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terça-feira, novembro 03, 2020

AMARTYA SEN, ALICE GUY-BLACHÉ, FRANCISCO AYALA, VERA MUKHINA, LUCANO, ROSEANNE BARR, FABIANA KARLA & BUTUA

 

TRÍPTICO DQC: JANELA DO DIA - A janela e a fumaça caótica com suas pernas e braços apressados na barulheira da vida. As crianças, olhos grandes e mãos estendidas para um ou outra, entre passantes com ouvidolhos nos compromissos das agendas telefológicas. Ousam brincar de viver e é só o que sabem para não morrerem em branco. Longe de serem as da Brodowski de Portinari: Se há tantos meninos em minha obra em balanços, gangorras é que seria meu desejo fazer com que eles fossem lançados ao ar a virarem belos anjos... É Betinho com seus olhos de esperança no meu pesadelo: Essas crianças estão nas ruas porque, no Brasil, ser pobre é estar condenado à marginalidade. Estão nas ruas porque suas famílias foram destruídas. Estão nas ruas porque nos omitimos. Estão nas ruas, e estão sendo assassinadas. Ainda se despede com uma frase do poeta romano Lucano (39-65): Jamais alguém escolheu como amigo aqueles que se encontram na mais extrema pobreza. E elas estão por toda parte do Fecamepa e aprenderam não só atirar o pau no gato como em todos os bichos e de qualquer jeito se livrarem da fome e seja como for o Sol brilha e é sempre noite para elas onde quer que estejam, pés no chão sem saber ontem sempre amanhã.

 


AS PEDRAS DE BUTUA - Zé Corninho estava sumido há um bocado de tempo. Reapareceu do nada e foi logo me contando: Rapaz, fui dormir um dia desse e acordei num lugar, valha-me, cheio de ruas com degraus e paredes de pedra, um povo baixo e cheio de pantins e não me toques, de pele escura feito corvo, cabelos de urupema tudo encaracolados. Eram bem raivosos, traiçoeiros e ignorantes, vixe! Matavam por brincadeira e os funerais eram abandonar o cadáver ao pé de uma árvore, deixando lá assim ao relento. As mulheres de lá eram lindas, mas apanhavam demais. Tinha as altas e corpudas que guardavam o palácio do rei; as mais ou menos assim meio coroas para serviços domésticos e jardinagem; as adolescentes jeitosas oferecidas em sacrifício aos deuses; e as mais delicadas e formosas reservadas para os prazeres do imperador de lá. Ô bicho de sorte! Cada um dos de lá possuía quantas mulheres quisessem e pudessem alimentar. Tinha quem fosse dono de harém de mais de mil. O pior é que descobri que elas depois de dar à luz, eram condenadas a três anos de abstinência completa. Foi aí que eu me aproveitei às escondidas, flagrado pela fúria deles. Nunca vi um rei tão cruel, como também governadores e poderosos que adotavam vícios criminosos a qualquer hora e local. Quase que morro matado, não fosse comer milho, peixe e carne humana escondido. Pra eles lá, os açougueiros públicos fornecem carne de gente e de macaco, muito apreciadas por eles. Ou comia ou morria de fome. E tinha de ir ao templo porque acreditavam numa serpente que foi quem criou o mundo deles lá. Passei aperto do muito, nem sei como estou aqui são e salvo. Pronto. Quem ouviu desconfiou logo de lorota, afinal, ali quem não tinha o que fazer, jogava conversa fora e soltava das suas aos peidos e pigarros. Pergunte ao doutor Zé Gulu, ele não me deixará mentir! E foi mesmo! O douto logo esclareceu: Ah, ele está falando do Reino de Butua ou Abutua, também chamado de Tórua dos xonas do século XVI, no atual Zimbábue. Quem a descreveu com maior propriedade foi Marquês de Sade, na sua obra Aline et Valcour (1795 - Independently Published, 2019): Reino do centro da África do Sul, cuja superfície é igual à de Portugal. Ao norte faz divisa com o reino de Monoemugui, a leste, com os montes Lupata, ao sul, com a terra dos hotentotes. Os costumes de Butua são os mais depravados do que qualquer coisa que tenha sido dita ou escrita sobre o povo mais feroz da Terra. A população se entrega a todo tipo de paixão criminosa, tais como luxúria, crueldade, rancor e superstição. Considera-se que as mulheres nascem unicamente para o prazer dos homens. Apesar de seus numerosos crimes, o povo de lá é muito devoto e temente aos deuses. Cada distrito tem um líder religioso, encarregado de uma escola de sacerdotes. Em todos os templos adora-se um ídolo, metade serpente, metade humano, cópia original existente no palácio real. Os governadores das províncias devem mandar todos os anos dezesseis vítimas de ambos os sexos para seu líder religioso, que os imola em determinados dias de ritual, com a ajuda dos sacerdotes. Estes estão encarregados de curar os doentes, o que fazem com o uso de bálsamos feitos de plantas, bastante eficazes. São pagos em mulheres, meninas ou escravos, segundo a posição social da pessoa que tratam. Não aceitam alimentos em pagamento, mas, graças às oferendas deixadas nos templos, jamais sentem fome. Como são totalmente desprovidos de sensibilidade, esses selvagens não podem imaginar que a morte de um parente ou amigo possa causar a menor dor. O espetáculo da morte não provoca a menor reação e é comum que apressem o fim de alguém sem esperança de cura ou em idade avançada. Oxente, isso é o fim do mundo! Cruz-credo! E usou de Amartya Sen: Não há nenhum país perfeito no mundo. Há lições para tirar de um ou de outro. Ninguém precisa copiar um modelo de país. O essencial é raciocinar a partir das ideias que funcionaram em outros lugares. As liberdades não são apenas os fins primordiais do desenvolvimento, mas também seus principais meios. Mas é um povo avesso a tudo da gente, ora! Aí ele sacramentou usando do escritor espanhol Francisco Ayala (1906-2009): Dou ao país um valor acidental: não é essência, mas circunstância. E zarpou deixando a roda inflamada às discussões mais cabeludas.

