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domingo, setembro 27, 2015

DRIMA, GAL COSTA, PSICODRAMA, EDUCAÇÃO, CAPSI, CONSUMISMO & BRINCARTE DO NITOLINO!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? MÃE NATURA ENDOIDECEU – Pudera, avalie. Então vou contar uma história. Era uma vez... isso mesmo, era uma vez dois irmãos que nasceram normalmente como qualquer um da gente, cresceram, se estranharam, fizeram pacto de sangue, amaram, arengaram, fizeram de tudo, mas se mantiveram sob a assistência de um pai e de uma mãe, unidos e desunidos pelos catombos da vida. Isso até o dia que um deles percebeu que o outro tinha um privilégio: o que ele tinha era melhor que o dele. Ora, por que, hem? Isso deu numa insatisfação que foi ganhando força com o passar do tempo, alimentando uma raiva questionadora: se com um dava certo, por que a do outro não dava? E tome tempo no desagrado. Esse descontentamento chegou ao ponto de um matar o outro pra se apossar do que não era seu. Pronto. Aí começa todo o desentendimento da humanidade. Bastou Caim matar Abel e começar toda a discórdia na humanidade. Então, essa metáfora passou a representar o início da acumulação e da geração seguinte de toda espécie humana. Dá pra entender ou quer que eu desenhe? Vamos lá. A partir de então, pra ampliar o quinhão veio a caça e a coleta de raízes, folhas, frutos e sementes para a sobrevivência. Depois, a exploração e manipulação da pedra e de metais, seguindo-se a apropriação da Natureza por meio da domesticação de animais e cultivo do pastoreio e do arado. O negócio vai tomando jeito com a revolução agrícola que alcança os feudos com imensos acres de terras aráveis circundando a aldeia na relação do senhor e seus vassalos, assentando a servidão, a abastança com as pilhagens, o trabalho de camponeses e escravos. E se amplia com a intervenção cada vez maior: a mineração e fundição, o uso de metais como cobre, bronze, ferro, com as queimadas da madeira, a mecanização e o consumo, tudo aumentando a necessidade energética e a produção de alimentos. A riqueza e acumulação vão criando a ideia de progresso e desenvolvimento pelo consumo, ampliando a capacidade de apropriação e transformação dos recursos naturais que são alterados e degradados, não se sabendo ainda que isso vai dar numa brabeza de resultados complexos e generalizados dos problemas ambientais. Até aí nem se dá conta, tudo muito bom, tudo muito bem, só quando o cenário sempre lindo e maravilhoso muda, com o a inadvertida constatação de erosão do solo e da desertificação, da escassez de água doce, da redução do número de animais, do desmatamento... que coisa!?! Pois é, tudo simplesmente ação humana cada vez mais usando de forma desenfreada todas as tecnologias e hábitos de consumo acentuados. Quando menos se espera, lá vem o enterro voltando com a contaminação tóxica pela adoção de técnicas com uso de agrotóxicos e pesticidas; instalação de reatores nucleares, bomba de todo tipo, bueiro disso e daquilo, o diabo a quatro! Enfim, o Homo faber se transforma num maçarico doido e insaciável devorando tudo na Terra, até chegar a se prever o esgotamento e completo colapso dos recursos disponíveis. Eita! Quando paro para ver, constato o autoenvenenamento. A gente busca nossa própria sobrevivência com uma prática clara de autoenvenenamento mesmo. Danou-se tudo. Depois de vista a merda, tem que consertar. E aí? O pior: ao emendar, dá-se uma porqueira maior. Assim, ao longo de séculos e milênios no maior trupé, vai todo mundo enfiando o pé na jaca, melando tudo: explora-se muito mais do planeta porque a humanidade aumentou e precisa de mais comida e maior satisfação de desejos. É aí que o autoenvenenamento aumenta mais ainda. Quer dizer: empiora o piormente. E eu vou daqui entoando Vida Viva Verde (Canto Verde): Convém lembrar da vida aos olhos de todas as manhãs. Convém lembrar da terra dos pés de todas as cores, coisas, raças e crenças.Convém lembrar de todos os ventos,do rio de todos os peixes, todas as canoas, brejos, lagos e lagoas; de todos os mares, oceanos e marés; de todas as várzeas, todos os campos, todos os quintais de todas as frutas e infâncias; de todas as selvas dos bichos de todas as feras e mansas; de todas as matas, de todas as flores e folhas, de todas as aves, repteis e batráquios; de tudo que brilha pra gente um outro sentido de vida. Convém lembrar, acima de tudo, o direito de viver e deixar viver. Assim, eu canto e persisto cantando. Se não me ouvem, eu canto, a vida segue. E tome mais na exploração ambiental, desconhecendo prejuízos e danos. Aí, meu, Mãe Natura endoidece – parecida com a doidice de Maria Banga no advento da Besta Fubana. E com uma perspectiva recolhida do poeta Jayme Griz: ...E se Ela, que é Mãe, que é Sábia, que é Única, a cabeça perdeu... quanto mais eu... quanto mais eu...!?! E vamos aprumar a conversa aqui.

 Imagem: Children playing on the rocks with gulls (Bonhams, London), da pintora britânica Dorothea Sharp (1874-1955).


Curtindo o dvd Recanto (ao vivo – Universal, 2013), da cantora Gal Costa.

BRINCARTE DO NITOLINO – Neste domingo, a partir das 10hs, realizamos mais uma edição do programa Brincarte do Nitolino pras crianças de todas as idades, no blog do Projeto MCLAM. Na programação comandada pela Ísis Corrêa Naves muitas atrações: Turma da Mônica, Telmo e Tula, Cosme e Damião, Kuka, Meimei Corrêa, Sid O Cientista, Nita & a alimentação infantil, A Turma do Seu Lobato, Ana e as frutas, Patati e Patatá, Mastruz com Leite, Grupo Molejo & muito mais poesia, brincadeira, histórias e entretenimento pra garotada. No blog, muitas dicas de Educação, Psicologia, Direito das Crianças e Adolescentes, Teatro, Música e Literatura infantil, com destaque pro Brincar da Criança e as historias em quadrinhos dos Aventureiros do Una. Para conferir online e ao vivo todas as novidades e programação, clique aqui ou aqui.

