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segunda-feira, julho 14, 2025

SAMANTA SCHWEBLIN, NANCY FRASER, PAULA ESPAÑA & PINTANDO NAS PRAÇAS DE PERNAMBUCO

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som de Monte A (2006), Without Sinking (Touch, 2009), Leyfðu Ljósinu (Touch, 2012) e Saman (Touch, 2014), da musicista, violoncelista e compositira islandesa Hildur Guðnadóttir (Hildur Ingveldar Guðnadóttir).

 

O que de pai, amigos, vida, a mulher... - Zeladim sempre foi um cara de sorte! Desde a mais tenra idade brincava com fogo aprontando das suas, escapando dos flagras às sonsas escapulidas. Pudera, o pai era um tanto prestigiado, o que lhe valia alguns privilégios dos compadrios às regalias vantajosas. Isso sem contar a proteção dum amigo do peito à toda prova, que o acudia sem pestanejar! Eis que, no mais que de repente, o pai teve um piripaque e, vitimado por um sopapo cardíaco, bateu as botas. E mal caíra a ficha do luto, o inseparável amigo se esborrachou todo numa barruada feia no trânsito. Danou-se tudo agora! Foi então que viu a sua estrela na testa escorregando e amoitando-se noutro lugar pouco recomendável. E agora? Lá ia ele triste, chutando lata, mãos nos bolsos, sem perspectiva. Dava de bico do pé na vida ingrata quando, aos pontapés nas tranqueiras espalhadas pelo chão, um bregueço saiu colorindo no meio duma fumaça azulada que o envolveu todo. Vixe! Arregalou os olhos e se viu diante de um gênio holográfico apressado e pronto pra atender seus 3 pedidos. Hem? Bora, logo! O quê? Vai, pede logo. E nessa lengalenga recusou todos: Quero tudo! Como? Tuuuuudo! O djinn cerrou o cenho, fechou a cara, esbravejou, olhou dos lados, coçou o cocuruto e teve uma ideia: Toma! Entregou-lhe então um estojo empoeirado, parecia coisa do arco da velha. Isso é tudo? Toma, porra! Recuou: Que droga é 9? Pegue! Ah, não! Aí o abantesma explicou: Vai, pega logo: é como se fosse um cachorro portátil. Cachorro? Ué, não é o melhor amigo do homem e, ainda por cima, esse não late, não lambe, não balança o rabo e é a última tecnologia inventada, é só controlar qualquer função, um dispositivo de operação à distância, dê graças ao Nikola Tesla. Oxe, cadê! Ah, tenho mais o que fazer! E num estalo de dedos foi-se deixando-o desesperado. Aí Zeladim segurou as pontas, conteve-se e ficou conferindo direitinho: era um troço imprestável, cheio duns pitocos embutidos. Isso é uma porqueira! Apertou, experimentou, fincou o dedo no negócio e, do nada, apareceu uma tevê gigante! Tudo pelo telecomando! Hummmm... Foi gostando: tinha tudo que quisesse, bastava apertar e escolher. Mesmo? Fez o teste e saiu encarcando o polegar no brebote, metendo o dedo pra cima e as coisas aparecendo e logo se transformavam ao seu redor: comida pra encher a pança, bebida pra molhar o bico, até um foguetáxi pra ir pronde quisesse. Foi gostando: Eita! Num sou Aladim, mas tenho a verdadeira lâmpada maravilhosa! Foi pressionando ali, clicando acolá, viu-se detentor de poderes ilimitados: Vou ser o rei de Magreb. E diante de si todo tipo de cacarecos, bagulhos, bugingangas, trecos, joças, tudo ali ao dispor. Pense num cara espaventoso! Aí viu passar na tela a sua Galateia virtual. É ela! Voltou as imagens, deu pausa, enquadrou, ampliou a imagem da face, depois o corpo inteiro. Hummm... Ah, precisa duma turbinada! E caprichou no engenho: os olhos safados, a cútis de cetim, a boca de grandes lábios, o decote da vizinha – que glamourosos par de seios no decote, meu! -, os quadris da professora – que arte esteatopígica! -, as coxas colossais, o molejo das modelos na passarela. Depois de todo ajeitado, ele chamou na grande: Venha, minha escrava, dá aqui pro papai, vai! Ela saltou fora da tela e ali, diante dele, ao vivo e em cores, fitou com desdém e já ia se virando: Esse seu trono aí é muito frágil pra rainha aqui, viu? Ué, mas fui eu quem inventou você. Hem? Ela com uma olhadela desconfiada já ia saindo, deu-lhe as costas e seguiu, nem aí. Ele não caiu na real e nem deu tempo encará-la direito. Ei! Ei! Eiiiiii! Ela dobrou a esquina e já era. Cadê-la? Solitário resmungava: Logo hoje, merecia meu presente! Moral da história: o melhor do dia do homem é saber que todo dia é dia da mulher. Até mais ver.

