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domingo, dezembro 28, 2025

ROSA MONTERO, ROCÍO SILVA-SANTISTEBAN, DANICA MCKELLAR, PAZ SOLÍS DURIGO & CRISTINA TAVARES

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns The Reign of Her (Frameworks Records, 2025) & Beyond Reach (Frameworks Records, 2023), da premiada violonista italiana-estadunidense Marisa Sardo.

 

A mulher do livro & a farra dos eunucos... - Quem é aquela, hem? Rapaz, eu soube que é uma ET que escapou daquelas FRBs quando o Oumuamua deu as caras e se passando por gente humana, para preparar o terreno pruma invasão do planeta e aterrorizar acabando com tudo! Valei-me! Não sabia não? Ô compadres, eu mesmo, soube doutra coisa diferente sobre ela: Dona Oblatedilta me disse que o nome dela é Resusci Anne, uma robô criada por IA, feita daquela morta desconhecida de Paris, que ficou famosa como a mulher mais beijada do mundo. E quais as intenções dela? Investigar a gente tudo para depois escravizar e matar. ChaosGPT? Pior! É mesmo? Que fatalidade! Olha lá, dona Jubilosita tá vindo aí: A senhora sabe quem é aquela, mesmo? Apurei e descobri que é a maldosa viking morta que ressuscitou depois dos testes de DNA da que foi achada lá em Beach Head, sabe, dos restos mortuários de East Sussex, na Inglaterra, e que veio pra cá esculhambar com a vida da gente! Uma assombração? Veio transformar isso aqui num inferno de Dante! Benzodeus! Vocês não sabem? Não, dona Esmaragda. Ah! Averiguei que é a tal da Malèna de Tornatore, a viúva daquele zé-ruela que se alistou voluntariamente para defender a Ucrânia e foi morto pelos russos! Nunca tinha visto e nem ouvido falar do casal. Ah, foi ela que mandou o marido pra morrer na guerra e quer só arranjar um outro abobado pra sustentá-la, por isso que anda toda reboculosa, não sabem a carniceira que ela é. Num diga! Aquela bonitona? Isso mesmo! Ô, dona Clarivaldícia, não será a sádica viúva Brynhild Sorenson Gunness, aquela Belle que já matou não sei quantos maridos e não deixou vivo nenhum namorado das suas filhas? É mesmo! Oxe, vocês estão todas equivocadas: É a perigosa Leanan Sidhe, que seduz para roubar a vitalidade do amante. Pela santa saúde que eu não tenho! Vamos apedrejá-la! Veja, ela para toda vez e fica diante daquela Espada-de-Iansã, toda vez, tá vendo? E num é! Ô, dona Margarildita, não é língua-de-sogra, não? A mesma coisa de rabo-de-lagarto, de sanseviéria, tudo uma coisa só, ZéBocó; o certo é que ela é catimbozeira devota de Oyá e das tamposas de sasanha e abô, de deixar a vítima ressequida e morrer na hora, pode crer! Danou-se! Nunca soube! O que a gente vai fazer? Oxe! É nada: é o fantasma misterioso duma tal de Jennifer Fairgate, que foi encontrada morta num hotel da Noruega e veio praqui pra atormentar as noites da gente. Um espectro ameaçador? Piorou! Vamos exorcizá-la logo! Dizem mesmo que ela é a condessa sangrenta que fugiu da Hungria pra não ser presa e o nome dela é uma tal de Isabel num sei que lá Báthory, cometeu uma série de crimes hediondos e não saciou de matar gente. U-lalala! Chama a polícia! Pelamordedeus! Soube que é a perversa nazista Ilse Koch, aquela Cadela-Bruxa de Buchenwald, que coleciona