EDUCAÇÃO E ÊXTASE – O livro Educação e êxtase: recuperando o prazer de ensinar e aprender (Summus, 1998), de George Leonard, trata do que é educação, o potencial humano, o meio ambiente desnudado, a cadeia do aprendizado, o malandro como professor, escolas, o futuro agora, o novo campo, os usos do extase, a grande mistificação da reforma escolar, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho: [...] As escolas, em sua maioria, não mudaram realmente. Não se apropriaram nem da brecha deixada pelo recuo dos primeiros educadores do passado, nem alteraram de maneira significativa a substancia e o estilo de seus ensinamentos. O método mais comum de instrução, hoje como na Renascença, é o professor que se posicionou em pé ou sentado em uma aula, diante de alguns alunos, quando então lhes apresentam fatos e técnicas de caráter verbal-racional. Nossas expectativas quanto ao que o animal humano pode aprender, fazer, ser, permanecem extraordinariamente baixas e temerosas. A definição que temos dos propósitos fundamentais da educação continua inadequadamente utilitária. O mapa que traçamos do território em que se dá o aprendizado continua antiquado: treinamento vocacional, deveres de casa, aulas de direção e outros temas superficiais, eles próprios limitantes e fragmentadores, invadiram o currículo mas são, em geral,  considerados fora do domínio central da educação. Esse domínio, esse venerável bastião, ainda é um lugar onde as pessoas são treinadas para dividir o seu mundo em sistemas simbólicos separados entre si, como a melhor maneira de subjugá-lo e manipulá-lo. Essa educação supra-racionalista e analítica ao extremo, tornou possível o colonialismo, a linha de produção, a viagem espacial e a bomba H. mas não foi capaz de tornar as pessoas felizes ou realizadas, nem atualmente lhes oferece meios de mudar, mudar em profundidade, em uma época que brada com a mesma urgência que caracteriza o voo do foguete: “Mudar ou morrer!”. Tudo que se faz hoje na maioria das escolas e universidades, como veremos, é apenas uma pequena fatia do que a educação pode vir a se tornar. Ainda assim, nossas instituições atuais demonstram uma ineficácia de enlouquecer, até mesmo para lidar com essa pequena fatia. [...] Diante disso, um habitante de outro planeta que nos visitasse poderia chegar à conclusão de que nossas escolas estão firmemente decididas a criar (em uma sociedade que oferece lazer e exige criatividade) uma geração de escravos infelizes [...]. Veja mais aqui e aqui.

HISTÓRIA DE DRIMA – Entre os contos de Magreb encontra-se um conto cabila que é oriundo dos berberes, povos do norte africano, que se distingue dos mzabita e dos targui, e que circula na região montanhosa da Cabilia, no nordeste da Argélia. Esse conto é denominado de História de Drima, a seguir transcrito: Amachabou! Escutem. Quem disser sim ganhará a sorte. Havia uma jovem muito bela chamda Drima. Um dia em que foi lavar sua longa cabeleira na fonte, um dos fios do seu cabelo ficou na água. Alguns instantes depois, seu irmão veio dar de beber a seu cavalo na mesma fonte. Assustado pelo cabelo que brilhava como um raio de sol, o cavalo recusou-se a beber, nitriu, e escarvou o chão com a pata. O jovem olhou o que havia, retirou da água o fio de cabelo, e tanto se perturbou que jurou casar-se com a sua dona. Voltou para casa e pôs-se a comparar esse cabelo ao de todas as moças da aldeis. Mas, nem pela cor nem pelo comprimento não concordava com nenhuma delas. Acabou por reconhecer que era de sua própria irmã Drima. E resolveu manter seu juramento, sem ousar, todavia, ainda revela-lo. Ele foi buscar tirgo e disse à sua imrã: - Toma-o. Iremos fazer uma festa. Enquanto Drima moiua trigo, o galo lhe dizia: - Dê-me qualquer coisa de comer, Drima, e eu lhe direi alguma coisa de muito interessante. – Deixe-me sossegada. Estou preparando a festa do meu irmão. – Dê-me qualquer coisa e eu lhe direi qualquer coisa. – Deixe-me preparar a festa do meu irmão. – Dê-me qualquer coisa, Drima. É interessante o que tenho a lhe dizer. – Seja, eu lhe darei um punhado de grãos. – Não chega. – Eu lhe darei as duas mãos cheias. – Não chega. – Eu lhe darei um balde cheio. – De acordo. – Pois bem! O que tem a me dizer? – Deixe-me antes comer até que eu não tenha mais fome. E quando ele se satisfez, o galo adiantou: - É com você, Drima, que seu irmão vai casar! Quase morta de vergonha e pavor, Drima procurou um meio de fugir, enquanto os convidados se reuniam para comer o cuscuz e o mechoui, escutar os cantores, dançar ao som das bendair e das ghitas. Levou seu irmão mais moço, de três ou quatro anos, para um lado e disse-lhe: - Quando eu montar no cavalo para o cortejo nupcial, você dirá que está com vontade de fazer pipi; mas me recusará de fazê-lo com qualquer pessoa que não seja eu. Ela conseguiu, dessa maneira, afastar-se de casa e fugiu no traje de noive até uma floresta onde havia uma grande rocha. – Abte-te, rocha! – disse ela, e a rocha abriu-se. Ela entrou. – Fecha-te, rocha! – e a rocha fechou-se sobre ela. Dias e dias se passaram e ninghuem soube o que havia acontecido à jovem desposada. Um rebanho de cabras veio passear na floresta. O bode subiu na rocha e mijou. Sua urina caiu sobre Drima que não podia mover-se. O cabreiro fez o mesmo e cantou uma canção. A voz de Drima fez-se então ouvir debaixo da pedra: - Quem é que está cantando? Que ele vai dizer a meu pai e a minha mãe que Drima está aqui na pedra. Advertidos, os pais e o irmão logo acorreram. O bode e o cabreiro molharam de novo a rocha e a voz de Drima fez-se novamente ouvir: - Vá dizer a meu pai e a minha mãe que Drima está na pedra. A mãe se aproximou e suplicou: - Drima, minha filha! Drima, minha filha! Abra a rocha. Mas Drima salmodiou: Antes era minha mãe, antes era minha mãe, agora é minha sogra. Rocha, continua fechada. O pai veio por sua vez e disse: - Drima, minha filha! Drima, minha filha, abra a rocha! Mas a voz respondeu: Antes era meu pai, antes era meu pai, agora é meu sogro, rocha, continua fechada. Um dos seus irmãos se aproximou e lhe disse: - Drima, minha irmã! Drima minha irmã! Abra a rocha! Mas Drima respondeu: Antes era meu irmão, antes era meu irmão, agora é meu cunhado, rocha, continua fechada. Enfim, o irmão e esposo aproximou-se para convencê-la: - Drima, minha irmã! Drima, minha irmã! Abra a rocha! Mas ele ouviu esta resposta: Antes era meu irmão, antes era meu irmão, agora é meu marido. Rocha, continua fechada. Todos foram embora consternados, menos o irmão esposo que subiu sobre a rocha e suplicou: - Minha irmã, minha irmã, não me mostrará nem mesmo o seu dedinho? Ele viu sair do chão o dedinho de Drima, apanhou sua faca e contou-o. – Meu irmão, - disse então a voz de Drima – eu imploro a Deus que lhe faça inflamar no joelho um espinho e que apenas eu possa extraí-lo com o dedo que cortaste! O irmão, com efeito, caiu do cavalo sobre um espinheiro alguns dias mais tarde e teve que se imobilizar. Nenhum remédio, nenhum médico, nenhum marabuto pode curá-lo. Drima começou a achar o tempo longo e a passar fome no rochedo. Pediu a Deus que lhe mandasse um cesto e um cajado. Saiu da pedra e partiu pelas estradas mendigando como uma velhinha. Veio o dia em que chovia muito forte diante da casa da sua família. Sua mãe compadeceu-se dela e fê-la entrar sem conhece-la. Drima aproximou-se do fogo e, depois de se haver aquecido, perguntou quem vivia ali. – Ah! Senhora! – disse a mãe, - Eu tinha uma filha e ela foi-se embora. Eu tenho um filho vigoroso e este está com um espinho no joelho. Ninguém pode retirá-lo e tu o vês deitado neste canto como um enfermo. – Deixe-me examiná-lo. Talvez Deus o cure. Ela se aproximou do doente, tateou o joelho com a mão mutilada envolvida por um pano e retirou o espinho sem dificuldade. Então seu irmão a reconheceu. E fez-se uma grande festa durante sete dias e sete noites. Eis o que ouvimos. Eis o que repetimos. Minha história andou de ribeiro em ribeiro. Contei-a a todas as pessoas nobres. E veja mais aqui, aqui e aqui.

