Mostrando postagens com marcador Nancy Bossert. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nancy Bossert. Mostrar todas as postagens

domingo, outubro 16, 2022

PAULO FREIRE, JENNIFER EGAN, ELVIRA NAVARRO, ZAMBRA, BRINGHURST, LETITIA LONDON & VAILLAND

 

Ao som dos álbuns 02022020 (2020), Time 2 Stop Worrying (2019), Turnitup (2016) e Sometimes a Girl Needs Some Sugar Too (2011), da compositora e instrumentista dinamarquesa Ida Nielsen.

 

TRÍPTICO DQP: - Eterno menino da beira do rio... - Voltei à infância para rever o mundo de outro jeito. Hoje posso lembrar o acidentado e limítrofe arruado que me permitia singrar a margem de cá sem que de lá houvesse a possibilidade de atravessar a ponte, tão longe quanto proibitiva, devaneios com o relinchado na hora certa do Jegue de Paul. Não era assim quando estava lá pelo brejo das sereias multicoloridas, uma mais linda que a outra. Elas saíam d’água e se esgueiravam pelas touceiras da margem oposta, escondidas no meio da plantação. De lá provocavam: Vamos timbungar? Não, que não sou peixe! Mesmo que eu tivesse uma jangada na ideia, do canto não saía. E brincavam bulindo comigo passando de um lado a outro. Uma delas transformou-se numa grande ave e entoou um canto melodioso. Chegou perto de mim: era a sirena Partênope, uma ninfa encantadora e serva de Perséfone a me dizer Robert Bringhurst: Por todos os meios quebrar as regras! E insistia: Você precisa! Queria me levar para a ilha de Antemoessa na promessa de me iniciar nas Argonáuticas de Apollonios e eu não tinha como nem onde me amarrar, sequer saberia como apelar para virtuose da lira feito Orfeu, inútil tapar os ouvidos: seu mavioso canto ocupava toda minha cabeça. Não distinguia direito harpias ou erínias, sabia das sereias: as almas dos defuntos egípcios. Diante do meu mutismo mandou-me então para as Ilhas Afortunadas, com o recado da Jennifer Egan: Todos que perdemos, vamos encontrar. Ou eles vão nos encontrar. Aquilo arrepiou a alma se bem que meus mortos não eram tantos. Agora muitos pra meu desconsolo. De repente tudo se pareceu uma visagem e vi-me diante do espelho das águas do brejo, outra face para dirimir qualquer mal entendido, um sentimento extraviado, memória perdida, apenas um eterno menino da beira do rio.

 


Multiplenredo... – Imagem arte de Nancy Bossert - O que procuro se o tríptico fraseado de Gauguin na indagação suprema: quem sou, de onde venho e pra onde voo, não sei. Há mais do que por trás da lindeza dos canaviais floridos e das ribanceiras exaltadas, sob o asfalto das cidades, embaixo das pontes, além dos ermos distantes, no matagal dos pântanos, nas várzeas dos rios, na profundidade dos mares, nas fronteiras das galáxias ou no infinito da imensidão cósmica. Não há como saber, apenas Roger Vailland para me dizer: Não há amor, há apenas provas de amor. O amor é também um prazer... Não é possível e o silêncio me faz olhos bem abertos. No meio das interrogações, Letitia Elizabeth London: Força, poder e majestade pertencem ao homem; eles fazem a glória nativa de sua vida... Mas a doçura é o atributo de uma mulher – por isso ela reinou e por isso reinará... Era como se tivesse minha mãe ali do lado no acalanto de uma história que era a minha e, ao final, me dizia Alexandre Zambra: Ninguém fala pelos outros. Que, mesmo que queiramos contar histórias alheias, terminamos sempre contando nossa própria história... O que procuro no fiapo da ideia, contar uma hestória, começassim, passassado: entrou pela perna de pinto, saiu pela perna de pato.

