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terça-feira, agosto 25, 2020

BYUNG-CHUL HAN, NIETZSCHE, NANCY HOLT, JOSUÉ MONTELLO, GRANJA SÃO BENTO & AS FACES DO DR LAO


DIÁRIO DO GENOCÍDIO NO FECAMEPA – UMA: SABE AQUELA... UMA ENTRE OUTRAS FACES DO HORROR - Ninguém sabe de nada, calendário incerto, vida de um olho a outro no horizonte e a mortandade em ascensão, rondando e escapulo, quantos sucumbem desde as previsões da Johns Hopkins e o simpósio Evento 201, em outubro. Tem horas chego arrepiar, porque trouxe à tona o terror de The eyes of darkness (1981), de Dean Koontz, com o primeiro caso que estourou janeiro em Macau, quando em Pequim passaram a usar máscara na estação de trem e durante as buscas no mercado atacadista de Wuhan, enquanto a contaminação já avançava na Malásia e ganhava o mundo se espalhando rapidamente. No Brasil, tudo aqui em férias, só se falava de carnaval como sempre depois da virada do ano, todo mundo nem aí e Koots era o gatilho para as teorias da conspiração, já que o surto pandêmico grassava e saiu varrendo o mundo. Quando passou a folia, foi que a gente tomou pé da situação e ninguém mais soube de nada daí em diante, nem a do Eric Toner atuando desde 1980 na preparação da saúde para eventos catastróficos, gripe pandêmica e resposta médica ao bioterrorismo, autor de inúmeros artigos a respeito, inventou de organizar várias reuniões com líderes mundiais e grandes corporações, visando a preparação de hospitais para enfrentamento da crise pandêmica, resultando, mesmo com a antecedência dos anúncios da Hopkings, em pleno fracasso. A iniciativa antecipada do capitalismo de combater a pandemia malogrou e, como no passado, tudo é encoberto e os dados manipulados. E daí uma coisa apenas é certa: mesmo com subnotificação, ausência de testes e má vontade política, milhares diariamente vão desaparecendo para nossa real consternação e incerteza. Essa uma das faces do horror, respirar está ficando cada vez mais difícil.

DUAS PRAS SETE - Vi As sete faces do doutor Lao (1964), o premiado circo itinerante de George Pal, a despertar curiosidades e constrangimentos. Vi uma a uma delas, cada uma, e me impressionei. Baseado na obra homônima do professor, abolicionista e avivalista estadunidense, Charles G. Finney (1792-1875), uma metáfora sobre o poder e os desejos mais ocultos e obscuros de cada um. A mim me parecia cada uma delas aquilo que fui e sou. Vi e era Apollonius, Merlin, Pã, a serpente gigante, a Medusa, o homem das neves, afora me tornar o magnata Stark e, ao mesmo tempo, o seu opositor Cunningham para a realização dos sonhos da bibliotecária viúva, Angela, tendo tempo ainda de sonhar com a excitação sensual da Kate Lindquist na cena com Pã, nada mais real para a minha criativa solidão. Aí a falta de energia me deixou fora do ar. Nessa hora Nietzsche soou humano, demasiado humano: Por falta de repouso nossa civilização caminha para a barbárie. É o que confirma na Topologia da violência (Vozes, 2017), o filósofo Byung-Chul Han: Hoje o indivíduo se explora e acredita que isso é realização. Sem descanso e insone a gente vai persistindo, perseverando, impossível dormir e acordar do sonho, nefelibata e somítico até não aguentar mais. Esta a nossa guerra diária, o lamentável expediente da guerra.

