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sexta-feira, outubro 16, 2020

CARL SAGAN, HANNE DARBOVEN, HAROLDO DE CAMPOS, REGINA GOUVEIA, QUINTANA & PAULO MEIRA


  

TRÍPTICO DQC: PLANOLÂNDIA NO FECAMEPA - Ao som de Planolândia (Quarto Dimensões, 2019), o primeiro álbum de uma trilogia do trabalho conceitual desenvolvido pelo trio musical Pedro Ben, Davi Abel e Iegor Rainer. - Despertei com uma música jamais ouvida e meu quarto transformado numa sala de cinema. Ouvia duas pessoas discordantes em refutação mútua. Na verdade, eram três, ou quatro, aliás, muitos. Destacou-se entre eles um vulto não reconhecido que se apresentou como sendo o logógrafo, geógrafo e mitógrafo grego, Hecateu (550-480aC): A Terra é plana! Prova disso é o que diz Tales, Leucipo e Demócrito. Como é? Novo tumulto entre eles. Um terceiro depois identificado como sendo o astrônomo e matemático grego, Aristarco (210-230aC) mencionou: A Terra gira em torno do Sol! Logo em seguida Ptolomeu (90-168dC), com o seu Almagesto: A Terra é o centro do Universo! Ouvi alguém gritar que ele havia plagiado Hiparco, rejeitado Aristarco e que o seu único benefício foi ter criado o astrolábio. Novo tumulto, muitas vozes que se sobrepunham umas sobre as outras, até emergir no meio da discordância geral a figura de Copérnico, comprovado por Giordano e Galileu, que falou como se pusesse um ponto final na discussão. Novo tumulto e a censura imposta pela inquisição a respeito do que ele disse. Toma frente o britânico Parallax Rowbotham (1816-1885) defendendo o seu panfleto Zetetic Astronomy (1849): A Terra é plana! Isso deu gás pro John Hampden apresentar Um novo manual de cosmografia bíblica (1877), o que deu uma turbinada na ideia do inglês William Carpenter a publicar Cem provas de que a Terra não é um globo (1885), fato este que redundou na gritaria de pregadores, professores e outros que fundaram a Sociedade Zetética Universal, em 1893, defendendo ser a Bíblia a autoridade inquestionável e, por consequência, o definitivo terraplanismo, mantido pelas escolas de Zion e sob o argumento de que é uma tese ignorada. No zoadeiro ouvi que em 1956 foi criada a Sociedade da Terra Plana, no Reino Unido, que resistiu a tudo, inclusive ignorando o Sputinik, até ter sua sede incendiada e o evento de morte do mentor em 1990. Eita! A narrativa registrava o renascimento da instituição em 2004 e desde então tornou-se bandeira dos hackers Anonymous, incluindo a tese de que a gravidade é uma mentira, baseado nos estudos do teorista William Carpenter (1830-1996), do líder Charles K. Johnson (1924-2001), do presidente sul-africano Paul Kruger (1825-1904), do evangelista Wilbur Glenn Voliva (1870-1942), e das ações do ator David Wolfe, do jogador de basquete Kyrie Irving, de um aluno PhD tunisiano e da campanha GoFoundMe do rapper B.o.B. Ah, não! Que papo é esse? Um livro entrou em cena, o The Myth of the Flat Earth, de Jeffrey Russel. Sim? Logo um outro: o Flatland - A Romance of Many Dimensions (1884), de Edwin Abbott Abbott (1838-1926). Este último me chamou muito atenção porque dele foi fonte para uma série de filmes a respeito do tema e no Brasil foi traduzido com o título de Planolândia: um romance de muitas dimensões (Pictorial, 2019). Nossa! Que doidice, meu! Tudo isso é muito bizarro! Cá, comigo: e Einstein? E os buracos de minhoca e os objetos da quarta dimensão? E a faixa de Möebius? No meio das minhas indagações apareceu uma animação desconhecida: Dr. Quantum visita Planolândia - Quem somos nós? – Uma nova evolução. Depois, mais outra: Dr. Quantum dupla fenda. Sim? Cheio de interrogações e sem entender patavina do que se passava ali, surgiu o risonho Carl Sagan. Graças, foi uma longa conversa e esclareceu tintim por tintim falando sobre um Pálido Ponto Azul, a geometria euclidiana, a física newtoniana, a relatividade einsteiniana, a quadridimensionalidade e mais outras e tantas coisas. Ah, tá. Da minha parte a compreensão de que há seres que ocupam as mais diversas dimensões, sabendo que há quem viva na bidimensionalmente, nós estamos na tridimensional; e eu sou crisantempespaço proutras multipluridimensões. É isso aí.

