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segunda-feira, maio 27, 2024

PIA TAFDRUP, ESTHER LLOVET, SILVIA RIVERA & ITINERÁRIO

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Tchautchiüãne (2017), Wiyaegü (2019) e Torü Wiyaegü (2022), da premiada cantora, jornalista e compositora Djuena Tikuna (Denizia Araújo Peres), uma das maiores referências em música indígena.

 

ÓRFÃO DA TERRA, LÍNGUA & CORAÇÃO... – Antes de ontem de muitos anos atrás, a minha gente era festa secular. Era um tempo em que tudo e todas as coisas estavam aqui e éramos um só: o solo, as araras, o capinzal, o piado dos filhotes quebrando a casca... E convivíamos com os espíritos do fogo, da água, do ar e da terra, conjugávamos afetos: todo ser é uma canção de amor. Quando o tempo da desventura escureceu, nada de nós quase restava: raios encurralaram e os que chegaram de longe, do outro lado do mundo, arrancaram nossas raízes aterradas pelo canavial. A cobiça de numerosos e insistentes invasores me levou estrada afora a sonhar meu povo que me ensinava amar a tudo e todas as coisas, escutando Barbara Payton: O amor é uma memória. O tempo não pode matar a melodia querida, alegre e absurda, e a música inédita... No meu êxodo foram sóis causticantes, luas geladas, percurso extenuante para saber quando e o quê: aprendi as labaredas dos infernos, os faróis de todos os possíveis purgatórios, corujas e morcegos traziam sargaços de mares abissais e as neblinas sem data e mapa. Tudo doía ao crepúsculo: quantas luas, tantos outros sóis. Ganhava a noite, perdia o dia. Doía mais as palavras de Jenny Erpenbeck: Deixar as pessoas se afogarem no Mediterrâneo não está longe de Auschwitz.. Fui ao céu três vezes: da primeira vez era novidade, mas a saudade foi tanta que mal cheguei e já estava de volta. A segunda foi por curiosidade: queria ver como era de mesmo e me detive tanto em cada coisa que logo perdeu a graça. A terceira foi quase um convite redentor para apaziguar a alma e, por pouco, não fiquei de vez. É que na horagá olhei para baixo, dei aquela espiada plangente e tentei me despedir. Engoli seco o nó da garganta e constatei: Nunca me vi imortal porque nunca tive onde cair morto e, acima de tudo, tinha ainda muito por fazer – Ah, ficou o descanso para depois, escapuli e voltei, pronto para recomeçar todos os dias e o dia todo. Ouvia Joan Collins: Mostre-me uma pessoa que nunca cometeu erros e eu lhe mostrarei alguém que nunca conseguiu muito... Cada um tem seu aprendizado e ainda faltava muito: não há escapatória para um ninguém. A esperança quase não resiste às causas perdidas pelas noites longas: partiram pedras, demoliram montes, desmoronaram barrancos, eram os estrépitos fora do prumo de uma eterna guerra. A mim só restava o mirante: a noite no coco de tucumã, o dia no voo do cajubi. Mas, a vida tem sempre o gostinho de que valerá a pena. E no derradeiro retorno, apenas desprezo e lástimas: os esquecidos tempos idos e os que se perderam nos que anseiam sempre por uma festa no céu e que os levem à glória. O pior: nenhum amigo. Voltei na escuridão da beira do rio: serviu para contar hestórias. E aqueles estranhos olhares, até hostis, era familiar: falasse o que dissesse, fizesse o que desagradasse, tratasse com indiferença ou do que dispusesse. - Aqueles estranhos me dava duas opções: ou me escravizava ou zarpava de vez. Nem uma, nem outra. Não esperei a gentileza poque aprendi a ouvir a língua e o coração de si e do outro: é no presente que tudo se realiza e escolhi a canção da vida. O que sou de todas as coisas: se pedra era o ouro do coração das pessoas, a lição caeté. Até mais ver.

 

BANCOS DE AREIA

Imagem: Acervo ArtLAM.

Não aponte o telescópio apenas \ para a aglomeração do céu noturno \ para descobrir mais um planeta. \ Vire-o também para a terra, \ para o fundo do mar, \ veja os peixes entre as pedras, \ um brilho de flechas prateadas, \ um brilho de fogo nas profundezas, \ a força contundente das fibras, \ a água queima \ quando os peixes avançam \ e param submersos nos jardins de algas, \ olha também para o fundo do mar, \ cardumes de peixes irradiam a escuridão ali, \ encontram descanso nas ondas.

Poema da premiada escritora dinamarquesa Pia Tafdrup. Veja mais aqui.

 

COMO DEIXAR DE ESCREVER - [...] Escreva, sim. Escreva e escreva e escreva. Literatura de merda. Que chato, que prisão de ventre, na verdade. Quão pouco sangue, os escritores. Não confie em ninguém que tenha a mesma cara de bêbado de Renfo sóbrio. Se você sair do luto, você sairá de qualquer coisa, foi o que eu disse a ele. De qualquer coisa. [...] e isso é beleza, o que você pensa de novo [...] Não é ruim ser subestimado. Você acaba sabendo muito sobre os outros. Eles te contam o que não contam a ninguém [...] Que elegância, tristeza, com todos os botões nas mangas tão bem abotoados. [...]. Trechos extraídos da obra Cómo dejar de escribir (Anagrama, 2017), da escritora espanhola Esther García Llovet, que na obra Gordo de feria (Anagrama, 2020), expressa: [...] Todo mundo fala o tempo todo até que você pergunte algo específico. “Então eles não sabem mais o que dizer.” [...].

