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sexta-feira, abril 03, 2020

NATÁLIA CORREIA, GLÓRIA STEINEM, CRISTINA DE PISAN, OLGA KLIMOVA & VICENTE DO REGO MONTEIRO


O SORRISO & OS ABISMOS DA VIDA – UMA: O GOSTO DE QUASE UMA ÚLTIMA CARTA - Este um tempo de angústia: a tragédia ronda ameaçadora e o desgoverno reitera a aflição. Longe o olhar, a solidão de quem não espera e as horas são o que restam para viver, a esperança longínqua, o futuro distante. Bate no peito o verso de Sylvia Plath: Dentro de mim mora um grito. De noite, ele sai com suas garras, à caça de algo para amar. Por mais resiliente, há sempre um gosto de nunca mais e ela é quem ouço ecoar na escuridão: Eu falo com Deus, mas o céu está vazio. Na boca o sabor de quase uma última carta e sorrio. DUAS: PERSISTIR É PRECISO - A urgência da hora apaga o passado, nenhum arranhão que resista, nem quedas ou fracassos. Seguir em frente e já glosa o mote, talvez não dê tempo para amanhecer. Não há um mínimo tempo a perder. Ouço a voz rouca de Washington Irving: Os espíritos pequenos são domados e subjugados pelo infortúnio; os grandes, porém, sabem como fugir à desgraça. Os grandes espíritos têm metas. Os outros apenas desejos. Vou como se fosse onda em mar aberto e vivo. TRÊS: NÃO TENHO MÃOS ABANANDO, TENHO GESTOS - Do que sucumbi nenhuma derrocada foi capaz de me deter. Quixote ou não, se não venci todos os meus moinhos de vento, pelo menos me esquivei na hora certa e me safei de tudo até agora. Jamais me dei por vencido, posso ter recuado, mas foi para dar um salto maior, mesmo que tudo tenha malogrado. Do chão os ventos traziam Agostinho da Silva: Toda a grande obra supõe um sacrifício; e no próprio sacrifício se encontra a mais bela e a mais valiosa das recompensas. O que interessa na vida não é prever os perigos das viagens; é tê-las feito. Tudo que passei marcado em minha carne, a qualquer outra, terei mais para contar depois de passar por ela. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: A pessoa cuja cabeça está inclinada e cujos olhos estão pesados não pode olhar para a luz. Nem todos os homens (e especialmente os mais sábios) compartilham a opinião de que é ruim para as mulheres serem educadas. Mas é bem verdade que muitos homens tolos alegaram isso porque lhes desagradou o fato de as mulheres saberem mais do que sabiam. Assim como os corpos das mulheres são mais suaves que os dos homens, a compreensão deles é mais nítida. Pensamento da poeta e filósofa italiana Cristina de Pisan (1363-1430), que foi uma das primeiras escritoras a viver da sua arte, a criticar a misoginia e defender o papel vital das mulheres na sociedade. As suas primeiras baladas foram compiladas em Le livre de cent balladés, autora do poema Roman de la Rose (Romance da Rosa) que representava as mulheres como nada mais que sedutoras, numa mordaz sátira às convenções do amor cortês. Já outras de suas obras, Epistre au dieu d’Amour e Dit de la Rose, causou debates extensos pela representação e tratamento das mulheres nos textos literários.

HOJE EM DIA - […] Hoje é muito melhor porque sabemos que não somos loucas; o sistema é que é louco. No meu tempo, por exemplo, não havia uma palavra para violência doméstica. Ela era chamada “vida”. E as mulheres eram culpadas pelo ato de seus maridos. Hoje, há abrigos para essas mulheres – e isso é um avanço enorme. A consciência vem antes da mudança física e agora, definitivamente, há consciência – e alguma mudança também. Mas ainda é verdade que o lugar onde a mulher corre mais risco de morrer é em sua própria casa. [...] Dizer que as mudanças ocorrem de baixo para cima, que devemos usar nossas vozes sempre que pudermos. Sou feliz por ser uma escritora e ter acesso a leitores por meio dos livros e da imprensa. Faço o meu melhor usar minha voz para refletir a voz dos que não têm esse espaço. [...]. Trechos da entrevista (Istoé, 2017), concedida pela escritora, jornalista e ativista estadunidense Glória Steinem, por ocasião do lançamento de sua obra Minha vida na estrada (Bertrand Brasil, 2017), contando suas experiências e engajamento no ativismo social entre as mulheres na Índia e o trabalho na década de 1960, as campanhas políticas, a Conferência Nacional da Mulher, os territórios indígenas e conexão com pessoas em um movimento para mudar o mundo. Foi a única jornalista que conseguiu se infiltrar na Playboy sem que fosse descoberta, para escrever um artigo sobre a situação degradante das moças que tinham seus direitos trabalhistas violados. Entre as suas obras estão A revolução interior – um livro de autoestima (Objetiva, 1992) e Memórias da transgressão (Rosa dos Ventos, 1997).