 


NOVA DOSAGEM & DE NOVO – Imagem: a artista conceitual alemã Hanne Darboven (1941-2009). – Estava mergulhado nas minhas reflexões quando ela achegou-se mansamente e recitou-me com o sotaque de estrangeira: O nosso Universo é quadrimensional, / a quarta dimensão é fundamental / e já não faz sentido a seta do tempo. / Daí eu não saber se este sofrimento, / esta dor aguda que me invade o peito, / afinal é causa ou será efeito. Belo poema e ela falou-me ser este intitulado Indeterminismo, da poeta Regina Gouveia. Fiquei impressionado com a presença dela ali ao meu lado e entregou-me algumas publicações: Ciência para meninos em poemas pequeninos (Porto, 2014); Entre margens (Lua de Marfim, 2013), Terras de Cieiro (CMAlfândeha da Fé, 2013), Quando mel escorre nas searas (Lua de Marfim, 2016), Quando o mistério se dilui na penumbra - Magnetismo terrestre (Autor, 2017) e Requiem pelo planeta azul / Reflexões e Interferências (Autor, 2017), todos da mesma autora. Recitou-me, ainda, Máquina do Mundo: Não havia espaço / Não havia tempo. / Apenas um nada, grávido de tudo, / Numa ínfima parte do segundo, / o nada deu à luz a máquina do mundo / que irrompeu do útero e, despudorada, / foi abrindo frestas / uma escuridão densa e recatada. Não conhecia nem a autora nem quem recitou os poemas dela. Disse-me apenas num inglês peculiar: I am Hanne. E sorriu apanhando um livro que eu havia separado para ler: Crisantempo - no espaço curvo nasce um (Perspectiva, 1998). Inclinou-se e fitou-me interrogativa, respondi-lhe ser a reunião com as últimas produções e o percurso inventivo de Haroldo de Campos. Ela sinalizou que sabia de quem se tratava, abriu o volume e leu ao seu modo o poema diana caçadora: agora resta ver / (mas é preciso saber ver) / como o arco da deusa caçadora / por um triz / não lhe toca - / trivia ride le ninfe etterne / a escorreita / (divinal) bundinha. Sorriu lindamente, meneou a cabeça, sobrancelhas arqueadas e inquiriu: What's in it for me. Intuitivamente recitei o primeiro que me veio à cabeça, o Pequeno poema didático, de Mário Quintana: Todos os poemas são um mesmo poema, Todos os porres são o mesmo porre, Não é de uma vez que se morre… Todas as horas são horas extremas! Ela repetiu várias vezes as duas últimas palavras: Horas extremas... Horas extremas. E falou que eu era uma hora extrema.

 


A VIAGEM DELA QUE SE DEU EM MIM – Imagem: Kulturgeschichte, da artista conceitual alemã Hanne Darboven (1941-2009). - Levou-me pela mão por diversos salões até que visualizei a placa com o nome do evento. Olhei para ela e ela a mim. Indaguei: Você? Sim. Era ela e a sua arte, eu sabia, desconfiado adivinhava. E fiquei maravilhado com cada uma das obras ali expostas, eram muitas, demais. Conferia uma a uma, pelas tantas daquela imensa exposição. Eis que ela puxou-me levando-me corredor afora até uma área livre do anexo. Sacou do bolso do blusão um cigarro, ofereceu-me o maço, retirei um e tragamos nossa hipnose mútua fixada um no outro, no meio daquele ambiente bastante arborizado. Ela nos meus olhos e eu nos dela, calados, a fumaça do nosso trago atravessando nosso olhar fixo um no outro. Havia um ar de satisfação no meio do sorriso comedido dela. Eu não conseguia pensar em nada, a não ser naqueles olhos azuis compenetrados, interrogativos, provocadores. Era como se conversássemos silenciosa e intimamente. Sabia o que ela me dizia e acredito que adivinhava o que se passava em mim. Depois de longo tempo ela aproximou-se, beijou-me os lábios e me permitiu a descoberta do que jamais fosse possível. Até mais ver.

 

O MARCO AMADOR, DE PAULO MEIRA


O marco amador: Bordas de Silêncio, Las Outras, Cursos, A perder de vista, 15 minutos de Alice Coelho – Catálogo Prêmio de Artes Plásticas Marcantônio Vilaça (Funarte, 2014), do premiado artista visual, designer gráfico e professor Paulo de Araújo Meira Júnior, que desenvolve obras em diversas linguagens como vídeo, jogos eletrônicos e vídeo instalações e co-fundador do coletivo Camelo. Veja mais aqui e aqui.

 