 


E era ela outra hestória... - Imagem arte de Nancy Bossert. - A cidade amanheceu com a notícia: ela dali, sim, a arrebatadora daquelas arrasa quarteirão, a inesgotável sedutora viu-se vicária na noite anterior e estava mergulhada num tanque oval com sua dor. Aquele amor era, na verdade, a Besta de Gévaudan. Quem? Sabe-se lá! Foi preciso a intervenção do Padre Bidião à confissão dela: Ele iludiu-me, padre, arrastou-me para as bandas do matagal de Merçoire, lá cravou os dentes formidáveis com o intento de me estuprar. Vi-lhe enlouquecido arrancar as vestes e expor peitoril largo com pele avermelhada e odor insuportável. Partiu pra cima de mim feito um tarado, mordeu-me o pescoço e apoderou-se da minha fragilidade. Ia me decapitar! Ora, se. Juntei todas as minhas forças. Aqui, ó! Lutei inutilmente, mas consegui agarrar-lhe a cauda imensa e arrastar uma estaca afiada que apanhei no chão, pronto, desferi golpe certeiro nas suas costas. Ele fugiu urrando, ainda estou convalescendo. Mas, minha filha, não pode ser: este bicho foi extinto há muitos séculos! Estou doente, padre, sinto necessidade de comer carne crua, foi um bife cru pela primeira vez, agora quero mais: Tem que ser viva, não gosto de cadáveres! Não aguentando tentei cortar os pulsos. Aqui estou desamparada. E lá escorada, mostrando o lado B da sua vida, o sangue jorrava em profusão, dizia-se endemoninhada e precisava ser exorcizada. Ele então a recolheu afetuosamente e mandou todos saíssem do recinto – enxotados foram todos os pregadores, enrolões e enredeiros que faziam plantão pra moribunda: Xô! E lá se demorou aos cuidados com a sua paciente, horas na empreitada. A Besta Fubana surgiu em seu auxilio e acomodou-se no oitão da casa espantando curiosos e línguas soltas. Tempo enorme de expectativas. Tarde quase anoitecendo o padre saiu às carreiras, amontou na besta e partiu. Não demorou muito, devidamente curada às gargalhadas ela saudou a todos como se fosse Elvira Navarro: Você só precisa de um pouco de ansiedade para que o normal pareça ameaçador. E saiu toda reboladeira rua acima até confundir-se ao lusco-fusco. Eu, hem? Até mais ver.


 

[...] Democratizando mais seus critérios de avaliação do saber a escola deveria preocupar-se com preencher certas lacunas de experiência das crianças, ajudando-as a superar obstáculos em seu processo de conhecer. É obvio, por exemplo, que crianças a quem falta a convivência com palavras escritas ou que com elas têm pequena relação, nas ruas e em casa, crianças cujos pais não leem livros nem jornais, tenham mais dificuldades em passar da linguagem oral à escrita. Isto não significa, porém, que a carência de tantas coisas com que vivem crie nelas uma “natureza” diferente, que determine sua incompetência absoluta. [...].

Trecho extraído da obra A educação na cidade (Cortez, 2006), do educador e filósofo Paulo Freire (1921-1997). Veja mais Educação & Livroterapia aqui e aqui.

 


terça-feira, outubro 04, 2016

AUTRAN DOURADO, SIMONDON, PATTI SMITH, BOAVENTURA SOUSA, NIETZSCHE, LEANDRO KONDER, HORIKAWA, VALLAURI, NOYER, BOSSERT, HUDINILSON & POMBAS URBANAS

INEDITORIAL: DEPOIS DA TEMPESTADE NEM SEMPRE UMA BONANÇA - Salve, salve, gentamiga! A vida prossegue depois de todos os momentos que sejam de sucesso ou de penúria, de surpresa ou de desgraça! Zé Bilola que o diga: hoje num semáforo, sem saber o que fazer da vida depois de conhecer o céu e o inferno de um dia pro outro. Maior vexame. Tomara que tenha aprendido. O que não aconteceu com Zé Peiúdo que meteu o pé na bunda antes da horagá: escapuliu num pinote sem paradeiros pra se livrar das garras da polícia. Já o Doro, esse não. Esse está com a campanha de vento em popa, mesmo errando o alvo e o pleito eleitoral, vai esperar mais uns anos para conseguir registrar sua candidatura a presidente do não sei o quê. Sei que vai, não se sabe pra onde. Vamos, então, pras novidades: na edição a ciência pós-moderna de Boaventura de Sousa Santos, os objetos técnicos de Gilbert Simondon, a totalidade de Leandro Konder, a poética do romance de Autran Dourado, a dança inovadora de Hisako Horikawa, a música de Patti Smith, a arte de Mônica Nador, os grafites de Alex Vallauri, a fotografia de Alfred Noyer, o teatro de rua dos Pombas Urbanas, a Gaia Ciência de Nietzsche, o cinema de Julio Bressane, a arte multimídia de Hudinilson, a pintura de Nancy Bossert & a croniqueta Pra vida ofereço a outra face. No mais, vamos aprumar a conversa & tataritaritatá! Veja mais aqui.