A POESIA DE NATÁLIA CORREIA
COSMOCÓPULA – I - Membro a pino / dia é macho / submarino / é entre coxas / teu mergulho / vício de ostras. – II - O corpo é praia / a boca é a / nascente / e é na vulva que / a areia é mais sedenta / poro a poro vou / sendo o curso de / água / da tua língua / demasiada e / lenta / dentes e unhas / rebentam como / pinhas / de carnívoras plantas / teu é meu ventre / abro-te as coxas e / deixo-te crescer / duro e cheiroso como o / aloendro.
A EXALTAÇÃO DA PELE - Hoje quero com a violência da dádiva interdita. / Sem lírios e sem lagos / e sem gesto vago / desprendido da mão que um sonho agita. / Existe a seiva. Existe o instinto. E existe eu / suspensa de mundos cintilantes pelas veias / metade fêmea metade mar como as sereias.
O LIVRO DOS AMANTES – I - Glorifiquei-te no eterno. / Eterno dentro de mim / fora de mim perecível. / Para que desses um sentido / a uma sede indefinível. / Para que desses um nome / à  exatidão do instante / do fruto que cai na terra / sempre perpendicular / à humidade onde fica. / E o que acontece durante / na rapidez da descida / é a explicação da vida. II - Harmonioso vulto que em mim se dilui. / Tu és o poema / e és a origem donde ele flui. / Intuito de ter. Intuito de amor / não compreendido. / Fica assim amor. Fica assim intuito. / Prometido. VI - Aumentámos a vida com palavras / água a correr num fundo tão vazio. / As vidas são histórias aumentadas. / Há que ser rio. / Passámos tanta vez naquela estrada / talvez a curva onde se ilude o mundo. / O amor é ser-se dono e não ter nada. / Mas pede tudo. VII - Tu pedes-me a noção de ser concreta / num sorriso num gesto no que abstrai / a minha exatidão em estar repleta / do que mais fica quando de mim vai. / Tu pedes-me uma parcela de certeza / um desmentido do meu ser virtual / livre no resultado de pureza / da soma do meu bem e do meu mal. / Deixa-me assim ficar. E tu comigo / sem tempo na viagem de entender / o que persigo quando te persigo. / Deixa-me assim ficar no que consente / a minha alma no gosto de reter-te / essencial. Onde quer que te invente.
NATÁLIA CORREIA - A poesia da escritora, dramaturga, jornalista, tradutora e ativista social portuguesa Natalia Correia (1923-1993), autora de obras como Eros de Passagem (Campo das Letras, 1997), entre outras, e que atuou na defesa dos direitos das mulheres, tendo sido condenada pela publicação da Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, em 1966, considerada ofensiva dos costumes e processada pela publicação da obra das Três Marias, Novas cartas portuguesas, de Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta. Veja mais aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Pondo a mente de lado e confiando no fluxo da criação, ouvindo a pintura e o próprio subconsciente, sem tentar controlar o que está acontecendo e deixando ir - todas são habilidades muito úteis, não apenas durante a pintura, mas na vida.
OLGA KLIMOVA - A arte da artista visual russa Olga Klimova que reflete em sua obra sua arte visionária e suas profundas experiências místicas, como tentativa contínua de se reconectar com esse nível mais profundo de consciência, enquanto compartilha seu estado feliz de ser um com o mundo. Criou o WizArt Visions, em Nova York, um estúdio de design e produção de cenografia e que já desenvolveu vários cenários, instalações de tecido, U.V. pinturas e cenários para a cena de festivais. Veja mais aqui & aqui.

PERNAMBUCO ART&CULTURAS
VICENTE DO REGO MONTEIRO
A arte do pintor, desenhista, escultor, professor e poeta Vicente do Rego Monteiro (1899-1970) aqui e aqui.
A poesia de Gerusa Leal aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Lendo na Praça & Rute Costa aqui & aqui
Festival de Artes Psicodélicas e Astrais (FARPA) aqui.
O túnel amaldiçoado de Pirangi aqui.
Lajedo aqui & aqui.
&
OFICINAS ABI – 2º SEMESTRE 2020
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


domingo, julho 05, 2015

MIA COUTO, PORTINARI, HERÁCLITO, BACH, CASAIS MONTEIRO, LUIS ABREU, REGO MONTEIRO, TASSO, CANTARAU & QUEBRA DE XANGÔ.