A PALAVRA & UM BRINDE AO DESTINO – Conheci o professor, compositor e poetamigo Eduardo Proffa alguns anos atrás, quando eu apresentava o Tataritaritatá no programa Alagoas Frente & Verso, com o jornalista João Marcos Carvalho, na Rádio Difusora, em Maceió. A partir de então passei a acompanhar mais de perto seu trabalho poético, quando concedi uma entrevista pro seu projeto Villa Caeté. Nesse meio termo ele publicou o seu primeiro livro de poesia Ecos da cidade (2007) e firmou uma parceria com o cantor e compositor Jan Claudio, criando a dupla Nó na Garganta. Em seguida ele empenhou-se no projeto Nós Poetas – A Confraria e, como resultado, publicou este ano o seu segundo livro de poesias Hospedaria, do qual destaco inicialmente A palavra: Só quero a palavra / fincada no corpo / a palavra com sua nudez / uma palavra insensata, critica, ácida... / uma palavra humana, livre, profana / do jeito que vier. / Quero a palavra por sede, por fome / quero a palavra com sobrenome / para a vida e o amar. / E que seu desabrochar, seja tal qual uma flor / que traz encanto / que traz magia / que traz imensidão... / Quero a palavra de forma incerta, / metafórica ou reta / uma palavra que me cause superemacia / que me torne fálico, bucólico e antagônico / - enquanto lacônico, prolixo e fugaz - / quero a palavra solta do cais, / bradada na escuridão / onde a minha única solução / é transformá-la num poema. E, também, Um brinde ao destino: O dia que corre / a vida que passa / o olhar que procura... / então, cai a noite... / e entre o breu, o brilho e as paredes, / corpos e sons se misturam... / é! / Estamos em festa... / vamos celebrar o amor. – Um brinde ao destino. E veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

PSICODRAMA TRANSFORMADOR – No livro Psicodrama e neurociência: contribuição para a mudança terapêutica (Ágora, 2008), organizado por Heloisa Junqueira Fleury, Georges Salim Khouri e Edward Hug, encontro o capítulo denominado O psicodrama transformador na mudança terapêutica: diretrizes e recomendações, de Eduardo Hug e Heloisa Junqueira Fleury, do qual destaco os seguintes trechos: Moreno, o criador do psicodrama, percebeu ainda no início do século XX que tanto os indivíduos quanto as estruturas sociais necessitava de ajuda. Desenvolveu as bases filosóficas para uma ação transformadora do ser humano inserido em seu ambiente sociocultural, apoiado na convicção de que a criatividade poderia maximizar o potencial individual e coletivo. Porém, com a mudança paradigmática do final do século, a sociedade passou a conviver com o imprevisível, perdendo a tranquilidada dada por parâmetros de certeza. Esse novo modelo confirmou as bases filosóficas do psicodrama, ao considerar que todo conhecimento resulta do intercambio social e, portanto, da interdependência das pessoas. Ao negar a possibilidade uma verdade, contudo, validou outras bases epistemológicas, o que revoluciou as ciências de modo geral, inclusive as ciências sociais e a psicologia. [...] Assim, ao lidar a cada dia com um ser humano diferente inserto num ambiente em continuo movimento, muitas vezes apresentando um empobrecimento da vida emocional, o psicodramatista precisa ter muita clareza dos fundamentos filosóficos do método psicodramático, base para a ativação dos mecanismos terapêuticos nessa abordagem. A neurociência traz novos elementos para reconhecermos fenômenos próprios da intersubjetividade e da subjetividade humana [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

UM SUPERMERCADO QUE VENDE PALAVRAS – O filme 1,99 – um supermercado que vende palavras (2003), dirigido por Marcelo Masagão e roteiro do diretor e de Gustavo Steinberg, e música de Wim Mertens e André Abujamra, conta a história de um supermercado que exibe todas as mercadorias em embalagens brancas, com clientes – homens, mulheres, crianças, idosos, moços - que passam o tempo todo enchendo carrinhos de compra sem conseguir deixar nada no local. Nas prateleiras encontram-se apenas palavras cheias de frases publicitarias famosas e noções como felicidade, sonhos, segurança pessoal, sexo, ideologias, havendo personagens como desejo, angustia e compulsão. O filme é uma critica ao consumismo, mostrado o domínio da vida pela mercadoria levando à destruição. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
ENSINO, PESQUISA & EXTENSÃO – O Centro Acadêmico Martín-Baró que reúne os estudantes do curso de Psicologia do Centro Universitário Cesmac, realiza na próxima quarta-feira, dia 30 de setembro, a partir das 17hs, na sala 23 do Campus III, o debate sobre a temática Ensino, pesquisa e extensão: os três pilaresdo mundo acadêmico. O evento tem o intuito de fomentar a produção de Pesquisa e Extensão na IES por meio de debate com estudantes pesquisadores e extensionistas, que falarão suas experiências relacionadas a esses dois fundamentos do mundo acadêmico. Além disso, contará com a participação de alguns docentes que promovem a produção científica na instituição. Veja mais aqui e aqui.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Programa Domingo Romântico, a partir do meio dia, no blog do Projeto MCLAM, com reprise de toda programação da semana e a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Na programação: Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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segunda-feira, novembro 03, 2014

ALICE MUNRO, JULIETA PAREDES, NIETZSCHE, ÁGNES HELLER, ADMMAURO & MARY ASTOR

 