pedaço de peles de seus prisioneiros, para confeccionar seus souvenirs. Como é? Santa crueldade! Vamos estropiá-la! Cochicham mesmo que ela é a cruel socialite assassina, chamada de uma tal de Delphine LaLaurie que torturou, mutilou e matou não sei quantos escravos negros e fugiu para caçar mais. Cadê, todo mundo tá armado com seu cacete pra lascá-la toda? Pro araque-de-polícia, ZéCadeia, ela é a crudelíssima assassina Mary Ann Cotton que atrai o macho para envenená-lo com arsênio e depois ficar com toda herança do cabra. Vigarista duma figa! Vamos escorraçá-la! Nada, é aquela escravocrata foragida do FBI, uma tal de Margarida Bonetti, que vivia escondida numa mansão arruinada de São Paulo e, agora, veio atuar aqui caçando os pretos todos, lembram? Que rapina! Queremos justiça! Se ela correr, a gente pega; se ela ficar, a gente estraçalha ela toda! Ô dona Zefinha-Pesão, espie: o seu Gervasildo tá todo embecado com manemolências pras bandas dela, mire! Vou estropiar aquele cafajeste! É preciso cuidar, ela é a traiçoeira encantada Morgan Le Fay, a Fada Morgana, que aprisiona qualquer um que dela se aproxima para levá-lo escravo pro seu palácio de cristal no Estreito de Messina. Que gatuna duma figa! Vamos logo dar uma sarrabulhada boa nessa puta! Tem que pegar logo aquela falsa Mulher de Torenza, viúva do homem de Taured, ninguém sabe o nome dela, mas ela só quer enganar todo mundo pra surrupiar o que você tiver. Que mulher mais picareta! Vocês estão falando da mesma pessoa? Vamos amarrá-la e arrastá-la pelas ruas pra ela ver o que é bom pra tosse! É isso mesmo, ela é uma Qarinah, uma ruindade islâmica que persegue as pessoas. Isso tudo? Tem muito mais escondido dela por aí. Vocês não estão enganadas? Ora! Ela num pode ser tudo isso não! Quem mandou ela mexer com a gente? Aquela ali é a ninfa Ondina, que saiu das águas procurando homens casados para humanizar-se roubando a alma do coitado, que resta mortinho. Pronto! Ah, a gente tem que dar cabo dessa destruidora de lar! Se não fizermos logo, a sinistra mulher da neve, a Yuki-onna, veja a palidez e os lábios roxos, ela basta olhar pro homem que ele vira estátua de gelo na hora. Vixe! Que safada! Vamos esquartejá-la! Vamos logo estuporar aquela ardilosa alvenha, que saiu do rio para enfeitiçar incautos para depois afogá-los. Que bandida! É um sacrilégio! É uma súcubus, tenho certeza! Vamos tocar fogo nessa coisa ruim! Ela é capaz de ser a múmia da Senhora Dourada que saiu do sarcófago e está sem a touca para enganar os homens, vejam! Essa mulher é a heresia em pessoa, vamos sacrificá-la! Num pode! E se for uma das holandesas desaparecidas no Panamá, ninguém sabe ao certo qual delas, se é a Kris Kremers ou Lisanne Froon, qual delas? E o que viriam fazer aqui, seu beócio? Oxe, assombrar a gente, ora! Vamos rasgá-la toda de porrada! Só pode ser a Alamoa! Desde quando? É uma galega falsa, veja! Que miséria! Vamos rachá-la em bandas, simbora! Aquilo é o demônio Hannya, aposto! Isso é um estrupício! O padre disse na missa que ela deve ser a demoníaca Jahi da luxúria! Por isso mesmo, vamos esfaqueá-la toda! É uma jorogumo, uma traiçoeira aranha que vira mulher para enredar qualquer um, pode ir