 

Octavia Butler: Há um tempo para o silêncio. Um tempo para deixar ir e permitir que as pessoas se lancem em seu próprio destino. E um tempo para se preparar para juntar os cacos quando tudo acabar... Veja mais aqui & aqui.

Espido Freire: Numa época como a atual, em que nossos olhos mal pousam em um tema antes de saltar para outro, mais escandaloso, mais impactante, os livros precisam recuperar seu ritmo lento, a necessidade de transcendência essencial à reflexão e ao aprendizado para dar um mínimo de sentido à sociedade moderna... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Deborah Colker: Saber gritar e calar, agir e esperar, lutar e aceitar. Superação é inteligência, apropriação, conhecimento, disciplina. Superar é curar!... Veja mais aqui & aqui.

 

DOIS POEMAS

Imagem: Acervo ArtLAM.

DESERTO - A paisagem ondulante e antiga, as falhas da terra \ e a história de um mundo entrou em colapso. \ Nunca houve ninguém aqui, por isso não há tragédia nas tuas palavras. \ É por isso que o vento cai. \ no rachinho da sua voz. \ Animais mal desenfreados voam \ com asas de morcego no barro e na rocha. \ Tudo isso não era nada. \ E nada era tudo: cordilheiras, geleiras, fundo de água \ petrificado com o sol. Perseguição da morte \ A vida e vice-versa. Falamos sobre essas coisas e outras \ na intimidade do carro, tão longe da sua boca \ - Há o meu. \ Onde havia amor antes.

POEMA 16 - Na selva, naquela noite \ Ele tomou o suco de uma planta \ mais amargo que vinho e concentrado \ Como medicamento ou veneno \ E depois de beber, eu sabia\ Que fui eu que escalou diante dos meus olhos \ Enquanto outros cantavam \ Era eu. \ Aquele que subiu como um emaranhado \ Pelo tronco de uma árvore \ E fui eu que descia mais tarde. \ E depois subi. \ todos os tempos necessários, isto é, \ Durante o tempo total da minha vida. \ É difícil dizer-lhes. \ O esforço com que abraçou essa crosta \ Colocando as unhas que a esmagaram. \ Minhas garras eram fortes como os gatos. \ Mas quando eu caí eu me tornei luz, e eu reformulei \ Sedoso, no chão. \ Era o início da manhã. \ Quando essa bebida deu o seu efeito \ E eu adormeci. \ Por muitos dias \ As imagens daquela noite \ Eles são deixados no meu coração. \ Eles fizeram isso doce como as pérolas \ que brotam no ramo e se desfazem \ Na boca sagrada da vida \ Depois de cada inverno.

Poemas da escritora, periodista e psicóloga argentina Paula Jiménez España, autora de obras como Ser feliz en Baltimore (2001), Formas, libro y cd (2002), La casa en la avenida (2004), La mala vida (2007), Ni jota (2008), Espacios Naturales (2009) La vuelta (2013) y la plaquete Las cosechadoras de flores (2014), além de Pollera pantalón / Cuentos de género (2012), Aventuras de Eva en el planeta (2005) e La calle de las alegrías (2006), entre outros. No livro La suerte (Caleta Olivia, 2021), ela expressa que: […] Se considerarmos a afinidade entre dissidência e esoterismo, acredito que deste lado, do lado da magia e da poesia, continuamos sendo aqueles que cultivaram uma sensibilidade mais refinada, nascida da experiência da exclusão e da vulnerabilidade. A resistência nos lançou ao deslumbramento. [...]. Trata-se de um livro de revelações com quatorze cartas em que cada poema abraçando o mistério e se tornando oracular, trabalhando com a palavra poética e a memória poética, acrescentando que: [...] Minha obra é caminhar, e eu obedeço, e quem lê sente a própria qualidade da volta do destino e do tempo simultâneo com suas derivas circulares, o alto que é baixo, o dentro que é fora, o passado que é presente e futuro. Sou eu quem lê ou quem é lido? [...].