TRÊS IDEIAS E É POSSÍVEL SONHAR: AINDA HÁ ESPERANÇA... (Imagem: Sun Tunnels: Sunset, 1976, da escultora e artista conceitual estadunidense Nancy Holt (1938-2014) – O Sol nasce no horizonte e a esperança me leva outra vez para vida. É maravilhoso viver. Ouço a voz de Nancy Holt na sua performance do Boomerang (1974): Sim, posso ouvir meu eco! Na sua voz, alimento minhas utopias, são tantas, assim vivo. Em apoio, Josué Montello: O que caracteriza a utopia é constituir uma aspiração que ultrapassa o indivíduo que a formulou, e o tempo imediato, para ser uma aspiração de muitos, e para muitos, num tempo futuro. Pode-se dizer, sem receio de erro, que a utopia é consubstancial à condição humana. Ninguém realiza sem sonhar. Para realizar eis a minha esperança: o poder de sonhar cada vez mais e sempre é o que me faz viver plenamente. Até mais ver.

O MASSACRE DA GRANJA SÃO BENTO
Houve um tempo no Brasil, não muito distante, de criminalização do pensamento. O pensar diferente que exerciam o poder pela força das armas levou milhares de pessoas às masmorras da ditadura, ao sofrimento físico e moral das torturas, do banimento, à clandestinidade, e às famílias as dores da morte e angústia sem fim do cruel desaparecimento. A repressão política agiu sempre ao arrepio de todos os princípios jurídicos reconhecidos pela Ordem Internacional para assegurar os direitos humanos e as garantias individuais, com desrespeito aos tratados e até mesmo às próprias normas internas impostas no período ditatorial que buscavam simular um estado democrático de direito. Nesse quadro, diversos foram os acontecidos a marcar a brutal violência imposta aos militantes da oposição pelos agentes do Estado a serviço dos que exerciam com mão de ferro o poder expresso pelo uso da força. [...].
Trecho do prefácio do advogado Humberto Vieira de Mello, para o livro O massacre da granja São Bento: a história de como um traidor e um torturador se aliaram em um dos crimes mais brutais da ditadura militar no Brasil (CEPE, 2017), do jornalista Luiz Felipe Campos, um apelo contra o esquecimento sobre o assassinato de quatro homens e duas mulheres militantes contra a ditadura militar, em um sítio da região metropolitana do Recife, em 1973. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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segunda-feira, outubro 01, 2018