terça-feira, novembro 21, 2017

HAROLDO DE CAMPOS, MAGRITTE, GISMONTI, KUNDERA, CÉLIA LABANCA, POESIA ABSOLUTA, PRAIEIRA & CORTÊS

O VÔO DE MAGRITTE - Imagem: The Kiss (1951), do pintor belga Rene Magritte (1898-1967). - Um salto e sei a minha pequenez: quero voar. Antes me fosse possível abrir os flancos, projetar o espaço e ser-me além do tempo. Um pulo e os tropeços, um passo e os baques, um pinote e as quedas, degraus, atropelos, escadas e correiras, ladeiras e embaladas: humano sou, quero mais. O sonho do voo: cadê minhas asas! Num esforço abro minhas portas, estavam trancadas, tenho de escancará-las. Se assim não fizer, serei só fracassos. Forço meus flancos, braços abertos: sou maior que a mim mesmo, posso ir prali, pracolá e voar. Sei disso, posso, vou. Os pássaros passam e a sua ascensão na minha quimera: as nuvens às mãos, pro alto eu vou de olhos fechados e visualizo descampados, planícies, maravilhas, torpezas, calamidades. Hei de melhorar a mim para compreender o que posso. Quisera ensinar a olhar daqui de cima, quão ínfimos, quão íntimos somos tudo e todos. Aprendo a arte, sou o dom: o coração alado e o universo nos olhos – vejo que posso ser mais que sou, ainda, ir além, alcançar a imensidão. Aprendo mais: pra guerra faço Paz, sorrio e aprendo o Sol. Sei de ontem, sou hoje, vivo amanhã. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial do compositor, arranjador, cantor & multinstrumentista Egberto Gismonti, reunindo seus álbuns Em família (1981), Feixe de Luz: todo começo é involuntário (1988), Fantasia (1992), e apresentações ao vivo com a Orquestra Corações Futuristas, com trio no Montreal Jazz Festival, com Jane Duboc, Al Di Meola, John McLaughlin, Paco De Lucia, Hermeto Pascoal, Naná Vasconcelos e Hamilton de Holanda. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIAO eterno retorno é uma ideia misteriosa, e Nietzsche, com essa ideia, colocou muitos filósofos em dificuldade; pensar que um dia tudo vai se repetir tal como foi vivido e que ssa repetição ainda vai se repetir infinitdamente! O que significa esse mito insensato? [...]. Trecho extraído da obra A insustentável leveza do ser (Rio Gráfica, 1983), do escritor tcheco Milan Kundera. Veja mais aqui.

A REVOLUÇÃO PRAIEIRA – [...] Muitos sacrifícios custou realmente a luta da Praia ao povo pernambucano. O número de mortos e feridos excedeu o que se havia registrado nas revoluções anteriores. Depredações, perseguições, prejuízos de toda sorte atingiram a população da província. Entre os próprios chefes da política, opu entre os comandavam a revolução, não foram pequenas as baixas, nem faltou para eles o castigo imperial. [...] No processo do Recife, foram pronunciados 54 indiciados no movimento, sem contar os condenados em outras comarcas da província. [...]. Trecho de A revolução praieira, extraída de Assuntos pernambucanos (Tempo Brasileiro/Fundarpe, 1086), do jornalista, advogado, escritor, historiador e ensaísta Barbosa Lima Sobrinho (1897-2000). Veja mais aqui, aqui e aqui.

CORTÊS – O município de Cortês é forado pelo distrito sede e pelos povoados Agrovila, Barra de Jangada e Usina Pedrosa. Surgiu a partir do sítio homônimo, em 1872, localizado às margens do Rio Sirinhaém, no então distrito de Ilha de Flores, comarca de Bonito. Em 17 de abril de 1875, ocorreu a passagem da estrada de ferro de Ribeirão a Bonito, mas a construção foi interrompida, sendo em Cortês a estação terminal. Em 1892 instalou-se na região a Usina Pedrosa, impulsionando o desenvolvimento local. Em 5 de janeiro de 1911 foi criado o distrito, pertencente ao distrito de Amaraji e o povoado tornava-se vila. O município foi criado em 29 de dezembro de 1953. Veja mais aqui.

DAS COISAS DA MINHA TERRA - [...] Como se vê, por lá havia mesmo de tudo. passavam até boiadas! [...] Seríamos medo das boiadas, invariavelmente, todo fim de tarde, durante o ano inteiro, assume ela. Na época de Carnaval, amedrotavam-nas os caboclinhos, que, sendo lindos manifestantes da resistência cultural do estado, ao chegarem àquela ruam em seus típicos trajes de índios, correndo com passos firmes de ir e vir, para frente e para trás, sempre em filas indianas, frenéticos e fortes, marcadas pelos tacapes que portavam e com seus enormes cocares, quase as levavam, à morte. Por aflição [...] nenhuma delas tinha medo, no entanto, quando também aos domingos de todos os carnavais, à tardinha, por lá passava o Maracatu de Dona Santa cumprindo seu itinerári. Maracatu-rei, referencia para todas as nações. Dona Santa era negra simpática e enorme de gorda. Segurava a boneca do maracatu que tinha saia longa, ricamente bordada com fitas coloridas, enfeitada de babados e de bicos de organdi e bordado inglês, que lhe encobria a mão esquerda. [...] Ela e seu grupo na dança de rodas cantavam e dançavam as eternas modinhas infantis: “Atirei o pau no gato”, “Eu vim de tororó”, “Terezinha de Jesus”, “Eu sou pobre, pobre, pobre”, “Une-dune-tê” e “Escravos de Jó”, quando não jogavam pedrinhas sentadas na calçada, ou pulavam academia, cujos traços eram feitos na calçada a giz [...] Quando lhes sobrava energia, jogavam ainda, e como sempre no meio da rua [...], meninas contra meninos, o jogo de espião, que também chamavam queimado. [...]. Trechos extraídos da obra Aminta (Bagaço, 2008), da escritora Célia Labanca. Veja mais aqui.