O SEGREDO DA PITONISA - O endereço era aquele, sim o que me havia sido indicado. Toquei a campainha e aguardei na sacada. A portinhola abriu-se, percebi o vulto e ouvi o ruído na fechadura. A porta abriu-se e logo a ordem de uma voz feminina para que eu entrasse. Estava tudo escuro, entrei mesmo assim e a pessoa escondida atrás da porta ordenou-me ao sofá. Não dava pra ver direito, segui a intuição. Esbarrei numa poltrona e acomodei-me enquanto percebia o fechamento de postigos e uma leve centelha mostrou-me quem me recepcionara. Fez um sinal de que reconhecera a minha presença e concedeu-me a graciosa inclinação de cabeça. Vi-lhe a face e traduzia a magia velada e oculta da Lua, sua pele reluzia com o frescor do jardim do Éden. Emergiu com um sorriso breve e encantador entre a cortina sustentada por dois pilares de Salomão. Sentou-se na poltrona: uma nubívaga fitando-me profundamente. Aqueles olhos misteriosos possuíam uma graça inenarrável, um ar de nefelibata, vicariante, desiderato. A calma de sua presença envolveu-me os pés à cabeça, a ponto de não conseguir balbuciar qualquer coisa, devidamente hipnotizado pela presença sempiterna. Estava diante da serendipidade em pessoa. Ali ficamos no imprevisível, interrompido apenas pelo gesto dela à oferta da bebida no carrinho encostado ao meu braço direito. Nem havia notado: Sirva-se! Preferi estar plenamente cônscio de tão intrigado com o convite e a determinação, sem saber sequer o motivo de ter que estar ali. Parecia que ela lia meus pensamentos e nada mais disse, apenas levantou-se, foi até a porta, remexeu as chaves e trancas. Então voltou-se com seus olhos acesos, pálpebras pesadas e cerradas, a se despir do véu e da túnica transparente, colocadas no cabide ao lado; retirou a touca branca e o toucado em forma de colmeia, soltou seus ondulados cabelos a escorrerem sedutores aos ombros, desfazendo-se da pala amarela atravessada ao peito, o colo reluzente a realçar seus seios nus, fartos e firmes. Dirigiu-se a mim e nem podia adivinhar seu sussurro ao meu ouvido: era ela a Suma Sacerdotisa Sofia. Com a sua confissão, retirou da cabeça e deu-me a tiara cravejada de joias. Deu-me mais: a coroa de Hathor – e me fez Hórus, e Rá. (Era como se eu estivesse em Dendera, com a senhora dos céus e das estrelas). Ali era a monja consagrada que me ofertou os seus lábios de Sibila - a pítia que me fez Apolo, como se fosse a escolhida de Par Lagerkvists, essencialmente receptiva no Oráculo de Delfos. Tomou minha mão e levou-a ao ventre: livro sagrado aberto do seu corpo e a palavra divina recolhida ao seu umbigo como um olho aberto. O seu beijo de cortesã revelou-me introvisões e, nos seus lábios, senti Astarte a nutrir meu sexo, beijou-me mais Hécate para se tornar Perséfone e eu a raptasse Ísis com todas as remembranças: “Sou tudo que era, que é, e que sempre será. Nem mortal algum jamais pôde descobrir o que jaz debaixo do meu véu”. As suas lágrimas me banharam e passaram a governar meu pênis. Nela deitei minha semente, enquanto seus olhos chamejavam como se me dissesse que era ali a Papisa Joana com todos os mistérios cristãos e o segundo trunfo secreto: estava grávida! E a centelha divina do seu ventre – o vaso da transformação - me premiou a paternidade do primogênito de Deus. Sorriu-me por fecundá-la. E me banhou com o líquido amniótico para que eu aprendesse as profundezas dos oceanos. E me fez mago para ela cartomante do meu destino, portadora da minha sina. E me fez Noel pro pão-por-deus para que eu soubesse que ela é o instrumento da eternidade. Levou-me às suas costas, a sua magia incontrolável. E depois de vencê-la, suas mãos unidas em meu sexo como a guardiã do santuário íntimo, o paradoxo da sua essência me ensinou o poder das águas, como se me sepultasse no seu ventre. Ouvi-lhe sussurrar: Sou uma rosa, nem melhor nem pior, apenas diferente. Mais disse: Você é uma virga-áurea. E me fez deus, o seu santo venerado, o seu rei adorado, o seu senhor servido, o seu dono e feitor. E nela fui real-izado. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Uma pessoa sem memória é uma criança ou um amnésico. Um país sem memória não é uma criança nem um amnésico, mas também não é um país. Quando você começa a fazer perguntas, a inocência desaparece. A vida sem emoções é como um motor sem combustível. Nossa segurança deve ser ameaçada para que possamos apreciá-la. Não é bom fazer viagens sentimentais. Você vê as diferenças em vez da mesmice. Pensamento da atriz estadunidense Mary Astor (Lucile Vasconcellos Laghanke - 1906-1987), Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Cada gesto de retribuição acarreta o risco de escalada. Não é uma possibilidade insignificante que o moralmente certo possa resultar no moralmente errado. Quer as decisões morais sejam avaliadas por padrões universais ou pelas tradições locais, os conflitos morais são sempre contextuais. Pensamento da socióloga húngara Ágnes Heller (1929-2019). Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

O FUGITIVO – [...] A conversa dos beijos. Sutil, envolvente, destemido, transformador. [...] Isto é o que acontece. Você guarda isso por um tempo e, de vez em quando, procura outra coisa no armário e se lembra e pensa, em breve. Então se torna algo que está ali, no armário, e outras coisas ficam amontoadas na frente e em cima dele e finalmente você nem pensa nisso. Aquilo que era seu tesouro brilhante. Você não pensa sobre isso. Uma perda que você não conseguia imaginar antes, e agora se torna algo que você mal consegue lembrar. Isto é o que acontece. [...] Poucas pessoas, muito poucas, possuem um tesouro, e se você tiver, deverá mantê-lo. Você não deve se deixar ser emboscado e ter isso tirado de você. [...] Ela não conseguia explicar ou entender muito bem que o que ela sentia não era totalmente ciúme, mas raiva. E não porque ela não pudesse fazer compras assim ou se vestir assim. Era porque era assim que as meninas deveriam ser. Era assim que os homens – as pessoas, todo mundo – pensavam que deveriam ser. Linda, estimada, mimada, egoísta, estúpida. Isso era o que uma garota deveria ser, por quem se apaixonar. Então ela se tornaria mãe e seria totalmente dedicada aos seus bebês. Não é mais egoísta, mas igualmente estúpido. Para sempre [...]. Trechos extraídos da obra Runaway: Stories (Vintage, 2005), da escritora canadense Alice Munro (Alice Ann Laidlaw – 1931-2024), Prêmio Nobel da Literatura de 2013. Veja mais aqui e aqui.