ÍTALO CALVINO, NIETZSCHE, JOAN BAEZ, GAGNEBIN, JAYME GRIZ & GALINHA D’ÁGUA


GALINHA D’ÁGUA – Imagem: foto de Ed Machado/Folha de Pernambuco - Galinha d’água e a infância na beira do rio do lado de cá, o outro lado distante ao alcance dos olhos: eu sorria o que era triste e nem sabia. Deste lado, a margem é estranha: coisos e coisas pra lá e pra cá, horrível barbárie em plena avenida dias e noites. É do lado de cá que é tudo muitas vezes deprimível, quase sempre tão devastador o veneno letal da estupidez que não diz mais nada além da vigência do atraso: há quem ria de menos, quem chore de mais, dez vezes eu contei os velhos tratados como trapos catingosos e só tivessem que morrer logo para nos deixar em paz, oh não, meus avós, sábios e mausoléus. As praças são lixeiras e o lixo viveiros exaltados das novas mortes nas promoções das vitrines e o glamour dos quinquênios menores que o triz se muito ou não mais que isso, meninos enterrados vivos, meninas que soletram o ganha-pão na condução entupida de lêmures que não sabem da vida no sabor de morrer a cada instante entre mães que adolescem chorosas e parem seus filhos que as guerras engolem com seus escravos insones sem saber o que fazem a cochilar entre a ordem e a punição, esfaqueando os consaguíneos por não terem nenhum afeto, fratricidas quais parricidas genocidas de agora, nenhuma raiz e nem nada: são só mortos de si pros outros que mandam a lei. É tudo duro de murro, cruel demais. Os pais pensam vivos que não sabem o futuro de ontem, hoje só falam ameaças e os temores plantados atrás de uma luz com a voz da escatologia: somos todos quase mortos sobrando nas bordas das calçadas tomadas pela vigilância dos donos dos muros, onde ninguém é de ninguém e sem saber quem seria por nós. Ninguém mais que a pedra e a água a ricochetear poucos metros na força do muque e do pulso, ah como sou falho de tantos fracassos com todos meus erros do lado de cá pro lado lá, porque o lado de lá é tão longe, quase inacessível que se faz, mas tão perto de mim, olhos e mãos a me ensinar da esperança que nunca morreu nem morrerá porque é de lá que aqui as mulheres fazem bonito na praça do Derby de mãos dadas e elas ao meu lado a me levar menino que sempre fui a sonhar tão estrangeiro de sempre vou com seus passos tomando de lá da Boa Vista até a Guararapes do Oiapoque ao Chuí do planeta em ebulição por todas as ruas, em cima da ponte, nos para-choques, retrovisores, janelas, bustos e testas, à margem de nada e ao lado de tudo, lindo demais e em mim, tornando possível o sonho de um país melhor no Recife com todos os cheiros dos sargaços que não esqueci, e elas falavam e me diziam de tudo que são e somos, eu já sou com elas pisando firme tagarelas, a me fazer tão mulher no que sempre soube de mãe e irmãs e tias e todas, como fizeram bonito no meu coração, como se minhas filhas voassem pra mostrar que o sábado será um domingo de toda semana por meses de anos e décadas e séculos e milênios vindouros ao som de batuques da dança de alma nua, descalças guerreiras, peito pras causas que minhas e dos meus que são todos e a me levar adiante, na onda que o frevo faz fora do carnaval, a ferver nas palpitações do peito com outras cantigas no arrepio da pele, o rubor que incendeia as cabeças para acordar o Brasil adormecido em berço nem tão explêndido assim e jamais, mas que é o nosso Brasil que a gente pode fazer muito melhor. Ah, como elas dançam e cantam bonito na minha alegria apaixonada por elas e descem do palco porque a festa seguirá sozinha e não terá mais fim pra me fazer mais menino que sabe que é delas a nossa redenção. Do outro lado que aspiro a lição: pra chegar lá tem de fazer todo dia. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música da cantora e compositora estadunidense Joan Baez: Concert Live, Norway Live, Fare thee well abschiedstour & Honors and Impersonates & muito mais nos mais de 2 milhões & 600 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS – [...] Poderíamos também dizer que a luz branca da razão, do esclarecimento, transforma-se na escura luz devorada da onipotência: ao querer se livrar do medo pelo domínio total (e totalitário) sobre o real, a razão do esclarecimento não pode mais tolerar nada que lhe escapa, nem deuses, nem estrelas, nem sonhos. [...] Trechos da obra Sete aulas sobre linguagem, memória e história (Imago, 1997), da professora, filósofa e escritora suíça Jeanne Maria Gagnebin.

SOBRE A VERDADE E A MENTIRA – [...] somente pela teia rígida e regular do conceito o homem acordado tem certeza clara de estar acordado, e justamente por isso, chega às vezes à crença de que sonha, se alguma vez aquela teia conceitual é ragada pela arte [...] então a cada instante, como no sonho, tudo é possível! [...]. Trecho extraído da obra Sobre a verdade e a mentira no sentido extra-moral – Obras incompletas (Nova Cultural, 1987), do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). Veja mais aqui e aqui.