 


SOU O RIO MUSA MAR & ZIS ERRÂNCIAS – Imagem: arte da escultora russa Vera Mukhina (1889-1953) – Ela invade o espaço e era a cineasta e roteirista francesa, Alice Guy-Blaché (1873-1968): Não há nada relativo à realização de um filme que uma mulher não possa fazer tão facilmente quanto um homem, e não há razão para que ela não possa dominar completamente todos os detalhes técnicos dessa arte. Demonstrei minha anuência com gesto positivo de cabeça. Ela insistiu Olympe de Gouges: Se a mulher tem o direito de subir ao cadafalso, ela deve ter igualmente o direito de subir à tribuna. Reiterei minha solidariedade. Aí com veemência citou a atriz, escritora e comediante estadunidense Roseanne Barr: Há muito mais em ser mulher do que em ser mãe. Mas há ainda muito mais em ser mãe do que a maioria das pessoas pensa. Uma coisa que as mulheres têm de aprender é que ninguém te dá o poder de bandeja. Você tem de agarrá-lo. Estava surpreso com sua eloquente exposição. Com o dito ela baixou a cabeça, pensou um pouco em silêncio, quase ouvi suas ideias, mas evitei, assumi minha condição de plateia e deixei-a comodamente dizer o que quisesse. Contornou os cantos do meu quarto, voltou-se com um riso encantador e mencionou que me amava muito. Beijou-me, retribuí o gesto e reafirmei minha paixão por ela. Aboletou-se no meu colo com seu jeito sereia e cheiro de mar, passou os braços em volta do meu pescoço e ficou brincando de lamber meus lábios enquanto se insinuava cada vez mais achegada para me cobrir com seus encantos. Mais que receptivo fiz festa no nosso mútuo sentimento com o calor de todas as nossas emoções e prazeres. Até mais ver.

