] A arte pode levar o homem de um estado de fragmentação a um estado de ser íntegro, total. A arte capacita o homem para compreender a realidade e o ajuda não só a suportá-la, como a transformá-la, aumentando-lhe a determinação de torna-la mais humana e mais hospitaleira para a humanidade. A arte, ela própria, é uma realidade social. A sociedade precisa do artista, este supremo feiticeiro, e tem o direito de pedir-lhe que ele seja consciente de sua função social [...] A arte não só é necessária e tem sido necessária, mas continuará sendo sempre necessária. [...]. Trechos extraídos da obra A necessidade da arte (Zahar, 1983), do filósofo austríaco Ernst Fischer (1899-1972).

RUMO AO FAROL - [...] Há um código de conduta que ela conhecia, e cujo sétimo artigo (talvez) diz que em tais ocasiões convém à mulher, não importa qual seja sua profissão, ajudar o jovem sentado diante dela, para que ele possa expor e aliviar os fêmures e as costelas da sua vaidade, do seu premente desejo de se auto-afirmar; tal como, sem dúvida, é dever deles, refletiu, com sua sinceridade de solteirona, de nos ajudar em caso, por exemplo, de ocorrer um incêndio no metrô. [...]. Assim, não respondeu, mas continuou olhando, obstinado e triste, a praia, coberta por um manto de paz, como se as pessoas que viviam estivessem adormecidas, pensou: como se fossem livres para ir e ir como fantasmas. Lá elas não sofriam – pensou. [...]. Trechos extraídos da obra Rumo ao farol (Publifolha, 2003), da escritora inglesa Virginia Woolf (1882-1941). Veja mais aqui.

CINCO POEMASPOR QUE CANTAMOS: Se cada hora vem com sua morte / se o tempo é um covil de ladrões / os ares já não são tão bons ares / e a vida é nada mais que um alvo móvel / você perguntará por que cantamos / se nossos bravos ficam sem abraço / a pátria está morrendo de tristeza / e o coração do homem se fez cacos / antes mesmo de explodir a vergonha / você perguntará por que cantamos / se estamos longe como um horizonte / se lá ficaram árvores e céu / se cada noite é sempre alguma ausência / e cada despertar um desencontro / você perguntará por que cantamos / cantamos porque o rio está soando / e quando soa o rio / soa o rio / cantamos porque o cruel não tem nome / embora tenha nome seu destino. VIRAR A PÁGINA: É meu lugar / meu céu / meu travesseiro / meus insultos / sou quem sou porque os outros são / há uma história em cada amanhecer / e em cada transparência do crepúsculo / estive doze anos sem virar esta página / esperando sua letra suas estampas / imaginando coisas que não diz / mas que eram igualmente certas / sem virar esta página /ninguém pode ser alguém / pode somar paisagens / espigões torrentes / multidões fronteiras / pode colecionar amores e sabores / aplausos e vaias / manjares e esmolas / os rumos os atalhos / as diferenças as indiferenças / a solidariedade e o exorcismo / as ofertas saborosas os escândalos / os dedos que assinalam e os braços abertos / as decepções e as recompensas / as recusas e as convocatórias / e no entanto é verdade / sem virar esta página, / ninguém pode ser alguém. FAÇAMOS UM TRATO: Companheira / você sabe / que pode contar / comigo / não até dois / ou até dez / senão contar / comigo / se alguma vez / percebe / que a olho nos olhos / e um brilho de amor / reconheces nos meus / não alerte seus fuzis / nem pense que deliro / apesar do brilho / ou talvez porque existe / você pode contar / comigo / se outras vezes / me encontra / intratável sem motivo / não pense que fraquejara / igual pode contar / comigo / porém façamos um trato / eu quisera contar / com você / é tão lindo / saber que você existe / um se sente vivo / e quando digo isto / quero dizer contar / embora seja até dois / embora seja até cinco / não já para que acuda / pressurosa em meu auxílio / senão para saber / a ciência certa / que você sabe que pode / conta comigo. AMOR DE TARDE: É uma pena você não estar comigo / quando olho o relógio e já são quatro / e termino a planilha e penso dez minutos / e estico as pernas como todas as tardes / e faço assim com os ombros para relaxar as costas / e estalo os dedos e arranco mentiras. / É uma pena você não estar comigo / quando olho o relógio e já são cinco / e eu sou uma manivela que calcula juros / ou duas mãos que pulam sobre quarenta teclas / ou um ouvido que escuta como ladra o telefone / ou um tipo que faz números e lhes arranca verdades. / É uma pena você não estar comigo / quando olho o relógio e já são seis. / Você podia chegar de repente / e dizer “e aí?” e ficaríamos / eu com a mancha vermelha dos seus lábios / você com o risco azul do meu carbono. SÓ ENQUANTO ISSO: Você volta, dia de sempre, / rompendo o ar justamente onde / o ar tinha crescido feito muros. / Você porém nos ilumina brutalmente / e na simples náusea da sua claridade / sabemos quando nos cairão os olhos, / o coração, a pele das recordações. / Claro, enquanto isso / há frases, há pétalas, há rios, / há a ternura como um vento úmido. / Só enquanto isso. Poemas do poeta uruguaio do compromisso e cronista dos sentimentos, Mario Benedetti (1920-2009).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista visual estadunidense Erin M. Riley.
Veja mais aqui.

Sarau Recanto das Letras em Curitiba & muito mais na Agenda aqui.
&
A arte da artista visual e xilogravurista sergipana Claudia Nên
&
A lengalenga entre os Zés Peiúdo e Corninho aqui, aqui, aqui e aqui.
&
Cada qual seu quinhãoo pensamento de Mario Sérgio Cortella, a arte de Lili Reynaud-Dewar, a fotografia de Josephine Baker, a poesia de Larissa Marques & Homophobia é crime aqui.


quarta-feira, abril 08, 2015

ZLATA FILIPOVIĆ, AMIN MAALOUF, KOWARICK, BERTHA PAPPENHEIM & BASÍLIO DA GAMA

 