AUTO DO POSSESSOCENA 1 – UM GIGATE SUGA A NOITE PELOS EUCALIPTOS – O AMANTE Dá-me, ó amada de olhos vítreos, / que eu te celebre nos jardis suspensos / onde o delírio abriu as pétalas do álcool! A AMADA Ouve: / agora, junto ao mar / um enxadrista joga. O AMANTE O outono junto ao mar... / amiga, parte a cápsula do sábado, / e vê que dancem no ar os dervixes do vento. A AMADA Odeio o mar. / Odeio o ruído do mar. O vento. / Olha a porfia dos cavalos pretos / no teu vizinho que jogou xadrez! O ENXADRISTA (para o Amante) Que fazer dos peões do levante / e do velho rei calvo? / Que fazer da rainha branca / apavorada entre os roques? A AMADA Jogá-la ao mar, / eu disse: é jogá-la ao mar. O AMANTE Amiga, dá-me que eu cante / à luz de uma estrela crua; / onde teu corpo jazia, coalhado de rosas mornas; / onde os rostos dos suicidas entrementes se devoram; / onde nasce um lírio adunco, à luz de uma estrela crua. CENA II – O ESPELHO DIANTE DO MAR – O POSSESSO A que vai morrer naságuas / vestiu-se de insônia e tule, / fiou seus cabelos verdes / na roda do vento sul. / A que vai morrer nas águas / caminha entre lampadários, / fugida do ás de espadas, / é a doida que vem do sul. O EXORCISTA No sexto dia tu eras / a voz que imprecava ao céu. / Eras o bruxo e sentavas / à esguelha de Capricórnio. A AMADA ... Jogá-la ao mar. O EXORCISTA Colheste o lótus salobro / no turvo arrioi da frebe / que desce um monte calvo / por sete bocas de treva. O POSSESSO Que pode a face da lua / contra sua tépida face / de lua mal-sazonada? / Que podem os olhos d’água / contra seus olhos que acenam / fanais e espumas à água? AMADA E O EXORCISTA (a um tempo) Em disse: é jogá-la ao mar! O EXADRISTA Modera, ó bispo noturno, / a faina em meu tabuleiro / e atende: um poeta nasce / nos bulbos do mês de agosto. CENA III – A MONTANHA E O VALE – O ENXADRISTA Teu filho nasce do vente / duma virgem do Tibet, / cuja flor, polinizei-a / nas estrufas do desmaio. / Ele será o feiticeiro de Radja Gomba, / e a sua voz precipita as rolas carnívoras / quando o YAMA polofronte / dança no círculo das mãos. O EXORCISTA por isso, / renuncia! O ENXADRISTA Proporá libações nos sabats de setembro, / onde magas desnudas assolam o quadrante / amarradas à crina dos javalis. O EXORCISTA Por isso, / renuncia! A AMADA Rude e cruento, o amor! / Meu seio lhe dará moderação e páscoa. / Enfraqueço na água o vinho dos meus lábios, / e minha carne sabe a pão ázimo ou trevo. O EXORCISTA Renuncia, / oh renuncia! O POSSESSO Certo poderei acalentar-te o púbis / minado de papoulas! / Dá-me, ó rês submissa, que eu celebre, / e que erga o teu corpo no meu canto / como um troféu no topo dos cristais! O ENXADRISTA Mulher, / eis aí teu filho. Poema extraído da obra Melhores poemas Haroldo de Campos (Global, 2000), reunindo poemas de do poeta e tradutor Haroldo de Campos (1929-2002), organizado por Inês Oseki Dépré. Veja mais aqui e aqui.

POESIA ABSOLUTA NA BIBLIOTECA FENELON BARRETO
Apresentação da Poesia Absoluta aos estudantes da rede pública de ensino, na Biblioteca Fenelon Barreto, pelo cantor, compositor e poeta Zé Ripe. Veja mais aqui.

Veja mais:
O pensamento de Voltaire aqui e aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor belga Rene Magritte (1898-1967).
Veja mais aqui.


terça-feira, agosto 02, 2016

HAROLDO DE CAMPOS, GENETON MORAES, BRIAN DUFFY, LEO LOBOS, BUTTERFIELD, ADRIANA ZAPPAROLLI, LAURA BARBOSA, FONTE & BRASIS