 

A ARTE DE FABIANA KARLA

Eu adoro observar as pessoas. O povo é minha matéria prima. Eu adoro ficar na praia, por exemplo, observando o comportamento das pessoas, de todos ao meu redor. Isso me dá material para trabalhar. Eu gosto de escutar o linguajar do cara que está fazendo sanduíche lá na baixada, quando o vendedor diz “manda um mendigão pra dentro ai!'”. Quando ele vê isso repercutir na televisão, ele se reconhece, ri. Faz parte viajar, conhecer pessoas, novas culturas, para você observar e ter material para trabalhar. As pessoas me percebem nos dois tons, só que elas me preferem na comédia. E eu fico envaidecida porque é muito difícil fazer comédia. Então, se elas me enaltecem como humorista, e me respeitam tanto na comédia quanto no drama, isso me deixa feliz. E pra mim, a opinião do público é como um termômetro.

A arte da atriz, humorista, escritora e diretora Fabiana Karla, que dirigiu e escreveu o roteiro do documentário O caso Dionísio Díaz (2016), atuou como atriz nos filmes Marina (2003), A máquina (2006), O palhaço (2011), Meus dois amores (2012), Tô Ryca (2016), Uma pitada de sorte (2018), entre outros. No teatro ela atuou nas peças João e Maria (1990), Balaio de Gatos (2006), Hoje me chamo Dinorá (2007), Decameron (2009), Gorda (2009), A vida em rosa (2012) e Nessa mesa de bar (2014). E na televisão atuou no Zorra Total, Escolinha do Professor Raimundo e  em diversas novelas, séries e especiais. Veja mais aqui e aqui.


 

 


terça-feira, outubro 27, 2020

SYLVIA PLATH, DYLAN THOMAS, JEAN ACKER, GRACILIANO, ROSE NOGUEIRA, JOSÉ BARBOSA & A SEREIA DO ROBIMAGAIVER


  

TRÍPTICO DQC: PALÁVORA METAFÁBULA - Estradafora passadopasso futuronde errânbulos vidoutráfego. Realizarpar precisora, adivinhanando portabertas & realsonhalizar velacesa desertormentas. Volvouver, voltainda, vamboramanhã, desdontem jagora! Feridoída, saravento. Dylan Thomas: A bola que lancei quando brincava no parque ainda não tocou o chão. A lição de Graciliano Ramos: É o processo que adoto: extraio dos acontecimentos algumas parcelas; o resto é bagaço. E faço e refaço, torno a refazer, sempre. O que foi e o que irá: todos. O que não me mata me faz viver. O que não me atiça não me falta nem existe. Quem não tem audácia não vive. Quem não se arrepende não faz.

 