Veja mais sobre
Lição pra ser feliz, Fernando Pessoa, Rajneesh, Graciliano Ramos, Aristófanes. Adriana Calcanhoto, Buster Keaton, Mikalojus Konstantinas, Victor Gabriel Gilbert & Literatura Infantil aqui.

E mais:
O sonho de Desidério & Emmy Rossum aqui.
Literatura de Cordel, A mulher escandinava, Ettore Scola, Francisco Julião, Jarbas Capusso Filho, Sophia Loren, Linguística, Shaktisangama-Tantra, Fetichismo & Abacaxi aqui.
Albert Camus, Robert Musil, Maceió, Jools Holland, Denys Arcand, Pál Fried, Sandu Liberman, Eugene Kennedy, Anna Luisa Traiano, Lady Gaga, Gestão do conhecimento & Capital humano aqui.
Durkheim, Rodolfo Ledel, Claudio Baltar, Micahel Haneke, Samburá, Juliette Binoche, Ernesto Bertani, O artista e a fera, Janaína Amado, Intrépida Trupe, Direito & Mauro Cappelletti aqui.
Big Shit Bôbras aqui.

DESTAQUE: CIÊNCIA PÓS-MODERNA
 
[...] A ciência pós-moderna, ao sensocomunizar-se, não despreza o conhecimento que produz tecnologia, mas entende que, tal como o conhecimento se deve traduzir em autoconhecimento, o desenvolvimento tecnológico deve traduzir-se em sabedoria de vida. Esta  que assinala os marcos da prudência à nossa aventura científica. A prudência é a insegurança assumida e controlada. [...] Na fase de transição e de revolução científica, esta insegurança resulta ainda do fato de a nossa reflexão epistemológica ser muito mais avançada e sofisticada que a nossa prática científica. Nenhum de nós  pode neste momento visualizar projetos concretos  de investigação que correspondam inteiramente ao paradigma emergente que aqui delineei. E isso é  assim precisamente por estarmos numa fase de transição. Duvidamos suficientemente do passado para imaginarmos o futuro, mas vivemos demasiadamente o presente para podermos realizar nele o futuro. Estamos divididos, fragmentados. Sabemo-nos a caminho mas não exatamente onde estamos na jornada. A condição epistemológica da ciência repercute-se na condição existencial dos cientistas. Afinal, se todo o conhecimento é autoconhecimento, também todo o desconhecimento é autodesconhecimento.
Trechos extraídos de Um discurso sobre as ciências na transição para uma ciência pós-moderna, do jurista e professor Boaventura de Sousa Santos, autor da obra Introdução a uma Ciência Pós-Moderna (Graal, 2000), na qual ele faz uma crítica e reflexões com propostas que visam compreender a prática científica para além da consciência ingênua, ou oficial, dos cientistas e das instituições da ciência, e aprofunda o diálogo dessa prática com as demais práticas de conhecimento de que se tecem a sociedade e o mundo, submetendo as correntes dominantes da reflexão epistemológica sobre a ciência moderna a uma crítica sistemática, recorrendo à dupla abordagem - suspeição e recuperação. Veja mais aqui e aqui.

PRA VIDA OFEREÇO A OUTRA FACE - Pra quem colheu na rua as topadas da encruzilhada e foi embalado por trocentos desejos adiados prestes a cruzar a próxima esquina, todo paradeiro é distante pelas léguas do sem fim. Valho-me da coragem e resiliência. Aí entôo Nunca chore por mim. Andejo eu voo entre entusiasmos e decepções – é seguir cada qual a sina de agora, desatino da ilusão lutando contra as tentações do desespero diante da injustiça que inflige o sangue nas veias, para atravessar astuto os suplícios na sanção dos desígnios. Pelas ruas ganhei a pose e o disfarce, o abraço e o perigo da delação. Caminheiro eu vou, catando medicante afeto de mão amiga de bom ou mau grado, quem sabe, pouco importa, sei que vou como se definhasse no sonho de alcançar o melhor dos mundos – quanto mais sinto que dele me aproximo, mais longe o trajeto na estrada afora. Solitário eu prossigo com a acuidade do triz contando entre as vítimas sobreviventes do abandono às injúrias, difamações, insultos, mesquinharias, pretextos, avarezas, remorsos, estupidez, repugnância, frustrações, tormentos e menosprezo por todas as suposições e lamúrias que abundam sobre o meu cadáver, pouco importa se vivo ou se sou destroço jogado fora do lance, sobra o amor-próprio se é que ainda resta quase à míngua na redoma da solidão. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

UMA MÚSICA: 
Curtindo o álbum Baga (Columbia, 2012), da cantora, compositora, poeta e artista visual estadunidense Patti Smith.