 

O PRINCÍPIO DE POTOSÍ: OUTRA VISÃO DA TOTALIDADE - [...] As comunidades transnacionais de migrantes aimarás transitam, então, dentro de um thaki pós-colonial, constituído por fluxos e refluxos cíclicos. Em seus deslocamentos articulam modismos de moda com tradições recuperadas; inventam genealogias e reinterpretam mitos, manchando os tecidos de uma indústria global com os seus pumas e os seus sóis, transformando os seus camiões de grande tonelagem em altares para santos e demónios. O cenário da diáspora trabalhista aimará contém então algo mais do que opressão e sofrimento: é um espaço para a reconstituição da subjetividade e da agência, como é certamente o caso de todos os cenários de dominação – incluindo os mais brutais – se ousarmos olhar além da figura da vítima sacrificial. A acção inversa dos takis-thakis contemporâneos altera o ritmo da máquina capitalista neocolonial, cria espaços intermediários e reapropria-se dos métodos e práticas do mercado global, ao mesmo tempo que afirma os seus circuitos autóctones, o seu repertório de conhecimentos especiais e as vantagens e os artifícios que permitem a essas comunidades e empreendimentos enfrentar com autoconfiança esse cenário desigual e suas diversas formas de violência. [...]. Trecho extraídos da obra The Potosí Principle: Another View of Totality (Universidad Mayor de San Andrés de La Paz - The Hemispheric Institute, 2023), da socióloga, professora, cineasta e ativista boliviana Silvia Rivera Cusicanqui, autora de obras como: Oprimidos, mas não derrotados. As lutas do campesinato aimará e quichwa da Bolívia, 1900-1980 (La Paz, 1984) e As fronteiras da coca (La Paz, 2003), integrante do Colectivo Ch’ixi e reflete em seus estudos que: Devemos sonhar, mas com a condição de acreditar firmemente nos seus sonhos, de comparar dia a dia a realidade com as ideias que a temos, de meticulosamente alcançar nossa fantasia. Descobrimos o provincianismo europeu. Por exemplo, os britânicos não leem os franceses. Obviamente, isso não se vê daqui, porque lhes atribuímos uma universalidade. Mas somos menos provincianos neste continente: lemos tudo o que nos chega, e sob o princípio da seletividade de que tudo é útil de acordo com as emergências sociais. Assim, temos a sorte de saltar vários modismos, porque chegaram tarde ou porque parecem vir de outro mundo, e de nos treinarmos numa liberdade combinacional. Na defesa da tese da lógica da rebelião, ela esclarece que: Foi da adoção da apropriação reformista por parte da geração 'pluri-multi' de intelectuais, que convenceu-me das capacidades retóricas das elites e da sua enorme flexibilidade para superar a culpa colectiva e transformá-la numa matriz de dominação que renova assim a sua dimensão colonial. No que se refere à etnografia do duplo vínculo, ela explica: Reinventei a praticidade deste conceito explorando seu poder alegórico e epistemológico. Pragmaticamente, ch'ixi é a ovelha manchada, o sapo manchado, a cobra manchada. É um descritor, uma palavra-chave; no entanto, a sua dimensão mais abstrata e filosófica não foi desenvolvida e isto porque após o assassinato dos amawt'as e yatiris na época colonial, a língua foi empobrecida pelas traduções realizadas por padres como Ludovico Bertonio (1557-1625) e Domingo de Santo Tomás (1499-1570), que expurgaram conceitos e ideias aimarás que lhes eram incompreensíveis, retirando posteriormente o potencial filosófico das línguas indígenas. Por fim, ela defende que: Temos que produzir pensamento a partir do cotidiano...

 

ITINERÁRIO, MAURO MOTA

Não ficaram na mudança nem o pé de sabugueiro e o cheiro dos cajás, \ os passos da mão no corredor, a noite, \ o medo do papa-figo, as sombras na parede. \ a casa inverte a missão domiciliar, sai da rua. \ a casa agora mora no antigo habitante.

Poema Mudança, extraído da obra Itinerário (José Olympio, 1983), do poeta, jornalista, professor e memorialista Mauro Mota (1911-1984). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

&

SINAIS GRÁFICOS

O livro Sinais gráficos: ortografia da Língua Portuguesa (Ideia, 2022), da professora Edilene Maria Oliveira de Almeida. Veja mais aqui e aqui.

 

UM OFERECIMENTO:

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SANTOS MELO LICITAÇÕES

Veja detalhes aqui.

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Tem mais:

Cineclube Literarte: documentário A brasilidade de Ascenso Ferreira na Biblioteca Fenelon Barreto.

Livros Infantis Brincarte do Nitolino aqui.

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Poemagens & outras versagens aqui.

Diário TTTTT aqui.

Cantarau Tataritaritatá aqui.

Teatro Infantil: O lobisomem Zonzo aqui.

Faça seu TCC sem traumas – consultas e curso aqui.

VALUNA – Vale do Rio Una aqui.

&

Crônica de amor por ela aqui.

 


segunda-feira, julho 13, 2015

SOYINKA, EMIR SADER, KUREISHI, PISCATOR, JOÃO BOSCO, KRICHELDORF, VÁCLAV & CINEMA!!!!!



