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quarta-feira, janeiro 28, 2015

ANJA SNELLMAN, JUDY CHICAGO, FRANCESCA WOODMAN & C. J. CHERRYH

 


FRANCESCA, AVIS RARA - Ela nasceu em Denver e cresceu em Boulder, pais artistas – ele fotógrafo-pintor, ela ceramista, a arte por religião. Foi para a escola pública e interrompeu os estudos para seguir com a família para a Itália. A partir de então os verões em Antella. Aos treze anos, no ensino médio do internato de Massachusettes, a câmera à tiracolo, presente do pai e o seu autorretrato desfocado desafiando o usual: os cabelos cobriam-lhe o rosto e ao seu redor fragmentos – uma atmosfera mística, uma porta, uma cadeira vazia, o jogo de luz e a escuridão. Mudou-se para Providence estudando na Rhode Island School of Design, morando num estúdio industrial. Era leal e intensa, já protestava contra os limites opressivos de sua vida. A estudante se formou e foi morar em Roma. Como uma egocêntrica teimosa se insinuava extremamente motivada pela abertura da nudez: encostada à parede na Space2, entre duas janelas de um prédio abandonado, aprisionada em sua desintegração na sala vazia: Quem sou eu? O retorno e On Being an Angel – Providence, e ela flutuava e expondo o peito e os ombros nus, olhando pra mim, uma frustração agressiva como se fosse uma condenada que perdera o céu para sempre. Dizia o indizível ao desenvolver diazótipos em papel e teve então um relacionamento romântico fracassado, mantinha-se ativa com seu incrível carisma: uma mariposa a voar ao redor da chama de uma vela. E lá estava ela entrelaçada com as raízes de uma árvore na frente de lápides, seu corpo nu imerso na água fazia contraste com as sombras, suas pernas serpenteavam porque ela era Eva que se fez Daphne para ser Ophelia perseguindo o fruto proibido entre a vida e a morte. Depois saltava no ar com suas asas feitas de lençóis brancos suspensos, tentava levantar voo surrealista por uma Roma barroca para encontrar-se a si própria. Ou mesmo puxando os cabelos para desafiar a gravidade, uma torre que se fez do seu longo vestido preto, encostada à parede de um salão vazio para sua força engrandecedora. Quando não os braços levantados, o rosto virado e suspensa no batente de uma porta para sua crucificação e o limiar entre a vida e a morte, o que era e não. Ela olhava timidamente para baixo, com seus braços envolvidos pelos punhos de bétula e vestida com casca de árvore, expondo a sua alma. Na primavera era a vez do Blueprint for a Temple e ela protegia o rosto envolta por um pano e as mãos cruzadas, tornava-se uma cariátide viva. Trouxe-me o volume do Some Disordered Interior Geometries, inspirado na Nadja de Breton: Essas coisas chegaram da minha avó... me fazem pensar onde me encaixo na estranha geometria do tempo... A frase entre as gravuras e ela nua da cintura para baixo com roupas espalhadas ao redor. Logo o Portrait of a Reputation, que começava vestida com uma única luva e se desnudava contornando uma das mãos aos seios. Depois apenas as impressões de suas mãos na parede, a solidão... É questão de conveniência, estou sempre disponível... As tendências depressivas, malsucedidos, a profundeza emotiva, mais de 800 fotografias, muito vídeos, um olhar atento e aquela jovem prodígio prolífico, estava imersa pela arte com sua sofisticada compreensão e maturidade artística: o seu corpo nu e a realidade circundante. Eram os capítulos da autodestruição definitiva, a vítima trágica da transição entre a infância e o adulto, a aura enigmática: Portraits, Friends, Equations. Os 8 cadernos e sua própria hestória. O talento fatal e a mítica atravessaram seus próprios infernos: sobreviveu a uma tentativa de suicídio e voltou a morar com os pais. Terapias e o amor fracassava, depressão e a recusa de um projeto. Naquele janeiro, era inverno, atirou-se pela janela de um edifício do Lower East Side, Nova York. Seu corpo atingiu o concreto a ponto de desfigurar sua face. Tinha apenas 22 anos, começava a sua lenda e culto. Veja mais abaixo e mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Estou na foto? Estou entrando ou saindo dela? Eu poderia ser um fantasma, um animal ou um corpo morto, não apenas essa garota parada na esquina... Você não pode me ver de onde eu me olho... As coisas reais não me assustam, apenas as que estão em minha mente, sim...  As palavras influenciam-me muito mais do que a política, mas gosto especialmente de frases literárias alusivas e indiretas + metáforas... Gostaria que as palavras fossem para as minhas fotografias o que as fotografias são para o texto de 'Nadia' de Andre Breton. Ele seleciona as alusões e os detalhes enigmáticos de alguns instantâneos bastante comuns e não misteriosos e os elabora em uma história que eu gostaria que minhas fotografias condensassem a experiência. Uso nus em parte num sentido irônico, como os nus da pintura clássica que quero que minhas fotos tenham. uma certa qualidade atemporal, pessoal, mas alegórica, como acontece, digamos, nas pinturas históricas de Ingres, mas gosto do aspecto áspero que a fotografia dá ao nu. Gosto de observar o imediatismo de uma fotografia lutando com 'imagens atemporais' do jeito que faz. digamos, uma fotografia pictorialista... Finalmente consegui tentar me livrar de mim mesmo, da maneira mais organizada e concisa possível. Prefiro morrer jovem deixando várias realizações, algum trabalho, minha amizade com você e alguns outros artefatos intactos, em vez de apagar desordenadamente todas essas coisas delicadas... Essa ação que previ, não tem nada a ver com melodrama. É que a vida que vivo agora é uma série de exceções. Não fui (sou?) único, mas especial. É por isso que eu era um artista... Palavras da fotógrafa estadunidense Francesca Woodman (1958-1981), que ainda escreveu o poema: Sinto como se estivesse flutuando em plasma \ Preciso de um professor ou amante \ Preciso de alguém que arrisque se envolver comigo. \ Sou tão vaidosa e sou tão masoquista. \ Como eles podem coexistir?... Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Uma vez que eu soube que queria ser uma artista, eu me tornei uma. Eu não entendia que querer nem sempre leva à ação. Muitas das mulheres foram criadas sem a sensação de que elas poderiam moldar e moldar suas próprias vidas, e então, querer ser uma artista (mas sem a habilidade de realizar seus desejos) era, para algumas delas, apenas uma fantasia ociosa, como querer ir à lua. Como os homens têm uma história, é difícil para eles imaginarem como é crescer sem uma, ou o senso de expansão pessoal que vem da descoberta de que nós, mulheres, temos uma herança valiosa. Junto com o orgulho, muitas vezes vem a raiva – raiva de ter sido privado de um conhecimento tão significativo. As divindades femininas foram gradualmente ofuscadas ou incorporadas aos atributos de vários deuses masculinos, depois eclipsadas pela ascensão da única divindade masculina que domina a tradição judaico-cristã. Pensamento da educadora, escritora e artista feminista estadunidense Judy Chicago (Judith Sylvia Cohen), que no seu livro Judy Chicago, Beyond the Flower: The Autobiography of a Feminist Artist (Penguin, 1997) expressou: […] Historicamente, as mulheres foram excluídas do processo de criação das definições do que é considerado arte ou autorizadas a participar somente se aceitarmos e trabalharmos dentro das designações tradicionais existentes. Se as mulheres não têm um papel real como mulheres no processo de definição da arte, então somos essencialmente impedidas de ajudar a moldar símbolos culturais. [...] Fui criada em uma casa moldada pelo que pode ser chamado de valores éticos judaicos, particularmente o conceito de tikun, a cura ou reparação do mundo. Fui ensinado a acreditar que trabalhar para alcançar essa transformação é o que a vida é e que as posses materiais são totalmente sem importância. Ainda me lembro do meu pai apontando para todos os livros e registros em nossa casa e dizendo ¨Veja estes, estas são as únicas riquezas que contam [...] e também autora do poema: E então tudo o que nos dividiu se fundirá \ E então a compaixão se casará com o poder \ E então a suavidade chegará a um mundo que é duro e cruel \ E então tanto homens quanto mulheres serão gentis \ E então tanto mulheres quanto homens serão fortes \ E então nenhuma pessoa estará sujeita à vontade de outra \ E então todos serão ricos, livres e variados \ E então a ganância de alguns dará lugar às necessidades de muitos \ E então todos compartilharão igualmente a abundância da Terra \ E então todos cuidarão dos doentes, dos fracos e dos velhos \ E então todos nutrirão os jovens \ E então todos apreciarão as criaturas da vida \ E então todos viverão em harmonia uns com os outros e com a Terra \ E então todos serão chamados de Éden novamente.