O DIÁRIO DA SOLIDÃO DE ZLATA... - A filha única de um advogado e de uma engenheira química vivia das aulas de piano e canto coral, jogava tênis no verão e esqui no inverno. Contava apenas com 11 anos quando começou a escrever o seu diário em Saravejo, seus anseios e percepções, o seu despreocupado cotidiano. Quando menos esperava eclodiu a guerra da Bósnia, os horrores da mais sangrenta depois a da segunda guerra grande. Houve uma debandada geral, mas seus pais, ao contrário, decidiram ficar juntos. O suprimento de comida ficou limitado, não havia eletricidade, nem água. A perplexidade de um modo primitivo de vida que ali ela testemunhava as mortes, desaparecimentos, o medo, o racionamento e as necessidades: Nunca imaginei que algo assim poderia acontecer. Como tudo pode mudar em um segundo? A escola em que eu estudava foi fechada. Lugares que adorava foram destruídos. Pessoas próximas foram feridas ou mortas. Não conseguia entender o porquê de estarem destruindo as coisas que eu tanto amava.... O conflito mais se agravava e o seu diário foi descoberto pela escola. Sua família refugiou-se em Paris. Depois passou uma temporada na Inglaterra, transferindo-se para Irlanda, morando em Dublin: Escrever no diário foi um desabafo. Considerava-o um anjo da guarda, um amigo, companheiro nos momentos difíceis, que não falava, só ouvia... Tudo o que havia antes da guerra foi tirado de mim e de mais de quatro milhões de pessoas que viviam na antiga Iugoslávia... No exílio bacharelou-se em Ciências Humanas na Oxford e fez mestrado em Saúde Pública no Trinity College. Passou a trabalhar na Casa Anne Frank e na Unicef com os propósitos de propagar a paz: Uma das coisas que permanecem na minha memória é o som das bombas explodindo. Até hoje, quando escuto explosões de fogos de artifício, lembro das situações vivenciadas. A vida é muito frágil... Veja mais abaixo e mais aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Tédio!!! Tiroteio!!! Bombardeios!!! Pessoas sendo mortas!!! Desespero!!! Fome!!! Miséria!!! Medo!!! Essa é a minha vida! A vida de uma inocente colegial de onze anos!! Uma colegial sem escola, sem a diversão e a emoção da escola. Uma criança sem jogos, sem amigos, sem sol, sem pássaros, sem natureza, sem frutas, sem chocolate ou doces, com apenas um pouco de leite em pó. Em suma, uma criança sem infância... Pensamento da escritora bósnia e ativista pacifista, Zlata Filipović, que no seu livro Zlata's Diary: A Child's Life in Wartime Sarajevo (Penguin, 2006) ela expressa que: […] Parece-me que esta política significa Sérvios, Croatas e Muçulmanos. Mas eles são todos pessoas. Eles são todos iguais. Todos parecem pessoas, não há diferença. Todos têm braços, pernas e cabeça, andam e falam, mas agora há “algo” que quer torná-los diferentes. [...] A guerra não é brincadeira, ao que parece. Destrói, mata, queima, separa, traz infelicidade. [...] Meu diário tornou-se mais do que um lugar para registrar acontecimentos diários. Tornou-se um amigo, o papel que o compunha estava pronto e disposto a aceitar tudo e qualquer coisa que eu tivesse a dizer. [...]. Ela também participa do livro The Freedom Writers Diary: How a Teacher and 150 Teens Used Writing to Change Themselves and the World Around Them (Main Street Books, 1999), no qual ela expressa: […] Se optarmos por lidar com situações desumanas de uma forma humana, poderemos mudar o mundo e criar lições positivas para nós próprios e para os outros. [...]. Em 2008 ela organizou com a inglesa Melanie Challenger o livro Vozes roubadas: diários de guerra, coletânea de 14 diários escritos por crianças e adolescentes que viveram em áreas de conflito.

 

ALGUÉM FALOU: Nunca hesite em ir para longe, além de todos os mares, todas as fronteiras, todos os países, todas as crenças... Eu não venho de nenhum país, de nenhuma cidade, de nenhuma tribo. Eu sou o filho da estrada... todas as línguas e todas as orações pertencem a mim. Mas eu não pertenço a nenhuma delas. A identidade não pode ser compartimentada; não pode ser dividida em metades ou terços, nem ter nenhum conjunto de limites claramente definido. Não tenho várias identidades, tenho apenas uma, feita de todos os elementos que moldaram suas proporções únicas... Pensamento do escritor libanês Amin Maalouf, que no seu ensaio livro Killer Identities (Alianza, 2005), expressou que: [...] Só porque uma realidade é imprecisa, imperceptível e flutuante não significa que ela não exista [...] As pessoas muitas vezes se veem em termos de qual de suas lealdades está mais sob ataque. E às vezes, quando uma pessoa não tem forças para defender essa lealdade, ela a esconde. Depois permanece enterrado nas profundezas da escuridão, aguardando a sua vingança. Mas quer ele o aceite ou oculte, proclame-o discretamente ou despreze-o, é com essa lealdade que a pessoa em questão se identifica. E então, seja por cor, religião, língua ou classe, invade toda a identidade da pessoa. Outras pessoas que compartilham a mesma lealdade simpatizam; todos eles se reúnem, unem forças, encorajam uns aos outros, desafiam “o outro lado”. Para eles, “afirmar a sua identidade” torna-se inevitavelmente um ato de coragem, de libertação. No meio de qualquer comunidade que tenha sido ferida surgem naturalmente agitadores… O cenário está agora montado e a guerra pode começar. Aconteça o que acontecer, “os outros” terão merecido. […] O que convenientemente chamamos de “loucura assassina” é a propensão dos nossos semelhantes de se transformarem em carniceiros quando suspeitam que a sua “tribo” está a ser ameaçada. As emoções de medo ou insegurança nem sempre obedecem a considerações racionais. Podem ser exagerados ou até paranóicos; mas quando toda uma população tem medo, estamos a lidar com a realidade do medo e não com a realidade da ameaça. [...]. É também autor das obras In the Name of Identity: Violence and the Need to Belong (1998), Samarkand (1986) e Balthasar's Odyssey (2000).

 

ESPOLIAÇÃO URBANA – [...] Trata-se de um conjunto de situações que pode ser denominado de espoliação urbana: é a somatória de extorsões que se opera pela inexistência ou precariedade de serviços de consumo coletivo, que juntamente ao acesso à terra e à moradia apresentam-se como socialmente necessários para a reprodução dos trabalhadores e aguçam ainda mais a dilapidação decorrente da exploração do trabalho ou, o que é pior, da falta desta. [...]. Trecho extraído da obra Viver em risco: sobre a vulnerabilidade socioeconômica e civil (34, 2009), do cientista político Lúcio Kowarick (1938-2020).

 

LENDAS DO NORDESTE – No blog Brincarte do Nitolino tenho divulgado lendas oriundas do imaginário do Nordeste brasileiro, como também indígenas e das mais diversas regiões do país e do exterior. LEMBRETE: Hoje para as crianças de todas as idades é dia de reprise do programa Brincarte do Nitolino, nos horários das 10hs e das 15hs, no projeto MCLAM, com apresentação da Ísis Corrêa Naves. Para conferir clique aqui, aqui ou aqui.

Imagem Reclining Nude On A Draped Sofa, do Sergei Semenovich Egornov (1860 – 1920)

Ouvindo o álbum The Grand Scheme of Things (1993) do guitarrista inglês de rock progressivo Steve Howe.