 

VELHA COMPANHEIRA – Velha companheira, desculpe-me, resolvi ser moderno. Sei que há muito tempo vives comigo e não tens me faltado, mesmo assim, a partir de hoje, resolvi arranjar um novo amor. É certo que por toda a minha vida pintaste meu branco, me deste letras e acompanhaste os meus erros, observaste minhas rasuras e vista que eu não vivo sem um corretivo. Quantas vezes fiquei sozinho contigo! A noite toda, só nós dois, falando de mim (como eu fui egoísta, só falava de mim) de meus desencantos, de minhas desilusões... Quantas vezes te procurei! Em todos os momentos me aceitaste. Nunca me disseste um “não”. Sempre te procurei nas horas difíceis. Quando os professores me apertavam na faculdade, eu me aproximava de tua mecânica inteligência... Quando eu precisava desabafar, na inquietude de um amor que me rasgava o peito, fingindo que não era amor, eu te procurava, até mesmo (que vergonha!) quando eu precisava de um dinheirinho a mais, eu buscava a tua amizade. Enquanto o sono não vinha, minhas mãos pousavam sobre o teu rosto, num afago amiúde, dentro da noite só se ouviam tuas gargalhadas, repetidamente, como uma metralhadora rasgando a madrugada!... Minha querida, quase não chega à garganta a voz cúmplice deste momento, para dizer-te que não te quero mais, que o mundo ficou pequeno demais para nós dois e, a partir deste instante tu fazes parte do meu passado, que és (permita-me o desabafo) quadrada, antiquada, fora de moda, velha demais para mim. A partir de agora, minha velha companheira máquina de escrever Olivetti Studio 44, não te quero mais. Comprei um computador. Crônica extraída do livro A mulher da sombrinha e outras crônicas (Inovação, 2008), do poeta e professor Admmauro Gommes. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

DOIS POEMAS - I – Deram-me à luz para morrer, \ Para tosquiar o verão de janeiro, \ Para procurar a caverna entre as cavernas \ E lá seduzir as pedras no meu aniversário; \ Para conquistar o vinagre do urubu frio \ Para guardar lagartos no peito. \ Dedico-me a morrer, \ A construir poças no cimento, \ A apagar até a última carta do meu pai grisalho \ Para embotar sua língua e salvar minha voz com o ritmo da neve.\ Deram-me à luz e mataram-me \ Entre o fogo dos juncos lamacentos e a inabitação da carne, \ Entre o garfo de um anjo e o litar a minha barriga como um cordeiro branco. \ Não me deixam nada no jardim \ Só veias, \ Sangue que emana das pedras para a minha noite, \ Sangue \ Mas sangue de mosca, \ De cacto. \ Nada tem que colorir as bochechas de gaivotas \ Onde você acaricia há vidro \ Tudo treme, \ Tudo está amarrado ao endireitamento escuro dos galhos. \ É hora de olhar no espelho \ E assumir minha condição de cruz, \ A condição de espinho, \ Que essa é a última flecha que sangrará meu leite \ Amanhã beberei do Jordão, \ E as cinzas cruzarão minhas costas \ Só então a música foram inventados \ E toda a lama \ Vai se dividir em dois. \ Sou um milagre iluminado por feras elitizadas, \ sou a palavra colhida com ameixas, \ sou a presa ferida das cobras e do rugido, \ sou a última janela desta rua, \ Sou a sede que se extingue com orelhas de frade, \ sou lobo e sapo e escorpião, \ E me dedico a morrer. II – Falo das cobras e não do veneno \ Da barriga agitando o grito e não das flautas \ Da sede do outono pelo fogo das ondas \ Das ondas que se perdem nos cabelos da morte \ Da morte que sobe ao silêncio de quem ama \ De quem ama no segredo de um espelho \ Falo de um dia de janeiro e não do sangue da guerra \ Dos lobos que se refugiam nas suas línguas e não do batismo \ Da cor azul escorrendo nos ramos das oliveiras \ Das oliveiras marcando passo no beijo do água-viva \ De água-viva acordando a linguagem das presas \ De presas no momento em que comunicam o exílio \ Falo das mulheres atravessando a porta dos anjos e não do Éden \ Da fome cuidando dos frutos e não da plumagem das raposas \ De cavernas dominadas por espadas onde sou eco de dor \ Dos cantos da Bíblia onde as virgens declamam andorinhas \ De andorinhas dando à luz o céu com suas pinças de chumbo \ Falo do início do inverno e da minha boca transformada em árvore \ Como qualquer árvore caída na estrada \ Falo dos rostos e das pinturas \ Das máscaras, das minhas quando te deixo no norte \ Das suas quando você abriga César em suas mãos. \ Falo da fé na saudade da chuva, não do bosque e no terceiro dia \ falo da minha voz ressoando no seu rastro \ De você derrubando toda a mata cerrada que te escrevi \ falo de Deus, se ele adorei o jogo das borboletas \ Se ele se abraçasse quando se amassem como as leoas amam as gazelas \ Se de todas as pessoas eu não fechasse os olhos quando te beijasse. Poemas da cantautora, escritora, grafiteira e militante feminista decolonial aymara boliviana Julieta Paredes Carvajal.