ver, na batata! Cruz-credo! O pastor disse no culto que ela é a devoradora Ammit camuflada: tem cabeça de crocodilo, corpo de leão e bunda de hipopótamo, só pra comer o coração do desavisado. Isso é um desmantelo! E prefeito não faz nada! Oxe, tá ele, o delegado, os vereadores, o juiz, toda autoridade tá lá apaixonado por ela! Tudinho? Ora, se. Por isso digo: é a fingida bruxa Empusa, vá ver, foi o bispo que disse! Olha o ZéSitonho lá, chega tá de queixo caído! Vou pegar aquele velho desgramado e lascar as gaias dele, marido meu não se enrabicha pra sirigaita nenhuma! Convoca a multidão! Danou-se tudo! É a Lilith que foi banida do Jardim do Éden para atanazar os homens. Vamos acabar logo com isso, avante! Uma quenga de Caravaggio! Calma, que hestória mais escabrosa, gente! Sai da frente! Ela pode ser enigmática, parece sim, mas não tão diabólica! Vá e se iluda! Não me segura não! Dona Clessivalda, a senhora não acha que todas vocês não estão exagerando na dose demais não? A gente vai caçá-la agorinha mesmo, antes que a macharia toda seja aprisionada, a gente não quer enviuvar assim! O seu marido tá lá todo de farol baixo e arreado por ela, já viu? Vamos capturá-la já! Calma, gente! Olhe seu TóZeca, se o senhor ficar na frente e atrapalhar a gente, vai morrer da maior camada de pau com ela junto, viu? A senhora tá invocada! Eu só não, todas daqui; porque eu mesmo já estou fervendo pelas tampas com essa rameira! Ela não é o que vocês estão pensando. A gente sabe bem quem ela é e não sairá viva hoje dessa praça! Ela veio só falar comigo, mora num livro e escapole das páginas de lá da biblioteca, todo dia de tarde, porque a praça é o sonho dela. Um fantasma da biblioteca? Agora mesmo ela está toda Lulu de Almudena, vestida como se fosse a Francesca Neri na cena de Bigas Luna. Num sei do que o senhor está falando, acho que tá enrolando a gente para protegê-la. Vamos logo tascar fogo! O senhor vai apanhar por defendê-la, seu TóZeca. Capa ele logo! Vaza! Olhem vocês que eu viro a desgraça e não sobra uma só pra fuxicar depois! Saia da frente! Pisa ele! Olhe só: o seu esposo, dona Quartuda, tá lá! Aquele gaiúdo me paga, fio-duma-égua! Passa por cima dele! Também o de dona Maria-Banguela, o da dona Sula-Arrepeada, o da dona Maria-Boqueira, o da Sinhá-Peituda, o de dona Gracivalda, vejam, todos estão lá, babando! Filhos da puta, vou lascar o quengo dele! Que babãos mais safados! Isso, vão é tomar satisfação dos seus e deixem a moça em paz preu namorar! Vamos pegar os salafrários! Isso, vão-se embora, peguem seus maridos abiscoitados, sigam pras suas casas e danem uma pisa boa e bem dada no toitiço deles lá, arrochem neles, que é o que eles merecem. Vou castrar aquele corno! Isso, mandem ver nas caçaroladas, nas cabadas de vassoura, os penicos nas fuças, as paneladas no juízo, peixeiradas no bucho, cortem as asas e o pingolim, arranquem um dos ovos pra ficarem rancolhos, deem umas lamboradas boas nesses apaideguados preles aprenderem! Vamos deixar esses marmanjos tudo emasculados! Eita, que o trupé vai comer e o pencó vai pegar! Vão virar tudo eunuco! Toca! Ora, ora. Bem feito. Ih! Esse o povinho pacato de Alagoinhanduba! Foi. Até mais ver.