AQUELE QUE NASCEU DA TRIBO SAKYAS E ALCANÇOU A PERFEIÇÃO - Com o nome primitivo de Siddhartha Sakya-muni Gautama que quer dizer Gautama que pertence à tribo dos Sakyas e alcançou a meta da perfeição, o Buda (563aC-483aC) nasceu de antigo príncipe hindu. Aos dezenove anos ele casou-se com sua bela prima Yasodhara e quando ela deu à luz o seu primeiro filho, ele disse: - É mais um vínculo poderoso que terei de romper. E assim o fez: no amanhecer, ele chegou à margem de um rio, cortou os cabelos longos, despiu as vestes principescas e tirou as joias, entregand0-as, juntamente com seu cavalo e espada, ao servo Chana, a quem deu ordem de regressar ao palácio e comunicar ao Rajá e a sua esposa a resolução que tomara. Então, depois de vestir uma blusa de camponês, partiu a procurar a verdade junto aos sacerdotes sábios que viviam nas furnas das montanhas. E uma noite em que repousava sob a árvore bô, debatendo-se contra a dúvida e a solidão, uma grande paz desceu sobre ele. E quando se levantou de manhã, já não era Gautama, o Cético, mas Buda, o Iluminado. Por fim, compreendera o mistério do sofrimento humano, suas causas e sua cura. Ele passou a ensinar a alegria, não da posse, mas da renúncia: a base do segredo da vida. E começou a propor: Fez o bem por amor ao próprio bem; por amor da tua paz de espirito; para te tornares um Siddharta, um homem cuja vontade atingiu o seu objetivo. E dizia: Nada sei do mistério de Deus, mas conheço alguma coisa das misérias do homem. E arquitetou um sistema de devoção e devotamento, erigido sobre o triangulo moral formado pela moderação, a paciência e o amor. Todo o resto de sua longa vida, Gautama vagueou de cidade em cidade, acampando nos bosques vizinhos, nos jardins ou à margem de algum rio. E muitos foram os discípulos a quem entregou a sua legitima herança. Um dia, finalmente, quando já passava dos oitenta anos, acolheu-se à cabana de um ferreiro para o almoço depois voltou ao bosque e estendeu-se num leito de folhas, mortalmente enfermo. Os discípulos se reuniram ansiosos em torno do mestre. E Gautama ergueu os olhos para eles: Não pensais que, por ter-se ido o vosso mestre, a Palavra morreu. Veja mais aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

O CASO ANNA O – Trata-se de um dos mitos fundadores da psicanálise, relatado nas experiências de Josef Breuer nos Estudos sobre a histeria, envolvendo uma moça inteligente, enérgica e obstinada vienense que contava com vinte e um anos de idade na época da sua doença, dando o nome de talking cure ao tratamento que era feito pela fala e empregou o termo chinery sweeping para designar uma forma de rememoração por limpeza de chaminé, um processo catártico. Na verdade trata-se de Bertha Pappenheim (1859-1936), uma jovem criada por uma mãe rígida e conformista e que depois do tratamento voltou-se para atividades humanitárias, tornando-se líder de movimento feminista, assistente social e escritora judia austro-alemã. Inicialmente diretora de um orfanato judaico em Frankfurt, mais tarde viajou aos Bálcãs, ao Oriente Próximo e à Rússia, para realizar pesquisas sobre o tráfico de mulher brancas. Em 1904, fundou o Judischer Fraudebund – a Liga das Mulheres Judias – e, três anos depois, um estabelecimento de ensino filiado a essa organização. Muito apegada ao judaísmo, desenvolveu estudos sobre a situação das mulheres judias e dos criminosos judeus. Quando Hitler assumiu o poder, ela se pronunciou contra a emigração para a Palestina. Após a II Guerra Mundial, tornou-se uma figura lendária na história das mulheres e do feminismo através de sua ação social, a ponto de o governo alemão haver honrado sua memória com um selo que trazia a sua efigie. Já no fim da vida, havendo-se tornado devota e autoritária como fora sua mãe, reeditou antigas obras de religião e redigiu a história de uma de suas ancestrais. Esse caso foi relatado no livro Estudos sobre a histeria (Volume II - 1893-1895), de Josef Breuer e Sigmundo Freud, e no filme Freud, além da alma (1962), dirigido por John Huston e trilha sonora de Jerry Goldsmith. Veja mais aqui, aqui, aquiaqui.


A FENOMENOLOGIA – Influenciado por Brentano, a tradição grega e escolástica, Descartes, Leibniz, o empirismo inglês e o kantismo, o filósofo alemão Edmund Husserl (1850-1938), desenvolveu o pensamento fenomenológico, conceituado como o processo que consiste em por entre parênteses, em epokhê, a existência dos conteúdos da consciência, ou das vivências, e também do eu, enquanto sujeito psicofísico ou suporte existencial da consciência, assim reduzida ao eu puro, ou transcendental. A redução eidética, por sua vez, reduz as vivencias à sua essência (êidos), objetos ideais que não se acham na mente, hipótese psicológica, nem no mundo platônico das ideias, hipótese metafisica, nem na inteligência divina, hipótese teológica. Tais objetos de ideais, são significações, alheias ao tempo e ao espaço, de validade permanente. Veja mais veja mais aqui, aqui, aquiaqui.


A UMA SENHORA – Em uma coletânea de Sonetos Brasileiros (Briguiet & Cie, 1913), está registrado entre as obras do poeta brasileiro da Arcádia Romana, Basílio da Gama (1741-1795), o soneto A uma senhora: Na idade em que eu brincando entre os pastores / Andava pela mão e mal andava, / Uma ninfa comigo então brincava / Da mesma idade e bela como as flores. / Eu com vê-la sentia mil ardores. / Ella punha-se a olhar e não falava; / Qualquer de nós podia ver que amava, / Mas quem sabia então que eram amores ? / Mudar de sitio à ninfa já convinha, / Foi-se a outra ribeira; e eu naquela / Fiquei sentindo a dor que n'alma tinha. / Eu cada vez mais firme, ela mais bela; / Não se lembra ela já de que foi minha, / Eu ainda me lembro que sou dela !... Veja mais aqui, aquiaqui e aqui.

CYRANO DE BERGERAC – A comédia heroica em cinco atos Cyrano de Bergerac, do poeta e dramaturgo francês Edmond Rostand (1868-1918), baseada na vida do escritor e mosqueteiro francês Hector Savinien de Cyrano de Bergerac (1619-1655), que era possuidor de um grande nariz e famoso por ser um herói romântico na senda de Dom Quixote, combatendo a covardia, a estupidez e a mentira. A sua vida tinha por meta a defesa dos fracos e oprimidos, bem como dos amantes infelizes e dos amigos humilhados. Acontece que ele era apaixonado pela sua prima, a bela Roxana, moça inteligente mas um pouco pedante, que gosta de coisas ditas de maneira arrebata e sutil, com elegância e originalidade. Além de Cyrano, por ela suspirava o jovem Cristiano de Neuville, porem pouco brilhante ao lidar com as palavras. Cyrano não tem a menor esperança de um dia conquistar a formosa prima, que não o vê senão como um bom amigo e terrivelmente feio. Já que não pode ser feliz com a amada, ele resolve fazê-la feliz com outro, por saber que a moça não é indiferente ao rapaz: ela apenas espera dele uma demonstração de brilhantismo verbal para cair em seus braços. A peça foi transformada para o cinema pelo cineasta Jean-Paul Rappeneau, em 1990, com roteiro do diretor e de Jean-Claude Carrière e música de Jean-Claude Petit. Destaque no filme para a atriz francesa Anne Brochet. Veja mais aquiaqui e aqui.