 

O BEM & O MAL – [...] A loucura assusta você, distrai você, mas é preciso encará-la com cuidado. [...]. Trecho extraído da obra El buen mal (Randon House, 2025), da premiada escritora argentina Samanta Schweblin, que no seu livro Kentukis (Fósforo, 2021) ela expressa que: [...] A inartista. Ninguém, para ninguém, e nunca nada. A resistência a qualquer tipo de concretude. Seu corpo se interpunha entre as coisas, protegendo-a do risco de jamais alcançar qualquer coisa. [...] Regulamentação não tem nada a ver com estabelecer padrões; significa estabelecer regras que funcionem em favor de alguns. [...]. Na sua publicação Fever Dream (Riverhead, 2017) ela expressou: [...] Às vezes, eu me assentei a pensar que os problemas de todos os dias podem ser para mim um pouco mais terrível do que para o resto da gente [...] Há um limite para a quantidade de buscas que você pode fazer. Ou um cavalo está lá ou não. [...]. Veja mais aqui & aqui.

 

CAPITALISMO CANIBAL – [...] Um sistema econômico definido pela propriedade privada, a acumulação de valor “auto” expansivo, a alocação de mercado do excedente social e dos principais insumos para a produção de mercadorias, incluindo trabalho (duplamente) gratuito, é possibilitado por quatro condições de fundo cruciais, relacionadas, respectivamente, à reprodução social, à ecologia da Terra, ao poder político e às infusões contínuas de riqueza expropriada de povos racializados. [...] Ambos os "ex" contribuem para a acumulação, mas o fazem de maneiras diferentes. A exploração transfere valor ao capital sob o disfarce de uma livre troca contratual: em troca do uso de sua força de trabalho, os trabalhadores recebem salários que (supostamente) cobrem seus custos de vida; enquanto o capital se apropria de seu "tempo de trabalho excedente", ele (supostamente) paga pelo menos por seu "tempo de trabalho necessário". Na expropriação, por outro lado, os capitalistas dispensam todas essas sutilezas em favor do confisco bruto dos bens alheios, pelos quais pagam pouco ou nada; ao canalizar mão de obra, terras, minerais e/ou energia confiscados para as operações de suas empresas, reduzem seus custos de produção e aumentam seus lucros. Assim, longe de se excluírem, expropriação e exploração trabalham juntas. Trabalhadores assalariados duplamente livres transformam "matérias-primas" saqueadas em máquinas movidas a fontes de energia confiscadas. Seus salários são mantidos baixos pela disponibilidade de alimentos cultivados em terras roubadas por peões endividados e de bens de consumo produzidos em oficinas clandestinas por "outros" não livres ou dependentes, cujos próprios custos de reprodução não são totalmente remunerados. A expropriação, portanto, fundamenta a exploração e a torna lucrativa. Longe de se limitar aos primórdios do sistema, é uma característica inerente à sociedade capitalista, tão constitutiva e estruturalmente fundamentada quanto a exploração. [...]. Trechos estraídos da obra Cannibal Capitalism: How our System is Devouring Democracy, Care, and the Planet—and What We Can Do About It (Verso Books, 2022), da filósofa estadunidense Nancy Fraser, que no seu livro Feminism for the 99 % (Verso, 2019), ela expressa que: […] Um feminismo verdadeiramente antirracista e anti-imperialista também deve ser anticapitalista. [...] A aliança do patriarcado e do capitalismo que quer que sejamos obedientes, submissos e quietos. [...]. Já no livro Capitalismo: Una conversación desde la Teoría Crítica (Ciências Sociales, 2019), ela comenta que: […] Se quisermos compreender a relativa ausência de crítica ao capitalismo nos últimos anos, devemos também considerar a ascensão espetacular do pensamento pós-estruturalista no final do século XX. Pelo menos no meio acadêmico americano, o pós-estruturalismo tornou-se a "oposição oficial" à filosofia moral e política liberal. E, no entanto, apesar de suas diferenças, esses oponentes manifestos compartilhavam algo fundamental: tanto o liberalismo quanto o pós-estruturalismo eram formas de escapar do problema da economia política e da própria economia social. Foi uma convergência de força extraordinária: um golpe, se preferir. [...]. Por fim, no seu livro The Old is Dying and the New Cannot Be Born: From Progressive Neoliberalism to Trump and Beyond (Verso, 2019), ela conclui que: […] O velho está morrendo e o novo não pode nascer; neste interregno uma grande variedade de sintomas mórbidos aparecem [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