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? CANTARAU TATARITARITATÁ – Tudo começou lá por meados dos anos 1980, quando pintou uma linha melódica na ideia que dava num xote cabendo a palavra Tataritaritatá. A harmonia foi saindo com a melodia solfejada até que, mais ou menos encaminhada, fui trabalhar na letra. Empancou e não saía nada que prestasse. Fiquei por meses batucando na mente e nada, até que desisti e parti pro meu show Por um novo dia que entrou em cartaz em 1986. Os anos se passaram e entre, um show e outro, novas composições foram aparecendo, até que em 2008, mais de vinte anos depois, resolvi fazer uma martelada. Pintou a ideia de fazer um martelo agalopado, desconfiando eu que jamais teria topete para tal. Saiu, virou folheto de cordel e nasceu o cantarau – um misto de cantoria e sarau -, em que eu violava meus versos de cantautor, ora recitando, ora cantarolando. Depois da tentativa de letrar a Música das Nuvens e do Chão, do Hermeto Pascoal – com o título de Cantador e que por sinal, segundo me falou o meu amigo Santanna O Cantador, a música possuía mais de umas duas centenas de letras de gente de peso e que nunca foram autorizadas pelo autor -, resolvi fazer um xote com a minha profissão de fé. Por causa disso, pintou Desnorteio, o que me levou a organizar um repertório que deu no cantarau que apresentei com banda e tudo no Palco Aberto, em 2010, depois na Artnor e no Sopa de Letrinhas do Caiubi, em São Paulo, ambos em 2011, entre outros cometidos por aí. Após essas apresentações, saí pelos palcos da vida cantautorando meus versos e tons pelo Brasil afora, sempre chamando na grande com o mote vamos aprumar a conversa. Veja mais aqui, aqui e aqui.

Imagem: Mulher e Criança (1936), do artista plástico Candido Portinari (1903-1962). Veja mais aqui, aqui e aqui.

Curtindo Bach: Goldberg Variations BWV 988 (BC L9) for keyboard Clavier-Übung IV, Chromatic Fantasia & Fugue BWV 903 - Ecole de Musique Ancienne em Saint-Leu-la-Forêt; Italian Concerto, (Gramophone, 1936/RCA 1945, 1999), do compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750), com a musicóloga polonesa Wanda Landowska (1879-1959).

PROGRAMA BRINCARTE DO NITOLINO – Neste domingo, a partir das 10hs, haverá mais uma edição do programa Brincarte do Nitolino, no blog do Projeto MCLAM. Na programação comandada pela Ísis Corrêa Naves muitas atrações: a própria Isis declamando o poema Passarinho passarinho de Manoel Bentevi, Chico Buarque, Renato Braz, Quintal da Cultura, Fábulas de La Fontaine, Luiz Gonzaga, Nitolino, Originais do samba, Meimei Corrêa, Turma da Mônica, Sítio do Pica Pau Amarelo, Patati e Patatá & muita música, muita poesia, histórias e brincadeiras pra garotada. Para conferir ao vivo e online clique aqui ou aqui.

DA NATUREZA: O VIR-A-SER CONTÍNUO – Em sua História da Filosofia, Umberto Padovani e Luís Castagnola (Melhoramentos, 1978), assinalam que com Heráclito de Êfeso – que viveu entre o Vi e V século, solitário desdenhoso e desprezador da azáfama vulgar, de caráter altivo, misantrópico e melancólico, desprezando a plebe e recusando-se a intervir na política, contra a religião, os poetas e filósofos do seu tempo -, a filosofia afirma-se com a sua exposição do sistema introduzido na obra Da Natureza – escrito em prosa, no dialeto jônico e no qual recebeu o cognome de Skoteinós, o Obscuro -, cuja doutrina tem por princípio a essência, o elemento primordial, é o vir-a-ser, vez que tudo se acha em perpetuo fluxo, a realidade está sujeita a um vir-a-ser contínuo, sendo o único princípio estável da realidade a lei universal do próprio devir concretizado no fogo (racional) e que esse vir-a-ser é antítese, luta, revezando-se entre vida e morte: a luta é regra do mundo e a guerra é a geradora e a dominadora de todas as coisas e que este e esta oposição são reconduzidos à estabilidade e à unidade pela harmonia, pela sabedoria universal, que determinam o acordo entre as oposições. Ele é considerado o mais eminente pensador pré-socrático, por formular com vigor o problema da unidade permanente do ser diante da pluralidade e mutabilidade das coisas particulares e transitórias, estabelecendo a existência de uma lei universal e fixa (o Lógos), regedor de todos os acontecimentos particulares e fundamento da harmonia universal, harmonia feita de tensões, “como a do arco e da lira”. Da sua obra tem-se esse fragmento: Todos os homens da Terra mantém-se alheio à verdade e à justiça, ao mesmo tempo que, por sua pecaminosa insensatez, devotam-se à avareza e a sede de popularidade. Eu, porém, estranho a toda corrupção, esquivando-me à saciação geral que está intimamente associada à inveja, e porque tenho horror ao esplendor, não poderia ir à Persia, contentando-me com pouco, segundo a minha própria opinião. Veja mais aqui e aqui.