CIDADES INVISÍVEIS – [...] Caminha-se por vários dias entre árvores e pedras. Raramente o olhar se fixa numa coisa, e, quando isso acontece, ela é reconhecida pelo símbolo de alguma outra coisa: a pegada na areia indica a passagem de um tigre; o pântano anuncia uma veia de água; a flor do hibisco, o fim do inverno. O resto é mudo e intercambiável – árvore e pedra são apenas aquilo que são. Finalmente, a viagem conduz à cidade Tamara. Penetra-se por ruas cheias de placas que pendem das paredes. Os olhos não vêem coisas mas figuras de coisas que significam outras. [...] Outros símbolos advertem aquilo que é proibido em algum lugar – entrar na viela com carroça; urinar atrás do quiosque, pescar com vara na ponte. [...] O olhar percorre as ruas como se fossem página escrita: a cidade diz tudo o que você deve penar, faz você repetir o discurso, e, enquanto você acredita estar visitando Tamara, não faz nada além de registrar os nomes com os quais ela define a si própria e todas as suas partes. [...]. Trecho extraído da obra Cidades invisíveis (Companhia das Letras. 1990), do escritor italiano Ítalo Calvino (1923-1985). Veja mais aqui e aqui.

PROGRESSO - Um zum-zum! / Um zum-zum! / Um zum-zum esquisito / que espanta até os bichos nas tocas!/ Um zum-zum que lembra coisas medonhas! / Coisas infernais!/ Coisas diabólicas! / E o zum-zum cresce, / aumenta / e apavora o povaréo enorme! / - Minha Nossa Senhora, é o fim do mundo! / - Misericórdia! Misericórdia! / - Reza, povo, reza! / - Valei-nos! / Nosso padrinho / Padre Cícero / do Joazeiro! / Nada de fim do mundo, meu povo! / Não é o fim do mundo não! / É o bicho homem vencendo a Natureza!/ Corta o espaço azul do céu / rápido, / barulhento, / um fantástico passará de ferro, / o primeiro avião!... Poema do poeta, jornalista, economista e folclorista Jayme Griz (1900-1981), publicado no Jornal A Pilhéria, em 15 de fevereiro de 1930, extraído da obra A imagem e seus labirintos: o cinema clandestino do Recife 1930-1964 (Nektar, 2014), de Paulo Carneiro da Cunha Filho. Veja mais aqui.

AS MULHERES FAZEM BONITO: #ELE NÃO
As mulheres de Recife #Ele Não

AGENDA
Mulheres #Ele Não no Brasil e no mundo & muito mais na Agenda aqui.
&
Todo dia é dia das mulheres aqui.
&
O jantar dos compadres, Gaston Bachelard, Marcel Duchamp, Raimundo Carrero, Luís Dantas Quesado, A música & Kurt Pahlen, Francisco de Almeida, Culture 21, Max Bruch, Ligia Moreno, Carlos Careqa & Luiza Possi aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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sexta-feira, setembro 30, 2016

MARGUERITE DURAS, NIETZSCHE, STANISLAW PONTE PRETA, LENORA DE BARROS, MIRIAM RAMOS, LUCKESI, ED FREEMAN, LUCIAH & CORRUPÇÃO