NIETZSCHE, FILOSOFIA E PSICOLOGIA – Evidente que a motivação para a realização do presente trabalho partiu da leitura do romance do Irving D. Yalom, Quando Nietzsche chorou, traduzido pelo Ivo Korytowski e que virou filme dirigido por Pinchas Perry, como também da obra Nietzsche e Freud, de Reinhard Gasser. Merece também registro a menção de Mosé (2005) ao fato da multiplicidade e proliferação de estudos cada vez mais diversificados acerca da obra do filósofo alemão, bem como o entendimento de Giacóia Junior (2001) de que o filósofo exerceu importante influência que o caracteriza como psicólogo. Com isso, por meio de uma revisão da literatura, caracteriza-se esta abordagem como uma pesquisa bibliográfica embasada nas fontes disponibilizadas. A FILOSOFIA E A PSICOLOGIA DE NIETZSCHE - A filosofia de Nietzsche, no dizer de Mosé (2005) é extremamente erudita e com um posicionamento crítico com relação à própria filosofia, adotando a ideia do devir por meio de três linhas de raciocínio: a arte, o pensamento e o saber. No dizer de Cotrim (2006), o filósofo teceu uma abordagem da genealogia da moral produto do histórico-cultural, tendo por consequência, no dizer de Chauí (2002 ), Giacoia Junior (2001) e Souza (2014), o desenvolvimento do Existencialismo inaugurado por Kierkegaard. Esse filósofo começará a lecionar filosofia clássica na Universidade da Basileia, em 1869, publicando seu primeiro livro O nascimento da tragédia no espírito da música, em 1872. Entretanto, é com o lançamento da sua obra Humano, demasiado humano, em 1878, que Nietzsche passará se autodenominar de psicólogo. A filosofia de Nietzsche, em conformidade com Noffat Neto (1991), Giacóia Junior (2001) e Marques (2003), é uma filosofia dos afetos, das paixões e desejos, que contempla o individualismo, a força, a abundância e os instintos de vida. Para ele filosofar não era uma atitude teórica e contemplativa, mas uma atitude prática que se enraíza na vida, um ato de libertação de toda subjugação, de toda moral, de toda deformação e de tudo aquilo que nos prende a religiões, grupos e ideologias. Em um determinado período da sua vida, a filosofia nietzschiana se voltou para a psicologia. Inclusive, Nascimento (2006) registra que esse filósofo se autodenominava psicólogo e em muitas de suas obras encontra-se a denominação de psicologia na sua proposta filosófica. É o que também identificam Oliveira (2014), Barbosa (2014) e Williams (2014), ao mencionarem que nos chamados escritos intermediários do filósofo, ocorrido no período entre 1876 e 1882, ele adota o procedimento de análise nomeado por ele mesmo de psicologia, se autoproclamando o primeiro psicólogo da história e efetuando uma relação interdisciplinar entre psicologia e morfologia, fisiologia, cultura, história, literatura, linguística, medicina e muitas outras áreas do conhecimento. Nietzsche (1978, p. 37) entende que a psicologia é a “[...] ciência que indaga a origem e a história dos chamados sentimentos morais e que, ao progredir, tem de expor e resolver os emaranhados problemas sociológicos”. Nessa ótica, ele faz adoção do procedimento que conjuga as vertentes históricas, fisiológicas e psicológicas unidas à sua filosofia, sob a proposta de tentativa da compreensão a partir do sentimento e das valorações humanas. Assim, para esse autor, a fisiopsicologia é entendida como instrumento de dissecação psicológica dos fenômenos morais. A respeito disso, assinala Vianna (1995) e Giacoia Junior (2001), que a psicologia nietzscheana compreende a visão além dos ângulos da realidade existencial, identificada na dimensão pulsional dos instintos. Noutra ocasião Nietzsche (2002, p. 23) assevera que “Toda psicologia, até o momento, tem estado presa a preconceitos e temores morais: não ousou descer às profundezas. Compreendê-la como morfologia e teoria da evolução da vontade de poder, tal como faço – isto é algo que ninguém tocou sequer em pensamento”. Nesse sentido, ele faz uso da noção procedimental fisiopsicológica para asseverar que a cultura é um sintoma fisiopsicológico das construções humanas, ao reinterpretar o corpo no contexto da corporalidade com o significado de instrumento complexo das múltiplas pulsões vitais e para romper com a dualística convenção do corpo/alma. Dessa forma, o filósofo entende que o ser humano é o resultado da luta das forças biológicas e psicológicas. Noutro momento, Nietzsche (2012, p. 354) assinala que: “Poderíamos, com efeito, pensar, sentir, querer, recordar-nos, poderíamos igualmente agir em todo sentido da palavra: e a despeito disso, não seria preciso que tudo isso nos entrasse na consciência (como se diz, em imagem)”. Com esse pensamento o filósofo defende que a consciência é independente das funções fisiológicas e psíquicas. Observa-se, portanto, que o autor coloca a psicologia no centro das ciências para alcance do ser humano de forma integral, reconhecendo-se a valorização do psíquico e fisiológico independentemente da consciência. Com esse entendimento, Oliveira (2014, p. 1) assevera que: A psicologia de Nietzsche está na base, portanto, de seu projeto de uma ética da amizade porque, ao destituir a moral de seus fundamentos metafísicos, ela abre a possibilidade de pensar as relações humanas e o próprio humano para além do princípio gregário do ethos. Observa-se que a concepção nietzschiana, segundo Vianna (1995, p. 32), é na direção de uma singular psicologia ‘[...] ao operar com as pulsões artísticas da natureza manifesta um inconsciente primordial o qual escapa às possibilidades de representação da consciência. A dimensão do inconsciente emerge como função de um princípio ativo”. Por esse entendimento, essa psicologia está situada no domínio da reflexão filosófica com características definidas na valoração positiva da experiência sensível como fonte principal do conhecimento. A primeira identificação da psicologia nietzschiana, segundo Nascimento (2006, p. 49) está identificada como uma psicologia da tragédia, quando: O psicólogo Nietzsche, num primeiro momento, analisará a tragédia grega e verá um elemento comum entre ela e a psicologia do povo helênico, que é a luta entre as forças apolíneas e dionisíacas. A relação entre elas vai definir uma teoria da civilização e da cultura, bem como uma teoria da arte. A morte da tragédia aparece como a metáfora viva da morte do mundo antigo e aponta desdobramentos na cultura, como, por exemplo, a primazia da razão sobre os instintos, nascida a partir da metafísica socrática que acaba se impondo na cultura do Ocidente, sobretudo em sua face platônica. A segunda identificação da psicologia nietzschiana, para Nascimento (2006, p. 51), é quando o filósofo: [...] vai propor uma psicologia que desmascara as bases de onde a metafísica se apoia e partirá da desmontagem da moralidade, posto que a metafísica é vista como produtora de filósofos da moral. Ao questionar a origem das representações e sentimentos morais afirmará que por detrás das ações morais, o que há, são motivações humanas, demasiado humanas, denunciando a servidão do homem aos conceitos e normas “superiores” que são tomados como vida. Nesse sentido, a autora mencionada identifica que essa psicologia surge no contexto de uma ciência capaz de indagar a história do mundo como representação, ultrapassando a metafísica. Uma terceira identificação da psicologia nietzschiana registrada por Nascimento (2006, p. 55), considera que o filósofo: [...] vai problematizar o que vem a ser a consciência. A psicologia, para se desprender dos preconceitos e temores morais, precisaria interpretar e avaliar a vida enquanto potência. [...] O novo psicólogo vai percorrer o sentido e o valor que vão se manifestar nas relações de forças e nas formas como a vontade de potência se apresenta. Em vista disso, entende a autora que Nietzsche será levado pelas motivações do inconsciente problematizando a natureza do conhecer, entendendo ele que os impulsos serão os agentes que se encontram por trás do conhecimento e que funcionam com a relação existente com outros impulsos, agindo e resistindo uns aos outros. Tem-se, portanto, conforme Nascimento (2006, p. 221) que o filósofo em estudo: [...] busca como psicólogo investigar e diagnosticar a saúde de uma cultura a partir da base, pautado na arte de interpretação dos sintomas manifestos na vida. A proposta de uma nova psicologia, pautada em outros valores, mais próximos da vida, em sua forma plena, ou seja, entendida como vontade de potência. Acrescenta Barbosa (2014, p. 2) que “[...] o argumento da gênese social da consciência fornecido por Nietzsche, vem corroborar com as explicações não dicotômicas sobre os sujeitos e sua interação com o mundo fruto da nova visão da Psicologia Social”. E conforme Fonseca (2014, p. 1): [...] Nietzsche re-lança na cultura moderna da civilização ocidental os fundamentos da perspectiva ética de afirmação do vivido, de constituição dele como fundamento do verdadeiro e dos valores, perspectiva ética de afirmação do corpo e dos sentidos, que vai constituir um fundamento das psicologias humanistas e da ACP [...]. Com isso, o autor mencionado observa que se encontra em franco desenvolvimento iniciativas de recuperação dos fundamentos da fenomenologia e do existencialismo, em particular da filosofia da vida de Nietzsche, filosofia essa que foi capaz de fornecer o substrato básico para o desenvolvimento da psicologia e psicoterapia fenomenológico existencial organísmica (FONSECA, 2014). Identifica-se que o filósofo em estudo influenciou o desenvolvimento da psicanálise de Freud, mesmo sendo irredutível o posicionamento de recusa do psicanalista quanto a este fato, muito embora tenha, ao final de sua vida, reconhecido que Nietzsche é o maior psicólogo de todos os tempos. Também fica identificada com base em Fonseca (2014, p. 1), a influencia do filósofo alemão na psicologia do norte-americano Carl Ransom Rogers, com a observância de que “[...] Bem ao gosto de Nietzsche, Rogers entendia que o existencial não se conforma ao empistemológico, e epistemofílico, pressuposto científico da busca de verdades. Não se conforma às esferas do conhecer, e do conhecimento, e de suas vontades”. É nesse sentido que anota Speranza (2014, p. 1) que “[...] Tanto Nietzsche como a psicoterapia de base fenomenológica têm em comum a existência afirmativa da vida”. Por consequência, entende a autora em comento que a psicologia diante da espiritualidade humana, numa perspectiva fenomenológico-existencial, utiliza-se como referencial a filosofia de Nietzsche e a filosofia do diálogo do filósofo, escritor e pedagogo austríaco Martin Buber que influenciará tanto a Gestalt como a psicologia fenomenológico-existencial. Acrescenta Fonseca (2014b, p. 1) que: Um aspecto que parece um dos mais interessantes para a psicologia e psicoterapia fenomenológico-existencial é que, ao mesmo tempo, o próprio empirismo aporético de Brentano aplicado à consciência como método fenomenológico existencial especificamente experimental, parece intimamente aparentado ao método experimental perspectivativo de Nietzsche. De modo que estas duas vertentes fundamentais da concepção do experimental num sentido fenomenológico existencial compartilhariam raízes bastante próximas. [...]. Com essa associação, verifica-se o quanto o filósofo alemão influenciou as mais diversas correntes psicológicas, sendo, portanto, meritório de registro e destaque de sua importância para a psicologia contemporânea. CONTRIBUIÇÕES NIETZSCHEANA PARA A PSICOLOGIA – Torna-se evidente, em primeiro lugar, a contribuição de Nietzsche para a Psicanálise freudeana, conforme Gasser (1987), mesmo tendo Freud relutado a vida inteira para, só perto da morte, admitir a importância de Nietzsche para a Psicologia. Ter sido o filósofo aquele a assumir em suas obras a condição de psicólogo, tratando sobre paixões, desejos, afetos, pulsões da forma interdisciplinar a psicologia, morfologia, fisiologia, cultura, história, literatura, linguística e medicina, entre outras áreas do conhecimento, definindo-se por uma Fisiopsicologia que compreende uma visão além da realidade existencial dentro de uma dimensão pulsional. Constata-se, ainda, que Nietzsche coloca a Psicologia no centro da ciência. Além do mais, identifica-se a nítida influência exercida pelo filósofo alemão no pensamento de Carl Rogers, Martin Buber, na Gestalt e na Psicologia Fenomelógico-Existencial. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