A ESTRADA MORTA – O premiado romance Terra sonâmbula (1992 – Editorial Caminho, 2004), do escritor e biólogo moçambicano Mia Couto, conta a história de um menino no meio dos conflitos sangrentos depois da guerra anticolonial (1965-1975) com extensão entre os anos de 1976-92, que presencia o incêndio de um ônibus e encontra a únabriga dos cadernos de Kindzu, um longo diário de um dos mortos no acidente. Da obra destaco o trecho inicial: Naquele lugar, a guerra tinha morto a estrada. Pelos caminhos só as hienas se arrastavam, focinhando entre cinzas e poeiras. A paisagem se mestiçara de tristezas nunca vistas, em cores que se pegavam à boca. Eram cores sujas, tão sujas que tinham perdido toda a leveza, esquecidas da ousadia de levantar asas pelo azul. Aqui, o céu se tornara impossível. E os viventes se acostumaram ao chão, em resignada aprendizagem da morte. A estrada que agora se abre a nossos olhos não se entrecruza com outra nenhuma. Está mais deitada que os séculos, suportando sozinha toda a distância. Pelas bermas apodrecem carros incendiados, restos de pilhagens. Na savana em volta, apenas os embondeiros contemplam o mundo a desflorir. Um velho e um miúdo vão seguindo pela estrada. Andam bambolentos como se caminhar fosse seu único serviço desde que nasceram. Vão para lá de nenhuma parte, dando o vindo por não ido, à espera do adiante. Fogem da guerra, dessa guerra que contaminara toda a sua terra. Vão na ilusão de, mais além, haver um refúgio tranquilo. Avançam descalços, suas vestes têm a mesma cor do caminho. O velho se chama Tuahir. É magro, parece ter perdido toda a substância. O jovem se chama Muidinga. Caminha à frente desde que saíra do campo de refugiados. Se nota nele um leve coxear, uma perna demorando mais que o passo. Vestígio da doença que, ainda há pouco, o arrastara quase até à morte. Quem o recolhera fora o velho Tuahir, quando todos outros o haviam abandonado. O menino estava já sem estado, os ranhos lhe saíam não do nariz mas de toda a cabeça. O velho teve que lhe ensinar todos os inícios: andar, falar, pensar. Muidinga se meninou outra vez. Esta segunda infância, porém, fora apressada pelos ditados da sobrevivência. Quando iniciaram a viagem já ele se acostumava de cantar, dando vaga a distraídas brincriações. No convívio com a solidão, porém, o canto acabou por migrar de si. Os dois caminheiros condiziam com a estrada, murchos e desesperançados. [...]. Veja mais aqui, aqui e aqui.

EU FALO DAS CASAS E DOS HOMENS – No livro Documenta Poética (Assírio & Alvim, 1973), do poeta, ensaísta, crítico literário e professor universitário português Adolfo Casais Monteiro (1908-1972), encontro o seu poema Eu falo das casas e dos homens: Eu falo das casas e dos homens, / dos vivos e dos mortos: / do que passa e não volta nunca mais... / Não me venham dizer que estava materialmente / previsto, ah, não me venham com teorias! / Eu vejo a desolação e a fome, / as angústias sem nome, / os pavores marcados para sempre nas faces trágicas das vítimas. / E sei que vejo, sei que imagino apenas uma ínfima, / uma insignificante parcela da tragédia. / Eu, se visse, não acreditava. / Se visse, dava em louco ou profeta, / dava em chefe de bandidos, em salteador de estrada, / - mas não acreditava! / Olho os homens, as casas e os bichos. / Olho num pasmo sem limites, / e fico sem palavras, / na dor de serem homens que fizeram tudo isto: / esta pasta ensanguentada a que reduziram a terra inteira, / esta lama de sangue e alma, / de coisa a ser, / e pergunto numa angústia se ainda haverá alguma esperança, / se o ódio sequer servirá para alguma coisa... / Deixai-me chorar - e chorai! / As lágrimas lavarão ao menos a vergonha de estarmos vivos, / de termos sancionado com o nosso silêncio o crime feito instituição /e enquanto chorarmos talvez julguemos nosso o drama, / por momentos será nosso um pouco do sofrimento alheio, / por um segundo seremos os mortos e os torturados, / os aleijados para toda a vida, os loucos e os encarcerados, / seremos a terra podre de tanto cadáver, / seremos o sangue das árvores, / o ventre doloroso das casas saqueadas, / - sim, por um momento seremos a dor de tudo isto... / Eu não sei porque me caem as lágrimas, / porque tremo e que arrepio corre dentro de mim, / eu que não tenho parentes nem amigos na guerra, / eu que sou estrangeiro diante de tudo isto, / eu que estou na minha casa sossegada, / eu que não tenho guerra à porta, / - eu porque tremo e soluço? / Quem chora em mim, dizei - quem chora em nós? / Tudo aqui vai como um rio farto de conhecer os seus meandros: / as ruas são ruas com gente e automóveis, / não há sereias a gritar pavores irreprimíveis, / e a miséria é a mesma miséria que já havia... / E se tudo é igual aos dias antigos, / apesar da Europa à nossa volta, exangue e mártir, / eu pergunto se não estaremos a sonhar que somos gente, / sem irmãos nem consciência, aqui enterrados vivos, / sem nada senão lágrimas que vêm tarde, e uma noite à volta, / uma noite em que nunca chega o alvor da madrugada... Veja mais aqui e aqui.