INEDITORIAL: QUEM, NUNCA APRENDEU A DISCERNIR ENTRE O QUE É E O QUE NÃO É, JAMAIS APRENDERÁ A VOTAR! - Salve, salve, gentamiga do meu Brasilzão véio, arrevirado e de porteira escancarada! Sei que ninguém está nem aí – pudera, de repente o Brasil virou mais de pernas pro ar do que sempre esteve -, mas devo dizer que daqui mais um dia, a gente tem a obrigação de votar. Ih! Gostando ou não, eu vou. Sei também que ninguém confia mais nos políticos, na justiça, na polícia, nos gestores públicos, nas notícias da imprensa, em autoridade alguma. Também sei que de certeza a gente só tem duas: a primeira é que quando a coisa é pro nosso lado, ah, a lei é inexorável: ou vai, ou racha. Bota pra lascar! A gente que se vire pra sair da enrascada, só penando; e quando é direito da gente, ou é adiado até nunca mais, ou está faltando, ou prescreveu. É danado mesmo: quando vem não tem nem mais graça. A segunda é que a gente só vê neguinho se arrumando, aprontando, burlando e desmandando, avançando sinal, ultrapassando pela direita, enricando da noite pro dia, pintando e bordando e, depois de CPIs, das ações da polícia federal e dos intermináveis e milionários recursos jurídicos, sai mangando da gente por sermos bestas de cumprir as leis e de trilhar como manda o figurino. Pois é, pro lado da gente qualquer metidozinho fulustreco é autoridade prepotente. Porém – e ainda tem contudo, todavia, entretanto -, tudo isso é culpa da gente mesmo: a gente só sabe reclamar às escondidas da desconfiança geral. Então, tudo isso ocorre porque a gente não tem coragem de encarar a bronca de frente e exigir o cumprimento d tanto de lei que fabricam todo dia. A gente fica só: pra que tanta lei se, apesar da compulsoriedade, jamais será cumprida por todos! Só pelos bestas que andam na linha e correm o risco até do trem pegar. Como a democracia é uma promessa não cumprida montada na dissensão, a gente tem mesmo é que participar das broncas das nossas ruas, dos nossos bairros, da nossa cidade, do nosso estado, do nosso país. É exatamente pela falta da nossa participação que fazem do que fazem. E não vamos votar só por votar, mas com consciência! Entendeu ou quer que desenhe? Se não deu ou não tem dado certo, um dia a gente acerta! E só acerta quem tenta e erra. Enquanto isso, vamos pras novidades do dia: O combate à corrupção nas prefeituras do Brasil, o conhecimento da Filosofia da Educação de Cipriano Luckesi, a literatura de Marguerite Duras & de Stanislaw Ponte Preta, a música do piano brasileiro de Miriam Ramos, a arte visual de Lenora de Barros, a gaia ciência de Nietzsche, a fotografia de Ed Freeman, o evento das Pensadoras – as grandes mulheres filósofas da história, a croniqueta O amor é tudo no clarão dos dias e na escuridão das noites e a arte & a poesia de Luciah Lopez. No mais, vamos aprumar a conversa & tataritaritatá! Veja mais aqui.

Veja mais sobre
Brincar com arte, Johan Huizinga, Cecília Meireles, Ziraldo, Fernando Botero, Teatro Infantil & Literatura Infantil aqui.

E mais:
Proezas do Biritoaldo: quando Cupido acerta no alesado, Deus faz, o diabo ajunta aqui.
Tolinho & Bestinha: Quando Tolinho deu uma de bundão e quase bate as botas aqui.
Fceamepa: dando uns pulos que ninguém é quadrado aqui.
Crônicas Natalinas aqui.
Râmana Mahârshi, Raimundo Carrero, Bardesanes, Rainer Werner Fassbinder, Elisa Fukuda, Hanna Schygulla, Sustentabilidade & Direito Tributário aqui.