 

Joan Didion: Não estou dizendo para você tornar o mundo melhor, porque não acho que o progresso faça parte necessariamente disso. Estou apenas dizendo para você viver nele. Não apenas suportá-lo, não apenas sofrê-lo, não apenas atravessá-lo, mas vivê-lo. Observá-lo. Tentar compreendê-lo. Viver sem medo. Arriscar. Criar seu próprio trabalho e se orgulhar dele. Aproveitar o momento... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Elena Ferrante: A vida toda é assim: numa vez você apanha, noutra, recebe beijos... toda escolha tem sua história, muitos momentos de nossa vida estão espremidos num canto só esperando uma brecha, e no final essa brecha aparece... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Rita Lino: Passei muitos anos trabalhando com minha própria identidade, minha própria vida, minhas diferentes personas, então quero fazer algo diferente, mas ainda assim permanecer fiel a mim mesma... Veja mais aqui.

 

EL ÁNGEL NEGRO DE COPLEY SQUARE (RILKE)

Imagem: Acervo ArtLAM.

Para onde voou o anjo que me prometeste? \ Onde se escondem suas asas fuliginosas? Em que \ paraíso ela se refugiou? Por que \ deixei de ser sua protegida? \ Quais os efeitos das minhas \ palavras ruins? \ que outra heroína ele escolheu? para quem \ ele está cavando entre as pedras hoje? \ de quem \ são essas inúmeras quedas? Que obstáculo cotidiano se abriu como um \ precipício? Que obsessão sombria se dissolveu \ entre suas asas? Sob que poder ela curva a cabeça hoje? \ Em que pescoço subjugado ela ergue suas garras? \ Por que o fizeste descer a escada? \ Para onde o levarão seus desejos? \ De que posição temporal não confessada \ ele retorna? \ Quem ele liberta da pestilência? \ Diga-me, diga-me, diga-me, \ que música toca sua harpa? Que \ costas congelam seus anseios? \ Que caminho ela começa a percorrer às apalpadelas? \ E eu não te ouvi. \ E você tinha me avisado: \ Todo anjo é terrível.

Poema da escritora, acadêmica, ativista e jornalista peruana Rocío Silva-Santisteban (Rocío Yolanda Angélica Silva-Santisteban Manrique), que representa a Frente Ampla como membro do Congresso pelo distrito de Lima e autora das obras poéticas Asuntos circunstanciales (1984), Ese oficio no me gusta (1987), Mariposa negra (1993), Condenado amor (1995), Maternidad (1996), Turbulencia (2005), Las hijas del terror (2007) e La máquina de limpiar la nieve (2024).

 

A CARNE - [...] A vida é um pequeno espaço de luz entre dois anseios: o anseio por aquilo que você ainda não experimentou e o anseio por aquilo que você jamais experimentará. E o momento preciso da ação é tão confuso, tão fugaz e tão efêmero que você o desperdiça olhando ao redor atordoado. [...] Ser amaldiçoado é saber que suas palavras não encontram eco, porque não há ouvidos que possam compreendê-las. Nisso, assemelha-se à loucura — Soledad exclamou de repente. Ser amaldiçoado é estar fora de sintonia com seu tempo, sua classe social, seu ambiente, sua língua, a cultura à qual você deveria pertencer. Ser amaldiçoado é querer ser como todos os outros, mas não conseguir. E querer ser amado, mas inspirar apenas medo ou talvez riso. Ser amaldiçoado é ser incapaz de suportar a vida e, acima de tudo, ser incapaz de suportar a si mesmo. [...] Ah, aquelas outras infinitas vidas possíveis que se abriram como a cauda de um pavão ao redor da nossa existência, todas aquelas modificações do nosso destino que poderiam ter ocorrido simplesmente variando um pequeno detalhe. [...] Às vezes, o destino, ironicamente, diverte-se emparelhando fenômenos semelhantes. Quando alguém tem azar, os infortúnios parecem se acumular e acabam caindo sobre essa pessoa como um dilúvio. [...] A vida é um pequeno espaço de luz entre dois anseios: o anseio por aquilo que você ainda não experimentou e o anseio por aquilo que você jamais experimentará. E o momento preciso da ação é tão confuso, tão fugaz e tão efêmero que você o desperdiça olhando ao redor atordoado. [...]. Trechos extraídos da obra La carne (Alfaguara, 2016), da escritora e jornalista Rosa Montero. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ARTE & MENTE AGUÇADA - A matemática é o único campo onde verdade e beleza significam a mesma coisa... A matemática é como ir à academia para o cérebro. Ela aguça a mente... Pensamento da atriz, escritora e matemática estadunidense Danica McKellar, que explicou que: Eu fiz uma pausa na atuação por quatro anos para obter um diploma em matemática na UCLA, e durante esse tempo eu tive a rara oportunidade de realmente fazer pesquisa como estudante de graduação. E eu e duas outras pessoas foram co-autoras de um novo teorema: Percolation e Gibbs States Multiplicity for Ferromagnetic Ashkin-Teller Models on Two Dimensions, ou Z2. Ela ainda expressa: Encontre seu amor-próprio agora. Não se rebaixem. Pensem em si mesmas como capazes e merecedoras de encontrar um cara que também as respeite. É tão importante, quero dizer, e a confiança que vocês ganham ao se sentirem inteligentes e enfrentarem algo como matemática, que é um desafio, certo? Matemática é difícil... Veja mais aqui.