REFERÊNCIAS
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______. Matrizes do pensamento psicológico. Petrópolis: Vozes, 2002.
FONSECA, Afonso. Apontamentos para uma histórica da psicologia e psicoterapia fenomenológico-existencial organísmica – dita humanista. Disponível em http://www.apacp.org.br/wp-content/uploads/2012/03/art063.html. Acesso em 10 mar 2014.
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YALOM, Irving D. Quando Nietzsche chorou: romance da obsessão. Rio de Janeiro: Ediouro, 1995.

ONIOMANIA & SHOPAHOLIC – A compulsão pelo consumo tronou-se um assunto para debates que envolvem as mais diversas perspectivas, sejam elas médicas, psicológicas, psiquiátricas, sejam nas visões do marketing, da economia, da sociologia, entre outras. Parte da visão do consumo na sociedade atual, oriundo do processo de industrialização e sua exposição maciça por meio de apelos propagandísticos nos veículos de comunicação de massa. O desenfreado consumo tem sido objeto de estudos das mais diversas áreas do conhecimento, notadamente pela necessidade de escoamento da produção de produtos e utilização de serviços, como das causas de ansiedade e estresse incidentes no comportamento do consumidor pela aquisição dos produtos mais sofisticados, dos serviços mais especializados e do atendimento aqui e agora. Em vista disso, o estresse e a ansiedade constante têm promovido que se instaurem no ser humano compulsões as mais diversas que, por sua vez, acarretam à identificação de transtornos. Essas compulsões passaram, então, a serem observadas tanto como desordem de comportamento, como estudos do comportamento humano diante do consumo desenfreado da realidade contemporânea. Essa desordem originou a oniomania que foi descrita, em 1915, pelo psiquiatra alemão Emil Kraepelin (1856-1926), como o impulso irresistível para obtenção dos mais diversos itens, inclusive aqueles desnecessários. Com isso, considera-se um transtorno do controle do impulso. Inicialmente entendeu-se que a oniomania poderia ser uma forma de autocura com alívio da tensão e satisfação da aquisição do que se necessita. Contudo, detectou-se que a tensão diminuída após a compra é substituída pelo sentimento de culpa, contribuindo para problemas de caráter crônico, destrutivo e patológico que levam a dívidas, inadimplemento e consequências financeiras e jurídicas, afora propiciar o aparecimento de sintomas patológicos associados. A COMPULSÃO PELO CONSUMO – As patologias que possuem relação com os distúrbios compulsivos, conforme Fonseca (2011) e Guerra e Penalosa (2014), começaram a ser observadas no começo do séc. XIX. Contudo, apenas no final do século XX é que ocorreram as primeiras identificações da compra compulsiva como um comportamento crônico e repetitivo em resposta aos sentimentos negativos ou eventos primários, passando a ser considerada como uma síndrome psiquiátrica. É preciso entender que, segundo Davidoff (2001, p. 757), a compulsão é entendida como “Comportamento ritualístico recorrente, apesar das tentativas de resistir ao impulso”. Nesse sentido, a autora considera que as obsessões e compulsões variam amplamente, muito embora se enquadrem nas categorias das dúvidas obsessivas, pensamentos obsessivos, impulsos obsessivos, medos obsessivos, imagens obsessivas, cessão e controle às compulsões. No dizer de Davidoff (2001), as causas da compulsão estão na diátese múltipla e nos estresses. Para a autora, segundo a visão behaviorista, as obsessões e compulsões são adquiridas por meio dos princípios de reforçamento e que fatores fisiológicos podem contribuir para formação desse comportamento. Para Morris e Maisto (2004, p. 412) as compulsões e obsessões são formas diferentes da ansiedade, considerando as obsessões como “[...] pensamentos ou ideias involuntárias recorrentes, apenas das tentativas da pessoas eliminá-los”, enquanto que a compulsão é o “[...] comportamento repetitivo e ritualístico que a vítima sente compelida a realizar”. No dizer de Leite (2011) há o entendimento de que as compras compulsivas são consideradas como um vício e um fenômeno social, quando consumidores sucumbem às compras para preenchimento do vazio interior. Essas compulsões passaram a ser denominadas de oniomania pelo psiquiatra alemão Emil Kraepelin (1856-1926), como sendo o impulso patológico para o ato desenfreado de comprar. O transtorno do comprar compulsivo (TCC), também conhecido como oniomania, conforme Filomensky (2011), é o ato da compra excessiva resultante de um impulso patológico que ocorre inicialmente no final da adolescência ou depois dos vinte anos, associado à desinibição que inclui álcool, cigarros, sexo precoce e uso de drogas, às compras descontroladas. Os portadores desse transtorno são identificados como shopaholic, considerados como incapazes de controle do desejo de compras ou quando os frequentes e excessivos gastos passam a interferir nos aspectos da vida do paciente. Os sintomas é de excitação e ansiedade para comprar, de gratificação e prazer em consumar a compra, ou acometido de angústia, irritabilidade ou frustração pela inibição do ato de comprar. Trata-se, conforme Tavares et al (2008) de um comportamento de consumo descrito em todos os continentes do planeta, não possuindo ainda até o presente uma incerta classificação nem incluído nos sistemas nosológicos contemporâneos, ou seja, ainda não foi descrito pelo Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais, nem na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS). É também reconhecido, no dizer de Martins (2014), como o comportamento do consumidor de forma crônica e repetitiva, difícil de ser interrompido e consequências graves e prejudiciais. Geralmente ocorre em resposta aos eventos e aos sentimentos negativos, configurando incapacidade de resistência à urgência de compras e os seus prejuízos. No dizer de Tavares et al (2008) o TCC é comórbido com frequência com os transtornos da ansiedade, do humor, alimentares e uso de substâncias. Por essa ideia, a classificação desses compradores foram acometidos de significativas depressões recorrentes ou do transtorno bipolar, bulimia, transtorno de personalidade, compulsão alimentar, escoriação psicogênica, abuso de bemzodiazepínicos, tentativas de suicídio, TOC, transtornos do controle do impulso (TCI) e cleptomania, entre outros comportamentos impulsivos. Significa dizer que esse transtorno, conforme Lopes e Souza (2014), caracteriza-se pela impulsividade, impossibilitando-se os pacientes, independente de formação acadêmica, de evitar as compras ou a incapacidade de domínio sobre o impulso das compras. Em vista disso, é considerado como um transtorno de dependência agrupado com os transtornos da droga e do uso do álcool. A oniomania, Nery, Menêses e Torres (2014), associada aos impulsos reativo incluem a piromania e a clieptomania, como parte dos transtornos obsessivo-compulsivo, ou de humor, categorizado com a combinação de dependências que incluem o comportamento sexual compulsivo, a dependência da Internet e o jogo patológico. O tratamento da oniomania, conforme Hodgins e Peden (2008), ainda não possui um padrão psicoterápico, sendo efetuado ainda por meio de um modelo cognitivo-comportamental, tratados com base em antidepressivos e outras iniciativas da psicofarmacologia. Dessa forma, as recomendações clínicas e terapêuticas são da prescrição de intervenções psicossociais no modelo cognitivo-comportamental. Veja mais aqui e aqui.