 

DEFENSOR - [...] Não é aconselhável espalhar isso de forma tão espessa sobre toda essa situação. [...] A ignorância matou o gato; a curiosidade foi incriminada! [...]. Trechos da obra Defender (DAW, 2002), da escritora estadunidense C. J. Cherryh (Carolyn Janice Cherry), que em outra obra sua, Invader (Daw, 1996), expressa que: [...] Mas seu senso político manteve uma coceira persistente que dizia: A, Dada a ignorância na mistura, a estupidez era pelo menos tão comum na política quanto as manobras astutas; B, A crise sempre atrai insetos; e, C, Inevitavelmente, a parte que tentava resolver um assunto tinha que lidar com a parte mais disposta a explorá-lo. [...]. Já noutra obra, Forge of Heaven (Eos, 2005), ela expressa que: […] Os problemas não vinham apenas em grupos de três: eles reuniam passageiros à medida que avançavam e colidiam violentamente com os transeuntes. [...], afora defender que: Nada é impossível, exceto nunca tentar. Meus mundos são complexos e muitas vezes sugerem mais de uma história. Eu tenho mais medo de pessoas estúpidas. Pessoas estúpidas farão qualquer coisa. Pessoas verdadeiramente inteligentes farão apenas o que for lógico para elas. Veja mais aqui.

 

DOIS POEMASCOMEÇO - Num apartamento vazio \ onde o antigo amante não mora mais \ os gatos ficam perto das paredes \ O novo amante está se mudando hoje \ a luz muda lentamente no teto\ O novo amante bebe água da torneira \ O novo amante abre a janela \ Sem cicatrizes, ainda \ Este é o nosso começo. ARQUIVADO - Anna Karenina e Lolita se encontram em segredo \ comparando suas experiências com homens \ que pedem à Sra. Dalloway para se juntar a elas\ Vamos beber cerveja preta \ com uma perna balançando em cima da outra \ em um café escuro\ Vamos compartilhar histórias, \ confiar uns nos outros com tal abandono \ que o remorso toma conta no dia seguinte, \ uma vontade de rastejar até a estante \ para esquecer o que nunca foi, \ frases que nunca foram ditas, \ apenas um sussurro tímido, um sonho delicado, \ um telefonema cortado. Poemas da escritora, jornalista e psicoterapeuta finlandesa Anja Snellman (Anja Kyllikki Snellman-Orma nascida Kauranen), autora de obra como Sonja O. kävi täällä (1981), Tushka (1983), Kultasuu (1985), Pimeää vão meidän silmillemme (1987), Kiinalainen kesä (1989), Kaipauksen e energian lapset (1991), Ihon Aika (1993), Pelon Maantiede (1995), Syysprinsi (1996), Lauri Árabe (1997), Lado (1998), Paratiisin kartta (1999), Aura (2000), entre outros.

 

SACADOUTRAS

 

A QUEM INTERESSA A TRAGÉDIA DA SECA? – No ano de 1900, Darcy Ribeiro registra uma notícia no seu Aos trancos e barrancos: como o Brasil deu no que deu, a respeito da grande seca que assola a região nordestina: “Grande seca – que se reitera em 1903 e 1904 – castiga o Nordeste, matando, imbecilizando e pondo na estrada multidões de retirantes que, de passagem, roubam cabras e ovelhas, invadem cidades rezando e esmolando. O governo cria frente de trabalho para socorrê-los”. Quem leu a obra de Raquel de Queiroz, O quinze, ficou sabendo o que se deu desses anos de seca, culminando com a grande seca de 1915. Sucessivos anos de seca levaram o jornalista e escritor Antonio Callado a denunciar que: “[...] Os “industriais da seca” se utilizam da calamidade para conseguir mais verbas, incentivos fiscais, concessões de crédito e perdão de dívidas valendo-se da propaganda de que o povo está morrendo de fome. Enquanto isso, o pouco dos recursos que realmente são empregados na construção de açudes e projetos de irrigação, torna-se inútil quando estes são construídos em propriedades privadas de grandes latifundiários que os usam para fortalecer seu poder ou então, quando por falta de planejamento adequado, se tornam imensas obras ineficazes”. A partir disso procurou-se levantar uma bibliografia acerca do tema, encontrando em Renato Duarte um farto material, incluindo Durval Albuquerque Junior, no seu artigo “Palavras que calcinam, palavras que dominam: a invenção da seca do Nordeste” que engrossa o caldo das denúncias acerca das ações dessa indústria nefasta que toma conta do desenvolvimento nordestino. Essa indústria, para Caroline Faria e Conceição Filgueira, é uma herança que aprisiona o Nordeste oriunda da sociedade patriarcal, escravocrata, monocultora, latifundiária e aristocrática do passado colonial, envolvendo fatores econômicos, sociais, raciais e diversas discriminações sérias das desigualdades entre as regiões. Acrescenta Roberto Alves Silva que o drama da calamidade pública ainda se repete nos períodos prolongados de estiagem e das chuvas irregulares: “Os meios de comunicação tratam de dar maior visibilidade aos problemas regionais e de recolocar para a população algumas soluções que poderiam mudar esse quadro. [...] As políticas emergenciais, no entanto, continuaram ocorrendo concomitantes às ações hídricas de combate à seca, sem promover modificações significativas nos determinantes estruturais das calamidades sociais nas secas; [...] Verifica-se que a proposta do “combate à seca e aos seus efeitos”, atualmente em crise, não participa ativamente da disputa tendo em vista que os seus fundamentos negam, explicitamente, os princípios da sustentabilidade”. Afinal, a quem interessa o drama de todo nordestino promovido pela indústria da seca? Vamos aprumar a conversa & tataritaritatá. Veja mais aqui, aquiaqui.
REFERÊNCIAS:
ALBUQUERQUE JUNIOR, Durval M. Palavras que calcinam, palavras que dominam: a invenção da seca do Nordeste. Revista Brasileira de História. São Paulo, ANPUH/Marco Zero, vol. 15, nº 28, pp. 111-120; 1995.
CALLADO, Antonio. Os industriais da seca e os galileus de Pernambuco. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1960.
DUARTE, Renato. Bibliografia da seca do Nordeste. Banco do Nordeste/Universidade do Texas, 2002.
FARIA, Caroline. Industria da seca. InfoEscola/Fundaj, 1994.
FILGUEIRA, Maria Conceição. Eloy de Souza: uma interpretação sobre o Nordeste e os dilemas das secas. Natal : EDUFRN, 2011.
QUEIROZ, Raquel. O quinze. Rio de Janeiro: José Olympio, 1968.
RIBEIRO, Darcy. Aos trancos e barrancos: como o Brasil deu no que deu. Rio de Janeiro: Guanabara, 1985.
SILVA, Roberto Alves. Entre o combate à seca e a convivência com o semi-árido: transições paradigmáticas e sustentabilidade do de senvolvimento. Brasília: UnB, 2006. 