PINTANDO NAS PRAÇAS DE PERNAMBUCO

No próximo dia 16 de julho, a partir das 19h, na Biblioteca Fenelon Barreto – Palmares (PE), ocorrerá o lançamento do catálogo Pintando nas praças de Pernambuco, promovido pelo Instituto de Belas Artes Vale do Una (IbaValeUna), coroando a iniciativa do poeta e pintor Paulo Profeta. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR:

Veja mais sobre MJ Produções, Gabinete de Arte & Amigos da Biblioteca aqui.






domingo, setembro 27, 2015

DRIMA, GAL COSTA, PSICODRAMA, EDUCAÇÃO, CAPSI, CONSUMISMO & BRINCARTE DO NITOLINO!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? MÃE NATURA ENDOIDECEU – Pudera, avalie. Então vou contar uma história. Era uma vez... isso mesmo, era uma vez dois irmãos que nasceram normalmente como qualquer um da gente, cresceram, se estranharam, fizeram pacto de sangue, amaram, arengaram, fizeram de tudo, mas se mantiveram sob a assistência de um pai e de uma mãe, unidos e desunidos pelos catombos da vida. Isso até o dia que um deles percebeu que o outro tinha um privilégio: o que ele tinha era melhor que o dele. Ora, por que, hem? Isso deu numa insatisfação que foi ganhando força com o passar do tempo, alimentando uma raiva questionadora: se com um dava certo, por que a do outro não dava? E tome tempo no desagrado. Esse descontentamento chegou ao ponto de um matar o outro pra se apossar do que não era seu. Pronto. Aí começa todo o desentendimento da humanidade. Bastou Caim matar Abel e começar toda a discórdia na humanidade. Então, essa metáfora passou a representar o início da acumulação e da geração seguinte de toda espécie humana. Dá pra entender ou quer que eu desenhe? Vamos lá. A partir de então, pra ampliar o quinhão veio a caça e a coleta de raízes, folhas, frutos e sementes para a sobrevivência. Depois, a exploração e manipulação da pedra e de metais, seguindo-se a apropriação da Natureza por meio da domesticação de animais e cultivo do pastoreio e do arado. O negócio vai tomando jeito com a revolução agrícola que alcança os feudos com imensos acres de terras aráveis circundando a aldeia na relação do senhor e seus vassalos, assentando a servidão, a abastança com as pilhagens, o trabalho de camponeses e escravos. E se amplia com a intervenção cada vez maior: a mineração e fundição, o uso de metais como cobre, bronze, ferro, com as queimadas da madeira, a mecanização e o consumo, tudo aumentando a necessidade energética e a produção de alimentos. A riqueza e acumulação vão criando a ideia de progresso e desenvolvimento pelo consumo, ampliando a capacidade de apropriação e transformação dos recursos naturais que são alterados e degradados, não se sabendo ainda que isso vai dar numa brabeza de resultados complexos e generalizados dos problemas ambientais. Até aí nem se dá conta, tudo muito bom, tudo muito bem, só quando o cenário sempre lindo e maravilhoso muda, com o a inadvertida constatação de erosão do solo e da desertificação, da escassez de água doce, da redução do número de animais, do desmatamento... que coisa!?! Pois é, tudo simplesmente ação humana cada vez mais usando de forma desenfreada todas as tecnologias e hábitos de consumo acentuados. Quando menos se espera, lá vem o enterro voltando com a contaminação tóxica pela adoção de técnicas com uso de agrotóxicos e pesticidas; instalação de reatores nucleares, bomba de todo tipo, bueiro disso e daquilo, o diabo a quatro! Enfim, o Homo faber se transforma num maçarico doido e insaciável devorando tudo na Terra, até chegar a se prever o esgotamento e completo colapso dos recursos disponíveis. Eita! Quando paro para ver, constato o autoenvenenamento. A gente busca nossa própria sobrevivência com uma prática clara de autoenvenenamento mesmo. Danou-se tudo. Depois de vista a merda, tem que consertar. E aí? O pior: ao emendar, dá-se uma porqueira maior. Assim, ao longo de séculos e milênios no maior trupé, vai todo mundo enfiando o pé na jaca, melando tudo: explora-se muito mais do planeta porque a humanidade aumentou e precisa de mais comida e maior satisfação de desejos. É aí que o autoenvenenamento aumenta mais ainda. Quer dizer: empiora o piormente. E eu vou daqui entoando Vida Viva Verde (Canto Verde): Convém lembrar da vida aos olhos de todas as manhãs. Convém lembrar da terra dos pés de todas as cores, coisas, raças e crenças.Convém lembrar de todos os ventos,do rio de todos os peixes, todas as canoas, brejos, lagos e lagoas; de todos os mares, oceanos e marés; de todas as várzeas, todos os campos, todos os quintais de todas as frutas e infâncias; de todas as selvas dos bichos de todas as feras e mansas; de todas as matas, de todas as flores e folhas, de todas as aves, repteis e batráquios; de tudo que brilha pra gente um outro sentido de vida. Convém lembrar, acima de tudo, o direito de viver e deixar viver. Assim, eu canto e persisto cantando. Se não me ouvem, eu canto, a vida segue. E tome mais na exploração ambiental, desconhecendo prejuízos e danos. Aí, meu, Mãe Natura endoidece – parecida com a doidice de Maria Banga no advento da Besta Fubana. E com uma perspectiva recolhida do poeta Jayme Griz: ...E se Ela, que é Mãe, que é Sábia, que é Única, a cabeça perdeu... quanto mais eu... quanto mais eu...!?! E vamos aprumar a conversa aqui.