OS TANTOS E MUITOS BRASIS – Não há um Brasil só, muitos: o do Norte, o do Nordeste, o do Sul & Sudeste, o do Centro Oeste; o de Pindorama que foi e é sempre preado, encurralado, dizimado, estornado e injustiçado. Há o Brasil dos que pagam todos os patos e contas – os Fabos que são carrascos pela subserviência e que transitam nos propinodutos perenizando a corrupção, e, também, os absortos quase desconectados com seus umbigos no presente que não estão nem aí pra quem pintou a zebra e só querem ver o circo pegar fogo. Também o Brazil dos que queriam que fosse noutro lugar (na Europa ou nos USA, por exemplo) e que deveria ser grafado “z” e não com “s”, que são aqueles que tiram daqui tudo pra sua riqueza e gastar lá fora, só na exploração e cavilação de botar pra ferrar nos que são bestas – como eu - e não podem sair daqui nem dali nem ir pra nenhum outro lugar porque não tem onde cair morto. Há ainda o Brasil das duas Histórias: a oficial paradisíaca, ricaça e cheia de heroísmo, pacifismo, perfurmaria e mentiras escondidas em baixo do tapete; e a outra verdadeira escondida porque envergonha e ninguém se lembra, a que é feudal e oligárquica, golpista, desumana e só pro compadrio, carregada de sangue, injustiça, safadeza, carteiradas e blefes. Todos esses Brasís são o mesmo Brasil que ninguém leva sério e só serve pra piadas no mundo inteiro por suas anomalias, contradições e paradoxos: o do Fecamepa, o do Big Shit Bôbras da esculhambação na maior zona geral; o do Hino – que ninguém sabe cantar – e da Bandeira que tripudia e só tem Ordem e Progresso no nome. Há muitos outros e tantos, todos esses Brasis são um só e que faz parte dos quase 200 milhões e lá vai tampão de Brasís que pipocam aos tantos para ser muitos e quase nenhum. Esse o verdadeiro Brasil de zis Brasís. E vamos aprumar a conversa & tataritaritatá! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA: FONTE
Quero que você me venha de manhã plantar a luz do sol
Com sua fonte a minar e em mim se escorrer
E aguando esta ternura a gente dê vontade de nascer:
Beijar-lhe o ventre e ver a vida a rolar
Vai ser demais!
O tempo vai ruir pra nós, desexistir
Incendiar o corpo, a voz
A sede saciar na foz, assim, asssim, sedento
A diluir-se em flor pelos confins
Em você está o que sou eu, será promessa inteira do querer?
Amor, que vai ser de mim
Se um dia essa vontade de viver perder o amor de vista
E esquecer angústia de não ter raiz? O ar desvencilhar-se do nariz?
Será de mim, o que será do meu coração?
Será de mim...
(Fonte, letra & música de Luiz Alberto Machado. Crônica de amor por ela. Veja mais abaixo & aqui. Veja o clipe aqui)

PESQUISA:
[...] A poética sincrônica (estético-criativa), no sentido em que a conceituo para propósitos bem definidos, está imperativamente vinculada às necessidades criativs do presente: ela não se guia por uma descrição sincrônica estabelecida no passado, mas quer substituí-la – para efeitos, inclusive, de revisão do panorama diacrônico rotineiro – por uma nova tábua sincrônica que retira sua função da literatura viva no presente. [...].
Trecho da obra A arte no horizonte do provável (Perspectiva, 1977), do poeta e tradutor Haroldo de Campos (1929-2002). Veja mais aqui e aqui.

LEITURA
É difícil ser um pássaro / e voar contra a tormenta / melhor é como um gato estar / sempre atento às brasas / cerca da chaminé / e escutar / sempre atento escutar / três línguas diferentes falarem / um idioma fascinante / misterioso e conhecido / ouvir e ir em sua música / em suas luzes e próprias / e universais sombras / fotografar / por um só segundo / fotografar com os olhos seus perfis / de ser possível / flutuar /dentro / da sala / como / um pássaro / na / tormenta.
Poema Três mulheres, um piano, um gato e uma tormenta (tradução de Adriana Zapparoli) & a arte do poeta, ensaísta, tradutor e artista visual chileno Leo Lobos. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
[...] As queixas que eventualmente se fazem sobre a morte da reportagem têm razão de ser. Afinal, só quer ser repórter, hoje, quem é dono de uma irresistível vocação masoquista. É melhor ser um bem-remunerado cirurgião de textos alheios. [...].
Trecho de apresentação da obra Cartas ao planeta Brasil (Revan, 1988), do jornalista e escritor Geneton Moraes Neto.

IMAGEM DO DIA
A arte do fotógrafo e produtor de cinema Brian Duffy (1933-2010).

Veja mais sobre Nascente publicação lítero-cultural, Maurice Maeterlinck, Naná Vasconcelos, Psicologia da Saúde, Peter Weiss, Marcelo Grabowsky, Albert Edelfelt, Leo Lobos & Companhia de Ballet Eliana Cavalcanti aqui.