Imagem: Siréne espagnole (1912) do pintor neerlandês Kees van Dongen (1877-1968)

Ouvindo a ópera A flauta mágica, do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), com a Orquestra Sinfônica de Limeira sob a regência de Fernando Barreto, soprano Raíssa Amaral, direção musical de Angelo Fernandes e direção cênica de André Estevez. Veja mais aqui.


APRUMANDO A CONVERSA – Já dizia o escritor latino Sêneca (4aC/65dC): “A virtude não consiste em temer a vida, mas em fazer face às grandes adversidades e jamais voltar-lhe as costas”, trecho esse recolhido pelo filósofo e escritor francês Michel de Montaigne (1533-1592) nos seus Ensaios, acrescentando que: “Na verdade, é fácil menosprezar a morte; o mais bravo é o que saber ser infeliz”. E vamos aprumar a conversa & tataritaritatá!!! Veja mais aquiaqui

O REDONDO UNIVERSO DO POETA E DA POESIA – Abordando sobre a poesia do poeta alemão Rainer Maria Rilke (1875-1926), o filósofo, crítico literário e epistemólogo francês Gaston Bachelard (1884-1962), na sua obra A poética do espaço (Abril, 1978), expressa que: [...] Às vezes existe uma forma que guia e que enfeixa os primeiros sonhos. Para um pintor, a árvore se compõe em sua redondeza. Mas o poeta retoma o sonho mais alto. Sabe que o que se isola se arredonda, toma a figura do ser que se concentra em si. Nos Poemas Franceses de Rilke, isso acontece. Em torno de uma árvore sozinha, meio de um mundo a cúpula do céu vai arredondar-se seguindo a regra da poesia cósmica. [...] É certo que o poeta só tem sob os olhos uma árvore da planície: ele não pensa em nenhuma árvore lendária que fosse só para ele todo o cosmos unindo a terra e o céu. Mas a imaginação de ser redondo segue sua lei; já que a nogueira é, como diz o poeta, orgulhosamente redonda, ele pode saborear a abobada dos céus. O mundo é redondo em torno do ser redondo. E de verso em verso, o poema vai crescendo, aumenta seu ser. A ávore está viva, pensando, voltada para Deus. [...] Aqui, o devir tem mil formas, mil folhas, mas o ser não suporta nenhuma dispersão: se eu jamais pudesse numa vasta coleção reunir todas as imagens do ser, todas as imagens múltiplas, cambiantes que, da mesma forma, ilustram a permanência do ser, a árvore rilkiana abriria um grande capítulo em meu álbum de metafísica concreta. Veja mais aqui, aquiaqui e aqui


A ENCANTADORA BELEZA LUSITANA DE MARIA – Desde que a vi como Anais Nin no Henry & June do Philip Kaufman, a Yvonne de La Tentation de Vénus de Istvan Szabo, a Marta no Huevos de oro de Bigas Luna, no Pulp Fiction de Quentin Tarantino, mais no Porto da Minha Infância, Paraíso Perdido, Retrato de Família, entre outros filmes em que ela desfilou a sua beleza encantadora, que me tornei fã da atriz, cineasta e cantora portuguesa Maria de Medeiros Esteves Victorino de Almeida, ou simplesmente, Maria de Medeiros. Nada mais justo que aqui homenageá-la na campanha Todo dia é dia da mulher. Veja mais aquiaqui.


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O prêmio do amor & Christine Comyn aqui.
Presente de aniversário, Svetlana Ziuzina, Juan Medina & Carla Osório aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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quarta-feira, outubro 17, 2007

YOURCENAR, OLGA BERGHOLZ, HABERMAS, MICHÈLE PETIT, DULCE CRITELLI, MOACIR SANTOS, KEES VAN DONGEN, MELPÓMENE, MOTIVAÇÃO & TRELAS DO DORO

Tamara the painters muse (1913), do pintor neerlandês Kees van Dongen (1877-1968). Veja mais aqui.

DORO REAPARECE COM LOROTA PRONTA - Doro andava sumido mesmo. Hoje foi que vim tomar pé da quizília que o cara estava metido. Vocês não imaginam: ele estava trancafiado na mais infecta cela duma cadeia dessas por ai. Verdade, o sujeito estava jogado no meio duns brucutus malencarados. Começou me contando que a fedentina reinava a ponto dele sentir o cúmulo da miséria bem de pertinho, dizendo: - nunca qui senti arripunação daquela! De uma hora para outra, mudou de panorama. Pois eis que, dois dias depois de se misturar com o lixo humano, ele, de repente, foi transferido para um local limpinho, com direito a atendimento 5 estrelas e, até, acompanhamento médico. Ele desconfiou, mas achou muito salutar estar no bem-bom arrodeado de polícia, médico, enfermeira e atendimento vip. Na hora agá, qual não fora a sua surpresa: - Rapaize, inscapei fedendo. Tava eu na maior bagacêra quano mi mudaru pru céu e num era nada disso. Era o Doro lívido, ainda nervosíssimo e sem conseguir parar quieto num canto. - Foi pru pôco, mermo. Eu quagi qui mi-lasquei-mi todo, inscapuli num sei cuma. - O que houve, Doro? -, indaguei desconfiado. - Minino, negóço dos brabo mermo. Pinotei da morti num sei cuma. Quagi que vô pro beleléu ralo abaixo. - Conta logo, homi! -, disse-lhe já agoniado com os volteios da conversa dele. - A salvação foi qui o tá do teco-teco qui trazia o homi pro transprante, deu grogueira e a otoridade bateu as botas na hora, sinão quem tinha iscafedido era euzinho aqui. - Como é, Doro? - Isso mermo, eu tava sendo cevado para doá meus pertencis prum casacudo aí. Pode?
- Nossa! - E apois, rapaizi, inscapei dessa. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais Trelas do Doro.