Imagem1: a arte da pintora, desenhista e gravadora Mônica Nador.

O MODO DE EXISTÊNCIA DOS OBJETOS TÉCNICOS - Este estudo é animado pela intenção de suscitar uma tomada de consciência do sentido dos objetos técnicos. A cultura se constitui em sistema de defesa contra as técnicas [...] A agressividade orientada contra as máquinas não é tanto a raiva do novo quanto a recusa da realidade estrangeira [...] a mais forte causa de alienação no mundo contemporâneo reside nesse desconhecimento da máquina, que não é uma alienação causada pela máquina, mais pelo não conhecimento de sua natureza e de sua essência, pela sua essência do mundo das significações, e pela sua omissão na tabela de valores e dos conceitos que fazem parte da cultura. [...]. Trecho extraído da obra EI modo de existencia de los objetos técnicos (Prometeo, 2007), do filosofo e tecnologo francês Gilbert Simondon (1924-1989), tratando sobre a gênese e evolução dos objetos técnicos, as condições da evolução técnica, o ritmo progressivo técnico, o aperfeiçoamento contínuo e descontínuo, as origens absolutas de uma linguagem técnica, a hipertelia e autocondicionamento, a individuação técnica, encadeamentos evolutivos e conservação da tecnicidade, a lei do relaxamento, o homem e o objeto técnico, os modos fundamentais da relação do homem com o dado técnico, maioridade e minoridade social das técnicas, significação do enciclopedismo, função reguladora na cultura na relação entre o homem e o mundo dos objetos técnicos, a essência da tecnicidade, o pensamento técnico e o pensamento filosófico, entre outros assuntos. Veja mais aqui.


Imagem: os grafites do artista italiano radicado no Brasil Alex Vallauri (1949-1987).

PERNSAMENTO DO DIA: A TOTALIDADE - [...] A síntese da visão de conjunto que permite ao homem descobrir a estrutura significativa da realidade com que se defronta em uma situação dada. E é a estrutura significativa – que a visão de conjunto proporciona – que é chamada de totalidade. Trecho extraído da obra O que é dialética (Brasiliense, 1983), do filósofo Leandro Konder (1936-2014).

Imagem: Sleeping woman on a divan (1910), do fotógrafo Alfred Noyer.

UMA POÉTICA DO ROMANCE - [...] Tudo isso tem a sua razão de ser, chego mesmo a reconhecer que venha a ter importância para a sociologia – certas horas também duvido – e mesmo o socialismo (mesmo para a revolução proletária), para a psicologia e psicanálise (mesmo para a cura dos doentes... É altamente nobre, meritório e, como antigamente se dizia, cristão, mas pouca coisa tem a ver com o romance, com a narrativa e as suas estruturas, com o personagem e a vida do romance [...] Às vezes o leitor, quando o sinal é bastante caracteristico e forte, é capaz de “ver” perfeitamente o personagem, saber até como é o seu rosto, coisa que não acontece com o romancista, que quase sempre não sabe como é a cara da sua criatura. Repito: não se deve confundir essa “inocência” e pessoalidade com inconsciência, confusão, descontrole do material, despreparo artesanal, artesanato por natureza lúcido. Já casos em que não é nem um sinal físico do personagem, mas um jogo verbal do escritor [...]. Trechos extraídos da obra Uma poética do romance (Perspectiva, 1973), do escritor, advogado e jornalista Autran Dourado (1926-2012). Veja mais aqui, aqui e aqui.


Imagem: a arte inovadora da coreografa japonesa Hisako Horikawa, explorando o potencial da voz e do corpo.