A Voluptuous Nude, do artista plástico alemão Carl Kricheldorf (1683-1934)


A CRISE HEGEMÔNICA NA AMÉRICA LATINA – No livro A nova toupeira: os caminhos da esquerda latino-americana (Boitempo, 2009), do sociólogo e cientista político Emir Sader, encontro A crise hegemônica na América Latina, em que o autor assim se expressa:  [...] A construção de um projeto hegemônico pós-neoliberal requer, antes de tudo, uma análise das transformações acontecidas nas décadas de aplicação de políticas neoliberais. a) Este tem, antes de tudo, de descobrir a nova geografia da força de trabalho, com sua nova morfologia, especialmente em todo o universo dos que sobrevivem nos multiplicados espaços informais da sociedade. Sem isso, o tema do trabalho que segue sendo estratégico - permanecerá reduzido às dimensões da força de trabalho formal e dos sindicatos. Sem essa reconstituição não se superará o isolamento da esquerda, de suas forças políticas e movimentos sociais, com respeito às novas gerações de juventudes pobres. b) Tem, assim mesmo, de definir a natureza do período histórico com clareza – de hegemonia neoliberal -, com todos os seus elementos de força e de debilidade. Para o qual necessita compreender a capacidade hegemônica maior do neoliberalismo, que reside na sua capacidade de influência ideológica, a partir do chamado american way of life, que disputa a mente de pessoas de praticamente todos os países do mundo, de todas as idades, gêneros e etnias. c) Teria, além do mais, de construir a força social, política, ideológica e organizativa para poder construir essa alternativa pós-neoliberal. A listagem de requerimentos poderia alongar-se demais. Para poder resumi-los, diríamos que dois princípios fundamentais têm de nortear a ação de uma força de esquerda hoje: o de que, “sem teoria revolucionária, não há prática revolucionária” e o de que, “nas sociedades de classe, a ideologia dominante é a ideologia das classes dominantes”. São princípios, porque estão profundamente ancorados na realidade e, embora às vezes se queira esquecê-los, reaparecem à nossa frente como constitutivos da luta contra as sociedades capitalistas, como vetores incontornáveis de qualquer prática social que se pretenda de transformação da realidade. O primeiro remete à ideia de que a prática é implacável frente aos erros teóricos ou à sua falta de elaboração teórica. Pois que, sem decifrar os nós que articulam a realidade concreta, não é possível transformar a teoria em instrumento de transformação. Ainda mais com fortes pressões institucionais e da mídia, via hegemonia do ideário liberal, a ausência de formulações teóricas que ancorem as propostas programáticas, estratégicas e táticas condena inevitavelmente as forças de esquerda à cooptação frente a essas pressões. O segundo representa a necessidade de construir projetos alternativos, para não facilitar uma tendência que hoje é dominante: a adaptação às políticas existentes, à institucionalidade existente, aos consensos fabricados pela grande mídia privada. Representa o reconhecimento da força da hegemonia liberal, tanto a nível econômico e político quanto social, como instrumento de disseminação dos valores da forma de viver estadunidense, que penetra praticamente em todos os setores da sociedade. No essencial, trata-se de reconhecer a dimensão da tarefa pela frente: a de elaborar um projeto pós-neoliberal e construir a força - social, política, cultural e moral - capaz de torná-lo realidade. Veja mais aqui.

NO COLO DO PAI – O livro No colo do pai (Companhia das Letras, 2006), do dramaturgo, cineasta e escritor paquistanês Hanif Kureishi, é um mist de memória e ensaio autobiográfico, construindo duas trajetórias que envolvem, de um lado, o pai angustiado por uma vida inteira que poderia ter sido, mas não foi; e de outro, o filho que conseguiu se afirmar pessoalmente num país repleto de intolerância racial, fascinado pela contracultura num ambiente ainda preso a tradições, correndo riscos e pagando o preço para se libertar dos modelos políticos, religiosos e familiares de seu tempo. Da obra destaco o trecho inicial: No chão, num canto do meu escritório, saliente sob a pilha de papéis diversos, há uma pasta verde velha e surrada que contém o texto capaz de, suponho, revelar muita coisa a respeito de meu pai e de meu próprio passado. Desde que o descobri, porém, fico olhando para ele, depois desvio a vista para me concentrar em outra coisa, pensando nele sem fazer nada a respeito. Recebi o original há poucas semanas, reaparecido depois de mais de onze anos. É um romance escrito por meu pai, um legado de palavras, um testamento prolongado, talvez - ainda não sei o que contém. Como o restante de sua obra de ficção, nunca foi publicado. Acho que devo lê-lo. Quando comecei a pensar no livro que estou escrevendo, deitado à noite na cama - antes de acharem o texto de meu pai - eu pretendia que a obra começasse com outros livros. Refletia sobre o passado, como agora faço frequentemente, recuando mais e mais nos devaneios, e pensava que reler os autores que apreciava na juventude talvez fosse um modo de captar meu jeito quando jovem. Retornaria, por exemplo, a Kerouac, Dostoiévski, Salinger, Orwell, Hesse, Ian Fleming e Wilde, para ver se conseguiria habitar novamente os mundos que um dia eles criaram em minha mente, e me reconhecer dentro deles. Além de tratar dos escritores mais importantes para mim, o livro deveria versar sobre os anos 1960 e 1970, postos ao lado do presente, incluindo material sobre o contexto no qual a leitura e depois a releitura ocorreram. Cada livro, eu esperava, reacenderia lembranças das circunstâncias em que fora lido. Isso faria então com que eu pensasse no que cada livro específico passara a representar para mim. Independentemente de quem mais constasse no livro, decidi desde logo concentrar o foco na obra de Tchecov, em suas cartas, peças e contos. Ele era um dos escritores favoritos de meu pai, e o discutíamos com frequência, o médico e o homem. Todos os livros contêm alguma atitude perante a vida, mas com o tempo abandonamos a maioria dessas abordagens; como relacionamentos extintos, elas não têm mais nada a nos oferecer. Mas ainda sinto curiosidade a respeito de Tchecov e das numerosas vozes que sua obra consegue sustentar, penso com freqüência em retornar não apenas a seus escritos mas a ele como homem, retornar ao modo como ele pensava e sentia e às questões que propunha. Atingi uma espécie de consciência pessoal e política nos anos 1970, uma época particularmente ideológica de auto-representação agressiva. Mulheres, gays e negros começavam a divulgar uma versão nova ou inédita de sua história. Para alguém que pretendia trabalhar no teatro, como eu, era impossível escapar ao argumento de que a cultura era inevitavelmente política. Depois de Trotsky ter dito que "a função da arte em nossa época é determinada por sua atitude perante a revolução", as únicas questões que restavam aos escritores eram: onde você se encontrava? O que você estava fazendo? (Ninguém poderia dizer: que revolução? sem ser excluído da conversa.) Quando eu não sabia qual era o objetivo de minha arte, ou quando queria pensar no que fazia como uma exploração de idéias e personalidades, eu me lembrava de Tchecov. Era um escritor sutil, o poeta supremo da desilusão, do sofrimento e da impotência; e, a exemplo de Albert Camus, um homem capaz de ver que ser empurrado para um nicho ideológico não beneficiava ninguém. O livro que eu pretendia escrever originalmente teria uma forma "livre", mais para o diário do que para a crítica, e trataria do modo como se lê ou se faz uso da literatura, tanto quanto de outras coisas. Afinal, é raro - para mim - ler um livro de ponta a ponta numa tacada. Leio, vivo, retorno ao livro, esqueço quem são os personagens (principalmente se eles têm nomes russos), pego outro livro, deixo de lado, saio de férias, e talvez chegue ao final sem me lembrar do começo. [...] Veja mais aqui.