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Parece que foi ontem ser pai no aniversário da filha, a literatura de Erza Pound, Enterrem meu coração na curva de um rio de Dee Brown, a música de Percorso Ensemble & pintura de Fernand Khnof aqui.

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A correnteza do rio me ensinou a nadar, A flor azul de Penelope Fitzgerald, A juventude e as tecnologias de Beatriz Polivanov e Vinicius Andrade Pereira, Intereções e redes na sociedade de Denise Najmanovich & Elina Dabas, a música de Karlheinz Stockhausen & Suzanne Stephens, a arte de Yayoi Kusama & Robert Rauschenberg, a coreografia de Anita Berber, a arte de Otto Dix & Sue Halstenberg, Palmares & Rio Una aqui.
O amor todo dia e o dia todo, O homem ativo & o intelectual de Antonio Gramsci, a literatura de Samuel Rawet, A dialética do concreto de Karel Kosik, a música de Madeleine Peyroux, a fotografia de Rory Banwell, a arte de Luciah Lopez, a pintura de Serge Marshennikov & Amélia Toledo aqui.
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terça-feira, dezembro 02, 2014

RONELDA KAMFER, ALEXANDRA MARININA, LÍDIA JORGE & EKATERINA SAMUTSEVICH

 


DIAS DE ESPERA – Esperava ele impaciente pelo retorno da vizinha com notícias de uma prima distante que morava nos cafundós de Judas, quinhentas léguas adentro do inferno afora e uns catombos a mais. Ao contrário, era o marido dela, estranho de sempre, ali peiticando com suas manias esquisitas às insatisfações disso ou daquilo, principalmente reclamando da sua esposa que saíra sem dizer nada e, ainda por cima, soube que ela se indispusera um dia desse, com uma moça da loja da esquina, a ponto de puxarem cabelos e arrancarem as saias, um escândalo e com um montão de gente testemunhando o pandemônio. Que coisa! Acontece que a comerciária indigesta era parente duma malvada tranca-rua, daquelas de descer dos tamancos e fechar o quarteirão num escarcéu de gasguita sem precedentes. Indubitavelmente chegaria toda encrenqueira, puxando seu marido pelas arreatas das calças, aquele tocador de clarinete que só fazia número ao seu lado, vez que se fazia de desentendido pelo tumulto da famigerada consorte frutiqueira, alheio a tudo e reduzido ao seu mutismo perturbador. Pense numa bronca! Esta megera era capaz de ameaçar sua esposa com um despacho de catimbó dos bem-feitos, daqueles de enfiar o nome na boca costurada dum sapo cururu bem raçudo, acrescentando de todos os azares de pedras jogadas no telhado e vidraça da sua santificada residência com malefícios aziagos, domicílio este, aliás, tido por ele mesmo como o mais invejado por todos da comunidade, por ser contrito fiel de domingo a todos os dias de joelhos no culto evangélico ruidoso da vizinhança e, ainda, por ser a mais aquinhoada moradia entre todos dali. Era só de intrigas e disse-me-disse sem fim e a vizinha não aparecia com as notícias da prima distante que, suspeita-se, pinotou pros estrangeiros depois de um escandaloso namorico, com um certo agenciador de finanças virtuais, que andara vitimando tantos crédulos com propostas de investimentos lucrativos e, no final, gorara o negócio da China, deixando-o com nome malquisto na praça, estampado nas maledicências do noticiário popular de pé de ouvido e xingamentos despudorados dos costumeiros investidores lesados que ambicionavam amealhar fortunas inesperadas. Bem feito! É certo, dizem fuxiqueiros, que a coitada prima foi pras lonjuras por estar pressionada a pagar o pato ao opróbrio popular, sendo cobrada dia e noite pelo que fez seu desavergonhado namorado. Ah, logo ela que já fora tão simpática aos seus afetos, a ponto de se tornar uma paixão recolhida de décadas e mantida em segredo embaixo de sete chaves no seu coração. O pior: a vizinha não dava sinal de vida e o seu marido chato-de-galocha não parava o badalo, atormentando seu juízo com litígios das suas escaramuças com o dono da padaria e mais um monte de gente, como o garçom do bar da outra rua, o gerente da loja de frente, o mecânico da oficina do outro lado, o caixa do banco dali de perto, o chefe do clube do bairro e um tanto de outros desafetos que colecionava, encolerizados com sua antipática pessoa. Era um desassossego ter de aguentar aquela ladainha toda, logo ele que morria de saudades da vulnerável família deixada no povoado de seus ancestrais, para cair no mundo e parar naquela insuportável situação. Era o que dava: esperar. E se nutria desta expectativa porque era refém do passado e deixara mãe e filhos no campo por conta de ameaças de morte alardeada pelo mandão que reivindicava suas terras e, para evitar o pior e ser tornar gente na vida, zarpou dali com uma mão na frente e outra atrás, para sobreviver pendurado numa periferia de cidade mais ou menos grande, sem parente nem aderente por perto, sem ter quem socorra ou minimize sua solidão de noites e dias acumulados de constrangedora miséria, a ponto de dali sequer poder arredar os pés por conta das dívidas do aluguel, da caderneta na mercearia, da valsa no crediário e de tudo que tolhia sua existência mantida pela desgraça e ter que enfrentar todos sem um mínimo gesto a favor. Não fosse isso a vida seria um paraíso, mesmo tendo que acordar todo santo dia, esperar condução sempre cheia, levar esporros do patrão, segurar o emprego como podia e obrar o milagre de se sustentar com um salário mínimo que se acabava, toda vez, dez dias antes do fim do mês, tendo que se virar com bicos e outras informais aptidões, como a que dependia daquela vizinha para saber notícias da prima e receber dela o trocado acertado pelo conserto que fizera arranjando no seu automóvel que pifara e não queria funcionar. Esperava também com as graças dos céus por dias melhores, apostava nisso dia sim e outro também, a sorte grande bater-lhe à porta e dali mudar voltando pródigo pro convívio dos seus, como um vencedor laureado. Assim sonhava a todo instante de olhos abertos, devaneava esperançoso. Era mais um dia de aguardamento e resignação. E a vizinha não dava as caras, já era para ter regressado para aliviá-lo. Já estava impaciente e olhava prum lado e outro, conferia os ponteiros do relógio, o tempo passava e aguentava o tanto além do que podia. Ao invés disso, era o marido dela no maior teitei, ô biziga dos mil demônios piorando o seu dia, a paciência nos limites, um dia a mais entre outros tantos que viraram semana e até meses sem fim, mais de ano, por certo, no meio das últimas décadas iguais de espera desde que saíra de casa e enfrentava o mundo naquele confim e expectava, assim, quem sabe, um dia tudo mudasse porque precisava da paz perdida, esperançava. E como esperava... Veja mais aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - É estranho quando você é inocente, você deveria pedir perdão ao juiz que está pronto para prendê-lo por vários anos? Não, isso nem foi discutido... As punições contra nós nos mostraram que conseguimos... Sou feminista e defensora do direito das mulheres à autodeterminação. Quero uma sociedade em que as mulheres possam expressar as suas opiniões políticas. Mostrámos que mulheres como nós podem realizar atos de coragem. Ao fazê-lo, estamos a destruir a imagem predominante das mulheres na Rússia. Não somos o sexo fraco. Nem sempre ficamos apenas sentados em casa, cozinhando e cuidando das crianças. Pensamento da ativista política russa Ekaterina Samutsevich (Yekaterina Stanislavovna Samutsevich), membro do Pussy Riot, grupo de punck rock anti-Putinista. Em 17 de agosto de 2012, ela foi condenada por vandalismo motivado por ódio religioso por uma apresentação performática na Catedral de Cristo Salvador, Moscou, denunciando as ligações da igreja com o poder de Putin, sentenciada a dois anos de prisão. Foi reconhecida como presa política pela União de Solidariedade aos Presos Políticos e pela Amnistia Internacional. Ela foi libertada com pena suspensa por um juiz de apelações de Moscou, em 10 de outubro de 2012, após um argumento de seu advogado de que ela havia sido parada por guardas da catedral antes que pudesse tirar seu violão do estojo. Nos anos após sua libertação, ela desapareceu dos olhos do público e se manteve discreta, mudando regularmente seu endereço de e-mail e número de telefone. As sessões do tribunal contaram com a presença de seu pai, Stanislav Samutsevich, com quem ela morava antes de sua prisão, que afirmou estar "orgulhoso de quão firme e preparada ela está para enfrentar a punição em vez de trair suas crenças". Ela também é membro do coletivo Voina, desde 2007.Em 2010, Samutsevich estava entre os ativistas Voina que tentaram libertar baratas vivas no Tribunal de Tagansky. Mais tarde, ela foi processada no mesmo prédio por envolvimento na "oração punk" do Pussy Riot. Ela também participou de uma série de ações, Operação Kiss Garbage , de janeiro a março de 2011. Este protesto incluiu mulheres beijando policiais nas estações de metrô de Moscou e nas ruas. Foi principalmente um protesto antigovernamental, mas também polêmico.