 
POMBRAS URBANAS - O grupo Pombas Urbanas teve início em 1989, no projeto Semear Asas, concebido pelo artista, dramaturgo, ator e diretor peruano Lino Rojas (1942-2005), com o objetivo era de formar jovens de São Miguel Paulista, enquanto atores-orgânicos; aquele que não dissocia a arte da vida: produz, administra e alimenta sua própria arte. Com a sua orientação o grupo desenvolveu pesquisa sobre a formação do ator, linguagem e dramaturgia. E, em 20 anos de grupo, criou e montou um repertório de 12 espetáculos com diferentes linguagens: teatro de rua, palco italiano, público infantil, jovem e adulto. Entre os espetáculo que tive oportunidade de prestigiar, foi o Largo da Matriz (2004), texto e direção de Lino Rojas, que é um cortejo de Folia do Divino, tendo á frente um índio que carrega a imagem de um preto velho e um Jesus crucificado, com uma ação que se passa numa cidade imaginaria que será disputada pelo anjo e pelo diabo. Os integrantes do grupo são Adriano Mauriz, Juliana Flory Motta, Marcelo Palmares, Marcos Kaju, Natali Santos, Paulo Carvalho & Ricardo Big. Veja mais aqui.


DIAS DE NIETZSCHE EM TURIM – O drama biográfico Dias de Nietzsche em Turim (2001), dirigido por Júlio Bressane, é uma recriação do período entre abril de 1888 e janeiro de 1889, em que o filósofo viveu na cidade italiana, na qual escreveu alguns de seus textos mais conhecidos Ecce Homo, Crepúsculo dos Ídolos e Ditirambos de Dionisos, entregando-se totalmente às suas próprias idéias, envolvendo-se com a arte, ciência e sua própria vida. Destaque para as Leandra Leal & Mariana Ximenes, como também pro ator Fernando Eiras. Veja mais aqui.

 
Imagem: a arte do artista multimídia Hudinilson Urbano Junior (1957-2013).

AGENDA: III COLOQUIO SOBRE INCLUSÃO – Acontecerá entre os dias 13 e 14 de outubro, na cidade de Feira de Santa – BA, o III Colóquio sobre inclusão: desafios para superação de barreira de acessibilidade, propondo aprofundar discussões sobre inclusão social da pessoa com deficiência, envolvendo a comunidade da UFRB e a sociedade em geral. A atividade está sendo desenvolvida por docentes, discentes e técnicos do Centro de Ciência e Tecnologia em Energia e Sustentabilidade da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia - CETENS/UFRB que compõem o Núcleo de Estudos, Pesquisas e Extensão em Tecnologia Assistiva e Acessibilidade – NETAA. Para uma inclusão social eficaz, considera-se crucial que as barreiras de acessibilidade existentes no ambiente sejam atenuadas ou eliminadas, sejam elas urbanísticas e arquitetônicas, no transporte, na comunicação e na informação, metodológicas ou programáticas, tecnológicas ou atitudinais. Assim, o III Colóquio sobre Inclusão está organizado a partir de mesas dialógicas, agregando-se à programação atividades culturais e apresentação de trabalhos acadêmicos no formato de pôster, esperando-se como resultado estimular estudos e práticas assertivas sobre inclusão da pessoa com deficiência na sociedade. Veja mais aqui e aqui.

A GAIA CIÊNCIA
E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “Esta vida, assim como tu a vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes; e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indizivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequencia – e do mesmo modo esta aranha e este lugar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez – e tu com ela, poeirinha da poeira!” – Não te lçançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demonio que te falasse assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderias: “Tu és um deus, e nunca ouvi nada mais divino!” Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse; a pergunta, diante de tudo e de cada coisa: “Quero isto ainda uma vez e ainda inúmeras vezes?” pesaria como o mais pesado dos pesos sobre teu agir! Ou então, como terias de ficar de bem contigo mesmo e com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?
O mais pesado dos pesos, trecho extraído do Livro IV, da obra A gaia ciência (Companhia das Letras, 2012), do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: Nude, de Nancy Bossert.
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


sábado, novembro 17, 2012

ROGER VAILLAND, ROBERT BRINGHURST, MAY ALCOTT, SAROYAN & LITERÓTICA

 

A ARTE DE NANCY BOSSERT

Pensar fora da caixa é meu normal enquanto pinto, desenho e esculpo com uma abordagem de perspectiva diferente, usando materiais de uma maneira única e combinando o inusitado. À medida que me aproximo do assunto abstrato, meu trabalho assume uma qualidade sonhadora de fractal, movimento não objetivo na tela.