FADISTA: VIAGEM NAS PRIMEIRAS HORAS – O poeta e dramaturgo nigeriano Wole Soyinka foi o primeiro africano a ser contemplado com o Prêmio Nobel em 1986, autor de obras como Idanre and Other Poems (1967), Poems from Prison (1969), A Shuttle in the Crypt (1972), Poems of Black Africa (1975), Ogun Abibiman (1976), Mandela’s Earth and Other Poems (1988). Entre seus poemas destaco Viagem: Mesmo chegado ao fim da viagem, / jamais senti que tinha chegado. / Peguei a estrada / lentamente a subir a encosta das perguntas, e que me leva / inclusive a descer à terra que conduz a casa. Sei / que a minha carne está claramente mordiscada, perdida / para o perturbado peixe entre as vagas sussurrantes – deixei-os para trás em minha rota / E assim também com o pão e o vinho / necessito a partilha da derrota e da carestia / deixei-os para trás em minha rota / jamais senti que tinha chegado. / Embora amor e boas vindas me acolham em casa / os usurpadores gastam o meu copo em cada / banquete como se fosse a última ceia. Outro de seus poemas que merece destaque é Fadista: A minha pele está puída em demasia / De mim restam apenas as raízes capilares, os filtros fibrosos / Do nervo do tabaco puro / A tua rede está urdida com cordas de sitar / Para conter as mágoas dos deuses: muito deambulei / Em abóbadas de lágrimas da sublime / Rainha dos tormentos noturnos, tu tensas / suturas de música para suportar a imposição dos ritos / De vivos e mortos. Tu / Arrancas prantos estranhos da trovoada / Peneiras pedras raras das cinzas lunares, e elevas / Recados noturnos para o trono da angústia / Ai, há pétalas de mais machucadas / Para perfume, pesa de mais o passo do ar na asa da mariposa / Para uma xícara de pó de arco-íris / Dor de mais, ai, parteira no grito / Da ruptura, dedilha no cordão cósmico, imensas de mais / As dores pascais para um triz do eterno / Livrar-me-ia da tua tirania, livrar-me-ia / De súbitos mergulhos da carne no terremoto / Além de todo o abatimento de juízo / Livrar-me-ia de passeios precipitados / Em resmas de rochas e veias vulcânicas, puxado por corcéis escuros / sobre melódicas rédeas cinzentas. Por fim o poema Nas primeiras horas: Azul diáfano, o fumo do tabaco / Serpentine em filme molhado e esmalte de madeira, / Silencia cromo, grinaldas cortinas de veludo, / Escurece a caverna de espelhos. Dedos fantasma / Algas cabelo pente, veias Acquamarine derrame / Marooned de marinheiros, prisioneiros / De notas sensuais de Circe. O barman / Dispensa ígneas poções? / Somnabulist, a banda toca por diante. / Misturador cocktail, peixe prateado / Danças para clientes limpet. / Aplausos está mergulhada na lassidão, / Emaranhadas em teias de sussurros dos amantes / E cílios artful do andrógino. / O pairando carícia notas da noite / Mellowed índigo profunda? Ainda jogam. / Linger partidas. Ausências não / Empobrecem a taverna. Eles pairam sobre a neblina / Como exalações de margens recuaram. Em breve, / Noite retomar a posse do silêncio, mas até o amanhecer / As notas de dominar, smoky / Epifanias, possessivo das horas. / Perdoa essa música queixa, redime / A surdez do mundo. Noite se transforma / Para casa, envolto em notas de consolo, pregas / O silêncio quebrado do coração. Veja mais aqui.