Curtindo o álbum da banda Projeto Coisa Fina (Independente) homenagem ao saudoso arranjador, maestro, compositor e multi-instrumentista Moacir Santos (1926-2006). Veja mais aqui e aqui.


PENSAMENTO DO DIAO tempo da reflexão conflita com a urgência do agir. Mas nem sempre todo agir é assim urgente e, na maioria das vezes, parar para pensar nos salva de decisões equivocadas e prejudiciais. Pensamento da filósofa Dulce Critelli.

LÓGICA DAS CIÊNCIAS SOCIAIS - [...] A infraestrutura linguística da sociedade é um momento de um contexto que, sempre mediado pelos símbolos, constitui-se igualmente por meio dos constrangimentos reais: o de natureza externa, que repercute nos procedimentos do domínio técnico, e o de natureza interna, que se reflete nas repressões que exercem as relações de força social. Estas duas categorias de constrangimentos não são somente objeto de interpretação; à revelia da linguagem, elas agem sobre as regras próprias da gramática em função das quais nos interpretamos. [...]. Trecho extraído da obra La logique des sciences sociales (PUF, 1987), do filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas. Veja mais aqui.

A POBREZA - A pobreza material é temível porque priva a pessoa não aprenas dos bens de consumo que tornam a vida menos dura, mais fácil, mais agradável. Não apenas dos meios de proteger a própria intimidade; mas também dos bens culturais que conferem dignidade, compreensão de si mesmo e do mundo, poesia; e priva ainda das trocas que são realizadas em torno desses bens. A pobreza impede de participar de uma sociedade, de estar ligado ao mundo através do que produziram aqueles que o integra,: esses objetos culturais que circulam e desembocam em outros círculos diferentes do parentesco ou do bairro, que são o espaço do intimo e do que se compartilha para além das fronteiras do espaço fdamiliar. E para se pensar, se definir, muitas vezes, só resta aos pobres se ligar a uma comunidade mítica ou a um território, mesmo que seja um pedaço da calçada. [...]. Trecho da obra Os jovens e a leitura (34, 2008), da antropóloga, professora e pesquisadora francesa Michèle Petit. Veja mais aqui.

ADAGIÁRIO BRASILEIRO - O mundo está de tal forma / que ninguém pode entender: / uns devem, porém não pagam, / outros pagam sem dever. Extraído de Adagiario brasileiro (Itatiaia/Edusp, 1997), do escritor, professor, advogado, jornalista e historiador Leonardo Mota (1891-1948). Veja mais aqui.

BIBLIOTECA - [...] Precisava descobrir algo por mim mesmo, desviar-me do caminho traçado, realizar minhas próprias descobertas, encontrar minhas próprias inspirações, fora daquilo que os professores propunham e muito além do que diziam a maior parte de meus colegas. Esse caminho passava pela biblioteca municipal. Trecho de Autobiografia de um intelectual das classes populares inglesas (Gallimard/Seuil. 1991), do sociólogo, escritor e culturatista britânico Richard Hoggart (1918 - 2014). Veja mais aqui.

MELPOMENE – Do verbo grego cantar, a Musa da Tragédia é Melpómene, com seu aspecto grave e sério, ricamente vestida e calçada com coturnos, segura com uma das mãos um certo e coroas, com outra um punhal ensanguentado. Às vezes dão-lhe como séquito o Terror e a Piedade. Veja mais aqui.

MARXISMO, IDEOLOGIA E LITERATURA – O livro Marxismo, Ideologia e Literatura, de Cliff Slaughther, trata de temas como o legado de Marx, Trotski e a literatura e revolução, Luckács como um homem para todas as circunstâncias, a estrutura oculta em Lucien Goldmann, contra a corrente de Walter Benjamim e a literatura e o materialismo dialético. REFERÊNCIAS: SLAUGHTER, Cliff. Marxismo, ideologia e literatura. Rio de Janeiro: Zahar, 1983. Veja mais aqui.

DESENVOLVIMENTO HUMANO – A obra Desenvolvimento Humano, de Diane Papalia, Sally Olds e Ruth Feldman, aborda questões como o estudo do desenvolvimento físico, cognitivo e psicossocial da criança, do adolescente, do adulto e da terceira idade, o fim da vida, os métodos de pesquisa, as perspectivas psicanalítica, humanista, cognitiva, etológica, contextual, da aprendizagem, amostragem, hereditariedade, maturação, ética na pesquisa, entre outros importantes assuntos. REFERÊNCIAS: PAPALIA, Diane; OLDS, Sally; FELDMAN, Ruth. Desenvolvimento humano. Porto Alegre: Artmed, 2006.