A arte de Nancy Bossert. Veja mais abaixo.

 


LITERÓTICA: O PRAZER ENLOUQUECEDOR DELA - Ela enlouquece ao perceber meu vibrante desejo descontrolado para tocar suave seus dedos alisantes por toda extenção, até encher a mão e tomá-lo para inspeção apurada por circundar o ápice enrejecido e louvar desesperada o que almeja na ponta da língua para lamber insana e abocanhar impune tudo o que o membro retesado oferta pro seu repasto. Assim mais delira atiçadora a sorver com gosto o acre sabor da minha clava salivada já a esfregá-la às faces, pele e seios, enquato desliza seus lábios atiçadores pela minha carne inchada, alcançando o meu beijo indômito enquanto se ajeita nua estirada para se apossar exageradamente ofegante da glande e todo tronco com a saudade de sempre. E monta ajeitada para cavalgar oferecida e penetrada para mais enlouquecer dominadora entre minhas buliçosas mãos a percorrerem a magnitude de seu corpo convulso e insaciável de cativa escaldante no calor do fascínio tórrido. Ávida pelo trote segue arrepiada como quem geme lancinante com o vigor delirante das profundas estocadas e arremetidas na profusa escalada do meu sexo a se deliciar trepidante por sua envolvente gruta totalmente explorada pela enfiada justa e certeira repetidas vezes até vê-la gritar nua lavada e impulsiva que é minha e toda minha nas pernas entrelaçadas pela fusão do vertiginoso prazer explodindo a libertação do extremo gozo preso ao orgasmo do seu momento de amor em carne viva. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - No momento de sua vida, viva - de modo que naquele bom tempo não haja feiúra ou morte para você ou para qualquer vida que sua vida tocar. Busque a bondade em todos os lugares e, quando ela for encontrada, tire-a de seu esconderijo e deixe-a ser livre e sem vergonha. Coloque na matéria e na carne o menor dos valores, pois essas são coisas que contêm a morte e devem passar. Descubra em todas as coisas o que brilha e está além da corrupção. Incentive a virtude em qualquer coração que possa ter sido levado ao segredo e à tristeza pela vergonha e terror do mundo. A arte não pode mais se dar ao luxo de desprezar a política, e parece que está na hora de a política aprender um pouco com a arte. Estou interessado na loucura. Acredito que seja a coisa mais importante da raça humana e a mais constante. A solidão não vem da guerra. A guerra não o fez. Foi a solidão que fez a guerra. Quando você rir, ria como o inferno. E quando você ficar com raiva, fique bem e com raiva. Tente estar vivo. Você estará morto em breve. Afinal, hoje é para sempre, ontem ainda é hoje e amanhã já é hoje. Pensamento do escritor e dramaturgo armênio William Saroyan (1908-1981). Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Quando você pensa intensamente e lindamente, algo acontece. Que algo é chamado de poesia. Se você pensar dessa maneira e falar ao mesmo tempo, a poesia fica na boca. Se as pessoas ouviam você, fica em seus ouvidos. Se você pensar dessa maneira e escreve ao mesmo tempo, a poesia é escrita. Mas a poesia existe em qualquer caso. A questão é apenas: você vai participar, e se sim, como? Pensamento do escritor estadunidense Robert Bringhurst.

 

OUTROS DITOS: As mentes humanas estão mais cheias de mistérios do que qualquer livro escrito e mais mutáveis do que as formas das nuvens no ar. Combater os defeitos não é tarefa fácil. É incrível como as coisas comuns se tornam adoráveis, se você souber como olhar para elas. Eu preferiria ganhar café do que elogios neste momento. O amor desarma o receio, e a gratidão pode dominar o orgulho. Ao longe, lá no briho do sol, estão minhas mais sublimes aspirações. Posso não alcançá-las, mas consigo olhar para o alto e ver suas belezas, acreditar nelas, e tentar seguir por onde elas me guiam. O poder de encontrar beleza nas coisas mais simples torna o lar feliz e a vida adorável. Pensamento da escritora britânica Louisa May Alcott (1832-1888). Veja mais aqui e aqui.