O SIGNIFICADO DA TÉCNICA TEATRAL – No ensaio Linhas Fundamentais da dramatologia sociológica (Estética Teatral, 1980), do diretor, produtor teatral e um dos expoentes do teatro épico alemão, Erwin Piscator (1893-1966), ele trata do significado da técnica assinalando que: [...] A economia e a política são o nosso destino, e como resultado de ambas a sociedade, o social. E é somente quando reconhecemos esses três fatores, por consentimento, pela luta contra eles, que estabelecemos ligações entre a nossa vida e o histórico do século vinte. Logo, quando apresenta a elevação das cenas particulares ao histórico como ideia fundamental de toda a ação cênica, não se pode entender outra coisa senão a elevação ao politico, ao econômico e ao social. É por eles que unimos o palco à nossa vida. Quem à arte do nosso tempo apresenta outras exigências, faz, consciente ou inconscientemente, que se verifique o desvio ou o entorpecimento de nossas energias. Não podemos deixar que irrompam na cena impulsos ideais, éticos ou morais, quando as suas molas verdadeiras são políticas, econômicas e sociais. Quem não quer ou não pode reconhecer isso, não vê a realidade. E igualmente não pode o teatro dar vazão a outros impulsos, se pretende ser realmente o teatro atual e representativo da nossa geração. [...] O teatro atual, como a mim se apresente e como eu o dirijo, não pode limitar-se a agir sobre o espectador apenas artisticamente, isto é, esteticamente, sob a forte acentuação do sentimental. A sua missão consiste em intervir ativamente no curso do fato histórico. E ele só cumpre a missão mostrando a história em seu curso. O teatro não pode aceitar nenhuma limitação a isso. Tem de reivindicar o direito de, no curso histórico de um determinado período como expoentes de forças sociais e políticas. A única limitação que o teatro atual reconhece, na representação de tais personalidades, é a verdade histórica [...]. Veja mais aqui.

FATAL CHARM – O suspense Fatal Charm (1977), dirigido por Stelvio Massi, tem uma bela imagem e uma razoável história sobre o desaparecimento de mulheres bonitas, até que um detetive passa a investigar o caso para descobrir o mistério por trás desses desaparecimentos. A película traz muita ação, aventura e suspense, culminando com a destacada atuação da atriz e escritora britânica Joan Collins que ficou famosa com a série Dynasty e pela sua participação especial na série A cidade a beira da eternidade. Em 2014 ela revelou que foi violada aos dezessete anos pelo ator Maxwell Reed, que viria a ser o seu primeiro marido. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte do gravador tcheco Václav Hollar (1607-1677).

Veja mais sobre:
O passado escreveu o presente; o futuro, agora, Sociolinguística de Dino Preti, o teatro de Bertolt Brecht, Nunca houve guerrilha em Palmares de Luiz Berto, a música de Adriana Hölszky, a escultura de Antonio Frilli, a arte de Thomas Rowlandson, a pintura de Dimitra Milan & Vera Donskaya-Khilko aqui.

E mais:
A liberdade de expressão, A filha de Agamenon de Ismail Kadaré, A natureza de Parmênides de Eléia, Poema sujo de Ferreira Gullar, O teatro essencial de Denise Stoklos, a música de Badi Assad, o cinema de Ingmar Bergman & Liv Ullmann, a escultura de Emilio Fiaschi, Programa Tataritaritatá, a pintura de Gustav Klint & Vera Donskaya-Khilko aqui.
O discurso do método de René Descartes, a música de João Bosco, o teatro de Denise Stoklos, o cinema de Ingmar Bergman, a pintura de Gustav Klimt, Sandra Regina, Bernadethe Ribeiro & Danny Calixto aqui.
Literatura de cordel: História do capitão do navio, de Silviano Pirauá de Lima aqui.
Preconceito, ó! Xô pra lá, Diários de viagem de Franz Kafka, A revolta de Atlas de Ayn Rand, A lua e o infinito de Giacomo Leopardi, a música de Leoš Janáček & Cheryl Barker, o cinema de Alessandro Blasetti & Sophia Loren, Maguerite Anzieu & Jacques Lacan: caso Aimée, a arte de Liliana Castro, a pintura de Helmut Breuninger & Hermann Fenner-Behmer aqui.
Os vexames dum curau no sul, O absurdo de Thomas Nagel, Voragem de Junichiro Tanizaki, Pretidão de amor de Emílio de Meneses, Mão na luva de Oduvaldo Vianna Filho, o cinema de Olivier Assayas & Maggie Cheung, a música de Rosalia de Souza, a pintura de Pierre-Auguste Renoir & Suzanne Frie aqui.
Quadrilha das paixões mais intensas, Vaqueiros & cantadores de Luís da Câmara Cascudo, Terra de Caruaru de José Condé, a música da Orquestra Armorial & Cussy de Almeida, A Setilha de Serrador, O casamento de Maria Feia de Rutinaldo Miranda Batista, a arte de Roberto Burle Marx. a xilogravura de Severino Borges, J. Miguel & Vermelho aqui.
Entre nós, vivo você, as gravuras de Lasar Segall, a música de Sivuca, Cartilha do cantador de Aleixo Leite Filho, Cancão de fogo de Jairo Lima, a poesia de Belarmino França, a arte de Luciah Lopez, a xilogravura de J. Borges & José Costa Leite aqui.
Dos bichos de todas as feras e mansas, Cantadores de Leonardo Mota, O Romance da Besta Fubana de Luiz Berto, O martelo alagoano de Manoel Chelé, a música do Duo Backer, a escultura de Antoni Gaudí, a militância de Brigitte Mohnhaupt, a arte de Natalia Fabia & a xilogravura de J. Borges aqui.
Quem desiste jamais saberá o gosto de qualquer vitória, A linguagem & as ciências de Roman Jakobson, Nos caminhos de Swan de Marcel Proust, a arte de Regina José Galindo, a fotografia de Thomas Karsten, a pintura de Henry Asencio, a música de Secos & Molhados & Luiza Possi aqui.
Tudo em mim, mestiço sou, O povo brasileiro de Darcy Ribeiro, A história da minha vida de Helen Keller, Anarquismo & ensaios de Emma Goldman, a escultura de Luiz Morrone, a fotografia de Pisco Del Gaiso, Os Fofos Encenam & Viviane Madu, a música de Guilhermina Suggia & a pintura de Martin Eder aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: Lezend naakt, do artista plástico holandês Isaac Lazarus Israels (1865-1934)
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
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sexta-feira, agosto 21, 2009