MOTIVAÇÃO - No inicio do sec. XX, conforme Morris e Maisto (2004), os psicólogos atribuíam o comportamento aos instintos. Foi William James que, em 1890, compilou uma lista de instintos humanos que incluía a caça, a competição, o medo, a curiosidade, a timidez, amor, vergonha, ressentimento. Essa teoria deixou de ser usada quando, conforme Schultz e Schultz (2012), o cientista britânico William McDougal inseriu enfaticamente a motivação na psicologia, no início do séc. XX, considerando os motivos como instintos com o entendimento de que se tratava de um processo biológico inato. Esses instintos ganharam uma lista do autor, envolvendo desde a reprodução, sociabilidade, agressão, curiosidade, fuga, fome, repulsa, autoafirmação, entre outros, citando vários instintos literalmente. As razões, segundo Morris e Maisto (2004), dos instintos deixarem de explicar o comportamento humano se devem ao fato de que os comportamentos humanos mais importantes são aprendidos, esse comportamento é flexível, mutável, encontrado em toda a espécie e atribuído a todo comportamento humano. Contudo, foi como termo da linguagem da psicologia, que a palavra motivação ganhou curso a partir dos anos de 1940-1950 com o conceito dado pela abordagem operacional de Edward J. Murray, como sendo uma modificação na força das respostas, atribuível a alguma operação executada natural ou experimentalmente, expressa em termos de privação do estímulo ou de exposição prolongada do organismo a estimulo aversivo. Esse conceito adotou em termos de especificações tanto das condições em que se pode afirmar que o impulso funciona, como dos meios, para proceder a sua medição. CONCEITO DE MOTIVAÇÃO – Encontrou-se na literatura baseada em Myers (2006), Goodwin (2005), Davidoff (2001), Atkinson et al (2011), Morris e Maisto (2004) e Gazzaniga e Heatherton (2005), uma variedade enorme de conceito para a motivação. Paul Thomas Young, segundo Goodwin (2005). por meio da perspectiva mediacional, adotou o conceito de motivação como sendo o fator que desperta, mantém e dirige o comportamento, não exprimindo realidade observável, mas compondo uma construção lógica. É, portanto, postulada como condição explicativa das variações observadas nos processos de resposta, sempre que o organismo é atingido pelo mesmo estímulo. Nesse contexto, a motivação possui três propriedades básicas classicamente consideradas como decorrentes dela: deflagração, manutenção e direção da conduta. O conceito adotado por Donald Olding Hebb entende que se trata da tendência do organismo a se ativar, de modo seletivo e organizado, sendo, pois, uma tendência inerente ao organismo como um todo, para produzir atividade organizada, oscilando entre o nível mais baixo do sono profundo e o nível mais alto da vigília e dos estados de excitação e alerta, variando, também, quanto ao tipo de comportamento resultante ou ao tipo de estimulação a que o organismo responde. Já o conceito adotado por H. W. Nisse apresenta a motivação como um fator de ativação ou de sensibilização do organismo relativamente a certo excitante. Nesse caso, seria um estado responsável pela função de abaixamento dos limiares de resposta diante de certos estímulos, ou seja, um fator de sensibilização e dinamismo. Foi, conforme Goodwin (2005), Roberto S. Woodworth quem distinguiu entre os mecanismos de comportamento e os fatores que comandam a sua deflagração. Os primeiros referem-se ao problema do como; os últimos ao problema do porquê. É precisamente este problema que se cobre com o estudo da motivação, e quem pela primeira vez o focalizou foi Sigmund Freud na sua teria da pulsão instintiva. Basicamente Freud busca inspiração nas concepções físicas de seu tempo e, mais intimamente, nas concepções de Hermann Von Helmholtz, apoiando-se clinicamente em procedimentos clínicos. Em nível experimental, é Woodworth e E. C. Tolman através da ideia de constructo que surgiu como recurso para cobrir o fato de que nem sempre o mesmo estímulo produz a mesma resposta. Os experimentos, então, se multiplicam, explorando-se, de preferência, os chamados motivos biológicos básicos, tais como a fome, o sexo, a sede, entre outros. logo se constrói a clássica teoria do impulso, em substituição ao conceito de instinto, levado a esvaziamento na década de 1910 a 1920 e, posteriormente, abandonado pelo movimento behaviorista. A explosão dos motivos superiores começa por volta do final da década de 1920 e como de 1930. A contribuição pertence a Kurt Lewin, com seus estudos pioneiros sobre solução de problemas. A proposição dos impasses seria responsável pela instalação do estado de quase-necessidade, com implantação de tensões a serem reduzidas ou escoadas através da ação adequada ou de atividades substitutivas. Os estudos sobre os efeitos da interrupção de tarefas, devidos a Bluma Zeigarnik, as pesquisas sobre níveis de aspiração conduzidas pelo próprio Lewin e por Tamara Dembo e, ainda, as investigações sobre formação de perspectivas de tempo e seus efeitos tonificadores na ação atual, representam desenvolvimentos realizado em função da perspectiva introduzida por Lewin na área da motivação superior. Tem-se o entendimento de que a motivação é o processo responsável peça direção, intensidade e persistência dos esforços de um indivíduo que busca alcançar uma determinada meta. Também é vista como o conjunto de fatores psicológicos conscientes e inconscientes da ordem intelectual, fisiológica ou afetiva, que agem pela determinação da conduta do individuo. Por isso é tratada como uma energia ou uma força que impulsiona o individuo para alguma coisa, tornando-se resultado da interação entre esse individuo com a situação. Em vista do exposto, encontrou-se que para Davidoff (2001) os motivos, necessidades, impulsos e instintos são constructos, ou seja, ideias concebidas para explicar comportamentos. No dizer de Gazzaniga e Heatherton (2005), a motivação é a área da ciência psicologia que estuda os fatores que energizam ou estimulam o comportamento. Especificamente, diz respeito como o comportamento é iniciado, dirigido e sustentado. É a capacidade que inicia, dirige e sustenta comportamentos que promovem sobrevivência e reprodução. Para Atkinson et al (2011), é uma condição que guia e incentiva um comportamento, experimentada subjetivamente como um desejo consciente. Por fim, para Myers (2006), é uma necessidade ou desejo que energiza o comportamento e direciona para um objetivo. As causas da motivação, segundo Atkinson et al (2011)m variam desde eventos psicológicos dentro do cérebro e do corpo até a cultura e interações sociais com outros indivíduos. Verificou-se que o tema da motivação envolve outras tantas conduções com a questão das necessidades e carências humanas, motivos, impulsos e instintos. As necessidades, segundo Davidoff (2001), são deficiências. Para Gazzaniga e Heatherton (2005) são estados de carência. Tem-se, pois, que motivo ou motivação, conforme Davidoff (2001), faz referência a um estado interno resultante de uma necessidade, descrito como ativador ou despertador de comportamento geralmente dirigido para satisfação da necessidade instigadora. Já para Morris e Maisto (2004), a motivação e a emoção estão intimamente entrelaçadas. A emoção se refere à vivência de sentimentos como medo, alegria, surpresa e raiva. Assim como os motivos, as emoções ativam e afetam o comportamento. Um motivo é uma necessidade e um desejo especifico que estimula o organismo e direciona seu comportamento para um objetivo. Os impulsos, para Davidoff (2001), são modelados pela experiência e sua origem biológica. Já para Gazzaniga e Heatherton (2005) são estados psicológicos que motivam o organismo a satisfazer suas necessudades. Os instintos, segundo Davidoff (2001), referem-se a padrões complexos de comportamento que se pensa serem derivados da hereditariedade. Foi McDougall quem classificou os instintos como curiosidade, repulsa, agressividade, autoafirmação, fuga, criação de filhos, reprodução, fome, entre outros. outrossim, prefere-se hoje tratar os instintos como padrão de ação fixa, compreendendo movimentos únicos ou de padrões de movimento, caracterizados por serem específicos da espécie, altamente estereotipados, completados quando iniciados, não aprendidos, resistem a mudança e acionados por estímulo específico (DAVIDOFF, 2001). A respeito, Morris e Maisto (2004) consideram os instintos são padrões de comportamento específicos e inatos, característicos de toda uma espécie. Para Gazzaniga e Heatherton (2005) são  ações aprendidas, automáticas, desencadeadas por deixas externas. São semelhantes aos reflexos no sentido de que produzem um impulso imediato de agir. Entretanto, para compreender a motivação humana, para Gazzaniga e Heatherton (2005), é preciso atravessar os níveis de analise para examinar tanto as bases intencionais ou cognitivas, como as reguladoras ou fisiológicas, do comportamento humano. OS MODELOS DE MOTIVAÇÃO – Davidoff (2001) identifica dois modelos de motivação: o homeostático e o de incentivo. A homeostase, conforme Gazzaniga e Heatherton (2005), descreve a tendência das funções corporais de manter equilíbrio. O modelo homeostático, segundo Davidoff (2001), pressupõe que o corpo tem padrões de referencia, ou pontos estabelecidos para cada uma de suas necessidades. O padrão de referencia aponta o estado ótimo, ideal ou equilibrado. Assim, a necessidade ativa o motivo. O motivo aciona o comportamento e serve ao esquema maior do corpo voltado à autorregulação ou homeostase. Assim, esse modelo, conforme Morris e Maisto (2004), surgiu com a teoria da redução de impulsos , entendendo que o comportamento motivado é uma tentativa de reduzir o desagradável estado de tensão do corpo e fazer com que retorne ao estado de homeostase ou equilíbrio. Ainda sobre esse  modelo, conforme Atkinson et al (2011), compreende as motivações básicas, como a fome, a sede e o sexo, ou seja envolve fatores internos. Dessa forma um estado interno constante de controle mantenha o equilíbrio, por meio de processos psicológicos, fisiológicos ou mecânicos. O modelo