 

ALGUÉM FALOU: A escrita é redentora. A escrita faz com que o autor, independentemente do reconhecimento, tenha uma história de vida magnífica. A ortografia não é uma pele artificial da expressão verbal, é uma estrutura profunda que se revela na imagem grafada... Só onde não há amor não há culpa... Pensamento da escritora portuguesa Lídia Jorge. Veja mais aqui e aqui.

 

O SONHO ROUBADO - [...] Todos os coros são diferentes, mas são pós-pvat de acordo com origens diferentes. Muitos de nossos problemas foram causados ​​por tova - opitvame eis que medimos outros coros com suas próprias medidas. [...] E com o mesmo temor e breve momento, o sinal sonoro de tudo limpo soou. [...] É prejudicial e está mais vivo, está morrendo por causa disso [...]. Trechos extraídos da obra El sueño robado (Booket, 2001), da escritora ucraniana Alexandra Marinina (Alekseyeva Marina Anatolyevna), autora dos livros A Face Radiante da Morte (Geração, 2003), O Dono da Cidade (Editorial Presença, 1999), Sonho Roubado (Editorial Presença, 2002), No Segredo dos Mortos (Editorial Presença, 2004) e Os Últimos Morrem Primeiro (Editorial Presença, 2004).

 

DOIS POEMAS - ONDE EU FICO - Agora estou sentado em volta da mesa com os inimigos dos meus antepassados \ Eu aceno e saúdo com consideração, \ mas \ em algum lugar no fundo \ eu sei onde estou \ Meu coração e cabeça estão abertos \ e como pessoas bem-educadas \ rimos e comemos juntos \ mas \ em algum lugar no fundo \ eu sei onde eu estou. UMA MANHÃ DE SEGUNDA-FEIRA AZUL COMUM - era uma manhã de segunda-feira azul comum \ em algum lugar uma mãe foi identificar o cadáver de seu filho \ eu lavei, escovei os dentes e terminei meu trabalho de biologia \ na geladeira havia um bilhete da minha mãe \ me pedindo para não deixar o breyani muito picante esta noite \ minha irmãzinha estava procurando as meias dela e às sete e meia tranquei a porta da frente \ e escondi a chave no lugar de costume \ do café comprei dois cigarros soltos \ e os escondi na minha meia \ na esquina da Wildflower com a Rose Street \ uma garota fez piadas com ela futuros assassinos \ na minha cabeça Dylan Thomas gritou \ não seja gentil naquela boa noite, raiva, raiva contra a morte da luz\ na aula de educação sexual minha melhor amiga grávida começou a sangrar \ lá fora na rua alguns tiros soaram. Poemas da poeta sul-africana Ronelda Kamfer, autora de obras tais como Noudat slapende honde (2011) e grond/Santekraam (2011)

 