DESTAQUE:
[...] Todos têm o direito de desfrutar de forma equitativa das contribuições que fazem aos cofres públicos. Os recursos públicos devem ser utilizados para o desenvolvimento das comunidades, e não para o enriquecimento de uns poucos. [...] O acompanhamento e supervisão permanentes da conduta dos administradores públicos é uma forma essencial de controlar a corrupção. Para isso, é necessário informação [...] O exercício da cidadania pressupõe indivíduos que participem da vida comunitária. Organizados para alcançar o desenvolvimento da comunidade onde vivem, devem exigir comportamento ético dos poderes constituídos e eficiência nos serviços públicos. Um dos direitos mais importantes do cidadão é o de não ser vítima da corrupção. De qualquer modo que se apresente, a corrupção é um dos grandes males que afetam o poder público, principalmente o municipal. Ela também pode ser apontada como uma das cauãs decisivas da carência e da pobreza das cidades, dos estados e do país. A corrupção corrói a dignidade do cidadão, contamina os indivíduos, deteriora o convívio social, arruína os serviços públicos e compromete a vida das gerações atuais e futuras. O desvio de recursos públicos não só prejudica os serviços urbanos, como leva ao abandono de obras indispensáveis às cidades e ao país. Ao mesmo tempo, atrai a ganância e estimula a formação de quadrilhas que evoluem para o crime organizado, o tráfico de drogas, e de armas, provocam a violência em todos os setores da cidade. Um tipo de delito atrai o outro, que quase sempre estão associados. Além disso, investidores sérios afastam-se de cidades e regiões onde vigoram práticas de corrupção e descontrole administrativo. Os efeitos da corrupção são perceptíveis na carência de verbas para obras públicas e para a manutenção dos serviços da cidade, o que dificulta a circulação de recursos e a geração de novos empregos e novas riquezas. Os corruptos drenam os recursos da comunidade, uma vez que tendem a aplicar o grosso do dinheiro desviado longe dos locais dos delitos para se esconderem da fiscalização e da justiça e dos olhos da população. A corrupção afeta a qualidade da educação e da assistência aos estudantes, pois os desvios subtraem recursos da merenda e do material escolar, desmotivam os professores, prejudicam o desenvolvimento intelectual e cultural das crianças e as condenam a uma vida com menos perspectivas de futuro. A corrupção também subtrai verbas da saúde, comprometendo diretamente o bem estar dos cidadãos. Impede as pessoas de ter acesso ao tratamento de doenças que poderiam ser facilmente curadas, encurtando suas vidas. O desvio de recursos públicos condena a nação ao subdesenvolvimento econômico crônico. Por isso, o combate à corrupção nas administrações públicas deve estar constantemente na pauta das pessoas que se preocupam com o desenvolvimento social e sonham com um país melhor para seus filhos e netos. Os que compartilham da corrupção, ativa ou passivamente, e os que dela tiram algum tipo de proveito, devem ser responsabilizados. Não só em termos civis e criminais, mas também eticamente, pois eles procuram fazer com que a corrupção seja aceita como fato natural no dia-a-dia da vida pública e admitida como algo normal no cotidiano da sociedade. É inaceitável que a corrupção possa ter espaço na cultura nacional. O combate às numerosas modalidades de desvio de recursos públicos deve, portanto, constituir-se em compromisso de todos os cidadãos e grupos organizados que queiram construir uma sociedade justa e equilibrada. Devemos isso aos nossos filhos. [...].
Trechos extraídos da obra O combate à corrupção nas prefeituras do Brasil (Ateliê, 2004), Antoninho Marmo Trevisan, Antonio Chizzotti, João Alberto Ianhez, José Chizzotti e Josmar Verillo. Veja mais aqui e aqui.

O AMOR É TUDO NO CLARÃO DOS DIAS E NA ESCURIDÃO DAS NOITES (Imagem: arte da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez). - A vida é plena na claridade dos seus olhos amantes e eu sou mas que fascínio feito um deus menino agraciado com a soberania sobre todas as coisas. E sou-lhe grato a recolher cada mínimo reflexo do seu áureo olhar, cada gesto tímido de suas portas entreabertas, para viver a cada instante a plenitude de sua existência mágica para satisfação dos meus mais requerentes apelos. E revivo o cheiro de sua boca viçosa a exalar os seus incensos na doçura da noite e no manjar do dia ,para que eu seja íntegro senhor de todos os seus domínios. E me aposso e tomo conta diligente de tudo que emana de sua divina compleição, a dar-me as sete chaves do seu coração imenso e o supremo refúgio de suas mãos magnéticas com todos os seus poderes. Sou rei no seu reinado e usufruo da delicadeza de sua carne báquica, opulenta, radiante e fecunda que transborda nos seus seios florescentes, para que eu seja mais que reinante da sua auréola miraculosa na graça do seu torso inteiriço, no feitiço do seu sexo inflado, na magistral beleza que o seu corpo encerra na convulsão dos sentimentos que se agitam indômitos no ventre dos desejos latentes e que palpita, ondula, ondeia, aguda maré cheia na dócil paixão de quem ama, na graça miraculosa da embriaguez do vício de amar. E eu à mancheia peço bis e a monja bela vai sorrindo e de mãos juntas e espalmadas se eleva diante do meu semblante e recresce no seu poder extremo com todas as suas amplidões infinitas, para que as minhas emoções profanas se sacralizem na sua majestade com a minha reverência penitente de governar a glória do seu amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aquiaqui.