 Imagem: Children playing on the rocks with gulls (Bonhams, London), da pintora britânica Dorothea Sharp (1874-1955).


Curtindo o dvd Recanto (ao vivo – Universal, 2013), da cantora Gal Costa.

BRINCARTE DO NITOLINO – Neste domingo, a partir das 10hs, realizamos mais uma edição do programa Brincarte do Nitolino pras crianças de todas as idades, no blog do Projeto MCLAM. Na programação comandada pela Ísis Corrêa Naves muitas atrações: Turma da Mônica, Telmo e Tula, Cosme e Damião, Kuka, Meimei Corrêa, Sid O Cientista, Nita & a alimentação infantil, A Turma do Seu Lobato, Ana e as frutas, Patati e Patatá, Mastruz com Leite, Grupo Molejo & muito mais poesia, brincadeira, histórias e entretenimento pra garotada. No blog, muitas dicas de Educação, Psicologia, Direito das Crianças e Adolescentes, Teatro, Música e Literatura infantil, com destaque pro Brincar da Criança e as historias em quadrinhos dos Aventureiros do Una. Para conferir online e ao vivo todas as novidades e programação, clique aqui ou aqui.

EDUCAÇÃO E ÊXTASE – O livro Educação e êxtase: recuperando o prazer de ensinar e aprender (Summus, 1998), de George Leonard, trata do que é educação, o potencial humano, o meio ambiente desnudado, a cadeia do aprendizado, o malandro como professor, escolas, o futuro agora, o novo campo, os usos do extase, a grande mistificação da reforma escolar, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho: [...] As escolas, em sua maioria, não mudaram realmente. Não se apropriaram nem da brecha deixada pelo recuo dos primeiros educadores do passado, nem alteraram de maneira significativa a substancia e o estilo de seus ensinamentos. O método mais comum de instrução, hoje como na Renascença, é o professor que se posicionou em pé ou sentado em uma aula, diante de alguns alunos, quando então lhes apresentam fatos e técnicas de caráter verbal-racional. Nossas expectativas quanto ao que o animal humano pode aprender, fazer, ser, permanecem extraordinariamente baixas e temerosas. A definição que temos dos propósitos fundamentais da educação continua inadequadamente utilitária. O mapa que traçamos do território em que se dá o aprendizado continua antiquado: treinamento vocacional, deveres de casa, aulas de direção e outros temas superficiais, eles próprios limitantes e fragmentadores, invadiram o currículo mas são, em geral,  considerados fora do domínio central da educação. Esse domínio, esse venerável bastião, ainda é um lugar onde as pessoas são treinadas para dividir o seu mundo em sistemas simbólicos separados entre si, como a melhor maneira de subjugá-lo e manipulá-lo. Essa educação supra-racionalista e analítica ao extremo, tornou possível o colonialismo, a linha de produção, a viagem espacial e a bomba H. mas não foi capaz de tornar as pessoas felizes ou realizadas, nem atualmente lhes oferece meios de mudar, mudar em profundidade, em uma época que brada com a mesma urgência que caracteriza o voo do foguete: “Mudar ou morrer!”. Tudo que se faz hoje na maioria das escolas e universidades, como veremos, é apenas uma pequena fatia do que a educação pode vir a se tornar. Ainda assim, nossas instituições atuais demonstram uma ineficácia de enlouquecer, até mesmo para lidar com essa pequena fatia. [...] Diante disso, um habitante de outro planeta que nos visitasse poderia chegar à conclusão de que nossas escolas estão firmemente decididas a criar (em uma sociedade que oferece lazer e exige criatividade) uma geração de escravos infelizes [...]. Veja mais aqui e aqui.