A PSICOLOGIA E A FENOMENOLOGIA DE EDMUND HUSSERL - O filósofo e matemático alemão Gustav Albrecht Edmund Husserl (1859-1938) foi o fundador da fenomenologia. Ele estudou nas universidades de Leipzig, de Berlim e de Viena, iniciando a carreira de professor em 1883, abandonando o posteriormente e se dedicando a escrever seus ensaios. Quando ele morreu em 1938, em Freiburg, deixou uma vasta gama de ensaios que foram posteriormente reunidos como Arquivos Husserl. O método de investigação filosófica denominado de fenomenologia foi formulado, segundo Cotrim (2006), por Edmundo Husserl, com desenvolvimento na matemática, psicologia e na filosofia. Esse método consistia na observação e descrição rigorosa do fenômeno, analisando como se forma o campo da experiência humana. Acrescenta Rafaelli (2004) que essa filosofia propunha um caminho paralelo entre a fenomenologia e a psicologia. A fenomenologia, conforme Chauí (1980), Goto (2013) e Moreira (2010), encontra-se embasada na analise de manifestação da experiência, considerando a forma (noesis) os atos e como o sentido dado pela sensibilidade ao objeto apreendido; a matéria (a hýle) como os dados sensíveis; e a noema como o significado ideal da coisa e aquilo que é visado pelos atos. Assim, conforme expresso por Chauí (1980), a fenomenologia é a disciplina que fundamenta a lógica, estudando as essências da região da consciência, suas estruturas e atos, tornando-se, por isso, eidética. Nesse sentido, a eidética procura essências ou significados, sendo, pois, a investigação que define a essência e estrutura necessária ao estudo do objeto. Acrescentam Padovani e Castagnola (1978, p. 479) que: O papel da fenomenologia é unicamente o de conhecer e descrever o mundo eidético (o mundo das puras essências universais contidas nos dados = fenômenos), prescindindo de todos os elementos referentes ao sujeito psicológico, à existência individual, à subjetividade empírica.  [...] pode servir à metodologia da ciência, à lógica matemática e harmonizar-se com algumas teorias próprias do Neopositivismo [...]. Foi na sua obra Investigações Lógicas (1900-1901) na qual ele definiu sua filosofia como a análise da experiência que está por trás de todo o pensamento formal. É nela onde aparecem os primeiros sinais do método fenomenológico que se envolveu com as questões clássicas da filosofia desde Descartes, quando Husserl travou uma discussão da obra do filósofo francês: Meditações Cartesianas. A partir disso, a fenomenologia passa a servir de fonte para vários filósofos, em especial aos ligados ao existencialismo, chegando-se, inclusive, a se falar de uma sociologia, uma psicologia e uma teoria literária fenomenológicas. Isto porque o método voltou-se principalmente para as artes, nas quais proporciona um novo modo de consideração das obras artísticas. Depois, lança as bases sólidas da teoria da fenomenologia. A partir de uma revisão na literatura, há que se entender, antes porem, que a Fenomenologia é uma corrente iniciada por Husserl (1980), ao pretender o estabelecimento de um método de fundamentação da filosofia e da ciência, baseada no conceito de fenômeno, ou seja, aquilo que é percebido pela consciência, no sentido de proceder a investigação da vida perceptiva, defendendo que a percepção tona possível a consciência dos objetos do mundo, como o juízo, a memória e os atos subjetivos. Estes, segundo ele, podem ser submetidos ao exame pela faculdade superior da consciência, entendia pelo autor como o eu transcendental, que é responsável pela síntese que torna possível a apreensão de objetos. Muitas transformações ocorreram no pensamento fenomenológico até chegar em reorganizações conceituais que redundaram na formulação programática feita por Husserl no começo do século XX, quando, conforme Lyotard (1986), Critelli (1996), Giles (1989) e Martins e Dichtchekenian (1984),  a fenomenologia tornou-se mundialmente bem–aceita e tem influenciado discussões teóricas até hoje; ela introduziu uma forma prática no domínio teórico da filosofia, assim como no campo das ciências humanas e naturais. A partir das investigações lógicas de Husserl, segundo Salanskis (2006), ficou estabelecido por ele que a investigação deve ater-se ao modo como as coisas aparecem ao homem, como ele unifica a multiplicidade de aparições e como projeta significações sobre os objetos percebidos. Para o fenomenólogo, não existe a consciência pura, mas sempre a "consciência de alguma coisa". Esse conceito, fundamental para a fenomenologia, é chamado de intencionalidade. Além disso, a atenção dispensada ao olhar, à percepção, à imaginação, às coisas e ao outro faz o método fenomenológico ir além das fronteiras da filosofia. A fenomenologia faz uso de uma série de instrumentos metodológicos próprios que possibilitam a análise criteriosa dos fenômenos. Um deles é a redução, dividida nas seguintes modalidades: a epoché, a redução eidética e a redução trancendental. O termo epoché vem do grego e significa estado de dúvida. Consiste na suspensão do juízo a respeito de qualquer opinião; com o propósito de buscar unicamente os fatos, "pomos fora de ação a tese geral própria da atitude natural e pomos entre parênteses tudo o que ela compreende". Para ilustrar o método referido, tomemos o exemplo de como uma cor é percebida: a experiência pessoal da cor é o fenômeno puro, que se atinge mantendo-se em suspensão os dados científicos a respeito da composição da cor e os dados advindos da comparação com outras cores. A partir da leitura de Chauí (2002), observa-se que a atitude natural, segundo husserl, compreende a aceitação do mundo em que vivemos, formado de coisas, bens, valores, ideais, pessoas, conforme ele nos é dado.A fenomenologia pretende se desvencilhar dassa atitude natural, por meio de um questionamento radical sobre o modo de existência do mundo, que consistiria no ponto inicial da pesquisa filosófica. A redução eidética analisa a apresentação do objeto a nossa á nossa (representação) de forma pura, prescindindo da existência do sujeito que conhece, assim como do objeto conhecido. Trata-se da forma do objeto no espírito, ou seja, trata- se de analisar a representação sem levar em conta o âmbito psicológico.Tomando como exemplo uma planta, podemos afirmar que, levando a cabo tal redução, os seus componentes básicos seriam a cor, as formas que a compõe e a textura. Na redução transcendental, o fenomenologista considera apenas o que foi imediatamente apresentado á consciência; todos os outros elementos, Husserl sugere que sejam excluídos do julgamento. Retomando o exemplo da cor : uma página impressa em verde é apenas verde, não é feita da mistura de amarelo e azul, que é um dado cientifico. O interessante de Husserl está na cor como fenômeno pessoal e subjetivo, que depende de fatores complexos, como as diferenças de concepção dos sentidos. O que é mais relevante para os defensores da fenomenologia é aquilo que pode ser experimentado pelos sentidos. Depois de realizada a redução, o que resiste é o individuo efetivamente sabe e passa a conhecer, transcendendo os dados científicos: é o que se designa resíduo fenomenológico. Vê-se, portanto, que Husserl contribui para a filosofia com a formulação rigorosa e estruturada de um método fenomenológico, que propõe estudar o objeto do conhecimento de forma livre e pura, para alcançar a sua essência. Em outras palavras, a fenomenologia procura tratar do que é dado imediatamente como conteúdo conhecido, sem abordar as possíveis implicações e desdobramentos, que pertencem a uma construção posterior do saber. Assim, no processo de conhecimento, ou seja, na relação que se estabelece entre o sujeito e o objeto, Husserl distingue os seguintes elementos fundamentais : a noésys ("forma"), a h ‘yle ("matéria") e o nóema ("conceito"). A noésys consiste no pensamento considerado um evento psíquico individual; é o conteúdo subjetivo do pensamento que confere sentido ao objetivo conhecido.A h’ yle trata do dado sensível, do contato físico com o objeto, que em si mesmo não comporta nenhum significado, a não ser quando alcançado pela noésys.Por fim, temos o nóema ,totalmente distinto do objeto físico. É com isso que Husserl (1980) faz uma distinção entre o pensamento como um evento psíquico individual (noese,ou faculdade do pensar ou inteligência ) e o pensamento como conteúdo ( noema, ou pensamento, intenção).Na operação 2 + 2 = 4 existe uma atividade de natureza psíquica, ao mesmo tempo que há um conteúdo pensado, que se expressa no conteúdo de sentido ideal independentemente do sujeito pensante.Esse segundo sentido revela que a estrutura da consciência é intencional e conduz o sujeito na direção do objeto pensado. O filosofo distinguiu a essência, entendida como a parcela ideal de significação do objeto, dos aspectos que constituem a nossa experiência, ou seja, do que designou como conteúdo objetivo do pensamento.Portanto, no seu método de análise do fenômeno, a essência é a sua dimensão mais relevante. Segundo Husserl (1980) existe uma intuição da essência, que é o ato ideador , uma espécie de apreensão imediata da essência juntamente com o fenômeno ; desse modo, conheceríamos o fato e sua essência, simultaneamente. O conhecimento ocorreria por semelhanças, que é própria da essência e não da existência; para Husserl (1980), pensar é, antes de tudo pensar na essência. O passo seguinte a redução é a análise cognitiva, que consiste na comparação detalhada entre fenômeno, tal como é apresentado á consciência, é a universal do fenômeno. A fenomenologia busca conciliar aquilo que experimentamos com aquilo que supomos saber teoricamente. Há aqui implícita uma diferenciação entre o fenômeno experimentado e o fenômeno apreendido, que Husserl compara com a relação entre a aparência e aquilo que aparenta. Recorrendo mais uma vez ao exemplo da cor com o reconhecimento científico que temos sobre ela. De acordo com Husserl (1980), através da redução, cada sujeito pode tornar-se observador de si mesmo, consciente de si. Assim adquirimos conhecimento e podemos aprender sobre nós mesmos e sobre a nossa volta. Pressupomos a existência de outras pessoas com a mesma capacidade para conhecer, mas é impossível provar que, de fato, elas estejam conscientes de si. Não observamos os pensamentos alheios, vemos apenas as ações do comportamento dos outros. É o que denominamos observação da "coisa" enquanto fenômeno. Assim, da mesma maneira que aprendemos sobre o mundo observando fenômenos externos, aprendemos sobre nós mesmos por meio dos outros. A única forma de observarmos os resultados de nossas emoções e pensamentos é através das respostas das outras pessoas. É a vida no mundo, que Husserl denominou Lebenweslt, e que nos permite ver e experimentar sem as limitações impostas pelas fórmulas e equações do conhecimento científico. Uma coisa é saber que a água é formada por átomos de oxigênio e de hidrogênio, outra bem diferente é ver, sentir, sorver a água. A análise cognitiva nos permite conciliar o conhecimento científico e a observação ; entretanto, só realizamos essa análise quando nos é solicitado, não se trata de um processo involuntário. O filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976) utilizou a fenomenologia em sua maior obra, Ser e Tempo (1927), para estudar a essência do ser, a temporalidade e o sujeito sempre em um contexto. Os filósofos franceses Jean-Paul Sartre e Maurice Merleau-Ponty (1908-1961) usaram o método para o estudo das estruturas da percepção, da consciência e da imaginação. Para Chauí (2002), o filosofo privilegia a consciência reflexiva ou o sujeito do conhecimento, isto é, afirma que as essências descritas pela Filosofia são produzidas ou constituídas pela consciência, enquanto um poder para dar significação à realidade. HUSSERL E A PSICOLOGIA - Conforme Chauí (1980), o filósofo que se autodenominava neocartesiano, entende a psicologia como uma teoria do conhecimento, demonstrando tratar-se de uma descrição do comportamento do sujeito na atividade de conhecer. Já a fenomenologia é uma descrição da estrutura especifica do fenômeno como um fluxo imanente de vivências que constitui a consciência e também a descrição da estrutura da consciência enquanto constituinte, sendo, pois, a condição a priori do conhecimento. Pretendia Husserl (1980) que a psicologia se aproximasse e se mantivesse próxima da fenomenologia na análise e estudo da consciência, entendendo que a consciência empírica é o que interessa para a psicologia, enquanto que a consciência pura interessa à fenomenologia. A consciência, para Husserl (1980), é uma atividade constituída por atos, denominado por ele de noesis, e que envolvem a percepção, imaginação, volição, paixão, entre outras. Em vista disso, a fenomenologia, no dizer de Husserl (1980) é a ciência fundamental para todas as coisas. Assim, para ele, a psicologia possui por objeto o estudo do ser humano em seu mundo. Com isso, ele concebeu a Psicologia Fenomenológica com o objetivo de tratar da vida interior, descrevendo as estruturas psíquicas na busca do fundamento para a subjetividade. Suas ideias tornaram-se importante para a psiquiatria e psicologia clinica, requerendo a subjetividade como fonte originária da vida humana. Para Husserl (1980), a psicologia fenomenológica é uma ciência a priori e universal da vida anímica, que se ocupa exclusivamente das estruturas internas entendidas por ele como as estruturas subjetivas puras, ou estruturas proto-originárias da própria vida. Desse modo, observa Goto (2007, p. 187) que, para Husserl “[...] a psicologia não deve se ocupar de experiências externas como faz a psicologia científica, seguindo o modelo da física e da fisiologia, mas ao contrário, deve orientar-se exclusivamente para a vida interna, experiência anímica interna, constituídas pelas vivencias intencionais”. Ao criticar a metafísica e o positivismo, conforme Fonseca (2014), Husserl constituiu uma abordagem ontológica e epistemológica fundamentada na vivência da consciência pré-reflexiva do sujeito cognoscente correlacionado intrinsecamente com o mundo. Por conta disso, contribui diretamente com a psicologia e com a psicoterapia trazendo alternativas aos modelos comportamentais e psicanalíticos. A crítica de Husserl, segundo Raffaelli (2004) e Silva (2009), é contra o positivismo científico que se inseriu na Psicologia e de que esta não possui nenhuma necessidade das ciências da natureza, podendo trilhar seu próprio caminho na compreensão do ser humano e isso por meio da investigação transcendental psicológica. De acordo com o pensamento do filósofo, entende Silva (2009) que a Psicologia deve se voltar para a subjetividade como seu próprio objeto. Dessa forma, o filósofo fazia restrições aos sistemas psicológicos da época, inclusive a Gestalt por desconsiderarem a consciência como fenômeno originário dos processos psíquicos. Há que considerar que a Gestalt foi fundada por alunos de Husserl e foi o sistema psicológico que mais se aproximou dos seus ideais, consagrando-se ao estudo experimental da percepção humana, relacionando a experimentação com a interpretação fenomenológica. A psicologia, segundo Goto (2013), foi a maior tributária das ideias fenomenológicas, permitindo a constituição de seu método e fundamento. Com isso, a psicologia se definia no conteúdo e método como uma psicologia apriorística pura ou fenomenológica, embasada na eidética, dirigindo-se genuinamente à vida psíquica em si mesma e a suas estruturas. O filósofo, segundo Fonseca (2014), inspirou-se nas propostas psicológicas de Franz Bretano, buscando captar a essência mesma das coisas, descrevendo a experiência tal como se processa de modo a que se atinja a realidade tal como ela é. A tarefa efetiva da fenomenologia está em analisar as vivências intencionais da consciência para perceber como aí se produz o sentido dos fenômenos, o sentido desse fenômeno global que se chama mundo. Por isso, ela busca ultrapassar as experiências reais, atendo-se aos elementos ideais, considerados como a essência da experiência. A influência da fenomenologia husserliana, no dizer de Fonseca (2014) contribuirá diretamente para a criação de um conjunto de abordagens psicológicas e psicoterápicas originais, incluindo-se, nessa reunião, a Gestalt de Kohler, Koffka e Wertheimer. Em vista disso, é a Gestalt que desenvolverá uma psicologia fenomenológica. Assim sendo, observa-se que a fenomenologia husserliana vai se tornar fundamento epistemológico e metódico para a psicologia no que concerne à introdução da subjetividade no seu contexto, permitindo que haja um avanço na constituição do objeto psicológico na criação do conhecimento psicológico. Vê-se, pois, que não só contribuiu para a Filosofia, como para Psicologia Terapêutica. Veja mais aqui e aqui.