DESTAQUE: ADRIANA ZAPPAROLLI

POESIA & IMAGEM: A EXPRESSÃO DO VERBO NA DANÇA VISUAL DOS SENTIMENTOS
Sentimentos de Adriana: verso, corpo e alma. Imagens: a mística expressão Zapparolli. E quase mais nada restava dizer depois da completude captada pelo Alfaya: a inteireza revelada. Mas como a poesia é reinvenção e a imagem suscita novos e outros olhares, novas possibilidades surgem da exploração dos atributos poéticos que brotam do eu que “nasce silêncio sem ter sido alma” porque a “poesia queima num espaço inapropriado pela paz que arranco de dentro de mim e insiro em ti em vão”. Poesia, imagem. Poesia & imagem abstratas: intimista em movimento a dançar as ambiguidades flutuantes na atmosfera do verso que se mostra do enleio e contorno dos seios no calor do encontro e o destroço da despedida, capturando escassez e excesso, estiagens e tormentas, recomeços e refazimentos, sinuosidades, sinergias, versos. Verso que vem das profundezas do corpo e sai pelo dorso carregando a palavra de sangue no desejo feito fogo-fátuo eternizado na memória das remotas lembranças, exorcizando os tantos significados que se revelam no espelho que é a própria poeta que se faz poesia na nudez coberta de pólen para medir a vida e migrar dos dias e noites da sua hermética celebração de afetos. Verso delicado de artesã com seu rubro cântico nos lábios que adivinham os mistérios do amor na boca da noite dos furores uterinos e atravessam a jugular para sorverem a suntuosa magnificência do encanto que se refugia na própria alma, como o sabor do vinho degustado ardentemente na taça da vida, sem interditos ou maniqueísmos. Verso que experimenta sombrios mistérios impetuosos da fêmea na sedução do olhar de Medusa, no encanto que não petrifica e flana nua pelos implícitos abraços do poema com sabor de carne almejada. Verso que exercita o cheiro interceptado da flor do ventre que lateja e se faz guardiã da dança que sai como açoite das coxias anímicas para o banho onírico no mar aberto da nudez oculta pelo palpável desejo de zênite. Verso que convida a conhecer o olhar feminino que se faz transgressão inocentada por ser lâmina afiada para desvendar segredos, magnética por ousar mergulho na corrente do rio em êxtase, impetuosa por usurpar entre parêntesis, xeque mate, tochas dos flancos, pontos nevrálgicos, metas intransponíveis e a deixar no cúmplice leitor a inquieta idéia de perseguir essa aventura revelada de ser simplesmente mulher. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor estadunidense W. Cortland Butterfield (1904 - 1977).
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra – Peace in World, by Laura Barbosa.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja aqui e aqui.



quarta-feira, agosto 19, 2015

SIVUCA, FLAUBERT, HAROLDO DE CAMPOS, ALDA GARRIDO, MARIA DE MEDEIROS, DURKHEIM, CAILLEBOTTE, AMULETO & BRINCARTE DO NITOLINO.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? AMULETO - Piso forte o meu chão. E a minha dor é eterna. Ontem na ideia presente, a imatura utopia, a gula da adolescência. Hoje o vidro se quebrou e o neófito perdeu a surpresa. Nunca sagrar a covardia nem tutelar a servidão. Nunca engolir o sol, nunca impor preços - os preços só vendem, aviltam! E se a fera rugir lá de longe, lá que fique. Posso espreitar o seu eco. Tomara nunca precise de contenda. Piso forte o meu chão. Hoje a esperança na tez do meu pai. Hoje a esperança estornada pela lei da injustiça. Hoje eu ergo o mundo e enfrento deus. Piso forte o meu chão. E a minha dor é eterna. Nos meus músculos os estigmas de todas as batalhas. Na minha língua a lâmina da loucura. Nos meus olhos, oh nos meus olhos o horizonte. Piso forte o meu chão. E a minha dor é eterna. Depositei no meu filho morto o parto do meu sonho. E não deixei morrer o último ânimo. E estou só, nada em troco.  Tudo para valer a poesia nossa de cada dia. Piso forte o meu chão. Amanhã eu não sei. Com a minha morte tudo passará. E deixarei meu coração na primeira esquina. (Amuleto, Luiz Alberto Machado. Primeira Reunião: Bagaço, 1992). Veja mais aqui, aqui e aqui.


Imagem: Garden Rose and Blue Forget Me Nots in a Vase, do pintor francês Gustave Caillebotte (1848-1894)


Curtindo o álbum Sivuca Sinfônico (Biscoito Fino, 2006), do multi-instrumentista, maestro, arranjador, compositor e orquestrador Sivuca – Severino Dias de Oliveira (1930-2006) e a Orquestra Sinfônica do Recife.

BRICARTE DO NITOLINO – Hoje é dia de reprise do programa Brincarte do Nitolino, nos horários das 10hs e das 15hs, no blog do Projeto MCLAM, com apresentação de Isis Correa Naves. Na programação, muitas atrações: José Paulo Paes, Todo dia é dia de ser criança, Turminha Paraíso, O menino da beira do rio, Turma do Cristãozinho, A criação do mundo & muito mais músicas, poesias, brincadeiras e histórias para a garotada. No blog livros e informações a respeito de Educação, Psicologia, Direito das Crianças e Adolescentes, Teatro, Música e Literatura Infantis. Para conferir online é só clicar aqui ou aqui.

A SOCIOLOGIA DE DURKHEIM - Émile Durkheim (1858-1917) definiu o objeto sociológico como fato social que possui características definidas a partir da generalidade, da exterioridade e da coerção social. Na generalidade, o fato é geral e ocorre com todas as pessoas; na exterioridade, os fatos existem antes das pessoas nascerem e são exteriores aos indivíduos; e na coerção social se conformam as regras sociais exercidas sobre os indivíduos. Assim os métodos do conhecimento sociológico deve ser analisado a partir da visão neutral, da coisa e do objeto exterior ao individuo. Isso porque, para Durkheim, o objetivo da Sociologia como ciência empírica e disciplina acadêmica é comparar sociedades por meio da observação experimental, como método positivo apoiado na experimentação, na indução e na observação. Esse método, por buscar a objetividade, se assemelhava ao adotado pelas ciências naturais, sendo, no entanto, sociológico. Por isso, ele definia a Sociologia como a ciência das instituições da sua gênese e do seu funcionamento. E os fatos sociais constituem o objeto próprio da esfera do conhecimento, compreendendo toda maneira de agir fixada ou não na coerção do individuo e extensão da sociedade que se explicam por seus efeitos sociais. Para tanto, a divisão do trabalho é um fato social e que a sociedade é uma síntese dos fatos sociais que estão na coletividade, ou seja, os fatos sociais são representações coletivas. Quanto ao estado de anomia se define quando a sociedade está em crise por ausência de normas, regras ou leis que organizem a sociedade, registrando-se o aumento das revoltas, problemas sociais e altos índices de criminalidade. Veja mais aqui e aqui.