 

UMA ATIVISTA & AMOR DE SARTRE

[...] seremos nós, mulheres em luta, cidadãs que haveremos de escrever na Constituinte plena liberdade e contra a discriminação. [...]

Pensamento da jornalista e ativista deputada Cristina Tavares (Maria Cristina de Lima Tavares Correia – 1934-1992), extraído da dissertação de mestrado cuja temática está definida como A trajetória política de Cristina Tavares: a redemocratização e os direitos das mulheres na Constituição Cidadã 1978 – 1988 (Unicap, 2021), do professor e pesquisador Edvaldo dos Santos Silva. Ela é autora de obras como Atuação parlamentar (Coordenação de Publicações, 1980), Eleições em Pernambuco (Centro Teotônio Vilela, 1987) e A Última Célula (Paz e Terra, 1989), entre outros. Ela conheceu o casal Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, que passou pelo Recife, na década de 1960. Consta que o filósofo teve uma paixão por ela, tendo sido, inclusive, o romance entre ambos assinalado pela própria Beauvoir, conforme registrado no livro Tête-à-tête (Objetiva, 2006), da escritora e biógrafa australiana, Hazel Rowley. Veja mais aqui.

&

GUARANGA, DE PAZ SOLÍS DURIGO

Guaranda (Caburé Libros, 2024) é a primeira novela da escritora, professora e musicista argentina, Paz Solís Durigo, que também é autora do livro Contra todos los males (Avagata, 2023) com letras de suas canções em guarani e castelhano. Ela é cofundadora e codirige a revista digital e popular La Lechiguana e anuncia para 2026, o lançamento de sua novela infanto-juvenil Los gatos de la abuela Queché (Boris Ediciones). Veja mais aqui & aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR:

Veja mais sobre MJ Produções, Gabinete de Arte & Amigos da Biblioteca aqui.

 


terça-feira, janeiro 09, 2024

FLORENCIA ABADI, DORIS DÖRRIE, ISABEL SALAS DOMÍNGUEZ & A TRILOGIA DE VILMAR

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som da ópera Afət, Poema de Z. Ziyadoglu: hino "Petroleiros" para solista e orquestra, Canções e romances para poemas e Gecələr bulaq başi , além dos filmes Nəğməkar torpaq (1981), Bağişla (1983), Qayıdış (1992), Yalçın (2004) e Sən yadima düşəndə (2013), da compositora azerbaijana Elza Ibrahimova. Veja mais aqui.

 

ANÔNIMO, VIDA TORTA & MALOGRO... – Manhã olhabro, agoronde gritalmas quandoutros às disjunções, natureza pujante, desgraça iminente. É duro ter de encarar este mundo. Dobrar a primeira esquina é o que resta; intrépido quase, irrequieto talvez, esquecer certas coisas não é fácil, tem de ser. Mesmo na radiância dos ideais com a impetuosidade do Etna, entre o esquecimento e a morte: verdadeiro sangue vivo entre o fugaz e o permanente. Qual nada. O que sobra, noves fora deu zero. Não fosse Elena Ferrante: Toda relação intensa entre seres humanos é cheia de armadilhas e, caso se queira que dure, é preciso aprender a desviar-se delas... O que seria de mim, nem me vitimizo, cara e coração: sou lá de me arrear pelos cantos. Outragora, pertali apareceram dançantes caruás de Conceição das Crioulas às hipálages, ataraxias e atavios, de quase me levar à polução apodítica porque a dor do amor apertava-me o coração - como se eu fosse Caliban em busca de um par de seios robustos ao abrigo, porque jaziam longe os sonhos mais excitados. A gente sabe: o que é bom dura nadinha, não adianta pernadas a três por tanto. Ainda bem Abbas Kiorastami: Eu me sinto como uma árvore. Uma árvore não se sente obrigada a começar a fazer algo pela terra de onde ela vem. Uma árvore só precisa dar frutos, folhas e flores. Não parece grata à terra... Assim sou Anteu do meu chão. Quão miserável quandoutros amargamores na salescura. Ainda há gente, muita gente, que não resiste à oferta de um molho de cédulas, afã patrimonial, suntuosidade. E estes ocupam cargos lá pras alturas nas três esferas do poder e ademais até quem nem sabe. Fiz minha opção Bukowski: Descubra o que ama e deixe-se matar por isso. Você tem de morrer algumas vezes antes que você possa realmente viver... Assim vai o sonho, foi-se o dia, a mão ao peito, a boca íntima, amareluz, pálidolhar. Longe versamanhã, olhos de velacesa na escuridão. Um só instante para o insulto e a repulsa. Breve grito para mudez das grandes palavras. Pela portaberta eis quem chega, a brisa na franja a roubar-lhe pestanas dos fogolhos, lábios reluzentes, enquanto dócil portescancarada afagando meu prepúcio vigoroso a porfiar blandícias errabundas, à espera da ejeção da massa coronal. Aí sou o Sol. Ela pagava o preço e não me devia nada. Venhaqui! Exprobrou porque queria saldar pecados como quem fareja focinho escondido a remoer moinhos às cuspidas saltitantes e a cambalear derruída. Nem saí de perto, acho que enlouqueceu. Deixei que fizesse, tirei partido por mim nessa hora. Ela e os regalos, nada melhor. Manuscravia-me nela em choque pela noite pecaminosa e eu em xeque, ela retardatária a revolver minhas entranhas com seus ombros caídos a semear ademanes por seus grãos no inframundo sem fim. Também sou vivo e merecemos. O que da vida torta, só anônimo & malogro. Agora não, tiramos proveito de tudo que der. Até mais ver.