HISTÓRIA DE DRIMA – Entre os contos de Magreb encontra-se um conto cabila que é oriundo dos berberes, povos do norte africano, que se distingue dos mzabita e dos targui, e que circula na região montanhosa da Cabilia, no nordeste da Argélia. Esse conto é denominado de História de Drima, a seguir transcrito: Amachabou! Escutem. Quem disser sim ganhará a sorte. Havia uma jovem muito bela chamda Drima. Um dia em que foi lavar sua longa cabeleira na fonte, um dos fios do seu cabelo ficou na água. Alguns instantes depois, seu irmão veio dar de beber a seu cavalo na mesma fonte. Assustado pelo cabelo que brilhava como um raio de sol, o cavalo recusou-se a beber, nitriu, e escarvou o chão com a pata. O jovem olhou o que havia, retirou da água o fio de cabelo, e tanto se perturbou que jurou casar-se com a sua dona. Voltou para casa e pôs-se a comparar esse cabelo ao de todas as moças da aldeis. Mas, nem pela cor nem pelo comprimento não concordava com nenhuma delas. Acabou por reconhecer que era de sua própria irmã Drima. E resolveu manter seu juramento, sem ousar, todavia, ainda revela-lo. Ele foi buscar tirgo e disse à sua imrã: - Toma-o. Iremos fazer uma festa. Enquanto Drima moiua trigo, o galo lhe dizia: - Dê-me qualquer coisa de comer, Drima, e eu lhe direi alguma coisa de muito interessante. – Deixe-me sossegada. Estou preparando a festa do meu irmão. – Dê-me qualquer coisa e eu lhe direi qualquer coisa. – Deixe-me preparar a festa do meu irmão. – Dê-me qualquer coisa, Drima. É interessante o que tenho a lhe dizer. – Seja, eu lhe darei um punhado de grãos. – Não chega. – Eu lhe darei as duas mãos cheias. – Não chega. – Eu lhe darei um balde cheio. – De acordo. – Pois bem! O que tem a me dizer? – Deixe-me antes comer até que eu não tenha mais fome. E quando ele se satisfez, o galo adiantou: - É com você, Drima, que seu irmão vai casar! Quase morta de vergonha e pavor, Drima procurou um meio de fugir, enquanto os convidados se reuniam para comer o cuscuz e o mechoui, escutar os cantores, dançar ao som das bendair e das ghitas. Levou seu irmão mais moço, de três ou quatro anos, para um lado e disse-lhe: - Quando eu montar no cavalo para o cortejo nupcial, você dirá que está com vontade de fazer pipi; mas me recusará de fazê-lo com qualquer pessoa que não seja eu. Ela conseguiu, dessa maneira, afastar-se de casa e fugiu no traje de noive até uma floresta onde havia uma grande rocha. – Abte-te, rocha! – disse ela, e a rocha abriu-se. Ela entrou. – Fecha-te, rocha! – e a rocha fechou-se sobre ela. Dias e dias se passaram e ninghuem soube o que havia acontecido à jovem desposada. Um rebanho de cabras veio passear na floresta. O bode subiu na rocha e mijou. Sua urina caiu sobre Drima que não podia mover-se. O cabreiro fez o mesmo e cantou uma canção. A voz de Drima fez-se então ouvir debaixo da pedra: - Quem é que está cantando? Que ele vai dizer a meu pai e a minha mãe que Drima está aqui na pedra. Advertidos, os pais e o irmão logo acorreram. O bode e o cabreiro molharam de novo a rocha e a voz de Drima fez-se novamente ouvir: - Vá dizer a meu pai e a minha mãe que Drima está na pedra. A mãe se aproximou e suplicou: - Drima, minha filha! Drima, minha filha! Abra a rocha. Mas Drima salmodiou: Antes era minha mãe, antes era minha mãe, agora é minha sogra. Rocha, continua fechada. O pai veio por sua vez e disse: - Drima, minha filha! Drima, minha filha, abra a rocha! Mas a voz respondeu: Antes era meu pai, antes era meu pai, agora é meu sogro, rocha, continua fechada. Um dos seus irmãos se aproximou e lhe disse: - Drima, minha irmã! Drima minha irmã! Abra a rocha! Mas Drima respondeu: Antes era meu irmão, antes era meu irmão, agora é meu cunhado, rocha, continua fechada. Enfim, o irmão e esposo aproximou-se para convencê-la: - Drima, minha irmã! Drima, minha irmã! Abra a rocha! Mas ele ouviu esta resposta: Antes era meu irmão, antes era meu irmão, agora é meu marido. Rocha, continua fechada. Todos foram embora consternados, menos o irmão esposo que subiu sobre a rocha e suplicou: - Minha irmã, minha irmã, não me mostrará nem mesmo o seu dedinho? Ele viu sair do chão o dedinho de Drima, apanhou sua faca e contou-o. – Meu irmão, - disse então a voz de Drima – eu imploro a Deus que lhe faça inflamar no joelho um espinho e que apenas eu possa extraí-lo com o dedo que cortaste! O irmão, com efeito, caiu do cavalo sobre um espinheiro alguns dias mais tarde e teve que se imobilizar. Nenhum remédio, nenhum médico, nenhum marabuto pode curá-lo. Drima começou a achar o tempo longo e a passar fome no rochedo. Pediu a Deus que lhe mandasse um cesto e um cajado. Saiu da pedra e partiu pelas estradas mendigando como uma velhinha. Veio o dia em que chovia muito forte diante da casa da sua família. Sua mãe compadeceu-se dela e fê-la entrar sem conhece-la. Drima aproximou-se do fogo e, depois de se haver aquecido, perguntou quem vivia ali. – Ah! Senhora! – disse a mãe, - Eu tinha uma filha e ela foi-se embora. Eu tenho um filho vigoroso e este está com um espinho no joelho. Ninguém pode retirá-lo e tu o vês deitado neste canto como um enfermo. – Deixe-me examiná-lo. Talvez Deus o cure. Ela se aproximou do doente, tateou o joelho com a mão mutilada envolvida por um pano e retirou o espinho sem dificuldade. Então seu irmão a reconheceu. E fez-se uma grande festa durante sete dias e sete noites. Eis o que ouvimos. Eis o que repetimos. Minha história andou de ribeiro em ribeiro. Contei-a a todas as pessoas nobres. E veja mais aqui, aqui e aqui.