LAGERKVIST, IBSEN, RENARD, GUSTAV SUITS, HELENA IGNEZ, MARGARET FULLER, FRANZ KLINE, JOAN COLLINS, IDEALISMO & EDUCAÇÃO

A arte do pintor estadunidense Franz Kline (1910-1962).

QUEM SE VÊ E O QUE É VISTO – UMA: DE NARCISO A CALIBÃ – Sei quem sou, nem sempre. Às vezes até me desconheço. Dei um mergulho dentro de mim, máscaras e chapéus removidos, o que sobrou de mim, quase nada. Havia muitos outros que eu mesmo. Precisava verdadeiramente me conhecer e ser quem realmente sou. Foi possível quando Pär Lagerkvist brandamente insinuou: Os homens gostam de se ver refletidos em espelhos pouco transparentes. Quis ir fundo, me virei pelo avesso e me descobri inútil. É assim que sou e precisei me aceitar para que pudesse ser feliz comigo mesmo. DUAS: QUEM É OU NÃO É - O meu maior conflito era o de querer agradar todo mundo e isso me levava a desagradar de mim. Muita coisa feita contra a vontade, só para agradar os outros. Outras mais me levaram a sucumbir só para que os outros me vissem melhor do que realmente sou. O pior era não saber dizer não. Ainda tenho dificuldades com relação a isso. Mas já consigo, pelo menos, sair ou escapar das insistências as quais não quero ir ou fazer. Ainda preciso ainda melhor me acomodar a mim mesmo. E a lindíssima Helena Ignez carinhosamente me mostrou o caminho das pedras: Hoje eu sou uma pessoa mais amorosa, por isso eu não pegaria em armas. Estou aprendendo a administrar o que aparece para fazer apenas o quero e gosto. Preço alto a pagar, com certeza. TRÊS: DA SEGURANÇA ENTRE INCERTEZAS – Sabia de antemão o caríssimo preço que teria que pagar pela minha independência. Confesso: não pensei que seria altíssimo. Entre erros e acertos, perdi todas. Se havia algo a fazer, era confiar em mim mesmo e seguir adiante de cabeça erguida. Guardei o que Henrik Ibsen falou: Se duvidas de ti mesmo estás vencido de antemão. Finge ignorar os teus inimigos; não caias na vulgaridade de defender-te. Depus todas as armas e amarras, desfiz arestas e escusas, passos firmes, pisadas suaves e ergui a fronte sabendo que cada piso e pessoa eram para lá de falsos. Era comigo mesmo que eu tinha que me resolver e assim levar tudo em bom termo. A vida não é tão fácil quanto se diz, são muitos caminhos com tantas pedras, cada qual com seu grau de dificuldade. É só seguir confiante em si, mais nada. Fiz e voo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.


DITOS & DESDITOS - A pessoa prudente aproveita a sua experiência. A sábia aproveita a experiência dos outros. Pensamento da atriz e escritora britânica Joan Collins, que atua como colunista e que confessou ter sido violentada na adolescência pelo ator que seria, posteriormente, seu primeiro marido, Maxwell Reed.

ALGUÉM FALOU: Hoje um leitor, amanhã um líder. Se você tem conhecimento, deixe os outros acenderem suas velas nele. Pensamento da jornalista e feminista estadunidense Margaret Fuller (1810-1850), defensora dos direitos da mulher e associada ao movimento transcendentalista, autora do livro Woman in the Nineteenth Century (The Dial, 1843), então com o título de O grande processo: homem versus homem, mulher versus mulher, republicado em 1845 com o título definitivo.

A PRUDÊNCIA, A LIBERDADE, A IRONIA & O AMOR - A prudência não passa de uma qualidade: não devemos transformá-la em virtude. A liberdade tem limites que a justiça lhes impõe. A ironia é sobretudo uma brincadeira do espírito. O humor seria antes uma brincadeira do coração, uma brincadeira de sensibilidade. O amor mata a inteligência. O cérebro faz de ampulheta com o coração. Um só se enche para esvaziar o outro. Pensamento do escritor francês Jules Renard (1864-1910).

INSPIRAÇÃO - Isto é tão estranho. / Este não é o começo certo. / Ou é? / O fato. / Tudo é um milagre. / Tempo e algo dentro. / Vida. / A criança cresce dia após dia, hora a hora. / Depois de você, longe de você e de volta para você novamente. / Seu próprio milagre. / Às vezes o tempo está parado, ele parece estar carregando você. / Há rachaduras dentro e escoa entre eles. / Bom, ruim, às vezes bastante aleatório. / Você não entende. / Você é grato. / Seu próprio milagre. / O dia é comum, até irritante. / Não há vontade, mas deve. / Um não conseguiu, o outro provavelmente está bebendo novamente. / Você ainda pode insultar, mas novamente o dia / não tira toda a esperança. / E há alguma leveza. / Seu próprio milagre. / De fato, esta vida não é tão curta. / Algumas vezes você pode sentir / que o céu está alto e distante, / mas de alguma forma se dá bem com você. / Essa claridade e luz especiais que impressionam / realmente limpar tudo. / E se você for assim que voltar, / se o tempo dado a você tiver sido somado / e encontrado no final, / se o fogo se apagar. / Então nada resta. / Isto é tão estranho. Poema do poeta estoniano Gustav Suits (1883-1956).