 

UM POEMA

Imagem: Acervo ArtLAM.

Eu abro minha boca em glória abençoada para você \ Abra a boca acumulada \ nu o verso sábio \ verso inchado que preenche meu verbo de saída \ lambido verbo que molha a sua garganta \ fruta melodiosa \ Queridos minhos que sobem a boca pelos dedos \ Quando você os caminha através da flor quente \ banhando-os em brethbine \ Dedos entregues entre as dobras \ Mel sustentado nas pontas \ Os meis que abrem a boca \ bocas saciadas com mel \ Eu abro minha boca com alegria encantada com você \ Estou procurando a mordida forte \ Eu abro o sexo em sua boca \ Acomodar o verbo servido \ Eu posso em sua boca minha mordida incitada.

Poema da psicóloga e poeta venezuelana Isabel Salas Domínguez.

 

PARA ONDE VAMOS A PARTIR DAQUI – [...] Ah, diz ela gravemente, quando uma campainha toca ou um telefone toca, simplesmente aproveitamos a oportunidade para desligar e abandonar todos os nossos planos e emoções - todos os nossos pensamentos sobre outras pessoas e sobre nós mesmos. Abandonar todas as nossas percepções humanas? Eu pergunto indignado. Nesse caso, o que resta para nós? Não, diz ela balançando a cabeça, refiro-me apenas à nossa concepção do mundo. Gosto da maneira como ela pronuncia a palavra “concepção” com seu sotaque holandês, como se estivesse quente e ela pudesse queimar os lábios. Eu gostaria de poder falar uma língua estrangeira tão fluentemente quanto você, digo a ela. Por favor, diga ‘concepção’ novamente. Explique-me isso. Qual é a diferença entre minhas percepções e minhas concepções? Resolutamente, ela vai até um café sob alguns plátanos cujas folhas lançam sombras decorativas nas toalhas brancas. Ela se senta e me olha com ceticismo, como se avaliasse se sou inteligente o suficiente para merecer uma resposta. Na maioria das vezes, diz ela, formamos uma opinião sobre as coisas sem realmente percebê-las. Ela aponta para uma senhora idosa andando pela praça carregada de sacos plásticos. Por exemplo, ela continua, eu olho para aquela mulher e penso: Como ela tem as pernas arqueadas e aquela saia! Uma cor medonha e curta demais para ela. Ninguém deveria usar saias curtas nessa idade. Minhas pernas ainda são boas o suficiente para saias curtas? Eu costumava ter uma saia azul. Onde está, eu me pergunto? Eu gostaria de estar usando aquela saia azul. Onde está, eu me pergunto? Eu gostaria de estar usando aquela saia azul agora. Mas se eu fosse como aquela mulher ali... Ela apoia a cabeça nas mãos e me olha com brilho nos olhos. Eu ri. Na verdade, não “percebi” a mulher, diz ela, apenas pensei nas saias, nas pernas e no processo de envelhecimento. Sou prisioneiro das minhas próprias ideias – em outras palavras, das minhas concepções. Veja o que quero dizer? Eu digo que sim, mas diria sim para uma série de coisas quando ela me olha desse jeito. Uma garçonete da idade de Franka anota nosso pedido. Ela está usando um suéter branco de crochê sobre os seios enormes e um avental branco bem amarrado em volta da barriguinha proeminente. Suas sandálias com sola plataforma, que lembram cascos, dão-lhe uma aparência desajeitada de potro. Agora