A PALAVRA & UM BRINDE AO DESTINO – Conheci o professor, compositor e poetamigo Eduardo Proffa alguns anos atrás, quando eu apresentava o Tataritaritatá no programa Alagoas Frente & Verso, com o jornalista João Marcos Carvalho, na Rádio Difusora, em Maceió. A partir de então passei a acompanhar mais de perto seu trabalho poético, quando concedi uma entrevista pro seu projeto Villa Caeté. Nesse meio termo ele publicou o seu primeiro livro de poesia Ecos da cidade (2007) e firmou uma parceria com o cantor e compositor Jan Claudio, criando a dupla Nó na Garganta. Em seguida ele empenhou-se no projeto Nós Poetas – A Confraria e, como resultado, publicou este ano o seu segundo livro de poesias Hospedaria, do qual destaco inicialmente A palavra: Só quero a palavra / fincada no corpo / a palavra com sua nudez / uma palavra insensata, critica, ácida... / uma palavra humana, livre, profana / do jeito que vier. / Quero a palavra por sede, por fome / quero a palavra com sobrenome / para a vida e o amar. / E que seu desabrochar, seja tal qual uma flor / que traz encanto / que traz magia / que traz imensidão... / Quero a palavra de forma incerta, / metafórica ou reta / uma palavra que me cause superemacia / que me torne fálico, bucólico e antagônico / - enquanto lacônico, prolixo e fugaz - / quero a palavra solta do cais, / bradada na escuridão / onde a minha única solução / é transformá-la num poema. E, também, Um brinde ao destino: O dia que corre / a vida que passa / o olhar que procura... / então, cai a noite... / e entre o breu, o brilho e as paredes, / corpos e sons se misturam... / é! / Estamos em festa... / vamos celebrar o amor. – Um brinde ao destino. E veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