UMA MÚSICA
 Curtindo o álbum duplo Piano brasileiro: 70 anos de história (Paulus, 2003), da pianista Miriam Ramos, interpretando Villa-Lobos, Marlos Nobre, Almeida Prado, Ernesto Nazareth, Alberto Nepomuceno, Francisco Mignone, entre outros compositores brasileiros.

PESQUISA: O CONHECIMENTO - [...] O conhecimento é a compreensão inteligível da realidade, que o sujeito humano adquire através de sua confrontação com essa mesma realidade. Ou seja, a realidade exterior adquire, no interior do ser humano, uma forma abstrata pensada, que lhe permite saber e dizer o que essa realidade é. A realidade, através do conhecimento, deixa de ser uma incógnita, uma coisa opaca, para se tornar algo compreendido, translúcido. [...] o conhecimento pode ser entendido, sim, como aquilo que adquirimos nos livros, nas aulas e anãs conversa, mas com o objetivo de alcançar entendimento da realidade. O que está em primeiro lugar, o que está na raiz do conhecimento, é a elucidação da realidade e não a retenção de informações contidas nos livros. Essas informações deverão ser auxiliares no entendimento da realidade; contudo, elas por si mesmas não são o conhecimento que cada sujeito humano, em particular, tem da realidade. É preciso utilizar-se das informações de maneira intelectualmente ativa, para que se transformem em efetivo entendimento do mundo exterior. [...] O conhecimento, em síntese, é uma forma de entendimento da realidade. Muitas vezes, o conhecimento é confundido com o processo de decorar informação dos livros, para a seguir, repeti-la em provas escolares ou em provas de seleção. Isso não é conhecimento. Isso é memorização de informação, sem saber o que, de fato, essa informação significa. [...] Conhecimento, no verdadeiro sentido do termo, é aquele que possibilita uma efetiva compreensão da realidade, de tal forma permite agir com adequação. Trecho extraído da obra Filosofia da educação (Cortez, 1994), do filósofo, escritor, professor e psicoterapeuta Cipriano Carlos Luckesi, tratando acerca da filosofia da educação e sua relação com a pedagogia, sociedade, tendências pedagógicas na prática escolar, perspectiva para a escola como instancia de mediação pedagógica, senso comum pedagógico e postura crítica na prática docente escolar, os sujeitos do processo educativo, métodos e procedimentos de ensino, o conhecimento e elucidações conceituais e procedimentos metodológicos, conteúdos de ensino e material didático, da pedagogia à prática docente, entre outros assuntos.