O IDEALISMO - O Idealismo se constitui como uma corrente filosófica que teve sua origem no pensamento platônico, faz parte da revolução filosófica de Descartes e incluído no Idealismo alemão de Kant e Hegel. Esta doutrina traz por postulado básico o entendimento de que o eu é objeto para o próprio sujeito, fundando-se na racionalidade e considerando que o real são idéias ou representações e que o conhecimento da realidade se reduz ao exame dos dados e das operações de nossa consciência ou do intelecto como atividade produtora de idéias que dão sentido ao real e o fazem existir para nós. Desta forma, pretende o presente estudo abordar as questões atinentes aos conceitos e definições do Idealismo, localizando em sua especificidade, a questão da educação, pormenorizando os pensamentos e idéias expressas por seus cultores. O Idealismo é uma doutrina que, conforme Russel (2005), é defendida com base em vários fundamentos distintos. A doutrina é tão amplamente sustentada, e tão interessante em si mesma, que mesmo a mais breve exposição filosófica deve oferecer uma idéia a seu respeito. Entende, pois, o autor mencionado, que as bases sobre as quais o idealismo é defendido são geralmente bases derivadas da teoria do conhecimento, ou seja, de uma discussão das condições que as coisas devem satisfazer a fim de que possamos ser capazes de conhecê-las. O idealismo estabelece a separação entre o sujeito e o objeto considerando o psíquico como sendo a manifestação da esfera interior do homem. Em Platão, sob a ótica ontológica, a realidade verdadeira está no mundo das formas inteligíveis, nas idéias que são acessíveis à razão, reduzindo o real ao ideal e submetendo o ser em idéia. Em Descartes, o idealismo metódico fica evidenciado pela racionalização que coloca a dúvida em primeiro plano e antes de tudo, sobre o conhecimento estabelecido, partindo da dedução do pensar. O idealismo dogmático e imaterialista de Berkeley, defende que os sentidos estão inerentes ao ser humano e que diante dos argumentos o sujeito ouve, sente e experimenta, tomando conhecimento da realidade, formando-se a idéia. Para ele tudo que se conhece é idéia. Em Kant, sob a ótica gnosiológica e transcendental, tratado como fenomênico, no qual o objeto é algo que só existe em uma relação de conhecimento, fazendo distinção do conhecimento e do objetivo, submetendo-os a modos específicos e humanos de conhecer. A primeira tentativa de Kant, Hobbes e Descartes, é a recuperação da razão universal, originária do próprio sujeito através do pensamento na ação humana constituir assim uma Ética Universal. Através de uma nova civilização a Ética filosófica aceita por Kant e por Hegel, foi naturalmente submetida a um processo de fragmentação, pelas formas de racionalidade da ética atual, havendo assim a necessidade de uma Ética Universal ou de novos princípios Éticos. O idealismo absoluto de Hegel é fiel ao historicismo romântico, considerando o vir-a-ser dialético, o desenvolvimento, como realidade num processo emanentista, quer dizer, circular. O idealismo hegeliano defendia que não é o sujeito que gira em torno do objeto, mas, ao contrário, o objeto que gira em torno do sujeito, pois, conhecer para ele, não é refletir, ou reproduzir, pelo pensamento, uma realidade exterior, independente do sujeito. Com Hegel chega o fim das grandes concepções éticas, que se iniciara com Platão. O mister filosófico é de que o agir humano, só é racional e livre dentro de um pensamento da realidade, que permita o sujeito da ação, transcender as normas e nelas descobrir seus fins. Para Hegel, toda educação deve ser dirigida para o individuo fazendo-se objetivamente no Estado. Avaliando todo exposto, com base em Russel (2008), Reale (2002) e Lima (2009), entende-se que o idealismo professa a idéia que o pensamento se sobrepõe sobre as coisas. Isto quer dizer que o pensamento de um sujeito se realiza quando este pensa, sendo, pois, essencialmente, a correlação entre o objeto pensado e o sujeito pensante. Por isso, o pensamento é a relação entre o objeto pensado e o sujeito pensante. Esta exposição filosófica se dá com o surgimento do pensamento cartesiano, seguindo-se aos ensinamentos de Kant que trouxe a primazia da moral, Ficjte que parte do absoluto realizando a intuição do absoluto sob a espécie do eu, em Schelling que traz a identidade absoluta tratando de uma personalidade intelectual diferente, ou seja, de um esteta, até chegar na razão absoluta hegeliana. A esta altura entende-se que os idealistas reuniram de forma distinta todo arcabouço intelectual do idealismo, partindo do absoluto e formatando a idéia do conhecimento por meio das idéias. Tal fato vai originar a verdadeira percepção educacional da aprendizagem, onde cada um ao perceber a existência das coisas, terá, anteriormente, a idéia dessa concepção. O idealismo, portanto, apresenta um ponto de vista de caráter voluntário no contexto cartesiano, ao estabelecer que o juízo não é simplesmente uma operação intelectual exclusivamente, mas a vontade que nega ou afirma, simbolizando uma fundamental característica do Idealismo. Dá-se, daí, que o idealismo se comporta dentro de uma atitude introvertida consistindo no posicionamento do olhar e da atenção a um determinado local ou lugar, recaindo no próprio eu, isto com um esforço voluntário, em atitude reflexiva girando em si mesmo, artificial de se dirigir a atenção para todo o foco de onde a atenção