REFERÊNCIAS
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______. Husserl. In: HUSSERL, Edmund. Investigações lógicas: elementos de uma elucidação fenomenológica do conhecimento. São Paulo: Abril Cultural, 1980.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da filosofia: sistema e grandes temas. São Paulo: Saraiva, 2006.
CRITELLI, D. M. Analítica do sentido: uma aproximação e interpretação do real de orientação fenomenológica. São Paulo: EDUC Brasiliense, 1996.
FONSECA, Afonso. Apontamentos para uma histórica da psicologia e psicoterapia fenomenológico-existencial organísmica – dita humanista. Disponível em http://www.apacp.org.br/wp-content/uploads/2012/03/art063.html. Acesso em 10 mar 2014.
______. A experimentação psicológica e o experimental na tradição da psicologia fenomenológica de Bretano. Disponível em http://www.apacp.org.br/wp-content/uploads/2012/03/art040.html. Acesso em 14 mar 2014b.
GILES, Thomas Ranson. História do Existencialismo e da Fenomenologia. São Paulo: EPU, 1989.
GOTO, Tommy. A (re)constituição da psicologia fenomenológica em Edmund Husserl. Campinas: PUC, 2007.
______. Fenomenologia e psicologia: a constituição da psicologia fenomenológica em Edmundo Husserl. V Congresso de Fenomenologia da Região Centro-Oeste, maio 2013.
HUSSERL, Edmundo. Investigações lógicas. São Paulo: Abril Cultural, 1980.
_____. A Ideia da Fenomenologia. Lisboa: Edições 70, 1986.
LYOTARD, J.-F.. A fenomenologia. Lisboa: Edições 70, 1986.
MACHADO, Luiz Alberto. Hurssel & a fenomenologia. Tataritaritatá. Disponível em http://blogdotataritaritata.blogspot.com.br/2013/03/husserl-fenomenologia.html. Acesso em 14 mar 2014.
MARTINS, Joel e DICHTCHEKENIAN, Maria Fernanda S.F. Beirão. (Orgs.) Temas Fundamentais de Fenomenologia. São Paulo: Moares, 1984.
MERLEAU-PONTY, M.. Ciências do homem e fenomenologia. São Paulo: Saraiva, 1973.
MOREIRA, Virginia. Possíveis contribuições de Husserl e Heidegger para a clínica fenomenológica. Psicologia em Estudo, vol. 15, nº 4, Maringá, out/dez, 2010.
PADOVANI, Umberto; CASTAGNOLA, Luís. História da filosofia. São Paulo: Melhoramentos, 1978.
RAFAELLI, Rafael. Husserl e a psicologia. Estudos de Psicologia, vol.9, nº2, Natal, mai/ago, 2004.
SALANSKIS, Jean-Michel. Husserl. São Paulo: Estação Liberdade, 2006.
SILVA, Fernando. Fenomenologia e psicologia: uma relação epistemológica. Psicologia Em Foco, vol. 2 (1), Aracaju, jan./jun 2009.