MARIA PEREGRINA – A peça teatral Maria Peregrina (2000), do premiadíssimo dramaturgo, professor e roteirista Luis Alberto Abreu, conta três histórias sobre uma personagem do folclore do Vale do Paraíba que viveu na primeira metade do século XX, mendigando e também era conhecida como Nega do Saco, considerada uma santa popular depois de sua morte. Da obra destaco o trecho inicial: MESTRE Boa noite. Não faz muito tempo e o mundo era outro. As casas eram poucas, espaçadas, e a terra, sem o asfalto e sem tantos prédios sobre ela, cheirava forte quando chovia. Lembram? À tarde, quase noite, o sino espalhava um som meio triste pelas largas distâncias do vale. Dom! Dom! Dem, Dom! Dem, Dom! Então, as pessoas faziam o sinal da cruz e recolhiam o cansaço do dia. Conversas nas janelas, café no fogão à lenha, histórias contadas antes do sono. Não faz muito tempo e o mundo era outro. As coisas todas eram outras. O tempo desfez. O tempo desfaz toda solidez. E o tempo faz. Como fez as coisas de hoje, tão diferentes. Mas o que o tempo desfez, a memória refaz. Refaz melodias, (A UM SINAL SEU O SOM DA ROMARIA TORNA-SE GRADATIVAMENTE MAIS FORTE.) reconstrói as poucas casas, retraça no papel branco da imaginação aquele tempo em que o mundo era outro. Um mundo de lembranças e pessoas que o tempo desfez. Mas a memória refaz. COM UM GESTO ENÉRGICO, O MESTRE FAZ INTRODUZIR A ROMARIA. AFASTA-SE DA ÁREA DA REPRESENTAÇÃO EM DIREÇÃO À ÁREA DOS MÚSICOS ENQUANTO OS ROMEIROS ENTRAM. CANTANDO, TOCANDO E DANÇANDO CUMPREM UMA COREOGRAFIA ALEGRE EM VOLTA DA ÁREA DE REPRESENTAÇÃO. DO MEIO DELES DESTACA-SE A MULHER DESMEMORIADA, INVADE A ÁREA DE REPRESENTAÇÃO. PARECE INDECISA. FINALMENTE SENTA-SE, SOBRE AS PERNAS, DEBAIXO DA ÁRVORE. OS ROMEIROS CONTINUAM A CANTORIA ATÉ CHEGAR AO LOCAL DOS MÚSICOS. O MESTRE, COM GESTOS LARGOS E NÍTIDOS, INDICA A CADA UM O SEU LUGAR. O ÚLTIMO DOS ROMEIROS, THEÓRFO, RECEBE DO MESTRE UM CAJADO E ENTRA NA ÁREA DE REPRESENTAÇÃO. SORRI PARA O PÚBLICO. [...] Veja mais aqui.

QUEBRA DE XANGÔ – O documentário 1912 O Quebra de Xangô, do antropólogo e professor Siloé Soares de Amorim, que assinou o roteiro e a direção, conta a história do trágico episódio histórico que marca a trajetória de perseguição enfrentada por mães e pais de santo em Alagoas, quando da repressão aos cultos afro-brasileiros ocorrida em Maceió, no dia 1º de fevereiro de 1912, por intolerância racial e religiosa em conflitos violentos. O quebra-quebra atingiu todos os terreiros da cidade, convertendo-se em um massacre que deixou marcas profundas na cultura local. O documentário foi contemplado no programa nacional de produção audiovisual DocTv em 2006. Veja mais aqui e aqui.

AGENDA – No próximo dia 18 de julho, às 19hs, no Julinho Clube, São Paulo, acontecerá o lançamento do livro de poesias Como suportar jabs no baço e encarar nocautes (Patuá, 2015), do poeta, compositor e agitador cultural Vlado Lima. Na ocasião ocorrerá o especial Influenza, com a presença de poetas e compositores do Clube Caiubi. O autor já lançou Pop para-choque (Patuá, 2012) e possui poderes intermináveis, mesmo nunca tendo indo à Bahia, não tendo terminado o catecismo nem a faculdade jornalismo, muito menos o curso de datilografia, torna-se especializado em fazer inimigos, contar piadas de caipira e falar da vida alheia. Além disso, odeia João Gilberto, não suporta filme iraniano e é autor da polêmica música euodeiocaetanoveloso.com.br. Pelo lado bom, ele produz o concorrido sarau Sopa de Letrinhas, gosta da bisteca do Sujinho, revistas do Aranha, Pernalonga, Clint Eastwood, Sabrina Sato, Smiths, Neil Young, Sérgio Sampaio, Leonard Cohen, Henry Miller, Bukowski, Hammett e Fante, muito viciado no sanduba de pernil do Estadão e tem saudades da Seleção de 82: Sócrates, Zico, Júnior e Falcão. Lembra? Veja detalhes aqui e mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Imagem: Natureza morta, do pintor, desenhista, escultor, professor poeta Vicente do Rego Monteiro (1899-1970).