é a sua vez, diz Antje. Adolescente francês, eu digo. Provavelmente foi intimidada para deixar de fazer um aprendizado e trabalhar no café dos pais. Sonha em ser esteticista. Não, protesta Antje, isso não serve. Você tem que dizer o que realmente está passando pela sua cabeça. Eu hesito. Vamos, quinta-feira. Eu suspiro. Por favor, ela diz. OK, mas não assumo nenhuma responsabilidade pelos meus pensamentos. Negócio! Mamãezinha sexy, eu digo. Peitos lindos, provavelmente fáceis de transar, não recusariam alguns francos por um suéter novo. Ela certamente se sentiria bem e gritaria Maintenant, viens! Aquela música da Jane Birkin, não ouço há anos. Eu me pergunto o que Jane Birkin está fazendo atualmente. Ela costumava ser a mulher dos meus sonhos. Mesmo assim, tenho certeza de que aquela garota não gosta de homens alemães e, além disso, eu poderia facilmente ser o pai dela, tenho uma filha da idade dela. Eu me pergunto o que minha filha está fazendo neste momento... Eu seco. Ufa, eu digo. Desculpe, essa era minha cabeça, não eu. Antje acena com a cabeça satisfeita. Ela se inclina para trás e suas tranças ficam penduradas nas costas da cadeira. Nada nos atormenta mais do que a cabeça, diz ela, fechando os olhos. Você tem que reconhecer que os budistas têm o dom de se desligar. É simplesmente maravilhoso. [...]. Trecho extraído da obra Where Do We Go From Here? (Bloomsbury, 2002), da escritora e cineasta alemã Doris Dörrie. Veja mais aqui.

 

O SACRIFICIO DE NARCISO – [...] Longe do amor próprio Narciso continua o destino do amante Aminias [...] Embora dói admitir, o desejo e o amor dependem não apenas de mecanismos diferentes, mas opostos [...] A crueldade, embora seja perturbadora admiti-la, está intrinsecamente ligada à vida [...] Quando termina a guerra do desejo começa a paz do amor [...] a confiança amorosa interrompe o impulso curioso e possessivo do desejo e deixa a alteridade ser […] o desejo e o amor trabalham com lógicas opostas [...]. Trechos extraídos da obra El sacrificio de Narciso (Punto de Vista, 2020), da filósofa e escritora argentina Florencia Abadi, que noutra obra, O Nascimento do Desejo (Pólvora, 2023), expressa: [...] Não desejamos o que queremos, o que nos é conveniente, ou o que nos dá bem-estar ou felicidade. O desejo se impõe fora da vontade e nos deixa na dolorosa situação de nos defendermos dele inutilmente [...]. Dela a frase: O narcisista acredita que não atingir o ideal é uma humilhação.

 

TRILOGIA PALMARES DE VILMAR

A viagem do afeto de partir e voltar é a linguagem rememora...

Trecho do poema Bagagens, extraído da obra Ruína e alfabeto: poemas acima da decadência (CriaArte, 2023), do poeta e professor Vilmar Carvalho, autor das obras Tirinetes e Espelhos: poemas da cidade pequena e Casa Imemorial: poemas da casa imemorial, todos recém lançados. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 



ANNA LEMBKE, RIN USAMI, BIRHAN KESKIN, ANTÔNIO MARIA & YAYOI KUSAMA

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Cambalhotas & as coisas nunca davam certas... - Zé Lua vivia por aí, todo acanhado sob a aba do boné, ...