A SEREIA DA LOROTA - Imagem: Art Deco handmade Sculpture nude beauty Mermaid Bronze copper Statue. - Depois do Pipoco da porra, da paixonite do besouro doido, da presepada com a culpa no cartório e das emboanças malsucedidas no Big Shit Bôbras, Robimagaiver havia desaparecido fazia tempo e, de repente, deu as caras para lá de lívido e às carreiras. Que foi que houve? Escapei fedendo! Como assim? Arfante, não dizia coisa com nexo. Aí Zé Corninho sapecou: Esse cabra mente que o cu apita! Todos concordaram e juntando curioso ao redor dele, só de mutuca para apurar a pinoia. Foi de mesmo, cara! A gente já saca tua pacutia, fidapeste! Foi mesmo! Vai-te! Vou contar. Então, conta. Seguinte: uma reboculosa daquelas que não é pro meu bico, sei o trampo que carrego, meu carrinho de mão e coisa e tal, e pelo jeito ela deu mole! Espia só: o sujeito juízo curto, mulher bonita, só dá merda! E deu. Passo o rodo, caiu na rede é peixe. E era. Foi só me abestalhar nuns xambregos bons e ineivados e lá pras tantas findar na beira do rio. Pega aqui, pega acolá. Nem aí, depois do sarro era a hora do vamos ver e ela timbungou, tirou a roupa e ficou só me atiçando. Sou lá de refugar na horagá, desvesti tudo num mergulho só. Dali a pouco no meio dos agarrados e umbigadas, um peixão passou pela batata da perna: Tem peixe grande na área! E ela se ria toda não me toques e vem e vai. Passou de novo, pelo volume, vôte, é dos grandões. Tá doido, quero lá ser devorado por jacaré ou sei lá o quê, pulei fora. Oxe, ela danou-se a cantar e a vista escureceu, tonteei e apaguei. Quando dei fé depois de num sei quanto tempo, ela era a peixa. Pode? Aí, foi pior, tive um troço com o pega-pega e só me acordei num lugar desconhecido em que ela não era mais uma peixa, era uma ave com cara de mulher! E queria me pegar. Onde já se viu? Dei uma carreira, nadei num sei quantos dias, ela atrás, grasnando, eu tome braçada, pelo jeito acho que rodei o mundo até despistá-la e chegar em casa. Ufa! Escapei fedendo, meu! Como é? A tropa toda deu sinal de lorota: E quando foi que aprendesse a nadar, desgraçado? A necessidade ensina! Ah, não! Nessa hora ia passando o doutor Zé Gulu que foi atrapalhado pela mangação e teve de ouvir todo relato do dito cujo. Ah, sim, se é verdade ou não, pela descrição do lugar que você deu, não resta dúvida que é a Ilha das Sereias. Como? Sim, é uma ilha incerta do Mediterrâneo e que muitos autores falaram deste lugar: a Odisseia de Homero, a Argonáutica de Apolônio de Rodes, a Die Lorerei de Henrich Heine e o Ulisses do James Joyce, reza a lenda: com seu canto melodioso, as Sereias atraem os marinheiros que, inconscientes do perigo, naufragam nos rochedos da ilha. Êpa! A turma com o mestre pelo canto do olho: Ô doutor, diga cá uma coisa: como é que um frebento desse passa por uma dessa e sai ileso, me diga? A turma do qual é: Nem nadar o bexiguento sabe! Onde já se viu um embola-bosta desse todo topetudo pra bancar o bonzão pra cima da gente, ora! Com todo respeito, doutor, mas não dá para acreditar numa lorota dessa!

 


ELA ENCENA & O AMOR É REAL - Imagem: arte da atriz estadunidense Jean Acker (1893-1978) – Adentrou seminua na noite e disse: Sou Rose. A jornalista e defensora dos direitos humanos, Rose Nogueira. E passou o texto: “Sobe depressa, Miss Brasil’, dizia o torturador enquanto me empurrava e beliscava minhas nádegas escada acima no Dops. Eu sangrava e não tinha absorvente. Eram os ‘40 dias’ do parto. Na sala do delegado Fleury, num papelão, uma caveira desenhada e, embaixo, as letras EM, de Esquadrão da Morte. Todos deram risada quando entrei. ‘Olha aí a Miss Brasil. Pariu noutro dia e já está magra, mas tem um quadril de vaca’, disse ele. Um outro: ‘Só pode ser uma vaca terrorista’. Mostrou uma página de jornal com a matéria sobre o prêmio da vaca leiteira Miss Brasil numa exposição de gado. Riram mais ainda quando ele veio para cima de mim e abriu meu vestido. Picou a página do jornal e atirou em mim. Segurei os seios, o leite escorreu. Ele ficou olhando um momento e fechou o vestido. Me virou de costas, me pegando pela cintura e começaram os beliscões nas nádegas, nas costas, com o vestido levantado. Um outro segurava meus braços, minha cabeça, me dobrando sobre a mesa. Eu chorava, gritava, e eles riam muito, gritavam palavrões. Só pararam quando viram o sangue escorrer nas minhas pernas. Aí me deram muitas palmadas e um empurrão. Passaram-se alguns dias e ‘subi’ de novo. Lá estava ele, esfregando as mãos como se me esperasse. Tirou meu vestido e novamente escondi os seios. Eu sabia que estava com um cheiro de suor, de sangue, de leite azedo. Ele ria, zombava do cheiro horrível e mexia em seu sexo por cima da calça com um olhar de louco. No meio desse terror, levaram-me para a carceragem, onde um enfermeiro preparava uma injeção. Lutei como podia, joguei a latinha da seringa no chão, mas um outro segurou-me e o enfermeiro aplicou a injeção na minha coxa. O torturador zombava: ‘Esse leitinho o nenê não vai ter mais’. ‘E se não melhorar, vai para o barranco, porque aqui ninguém fica doente.’ Esse foi o começo da pior parte. Passaram a ameaçar buscar meu filho. ‘Vamos quebrar a perna’, dizia um. ‘Queimar com cigarro’, dizia outro”. E chorava com todos os poros, vísceras & sangue, estirada no chão e a mencionar nomes perdidos, Heleny, Marilena, Helena, Labibe, Alceri: sou todas elas e elas são em mim o último suspiro de vida. Levantei-me até ela e, num abraço, soluçava. Disse-me Sylvia Plath: Acho que criei você no interior da minha mente. Quando você entrega todo o coração a uma pessoa e ela não aceita, não dá para pegar de volta. Você o perde para sempre. Disse-lhe apenas: vivocê! E nos beijamos para a eternidade. Até mais ver.