de incentivo, no dizer de Davidoff (2001), são definidos como eventos, objetos ou condições que incitam a ação. Esse modelo diz que experiências e incentivos frequentemente alteram cognições e emoções, levando à motivação. Além disso, incentivos, emoções e cognições frequentemente se combinam com mecanismos homeostáticos para moldar os impulsos básicos. As recompensas podem tambem ter um aspecto de feedback, por traduzirem o merecimento. Esse modelo, para Atkinson et al (2011), destacam o papel o papel motivacional de eventos externos ou objetos de desejo. Esses incentivos são os objetos da motivação e podem ser instrumentos de reforços primários como recompensas. A motivação inconsciente, segundo Davidoff (2001), estão relacionadas ao pensamento de Freud de os seres humanos não possuem consciência das forças que os motivam, não estando cientes daquilo que percebem e pensam, comportando-se automaticamente. A TEORIA DA HIERARQUIA DE MASLOW – A teoria do psicólogo humanista Abraham Maslow defende que o ser humano nasce com cinco sistemas de necessidades. A classificação, segundo Gazzaniga e Heatherton (2005), envolve a necessidade fisiológica, como alimento, água, oxigênio, sono, sexo, proteção contra temperaturas extremas, estimulação sensorial e atividade. Também as necessidades de segurança. As necessidades de amor compreendem os sentimentos de afiliação, aceitação e de pertencer. O motivo de afiliação, segundo Morris e Maisto (2004), é ativado quando as pessoas se sentem ameaçadas. As necessidades de estima compreendem a realização, aprovação, competência e reconhecimento. As necessidades de autorrealização compreendem a possibilidade de uso das potencialidades individuais. A autorrealização, segundo Gazzaniga e Heatherton (2005), é um estado atingido quando os sonhos e aspirações da pessoa são realizados. BASES FISIOLÓGICAS DA FOME - As bases fisiológicas da fome, conforme Davidoff (2001) estão relacionadas com a boca, garganta, o sangue e o cérebro. A fome humana é frequentemente controlada por sinais externos ligados à comida. Esses sinais estão na aparência do alimento, na visão de outros comendo, o gosto ou aroma dos pratos, lugares, momentos ou emoções específicas. Já os sinais internos são devido a dor de cabeça, fadiga, sensação de tontura e garganta seca. Segundo Davidoff (2001), algumas influências sobre a fome são biológicas, criando fomes específicas que seguem o modelo homeostático de motivação. As culturas e as experiências individuais modelam as preferências gerais por alimentos, considerando-se, ainda, o envolvimento dos genes nas preferências parentais e exposição seletiva de alimentos. Morris e Maisto (2004) a sensação de fome está relacionada às emoções de maneira complexa. Myers (2006) enfatiza o papel dos hormônios insulina, leptina, orexina, grelina e PYY como responsáveis pelo apetite, observando que a ânsia de comer é de fato desencadeada pelo estado fisiológico. O sabor, segundo Atkinson et al (2011), é o fator mais importante nas preferências alimentares, porque contem gosto e odor, sendo o ser humano programado para gostar e não gostar de determinados sabores e odores. Para Myers (2006), a cultura afeta o sabor. Os fatores culturais e sociais, segundo Morris e Maisto (2004), são determinados pela aprendizagem e pelo condicionamento social. Embora a forme seja basicamente um impulso biológico, não é simplesmente um estado interno ao qual sacia-se quando o corpo incita a fazê-lo, uma vez que é resultado de uma complexa interação de forças tanto do ambiente quanto biológica. Os distúrbios ou transtornos alimentares, segundo Myers (2006) e Gazzaniga e Heatherton (2005), mais conhecidos são a anorexia e a bulimia nervosas. Para Atkinson et al (2011) a anorexia nervosa é um transtorno alimentar caracterizado pela extrema e autoimposta perda de peso. No dizer de Myers (2006), é um transtorno no qual o peso da pessoa cai muito abaixo do normal e, mesmo assim, a pessoa se sente gorda e torna-se obcecada por perder peso. A anorexia nervosa, segundo Morris e Maisto (2004), possui sintomas como medo de engordar, sentir incomodado com a imagem física, recusa em manter um peso corporal igual ou acima do mínimo considerado normal e ausência de pelo menos tres ciclos menstruais consecutivos. Segundo Atkinson et al (2011), a bulimia é um transtorno caracterizado por episódios recorrentes de exagero na ingestão de alimentos, seguidos por tentativas de expelir o excesso por meio da estimulação do vômito e ingestão de laxantes. Já para Myers (2006), a bulimia nervosa é um transtorno marcado por episódios repetidos de superalimentação seguidos de vômitos compensatórios, uso de laxantes, jejum ou exercício excessivo. A bulimia, segundo Morris e Maisto (2004), envolve episódios recorrentes de ingestão compulsiva de comida, comportamento de vômito autoinduzido, ingestão compulsiva de comida, influencia da forma e peso do corpo na autoimagem da pessoa, entre outros. A obesidade, segundo Gazzaniga e Heatherton (2005), está associada a um número significativo de complicações médicas, incluindo problemas cardíacos, hipertensão e problemas gástricos. Já conforme Davidoff (2001), a obesidade tem influencia da hereditariedade, tendo em vista que os genes predispõem as pessoas a essa condição por meio de mecanismos que afetam o apetite, as preferências alimentares, a saciedade, a atividade e o metabolismo. Na infância, os hábitos alimentares e as células de gordura são fatores diferentes para a obesidade. As pessoas aumentam seu tecido adiposo por meio de duas maneiras: o aumento do número de células de gordura, ou as células existentes ficam maiores. Por isso, a obesidade, segundo Atkinson et al (2011), é de família e possui base genética. MOTIVAÇÃO POR ESTIMULAÇÃO SENSORIAL - Davidoff (2001) assinala que as pessoas são expostas constantemente à estimulação.As preferências sensoriais estão relacionadas com o grau da resposta ao meio e a outras pessoas, ou seja, reatividade. A busca pela estimulação possui base genética e ambiental. Assim, a estimulação sensorial é denominada como sendo o resultado dos estímulos internos ou externos dentro de um sistema excitável que provoca respostas. Ela faz parte das necessidades motivacionais dos seres humanos e de outros animais. Esse tipo de motivação pode ser oriunda do meio, ou externa, ou da autoestimulação, ou interna. Esses estímulos são oriundos das percepções visuais, auditivas ou táteis, utilizados cada um de cada vez ou reunidos em combinações de forma confortável ou relaxada, ou, ainda são considerados como experiências sensoriais que geram a autoestimulação e levam os indivíduos à alucinação. Entre as necessidades de estimulação sensorial estão a curiosidade que leva o individuo a explorar o manipular o ambiente, atraídas pelo que é desconhecido e de novas experiências. Tais estimulações desenvolvem a sensibilidade perceptiva proporcionando aumento da competência de habilidades que permitem adaptação diante de novas situações. Há também aquelas necessidades de procura da excitação com a realização de atividades arriscadas, ou de ter ou realizar experiências interditas, fora do comum, saindo da rotina monótona, repetitiva e constante. Os motivos para explorar e manipular, segundo Davidoff (2001), possui base na curiosidade que está relacionada com a necessidade de estimulação sensorial. A curiosidade é evidente nas pessoas durante todo o ciclo de vida. Os motivos que utilizam as atividades autoestimulantes que compreendem as necessidades individuais de estimulação. A MOTIVAÇÃO SEXUAL - O sexo, segundo Morris e Maisto (2004) , é um impulso primário que motiva o comportamento reprodutivo. Para Atkinson et al (2011), o desejo sexual é uma motivação poderosa por ser o sexo um motivo social por envolver outra pessoa, enquanto os motivos de sobrevivência preocupam apenas ao indivíduo. A motivação sexual, segundo Myers (2006), pode ser influencia por fatores fisiológicos, por estímulos externos, ou seja, o que ver, ler ou ouvir, como também, pela imaginação devido a origem na ação recíproca entre a fisiologia e o meio ambiente. A resposta sexual humana, Morris e Maisto (2004), é influenciada pela vivencia social e sexual, pela alimentação, pelas emoções e pela idade. Assim sendo, a psicologia da motivação sexual, segundo Myers (2006), busca descrever e explicar os comportamentos sexualmente motivados e a tratar dos transtornos sexuais. Em vista disso, entende-se que a excitação sexual depende da influência recíproca de estímulos internos e externos. Os fatores biológicos que influenciam a motivação sexual envolvem desde aspectos orgânicos e anatômicos que perpassam as gônadas, o sistema reprodutor, o cérebro, até às necessidades físicas, psíquicas e comportamentais. Daí entender-se que os  motivos e os centros de prazer, conforme Davidoff (2001), estão relacionadas com o sistema límbico. Os hormônios sexuais, segundo Myers (2006), possuem dois efeitos: controlam o desenvolvimento das características sexuais masculinas e femininas, e sobretido ativam o comportamento sexual. Esses hormônios influenciam a excitação sexual por meio do hipotálamo, que monitora as variações nos níveis de hormônios no sangue e ativa os circuitos neurais apropriados. Os níveis de hormônios sexuais influenciam o impulso sexual de muitos animais. Níveis altos e baixos de estrógenos e andrógenos são relacionados com níveis altos e baixos de estimulação sexual (DAVIDOFF, 2001). O cérebro do homem e da mulher, conforme Davidoff (2001) são diferentes em termos funcionais e estruturais, considerando, porem, que em ambos os sexos é organizado de forma permanente pela presença ou ausência inicial de andrógenos. Para Atkinson et al (2011), o principal órgão sexual é o cérebro, pois é nele que o desejo sexual se origina e onde o comportamento sexual é controlado. O impulso sexual, conforme Davidoff (2001), é definido em termos da frequência com que os organismos praticam o ato sexual ou outros comportamentos sexuais. Trata-se de um impulso bastante complexo. A necessidade de contato, segundo