REFERÊNCIAS
DAVIDOFF, Linda. Introdução à psicologia. São Paulo: Pearson |Makron Books, 2001.
FILOMENSKY, Tatiana. O comprar compulsivo e suas relações com transtorno obsessivo-compulsivo e transtorno afetivo bipolar. São Paulo: Edusp, 2011.
FONSECA, Patrícia. Significados e julgamentos percebidos na frequência do consumo. Brasília: UnB, 2011.
GUERRA, Diego; PENALOSA, Veronica. Compra compulsiva: uma abordagem multidisciplinar com estudantes universitários. XII SemEAD Empreendedorismo e Inovação. Disponível em http://www.ead.fea.usp.br/semead/12semead/resultado/an_resumo.asp?cod_trabalho=823. Acesso 03 maio 2014.
HODGINS, David; PEDEN, Nicole. Tratamento cognitivo-comportamental para transtornos do controle do impulso. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, 30(Supl I):S31-40, 2008.
LEITE, Priscilla. Adaptação transcultural e validação das escolas the richmond compulsive buyning scale e compulsive buying scale. Rio de Janeiro: UFRJ, 2011.
LOPES, Francirene; SOUZA, Regiane. Compulsão por consumo: interface no período da contemporaneidade. Anais V CIPSI - Congresso Internacional de Psicologia. Disponível em http://www.eventos.uem.br/index.php/cipsi/2012/paper/view/797. Acesso em 03 maio 2014.
MARTINS, Gisele. O consumo compulsivo. Janela Econômica. Disponível em http://www.santacruz.br/v4/download/janela-economica/2010/9_O_consumo_compulsivo.pdf. Acesso em 03 maio 2014.
MORRIS, Charles; MAISTO, Albert. Introdução á psicologia. São Paulo: Prentice Hall, 2004.
NERY, Matheus; MENÊSES, Carla; TORRES, Thalita. Um breve ensaio da psicologia acerca do comportamento consumista na sociedade atual. Interfaces Científicas. Disponível em https://periodicos.set.edu.br/index.php/humanas/article/view/164. Acesso em 03 maio 2014.
TAVARES, Hermano; LOBO, Daniela; FUENTES, Daniel; BLACK, Donald. Compras compulsivas: uma revisão e um relato de caso. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, vol. 30, supl. 1, jan/mai, 2008.



V FESTA LITERÁRIA DE MARECHAL DEODORO – A V FLIMAR acontecerá nos próximos dias 12 a 15 de novembro, na cidade de Marechal Deodoro, tendo como personagem homenageada o cantor e compositor alagoano Djavan. Veja mais da Flimar aqui.


LIÇÃO PRO DIA A DIA – A romancista e ensaísta francesa, Anne-Louise Germaine Necker, baronesa de Staël-Holstein e mais conhecida como Madame de Staël (1766-1817), deixa pra gente uma importante lição: “É mais digno lutar contra o desespero do que a ele sucumbir”. Veja mais  aqui.
 

A RESPONSABILIDADE DO ESCRITOR - O filosofo e ativista político norte-americano, Noam Chomsky, declara qual a responsabilidade do escritor: “A responsabilidade do escritor como um agente moral é tentar apresentar a verdade sobre assuntos de significância humana para um publico que poder fazer alguma coisa a respeito. Isso é parte do que significa ser um agente moral ao invés de um monstro”. Veja mais aqui e aqui.


Veja mais sobre:
O lamentável expediente da guerra aqui.

E mais:
Jorge Amado, Gonçalves Dias, Claudionor Germano, Al-Chaer, Dany Reis & Nina Kozoriz aqui.
Ismael Nery, Tomás Antônio Gonzaga, Juliana Impaléa & Keyler Simões aqui.
Miguel Torga, Alfred Gilbert, Pat Metheny, Luciene Lemos, Antonio Cabral Filho & Programa Tataritaritatá aqui.
Michel Foucault, John Coltrane, T. S. Eliot, Edina Sikora, Wender Nascimento & Programa Tataritaritatá aqui.
Nelson Rodrigues, Gauvreau, Antonio Menezes, Luiza Silva Oliveira, Luiz Fernando Prôa & Bárbara Lia aqui.
Jorge Luis Borges, Paulo Leminski, Jean-Michel Jarre, Jeanne Mas, Donizete Galvão, Fabio Weintraub & Regiane Litzkow aqui.
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