AS TENTAÇÕES DE SANTO ANTÃO – No romance As tentações de Santo Antão (La Tentation de Saint Antoine, 1874 - Iluminuras Ltda, 2004), do escritor francês Gustave Flaubert (1821-1880), destaco o trecho: No cume de uma montanha, na Tebaida, há uma plataforma talhada em meia-lua e circundada de rochedos. A cabana do eremita fica ao fundo. É feita de barro e de caniços, e teto plano, sem porta. Vê-se lá dentro uma moringa e pão escuro. Ao centro, num estrado de madeira, um livro enorme; espalhados pelo chão, filamentos de esparto, duas ou três esteiras, uma cesta, uma faca. A dez passos da cabana há uma cruz alta, plantada no chão. No outro topo da plataforma, uma velha palmeira torcida pende sobre o abismo, porque a montanha é talhada a pique, e o Nilo parece formar um lago na base do penhasco. A barreira de rochedos encobre a vista de ambos os lados. Mas da banda do deserto, como plagas sucessivas, imensas ondulações paralelas, cor de ouro cinzento, espraiam-se umas após as outras, sempre se elevando. E para lá das areias, muito ao longe, a cordilheira líbica forma um muro de aspecto calcário, levemente esfumado de vapores violáceos. Em frente, declina o sol. O céu, ao norte, é de um cambiante cinza-pérola, e no zênite, nuvens cor de púrpura, esparsas como madeixas de uma juba gigantesca, estiram-se na abóbada azul. Estes raios incandescentes escurecem; o fundo anilado toma a cor do nácar, as moitas, a penedia, a terra, tudo agora parece duro como o bronze; e paira no ar uma poeira de ouro tão tênue, que mais parece a vibração da luz. Santo Antão de grandes barbas, os cabelos longos, um manto de pele de cabra, sentado de pernas cruzadas, está fazendo esteiras. Mal vê desaparecer o sol, suspira fundo, e murmura de olhos fixos no horizonte: Mais um dia... Mais um que passa. Mas outrora, eu não era tão miserável. Antes de expirar a noite já começava as minhas rezas; depois descia o rio a buscar água, e retornava pela rude encosta, odre ao ombro, cantando hinos. Em seguida, entretinha-me a arrumar a cabana. Pegava as ferramentas e me esforçava para que as esteiras fossem bem iguais, e leves as cestas; pois minhas ações mais ínfimas me pareciam então deveres que nada tinham de penoso. A horas certas, largava o trabalho e, rezando de braços abertos, sentia como que uma fonte de misericórdia derramar-se dos altos céus sobre o meu coração. Mas agora essa fonte secou. Por quê? Ele caminha lentamente, de um lado para o outro, no recinto das rochas. Todos me criticaram quando abandonei o lar. Minha mãe ficou profundamente abatida, minha irmã me acenava de longe para que eu voltasse, e a outra chorava, a Amonaria, essa menina que eu encontrava todas as tardes à beira da cisterna, tangendo os búfalos. Correu atrás de mim. Suas argolas dos pés luziam na poeira, e a túnica aberta nos quadris flutuava ao vento. O velho asceta que me levava atirou-lhe insultos. Os nossos dois camelos continuaram galopando e nunca mais vi ninguém. Escolhi primeiro, para habitar, o túmulo de um faraó. Mas circulam feitiços nesses palácios subterrâneos, onde as trevas parecem adensadas pelo antigo fumo dos incensos. Do fundo dos sarcófagos ouvia sair uma voz dolente que me chamava; ou então sentia viverem, de repente, as coisas abomináveis pintadas nos muros e fugi na direção do Mar Vermelho, para uma cidadela em ruínas. Ali, tive por companheiros os escorpiões que coleavam entre as pedras, e águias, no céu azul, rodopiavam sem parar por cima da minha cabeça. De noite, era dilacerado por garras, picado por bicos, roçado por asas macias, e demônios medonhos, uivando nos meus ouvidos, me atiravam ao chão. Só fui socorrido pela gente de uma caravana que ia para Alexandria e me levou junto. [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