PROGRAMA TATARITARITATÁ – O programa Tataritaritatá que vai ao ar todas terças, a partir das 21 (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação desta terça aquiLogo mais, a partir das 21hs, acontecerá mais uma edição do programa Tataritaritatá – agora com 2 horas de duração -comemorando os mais de 410 mil acessos do blog, apresentação da querida Meimei Corrêa e com as seguintes atrações na programação: Maria Callas, Toninho Horta, Lenine, Rildo Hora, Luiz Vieira, Accioly Neto, Martinho da Vila, Seu Jorge & Caetano Veloso, Beth Carvalho, Leila Pinheiro, Petrúcio Amorim, Santana o Cantador, Juareiz Correya, Mazinho, Ozi dos Palmares, Marcelo Café, Nelly Furtado, Zenima, Britney Spears, Paulynho Duarte, Fundo de Quintal & muito mais! Veja mais aqui.

SERVIÇO:
O que? Programa Tataritaritatá
Quando? Hoje, terça, 02 de dezembro, a partir das 21hs
Onde? No MCLAM 
Apresentação: Meimei Corrêa


O BACANAL DO BOECHAT – Aproveitando o embalo do desabafo do jornalista Ricardo Boechat na manhã desta segunda-feira, uma constatação: pagar a gente paga todos os patos e nem que seja na marra ou subliminarmente, também todos os impostos. Se há sonegação é porque tem barnabé que ao invés de autuar e fazer vingar a lei (que são tantas por sinal, valha-me!), prefere contribuir para disfunção burocrática e, pior que isso, dificulta todo acesso chantageando o contribuinte para cair com a espórtula institucionalizada nesse nosso Brasilzão véio, arrevirado e de porteira escancarada. E se a gente precisa do Judiciário, somos pessimamente atendidos, mesmo sendo requerentes de Justiça e contemplados com todas as garantias fundamentais consagradas constitucionalmente, afora sermos intimidados para ficarmos obedientes e resignados com a plenitude da injustiça. Precisamos do Legislativo, só somos bem recepcionados em época eleitoral, afora isso, ninguém nunca acha ou é atendido por um vereador, deputado ou senador que sequer quer saber da tragédia das nossas comunidades. Precisando do Executivo, piormente somos pendurados nas filas de espera para nos decepcionar na hora de nunca vermos atendido o que pleiteamos e, quando atendidos, só depois de meses e meses a rogar pela boa vontade. Desprotegidos e indignados, vamos adiante, enquanto muitos ficam só de tocaia para participar do bacanal. Vamos aprumar a conversa & tataritaritatá! Veja mais aqui.


DOR DE CABEÇA - Sentir dor de cabeça com frequência é preocupante em que medida? O que motiva as crises? Em crises de enxaqueca a dor de cabeça é um dos sintomas, há pelo menos outros 60; quais serão? Existem curas para enxaquecas e dores de cabeça crônicas para crianças, adultos e idosos? Para debater este universo, a 15ª edição de “Dr. Maurício Convida: educação + saúde” receberá o médico neurologista Dr. Luiz Antonio M. Moreira para um bate-papo com tricordianos sobre prevenção, diagnóstico e tratamento de dores de cabeça e enxaquecas. ONDE E QUANDO Dor de Cabeça c/ Dr. Luiz Antônio Mendes Moreira (médico neurologista) Data: 04/12 (quin) Hora: 19h00 - 21h45 Local: Escola do Legislativo da Câmara Municipal. Acesso: livre e gratuito, local com acessibilidade: *Av. Quinto Centenário do Brasil, 1010 – Santa Tereza – prédio anexo ao da Câmara Municipal. (Info: Meimei Corrêa). Veja mais aqui.


JACQUES DEMOLAY E O FIM DA ORDEM DO TEMPLO – Acontecerá no próximo dia 6 de dezembro, a partir das 20:30hs, no Teatro da EsSa, em Três Corações (MG), a apresentação da peça teatral Jacques DeMolay e o fim da Ordem do Templo, um espetáculo instigante e dramático apresentado pelo ator John Vaz. Imperdível (Info: Meimei Corrêa).


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