parte. Desta forma, o conhecimento para o Idealismo, é uma atividade que sai do sujeito para alcançar as coisas, elaborada conceitualmente e finalmente constata a realidade da coisa descoberta, sendo, portanto, o final a realidade da coisa e última atividade no degrau do conhecimento para aquisição da consciência da coisa real. Compreende-se, portanto, que a atitude voluntária, introvertida e voluntária do idealista, traz a consideração de que a realidade não é algo dado, mas como aquilo que se vai conquista pela força do pensamento. Desse modo, a consciência para o idealista é o eu mesmo pensando, tomando conhecimento das coisas e do mundo. Daí entender-se porque o |Idealismo também é chamado de Racionalismo, porque desfez a unicidade do ser humano aristotélico, quando o corpo é tratado como uma máquina que possui uma alma que o dirige, o homem sai da medida de todas as coisas para o cogito cartesiano, passando a ser, assim, a medida de tudo pelo pensamento que possui a potencia de criar a realidade. Daí vem a idéia cartesiana de que o homem nasce das idéias inatas. A partir disso a filosofia kanteana conciliando a filosofia e a ciência, tratando que o homem não conhecerá jamais a realidade em si, apenas os fenômenos, propondo sua gnosiologia e influenciando a educação, onde expressa a razão com suas categorias do entendimento, quando o conhecimento passa a se exprimir de dentro para fora, cumprindo o dever pelo dever, provocando o voluntarismo e o otimismo educacional, uma vez que para Kant a educação pode tudo. Ocorre, então, o Idealismo hegeliano com a sua filosofia dialética que é a visão substancial do movimento da realidade porque tudo está sendo, é o devir. Com isso a razão ou idéia passa a ser a tese de onde tudo provém da dialética e todas as coisas vehetais, humanas, minerais, animais e do Estado. Por isso, na educação o Idealismo se projeta mais espiritualmente que para o ser humano, manifestando o impulso para dentro do interior humano, que é considerada a sede do espírito, ou seguindo para o além onde se encontra o verdadeiro mundo. Desta forma, o pensamento hegeliano entende que o homem prescinde de espaço e tempo, porque se manifesta o mesmo em toda e qualquer parte, razão pela qual, deve ser recepcionado por uma educação igualitária. Sendo então o homem um ser contemplativo, ele nasce para conhecer, este sendo a verdadeira felicidade: o conhecimento das idéias.  Vê-se, portanto, que a educação Idealista se caracteriza pela tutela estatal de caráter cívico. A pedagogia do idealismo, conforme Lima (2009), defende que a educação deve desenvolver a faculdade da razão, levando à formação do caráter moral. Esta pedagogia, no entendimento de Saviani (2007), ocupa o espaço da educação, entendida como a arte de ensinar tudo a todos, observando os fins da educação a partir da ética e os meios baseados na psicologia. Mediante esta exposição, passa-se às considerações finais.
CONCLUSÃO - O idealismo, conforme visto no presente estudo, está contido no principio da imanência, considerando que o homem só conhece suas idéias ou pensamento para conhecer diretamente algo. A partir disso, encontrou-se o idealismo como agrupamento de doutrinas que compreendem tudo e todas as coisas como idéias, explicitados pelos pensadores Kant, Berkeley, Fichte, Schelling e Hegel. Por meio deles deu-se de conhecer o idealismo na imanência do conhecimento, o que corroborou a pedagogia idealista sendo processada a partir do idealismo platônico que se condensa com as demais correntes do idealismo, como o cartesiano, o kantiano, o hegeliano e as nomenclaturas idealistas adotadas na contemporaneidade. Verificou-se que a educação idealista está baseada na ética, na filosofia e na psicologia, o que resulta numa importante teoria educacional que compreende a racionalização, a metodologia e o formato de um procedimento cientificamente aceitável. Percebe-se, contudo, que o Idealismo se expressa como uma doutrina coerente e ontológica, ensinando que a realidade verdadeira não está, senão, dentro do próprio homem. O conhecimento não é desprezado pelo idealista, uma vez que este conhecimento possui um substrato espiritual despertando a racionalidade. A critica aponta vantagens no pensamento idealista que superaram os empiristas, os materialistas, os pragmatistas, os positivistas, entre outros. No entanto, como conseqüência do pensamento baseado no principio da imanência da realidade do espírito, entende-se ter, assim, uma concepção que se mostra unilateral quanto a compreensão do mundo. Além do mais, o pensamento idealista é visto, no domínio da educação, como de suma importância pela adoção da idéia de transformar o homem e o mundo. Embora sejam encontradas críticas severas contra o idealismo e, por conseqüência, a pedagogia idealista, observa-se, no entanto, se destina a uma contribuição na busca da pedagogia dos anseios e desejos de todos, formando, assim, a base para a consolidação da educação como eficiente e eficaz ferramenta que seja capaz de contemplar a todos que necessitam. Veja mais aquiaqui.

REFERÊNCIAS
Lima, P. G. (2009). A pedagogia do idealismo alemão. Dourados: UFGD.
Reale,M. (2002). Introdução à filosofia. São Paulo: Saraiva.
Russel, B. (2008) Os problemas da filosofia. Lisboa: 70.
Saviani, D. (2007). Pedagogia: o espaço da educação na universidade. Cadernos de Pesquisa, v. 37, n. 130, jan./abr.


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