PSICODRAMA TRANSFORMADOR – No livro Psicodrama e neurociência: contribuição para a mudança terapêutica (Ágora, 2008), organizado por Heloisa Junqueira Fleury, Georges Salim Khouri e Edward Hug, encontro o capítulo denominado O psicodrama transformador na mudança terapêutica: diretrizes e recomendações, de Eduardo Hug e Heloisa Junqueira Fleury, do qual destaco os seguintes trechos: Moreno, o criador do psicodrama, percebeu ainda no início do século XX que tanto os indivíduos quanto as estruturas sociais necessitava de ajuda. Desenvolveu as bases filosóficas para uma ação transformadora do ser humano inserido em seu ambiente sociocultural, apoiado na convicção de que a criatividade poderia maximizar o potencial individual e coletivo. Porém, com a mudança paradigmática do final do século, a sociedade passou a conviver com o imprevisível, perdendo a tranquilidada dada por parâmetros de certeza. Esse novo modelo confirmou as bases filosóficas do psicodrama, ao considerar que todo conhecimento resulta do intercambio social e, portanto, da interdependência das pessoas. Ao negar a possibilidade uma verdade, contudo, validou outras bases epistemológicas, o que revoluciou as ciências de modo geral, inclusive as ciências sociais e a psicologia. [...] Assim, ao lidar a cada dia com um ser humano diferente inserto num ambiente em continuo movimento, muitas vezes apresentando um empobrecimento da vida emocional, o psicodramatista precisa ter muita clareza dos fundamentos filosóficos do método psicodramático, base para a ativação dos mecanismos terapêuticos nessa abordagem. A neurociência traz novos elementos para reconhecermos fenômenos próprios da intersubjetividade e da subjetividade humana [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

UM SUPERMERCADO QUE VENDE PALAVRAS – O filme 1,99 – um supermercado que vende palavras (2003), dirigido por Marcelo Masagão e roteiro do diretor e de Gustavo Steinberg, e música de Wim Mertens e André Abujamra, conta a história de um supermercado que exibe todas as mercadorias em embalagens brancas, com clientes – homens, mulheres, crianças, idosos, moços - que passam o tempo todo enchendo carrinhos de compra sem conseguir deixar nada no local. Nas prateleiras encontram-se apenas palavras cheias de frases publicitarias famosas e noções como felicidade, sonhos, segurança pessoal, sexo, ideologias, havendo personagens como desejo, angustia e compulsão. O filme é uma critica ao consumismo, mostrado o domínio da vida pela mercadoria levando à destruição. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
ENSINO, PESQUISA & EXTENSÃO – O Centro Acadêmico Martín-Baró que reúne os estudantes do curso de Psicologia do Centro Universitário Cesmac, realiza na próxima quarta-feira, dia 30 de setembro, a partir das 17hs, na sala 23 do Campus III, o debate sobre a temática Ensino, pesquisa e extensão: os três pilaresdo mundo acadêmico. O evento tem o intuito de fomentar a produção de Pesquisa e Extensão na IES por meio de debate com estudantes pesquisadores e extensionistas, que falarão suas experiências relacionadas a esses dois fundamentos do mundo acadêmico. Além disso, contará com a participação de alguns docentes que promovem a produção científica na instituição. Veja mais aqui e aqui.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Programa Domingo Romântico, a partir do meio dia, no blog do Projeto MCLAM, com reprise de toda programação da semana e a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Na programação: Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...