 

RETRATO DE LIBERTINO – [...] O libertino reserva a ternura à parceira que após muitas lutas mostrou ser adversário digno dele e a quem pode proclamar sua igual. Conquistou ela a sua estima e o seu respeito, e ele elevou-a à categoria de cúmplice. [...] A ternura que nasce da estima recíproca em que se têm dois libertinos é de uma espécie muito particular. Mais ainda que dos laços da cumplicidade, é feita da mútua piedade de dois seres igualmente conscientes do gratuito, da inutilidade fundamental do jogo a que consagram as suas existências [...]. Trechos extraído da obra Esboço para um Retrato do Verdadeiro Libertino (&etc, 1976), do escritor e dramaturgo francês Roger Vailland (1907-1965), autor também de A Virisova (Europa América, 1987).

 

O ELOGIO A XILO - a xilo / o isso / da xilo / o aquilo / a eira / a beira / da madeira / a xilo / a arte da / xilo / a feira / o cordel / a bandeira / o corte / a parte da / madeira / o ferro / o norte / o recorte / do ferro / na madeira / a xilo / o elo /da xilo / o azul / o vermelho / o ocre / o amarelo / da xilo / a doce / curva do / ferro / a arte chim / da xilo / a vez do / chinês na / xilo / a via do / índio / a voz do / afro / na xilo / o aquilo / o doce / morder do / ferro / na eira / na beira / no belo / da madeira /a xilo / o solo /da xilo / o fácil- / -difícil / da xilo / o demo / pavão / o lampião / a vênus /da xilo / o cristo / da xilo / o isto / a arte / a matéria / a medida / a mestria /a madeira /da xilo / o aço / o osso / o dado / o dedo / o índio / o afro / o chim / o não / o sim / o sem-fim / da xilo /o belo /solo de celo / da xilo / a bela / viola canora /da xilo /a xilo. Poema do poeta e tradutor Haroldo de Campos (1929-2002). Veja mais aqui e aqui.

 

A arte de Nancy Bossert.

 


CRÔNICA DE AMOR POR ELA – Tudo começou em 2002 com o Ela nua é linda. E foi a poetamiga Mariza Lourenço que concretizou a ideia com a criação do blog Crônica de amor por ela. Nesses 10 anos, muita pesquisa a partir de Reay Tannahill a Michel Foucault, passando por Engels, Kierkegaard, Nietzsche, Schopenhauer, Georges Bataille, Heleith Saffioti, Cecilia Toledo, Maria Amélia Teles e Monica Melo, afora uma abordagem feita desde a mulher na civilização celta, fenícia, suméria, até os dias atuais, na tentativa de realizar uma modesta visualização da trajetória da mulher na humanidade.


Resultado disso: poemínimos, poemetos e proserótica reunidas no livro Crônica de amor por ela, edição limitadíssima com capa dura e sob encomenda.


Também canções que viraram o Cantarau de amor por ela, um show realizado em dezembro de 2011, no teatro do Espaço Cultural Linda Mascarenhas, em Maceió.


E muito mais: a campanha Todo dia é dia da mulher. Até chegar no Cordel da Mulher. Por isso digo: o melhor do Dia Internacional do Homem é saber que todo dia é dia da mulher.  Confira os clipes realizados pela arte de Meimei Corrêa para os poemas do livro e canções do show aqui. Veja mais Crônica de amor por ela - Poemas & Canções aqui.



Veja mais sobre: 
Big Shit Bôbras, Machado de Assis, Bocage, Pablo Picasso, Milton Nascimento, Alfredo d'Escragnolle Taunay, Mike Featherstone, Fox Harvard, Julia Broad, Alessandra Maestrini, João Falcão & Maria Martha aqui.
 
E mais:
Henry Miller & 30 anos de arte cidadã aqui.
Quarto poema de amor pra ela aqui.
O Direito aqui.
Emma Bovary & Gustave Flaubert aqui.
A criação do mundo aqui.
Cantiga de amor pra ela aqui.
Crônicas palmarenses: gratidão aos professores aqui.
A pobreza aqui.
Saúde no Brasil aqui.
Dois poemas pra ela nua sexta-feira meio dia em ponto aqui.
Aos professores da gramática portuguesa aqui.
Eu & ela a festa do amor aqui.
A trajetória da mulher aqui.
Padre Bidião e o fim do mundo aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Derinha Rocha
Veja aqui aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.



NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Interregno das personas... - Havia o que já foi sem que desse nunca pelo que virá: só crescia de noite para ...