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
Imagem: ilustração de Luciano Tasso.
Aprume aqui.


Veja mais sobre:
O passado escreveu o presente; o futuro, agora, Sociolinguística de Dino Preti, o teatro de Bertolt Brecht, Nunca houve guerrilha em Palmares de Luiz Berto, a música de Adriana Hölszky, a escultura de Antonio Frilli, a arte de Thomas Rowlandson, a pintura de Dimitra Milan & Vera Donskaya-Khilko aqui.

E mais:
A liberdade de expressão, A filha de Agamenon de Ismail Kadaré, A natureza de Parmênides de Eléia, Poema sujo de Ferreira Gullar, O teatro essencial de Denise Stoklos, a música de Badi Assad, o cinema de Ingmar Bergman & Liv Ullmann, a escultura de Emilio Fiaschi, Programa Tataritaritatá, a pintura de Gustav Klint & Vera Donskaya-Khilko aqui.
O discurso do método de René Descartes, a música de João Bosco, o teatro de Denise Stoklos, o cinema de Ingmar Bergman, a pintura de Gustav Klimt, Sandra Regina, Bernadethe Ribeiro & Danny Calixto aqui.
Literatura de cordel: História do capitão do navio, de Silviano Pirauá de Lima aqui.
Preconceito, ó! Xô pra lá, Diários de viagem de Franz Kafka, A revolta de Atlas de Ayn Rand, A lua e o infinito de Giacomo Leopardi, a música de Leoš Janáček & Cheryl Barker, o cinema de Alessandro Blasetti & Sophia Loren, Maguerite Anzieu & Jacques Lacan: caso Aimée, a arte de Liliana Castro, a pintura de Helmut Breuninger & Hermann Fenner-Behmer aqui.
Os vexames dum curau no sul, O absurdo de Thomas Nagel, Voragem de Junichiro Tanizaki, Pretidão de amor de Emílio de Meneses, Mão na luva de Oduvaldo Vianna Filho, o cinema de Olivier Assayas & Maggie Cheung, a música de Rosalia de Souza, a pintura de Pierre-Auguste Renoir & Suzanne Frie aqui.
Quadrilha das paixões mais intensas, Vaqueiros & cantadores de Luís da Câmara Cascudo, Terra de Caruaru de José Condé, a música da Orquestra Armorial & Cussy de Almeida, A Setilha de Serrador, O casamento de Maria Feia de Rutinaldo Miranda Batista, a arte de Roberto Burle Marx. a xilogravura de Severino Borges, J. Miguel & Vermelho aqui.
Entre nós, vivo você, as gravuras de Lasar Segall, a música de Sivuca, Cartilha do cantador de Aleixo Leite Filho, Cancão de fogo de Jairo Lima, a poesia de Belarmino França, a arte de Luciah Lopez, a xilogravura de J. Borges & José Costa Leite aqui.
Dos bichos de todas as feras e mansas, Cantadores de Leonardo Mota, O Romance da Besta Fubana de Luiz Berto, O martelo alagoano de Manoel Chelé, a música do Duo Backer, a escultura de Antoni Gaudí, a militância de Brigitte Mohnhaupt, a arte de Natalia Fabia & a xilogravura de J. Borges aqui.
Quem desiste jamais saberá o gosto de qualquer vitória, A linguagem & as ciências de Roman Jakobson, Nos caminhos de Swan de Marcel Proust, a arte de Regina José Galindo, a fotografia de Thomas Karsten, a pintura de Henry Asencio, a música de Secos & Molhados & Luiza Possi aqui.
Tudo em mim, mestiço sou, O povo brasileiro de Darcy Ribeiro, A história da minha vida de Helen Keller, Anarquismo & ensaios de Emma Goldman, a escultura de Luiz Morrone, a fotografia de Pisco Del Gaiso, Os Fofos Encenam & Viviane Madu, a música de Guilhermina Suggia & a pintura de Martin Eder aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
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sexta-feira, fevereiro 10, 2006