Morris e Maisto (2004), é mais universal que a de manipulação, não se limitando aos dedos, mas envolvendo o corpo todo. Dessa forma entendem que a manipulação é um processo ativo. Muitos incentivos sexuais sejam aprendidos por meio de condicionamento respondendo, ou por meio de associação, evidenciam que muitos objetos sexuais comecem inicialmente como estímulos neutros que não despertam a excitação sexual. A imaginação, segundo Davidoff (2001) é outro tipo de incentivo sexual. A fantasia sexual, conforme Davidoff (2001), em qualquer intensidade, não está relacionada com desajuste social. Os comportamentos sexuais, como masturbação, ato sexual e conversas sobre sexo, são influenciados por consequências de gratificação e punição ou condicionamento operante (DAVIDOFF, 2001). O ciclo de resposta sexual, segundo Davidoff (2001), Myers (2006) e Morris e Maisto (2004), possui as seguintes fases: excitação, platô, orgasmo e resolução. Após a estimulação sexual instala-se a excitação e é nessa fase que as pessoas respiram rapidamente. Na fase platô os músculos continuam a se retesar e o sangue acorre para superfície do corpo. O orgasmo, ou clímax, dura vários segundos e inclui intensa euforia, perda momentânea de contato com o eu e o meio circundante, e frequentemente uma sensação de saciedade além de contrações genitais. Em ambos os sexos o clímax serve à mesma função física: aliviar os tecidos entumecidos e os músculos retesados. O orgasmo masculino possui duas fases: a primeira quando o sêmen é emitido pelas glândulas sexuais, ligada à perda temporária do desejo sexual; na segunda, os músculos pélvicos incluindo aqueles do pênis, que ejaculam o sêmen, contraem-se. As contrações estão associadas com a experiência de euforia. O orgasmo das mulheres, segundo Davidoff (2001) não é entendido tão bem, muito embora esteja centrado no clitóris, variando em duração e intensidade, experienciando contrações. A última fase do ciclo de resposta sexual é a resolição. Neste momento o corpo volta a seu estado normal quando a congestão sanguínea é aliviada e os músculos retesados relaxam. As pessoas demonstram impulso sexual desde o nascimento. Na puberdade, há um surto de interesse sexual. Entre os idosos o comportamento sexual depende da experiência e da satisfação passadas. Os fatores culturais e ambientais, Morris e Maisto (2004), influencia o comportamento sexual por estar relacionado com a aprendizagem e a experiência. A cultura dita padrões de conduta sexual, orie4nta a visão de atratividade, sendo assim, a cultura e a vivência influenciam os estimulantes, orientados por fatores do ambiente. Para Davidoff (2001), o casamento é importante indicador de atividade sexual para as mulheres, enquanto que a percepção de saúde é uma determinante fundamental da atividade sexual dos homens. Em geral, as mulheres tendem a ser mais responsáveis, convencionais e idealistas, e os homens tendem a ser mais permissivos e mais orientados para o prazer e o poder. Um padrão duplo ocorre na maioria das sociedades definindo que as percepções sexuais de homens e mulheres são divergentes. Tais divergências podem ter base na perspectiva darwiniana de herança evolutiva: na evolução, o objetivo maior é reproduzir a maior prole possível. Além disso, a diferença entre esperma e óvulo: existem muitos espermas diante do pequeno suprimento de óvulos. Como as mulheres geralmente possuem responsabilidade pela criação, requerem um relacionamento permanente. A orientação sexual, Morris e Maisto (2004) e Atkinson et al (2011), se refere à direção do interesse sexual de um individuo. MOTIVAÇÃO SOCIAL - A motivação social, para Davidoff (2001), reserva-se àqueles motivos cuja satisfação depende do contato com outros seres humanos, na satisfação das necessidades de afiliação e de realização. Assim, conforme Myers (2006), na condição de criaturas sociais, os seres humanos são profundamente motvados para criar vinculo com aqueles que lhes são importantes, tendo em vista que os laços sociais elevaram a taxa de sobrevivência dos ancestrais e que a cooperação em grupo melhora a sobrevivência. A necessidade de pertencimento, segundo Myers (2006), dá colorido aos pensamentos e emoções porque ao se sentir incluído, aceito e amado o ser humano fica com autoestima elevada. A linguagem e o pensamento dependem de estimulação social. Adultos e crianças que contam com apoio social lidam mais adequadamente com crises. Os motivos sociais estão relacionados com a dependência de que cada individuo possui com relação às outras pessoas buscando a satisfação das necessidades oriundas dos sentimentos. Aqueles que possuem apoio social são vistos como aqueles que demonstram maiores capacidades de superação em momentos de crises. Esses motivos sociais surgem para a satisfação das necessidades de amor, ligado intimamente ao contato entre os seres humanos, tornando-se decisivas para o processo de adaptação ou ajustamento. São motivos que se explicam na compreensão do homem viver em sociedade, possuindo o objetivo que cada individuo tem de se sentir respeitado, amado, aprovado, superando as situações de crise ou críticas com maior facilidade. Aquelas pessoas que se sentem isoladas ou rejeitadas pela sociedade possuem a tendência de sentimentos profundamente perturbadores, como tornarem-se apáticas, negligenciam o asseio pessoal, choram com frequência. As necessidades sociais são denominadas de necessidades secundárias e são expressas por meio da publicidade para criação de determinado tipo de necessidade. MOTIVAÇÃO DE REALIZAÇÃO - A motivação de realização, segundo Davidoff (2001) e Gazzaniga e Heatherton (2005), provém das necessidades de buscar excelência, atingir objetivos grandiosos ou ser bem-sucedido em tarefas difíceis. Ela envolve competir com os outros ou contra algum padrão interno ou externo. Há que se considerar que foi a partir de 1953, que surgem as grandes contribuições devidas a David McClelland. Centralizam-se na pesquisa dos motivos de realização e afiliação, consolidando a aplicação de recursos de medida e quantificação ao nível da motivação superior. Durante os últimos anos McClelland e seus colaboradores procuram desenvolver medidas dos motivos de realização e investigam correlatos dessas medidas, não apenas no comportamento individual, mas também nos sistemas sociais. A técnica de medida fundamenta-se na análise do conteúdo das produções temáticas da imaginação humana: envolvem histórias, relatos, sonhos, visando a comparação com um padrão de excelência. As pessoas que se sentem motivadas para a realização julgam-se empreendedoras por possuírem esse indicador relevante e central de motivação, sendo aquela que se determina o tempo inteiro sobre os caminhos, meios ou maneira de realizar atividade difíceis e importantes. Essas pessoas tendem a seguir estratégias individuais e peculiares de comportamentos, fixando seus próprios caminhos e metas para alcance de seus objetivos, tornam-se protagonistas e inquietas realizando sempre algo, não se deixando arrastar pelas circunstâncias da rotina. Esse tipo de pessoa costuma ser bastante seletiva na escolha de seus objetivos e metas, rejeitando a submissão automática, nem auxílios ou conselhos, acreditando nas suas intuições, assumindo inteiramente a responsabilidade pela concepção e execução de suas realizações. Esse tipo de pessoa assumem todos os méritos que alcançam sucesso, ou assumem suas responsabilidades e culpas quando fracassam. Possuem, portanto, satisfação no próprio trabalho para o reconhecimento e autorrealização. O trabalho é identificado como a origem e fonte da motivação para realização. A motivação de realização enquadra-se relativamente bem no modelo de incentivos, tendo em vista que eles desempenham um papel crucial para despertá-la. As cognições e emoções evocam a motivação, podendo despertar ansiedades associadas a fracasso ou sucesso. A motivação e a ansiedade despertam comportamentos de realização tais como estabelecimento de objetivos, diligência e persistência. A autoavaliação é importante porque as pessoas que se sentem bem em relação a si mesmas tendem a se esforçar ao máximo (DAVIDOFF, 2001). A perspectiva respondente atribui as propriedades instintivas de motivação de realizações à associação entre realizações e aprovação (DAVIDOFF, 2001). MOTIVAÇÃO COGNITIVA - A motivação cognitiva possui sua base na experiência passada e na informação disponível. A teoria social cognitiva defende que o comportamento é influenciado pela observação dos outros, quando as pessoas aprendem com a recompensa ou punição da ação de outras pessoas. Segundo essa teoria, para que haja a influencia de outras pessoas não há necessidade de interagir com elas, bastando a observação e conclusões tiradas a respeito. São atribuídas às cognições pessoais que são incoerentes com os padrões sociais; à espera de um determinado evento quando ocorre outro; a contradição entre o comportamento e as atitudes. Tem-se, por todo exposto que a motivação é o estado que leva o ser humano a se comportar em conformidade com as suas necessidades cognitivas ou fisiológicas, tornando o motivo um significado complexo e subjetivo, ligado à personalidade de cada individuo e às experiências vividas anteriormente. A aplicabilidade da motivação do comportamento humano está ligada à capacidade que cada individuo em agir na busca da satisfação de suas necessidades. Veja mais aqui.
REFERÊNCIAS
ATKINSON, Richard; HILGARD, Ernest; ATKINSON, Rita; BEM, Daryl; HOEKSENA, Susan. Introdução à Psicologia. São Paulo: Cengage, 2011.
DAVIDOFF, Linda. Introdução à Psicologia. São Paulo: Pearson Makron Books, 2001.
GAZZANIGA, Michael; HEATHERTON, Todd. Ciência psicológica: mente, cérebro e comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2005.
GOODWIN, James. História da psicologia moderna. São Paulo: Cultrix, 2005.
MORRIS, Charles; MAISTO, Alberto. Introdução à Psicologia.  São Paulo: Prentice Hall, 2004.
MYERS, Savid. Psicologia. Rio de Janeiro: LTC, 2006.
SCHULTZ, Duane; SCHULTZ, Sydney. História da psicologia moderna. São Paulo: Cengage Learning, 2012.