2000 & HIERÓGLIFOS – Dois dos poemas do poeta e tradutor Haroldo de Campos (1929-2002) merecem destaque aqui, sendo o primeiro deles 2000: os portais do terceiro milênio / (do vestíbulo / do) / rodam sobre seus rodízios de três zeros / acoplados em c a u d a de cometa / a um dois redondo / rodam os signos do zodíaco / atiçando a cósmica / esfagulhante / tocha augural / o princípio-esperança / pilastra esquerda do portal / e a moura-desespero / pilastra à direita / sustentam ambas / (discordante concórdia) / os portões que rangem / sobre os três / zeros esféricos / onde o sûnya o / vazio búdico / esbranca / como olho de águia / absorto em redondos / plenissóis: / o olho e o astro / se contrespelham / um dois brônzeo / dupla garra de gonzos / articula os portais / enquanto os rodízios cantam / a música plangente dos batentes / que se entreabrem / no engaste dobradiço / dos quícios bronzefúlgidos / o anjo-esperança / e a gárgula-desespero / se confrontam / no aprazado convergir do / calendário / ao longo do estepário / do futuro que se entre- / mostra vaziopleno de latentes / acasos / o anjo e a gárgula se defrontam / do mais fundo / dos séculos a voz do sábio melancólico / soa ainda / ressoa / ainda / como antes / no entrecéu do porvir / que sibila seu enigma: / a voz velha do sabedor- / -das-coisas repete / seu refrão que o trânsito / das centúrias só fez / confirmar como caixa- / -de ecos: / "e eu me voltei / eu / e vi / toda a opressão / que é feita / sob o / sol / e eis o choro dos oprimidos / não há para eles / conforto / e da mão que os oprime / força / e não há para eles / conforto" / o anjo-esperança recua / em sua armadura de diamante / a gárgula-desespero jubila / no seu gótico esqueleto de pedra / : "aquilo que já foi / é aquilo que será / e aquilo que será / e aquilo que foi feito / aquilo / se fará / e não há nada de novo / sob o sol" - prossegue o-que-sabe  por entre as névoas / do nada / o arcanjo-esperança / tomado de sagrado / furor / flameja sua espada / multicentelhante / e rasga um claro / no ob-nubilado / horizonte onde / se engendra o / f u t u r o / a gárgula guincha / no seu nicho de pedra - / na lâmina / coruscante do gládio lê-se / cravejado em estrelas : / "a esperança existe / por causa dos desesperados" E também O hieróglifo para Mario Dchoenberg: o olhar transfinito do mário / nos ensina / a ponderar melhor a indecifrada / equação cósmica / cinzazul / semicerrando verdes / esse olhar / nos incita a tomar o sereno / pulso das coisas / a auscultar / o ritmo micro - / macrológico da matéria / a aceitar / o spavento della materia (ungaretti) / onde kant viu a cintilante lei das estrelas / projetar-se no céu interno da ética / na estante de mário / física e poesia coexistem / como asas de um pássaro - / espaço curvo - / colhidas pela têmpera absoluta de volpi / seu marxismo zen / é dialético / e dialógico / e deixa ver que a sabedoria / pode ser tocável como uma planta / que cresce das raízes e deita folhas / e viça / e logo se resolve numa flor de lótus / de onde / - só visível quando damos conta - / um bodisatva nos dirige seu olhar transfinito. Veja mais aqui, aqui e aqui.




TEATRO DE REVISTA – Um dos grandes nomes do cinema e do teatro de revista, Alda Garrido (1896-1970), estreou no palco aos 16 anos de idade, no Teatro Rival, com a peça Das cinco às sete, de Joracy Camarco, em 1912, integrando a dupla Os Garridos, ao lado do seu marido. Em 1928, ela se torna a Rainha das Atrizes. Estreou no cinema em 1940, com o filme E o circo chegou. Em 1953, atua na peça Dona Xepa, de Pedro Bloch, com a qual ela seguiu pro cinema e pra televisão pelo sucesso obtido. Em 1965, com a peça Entre louras e morenas, ela abandona a carreira, só em 1970, quando se preparava para voltar aos palcos com Maria Fofoca, falece às vésperas da estreia. Veja mais aqui.

MINHA VIDA SEM MIM – O drama Minha vida sem mim (My Life Without Me, 2003), dirigido pela cineasta espanhola Isabel Coixet, é uma adaptação da obra de Nanci Kincaid, conta a história de uma jovem que descobre ter pouco tempo de vida e por isso assume certas missões antes de partir. Ela é casada, tem duas filhas e mora em um trailer no quintal de sua mãe, uma mulher amargurada cujo marido está na cadeia. Apesar da vida simples que leva e dos constantes atritos que tem com a mãe, ela vive feliz ao lado das crianças, até o dia em que passa mal e vai parar num hospital. É quando descobre que está à beira da morte. Decide, porém, manter tudo em segredo. Entre suas derradeiras resoluções, estão: gravar mensagens para cada aniversário de suas filhas até ambas completarem 18 anos; fazer alguém se apaixonar por ela; e escolher uma nova esposa para o marido. O drama transcorre de forma delicada e o destaco vai para a belíssima atriz, cantora e cineasta portuguesa Maria de Medeiros. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
No Dia Mundial da Fotografia: foto das crianças tirando fotos! Veja mais aqui.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Quarta Romântica, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
Xilogravura A Professora, de J. Borges.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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SÓNIA SULTUANE, MARCO NICOLINI, RUBY BRIDGES, JOÃO FALCÃO & MUITO MAIS!!!

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Revestrés escatológico pra bufos e ranas... - Para quem não sabia, fingiu ou olvidou, muita coisa passou p...