 

O MUNDO DE JOSÉ BARBOSA

A arte do escultor, entalhador, pintor, desenhista, ilustrador e gravador José Barbosa da Silva, que organizou o Movimento Arte Ribeira, em 1963, e participou do início da Tropicália, do Cinema Novo e da Nova Figuração de artes plásticas, tendo participado de individuais e coletivas em países como Alemanha, França, Espanha, Chile, Inglaterra, USA, Suíça, entre outros. Veja mais aqui e aqui.

 


terça-feira, junho 03, 2014

CALVINO, NANCY KRESS, SARAH WHITMAN, ESTHER SHKALIM, ANITA BORG & LITERÓTICA


DIA BRANCO - Estava eu desamparado de tudo quando saí pra vida e ela surgiu sussurrando lindo o “Dia branco”. Minha alma Geraldinho Azevedo logo se arrepiou, entregou os pontos e embalamos coro no palco da vida. Era o amor. Bastou uma centelha, nada mais. Apenas, um riso de mulher. E tudo ficou sendo como se eu tivesse acabado de ser parido: eu nasci entre um rio e um sorriso de mulher. Nada melhor para me recolocar na vida saindo do negrume desalmado da indiferença para alcançar a esperança real. Aí cantamos e nos embalamos na noite imensa quando beijei seus olhos de dias infindos. Foi quando percebi seus braços quase véus divinos de todas as estrelas do universo, me enlaçando o pescoço para levar meus lábios até seus lábios ardentes e feitos de rios que nos levam caudalosos pelas corredeiras mais distantes de tanto se entregar.E nos beijamos imensamente como se a vez fosse para redimir todas as minhas dores e remediar todas as minhas cicatrizes abertas e chagadas, sarando tudo ao mais leve eflúvio do encanto altaneiro de um beijo de mulher. E nos abraçamos inteiramente entregues um ao outro sem jamais dar conta de nada nem de nós que estávamos à beira extrema da paixão irremediável que clamava por nós todos os nossos fôlegos de acrobacias e danças. E nos envolvemos inteiros até que lhe lambi as faces, mordi-lhe a carne do ombro, pescoço, seios, troncos e lhe lambuzei os ductos até saltar-lhe o umbigo e me embrenhar na sua selva pubiana e sobejar suas águas e me fartar do seu pote de todos os sonhos de amor. E nos sorvemos um ao outro como se jamais pudéssemos saciar nossas vontades e a nos travar definitivamente pela loucura de estarmos servos mútuos e perenes prontos para que dali criássemos um mundo possível de viver. Foi quando gozamos o mais impossível de todos os gozos até nos extasiarmos de estarmos vivos e prontos para viver além da própria vida. E compartilhamos e dividimos e nos entregamos. Agora só quero quem me quer. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui aqui

 