MEMÓRIAS DE ADRIANO[...] Como toda gente, não disponho senão de três meios para avaliar a existência humana: o estudo de si mesmo, o mais dificil e o mais perigoso, mas também o mais fecundo dos métodos; a observação dos homens, que se arranjam frequentemente para ocultar-nos seus segredos ou por nos fazer crer que os têm; os livros, com os erros peculiares de perpectiva que surgem entre suas linhas [...]. Extraído do romance Memórias de Adriano (Mémoires d'Hadrien - Círculo do Libro, 1974), da escritora belga de língua francesa Marguerite de Yourcenar (1903-1987). Veja mais aqui.

POEMA - Nem mesmo tente / Nem mesmo tente voltar seu olhar/ Nesta noite melancólica, neste gelo melancólico; / Há alguém esperando em suas pegadas,/ Você não pode parar de responder seus olhos. / Hoje eu olho para trás e… de uma vez / Eu vejo: ele olha para mim, meu amigo / Com aqueles olhos vivos de gelo – / Meu único alguém até o fim / E eu não saberia disso, portanto / Eu pensaria que alguma outra seria minha luz/ Mas, oh, meu sacrifício, sonho, paraíso,/ Eu vivo apenas quando você está em minha visão! / Só o seu olhar faz a minha vida certa, / Eu tenho fé somente em seu reflexo; / Para quem vive – eu sou a sua esposa, / Sou a janela – para nós dois. Poema da poeta russa Olga Bergholz (1910-1975).

A ARTE DE KEES VAN DONGEN
A arte do pintor neerlandês Kees van Dongen (1877-1968). Veja mais aqui.



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