CLARICE, BUÑUEL, BRUNILDA, VICENTE DO REGO MONTEIRO, BJÖRK, YEDDA GASPAR, ABSURDO & MUITO MAIS


BRUNILDA – A história de Brunehild ou Brunilda está ligada à saga germânica dos Nibelunger, que deu motivo para às famosas óperas de Richard Wagner. Ela, rainha da Islândia, além de muito bela, tinha uma força e habilidade esportivas prodigiosas. Quem a quisesse desposar, teria primeiro que provar superioridade, vencendo-a em três jogos: o lançamento de um dardo, o de uma pedra e um salto a distância. Se o pretendente falhasse em qualquer dessas competições, seria executado. Gunther, o rei germânico de Worms, resolve tentar a prova, contando para isso com a ajuda secreta do invencível príncipe Sigefredo, filho do rei Sigismundo, de Sante. Graças a um talismã que o tornava invisível, derrota Sigefredo a rainha nas três provas, impulsionando o fraco Gunther e dando-lhe o valor atlético de um verdadeiro gigante. Só a pedra, que Brunilda atirava a uma distância de doze braças, mal podia ser carregada por doze homens. Embora furiosa e revoltada, a rainha cumpre o prometido, mas reage na noite de núpcias e humilha Gunther, amarrando-o de pés e mãos e prendendo-o a um gancho, como se fosse um odre. Só na noite seguinte, consegue ele dominar a hercúlea mulher, outra vez com a ajuda de Sigefredo, de novo invisível, e exerce as suas prerrogativas de esposo, obtendo de então por diante a submissão completa de Brunilda. Veja mais aqui.
Curtindo o premiado álbum Medúlla (DualDisc, 2004), da cantora e compositora islandesa Björk. Veja mais aqui e aqui.

EPÍGRAFE – O absurdo é o senso comum dos artistas, dos poetas e dos loucos; a verdade é o senso comum dos sectários, frase do pintor, desenhista, escultor, professor e poeta Vicente do Rego Monteiro (1899 – 1970). Veja mais aqui.

ABSURDO – Do conceito de desarmonioso para o ouvido, o termo absurdo evoluiu para o conceito de fora de harmonia com a razão, oposto à razão, insensato. A noção de absurdo se origina dos filósofos eleatas da Grécia antiga: Zenão de Eleia já introduzia o absurdo aparente como princípio de raciocínio filosófico, ao provar matematicamente a impossibilidade dos movimentos que seria uma ilusão dos sentidos. Nas aporias paradoxais de Zenão pode-se reconhecer uma redução ao absurdo das teses pitagóricas, que atribuíam ao ponto uma determinada extensão. Por isso Diógenes Laércio identificou em Zenão o criador da dialética, isto é, da lógica entendida como redução do absurdo. Da parte dos escolásticos tais métodos deviam para demonstrar, ironicamente, a falsidade das proposições de um adversário, estabelecendo a probatio per absurdum (prova pelo absurdo) e a reductio ad absurdum (redução ao absurdo). Através do uso escolástico do absurdo, identificou-se na antiguidade com o conceito de falso. A noção de absurdo esteve latente nas filosofias irracionalistas ou nas que se recusavam a encontrar uma explicação racional para a existência. Paralelamente a essas filosofias, tal noção encontrava-se também subjacente em muitas expressões artísticas do passado, sobretudo nas manifestações do nonsense, do fantástico, da literatura dos sonhos, do humor negro, entre outras, e que são conceitos afins de absurdo no sentido moderno, porém distintos. O nonsense seria o disparatado puro e simples, o absolutamente sem sentido, enquanto o absurdo teria sempre um sentido, embora inexplicável e recôndito; o fantástico se situaria numa fronteira indefinida entre a realidade e a irrealidade, ou seria um modo peculiar de ver a existência, através de fantasias individuais, enquanto o sentimento do absurdo estaria ligado ao real em si mesmo, independente das projeções subjetivas. O humor negro se caracteriza como expressão essencialmente gratuita, enquanto a noção de absurdo estaria comprometida com a busca de significação para o real. No século XX a ficção de Franz Kafka foi interpretada como fonte de preocupações com o tema do absurdo. Já a noção do absurdo da existência, subjacente em alguns precursores da filosofia existencial, como Kierkegaard e Unamuno, tornou-se núcleo básico de algumas expressões filosóficas e artísticas modernas. A tese do absurdo existencial foi explicitada por Albert Camus em um ensaio denominado O mito de Sísifo, em que o personagem mitológico encarna a inutilidade do esforço humano. Ao lado da expressão filosófica, a obra ficcional e dramática de Sartre e Camus revelaria também, através de situações típicas, a problematização do absurdo. Os existencialistas procuraram uma saída para o dilema da condição humana, propondo uma escolha lucida do próprio destino, em Sartre, ou a revolta, em Camus. Esta saída foi negada pelos representantes do teatro do absurdo, que não admitem sequer a possibilidade de explicação para o real, proclamando a impotência dos atos humanos. Neles, ao contrário dos existencialistas, de expressão quase sempre realista, o absurdo emerge funcionalmente na própria representação cênica, com a mimica grotesca, o nonsense, o humor negro e as expressões parabólicas. Esse componente irracionalista, entretanto, ao cabo de seus poucos anos de utilização no teatro, vem sendo integrado de tal forma a certas estruturais textuais, cênicas e espetaculares, que sua irracionalidade e absurdez se vêm fazendo cada vez mais meros recursos de uma sintaxe teatral mais complexa, de que podem emergir lucidamente, não só formas de contestação e de contracultura, senão que também formas lúdicas e recreativas, já que seu uso meramente técnico ou instrumental pode comportar as mais variadas significações intencionais. O absurdo teatral faz-se, desse modo, equivalente ao absurdo especulativo, lógico, filosófico ou dialético, consoante o contexto social em que se inscreve. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