DITOS & DESDITOS - As mulheres mudarão a corporação mais do que esperamos.  Ainda existe a percepção de que a forma como as mulheres são não é necessariamente o que é necessário para as start-ups poderosas. Os estereótipos realmente influenciam os tipos de empresas para as quais as mulheres podem ser financiadas. A Internet não tem a reputação de ser um lugar particularmente civilizado. A Internet permite-nos partilhar as ideias que temos sem ter de criar outra hierarquia. Não ajuda apenas obter as opiniões das mulheres e depois entregá-las a uma equipe de engenheiros composta apenas por homens brancos. Pensamento da cientista estadunidense Anita Borg (1949-2003). Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: É incrível como uma pequena coisa pode mudar a vida de alguém... Pensamento da poeta e líder feminista israelense Esther Shkalim, com uma poesia que descreve a experiência das identidades feminina, judia e Mixrahi, na família e na esfera pública, além de lidar com o ponto de encontro do Oriente e do Ocidente e o status das mulheres nas culturas persa e Mizrahi, enquanto recupera textos canônicos para criar diálogos contínuos com outros livros religiosos, como Bíblia, Mishna, Talmud, Midrash e Agadá.

 

FOGO CRUZADO – [...] Sempre foram os conscienciosos e trabalhadores, pensou Shipley, os mais vulneráveis. As pessoas que se importavam. Aqueles que não se importavam, que só queriam cumprir o trabalho, o dia ou a hora e para o inferno todos os que não gostavam – essas pessoas estavam protegidas da vergonha pela sua própria indiferença. […]. Trecho extraído da obra Crossfire (Tor Science Fiction, 2004), da escritora estadunidense Nancy Kress, que sobre o fazer literário expressa que: Alguns escritores descobrem que eles não conhecem seus temas até que terminem o primeiro rascunho (eu sou um). Eles então reescrevem com um olho para equilibrar na tighttrope: não muito articulada, não muito dividido; O que estou dizendo sobre o mundo abaixo de mim realmente somando alguma coisa? Outros escritores prestam atenção a essas coisas como eles escrevem o primeiro rascunho. De qualquer maneira, uma consciência da macro e micro níveis de tema pode fornecer mais uma ferramenta para pensar sobre o que você deve escrever e como. Veja mais aqui.

 

PARA - Em vão meu coração se esforçou com tuas feitiçarias: \ Ele não tinha refúgio em teu amor, - nenhum Céu, \ A não ser em tua presença fatal; - de longe \ Ele possuía teu poder e tremia como uma estrela \ repleta de luz e esplendor. Poderia eu imaginar \ o quão escura uma sombra deveria obscurecer seu feixe? - \ Poderia eu acreditar que a dor poderia algum dia habitar \ Onde tua presença brilhante lançou seu feitiço de felicidade? \ Tu eras meu orgulhoso paládio; - poderia eu temer Os Destinos vingadores \ quando estavas perto? - \ Tu eras meu Destino; Sua glória e seu reino e seu poder!

Poema da escritora estadunidense Sarah Helen Power Whitman (1803-1878), uma das musas de Edhar Allan Poe.

 

PROGRAMA TATARITARITATÁ – O programa Tataritaritatá que vai ao ar todas terças, a partir das 21 (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação deste domingo aqui. Nesta edição as seguintes atrações na programação: Krzysztof Penderecki, Tom Jobim, Egberto Gismonti, Pat Metheny, Oswaldinho do Acordeon, Claudia Telles, Milton Nascimento, Beto Guedes, Daniel Pissetti Machado, Julya Cristal & Alex Vorhooes, Rose Morena & muito mais. Contamos com a presença de vocês. Veja mais aqui.

SERVIÇO:
O que? Programa Tataritaritatá
Quando? Hoje, terça, 03 de junho, a partir das 21hs
Onde? Aqui c/apresentação: Meimei Corrêa.