UMA LEITURA:
 [...] Não imaginava que aquele dia contaria em sua vida como o dia em que, pela primeira vez, sozinha, aos dezessete anos, ela iria à descoberta de uma grande cidade colonial. Não sabia que uma ordem rigorosa reinava ali e que as categorias de seus habitantes são tão diferenciadas que se fica perdido se não for possível encontrar-se em uma delas. [...].
Trecho do romance Barragem contra o Pacífico (ARX, 2003), da escritora, dramaturga, roteirista e diretora de cinema Marguerite Duras (1914-1996), contando a história de uma mãe viúva e obstinada lutando para manter seus filhos, sonhos e mundo, adaptada para o cinema em 2008, com direção de Rithy Panh. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA: VAMOS ACABAR COM ESTA FOLGA! – O negócio aconteceu num café, tomando umas e outras. Havia brasileiros, português, franceses, argelinos, alemães, o diabo. De repente, um alemão forte pra cachorro levantou e gritou que não via homem pra ele ali dentro. Houve a surpresa inicial, motivada pela provocação e logo um turco, tão forte como o alemão, levantou-se de lá e perguntou: — Isso é comigo? — Pode ser com você também — respondeu o alemão. Aí então o turco avançou para o alemão e levou uma traulitada tão segura que caiu no chão. Vai daí o alemão repetiu que não havia homem ali dentro pra ele. Queimou-se então um português que era maior ainda do que o turco. Queimou-se e não conversou. Partiu para cima do alemão e não teve outra sorte. Levou um murro debaixo dos queixos e caiu sem sentidos. O alemão limpou as mãos, deu mais um gole no chope e fez ver aos presentes que o que dizia era certo. Não havia homem para ele ali naquele café. Levantou-se então um inglês troncudo pra cachorro e também entrou bem. E depois do inglês foi a vez de um francês, depois de um norueguês etc. etc. Até que, lá do canto do café levantou-se um brasileiro magrinho, cheio de picardia para perguntar, como os outros: — Isso é comigo? O alemão voltou a dizer que podia ser. Então o brasileiro deu um sorriso cheio de bossa e veio vindo gingando assim pro lado do alemão. Parou perto, balançou o corpo e... pimba! O alemão deu-lhe uma porrada na cabeça com tanta força que quase desmonta o brasileiro. Como, minha senhora? Qual é o fim da história? Pois a história termina aí, madame. Termina aí que é pros brasileiros perderem essa mania de pisar macio e pensar que são mais malandros do que os outros. Crônica extraída da obra Tia Zulmira e eu (Autor, 1961), do mestre da crônica e do humor Sérgio Porto (1923-1968) sob a identificação do magistral Stanislaw Ponte Preta. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

UMA IMAGEM:
Procuro-me (2004), projeto da artista visual e poeta Lenora de Barros, com cartazes que foram colados em diversos locais, enquanto a artista gravava vídeos com a reação das pessoas. Ela utiliza em suas obras diversos recursos com fotografia, vídeo e instalação.

AGENDA: AS PENSADORAS – AS GRANDES MULHERES FILÓSOFAS DA HISTÓRIA – O curso As pensadoras: as grandes mulheres filósofas da história, prosseguirá no próximo dia 19/10, das 17 às 19hs, no auditório do prédio Íris III – do curso de Direito do Centro Universitário Cesmac -, sobre o tema As mães da igreja e pensadoras cristãs medievais, ministrado pelo professor e coordenador do grupo Álvaro Queiroz. Veja mais aqui e aqui.

A GAIA CIÊNCIA
[...] No fundo, desgostam-me todas aquelas morais que dizem: “Não faças isso! Renuncia! Supera-te!” – gosto, ao contrário, daquelas morais que me incitam a fazer algo e a fazê-lo de novo e de manhã até a tarde e à noite sonhar com isso, e não pensar em mais nada, a não ser: fazê-lo bem, tão bem quanto só é possível justamente a mim! [...] Mas não quero, de olhos abertos, lutar por meu empobrecimento, não gosto de todas as virtudes negativas – virtudes cuja essência é o próprio negar e renunciar a si.
Ao fazermos, deixamos, trecho extraído do Livro IV, da obra A gaia ciência (Companhia das Letras, 2012), do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Sou altar dos teus sacrifícios vagina em plena geometria onde o suor do teu corpo jorra o esperma da tua verdade Sou a pia batismal o livramento dos teus pecados a renascer-te___ homem no vértice e na flor Sou a oração e a saudade a dor e o prazer a revigorar o teu pênis na oração e na tua infinita presença para sempre em mim.
Sou, poema/fotos da da poeta, artista visual e blogueira Luciah Lopez
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra com a arte do fotógrafo estadunidense Ed Freeman.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.
 

DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...