O BANHO – No livro Perto do coração selvagem (A Noite, 1944), primeiro romance da escritora e jornalista Clarice Lispector (1920-1977), destaco o trecho: [...] As mãos de Joana se mexeram independes da sua vontade. Observou-as vagamente curiosa e esqueceu-as logo depois. O teto era branco, o teto era branco. Até seus ombros, que ela sempre considerava tão distantes de si mesma, palpitavam vivos, trêmulos. Quem era ela? A víbora. Sim, sim, para onde fugir? Não se sentia fraca, mas pelo contrário possuída de um ardor pouco comum, misturado a certa alegria, sombria e violenta. Estou sofrendo, pensou de repente e surpreendeu-se. Estou sofrendo, dizia-lhe uma consciência à parte. E subitamente esse outro ser agigantou-se e tomou o lugar do que sofria. Nada acontecia se ela continuava a esperar o que ia acontecer... Podia-se parar os acontecimentos e bater vazia como os segundos do relógio. Permaneceu oca por uns instantes, vigiando-se atenta, perscrutando a volta da dor. Não, não a queria! E como para deter-se, cheia de fogo, esbofeteou o próprio rosto. Fugiu mais uma vez para o professor, que não sabia ainda que ela era uma víbora... O professor admitia-a de novo, milagrosamente. E milagrosamente ele penetrava no mundo penumbroso de Joana e lá se movia de leve, delicadamente. [...]. Veja mais aqui.

VONTADE DE AMAR – Entre os poemas da poeta Yedda Gaspar Borges, destaco o poema Vontade de amar: Como sinto vontade de amar... / amar você sem preconceito, sentir seu corpo estremecer / a gozar de prazer. / Sua boca sôfrega a beijar / meu corpo loucamente. / Como sinto vontade amar... / amar você tenho direito, / deste meu desejo realizar. / Sentir você todo por inteiro, / sua boca linda a murmurar, / morde meu pescoço ardentemente. / Amar você totalmente / sem medo e sem barreiras. / Entregar-me a você de tal maneira, / que nada nem ninguém / venha separar. / Como sinto vontade de amar. Veja mais aqui.

EL, O ALUCINADO – O filme El, o alucinado (1952), dirigido pelo controvertido cineasta espanhol Luis Buñuel (1900-1983), conta a história de um cidadão que mantem uma imagem de homem tranquilo, conservador e religioso. Durante uma missa, conhece a noiva de um amigo. Em pouco tempo, consegue separá-los e casar-se com ela. Depois do casamento, passa a ser um homem paranoico, ciumento e atormentado. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Musa do dia: a atriz canadense Téa Leoni.
Veja aqui e aqui.

DORO COM RESSACA DAS BRABAS, RESOLVE PARAFRASEAR JEAN-PAUL SARTRE - Imagem do artista plástico Rollandry Silvério. Em pleno carnaval o Doro se prepara para a sumida de sempre.Ele tem logo uma justificativa na ponta da língua:

- A genti cumeça no birinaite todos nos trinquis do sociarmente. No fim, tá tudo no acanalhadamente.

Pois, tá dando de parafrasear Jean-Paul Sartre, no seu “Idade da razão”:
“(...) Quando a gente está bêbada dá-se ao luxo do patético”.

Hahahahahahaha!! E hoje é dia de lavar a jega no mé, né?

Veja mais o Doro aqui.  



Veja ainda mais O amor, Antonio Rocco, Johannes Brahms, Marin Alsop, Virgílio, Lucia Santaella, Thomas Hardy, Rabindranath Tagore, A commedia dell’arte, Wong Kar-Wai, Maggie Cheung, Corina Chirila & Lenilda Luna aqui.

E também Buda, Darcy Ribeiro, August Macke & Yes aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
PALADAR
A língua ao falo, rubros lábios, boca feliz:
O foguete singra e lava as estrelas do céu.
© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.
Arte de Meimei Corrêa. Veja aqui, aqui e aqui.

 


GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...