UMA JACA NA CABEÇA DE NEWTON – Certa tarde o Zé Corninho estava inheto vociferando cobras e lagartos acerca duma situação irrelevante, quando me virei pro doutor Zé Gulu e perguntei o que se sucedia. Com a calma e estranheza de sempre, apertando os olhos, ajeitando os óculos e franzindo o cenho, o filósofo eremita daquelas paragens, arrematou com um esforço peculiar: - Esse cara é uma jaca na cabeça de Newton! Fiquei deveras impressionado com a afirmação intempestiva, imaginando se ao invés duma maçã realmente houvesse despencado uma jaca raçuda no quengo do cientista inglês Isaac Newton (1643 – 1727), o que seria da ciência moderna, hem? Veja mais aqui

SE UM VIAJANTE NUMA NOITE DE INVERNO, DE ÍTALO CALVINO – Quando li o “Se um viajante numa noite de inverno”, de Ítalo Calvino, fiquei impressionado com a narrativa. A respeito dele escreveu Claudia Amigo Pino: “[...] o motor da máquina é um pouco mais complexo. Baseado nos modelos de Greimas – não sem um pouco de ironia, Calvino cria dez começos de romances de gênero completamente diferentes. Assim, há um romance de mistério, um romance engajado, um romance japonês... quem deve unir esses começos é uma personagem-leitor que também segue o mesmo esquema narrativo dos outros romances (“uma personagem masculina que narra a história se vê assumindo um papel que não é o seu, numa situação em que a atração exercida pela personagem feminina e o peso da obscura ameaça de uma coletividade de inimigos a envolvem sem lhe dar escapatória”). No final, o próprio leitor ou leitora real do romance percebe que está também em um esquema narrativo e que ele mesmo pode ser uma produção da máquina de escrever Italo Calvino”. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

E AÍ, MOISÉS? – Afinal de contas Moisés existiu ou não? Independente disso, os seus 10 mandamentos estão aí até hoje. A respeito deles escreveu o escritor e humorista norte-americano Mark Twain (1835 – 1910): “Se os 10 mandamentos não foram escritos por Moisés, então foram escritos por outra pessoa do mesmo nome”. Também o poeta romântico alemão Heinrich Heine (1797 – 1856) assim se referiu: “[...] se Moisés não foi criado por Deus, os autores do Antigo Testamento fizeram bem em chamar a atenção de Deus para esse descuido, criando eles mesmos a Moisés”. Em síntese, recolheu Antonio Hohfeldt et al que um conferencista jocoso arrematou sobre o assunto: “O que o senhor realmente quis dizer é que Moisés foi a maior personagem fictícia que sempre existirá”. E fim de papo.

O SER HUMANO TEM CADA UMA!?! – O fundador da escola de pensamento Behaviorista, o psicólogo estadunidense John B. Watson (1878 – 1958), depois de prometer construir uma humanidade melhor se o permitisse que trabalhasse com as crianças, resolveu, antes de morrer aos 80 anos de idade, tocar fogo em todas as suas cartas, manuscritos e notas de pesquisa, destruindo todo o registro não publicado de sua vida e carreira. Que arrependimento foi esse de levar o sujeito a destruir todas as ideias e resultados de pesquisas? Sei lá, o ser humano tem cada uma. Veja mais aqui.

TODO DIA É DIA DO MEIO AMBIENTE – Nos festejos da semana do Meio Ambiente, queremos deixar claro que pra gente todo dia é dia do meio ambiente. Confira aqui.

IV CONGRESSO BRASILEIRO PSICOLOGIA: CIÊNCIA E PROFISSÃO - O Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira, composto por 23 entidades da Psicologia, convida a todos para o IV Congresso Brasileiro Psicologia: Ciência e Profissão. O Congresso, que está se preparando para a sua 4ª edição, é: espaço para o diálogo da diversidade da Psicologia no Brasil; lugar para o encontro da ciência e da profissão, que permite haver uma contribuição significativa na produção dos saberes e fazeres da Psicologia; momento importante no desenvolvimento da identidade dos psicólogos; possibilidade para que todas as questões, abordagens e construções da Psicologia se apresentem e possam ser divulgadas e debatidas e lugar do desenvolvimento do compromisso da Psicologia com as necessidades da sociedade brasileira.  SERVIÇO: IV CONGRESSO BRASILEIRO PSICOLOGIA: CIÊNCIA E PROFISSÃO Quando? De 19 a 23 de novembro de 2014. Onde? Uninove, São Paulo. Veja mais detalhes aqui.


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